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segunda-feira, 3 de outubro de 2022
O BRASIL FOI ÀS URNAS
domingo, 2 de outubro de 2022
O BRASIL VAI ÀS URNAS (2, FINAL)
Desde 1985, o Brasil vive a 6ª República.
Antes tivemos a 1ª República, entre 1889 e 1930, Velha República.
A 2ª República (Governo provisório de Vargas), foi curtinha: de 30 a 37.
A 3ª (Estado Novo) de 37 a 45.
A 4ª (Fim da Segunda Guerra Mundial) até 64, a 5ª (Ditadura militar), de 64 a 85.
Antes de ser eleito, por voto direto, o primeiro presidente civil após a ditadura militar, houve eleição para deputado federal, deputado estadual, governador e senador. Isso em novembro de 1982. Três anos depois, o mineiro Tancredo Neves chegou à presidência através de um colégio eleitoral. Quer dizer, pelo voto indireto.
É sempre bom falar em democracia, principalmente quando a liberdade é agredida e corre risco de morte.
Alguém já disse que a democracia não é o melhor sistema político de governo, mas não há outro melhor.
A democracia, no mundo, data da antiguidade clássica. Desde o século VIII a.C.
Para ilustrar, não custa lembrar que no dia 16 de setembro de 1943, o cantor Gilberto Alves (1915-1992) entrou num dos estúdios da Odeon, no Rio, e gravou a marchinha Democracia. Essa música, de Aldo Cabral e Monteiro Neto, foi lançada em novembro de 43. A letra diz:
Democracia para um mundo novo
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| Recibos de votação, a partir de 1982 |
Eleito o povo para o próprio povo
É liberdade à voz do pensamento
Democracia é a luz que invade
Todas as grandes nações pela soberania
É que na verdade
Só há liberdade
Onde há democracia
Louvemos, pois, e com respeito
Esse regime que defende e protege o
Direito Ideal comum que assim exprime
O direito que tem cada um
Porque reduz, ponto final
A opressão desigual
O poder tirania
Abaixo reino-unidos
Mil e um partidos
E viva a democracia.
Pois bem, o dia 2 de outubro está chegando. É domingo que vem.
Meu amigo, minha amiga: não deixe de votar, não deixe de ir às urnas. Escolha com critério, devagar, avaliando propostas e planos dos seus candidatos a deputado estadual e federal, a governador, a senador e a presidente da República. Não entre em discussão, não brigue, não aceite provocações. Nós, eleitores, somos as pessoas mais importantes domingo dia 2.
O voto é a arma do eleitor.
LEIA MAIS: VIVA A DEMOCRACIA! • VIVA A DEMOCRACIA! (2) • VIVA A DEMOCRACIA! (3) • DEMOCRACIA EM PERIGO • VIVA A DEMOCRACIA! (4) • TUDO PELA DEMOCRACIA! • DEMOCRACIA SEMPRE • LIBERDADE É DEMOCRACIA!
sábado, 1 de outubro de 2022
CENSO DO IBGE FAZ O RETRATO DO BRASIL (1)
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| "Vota Brasil", por Fausto |
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| Capa da Constituição de 1824 |
Um cidadão se faz
É com Democracia,
Educação e cultura
E um quê de sabedoria
Sem esses "ingredientes"
Não se faz Cidadania
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| Capa da Constituição de 1937 |
Em 1822, o imperador Pedro I proclamou a independência. No ano seguinte, o mesmo Pedro formou e desformou a primeira Constituinte. Em março de 24, o pai de Pedro II outorgou o pequeno calhamaço que entraria para a história como a primeira Carta Magna do Brasil. Nessa Carta são descritas as atribuições dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. E mais um: Moderador, com o qual o imperador podia tudo e muito mais. Era Deus no céu e ele, na terra.
Depois do golpe militar que derrubou Pedro II, em 1889, o Brasil foi premiado com mais uma Constituinte e, consequentemente, mais uma Constituição: a segunda do Brasil e a primeira da República.
A Constituição de 1891 assentava regras para a eleição direta para presidente da República. O primeiro civil a ser eleito por tais regras foi Prudente de Morais (1894-1898). Esse Morais foi aquele que inundou de sangue o arraial de Canudos, BA.
A chamada República Velha findou em 1930, quando o gaúcho Getúlio Vargas desferiu mais um golpe na nossa história derrubando Júlio Prestes e ferindo gravemente a democracia, que até então vinha sendo tocada na base da porrada.
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| Capa da Constituião de 1988 |
Não custa lembrar que as eleições realizadas até então eram grosseiramente fraudadas. Os caciques de hoje eram chamados de coronéis. Mandavam e desmandavam. Voto de cabresto e tal. Eram eleições com cédulas em papel. Até no Império era assim. O título de eleitor foi criado em 1881. Sem foto. Mulher, pobre, analfabeto, indígena e membros do clero não tinham vez nas urnas. Proibidos. Isso só aconteceria em 1932, quando foi criado o código jurídico. Melhor: código eleitoral ou justiça eleitoral. E com foto no título, só em 1955. Em 1960 Jânio elegeu-se e logo depois o Brasil viveu por curto tempo o sistema parlamentarista, que foi derrubado através de plebiscito em 1962, com artistas à frente da campanha. Entre esses, Bibi Ferreira. O presidente era João Goulart.
O Brasil é o terceiro país com o maior número de eleitores: 156 milhões. Mais mulheres do que homens. Mulheres são 82 milhões, ou 53% do total de eleitores.
Nas eleições deste ano de 2022, quase 700 mil brasileiros irão às urnas em 181 cidades de 21 países. Mais mulheres do que homens, 58%. Curiosidade: Portugal é o país com o maior número de eleitores brasileiros. No total, são 45,2 mil.
A Constituição brasileira que ficou mais tempo em vigor foi a de 1824. A que durou menos tempo foi a de 1934.O Brasil teve sete Cartas incluindo as Cartas de 1824, 1891 e 1934. As outras foram apresentadas em 1937, 1946, 1967 e a mais recente no dia 5 de outubro de 1988. Chamou-se Constituição Cidadã.
sexta-feira, 30 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (44)
Dia 27, ele faz 70 anos e vamos festejar condignamente, mesmo sem Tinhorão, Audálio e outros que se foram. Quem sabe Vandré dê o ar de sua graça, ou José Hamilton Ribeiro. Com certeza nosso personagem não os verá mas deverá reconhecer a voz de antigos companheiros e artistas que um dia entrevistou.
O Instituto Memória Brasil, que reúne acervo de grande valia e é também sua casa, será invadido por amigos e amigas. Assis não os verá, mas ouvirá tudo. Seus amigos relembrarão quem é ele, que veio da Paraíba para São Paulo com o mesmo talento dos nordestinos que um dia invadiram o Sul Maravilha para nos orgulhar.
Francisco de Assis Ângelo ficou cego já cinquentão, depois de ver de perto, amar, entrevistar e conhecer pessoalmente a nata da MPB e da Cultura nacional. Durante anos colaborei com ele sem o conhecer pessoalmente. Falávamos ao telefone. Como assessor de imprensa do HCFMUSP eu o ajudava intermediando incontáveis entrevistas e reportagens na TV Globo, onde ora produzia, entrevistava ou escrevia.
Até que ele me procurou queixando-se da vista, que andava falhando aqui e ali.
Para resumir, a Oftalmologia diagnosticou glaucoma, em estado avançado. Várias cirurgias depois, ele estaria completamente cego. Aquilo que começara como inocente embaço, tornou-se cegueira irreversível. Acionados por mim, os mais competentes especialistas não conseguiram contornar o problema. Hoje, Assis Ângelo não vê sequer os carros que passam sob a janela do apartamento onde mora só mas nunca está sozinho, graças à presença diária de filhas, amigas e amigos. À tardinha, quando o sol se esconde por detrás dos prédios da Alameda Eduardo Prado, deita numa rede e apela ao celular para contatar alguém de sua intimidade. Fala e chora. Chora e fala.
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (43)
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
POIS É, ADENTREI À CASA DOS 70
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (42)
domingo, 25 de setembro de 2022
CENSO DO IBGE FAZ O RETRATO DO BRASIL (2, FINAL)
Questões políticas impediram a realização do Censo demográfico em 1910 e 1930.
Em 1970, ano da realização do 8° recenseamento, os agentes do IBGE registraram o total de 93 milhões de habitantes. Esse censo deu o que falar, especialmente porque a Seleção Brasileira de Futebol papou o tricampeonato no estádio Azteca, no México. (confira vídeo acima)
A Seleção de 70 foi a melhor de todas, até aqui. Se Pelé já era grande, o rei da bola, com o Tri ficou maior. Bom, mas essa é outra história.
Não custa dizer, e é sempre bom dizer, que o Censo demográfico é de importância fundamental para que saibamos das belezas e misérias que habitam o nosso País. E o que o Censo nos dá é, sempre, um retrato minucioso das nossas realidades.
Em 2006, o IBGE publicou num grosso e primoroso volume a história do século 20. Título: Estatísticas do Século XX. Nessa obra se acha um apanhado geral de tudo que ocorreu no referido período. Nessa obra se acha uma bela entrevista com o economista paraibano Celso Furtado (1920-2004), feita pelo ex-presidente do IBGE (2004-2011) Eduardo Pereira Nunes. Já na primeira resposta à pergunta de Pereira Nunes, Furtado responde: “[...] O Brasil continua sendo uma constelação de regiões de distintos níveis de desenvolvimento, com uma grande heterogeneidade social, e graves problemas sociais que preocupam a todos os brasileiros”.
A entrevista completa pode ser acessada aqui. Não custa lembrar que o Censo de 2010 trouxe à tona a realidade "do Brasil brasileiro", como diria o compositor e instrumentista mineiro Ary Barroso.
Os pesquisadores de campo identificaram, em 2010, cerca de 46% de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.
Os cegos totais, aqueles para quem os olhos nada enxergam, aproximavam-se da casa do milhão.
Há poucos dias recebi a visita de um agente do IBGE. Queria saber tudo de mim e tudo de mim eu lhe disse. Disse-lhe primeiramente que perdi a visão total depois de uma série de cirurgias. Descolamento de retina foi a causa que me deixou na escuridão, depressivo e afunhenhado. A CEGUEIRA NÃO É O FIM
Existem poucas músicas que tratam do Censo demográfico. Na verdade eu conheço só uma, aquela que a portuguesinha Carmen Miranda gravou no dia 27 de setembro de 1940 e lançada três meses depois. Autoria: Assis Valente. Gênero: Samba. Título: Recenseamento, gravada nos estúdios da Odeon.
A cantora potiguar Ademilde Fonseca também gravou em LP, 1989, o samba de Valente. Ouça as duas versões e diga qual a melhor:
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
sábado, 24 de setembro de 2022
CENSO DO IBGE FAZ O RETRATO DO BRASIL (1)
Em setembro de 2022, a contragosto do presidente Bolsonaro, recenseadores se acham em campo com o mesmo propósito de 1872.
O levantamento feito por determinação de Pedro II chamou-se Recenseamento da População do Império do Brasil. A conclusão foi que havia mais homens do que mulheres. Os brancos somavam 38% dos quase 10 milhões de habitantes. Negros e pardos giravam em torno de 58%. E o índice de analfabetismo se achava na Lua.
O atual Censo demográfico começou no dia 1° de agosto, como em 1º de agosto começou o Recenseamento de 1872. Mera coincidência. Os primeiros já saíram, são estes:
IBGE divulga primeiro balanço da coleta do Censo Demográfico 2022. Na manhã de hoje (30/08), o total de população recenseada era de 59.616.994. Até 29 de agosto, 58.291.842 pessoas haviam sido contadas em 20.290.359 domicílios. Desse total, 36,51% estavam na região Nordeste, 35,51% no Sudeste, 11,87% no Sul, 9,44% no Norte e 6,67% no Centro-Oeste. Considerando os 452.246 setores censitários urbanos e rurais do país, 38,4% estão sendo trabalhados. O estado mais adiantado em termos de percentual de setores trabalhados é o Rio Grande do Norte (53%) e o Mato Grosso (21,81%) tem o menor percentual. Já foram contados 450.140 de indígenas (0,77%) e 386.750 quilombolas (0,66%). Dos domicílios, 2,3% se recusaram a responder, percentual que ainda deve ser reduzido até o final da operação. Estão em campo atualmente 144.634 recenseadores, 78,8% do total de vagas disponíveis.É importantíssimo o recenseamento de um país.
Um recenseamento registra, de modo minucioso, a realidade de um país. Com esses dados em mãos, o governo tem plenas possibilidades de trabalhar para o futuro. Quer dizer: de planejar políticas públicas a favor da população, inclusive no setor agropecuário.
No governo militar que tinha Costa e Silva como um de seus poderosos de plantão eram distribuídas propagandas em disco de 78 RPM. Num desses discos podia-se ouvir um artista popular dizendo:
Planta, planta lavrador
Com toda disposição
Pois terás a garantia
Do governo da Nação
O atual censo, o 13°, é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE.
O IBGE foi criado em maio de 1936, na gestão de Getúlio Vargas.
O censo de 1872 foi o primeiro e único do Império.
Já na fase da República houve recenseamento em 1890, 1900, 1920, 1940, 1950, 1960, 1970, 1980, 1990, 2000 e 2010.
sexta-feira, 23 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (41)
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (40)
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Moleque de rua, peralta, arteiro como ninguém. Sempre foi e será. Ainda bem. É carioca, casado; tem 35 anos e dois filhos, Fernanda e Daniel. Ângela é sua amiga-amante-mulher-companheira. Gosta disso. Adora a vida, repudia a morte e luta pela paz da forma como pode: cantando, compondo e falando das mazelas do seu tempo e da dor do seu povo. O seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, mas podem chamá-lo Gonzaguinha, simplesmente.Depois de ler em voz alta um trecho da entrevista, Mané disse que já estava compartilhando o meu blog com os amigos. Agradeci.
quarta-feira, 21 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (39)
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (38)
Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil
Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer
Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente
Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
domingo, 18 de setembro de 2022
CARLOS GOMES: A GLÓRIA NO TREM DO ESQUECIMENTO (2, FINAL)
Maneco Músico tinha, à época, 51 anos de idade e era pai de 26 filhos.
Essa história já foi contada por mim e pelo romancista mineiro Rubens Fonseca (1925-2020), no livro O Selvagem da Ópera.
No livro O Brasileiro Carlos Gomes, lançado pela Companhia Editora Nacional em 1987, eu faço uma biografia sobre o autor campineiro. A respeito, o compositor e maestro cearense Eleazar de Carvalho (1912-1996) escreveu de próprio punho: "Parabéns a Assis Ângelo por reviver o tempo passado e, como observou Roberto Machado, o tempo original, absoluto, idêntico à eternidade, que só a arte pode proporcionar".Eleazar regeu algumas das principais orquestras do mundo e foi um dos professores da Juilliard School de Nova York. Fora isso foi diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de São Paulo, OSESP, e criador do Festival de Inverno de Campos do Jordão.
E o jornalista e poeta Fernando Coelho escreveu: "O Brasil é o país da mentira. E do esquecimento. É só ver o que fazem com a Música Popular Brasileira, entre outras coisas. Ainda bem que o jornalista Assis Ângelo, teimoso que é, com este livro sobre Carlos Gomes, vai continuar incomodando os que insistem em empastelar a nossa memória".
Em matéria de página inteira, o tabloide Il Corriere destacou o esquecimento do maestro Carlos Gomes na edição de 21 de setembro de 1987.
Durante muito tempo, é fato que Carlos Gomes recebeu pedradas da parte de seus patrícios. Entre esses, alguns maiorais da famosa Semana de Arte de 22. Atacou Oswald de Andrade, por exemplo: "Carlos Gomes é horrível. Todos nós o sentimos desde pequeninos. Mas como se trata de uma glória da família, engolimos a cantarolice toda do Guarani e do Schiavo, inexpressiva, postiça, nefanda. E quando nos falam do absorvente gênio de Campinas, temos um sorriso de alçapão, assim como quem diz: - É verdade! Antes não tivesse escrito nada... Um talento!" (Jornal do Commercio, São Paulo, 12 de fevereiro de 1922).
A obra de Carlos Gomes é extensa. Ele escreveu peças do repertório popular como lundus, polcas, mazurcas, modinhas e hinos, além de missas e cantatas. Dentre as óperas que assinou Il Guarany foi a que lhe deu mais prestígio. No decorrer dos anos de 1870 essa ópera correu mundo.
Em 1914, o tenor italiano Enrico Caruso gravou em Nova Iorque, EUA, uma parte da famosa ópera baseada no livro homônimo de José de Alencar: Sento una Forza Indomita. Aliás, são inúmeras as gravações dessa ópera nas línguas mais diversas. A primeira gravação completa em disco ocorreu no Brasil em 1959. O autor dessa façanha foi o paulistano do Brás Armando Belardi (1898-1989). Essa gravação sairia na versão CD, numa caixa, em 1993. Dois anos depois, na Alemanha, seria a vez do maestro brasileiro John Neschling entrar no circuito regendo a ópera que virou também uma caixinha. Nessa versão, o tenor Plácido Domingo interpreta o parceiro de Ceci, Pery.
Mais de uma centena de livros conta a história do filho de Maneco Músico.
O compositor e maestro campineiro Antonio Carlos Gomes morreu doente e pobre em Belém do Pará, no dia 16 de setembro de 1896, exatos 100 anos antes de Eleazar de Carvalho. Tinha 60 anos de idade.
LEIA MAIS: ALBERTO NEPOMUCENO, 100 ANOS • CARLOS GOMES: FILHO DE UMA TRAGÉDIA • FRANCISCO SIMPLESMENTE
sábado, 17 de setembro de 2022
CARLOS GOMES: A GLÓRIA NO TREM DO ESQUECIMENTO (1)
Numa conversa qualquer em que o tema seja música ou músicos brasileiros eruditos, o nome que logo vem à mente é o do compositor e maestro carioca Heitor Villa-Lobos, autor das Bachianas em que se acha O Trenzinho do Caipira. Numa forçação de barra, digamos assim, pode surgir outro nome: Antonio Carlos Gomes. E talvez também a soprano Bidu Sayão, até porque foi homenageada e desfilou em carro alegórico da Beija-Flor no carnaval de 1995. Morreria em 1999, com 97 anos de idade.
São muitos os artistas brasileiros atuantes no campo da música erudita, desde sempre. O primeiro deles foi o padre José Maurício Nunes Garcia que sabia tudo e mais um pouco a respeito do assunto.
Além de Villa-Lobos, Carlos Gomes e José Maurício, outros como Francisco Mignone, Guerra-Peixe, Alberto Nepomuceno, Francisco Braga, Alexandre Levy, Cláudio Santoro e Radamés Gnattali deixaram sua marca nesse campo. Mas a memória está sempre a negar fogo.
Carlos Gomes, um paulista da região de Campinas, muito cedo enveredou pelo fabuloso mundo da música. Ele ainda se achava nos primeiros anos da adolescência quando começou a tocar na bandinha marcial do pai Manoel José Gomes (1792-1868), popularmente chamado Maneco Músico. Com 13, 14 anos, já fazia música em pauta. Um dia, na bandinha do pai, foi visto pelo imperador Pedro II que na ocasião visitava sua cidade. Aquilo foi marcante e desde então o menino Tonico, como era chamado Carlos, começou a sonhar alto imaginando-se estudante de música no Rio de Janeiro, então capital do Império.
Antes de trocar Campinas pelo Rio, o jovem Carlos Gomes passou uma temporada na Capital paulista onde conheceu estudantes de Direito do Largo de São Francisco.
Corria o ano de 1859 e é dessa época o hino à Mocidade Acadêmica. É também dessa época a modinha Quem sabe?, com letra de seu amigo Bittencourt Sampaio. Essa modinha foi e continua sendo gravada por muita gente, inclusive Inezita Barroso (1925-2015). A letra é esta:
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Quisera saber agora
Quisera saber agora
Se esqueceste, se esqueceste
Se esqueceste o juramento
Quem sabe? Se és constante
Se, ainda, é meu teu pensamento
Minh'alma toda devora
Da saudade agro tormento
Tão longe, de mim distante
Onde irá, onde irá teu pensamento
Quisera saber agora
Se esqueceste, se esqueceste o juramento
Quem sabe? Se és constante
Se, ainda, é meu teu pensamento
Minh'alma toda devora
Da saudade agro tormento
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Suspiros, angustias, dores
Suspiros, angustias, dores
São as vozes, são as vozes
São as vozes do meu canto
Quem sabe? Pomba inocente
Se também te corre o pranto
Minh'alma cheia d'amores
Te entreguei já n'este canto
Vivendo de ti ausente
Ai meu Deus, ai meu Deus que amargo pranto
Suspiros, angustias, dores
São as vozes, São as vozes do meu canto
Quem sabe? Pomba inocente
Se também te corre o pranto
Minh'alma cheia d'amores
Te entreguei já n'este canto
O cartunista Fausto e eu estamos fazendo um livro com charges e textos, sobre encontros fictícios entre grandes artistas do Brasil. Inezita e Carlos Gomes são dois dos personagens que escolhemos para o livro, que se chamará Histórias de Esquina.
Já no Rio de Janeiro, estudando no Conservatório de Música, Carlos Gomes ganhava admiração de colegas e professores. Em 1861, compôs sua primeira ópera: A Noite do Castelo. Dois anos depois usufruía de uma bolsa de estudos concedida pelo Imperador, na Itália. E na Itália conheceu a fama com a ópera Il Guarany, que estreou na noite de 19 de março de 1870 no Teatro Alla Scala de Milão. O grande Giuseppe Verdi estava presente. Encantado com a atuação de Gomes, declarou a um repórter da Gazzeta Ferrarese: "Esse jovem começa por onde eu termino".
Carlos Gomes ganhou fama, mas não ganhou dinheiro com Il Guarany. Motivo: vendeu os direitos autorais ao primeiro editor musical que lhe apareceu à frente.
A ópera que mais dinheiro deu a Antonio Carlos Gomes foi Salvador Rosa, que estreou na noite de 21 de março de 1874, em Gênova. Essa ópera, desenvolvida em quatro atos, foi dedicada a André Rebouças.
Il Guarany é baseada no livro O Guarani do escritor cearense José de Alencar. É da linha indianista. Trata do romance entre a filha de um fidalgo português (Ceci) e de um indígena da tribo dos guaranis (Peri). Essa ópera estreou no Brasil no dia 2 de dezembro de 1870.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (37)
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| Lupícino |
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| Fortuna |
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
O BRASIL SEM GAYA HÁ 35 ANOS
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
HOJE É DIA DE ISMAEL SILVA
Eu posso me regenerar
Mas se é para fingir, mulher
A orgia assim não vou deixar
Muito tenho sofrido
Por minha lealdade
Agora estou sabido
Não vou atrás de amizade
A minha vida é boa
Não tenho em que pensar
Por uma coisa à-toa
Não vou me regenerar
A mulher é um jogo
Difícil de acertar
E o home como um bobo
Não se cansa de jogar
O que eu posso fazer
É se você jurar
Arriscar a perder
Ou desta vez então ganhar
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