Pois é, estou ficando moderno... Eu não vejo mais com os meus olhos, mas vocês podem me ver nas diversas redes sociais: neste blog, no Facebook, no YouTube, no site e, agora, no Instagram. Quem já viu as postagens no Instagram diz, com todas as letras: EX-CE-LEN-TE! Estou todo ancho, todo assim-assim, metido e pimpão. Não é pra menos, é? Ah! Também tenho até canal próprio. E até uma web rádio. Lá vão os endereços:
Meio mundo pensa que o milésimo gol do Pelé foi marcado na noite de 19 de novembro de 1969, no estádio do Maracanã. Pois bem, meio mundo pensa desse modo e pensa errado. O milésimo gol de Pelé foi marcado cinco dias antes, ou seja: na noite de 14 de novembro de 1969, em João Pessoa. Foi no jogo entre o Botafogo paraibano e o Santos. A expectativa era grande. O estádio José Américo de Almeida, que naquela noite seria inaugurado, estava lotado até a tampa. Os locutores esportivos espalhavam no rádio a pergunta entusiasmante: Pelé vai fazer ou não o seu milésimo gol em João Pessoa?
Marcado para as 20h, o jogo começou duas horas depois. No primeiro tempo, 2 a 0 para o Santos. No segundo tempo, aos 23 minutos, Pelé enche o pé e marca de pênalti o tão esperado milésimo gol. Ouvi pelo rádio. Cinco dias depois, no Maracanã, também de pênalti, Pelé marcaria o 1.001º gol. Esse jogo assisti depois pelo Canal 100. Pelé nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações (MG). No decorrer da carreira, marcou 1.281 gols em 1.363 partidas. Não à toa, Pelé continua sendo o Rei do Futebol. No Acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) há grande quantidade de discos e livros referentes a Pelé. E filmes, como Pelé Eterno, do qual modestamente participei como consultor musical. Curiosidade: o novelista Benedito Ruy Barbosa foi o primeiro autor a escrever uma biografia sobre o Rei do Futebol, intitulada Eu sou Pelé (editora Francisco Alves, 1963). Ah, sim! No livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira eu conto muitas histórias do Pelé. Está esgotado, mas quem procura...
O senado brasileiro foi criado no dia 6 de maio de 1826. Tempos do Império. Pedro I mandando e desmandando, antes e depois de entrar para a história como o libertador da Pátria após dar o grito que não deu às beiras do riacho Ipiranga, na zona sul da Capital paulista.
Que se saiba, não houve escândalos cabeludos no Senado à época do Império. O jornalista e escritor Machado de Assis (1839 - 1908) costumava cobrir os debates que ocorriam no Senado presidido pelo Marquês de Santo Amaro, de batismo José Egídio Álvares de Almeida (1767 - 1832). Santo Amaro aqui citado é o mesmo Santo Amaro baiano onde nasceram Caetano e sua irmã Bethânia. E o cantor pioneiro na gravação de discos Manoel Pedro dos Santos (1870 -1944).
Ao contrário dos tempos do Império, os tempos atuais têm registrado escândalos a dar com pau no nosso Senado. Escândalos de todo o tipo. Até de assassinato, peculato, o escambal.
Até o pai do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello, Arnon de Mello, andou dando tiros nas dependências do Senado. Isso em 1963. Um dos tiros atingiu e matou o suplente de senador José Kairala. O assassino foi absolvido.
Um em três senadores respondem atualmente algum tipo de processo no STF. Muitos por corrupção, peculato.
Quando o Senado foi criado, os senadores, em número de 50, eram nomeados pelo imperador. Hoje 81 cadeiras ocupadas pelo que determina as urnas.
Cassar um Senador ou Deputado é a coisa mais difícil do mundo.
O caso recente do Senador pego em flagrante com a cueca e as partes pudendas cheias de grana pode simplesmente sair-se livre, leve e soltinho da silva da encrenca em que se meteu. Agora mesmo, ele anda dizendo que nunca fora abordado pela polícia e, surpreso, o primeiro pensamento que lhe veio na ocasião foi esconder o dinheiro que pagaria a seus empregados. É mole?
Enquanto isso, o presidente da casa Davi Alcolumbre costura um meio de preservar o caro colega das garras da justiça.
A isso dá-se o nome de spirit de corpus, que vem a ser a defesa de um por todos ou todos por um. O popular, porém, chama isso "espírito de porco".
O senado é uma espécie de casa de mãe Joana ou uma verdejante horta, onde os bodes se refestelam.
Alcolumbre quer ganhar mais um mandato como presidente do Senado. Isso é claro e para isso ele precisa dos votos de todos os seus coleguinhas. Inclusive dos que estão com as mãos sujas culpa e a alma vendida ao demo pelas maldades praticadas contra o povo.
No STF há, no momento, mais de 500 processos criminais contra senadores, deputados e outros figurões que gozam de foro privilegiado.
O que escreveria o jornalista Machado de Assis numa situação dessa, hein?
Dia desse peguei o telefone perguntei a Vandré, que mora no Rio, como ele se classificaria politicamente: se de esquerda ou de direita. "Nem uma coisa nem outra", respondeu ironicamente, depois de uma risadinha. Não é fácil definir-se politica ou ideologicamente no Brasil. São 33 partidos com representação no Congresso, atualmente. Fora esses, há mais 73 partidos à espera de aprovação pelo TSE. O Brasil é um país com uma área territorial superior a 8,5 milhões km2, 26 Estados e um Distrito Federal e uma população de mais de 200 milhões de habitantes, com 14 milhões de profissionais desempregados. É certo que muita gente não sabe a definição ou significado de "esquerda" e "direita". Esquerda é a ideologia que reconhece e aspira a igualdade social. A direita é o contrário. Mais: acha ainda que desgraça e pobreza são coisas naturais.
Radicalismo de esquerda pretende que a sociedade curve-se ao Estado. A mesma coisa acha a extrema direita, em nome da Pátria. Difícil, não é? Mas política é uma coisa que contagia muita gente. Quem entra na política dela não deseja mais sair. É assim. Difícil é saber quem é de um lado e de outro, politicamente, ideologicamente. Isso tudo sem falar nos discursos vazios que ouvimos antes, durante e depois das campanhas. Há horrores inomináveis no campo minado da política. Meu amigo, minha amiga, tenha paciência e ligue o rádio ou televisão e acompanhe o blá blá blá dos candidatos a vereador ou a prefeito. A constatação é simples: eles não têm, na grande maioria, proposta alguma a apresentar. Fora isso, há ainda o bang bang verbal entre eles, que sobra pra nós. Pois é, o Vandré parece que tem razão.
POVO HUMILHADO
O Brasil continua sofrendo muito, nas mãos dos poderosos. Em todos os sentidos. A partir, mesmo, das empresas operadoras de telefonia. Em menos de meia-hora, o sinal do celular que uso para ditar meus textos caiu 19 vezes. Dizer mais o que, hein! É um horror ou não é? Por que os políticos não resolvem essa parada?
EM QUARENTENA
O programa Paiaiá em Quarentena recebe daqui a pouco o historiador e ficcionista Darlan Zurc. O apresentador do programa, Carlos Sílvio, diz estar ansioso para fazer um milhão e meio de perguntas ao Zurc, que está preparando lançamento de uma nova obra. O título é segredo. Tomara que Sílvio consiga extrair o título tão bem guardado. O encontro de ambos, virtualmente, ocorrerá às 20h30.
No dia 17 de outubro 1847 nasceu, no Rio de Janeiro, uma menina de família remediada logo carinhosamente chamada de Chiquinha. Essa Chiquinha era neta de uma escrava alforriada. Tinha 16 anos de idade quando o pai de Chiquinha arrumou um sujeito pra casar com ela. Era sujeito de posses.Com a família ligada ao comércio de escravos. Com ele Chiquinha teve 3 filhos e pulou fora. Voltou à casa dos pais. O pai não aceitou a separação e a deserdou. A Chiquinha de quem ora falo recebeu na pia batismal o nome de Francisca Edwiges Neves Gonzaga. Chiquinha Gonzaga foi a primeira maestrina a reger uma orquestra, no Brasil. O primeiro grande sucesso musical foi Atraente, um chorinho de 1877. Depois desse chorinho Chiquinha caiu na boca do povo com a opereta A Corte na Roça e Forró Bodó, peça do Teatro de Revista. Ó Abra Alas foi a primeira marcha carnavalesca da nossa história. Criação da Chiquinha. Francisca Edwiges Neves Gonzaga deixou uma obra com cerca de milhares de títulos. A data do nascimento de Chiquinha a criação do Dia Nacional da Música Popular Brasileira, se comemora hoje.
Não ter o que fazer é um problema. Aqui e alhures. Nestes tempos loucos de pandemia, de político mentindo e enfiando dinheiro na cueca; de violência e abandono, pior ainda. Os vírus e bactérias, aos milhões, nos rondam cheios de más intenções, no solo e no ar. É preciso calma, muita calma. E cautela nestes tempos loucos de pandemia etc. Por não ter o que fazer, pois pensar o tempo todo faz a cachola ferver, escrevi e publiquei quatro folhetos de cordel (Capa ao lado). E dei ponto final à adaptação que fiz de Os Lusíadas, de Camões (1524 -1580).
Essa adaptação a que intitulei A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar, está pronta pra teatro. É ópera popular. Certamente a primeira feita por um homem cego dos olhos.
Acabo de receber um exemplar do livro, Tempos de Isolamento (Reflexões e Qualidade de Vida), do editor potiguar, José Xavier Cortez. Esse é o primeiro livro de Cortez, aos 83 anos. O texto foi arrumado pela jornalista Goimar Dantas. O sumário está distribuído em 200 páginas. Deixei a aula diária de ginástica de lado para ouvir do professor Anderson Gonzaga a leitura de Tempos de Isolamento (Acima). O autor começa convidando o leitor para acompanhar suas impressões sobre a vida que trilhou até agora a partir da onda pandêmica que ora assola e assusta o mundo. É, na verdade, uma viagem o que José Xavier Cortez nos propõe. Ele é o condutor dessa viagem. Interessantíssima, diga-se de passagem. Nesse livro, Cortez recorda sua infância e os primeiros tempos de adolescente na terra onde nasceu, Urrais Novos, RN, a 194 km da capital Rio Grande do Norte, Natal. E o autor vai fazendo comparações até com os tempos da segunda Grande Guerra, quando gente de todo o tipo, idade e sexo foi morta das maneiras mais diversas e brutais na Europa, Ásia e EUA. A segunda Guerra deixou um saldo de mais ou menos 70 milhões de pessoas, bem menos do que a peste negra que ceifou um terço da população da Eurásia. Século XIV. A gripe espanhola também dizimou meio mundo. Um horror! Tempos de Isolamento é um livro de crônicas, de memórias. Cortez traz do passado os tempos que trabalhava no roçado, ao lado de irmãos. Fala também dos tempos de garimpo e do comércio de secos e molhados, até sentar praça na marinha, corporação da qual foi expulso logo após o golpe militar de 1964. É uma vida movimentada a de José Cortez. Curiosas são suas lembranças de moleque, quando lhe diziam para ter cuidado e não pisar nos restos de cobra. Aqui ele lembra da acauã, ave que come répteis e agoura a vida dos outros. É uma ave de canto arrepiante. Segundo a crença, acauã quando trina numa árvore seca, é sinal de tempo seco, seca. O contrário disso, é ano de chuva e fartura. Parece-se com a asa branca. Pois é, dá nisso não ter o que fazer. Eu escrevi e publiquei quatro folhetos e Cortez, esse livro cheio de lembranças e recomendações para quem não tem o que fazer, não é mesmo?
Que, fica parado é poste! Atenção: se tudo der certo e o mundo não se acabar, sob mediação do poeta Moreira de Acopiara, Cortez e eu estaremos amanhã, às 15 horas, falando sobre cultura popular, pandemia, não ter o que fazer e tudo o mais que nos vier à telha. Tudo isso ao vivo!
SECA NO NORDESTE
O governo do Estado da Paraíba decretou hoje situação de emergência em 148 municípios. Ontem 15 o governo potiguar já havia decretado situação idêntica em 18 municípios. Há seca também no Ceará e Sergipe. Enquanto isso o fogo continua comendo solto em Minas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e na Amazônia.
Neste fim de tarde acabo de receber uma notícia que muito me agradou: o Blog do Assis Angelo ultrapassou a casa dos 500 mil acessos.
A notícia quem me deu foi a colaboradora ativa do nosso Instituto Memória Brasil, IMB, Anna da Hora. O primeiro texto para este blog tratou da cantora e atriz Vanja Orico (1931-2015). Leia: DIA DA MENTIRA Dados a mim passados por Anna apontam que 48% de todos os acessos são provenientes desse nosso Brasilzão-de-meu-Deus-do-céu. O segundo país a nos acessar são os EUA, com 24%. O terceiro, Alemanha com 8%. Segundo o IBGE, há cerca de 500 mil brasileiros morando e trabalhando no Exterior. Os cinco textos mais acessados são:
Tenho uma amiga querida e sensível, pra lá de brincalhona que foi não foi diz que "no blog do Assis tem tudo quanto é assunto. Tudo mesmo!" Procuro aqui colocar minhas impressões a respeito da rua onde moro e do país, onde vivo. E do mundo também. Simples, né? O poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) que deu vida a mais de uma centena de personagens, falava com toda propriedade possível: "Se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia". Pois é, a universalidade está em nós.
Ouço no rádio e TV propaganda política paga em que uma cantora de samba discorre sobre o branco e o preto. Ela diz que uma entre duas pessoas da mesma profissão é preterida, na maioria das vezes, pela cor negra da pele. Triste isso. Dados do IBGE de 2019 indicam que 42,7% da população brasileira são de brancos. Dizem também os números do IBGE que 46,8% são, declaradamente, pardos. Dizem também os números que 9,4% são, igualmente alto declarados, pretos. E, por fim, a mesma pesquisa aponta que 1,1% dos demais brasileiros é formada por amarelos ou índios. A população brasileira é formada por pouco mais de 200 milhões de pessoas. A fala da cantora, Leci Brandão, lembra-me a letra da canção Pra Não dizer Que Não Falei de Flores (Vandré). Diz a certa altura: "... Somo todos iguais, braços dados ou não". O mundo está de pernas pra cima, ardendo em fogo. Policiais americanos e brasileiros matam gente negra como nunca. Por nada. É o tal do racismo pegando pra capar. O homem surgiu há muitos e muitos anos. O Homo Sapiens, quer dizer homem "sábio", surgiu no leste da África há coisa de 350 mil anos e como tal hoje somos há algo em torno de "só" 50 mil anos. E não aprendemos. Pioramos pelo visto, a todo instante. O homem americano que manda muito, mas tudo não manda, mente pelos cotovelos prometendo tresandar na história, caso não seja reeleito no próximo 3 de novembro. No século 19, por aí, levantou-se a hipótese de criar várias raças humanas: branco, preto... O branco seria europeu, o vermelho norte-americano, o preto africano... Somos apenas Homo Sapiens. Agora há o racismo, não é mesmo? Racista é o sujeito que por ignorância ou conveniência maltrata o semelhante, independentemente da cor. Agora há pouco um cabra merecedor de peia, ocupante da cadeira de presidente da Fundação Palmares, exibiu toda sua pequinês intelectual para xingar pessoas como Marina Silva. Ela é preta, ele também. O que diferencia um do outro é, porém, a inteligência, ombridade, honradez. Isso tudo ela tem. Ele, não. Pois é, lá está o Vandré cantando:
CONSTITUIÇÃO
A nossa Constituição em vigor, de 1988, garante no seu Art. 5º o seguinte:
"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade..."
Esses aí são os objetivos do cordelista ao escrever uma história dita de cordel. E é pra valer.
A literatura de folheto passou a existir mais ou menos um século depois de o alemão Gutemberg inventar a prensa móvel.
Grandes escritores se utilizaram do folheto para divulgar suas obras em poesia e prosa. Entre esses autores podemos incluir o craque português Gil Vicente (1465 - 1536) e até o nosso brasileiríssimo Olavo Bilac.
Os primeiros folhetos de cordel chegaram ao Brasil nos começos do século XVII. A Donzela Teodora foi um dos primeiros a cair nas mãos de autores que o tempo marcaria como genial, refiro-me aqui, especialmente, ao paraibano Leandro Gomes de Barros.
Não será exagero dizer que Leandro foi, dentre todos os nossos cordelistas, o maior. Inclusive na quantidade de folhetos por ele escritos e publicados.
Curiosidade: Bilac nasceu e morreu no mesmo ano que nasceu e morreu Leandro Gomes de Barros.
No início dos anos 2000 idealizei e toquei pra frente dois concursos de literatura de cordel, com o propósito de revelar novos nomes. Para tanto, contei com a compreensão das diretorias do Metrô e da CPTM. Com isso, alcançamos o objetivo.
Os autores revelados e premiados tiveram seus folhetos inseridos em duas caixinhas especiais (acima).
Em 2003, publiquei na caixinha do 2º Concurso Paulista de Literatura de Cordel o folheto que intitulei: Uma Breve História do Cordel. Para acessar a leitura desse folheto, clique:
Se eu gostaria de voltar a promover concursos desse tipo, Claro, por que não?!
Nos anos de 2002 e 2003, criei e promovi o primeiro e o segundo concursos Paulista de Literatura de Cordel. Em 2002, eu chefiava o departamento de imprensa da Companhia do Metropolitano de São Paulo. No ano seguinte, eu já atuava na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Os dois concursos registraram a participação de poetas cordelistas de todo o País. Ao fim e ao cabo, foram selecionados por uma banca de especialistas 20 ganhadores. Os três primeiros receberam prêmios em objetos, como computadores. O 2º concurso seguiram as mesmas regras. No total, foram impressos 410 mil folhetos, distribuídos gratuitamente na rede de ensino público do Estado de São Paulo. As duas iniciativas foram muito bem recebidas pela imprensa. A Companhia do Metropolitano de São Paulo, nas suas redes sociais, está oferecendo ao público os folhetos digitalizados. Confira: https://biblioteca.metrosp.com.br/index.php/ptbr/linha-da-cultura/358-linha-literatura/694-cordel?fbclid=IwAR3a62m0PKWWpJT9XV0k5IoW--z-AlvlJxUuIWu8ADmgatPT5i4RxrqbRo4
A violência masculina contra mulheres continua subindo, assustadoramente. Números indicam que o feminicídio aumentou em São Paulo 12%, entre janeiro e julho deste ano. Não é coisa pouca como se vê. Ontem mesmo mais um desses terríveis casos aconteceu na região de Guaianases, zona leste da Capital paulista. O criminoso, insatisfeito com o fim de namoro, matou a namorada, a mãe da namorada e feriu ainda o pai da namorada. Depois disso fugiu com a arma do crime, uma faca. O criminoso está foragido. Crimes desse tipo ocorrem desde de tempos imemoriais. Há registros, fatos até na literatura. Leia: O FEMINICÍDIO NAS ARTES Em 1992 o ator Guilherme Párdua e sua companheira Paula Thomaz assassinaram a golpes de tesoura a atriz Daniella Perez, filha da novelista Glória Perez. O crime, um feminicídio como se vê, consternou o Brasil. Os assassinos estão soltos há anos e vivendo na paz que pediram ao Diabo. Esse caso inspirou poetas de cordel. A literatura de cordel registra, historicamente, fatos e histórias inventadas desde a sua criação no século 16. As mulheres são parte especial da imensa galeria de cordelistas, principalmente no Brasil. Mas as mulheres também sofreram muito a discriminação dos machistas. Caso claro ocorreu com Maria das Neves Batista, filha de Francisco das Chagas. Maria, a Nevinha, nasceu em 02 agosto de 1913 e foi para a Eternidade no dia 15 de outubro de 1994. Ela era paraibana de João Pessoa. Saiba mais: A MULHER NA LITERATURA DE CORDEL
Você meu amigo, minha amiga, já ouviu falar da Lei Maria da Penha? Clique:
Onde estão os cordelistas da minha terra? Cordelista é o poeta de bancada. Poeta de bancada é o poeta que escreve no silêncio do tempo, em casa. Onde estão os cordelistas da minha terra? Sou de um tempo recente, mas de um tempo em que os poetas de bancada agiam com rapidez ante os fatos acontecidos ouvidos no rádio. O poeta de bancada sempre foi, naquele tempo, poeta altamente respeitado. O povo ouvia rádio, mas ouvia com mais atenção o que os poetas de bancadas contavam nos seus folhetos. O folheto de cordel mais ou menos como inda hoje conhecemos surgiu na Europa no século 16. Por ali. Ao Brasil, o cordel chegou com a família Real, no começo do século 19.
Os primeiros poetas cordelistas, ou de bancada, começaram a publicar no início da última década do século 19. Silvino Pirauá de Lima e Leandro Gomes de Barros foram os primeiros a levar à praça os primeiros folhetos.
O tipo de poeta que me refiro sempre usou da imaginação os temas que desenvolvem. Temas fantásticos, de reis, rainhas etc.
Os fatos do dia a dia também sempre foram matéria-prima dos poetas.
O povo do fundão brasileiro custou a acreditar no suicídio do presidente Getúlio Vargas. Precisou que o assunto fosse levado a cordel. Só assim foi possível o povo crer na morte do chamado "Pai dos Pobres".
Faço esse arrodeio todo para dizer que os fatos no Brasil e no mundo se sucedem com a rapidez de um raio.
Getúlio e Lula foram os presidentes do Brasil mais tematizados pelos cordelistas. E onde estão os cordelistas que não falam das agruras e amarguras ora vividas por todos nós?
Eu que não sou cordelista inventei de fazer, com rigor e métrica, quatro folhetos sobre a peste pandêmica que ora atinge o mundo e que o presidente-sem-noção que é esse último eleito por nossas urnas, esnoba. Igualzinho aquele da América do Norte, Trump.
Os três poderes, no Brasil, estão com o moral baixíssimo.
Agora mesmo o ministro Marco Aurélio, do STF, acaba de libertar um dos maiores traficantes do País. Um tal de não-sei-que-lá Rap. Figura forte do PCC. Baseou-se no Art. 316 do CPP (Código do Processo Penal). Esse artigo foi criado recentemente para beneficiar corruptos presos. Quem o chancelou foi TAM TAM TAM TAAAAAAM... Bolsonaro.
Meus amigos, minhas amigas, vamos encerrar dizendo que os mortos na pandemia no Brasil e a soltura do tal traficante cabem perfeitamente no colo do Sr. Presidente da República.
Mas, cá pra nós, se eu fosse o Marco Aurélio pediria renúncia do cargo de ministro.
O Brasil é o maior país católico do mundo. E é aqui, no Brasil, que anualmente realiza-se a maior procissão católica do mundo. Tradicionalmente, ocorre nas ruas de Belém, PA. Entre o segundo domingo de o e final de outubro cerca de dois milhões de católicos engrossam a procissão do Círio de Nazaré. Este ano, a partir de hoje, não haverá procissão nas ruas de Belém. E as missas serão transmitidas pela Internet, sem a presença de fiéis. O motivo disso é a Pandemia da Covid-19, claro. O Círio de Nazaré tem origem em 1793, quando um caboclo encontrou num Igarapé a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Essa imagem o caboclo levou pra casa e no dia seguinte descobriu que sumira. Logo depois ele a reencontrou no Igarapé. E de novo a imagem sumiu. E de novo foi achada no mesmo Igarapé... E aí foi criada uma Capela e nela posta a imagem, que não mais sumiu. Nossa Senhora é conhecida no mundo todo por vários nomes, inclusive Nazaré. Belém é a capital do Pará, que se localiza ao norte do Brasil. Nossa Senhora de Nazaré é também chamada de Rainha da Amazônia, que continua ardendo em fogo.
SANTA APARECIDA
Amanhã Nossa Senhora é homenageada com o nome de Nossa Senhora Aparecida. Este ano também não haverá procissão em Aparecida, tampouco missas com a presença de fiéis.
A literatura popular é um tipo de literatura que reflete a vida do povo, o cotidiano popular. Procissões como a do Círio de Nazaré é cultura popular? É raro o dia em que o Presidente Bolsonaro não xinga ou maltrata alguém do povo. E meter o pau na imprensa pra ele é exercício que lhe conforta. Nesta semana que acaba, ele tirou onda da imprensa e, estufando o peito, disse que pôs fim a Operação Lava Jato "por que não há mais corrupção". Hoje o número de mortos pela Covid-19 chegou à casa dos 150 mil, no Brasil. Em nem um momento o presidente manifestou qualquer sentimento de solidariedade aos familiares das vítimas. O cara é durão, como o seu ídolo Trump. Entre março e junho escrevi 4 folhetos de cordel narrando as origens e os males provocados pelo novo Coronavírus. Nesses folhetos não deixo de falar da omissão da mais expressiva autoridade do País, perante as agruras que o povo vive enfrentando, inclusive, a Pandemia que ora aflige o mundo todo.
Falo também da ação profissional dos jornalistas no dia a dia, enfrentando os dissabores dos políticos mal educados. E otras cositas más. É uma narrativa do mundo real a que faço destes tempos em que vivemos, mas claro que insiro nessa narrativa o irreal, e seres fantásticos como o Cramunhão. O Cramunhão é um dos muitos e muitos nomes atribuídos ao cão, ao diabo, ao chefe do Inferno.Os 4 folhetos acabam de ser publicados por Edições Rouxinol do Rinaré de Fortaleza, CE. A procissão do Círio de Nazaré é cultura popular, sim.
Quando o Brasil registrou 100 mil mortes pela Covid-19, eu fiz o poema:
Eu conheci o sanfoneiro Mario Zan num ano qualquer dos 80. Mario, de batismo Mario Giovanni Zandomeneghi, nasceu no dia 9 de outubro de 1920, numa cidadezinha italiana de nome Roncade, que fia na região de Vêneto. Chegou ao Brasil ainda muito pequeno, com um ou dois anos de idade. Na capital paulista, fez carreira como compositor e sanfoneiro. No decorrer da carreira profissional, Mario Zan gravou centenas de músicas. Muitas delas, de sua autoria. O seu maior sucesso foi o dobrado Quarto Centenário, que compôs em parceria com o português João Manoel Alves (J.M Alves). Mario Zan morreu no dia 9 de novembro de 2006. J. M Alves, que tinha como principal profissão a de militar, morreu na cidade paulista de Guarulhos. Era muito vaidoso, o Mario. E engraçado. Bom de papo e muito namorador. No meio artístico o chamavam de galã e garanhão. Casado, deixou 5 filhos. Entre os filhos a cantora Mariângela. Suas primeiras gravações foram feitas ainda na primeira parte dos anos 40. É de 1954, o dobrado Quarto Centenário. Ouça, na voz de Carlos Galhardo:
Ouvi recentemente o papa Francisco fazer referência a um poema do nosso Vinicius de Morais (1913-80). Mais precisamente, falou o papa do Samba da Bênção, na parte que diz: “A vida é arte do encontro / Embora haja tanto desencontro pela vida...”. A lembrança de Vinicius lembrou-me de Elomar Figueira Mello, cantador das quebradas do Reino Encantado do Rio Gavião. Em 1973, Vinicius endossou com um belo texto de contracapa o primeiro LP de Elomar. Esse disco, uma raridade, é de uma beleza ofuscante. Clique: https://www.mpbnet.com.br/musicos/elomar/ Vinicius chama Elomar de menestrel. Menestrel era o nome dado aos declamadores de poesias alheias. Elomar é mais do que isso, é trovador. Trovador era como se chamava o declamador que escrevia seus próprios poemas. É isso: Elomar é a mistura de menestrel e trovador. O menestrel e o trovador surgiram ali pelos fins do século 11, na Península Ibérica. O trovadorismo foi um movimento surgido entre poetas improvisadores e de bancada. A ver com cordel, cordelismo ( https://anovademocracia.com.br/no-12/1048-uma-breve-historia-do-cordel). Não será exagero dizer que o menestrel foi uma espécie de folheteiro, sem folheto. Os trovadores escreviam em galego-português, língua procedente da Galícia, Espanha. O nosso Elomar fala uma língua que não é, propriamente, a língua portuguesa fluente, corrente. É “sertanesa”, segundo ele mesmo diz. Mistura do falar nordestino com o arcaísmo mais antigo. Tanto que a maioria dos seus discos traz um encarte com glossário. A estreia de Elomar Figueira Mello em disco ocorreu em 1968: o disco, um compacto simples, trazia as músicas O Violeiro e Canção da Catingueira. Independente. Não há, nunca houve, um artista brasileiro com o perfil de Elomar Figueira Mello. É diferente em tudo. No compor, no tocar, no cantar e no próprio comportamento. É como se encarnasse as figuras do menestrel e do trovador numa pessoa só. O diferencial talvez seja o cigarro de palha muito frequente no
bico. Elomar navega entre o popular e o erudito. O seu fazer popular é erudito. Nascido no dia 21 de dezembro de 1937, Elomar tinha 34 anos de idade quando Vinicius escreveu a contracapa do seu primeiro LP. Se tudo der certo e o mundo não se acabar, neste sábado (10/10), Elomar e amigos (malungos) estarão em espetáculo virtual entre 12h15 e 19h. Confira: https://www.sympla.com.br/as-guariba-encontro-de-elomar-e-malungos---vi-edicao---mao-de-prosa--exibicao-inedita-de-faviela__957621?fbclid=IwAR1QkC8EljH25sY9zi_FcRDX2CGiUr6_OS_W4U3remZpTsmQA9YUQmHekSo O acervo do Instituto Memória Brasil (IMB) tem todos os LPS e CDs de Elomar (foto acima).
Não confundamos Santa Tereza d'Ávila com Santa Terezinha.
Gonçalo Ferreira da Silva é um brasileiro nascido num município de Ipu, CE, no dia 20 de dezembro de 1937.
Tinha tudo esse Gonçalo para não ser nada na vida. Nasceu pobre, nos cafundós dos Judas. E foi aprender a escrever depois dos 14 anos, no Rio de Janeiro.
Não vou aqui entrar nos detalhes da vida desse Gonçalo.
Gonçalo Ferreira ganhou a vida de todas as formas. Ganhou a vida para a vida ganhá-lo.
Na casa dos seus pais, lá em Ipu, era natural o menino Gonçalo acordar ao som de violas e violeiros a cantar cantigas do tempo passado e do tempo futuro. Nas pausas, intervalos, os violeiros poetas declamavam histórias de Trancoso que depois todo mundo saberia ser transmitidas, escritas, nos que ora chamamos de folhetos de cordel.
Gonçalo Ferreira da Silva, cearense de Ipu, ficou cego dos olhos faz dois meses.
Telefonei por telefonar a Gonçalo, sem saber do que ocorrera. Quem atendeu a minha ligação foi dona Maria do Livramento, que gosta de ser chamada de Madrinha Nena.
Madrinha Nena tem 70 anos de idade, três filhos e muita história pra contar sobre o seu companheiro Gonçalo.
O filho mais velho de Madrinha e Gonçalo tem por nome Marlos. O segundo, Rubinho. O terceiro, Jorge.
Como se não bastassem três filhos homens, Madrinha Nena e Gonçalo têm os netos Iasmin, Maria e Alice. E mais: Carol e Noa, bisnetos.
E essa é a história ora vivida por essa família que tem Gonçalo e Madrinha Nena como prosseguimento de vida.
Gonçalo ficou cego dos olhos. E aí eu perguntei à dona Nena: "E ele tem reclamado muito pela perda dos olhos?".
A resposta foi simples: "Não, não. Ele está encarando tudo isso de maneira aparentemente normal, natural".
Aí foi a vez dela perguntar como é que estou encarando a vida de cego. "Numa boa", respondi. "Mas é difícil...".
O cordelista Gonçalo Ferreira da Silva, fundador presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel publicou até aqui cerca de 300 folhetos e 30 livros.
O cordelista Gonçalo e sua companheira Madrinha Nena moram há muitos anos no bairro carioca de Santa Tereza.
O bairro de Santa Tereza, foi fundado no século 18. Surgiu em torno do convento de Santa Tereza.
Os primeiros habitantes do bairro de Santa Tereza eram habitantes de grandes posses.
Santa Tereza d'Ávila (1515-1582) foi a Santa fundadora das Carmelitas. Era espanhola.
Santa Terezinha, de batismo Teresa de Lisieux (1873-1897), francesa, entrou pra história cristã como a Santa dos tempos modernos. Nasceu criança e como tal morreu. Pelo menos foi assim que a Igreja entendeu.
Há dois anos foi lançado um documentário sobre a vida e obra do cordelista Gonçalo Ferreira. Veja:
Em 1942, o compositor Herivelton Martins (1912-92) integrava o Trio de Ouro, formado por sua mulher Dalva de Oliveira (1917-72) e Nilo Chagas (1917-73). Faziam um sucesso danado.
Naquele ano, já muito famoso, Herivelton ajudou a fundar a União Brasileira de Compositores, UBC.
São muitos e muitos os autores de música popular e erudita.
Hoje é o Dia do Compositor Brasileiro. Esse dia foi criado em 1948, por iniciativa de Herivelton.
A primeira pessoa a compor uma música no Brasil foi a carioca Francisca Edwiges Neves Gonzaga (18947-1935).
A história dessa Chiquinha é uma história fantástica. O pai praticamente a obrigou a casar-se com 15 anos de idade. Teve dois ou três filhos e deu no pé, deixando o maridão a ver navios. Era um militar.
É de Chiquinha Gonzaga a primeira marchinha de Carnaval: Ó Abre Alas. Essa música só seria gravada na íntegra no começo dos anos de 1970.
O primeiro compositor a ter uma música gravada em disco, no Brasil, foi Xisto Bahia (1841-94), que durante muito tempo atuou nos palcos carioca como ator. Era soteropolitano.
A música de Xisto chamou-se Isto é Bom, incluída no primeiro disco (78rpm) gravado em nosso País. O intérprete foi Baiano, de batismo Manoel Pedro dos Santos (1870-1944). Era natural de Santo Amaro da Purificação, BA.
Datas efêmeras como o Dia do Compositor servem de reflexão.
Herivelton Martins era, segundo dizem, uma pessoa pessoa de difícil trato. E violenta. Existem muitas histórias a seu respeito. Graves. Apesar de tudo, ele deixou muitas músicas e clássicos como Ave Maria no Morro, gravada por muita gente. A primeira gravação dessa música foi feita pelo Trio de Ouro, em 1942. Ouça:
MACHADO DE ASSIS
Ouvi a pouco no JH, da Plim Plim, notícia dando conta de que uma historiadora acaba de descobrir um texto de Machado de Assis (1839-1908), inédito em livro. Esse texto, sem assinatura, foi publicado numa revista carioca em 1859. É um texto de 3 páginas sobre a vida do imperador Pedro II
Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi proclamada rainha e padroeira do Brasil no dia 26 de julho de 1930 pelo Papa Pio XI. Todos os anos milhares e milhares de fiéis rumam de várias partes do País em direção ao município de Aparecida, localizado a pouco mais de 170 Km da Capital paulista. Os romeiros, homens e mulheres, caminham cerca de 30 Km por dia até chegar ao lugar. Muitos carregam até cruzes. Vão todos pagar promessas alcançadas. Na manhã de hoje 7 a via Dutra estava com seus acostamentos apinhados de devotos da santa. Os registros acima, exclusivos para este blog, foram flagrados na região de Jacareí, próximo a São José dos Campos, pelo radialista Carlos Sílvio, colaborador ativo do Instituto Memória Brasil (IBM). Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/ Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um dos mais de 1100 nomes dados à Maria, Mãe de Jesus. Confira: TÍTULOS DE MARIA A padroeira do Brasil já inspirou centenas de artistas brasileiros. O paulista Renato Teixeira escreveu um clássico. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=Vk3QacFdxnY E o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, emprestou a sua potente voz à canção Padroeira do Brasil, de Raimundo Grangeiro. Ouça:
O jogo político é um jogo danado, complicado, cheio de nuances.
Os políticos se agridem e se confraternizam, quase ao mesmo tempo. O jogo político é um jogo muito rápido. É um jogo em que as palavras são armas.
Os políticos esgrimem palavras. Nesse jogo, muitos caem.
O jogo político é um jogo de cartas, de olho no olho.
Muitas vezes esse jogo finda em punhaladas. Pelas costas.
Há poucos dias o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o Ministro da Economia Paulo Guedes, agrediram-se publicamente. Maia dizia que Guedes era um cara despreparado para a função. Por sua vez, Guedes dizia que Maia era comprado pelas esquerdas. E assim o pau cantava, entre ambos.
No último fim de semana, os amigos do deixa-disso juntaram os dois para abaixarem as armas e altearem a bandeira da paz.
Sobrou para o bode.
A briga dos dois foi, como se diz na Paraíba, uma briga dos diabos. Diz-se: "Deu bode, entre fulano e beltrano".
Dá bode é dar confusão. E foi o que foi.
O bode é um animal que a antiguidade domesticou lá pras bandas do Oriente Médio. Nem Cristo ainda existia.
O bode, como lembra querida Anninha colaboradora do IMB, é a representação do Demo.
Lá na minha terra há a máxima segundo a qual do bode se aproveita tudo, menos o berro.
Ariano Suassuna (1927-2014) e Elomar Figueira Mello estão na nossa história como os maiores criadores e exportadores de bode no Brasil. A coisa é tão séria que Elomar, incomparável violeiro, é apelidado de Bode.
Entre os caprinos de Elomar houve um bode chamado Orellana, em homenagem ao nervoso e irritadiço conquistador espanhol Francisco Orelana (1511-46). Esse bode de Elomar (acima) virou personagem do cartunista Henfil (1944-88).
Por Orellana do Elomar/Henfil não podia ver jornal, revista, livro que comia tudo.
Elomar adora ler. Eu, também.
A paz entre Maia e Guedes foi celada com um jantar cujo o principal cardápio foi um guizado a bode.
A Constituição Brasileira em rigor, aprovada em Constituinte no dia 5 de outubro de 1988, é a mais completa que o Brasil já teve.
Trata de tudo ou quase tudo a nossa Constituição. As artes, a cultura popular, têm o estímulo garantido especialmente Art. 215°.
A nossa cultura também se acha preservada em Lei no Art. 5º.
A cultura popular de um país reflete o que há de melhor criado pelo povo. Não seria diferente, no Brasil. Detalhe é que não nos damos conta dessa evidência.
Poucos brasileiros leram a Constituição. Pena.
Nós, brasileiros, estamos muito mais acostumados a cumprir deveres do que reconhecer direitos.
Fico eu imaginando o resultado de uma grita de artistas populares nas ruas, nas redes sociais.
O Art. 215 da nossa Constituição é objetivo nas palavras, na ideia de estimular e preservar a criação do povo.
A cultura popular é, lato termo, a identidade de um povo. Eu já disse isso.
O Art. 215 diz o seguinte:
O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
§ 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que conduzem à:
I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
II - produção, promoção e difusão de bens culturais;
III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;
IV - democratização do acesso aos bens de cultura;
V - valorização da diversidade étnica e regional.
No dia 10 de agosto de 2005, o Congresso aprovou a Emenda de nº 48 que enriqueceu o que diz o Art. 215.
A Constituição cidadã, essa ora em vigor, já é a terceira mais longeva do País.
Até hoje os brasileiros foram guiados por sete Constituições.
A primeira de 1824, a segunda de 1891, a terceira de 1932, a quarta de 1937, a quinta de 1946, a sétima de 1967 e a atual aprovada em constituinte no dia 5 de outubro de 1988.
No decorrer desse tempo, duas da sete constituições nos foram empurradas goela abaixo: a de 1824 e a de 1937. Horrorosas.
A de 1824 dava todo o poder ao imperador Pedro I, e a de 1937 garantia a Getúlio Vargas a fazer o que quisesse, aliás, viviam-se os horrores do Estado Novo.
A constituição de 1824 tinha 179 artigos e foi a que mais durou, 65 anos. A constituição de 1891 durou 39 anos e tinha como signo a baioneta de Deodoro da Fonseca.
A nossa atual Constituição, ou Carta, foi aprovada com 245 artigos.
Já sofreu muitas mutações ou remendos: 109.N
Dentre todas as constituições em vigor no mundo, em tamanho a nossa só perde para a da Nigéria e a da Índia. A nossa tem 64488 palavras, a da Nigéria, 66263 palavras, e a da Índia, 146285 palavras.
Nenhuma constituição brasileira atendeu tão completamente os anseios do povo como a atual.
Curiosidade: meu amigo, minha amiga, você sabe qual é constituição com menor número de artigos e palavras?
Se você respondeu EUA, acertou.
A constituição norte americana, aprovada em setembro de 1787, tem sete artigos distribuídos em 4 páginas, num total de 4400 palavras. Nos últimos 231 anos, essa Carta recebeu apenas 27 emendas. E a palavra "democracia" não aparece, mas no começo dela lê-se: "Nós, o povo...".
Trump não leu a Constituição do seu país, da mesma maneira em que Bolsonaro não leu a nossa, se tivessem lido, não seriam os dirigentes prepotentes que são.
Leia mais: https://assisangelo.blogspot.com/2018/10/constituicao-cidada-30-anos.html
Tinha 20 anos a mais do que eu e partiu para a Eternidade, da maneira mais natural possível: dormindo, como Charles Chaplin (1889-1977) e Manezinho Araújo (1910-1993).
Chaplin foi o mais importante artista do cinema mudo e Manezinho Araújo, o mais importante cantor-embolador que o Brasil já teve.
Pois bem, o jornalista e musicólogo Zuza Homem de Mello marcou de modo significativo a vida cultural do País, especialmente São Paulo.
Deixou vários livros publicados sobre música brasileira.
Ele morreu na manhã de hoje 4, aos 88 anos.
Zuza passou por várias redações de jornais, entre as quais, a do Estadão.
Durante muitos anos apresentou programas nas rádios Jovem Pan e USP.
O programa apresentado por Zuza na USP ia ao ar todos os sábados.
Zuza morou em Nova Iorque. Foi pra lá com o propósito de estudar música na Julliard, mesma escola que teve como professor o maestro cearense Eleazar de Carvalho (1912 - 1996).
No decorrer do período em que estudou música em Nova Iorque, Zuza conheceu praticamente todos os grandes artistas, isso no correr dos anos 50. Zuza conheceu: Billy Holiday, Miles Davis, John Coltrane e Peggy Lee, cantora que chegou a gravar uma música de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Juazeiro).
Eu conheci Zuza num ano qualquer da década de 1980. Cheguei a entrevistá-lo para o jornal Gazeta de Pinheiros. Anos depois participamos juntos de debates no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes.
A última vez que nos encontramos foi na noite de lançamento da série O Brasil Toca Choro, da TV Cultura. Ao meu lado, a colega jornalista Cilene Soares. Antes disso estivemos juntos no JC Debate dividindo conversa sobre a cantora Inezita Barroso (1925-2015), que acabara de morrer.
Foi no dia 03 de outubro de 1953 que o presidente da República, Getúlio Vargas, assinou o Decreto Lei n° 2004 criando a Petrobrás.
Em 1959 o pernambucano Luiz Gonzaga gravou e lançou ao mercado a Marcha da Petrobrás, dele em parceria com Nélson Barbalho e Joaquim Augusto, acompanhado da Orquestra Zaccarias. Belíssima. Atenção ao naipe de sopros. Ouça:
Antes de a Petrobrás ser criada, o governo já andava as voltas com a descoberta e extração do petróleo, chamado de "ouro negro".
Foi já no Estado Novo e no começo da segunda Grande Guerra que descobriu-se o primeiro poço de petróleo em nossas águas. No caso, no bairro de Lobato, Salvador, BA.Eufórico, Getúlio pronunciou a frase famosa: "o petróleo é nosso"!
A lei que ele promulgaria em 1953 garantia ao País todos os direitos de extração e comercialização do petróleo. E assim foi até que em FHC assinou documento quebrando o monopólio da nossa principal Estatal.
E assim a coisa vai.
O atual governo tem demonstrado em vender a Petrobrás aos estrangeiros. Enquanto não consegue, ele desinveste na empresa.
Bolsonaro está doidinho pra entregar a Petrobrás ao Trump, mas não vai conseguir.
Petrobrás é petróleo, petróleo e gasolina etc.
O primeiro país a lucrar com extração de petróleo foi os EUA. Estado Pensilvânia. Ano 1859.
Os primeiros automóveis surgiram uns 30 anos depois na Alemanha, França. Movidos a gasolina.
O primeiro automóvel a desembarcar no Brasil, no Porto de Santos, SP, tinha por proprietário Alberto Santos Dumont (1873-1932). Isso bem no começo dos anos 1891.Ele morava no bairro paulistano de Campos Elíseos. Era um Peugeot de 2 cinlindros, 3 ou 4 cavalos. A gasolina, claro.
No Rio de Janeiro o primeiro cidadão a importar um automóvel foi o jornalista abolucionista José do Patrocínio. Corria o ano de 1897.
Patrocínio era amigo do poeta parnaziano Olavo Bilac (1865-1918).
Por que falo do poeta?
Patrocínio não sabia dirigir e Bilac também não. Mas Patrocínio confiou a chave ao poeta e incentivou que acelerasse o calhambeque. E foi foram os dois voando a 4 km/h. E olhe lá. De repente, tã, tã, tã...tinha uma árvore no meio do caminho. Os dois escaparam. O carro, não.
Atenção, a quem interessar possa: fora Luiz Gonzaga, ninguém até hoje gravou Marcha da Petrobrás.
Existem mais de 3000 emissoras de rádio no Brasil. Bem mais. Três vezes isso. As AM's estão migrando para Dial FM.
Eu sempre gostei de rádio.
O que primeiro me chamou a atenção naquela caixinha meio esquisita foi a voz de não sei quem saindo de lá.
Eu tinha por lá, sei lá, uns três anos. Calça curta, suspensório e pululante como todo moleque. Enxerido que só!
Fui crescendo, fui crescendo, e o rádio me chamando a atenção. Eu não tinha nem 20 anos quando virei locutor da rádio Correio da Paraíba, na capital João Pessoa.
Em São Paulo apresentei programas na extinta Atual, Mulher, Capital, Jovem Pan, Trianon.
Na rádio Mulher, que existia lá para as bandas de Santo Amaro, apresentei um programa ao lado do jornalista Simón Widman e Cacilda Lanuza (1930 - 2018), atriz muito conhecida à época. Foi ela, que me lembre, a primeira pessoa a hastear a bandeira do meio ambiente, hoje tão em moda.
Cacilda partiu sem dizer um aí e sem que dela dissessem qualquer coisa, pra mim, foi heroína.
Na Capital AM 1040 apresentei SP Capital Nordeste, que permaneceu no ar durante quase sete anos. Um sucesso danado, nas noites de sábados. Ao vivo. Com muita gente bonita tocando, cantando etc. Para lembrar.
No post abaixo, o amigo leitor ou leitora, pode se deliciar com as falas de Claudia, Pery Ribeiro, Mocinha de Passira, a filha e neta de Lampião, o estudioso do cangaço Antonio Amaury, Inezita Barroso, Caçulinha, Klévisson Viana, Zé Ramalho. Legal esse programa. Clique:
E sobre o programa, leia: https://anovademocracia.com.br/component/content/article?id=1352:sao-paulo-capital-nordeste