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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

A PAZ EM PAUTA. VIVA A PAZ! (2, FINAL)

Em 1937 o pintor Pablo Picasso (1881-1973) criou um quadro cujas imagens retratam os horrores da guerra espanhola (1936-1939): Guernica.
Entre 1952 e 1956 o pintor paulista de Brodósqui Cândido Portinari (1914-1962) gerou a obra-prima Guerra e Paz. Essa obra foi doada à Organização das Nações Unidas, ONU.
É também de Portinari o quadro Retirantes. Nesse quadro o artista registra a fome na cara de miseráveis.
Mais de 800 milhões de pessoas passam fome hoje no mundo.
No Brasil, atualmente, 100 milhões de pessoas sobrevivem em insegurança alimentar. Mais de 30 milhões desse total passam fome, mesmo.
Na sua posse como presidente do Brasil pela terceira vez, no último dia 1°, Luís Inácio Lula da Silva prometeu acabar com a fome no Brasil e conclamou os brasileiros e brasileiras a unirem-se no amor e não no ódio.
O livro de Tolstói continua sendo lido em quase todas as línguas. E já foi à tela várias vezes. E a impressão que fica é: da mesma maneira que se quer a paz, os poderosos querem a guerra.
A Rússia perdeu e ganhou com a invasão de Bonaparte, no começo do século 19.
A Alemanha perdeu completamente a Segunda Grande Guerra.
Putin está perdendo o que chama de operação especial na Ucrânia. Isso é grave tanto para os ucranianos, quanto para os russos. As consequências são gravíssimas para a humanidade.
Tolstói chegou a se corresponder por carta com Gandhi. Ambos se identificavam na luta pela paz.
O famoso quadro de Portinari tem sido reproduzido em todo canto. Depois de restaurado, foi mostrado ao grande público em cidades como Rio e São Paulo. Carlos Drummond fez um belíssimo poema sobre a obra. Ele mesmo o declama. Confira: A MÃO

LEIA MAIS: 20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (1)

LEIA TAMBÉM

Há 30 anos, Fernando Collor de Mello era apeado da presidência sob acusação de corrupção. Foi impichado. Perdeu os direitos políticos por 8 anos, mas passado o tempo voltou à política, hoje é deputado pelo estado de Alagoas. Para lembrar, clique: AINDA 20 ANO QUE SACUDIRAM O BRASIL

Foto de Flor Maria.
Ilustrações de Fausto Bergocce

domingo, 8 de janeiro de 2023

A PAZ EM PAUTA. VIVA A PAZ! (1)


"A paz é uma dádiva divina", lê-se no Velho Testamento.
O Velho Testamento reúne uma série de barbaridades, incluindo violência e guerras. Nas suas páginas há narrativas horripilantes, que vão de estupros a prisões, torturas e tipos diversos de escravidão. Pelo sim pelo não, o Novo Testamento é mais leve. Mas o fato é que os horrores lidos na Bíblia ainda se estendem por aí nos dias atuais.
Nos quatro cantos do mundo há os mais diversos tipos de conflitos e guerras como tal conhecemos.
Além da guerra na Ucrânia provocada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, há cerca de 30 guerras em andamento no Iêmen, San Salvador, Myanmar, Congo, Síria, apoiada por Moscou; Afeganistão, Irã/Iraque e mais.
Entre 1865 e 1869 o escritor russo Leon Tolstói (1818-1910) escreveu e publicou em capítulos, na forma de folhetim, o livro que logo se tornaria clássico mundial: Guerra e Paz.
No original Guerra e Paz tem mais ou menos 1500 páginas, nas quais se movimentam mais de 500 personagens. É histórico, ficcional, fantástico. Apesar do calhamaço, a leitura não cansa.
Hoje, talvez mais do que em tempos passados, líderes políticos lutam para evitar guerras. Foi nessa luta que tombaram Martin Luther King Jr e Mahatma Gandhi.
King e Gandhi morreram sem serem reconhecidos pelo Nobel. Injusto. Injustiça.
O Nobel foi criado em 1895. Desde então 110 pessoas, entre as quais 18 mulheres, foram agraciadas pelo Nobel no item paz. Mas houve também quem recusasse esse prêmio: Le Duc Tho.
A paz continua sendo pauta mundo a fora. E isso é bom.
Em 1967 o papa Paulo VI (1897-1978) criou o Dia Mundial da Paz.
A criação do Dia Mundial da Paz foi provocada pelo fato de o nosso planetinha estar à época correndo risco de morte. Vivia-se a era da Guerra Fria, iniciada em 1947. A URSS e os EUA viviam de dentes trincados e com bombas nas mãos. Esse estado de tensão findou com a queda do muro de Berlim em 1989 e, definitivamente, com o fim da URSS em 1991.
Em Guerra e Paz, Napoleão invade Moscou, que depois dá o troco pondo pra correr os franceses.

sábado, 7 de janeiro de 2023

UM ENCONTRO NA FEIRA


Espere aqui, responda: você já foi a uma feira livre e lá encontrou uma pessoa querida?
Pois bem, hoje 7, fui à feira e lá encontrei o amigo querido Jorge Araujo.
Jorge é de origem baiana, bom de papo, e considerado pelo mundo um dos mais importantes e sensíveis repórteres fotográficos do Brasil. Ele estava lá, na feira, ao lado do caçula Jorginho e do fiel "cãomunista" Fidel.
Foi uma festa, na feira, o encontro entre mim e Jorge e o filho mais o cão, que latiu e enroscou-se nas minhas pernas quando me viu. Não latiu, lambeu minhas mãos.
A feira em questão ocorre todos os sábados na Antonio Gordo, travessa da Eduardo Prado, onde moro.
O encontro foi registrado em fotos por minha caçula Clarissa.
Na belíssima ocasião ainda achavam-se comigo Ana minha filha mais velha e o seu companheiro Geremias.
Foi um encontro muito bonito, repito.
Da feira além da alegria que rendeu o encontro, trouxemos frutas e macaxeira da banca do querido Beto, cuja mãe dona Rosa tem mãos mágicas pra fazer a melhor tapioca do mundo. E como senão bastasse, Clarissa ainda comprou flores e do florista ouvi a expressão "não, meu amor", respondeu quando na minha vez perguntei se havia orquídeas para a minha Maria.
À expressão do florista, brincando, eu disse que jamais ouvira um homem me chamar de meu amor. Sem jeito, ele derreteu-se em desculpas. "É meu jeito, é meu jeito, o Sr. me perdoe". Achei graça e apertei sua mão.
O mundo precisa de mais carinho, de mais amor.
 A origem da feira livre você sabe?
Ninguém sabe com certeza quando começaram as feiras livres. 
Há indícios de que as feiras começaram séculos antes de Cristo, lá pras bandas do Oriente Médio.
No Brasil, sei não. Mas lembro que foi no município paraibano de Serra de Boi que iniciei meus primeiros passos nas feiras livres. De calças curtas, com 9 ou 10 anos de idade, nas feiras extasiava-me ouvindo cantador tocar viola e cordelistas cantar cordel.
A mais famosa feira livre do Brasil, a carioca de São Cristóvão, foi criada pelo cordelista cearense Raimundo Luiz do Nascimento e pelo cantador repentista paraibano José João dos Santos.
Raimundo, também conhecido como Santa Rosa nasceu em 1926 e morreu aos 92 anos de idade.
O pai de Raimundo, também chamado Raimundo, era delegado de polícia no Ceará e morreu por bala disparada por Lampião. O ano era o de 27. Raimundo, o filho fugiu de casa armado de um canivete decidido a matar o corpo e a alma do assassino do pai.
José João dos Santos, famoso pelo pseudônimo Azulão, nasceu no dia 8 de janeiro de 1932 e morreu em 2016. de morte morrida.
Azulão era um amigo meu. Confira uma das nossas conversas, clicando:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

UM BRASIL PARA TODOS

 Sem dúvida importante foi a fala de Lula na abertura da reunião que pela primeira vez no seu novo governo reuniu toda a equipe ministerial, formada por ministros e ministras.

Com firmeza e objetividade Lula falou da necessidade de todos trabalharem e trabalharem visando o mesmo objetivo: a solução dos problemas que afligem os brasileiros e brasileiras mais necessitados. Disse que quem pisar na bola será educadamente convidado a se retirar da pasta, da equipe.

A  educação será um dos alvos prioritários no que tange a melhoria.

Várias vezes Lula enfatizou a necessidade de atender a toda a população,  independentemente de tudo. A tecla que mais tem usado é a que o lembra que foi eleito para governar todos os brasileiros e brasileiras, indistintamente. O Brasil é um só.

O primeiro governo de Lula foi um governo que enfrentou problemas de ordem administrativa.  Foi nesse governo que surgiram as denúncias que caracterizaram o escândalo do mensalão. "Compra" de deputados e tal. Houve muito barulho na imprensa e na área jurídica, mas escapou. Disse, defendendo-se, que fora traído.

No segundo governo Lula enfrentou denúncias de corrupção na Petrobras. Nova zebra, mas escapou e até conseguiu eleger o "poste" Dilma.

Torçamos para que Lula e seu governo façam para os pobres um país rico para todos.

Enquanto isso, bolsonaristas covardes continuam agredindo jornalistas em várias partes do País: Ceará, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. 

Hoje na capital mineira uma equipe do jornal O Tempo foi agredida por bolsonaristas radicais que ocupam um quartel. 

Ontem 5 um repórter fotográfico do jornal Hoje em Dia foi agredido por seguidores de Bolsonaro que ocupam o mesmo quartel em Belo Horizonte. Socorrida, a vítima recebeu pontos na cabeça. 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

MARINA DIZ QUE LULA PODE GANHAR NOBEL DA PAZ


Importantíssimo foi o discurso de posse da matogrossense do sul Simone Tebet, hoje 5 em Brasília, como titular do Ministério do Planejamento. Muita gente de posição graduada participou da solenidade. Ela foi incisiva, falando com firmeza os planos que tem para por em prática no Ministério. Lá pras tantas, disse:

"Os pobres estarão prioritariamente no Orçamento público. A primeira infância, idosos, mulheres, povos originários, pessoas com deficiência, LGTBQIA+. Passou da hora de dar visibilidade aos invisíveis. Tem de abarcar todas essas prioridades, sem deixar de ficar de olho na dívida pública."

Simone Tebet foi prefeita do município de Três Lagoas, MS, entre 2005 e 2010. Foi também vice-governadora do Estado em que nasceu, Mato Grosso do Sul, no decorrer dos anos 2010-2015.
A posse da acreana Marina Silva ontem 4, como ministra do Meio Ambiente também foi muito concorrida. Estava assim de gente na sua solenidade de posse. Depois de dois parágrafos, destacou no seu discurso:

"Vamos ter uma ação que respeita o multilateralismo, mas vamos atuar internamente para que o Brasil volte, em vez de pária ambiental, ser o país que vai nos ajudar a finalizar o acordo com o Mercosul, que a gente consiga trazer os investimentos, que consiga abrir o mercado para nossos produtos, que a gente deixe de ser o pior cartão de visitas para nossos interesses estratégicos e passe a ser o melhor cartão de visita."
Marina, ex-senadora, elegeu-se deputada federal na última eleição. Ainda no seu discurso de posse como ministra do Meio Ambiente, disse que se a frente da sua pasta conseguir zerar o desmatamento na Amazônia Lula poderá, ao fim e ao cabo, ser aplaudido pelo mundo e agraciado pelo Nobel da Paz.
O ex-governador de São Paulo e vice-presidente da República da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, também tomou posse ontem 5 como titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Disse um monte de coisas legais. Foi aplaudido, especialmente quando fez referência à questões climáticas no Brasil. Disse: 

Alckmin no traço de Fausto, à época de seca em São Paulo

"É imperativa a redução da emissão de gases de efeito estufa, o estabelecimento de uma política de apoio a uma economia de baixo carbono, privilegiando tecnologias limpas e dando início a um processo produtivo eficiente e sustentável."

Em 2014/2015 Alckmin era governador de São Paulo e no período houve uma crise hídrica que atingiu todo o território paulista. Ele disse ter feito tudo para evitar racionamento, mas não foi possível. Aconteceu: houve racionamento, embora tenha desenvolvido uma campanha pedindo compreensão da população para evitar desperdício de água. "É preciso equilíbrio, para evitar racionamento", disse em vão.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

A HISTÓRIA DO BRASIL RECOMEÇA

 O atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (ao lado), é também ministro da Indústria e do Comércio.
Acredito no político Alckmin. Eu o conheci num tempo qualquer do século passado. Num tempo em que eu respondia por um cargo ligado à imprensa da CPTM, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Antes. Bom papo, boa gente.
Eu trabalhava na TV Globo quando o Quércia (1938-2010) me chamou pra assumir a chefia de comunicação da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Ele tava doido e eu, também.
Troquei a Globo pela Agricultura.
Dessa secretaria de Estado fui, à convite do colega jornalista José Nêumanne, diretamente assumir a chefia da Editoria de Política do Estadão. De lá fui pra rádio Jovem Pan, e da Pan fui para o Metrô onde assumi a chefia do departamento de Imprensa.
Sai do Metrô e fui passear, que ninguém é de ferro. Publiquei livros e tal.
Um dia fui chamado para trabalhar na CPTM. Seu presidente Oliver Hossepian disse que precisava das coisas que possivelmente eu poderia fazer. Achei interessante o convite e topei.
À época, o governador de São Paulo era Geraldo Alckmin.
Tanto no Metrô quanto na CPTM, desenvolvi um trabalho cultural paralelo ao trabalho desenvolvido diretamente ao dia a dia da imprensa.
Aposto no Alckmin como companheiro do Lula.
O discurso de hoje 4 feito por Alckmin em Brasília, na sua posse, é altamente significativo, especialmente aqui:

... Saiba, que o senhor terá de mim, não apenas a lealdade que um ministro que se soma a de um vice, mas minha dedicação integral em prol de uma agenda que contribua para reverter os resultados inaceitáveis que nossa economia vem acumulando nos últimos anos. 
[...] 
A nossa união, presidente Lula, não é episódica, de ocasião ou por uma eleição. A nossa união é por um país, por um povo e pelo seu direito de viver em um regime democrático e em um país verdadeiramente produtivo. Tenha em mim, presidente Lula, aquele a quem o senhor poderá confiar sempre a primeira e mais árdua missão, porque é inabalável o meu compromisso com o senhor, o seu governo e o nosso país. Que venham dias de crescimento e justiça social.
Há muita gente bonita representando o Brasil nesse 3º governo de Luís Inácio Lula da Silva.
Todos os seguimentos da vida brasileira estão representados no governo Lula 3. 
História a ver.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

AINDA 20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL

De certo modo sinto não ter publicado, no tempo aquele, o livro 20 Dias que Sacudiram o Brasil. Esse é um livro que retrata uma parte periclitante que o Brasil viveu, naqueles distantes anos de 1990. Collor, eleito com 40 anos de idade, mostrou-se no seu comportamento playboy uma figura altamente desrepresentativa do povo brasileiro. Como presidente, Collor foi lamentável do começo até o impeachment. O período foi, de certa forma, salvo pelo baiano Itamar Franco. Itamar revelou-se um político necessário ao Brasil daquele tempo. Audálio Dantas, colega e amigo jornalista das Alagoas, sacou tudo isso. Tudo aquilo. E, disse-me, que faria o prefácio de 20 Dias que Sacudiram o Brasil com muita alegria. Essa, segundo ele, era uma maneira de pôr seu bedelho nessa história. E é o que segue. Leiam:
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Neste relato das aflições que marcaram a cena brasileira, num curto período de vinte dias, Assis Ângelo exercita, de maneira simples e direta, a arte de fazer notícia. O que, aliás, é obrigação de todo jornalista que se preze.
Eis aqui uma notícia breve, curta, incisiva sobre um pedaço da tragédia brasileira. Um ato de extraordinária movimentação, que se inicia com as cenas iluminadas da esperança a explodir nas ruas, nos rostos pintados dos meninos, no grito do povo geral reunido nos comícios e termina frêmito de medo que percorre as praias cariocas assoladas pelos arrastões.
O Brasil mudou nesses vinte dias? De um modo ou de outro, mudou.
Collor escorraçado do Palácio do Planalto, onde permanecera por mais de dois anos a esbanjar a vaidade e a arrogância de pequeno ditador de província, não significou apenas a mudança que todos esperamos seja definitiva para a Casa da Dinda. Na esteira de seus passos, na retirada humilhante, cresceu o clamor popular contra a impostura, a safadeza, o furto descarado de um grupo que, ao invés de um projeto político, tinha montado uma quadrilha para assaltar o poder.
Naquele instante o povo se apropriava do direito secularmente usurpado da cidadania. Como nunca acontecera antes, em nossa História, o povo falou pela boca de juizes e parlamentares. As instituições se dignificaram ao interpretar o clamor das ruas. Então, houve uma importante, importantíssima mudança.
Mas a tragédia brasileira não se encerra nesse ato de afirmação popular. O rastro de miséria deixado por Collor em sua passagem apenas marcou mais fundo a miséria secular que atinge a imensa maioria do nosso povo.
Mal Itamar Franco sobe ao poder, caem as bolsas de valores e sobe a cotação do dólar no câmbio negro, numa imediata demonstração de que os donos da riqueza não estão dispostos a perder nada. Com Collor ou sem Collor, a chamada elite quer continuar no seu bem-bom, mesmo que pairando sobre o abismo da miséria mais abjeta. Por isso, um ministério formado em sua maioria por "desconhecidos", alguns até nordestinos, a assusta. E faz com que ela se previna do jeito que sempre fez; remarcando os preços. Porque - a velha história pode vir por aí algum pacote.
Tudo isso acontece enquanto o país navega da esperança à frustração, da alegria dos cara-pintadas ao ranger de dentes do inferno superlotado da Casa de Detenção de São Paulo e do ódio que apagou o sorriso das crianças da Febem.
Assis Ângelo, jornalista, nos dá a notícia que já é história, no livro curto que é um registro, um lembrete, um corte que sintetiza em vinte dias uma tragédia de cinco séculos.
Em flashes, ele nos dá conta das coisas acontecidas nesses vertiginosos dias: o povo nas ruas, à espera do momento de libertar o grito de vitória pela queda de Collor; três dias depois, a descida ao inferno de fogo e sangue da Casa de Detenção; a posse desajeitada do novo presidente e a escolha de seus ministros; a constatação, pelo ministro do Trabalho, de que o salário mínimo é seis vezes menor do que deveria ser o justo e necessário, mas que não há jeito a dar nessa miséria, porque o país não tem com que pagar; o vôo que levou Ulysses Guimarães e com ele muitas das esperanças por um país mais digno.
Finalmente, no vigésimo dia, o arrastão nas praias da zona sul carioca, que são pedaços, ilhas felizes cercadas de miséria por todos os lados, menos um, o do azul das águas. Como num samba dos anos de resistência à ditadura, o morro está descendo. Depois daqueles vinte dias é possível que lhe dêem vez.
 
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Leia o texto original:
 


 

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (4, FINAL)

... E pensar que o Sr. Fernando Affonso Collor de Mello, um ex-caçador de "marajás" — como se autodenominava — e redentor dos chamados "pés descalços" e "descamisados" (que se multiplicam aos milhões todos os dias pelos rincões deste País sem fim) pretendia permanecer à frente dos nossos destinos por um período mínimo de 30 anos… Argh!, chega a arrepiar. Deus do céu! E que palhaçada! Que dizer de alguém metido a poliglota, e investido (legalmente, para infelicidade nossa) no cargo de presidente da República Federativa do Brasil, que recebe pomposamente — na ilusão de se fazer mais importante — o mundialmente consagrado e competente escritor peruano Mário Vargas Llosa, com a seguinte frase:

— Eu estou torciendo por vocé, Mário.

Pois é, dizer o que?

O correto seria: "Estoy haciendo barra por usted, Mário." Quem duvidar, que leia o livro de memórias de Llosa, El Pez en el Agua (Ed. Seix Barral). Antes de cometer essa barbaridade linguística, Collor sacou a frase que levou o humorista Jô Soares ao delírio:

— Duela a quien duela.

Afe!

E nós, ó, só sofrendo. Pra lembrar: no dia 26 de abril de 1984 foi rejeitada a emenda Dante de Oliveira, que restabelecia a eleição direta para presidente da República. Um ano depois, no dia 21 de abril, morria Tancredo Neves, eleito pelo Colégio Eleitoral. Surgia a malfadada Nova República. O então presidente José Samey lança o Plano Cruzado e é endeusado — a desilusão viria depois. Entre 1987 e 1988 é redigida e aprovada por deputados e senadores a Constituição que nos salvaria a todos — era o que se dizia na época, mas o tempo se incumbiria de comprovar o contrário. Finalmente, a maior de todas as decepções:

Collor, um aventureiro desconhecido, chegaria ao poder...

As decepções, porém, não devem, jamais, suplantar os sonhos e esperanças de um povo.

Nada como um dia atrás do outro.

Em frente!

Cerca de 35 milhões de brasileiros acreditaram nas promessas de Collor e depois se arrependeram. Pudera! Coisas da vida.

Ah! Sim: Segundo o folclore, o boto é um golfinho muito safadinho e louco por rabo de saia, que na calada da noite costuma seduzir virgens e mulheres casadas às dúzias, nas margens dos afluentes do rio Amazonas, onde mora. É um perigo danado. Não custa lembrar que Bernado Cabral nasceu naquela região.

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Abaixo, leia o texto nas páginas originais: 




domingo, 1 de janeiro de 2023

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (3)


Para piorar a situação de Collor e seus asseclas surgiu, através das páginas de Isto é (revista semanal com grande índice de leitura no País), um humilde motorista nordestino do Rio Grande do Norte de nome Francisco Eriberto Freire França, falando com desenvoltura e propriedade da perigosíssima ligação entre PC Farias e a secretária do próprio Fernando Collor, Ana Acioli. Isso no dia 28 de junho de 1992. Para complicar foi inventada, no princípio de agosto, uma tal "operação Uruguai" (denunciada pela ex-secretária da ASD Empreendimentos Ltda., Sandra Fernandes de Oliveira), com a pretensa finalidade de justificar a origem de alguns milhões de dólares conseguidos sabe Deus onde. Paralelamente a tudo isso, já pululavam os "fantasmas" de PC em inúmeras agências bancárias do País e na imaginação criativa do povo brasileiro. Até folhetos de cordel o tema rendeu, além de sambas, pagodes, canções e até uma minissérie de televisão (Marajá, da TV Manchete).

Desesperado com tantas denúncias, Collor só faltava arrancar os cabelos (logo ele que sempre gostou de andar com a cabeleira arrumadinha). E haja gel! Durante um jantar na casa do deputado Onaireves Moura (PTB-PR), no dia 16 de setembro, o presidente Fernando Collor ainda abriu a boca e soltou impropérios de todo tipo contra Deus e todo mundo. Na ocasião, sobraram pesadas farpas para o desaparecido deputado Ulysses Guimarães, que foi injustamente chamado de "esclerosado, senil, decrépito" e acusado de ser "um bonifrate dos interesses econômicos de São Paulo".

Era o sinal da loucura, do desespero de Collor.

Para encerrar essa triste e lamentável história, o povo resolveu ir às ruas — os estudantes adoraram — e forçar um basta contra o descalabro que já enojava a Nação inteira. A Câmara aprovou o pedido de impeachment (processo por crime de responsabilidade cuja pena principal é a perda do cargo) feito formalmente no dia 12 de setembro pelos presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Marcello Lavanere Machado e Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, respectivamente.

Era o fim, não havia mais jeito.

O destino do Sr. Fernando Affonso Collor de Mello foi selado no dia 29 de setembro, dia de histórica votação na Câmara dos Deputados. Mas, atenção, é erro grave imaginar que os únicos ladrões (e/ou corruptos) que infestam o Brasil atendem só por Collor e sua cara-metade de aventuras, PC Farias ( até agora, junho de 1993, PC foi indiciado em 34 inquéritos policiais; seu sócio, Jorge Bandeira, foi enquadrado nove vezes em 19 artigos do Código Penal Brasileiro).

Comecemos, agora, a narrativa da incrível história dos 20 dias que mudaram os rumos deste País. Quer dizer, mudaram mas os escândalos, como a indústria da seca (que anualmente rende US$ 1 bilhão aos espertalhões de plantão), os roubos e as safadezas de todos os tipos continuam aí. Quer dizer, rigorosamente continuamos na mesma, sem saber direito para onde ir. Nesse ponto, basta darmos uma olhadela despretensiosa em volta para constatar que os usineiros, por exemplo, vão muito bem, obrigado, com suas usinas falidas mas com bens materiais incalculáveis, entre os quais mansões "hollywoodianas" no Brasil e no exterior, fazendas, carros, iates, aviões etc. e, ainda por cima, recebendo benesses do governo Itamar a toda hora e a todo instante. Quem diria, hein?

Mais uma coisa: a burguesia é uma senhora gorda e aética que costuma ficar sempre do lado de quem ganha, seja em que situação for. Portanto o povo que se cuide, pois nem sempre — está definitivamente provado — depois de uma grande tempestade reina a santa e sagrada calmaria tão ansiosamente esperada por todos.

Saravá!

sábado, 31 de dezembro de 2022

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (2)

A série de escândalos da era Collor começou com a deslumbrada ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, trocando bilhetinhos apaixonados por baixo da mesa em reuniões de trabalho, no Palácio do Planalto, e dançando em casa de amigos o bolerão Besame Mucho, de rosto colado com o descolado ex-ministro da Justiça, Bernardo Cabral, em outubro de 1990. O romance que deixou a Nação perplexa e acabou melancolicamente numa cama de hotel em Paris, rendeu um belo samba (ainda inédito) do genial compositor paulistano Paulo Vanzolini, autor de Ronda e Volta por Cima. O samba é assim:

Minha neguinha
Hoje eu acordei disposto
Pra fazer seu gosto
Vamos nos casar

Hoje é o dia
De enfrentar a Pretoria
De na pausa ou na agonia
A gente se amarrar

E o padre e o cartório
Já estão avisados
O bifê tá contratado
Nada vai faltar

Você se pinte
Você se enfeite
Você se vista
Que eu vou dar uma passada
No dentista e volto já.

traço de Fausto Bergocce

Depois do malfadado bolerão de autoria da mexicana Consuelo Velasques, e da fuga estratégica do boto Cabral, de Paris, foi a vez de o próprio Collor soltar a franga no reveillon de 1990, em Angra dos Reis, RJ, a bordo de caríssima e sofisticada lancha do playboy Alcides dos Santos Diniz, o Cidão, um dos seus amigos do peito. Diante dessa moleza toda, o monstro da inflação resolveu despertar e pôr toda a sua maldade para fora. Azar nosso!

Com a inflação então na casa dos 20% ao mês, a ministra da Economia acabou sendo posta no olho da rua (8/5/1991) e ao País apresentada a figura desengonçada do embaixador neoliberal de mentirinha Marcílio Marques Moreira, que da noite para o dia virou ministro da Fazenda e papa da economia brasileira. Um horror! Começou, em seguida, uma onda gigantesca de privatizações varrendo o País, de cara com a Usiminas sendo entregue à iniciativa privada pela bagatela de Cr$ 709,6 bilhões, sob protesto e muito pau entre operários e engravatados em geral ( e com a presença da polícia, que efetuou várias prisões) no dia 24 de outubro de 1991. Detalhe: cena idêntica viria a ocorrer meses depois já durante o governo Itamar Franco quando, depois de muito disse-me-disse, foi anunciado ao País, mais uma vez, o leilão da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de Volta Redonda, a maior fabricante de folha-de-flandres da América Latina e a mais importante usina do Continente.


A equipe ministerial é refeita.

No dia 11 de maio de 1992, pra desespero de muita gente, é posta uma bomba do tamanho de um trem no caminho do super-Collor: seu irmão mais novo, Pedro Collor, denuncia por razões pessoais o enorme esquema de corrupção comandado pela eminência parda do governo que atendia pelo nome de Paulo César Cavalcante Farias, o PC.

O bafafá deu no que deu.

A partir daí foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias. Essa CPI, chamada de CPI do PC, acabou provocando um incêndio de grandes proporções na Casa da Dinda e levando às favas, e de roldão, um jardim babilônico de US$ 2,5 milhões e 13 mil m2 de área verde, oito cachoeiras, piscina de 100m2 e um lago com 1,5 milhão de litros de água especialmente tratada etc.

O fim já estava bem próximo.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

20 DIAS QUE SACUDIRAM O BRASIL (1)


O carioca Fernando Collor de Mello elegeu-se como o mais novo presidente da República com 40 anos em março de 1990 pelo Partido Republicano Nacional, PRN. Pintou e bordou, mas teve de deixar o cargo depois de acusado de envolvimento num esquema de corrupção, por isso ganhou muitos processos e acabou “impichado”. O placar que o pôs pra fora do Planalto foi de 76 senadores a favor, 3 contra e 2 omissos. Isso no dia 30 de dezembro de 1992. Tentando desesperadamente evitar a cassação ou impedimento, Collor apresentou carta-renúncia. Não colou, pois os senadores não engoliram o blá-blá-blá do missivista. No seu lugar sentou-se o baiano Itamar Franco (1930-2011). Fez um bom governo e foi da sua equipe que saiu o presidente que o substituiu: Fernando Henrique Cardoso, criador do Real como moeda nacional. Lula o substituiu e o resto é história. O texto que se segue eu o escrevi há 30 anos como introdução do livro 20 Anos que Sacudiram o Brasil. Inédito porque, ai ai ai, esqueci de publicá-lo. Os originais foram encontrados por acaso numa das prateleiras do meu acervo junto com a capa desenvolvida pelo craque do traço Juarez Carvalho. O prefácio foi feito pelo jornalista Audálio Dantas (1929-2018). A apresentação teve a assinatura de José Nêumanne Pinto e o posfácio de Fernando Coelho. É isso.

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“A liberdade de imprensa é um direito da sociedade e, portanto, um dever do jornalista.”

Barbosa Lima Sobrinho
Presidente da Associação Brasileira da Imprensa


No curto período de 20 dias — de 29 de setembro a 18 de outubro de 1992 — o Brasil deu um arriscado giro de 180 graus no seu corpo gigante e ganhou uma nova cara. Não novíssima, mas nova; pois é certo que ainda há muito o que fazer para que o Brasil entre nos seus devidos eixos. Enfim, como bem lembrou o cantor e compositor Geraldo Vandré, num bate-papo comigo na sua casa, em São Paulo:

— O povo ainda tá de tanga na rua.

Pois é.

As bases fisiológicas que historicamente têm possibilitado o descalabro e a corrupção continuada na máquina administrativa do País (a sonegação de impostos chega à casa absurda dos US$ 50 bilhões por ano, segundo as estimativas mais otimistas) continuam firmes e sólidas como nunca. Nesse particular, a imprensa continua deitando e rolando, vendendo jornal e faturando ibope. E só. De todo modo, porém, é muito cedo para se saber com precisão a real dimensão e importância da mudança em si só inédita e histórica (na forma e no conteúdo) no Brasil e em todo o mundo. Não vale citar o caso de Carlos Andrés Pérez, presidente derrubado pelo Senado venezuelano, sob a acusação de embolsar algo em tomo de US$ 17 milhões do erário público.

Essa mudança entre nós começou com estudantes de cara-pintadas protestando contra o governo nas ruas. Culminou primeiro com a aprovação do pedido de impeachment (por corrupção) contra Collor na Câmara dos Deputados e sua posterior renúncia à Presidência da República exatos dois meses depois quando o Brasil começava a respirar mais aliviado das muitas humilhações até então sofridas.

A renúncia não foi aceita e o pedido de impeachment foi avante.

A queda do presidente Fernando Collor não foi, a rigor, surpresa para ninguém. Era esperada sim, pois nem o Brasil e nem os brasileiros mais simples suportavam mais ler ou ouvir falar a respeito de tantas denúncias de assaltos à luz do dia ( e/ou à calada da noite) aos cofres públicos, apresentadas diariamente pela imprensa nacional e estrangeira, envolvendo o nome exatamente de quem foi eleito para moralizar e pôr o País no caminho da prosperidade, do respeito e do desenvolvimento industrial, como exaustivamente era prometido pelo então candidato do PRN em modernoso e aventureiro discurso durante a sua fulminante e vitoriosa campanha à presidência da República.

O governo Collor — encerrado definitivamente no dia 30 de dezembro de 1992 — colecionou em pouco mais de dois anos uma vergonhosa série de escândalos de todos os tipos, incluindo o incrível e criminoso sequestro da poupança dos brasileiros (infelizmente aprovado pelo Senado, não nos esqueçamos) e das aplicações legais no mercado financeiro.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

PELÉ, UMA LENDA NA TERRA E NO CÉU


 
Clique na imagem, para ler
O mundo acaba de perder aquele que foi o maior craque de futebol de todos os tempos: Pelé, aos 82 anos de idade.
O mineiro de Três Corações Edson Arantes do Nascimento, Pelé,  acaba de morrer de câncer às 15:56hs no Hospital Albert Einstein. Nesse hospital ele se achava internado desde o último 29 de novembro, há exatamente um mês.
Pelé começou sua carreira no Santos. Tinha 15 anos de idade em 1955 quando pra todos os efeitos marcou seu primeiro gol. Foi contra o Corinthians de Santo André,  SP. Dois anos depois o técnico Feola o levou para integrar o time que representaria o Brasil na Suécia. E foi lá, na Copa de 58, que ele mostrou a que vinha. 
Pelé marcou uma porrada de gols. o milésimo ele o marcou em João Pessoa, em confronto com o Botafogo paraibano. LEIA: PELÉ, 80 ANOS
Em texto publicado na edição de 8 de março de 58, na Revista Manchete Esportiva, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues chamou pela primeira vez Pelé de Rei. Confiram: MEU PERSONAGEM DA SEMANA
"Todo mundo já esperava a morte de Pelé, mas ao acontecer isso todo mundo ficou surpreso. Um choque!", disse pesaroso o cartunista Fausto Bergocce. "Inacreditável!", acrescentou. 
Eu, particularmente, nunca fui torcedor do Santos. Não desconheço, porém, que Pelé foi desse time o maior jogador. E também das seleções de 1958 e 1970. Insuperável. Com ele em Campo, o impossível saía dos seus pés. 
Vocês aí assistiram o filme Pelé Eterno?
Pelé Eterno é um filme do diretor Aníbal Massaini, que me convidou pra auxiliá-lo na escolha da trilha sonora. Fiz isso. No acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, se acham centenas de músicas que tratam de Pelé. O filme de Massaini abre com uma música do paraibano Jackson do Pandeiro: Rei Pelé.
Pelé chegou a meter-se na política, mas sem disputar nenhum cargo eletivo. Explico e lembro: FHC criou o Ministério dos Esportes e o convidou para assumí-lo. História. 
Lá em cima tem jogo. Grandes craques lá estão. Garrincha, por exemplo. 
Como Pelé não há outro. E dificilmente haverá.
Curiosidade: Pelé compunha, tocava e cantava. Existem também muitas músicas sobre ele.
Pelé chegou a cantar com Elis Regina e Jair Rodrigues.
 
 

BRASÍLIA EM POLVOROSA

 A tarde de terça-feira de 29 de dezembro de 1992 fervia, em Brasília. Como hoje, quinta.

Naquele dia de exatos 30 anos atrás o carioca boçal Fernando Collor de Mello era posto entre a cruz e a espada. Sobre ele pesavam acusações de corrupção. PC Farias, seu testa de ferro fazia tudo para encher os bolsos de dinheiro público. 

Hoje 29 policiais federais foram a campo em sete Estados com 32 mandados de prisão e de busca e apreensão. A ordem foi dada pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes. O alvo tinha a ver com os responsáveis pelo quebra-quebra geral na noite de 12 último após a diplomação de Lula como novo presidente da República. 

Na tarde de 29 de dezembro de 1992 Collor encaminhou ao Senado carta em que anunciava a renúncia do cargo de presidente. Foi lida e tal. Logo após foi aberta no Senado a sessão que resultaria em impeachment e suspensão dos direitos políticos por oito anos. Isso já na madrugada de 30.

No final da manhã de hoje Lula anunciou os dezesseis nomes que ainda faltavam para formar o grupo de 37 ministérios do governo que iniciará no próximo dia 1º. 

A propósito da posse de Lula milhares de policiais civis e militares, estaduais e federais, estarão mobilizados e atentos para agir diante de qualquer movimento suspeito.

Lula ainda não decidiu se vai desfilar em carro aberto ou não. 

Há 30 anos, logo após a queda de Collor, escrevi o livro 20 Dias que Sacudiram o Brasil. Não foi publicado. Os originais desse livro foram achados num lugar qualquer do Instituto Memória Brasil, IMB. Tem textos de apresentação, prefácio e posfácio dos colegas jornalistas José Nêumanne, Audálio Dantas (1929-2018) e Fernando Coelho. 

Voltarei ao assunto.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

LULA: O DIA DA POSSE ESTÁ PERTO

 De fato, são muitas as expectativas em torno da posse do novo presidente do governo que está se formando. 

As barracas e sei lá o que dos bolsonaristas aloprados armadas em torno do QG do Exército em Brasília estão sendo desmontadas. Menos mal.

Lula ainda não decidiu se vai desfilar no carro chique que o governo americano deu ao governo brasileiro tempos atrás. Opa! Eu disse isso?

O carro em questão, um Rolls Royce, foi comprado pelo governo brasileiro e inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas em 1953. Custou a bagatela de 420 mil dólares. A informação é do jornalista e escritor Lira Neto, um dos biógrafos de Vargas.

O novo comandante do Exército já foi escolhido, Júlio César de Arruda.

Há expectativas vibrantes para o anúncio dos 16 nomes que faltam para formar o grupo de 37 ministérios do que será o terceiro governo de Lula. Extraoficialmente, falam-se às escancaras que Simone Tebet já foi indicada para ocupar a pasta do Planejamento. Ana Moser e Marina Silva deverão ser respectivamente as titulares dos Esportes e do Meio Ambiente. 

O Ministério dos Esportes foi criado no governo de FHC. O seu primeiro titular foi o mineiro Edson Arantes do Nascimento, mundo afora mais conhecido como Pelé.

Pelé, eterno rei da bola, está há 29 dias internado no hospital Albert Einstein. 

Há muitas expectativas em torno de Pelé.  Está com câncer que vem se agravando a cada dia. Tomara que fique bom, curado do maldito tumor que o vitima. 

Enquanto isso, atenção: o tal que afunhenhou o Brasil deverá ir para o raio que o parta amanhã 29. Dizem às escancaras que ele, sim aquele, aquele mesmo comparado ao capeta aqui na Terra, vai passar uns dias em Orlando (EUA) e em seguida afogar mágoas e lágrimas nos braços daquele outro. Sei não, não sei mesmo, mas acho que os dois têm um caso. Que caso é esse, não sei.

Atenção, atenção de novo: está descartada a possibilidade de Bolsonaro passar a faixa presidencial a Lula.

Só uma vez um presidente, um ex, deixou de passar a tal faixa. Foi Figueiredo,  o general que detestava o cheiro de povo e adorava, digamos, o afago dum cavalo. Eu, hein!

Enquanto isso, discretamente, o Centrão faz da moita seu lar.

JOVEM PAN 

Hoje 28 liguei a Pan e ouvi o Jornal da Manhã. Os comentaristas de mesa estavam sumidos. Hummm.

No horário não escutei o Morning Show, por que hein? Detalhe: na hora, pouco antes talvez, escutei uma voz impostada dizendo que a Pan é uma rádio do caralho, que só dá notícia verdadeira e coisa e tal. Nada de apoiar golpe e golpista, disse ainda o locutor. Então tá, né?

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

EXPECTATIVAS NO AR DE BRASÍLIA

 Há uma grande expectativa no Brasil.

Para o bem ou para o mal, sempre houve expectativa no Brasil. 

Oficialmente, Lula toma posse do cargo de presidente no próximo domingo 1°.

A posse do novo presidente já está cercada de grandes expectativas. E tensão. Esperam-se cerca de 350 mil pessoas na solenidade de posse em Brasília. Muitos chefes de governo, incluindo o rei da Espanha, deverão comparecer ao ato.

Milhares de policiais, incluindo todo o contingente de segurança do Distrito Federal, estarão a postos e atentos a quaisquer situações que possam parecer estranhas no domingo que vem.

Agora há pouco, ali pelas 11, o governador do DF, Ibaneis Rocha, e os futuros ministros Flávio Dino (Justiça) e José Múcio Monteiro(Defesa), concederam coletiva de Imprensa para falar sobre o esquema de segurança. Falaram da prisão do terrorista George não sei o quê e se Lula vai ou não desfilar em carro aberto. As pessoas de bom senso acham que não deve.

Repórteres quiseram saber de Ibaneis, Dino e José Múcio se os aloprados bolsonaristas que ocupam a área dos quarteis serão postos pra correr antes ds posse de Lula ou não. No ar ficou a interrogação. 

Há também muita expectativa em torno do anúncio dos nomes que faltam para formar o quadro de ministros/ministérios.

Se vou à Brasília?

Não, não vou à Brasília. 

JOVEM PAN

Liguei hoje de manhã a rádio Jovem Pan e não achei o noticiário polêmico que desenvolve. No lugar, só música estrangeira. O que houve com esse noticiário, hein?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (56)

'Pronto! Pode falar', disse Maria apertando um botão do seu celular. 

Calma, calma. Eu não sou robô. Ainda não, pelo menos. 

Maria caiu na risada, dizendo ironicamente: "Ah! Eu tinha me esquecido desse detalhe".

A fala provocou uma risada geral entre os botões.  Barrica: "Na verdade eu nunca pensei que seu Assis fosse um robô, mas ahora é hora de pensar nisso". Zilidoro: "É mesmo! Seu Assis fala de tudo com propriedade. Está sempre atualizado. Ligado em tudo. Parece saber de tudo. Nunca vi ninguém assim. A Maria brincou, mas acho que ela tem alguma razão no que diz".

O que é isso, pessoas? Vocês endoidar? Estão indo longe demais! Eu sou gente. Em mim bate um coração já bastante cansado, diga-se. Deixem de onda!

Essa foi a primeira vez que Assis adentrou a casa levando consigo uma mulher, jovem, bonita e engraçada. Apresentando-a disse que a conheceu em Oxford. Brasileira, nascida em Minas Gerais, Josefina Sebastiana Carolina Dora Flor Maria de Sapucaí especializou-se em História Geral dos Povos e no estudo de línguas árabes, incluindo a língua de Cristo, aramaico. "Virge Nossa Sinhora do céu! Que mulher é essa?", espantou-se sem dissimular o botão Zoião. "Cala boca, deixa o homem falar", disse num cutucão o poeta Zilidoro.

Pois bem, pessoal, Josefina é conhecida em boa parte no mundo como Flor Maria. Nos meios universitários, de Londres principalmente, há muitos que a chamam simplesmente My Flower. "Puxa vida, assim tão nova e já é isso tudo?", pensou em voz alta, estupefato, o Mané. "Uma mulher assim não sabe cuidar de uma casa, não sabe cuidar de filhos... eu hein! Tô fora!", disse o desabusado Lampa num muxoxo. 

O que Lampa falou, e como falou, provocou a reação de todos, que em uníssono o repreenderam: "Machão! Machão! Machão!".

De fato. A observação de Lampa além de lamentável, é triste e indefensável sob qualquer aspecto. Eu procurei seus olhos, mas ele os escondeu. Quando eu já ia mudar de assunto, Lampa levantou-se acabrunhado: "Dona Flor, me desculpe. A minha vida foi sofrida. Nunca estudei, nunca entrei numa escola, mas nunca matei ninguém. Dizem que matei, mas é mentira. Se eu fosse mais novo, eu pediria pra senhora me ensinar. Eu admiro muito o seu Assis e Zilidoro. De novo, dona Flor, lhe peço desculpas pelas besteiras que eu disse".

Ao dizer o que disse, acomodou-se no seu tamborete. A casa encheu-se de palmas. Lampa pareceu emocionado. Devagarzinho tirou o punhalzinho da cinta e com ele, cabisbaixo, passou a cutucar as unhas.

Maria achou graça e desculpou Lampa. Depois disse estar curiosa e entusiasmada com os nomes que o presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva tem apresentado para ajudá-lo a governar. Entre esses, muitas mulheres. 

Antes de se retirar do ambiente ao lado de Maria, Assis disse que ele e todos os brasileiros de bem estão torcendo pra que tudo dê certo para o governo que se inicia domingo, dia 1°.

Jão e Zé convidaram os presentes para um cafezinho. 

domingo, 25 de dezembro de 2022

JESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (2, FINAL)


Era uma espécie de banco central, o que se chamava de templo.
No tal templo trocavam-se moedas de diversas espécies e lugares. Esse templo era dirigido por judeus de alto gabarito. E foram esses que pegaram Jesus e o entregaram a Pilatos que lavou as mãos e deu no que deu.
No geral, e a rigor, comparo Jesus a Antônio Conselheiro.
Conselheiro, beato, saiu dos cafundós do Ceará para brigar contra os poderosos da sua época. E aí, lascou-se. Resultado: 25 mil mortos em Canudos, BA.
Nisso tudo até aqui contado, há algo que me encanta: Jesus, a contragosto dos discípulos, recebeu um dia um grupo de crianças no Jardim das Oliveiras. Justificando a sua vontade teria dito "Vinde a mim crianças".
Agora, meu amigo, minha amiga, imagine Jesus loiro de olhos azuis no Egito.
Naquele tempo, no tempo de Jesus, havia tudo quanto não presta, que nem hoje. Figuras como o rei Salomão eram de grande importância. Temidos. Salomão era negro. O rei Davi, também. Por que não se fala disso?
Existem centenas, milhares, de livros, discos, muita coisa que trata de Jesus e seus discípulos.
Os discípulos eram uma espécie de segurança de Jesus.
Jesus não nasceu em Belém, nasceu em Nazaré.
Nazaré era uma vilinha de nada pegada à Palestina.
E o Natal, hein?
Em dezembro daqueles tempos era um mês de festejos pagãos.
O cristianismo foi adotado como religião, digamos assim, no século 4 pelo Imperador Constantino.
O calendário gregoriano... Bom, essa é outra história. Sem falar da violência comum naqueles tempos. Escravidão, inclusive. Analisando bem, pouco mudou até aqui.
Na segunda parte do século 19 o baiano Castro Alves pegou para si a bandeira da abolição e gerou a obra-prima O Navio Negreiro, cuja a 4ª parte foi musicada pelo pernambucano Jorge Ribbas. Assim:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!...


Foto de Flor Maria.
Ilustração do cartunista Fausto Bergocce.

sábado, 24 de dezembro de 2022

JESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (1)


Maria, Maria! Veja isso, Maria!, foi dizendo entusiasmado Zelatiel das Flores à mulher que na sala ajeitava umas tranqueiras referentes ao período natalino. E ela: Oi, oi. Endoidou?.
Zelatiel fez que não ouviu, talvez tenha ouvido, mas entusiasmado, com o celular na mão, disse que acabara de ler uma coisa bonita.
Maria, por uns momentos, parou de mexer nas tranqueiras e encarando o maridão, perguntou: Quem é esse cara a quem você se refere?.
Zelatiel fez que não ouviu e começou a ler com voz impostada:

Oh! Deus teu filho é negro
E tem de ti a semelhança
Dos que nascem em África
No rastro da esperança

Tu sabes, e muito bem,
Que isso dá discussão:
Há brancos que se recusam
A ver num negro seu irmão

Lamentável! Lamentável!
Impróprio para cristãos:
Se somos todos iguais
Por que não somos irmãos?

Hummm... Gostei, gostei. Esse é o cara a quem você se refere? Poxa, muito bom, perguntou já opinando a Maria de Zelatiel. E ele: Sim, ele é o cara!.
E a conversa foi seguindo por aí, entre perguntas e exclamações.
Zelatiel começou a dizer à mulher que não conhecia pessoalmente o autor do poema, mas o acompanhava na imprensa. Disse que os textos dele publicados no newsletters Jornalistas&Cia, por exemplo, fogem da obviedade ululante.
E é por isso, mulher, que você aparentemente gostou dele e sem o conhecer. E quer ver?
Jesus não era branco, não era loiro, era negro.
Não existe loiro de olhos azuis no Oriente Médio.
Não está na Bíblia, mas Jesus tinha menos de 1,70m de altura. Seus cabelos eram curtos e a barba, aparada. Era pessoa aparentemente normal. Era do campo. Agricultor. Talvez analfabeto, mas um dia achou de brigar com o establishment. E aí lascou-se.
Viu Maria, viu Maria?
De fato, o mundo todo guarda na memória a figura de Jesus loiro, magro, de olhos azuis e gostoso, penando de braços abertos numa cruz.
Olha, Maria, o que o cara ainda escreveu:
Na Bíblia há muitas informações a respeito do tempo antigo. Desgraceiras a dar com pau, muitas orgias.
Nem anjos escaparam da sede sexual dos tarados de Sodoma e Gomorra.
Isso é o que diz o velho Testamento.
Você está acompanhando isso, Maria?
Sim, Zelatiel.
Pois é, no velho Testamento há coisas do arco da velha.
Confesso, Zeca, que nunca li a Bíblia. Mas acho que vou deixar minha preguicite de lado e me ocupar dessa tarefa. Na Bíblia há todas essas putarias a que você se refere?
Sim, Maria. A Bíblia é um livro incrível. Nesse livro tem poema, tem romance, tem crônica, tem tudo o que você possa imaginar. Belíssimo. Veja de novo o que o nosso amigo escreveu:
Ninguém sabe quando nasceu e morreu Jesus Cristo.
Lucas, Mateus e Marcos falam de Jesus nos seus textos. Pra mim, eles são jornalistas do tempo antigo. Dão informações a respeito de Jesus. Incompletas, é verdade. Mas está lá: Jesus tinha uns 30 anos de idade quando foi preso, torturado e morto pregado numa cruz por romanos.
Aos 12 ou 13 anos de idade, Jesus encantou sábios em Jerusalém. E foi em Jerusalém que ele botou pra quebrar ao expulsar, na porrada, marreteiros que vendiam bugigangas em torno do que a Bíblia chama de templo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

É NATAL, O RECOMEÇO DE UNTUDO.

Mais um ano está chegando ao fim. Antes tem o Natal, causo renovador no calendário gregoriano. Antes até, mas é o que temos. É o que temos.
Grande Sertão: Veredas, do mestre mineiro Guimarães Rosa, um João de um tamanho sem fim, traça uma história pra lá de fabulosa. Há cousas e novidades a cada parágrafo. Sem exagero. João era gigante. Maior do que um pé de coco, dum centenário jequitibá, dum pé de cedro e coisa e tal. Madeira de lei, de dar em doido.
João Guimarães Rosa é a união de universos. Quer duvidar? Duvide, não!
À página 658, ele diz com suas palavras derramadas no mar do Sertão. Assim: 

A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.
Pois é, a vida é um eterno recomeço.
A respeito desse João, atirei o meu pensar numa folha de papel em branco. Saiu isto:

Nonada não é nada
Nas veredas do Sertão
Nonada é apenas
Começo de confusão
Prá macho que nasce frouxo
pedindo a padre perdão

Nonada não é nada
É um sim, talvez um não
É Hermógenes morrendo
No meio dum furacão
É Joca Ramiro vingado
Com muito sangue no chão

Nonada não é nada
É bendito, é oração
É padre puxando reza
Na frente de procissão
Convencendo o pecador
A fazer bem ao seu irmão

Nonada não é nada
Nem é tiro de canhão
É começo de conversa
De gente forte do Sertão
Inventada por um cabra
De nome chamado João


O belíssimo Sertão: Veredas, publicada em 1956, é pra ser lido por todo mundo. Até por quem já o leu.
Na primeira página desse livro, o autor mostra com todos os olhos, pernas e braços, a que veio. Encantado, inventei de gravar o que senti. Ouça:


quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

VIDA É ARTE. VIVA A ESPERANÇA!

O dia 22 de dezembro de 2022 marca um dia importante para a vida brasileira. Pra quem gosta do Brasil. Pra quem gosta de arte. E pra quem gosta de música.
No dia 19 de fevereiro de 1908 nasceu, no Rio de Janeiro, Henrique Foréis Domingues.
Esse Henrique Foréis tinha uma atração fundamental, uma atração incrível, pelo Brasil.
Foréis inventou de acrescentar um nome ao sobrenome que não tinha: Almirante.
Henrique Foréis Domingues era um Almirante sem ser, que nem o Capitão Furtado.
Meu Deus, como o Brasil é bonito!
No dia 22 de dezembro de 1980, Deus carregou Almirante pra fazer lá em cima festa com ele. Ai, ai.
Eu digo essas coisas, essas palavras, à Anninha.
Anninha é uma menina linda, cujo o nome de batismo é Anna Clara da Hora.
Viver é coisa boa.
A esperança e a vida são palavras que nos rejuvenescem.
Aproveitando isso, aqui quero mandar um beijo pra Maria.
Almirante foi grandão. Leia: ALMIRANTE, A GRANDE PATENTE DO RÁDIO
Lula não é músico nem artista de coisa nenhuma, mas Lula é um nome que dá esperança à música e tudo mais que tem a ver com a arte.

TESÃO É VIDA!

Não eram nem 11hs da manhã de hoje 22 quando a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleise Hoffman, começou a ocupar o microfone em Brasília pra falar a respeito da conclusão dos trabalhos de transição de governos.
 Bolsonaro, uma besta, está deixando o Brasil em pandarecos, dizendo que não há nenhum brasileiro passando fome. 
Isto tudo está re-gis-tra-do. É documento para a história. 
A equipe de transição,  coordenada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, mostrou as loucuras que o presidente que está saindo cometeu nos últimos quatro anos. Contra nós. Na surdina, na sacanagem. Coisa de feladaputa.
Ai de nós! 
Lula falou bonito no evento aberto por Hoffman. Falou de solidariedade, compreensão, essas coisas que de certo modo nem nos lembramos mais.
A página da desgraceira escrita malamanhadamente por Bolsonaro está sendo virada. Não quer dizer, porém, que a história não a registre.
Lula falou forte, falou bem.
A esperança do Brasil está toda depositada em Luís Lula da Silva. E ele disse que aos 77 anos de idade está se sentindo como um jovem de 30, com tesão de 20.
Lula é negociante político. Começou na sua fala agradecendo aos presidentes do Senado e da Câmara por terem tido participação decisiva na aprovação da PEC da transição. Importantíssimo. E agradeceu também aos presidentes dos partidos políticos que se juntaram a ele no decorrer da última campanha política. 
E nessa fala foi ele falando de nomes que formarão o seu ministério. 
Pra minha alegria Anielle Franco, irmã de Marielle, foi anunciada por Lula como titular do Ministério da Igualdade Racial. 
Marielle Franco foi uma brasileira pobre, negra, bissesual que inventou de estudar. Virou socióloga. Mais: seguiu em frente defendendo os direitos humanos de todos os sexos. Apaixonou-se pela política e virou vereadora. Era demais. O resto, Bolsonaro talvez deva saber.
Jesus Cristo era pobre, negro e fodido, mas essa é outra história. 
Ninguém precisa ser petista pra achar que Lula é do caralho!
A cabeça de Lula como cidadão e político tem algumas parecenças com algumas cabeças paraibanas. Sou de lá. 
Eu, de minha parte, devo dizer que do alto de meus não sei quantos anos vivo de tesão. 
Tesão me move. Sem tesão nada sou. 
Um beijo, Maria!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

HOJE É DIA DE ELOMAR E ALTAMIRO CARRILHO


Há exatos 85 anos nascia, nas beiradas do Rio Gavião, na Bahia, o arquiteto que virou violonista, cantor e compositor Elomar Figueira Mello.
Filho de Ernesto e Eurides, Elomar nasceu na casa da fazenda do pai e da mãe. Fez vestibular pra Geologia, mas terminou optando por Arquitetura, que concluiu em 1964. Quatro anos depois estreou no mercado fonográfico um compacto simples.
Eu conheci Elomar ali por volta de 1978, quando descobri o LP Das Barrancas do Rio Gavião. O texto de apresentação, inserido na contracapa, trazia a assinatura do poeta Vinícius de Moraes. Dizia:

... Assim é Elomar Figueira de Mello: um príncipe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou 'causos' escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste...

Já escrevi vários textos sobre Elomar, por Vinícius chamado de Menestrel. Leia: O POPULAR E O ERUDITO EM ELOMAR • ELOMAR E A SUA OBRA DE LOUVOR A DEUS • AINDA ELOMAR E A CULTURA BRASILEIRADEU BODE NO JOGOELOMAR CRIA FESTIVAL DA ÓPERA BRASILEIRA.
Elomar nasceu no dia 21 de dezembro de 1937 e, no dia 21 de dezembro de 1924, nascia no, Rio de Janeiro, um dos maiores flautistas do Brasil: Altamiro Carrilho.
Também já escrevi bastante a respeito de Altamiro. Leia: ALTAMIRO CARRILHO AGORA É SAUDADE • ALTAMIRO REGE PÚBLICO NO SESC10 ANOS SEM ALTAMIRO CARRILHO.

VISITA É COISA BOA

Ontem 20 a minha casa ficou mais alegre com a presença dos amigos Fausto e Vitor Nuzzi. Fausto é um grande chargista e Nuzzi autor de grandes livros. É dele, por exemplo, Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida (Kuarup, 2018). A prosa foi ótima, começou por voltas das 15h e terminou à boca da noite. Falamos de tudo um pouco: política, futebol, literatura, charge, pintura e tal. E molhamos o bico, que ninguém é de ferro. Aí na foto, o registro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

O BRASIL FICA MENOR COM A MORTE DOS GRANDES

No ano de 1915 nasceu, no Rio de Janeiro, aquele que seria chamado por todos que gostam de boa música de O Cantor das Multidões. Orlando Silva, que veio ao mundo num dia como hoje 20 de dezembro, deixou uma obra magnífica como intérprete. A sua voz era, digamos, de pluma. Como de pluma era a voz do cantor paraibano Roberto Luna.
Naquele distante 1915 nasceu também o pernambucano de Macuparana Rosil de Assis Cavalcanti.
Rosil foi um compositor de extrema importância para o que podemos chamar de "música nordestina".
Luiz Gonzaga, o rei do baião, gravou muita coisa bonita de Rosil. Véio Macho, por exemplo.
O professor de música da Universidade Estadual da Paraíba Jorge Ribbas e eu compusemos uma coisinha para Rosil. Ouça:
 

NÉLIDA PIÑON

A escritora Nélida Piñon morreu sábado 17 em Lisboa, aos 85 anos de idade. Ela foi a primeira presidente da Academia Brasileira de Letras, ABL.
O corpo de Nélida foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

CARLOS BRICKMANN

Sábado 17 morreu também, em São Paulo, o colega jornalista Carlos Brickmann. Tinha 78 anos. Foi vítima de falência múltipla dos órgãos. Era uma pessoa maravilhosa e muito bem humorada. Inteligente, inteligentíssimo, fazia amizades com muita rapidez. Eu o conheci há uns 30 anos. Chegou a participar de um programa que apresentei na Rádio Trianon. O corpo de Brickmann foi sepultado no domingo 18, no Cemitério Israelita do Butantã, na Capital paulista.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

A COPA DO CRAQUE FAUSTO. NOTA DEZ!

Tudo começou em 1930, quando o Uruguai abateu a Argentina pelo placar de 4 x 2.
A Argentina ganhou a Copa em 1978 e 1986, sagrando-se tricampeã ontem 18 no tórrido Catar. Resultado: 4 x 2 nos pênaltis, depois de empatar no tempo regulamentar e na prorrogação.
Essa foi, na opinião geral, o Mundial mais incrível da história. Pois houve surpresas de todo lado. Pela 1ª vez, por exemplo, o Senegal se fez participante como participante também se fez a seleção de Marrocos.
Nunca uma seleção africana chegou tão longe.
Os marroquinos botaram pra quebrar.
"Esperava-se mais, muito mais, da nossa Seleção", diz o quase sempre silencioso cartunista paulista Fausto Bergocce. Ainda Fausto: "O Tite e seus meninos pisaram na bola, decepcionando milhões e milhões de brasileiros que nem eu".
É verdade que o gol do atacante Richarlison foi memorável. Mas ficou nisso. Esperava-se mais, como frisou Fausto.
Foi espantosa a participação de Lionel Messi e também a participação de Mbappé, que sagrou-se artilheiro da Copa do Mundo por sua seleção, da França. Superou Pelé, nesse quesito. E olha que o francês tem apenas 23 anos de idade. Não é preciso ter bola de cristal para prever que o futuro de Mbappé será totalmente coroado de êxito. 
Mbappé é imbatível. 
Fausto acompanhou passo a passo todas as principais partidas. Fez, nada mais nada menos, 53 maravilhosas ilustrações.
É para Fausto que dedico hoje este espaço.
Senegal, um dos 54 países do Continente africano tem uma música extraordinária. Curiosidade: Há alguns anos os senegaleses gravaram de modo especial a toada-baião Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Ouça: 
 


Os sul-coreanos, que também participaram da Copa deste 22, fizeram uma belíssima releitura de Asa Branca: https://www.youtube.com/watch?v=5pnStf2iojY
 
Estreia do Brasil com golaço do Richarlison

 
Primeira vitória africana na Copa por Senegal


O craque Mbappe grande velocista do time da França

Saída melancólica do Brasil diante da Croácia

Marrocos, grande surpresa na Copa

Lionel Messi levando a Argentina na final

Grande final com a Croácia ficando na terceira colocação

A grande final com vitória Argentina de Messi

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