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terça-feira, 6 de junho de 2023

ASTRUD GILBERTO MORRE NOS EUA

A soteropolitana Astrud Gilberto, de batismo Astrud Evangelina Weinert despediu-se do mundo ontem 5 na Filadélfia, EUA, onde morava desde 1959. Sofria do coração. Deixou dois filhos, um deles, Marcelo, fruto da união com o cantor e compositor João Gilberto. Astrud e João ficaram casados durante cinco anos, de 59 a 64.
A carreira artística de Astrud começou nos Estados Unidos em 1963. Mais precisamente no dia 18 de março, dias antes de ser desencadeado o golpe que levou ao poder no Brasil os generais. Astrud foi a primeira cantora a gravar o samba balanceado chamado de bossa nova, Garota de Ipanema. Essa música, gravada em inglês, levou às paradas o LP Getz/Gilberto. Quer dizer, a soteropolitana Astrud morreu no ano que completou seis décadas de sua estreia em disco. Muitos compositores brasileiros tiveram obras gravadas por ela. Entre essas Aruanda de Geraldo Vandré e Carlos Lyra; e Beach Samba, de Pery Ribeiro e Geraldo Cunha. Curiosidade: Pery foi o primeiro cantor a gravar Garota de Ipanema, num disco de 78rpm.
Detalhe lamentável: o nome de Astrud foi omitido do LP Getz/Gilberto e pela gravação ela recebeu míseros 120 dólares e menos de um ano depois o maridão cantor, papa da Bossa, a trocaria por uma das irmãs do Chico, Miúcha, com as mãos abanando e uma criança para criar.
Astrud Gilberto morreu no fim da noite de segunda-feira.
Ouça Astrud cantando Aruanda:



VANDRÉ

Geraldo Vandré compôs duas músicas com Carlos Lyra, Aruanda e Quem Quiser Encontrar o Amor. Aruanda é a primeira faixa do lado B do LP The Best of Astrud Gilberto (nas minhas mãos, foto acima). Ontem 5 estivemos numa prosa, cá em casa. Papo bom, solto, amigo. Minha filha Clarissa registrou o momento (ao lado).

AUDÁLIO DANTAS: DE FATO UM GRANDE TROFÉU!

Audálio e Assis, no Metrô-SP
Indignação, Coragem, Esperança.
Esse é o triplé mágico e necessário de identificação do cidadão nacional. Faz parte do troféu Audálio Dantas, de reconhecimento dos profissionais do jornalismo.
Pela 4ª vez o troféu Audálio Dantas é entregue a jornalistas que têm marcado a vida brasileira. Os agraciados deste ano são Rene Silva, Juliana Dal Piva, Bruno Paes Manso, Leonardo Sakamoto, Gregório Duvivier e Valmir Salaro.
Desses nomes aqui citados, lembro que trabalhei na folha com Valmir Salaro.
Grande Valmir!
Eu e Valmir Salaro fazíamos parte de uma equipe de profissionais que cobriam, principalmente, o setor policial da já referida Folha.
Muitas histórias.
O alagoano Audálio Dantas foi um querido amigo. Foi não, é. Os grandes não morrem, desaparecem derrepentemente.
Jornalismo é fundamental para a manutenção da democracia de qualquer país.
O troféu Audálio Dantas nasceu por iniciativa do querido Serjão, da OBORÉ, que baseou-se em ideia como sempre original da também querida Laerte.
Com Laerte tive também o privilégio de trabalhar, na Folha.
Viva a Liberdade!
Todos nós estamos convidados a comparecer logo mais, às 19h, na Câmara Municipal de São Paulo onde o troféu será entregue aos colegas acima citados. Aí está o convite:

segunda-feira, 5 de junho de 2023

A SAÚDE ESTÁ DOENTE

Não é de hoje, infelizmente, que nós brasileiros estamos perdidos, afunhenhados, abandonados pelo poder público. 
Pois é, que estamos lascados, ao Deus dará. 
O desemprego come solto na buraqueira.
A educação foi arrasada, em todos os sentidos. Professor, e tenho uma filha professora, come o pão que o diabo faz nos fornos do Inferno. Trabalha e trabalha por uma merrequinha ao fim do mês. Como se não bastasse, vivemos um tempo em que aluno xinga, bate e até mata professor e professora. 
A área da saúde, por sua vez, está inteiramente devastada. As filas de doentes portadores de câncer e de outros males dobram esquinas e quarteirões. Uma lástima!
Sábado 3 o diário Folha de São Paulo estampou chamada na 1a. página sobre o abandono da saúde no Brasil. Título: SP descumpre lei para iniciar tratamento de câncer em até 60 dias.
A matéria, de página inteira, tem a assinatura do repórter Fábio Pescarini.
Ao mesmo tempo que nos dói ler a reportagem fica claro o abandono das pessoas que precisam de atendimento do SUS, Sistema Único de Saúde.
Coitado de quem precisa do SUS.
Com vocês compartilho a reportagem da Folha:
 

CAMÕES NA MÁRIO DE ANDRADE. FOI SÁBADO

Foi legal a recepção que tive sábado 3 no auditório da Biblioteca Mário de Andrade. Fazia tempo que eu não palestrava. Abordei, na Mário de Andrade, o tema Camões e a herança cultural que Portugal nos legou. Falei, falei e falei. O radialista Carlos Silvio, sempre prestativo, registrou o evento. Acompanhem:


CAMÕES

No decorrer do papo, contei que fiz a adaptação da obra-prima Os Lusíadas. Esse livro foi publicado em março de 1572. No próximo ano boa parte do mundo sensível e ilustrado deverá comemorar os 500 anos de nascimento de Luís Vaz de Camões. Leia:

domingo, 4 de junho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (22)

Assis Ângelo numa conversa com Jorge Mello

Ney Matogrosso canta com elegância músicas como Freguês da Meia-Noite, de Criolo (Kleber Cavalcante Gomes) e Folia no Matagal, de Eduardo Dusek. A primeira fala de um caso num restaurante francês localizado no bairro paulistano do Arouche. É simples, bonita. A segunda trata de, digamos, um enorme e curioso bacanal em que os personagens são pés de coqueiro e outras plantas e árvores. Começa assim: "O mar passa saborosamente a língua na areia/ Que bem debochada, cínica que é/ Permite deleitada esses abusos do mar/ Por trás de uma folha de palmeira/ A lua poderosa, mulher muito fogosa/ Vem nua, vem nua/ Sacudindo e brilhando inteira…".
O primeiro grande sucesso de Ney foi Homem com H, do já lembrado Antônio Barros.
Chico Buarque sempre foi de elegância irretocável como Milton, Djavan, Belchior e seu parceiro mais frequente, o piauiense Jorge Mello. É de Jorge, por exemplo, Eu Falei pra Você, de 1977. Um trecho: "Tô no ôco do mundo, moro em Copacabana/ acredite que é como estar noutro planeta/ Se meta, se mate na pressa, no túnel/ No túnel, na pressa, se mate, e se meta./ No mar mais azul, a coisa ficou preta/ Tem carro, tem gente querendo passar:/ na rua, na praia, em todo lugar/ É cachorro-quente ao invés do almoço/ Lhe falta a vida, o banho no poço/ e a viola gemendo pra gente cantar…”.
Noutra música, Observando o Lual, Jorge faz um engraçado trocadilho. Veja: “... Você já vai? Pergunto:/ E vai, por quê?/ Ela responde:/ — Vou-me já. Antes de você!”.
Nordestino como Jorge Mello, o pernambucano Luís Wilson é cheio de nove-horas no tocante a duplo sentido. Exemplos se acham nos forrós Dê Lembranças à Dona França e O Grilo da Prima. No primeiro, como o segundo em parceria com Duval Brito, ele canta: “Se Você for me faça me faça um favor dê lembrança a Dona França, não vá se esquecer…/ Eu não queria que você fosse embora, mas você quer ir agora, se for dê/ Dê lembrança a Dona França não vá esquecer!!!”. No segundo forró, diz: “A minha prima parece que ficou louca/ qualquer dia levo ela pro asilo/ Com tanto bicho bonito pra se criar e ela foi inventar de criar agora um grilo/ Ela da banho no grilo, da massagem no grilo. Bota perfume no grilo e puxa na barba do grilo…”.

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 3 de junho de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (21)

Pois é, quem é normal, ou aparentemente normal, fala palavrão. E que mal há nisso?
Dá pra contar nos dedos o número de autores que não geraram poemas e músicas maliciosas, eróticas e até pornográficas, por que não?
Já falei de Genival Lacerda e de seus vários sucessos "apimentados", embalados pela dança sacana do autor.
Nessa linha o rei do baião, Luiz Gonzaga, tem coisas ótimas. Uma delas, Não Vendo nem Troco, que o remete aos seus tempos de moleque na sua terra Exu querida. Referia-se a uma éguinha de "estimação".
No tempo de Gonzaga era comum os moleques iniciarem a vida sexual com animais do meio doméstico.
Não Vendo nem Troco foi gravada por Gonzaga e seu filhote Gonzaguinha no LP A Festa, de 1981. A propósito, em agosto de 1981 publiquei entrevista que fiz com Gonzaga na revista Privé. Em resumo ele diz que "Muié é um bicho danado de perigoso", que destaquei como manchete. Leia a entrevista completa:


O rei do ritmo, Jackson do Pandeiro, também não ficou fora dessa onda.
Como Gonzaga, aqui e ali Jackson externa no seu canto um quê de promiscuidade e até de preconceito. Num dos textos que cantou, A Mulher que Virou Homem, diz: "Minha mulher apesar de ter saúde/ Foi pra Hollywood, fez uma operação/ Agora veio com uma nova bossa/ Uma voz grossa que nem um trovão/ Quando eu pergunto: o que é isso, Joana?
Ela responde: você se engana/ Eu era a Joana antes da operação".
A curiosidade aqui é que Jackson gravou no seu disco de estreia em 1953 o rojão Sebastiana, de Rosil Cavalcante. É canto e dança, no caso, umbigada.

sexta-feira, 2 de junho de 2023

VIVA SÃO JOÃO!

 O mês de junho chegou e com ele as festas juninas.
Oficialmente, digamos assim, o período é inaugurado no dia 13. Nesse dia nasceu em Portugal Antônio. Esse, portanto, é o dia de Santo Antônio Casamenteiro.
O dia 24 é de São João, que foi profeta e batizou Cristo nas águas do Jordão.
O dia 29 é dedicado ao pescador Pedro.
No Nordeste brasileiro o mês de junho é todo de festa com fogueira e tudo o mais.
Brinquei muito nesse período, nos meus tempos de menino e até a adolescência. Boas lembranças de milho, canjica, pamonha, pipoca e tal e coisa. E fogueiras também. Pulei muita fogueira e abracei muita gente. 
Desse período lembro também das brincadeiras de adivinhação e de firmação de compadre e comadre.
A música também é muito bonita. Tem muita marchinha. Aliás, esse gênero musical foi inventado pelo bom baiano Assis Valente. Essa história eu conto no programa abaixo. Escute e passe pra frente:




ATENÇÃO, ATENÇÃO:
Amanhã 3 estarei proferindo palestra sobre essa temática. Na biblioteca Mário de Andrade. Não perca!


TÉO, CHEGANDO AOS 80

No próximo dia 2 de julho o cantor e compositor Téo Azevedo estará completando 80 anos de idade. Téo é o artista brasileiro com o maior número de composições próprias, muitas feitas em parcerias com amigos. Até aqui tem gravadas umas 2 mil músicas. Algumas feitas comigo como Modinha à Moda Mineira, cantado por Carlos Felipe e Ruth Eli, Caminhando com Vandré, Capitão e Clarice.
Sobre as festas juninas, eu escrevi e Téo melodiou Sem Balão no Céu. Essa música foi originalmente gravada por Emídio Santana.



LEIA MAIS: TÉO AZEVEDO É DESCOBERTO NA ALEMANHATÉO AZEVEDO, UM CRAQUE DA NOSSA MÚSICAVIVA TÉO AZEVEDO!TÉO AZEVEDO GANHA MÚSICA DE PRESENTE

quinta-feira, 1 de junho de 2023

AMIZADE É VIDA

 
A minha vontade de viver é reforçada, sempre, quando chega a minha casa amigos queridos como Téo Azevedo, Luiz Wilson e Fatel. 
Todos esses artífices da nossa cultura popular. São três compositores, três cantores, três artistas. 
E o Peter Alouche, por onde anda?
Téo e Fatel são de Minas e Luiz, de Pernambuco.
Téo, sempre que vem a São Paulo, trás no seu rico embornal rapadura, farinha e uma caninha pra molhar o bico, que ninguém é de ferro. Ah! Sim: e também uma pimentinha daquela de arrombar o peito do guarda corno. Tudo do bom e do melhor.
Também do bom e do melhor, está claro, são Téo, Fatel e Luiz.
Ontem 31 ali pelo meio da tarde e até à boca da noite estiveram comigo papeando e molhando conversa os três referidos amigos. Foi cá em casa. Falamos de muita coisa. Da vida, inclusive.
Adoro Beethoven, adoro Bach, Chopin e o cearense de Iguatú Eleazar de Carvalho.
Eleazar foi um gigante da vida artística brasileira. Mesclou o popular com o erudito e nos fizemos amigos.
Júlio Medaglia é um artista incrível, tão grande quanto Eleazar e Deus. Mas esta é outra história...
Quem me conhece de perto sabe que ando meio tonto.
Além de perder os olhos da cara perdi um pouco da graça que de graça Deus me dá, deu.
Uma coisinha aqui, outra ali, tem me incomodado. Mas se jornalista existe para apurar e dar notícia de verdade, sem mentira; médico também existe pra desempenhar a profissão com afinco e galhardia.
O querido amigo e compositor e tudo mais Paulo Vanzolini dizia, a mim, que não basta apanhar e ser vitorioso. Dizia ele que fundamental era ganhar tudo com beleza, com galhardia.
Aproveitemos essa história, história do Paulo, pra sabermos o que de fato significa a locução "galhardia".
Estou-me cuidando e fazendo uma enormidão de versos que acoplo em estrofes diversas. Estrofes em quadras, em sextilhas, em septilhas...
A propósito, sobre versos falarei na biblioteca Mário de Andrade sábado que vem 3. 
Falarei especificamente sobre o livro Os Lusíadas, de Luís de Camões.
Há pouco fiz dessa obra uma ópera popular sob o título A Fabulosa Viagem de Vasco da Gama no Mar. Falarei também sobre o ciclo junino e sua origem.
O meu falatório começará às 15h. Aí ao lado está o convite.

ANASTÁCIA

Téo Azevedo, Fatel, Luiz Wilson, Paulinho Rosa e Zé Geraldo lá no Canto da Ema
num momento de festa à brasileira Anastácia

A cantora e compositora pernambucana Anastácia acaba de fazer 83 anos de idade. Téo, Fatel e Luiz me contaram que foi uma noite muito bonita a noite comemorativa aos 83 anos de Anastácia. Foi no Canto da Ema, uma casa de espetáculo cujo nome quem deu, com alegria, fui eu. Não fui convidado pelo dono, mas fui convidado pela homenageada. Não fui, por uma razão: estou cego, com a cabeça doida e o corpo meio desmantelado.

Anastácia, meu carinho.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

NO CAMINHO DO AFUNHENHAMENTO

Jornalista parece que nasceu pra levar pancada, soco e tal.
Na origem somos sacos de pancada, alvo sempre fáceis de os trogloditas atingirem.
Ontem 30 foi a vez de coleguinhas de TV sofrerem agressão física daqueles que andam a garantir a integridade bandida do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
Entre os espancados de ontem no Itamaraty foi a jornalista Delis Ortiz, da TV Globo. Ela levou um sopapo no peito e, tonta, foi rapidamente socorrida. Passa bem, quer dizer, mais ou menos.
Confesso que tenho me assustado com a fala do presidente Lula.
Há pouco Lula defendeu Putin. Depois, confuso, tentou a aproximação com Zelensky. Não deu certo. Depois, de volta ao Brasil, pôs os pés pelas mãos e perdeu algumas paradas importantes na Câmara e no Senado. Articulação política, zero. Vai sobrar pra nós, pobres mortais.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, está falando grosso e mandando "recados" para Lula e seu governo.
Estamos no caminho do afunhenhamento.
Ouço no rádio notícia refogada dando conta de que Lira não deveria nem ter concorrido à Câmara, em 2018. Motivo: corrupção... Hmmmmm.
Indígenas de várias partes do País andaram se manifestando ontem contra a lei do marco temporal, que limita a demarcação das terras que ocupam desde sempre.
Como se essa desgraceira toda não bastasse, Lula tece loas a Maduro dizendo que o tal é vítima de uma narrativa para "queimá-lo".
Errado, Lula. O povo Venezuelano é vítima da violência estúpida do substituto de Chavez.
Não dá pra confundir liberdade com prisão e democracia com ditadura.
Até aqui calcula-se que pelo menos 7 milhões de venezuelanos viram-se obrigados a deixar o seu país.
Sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja de direita ou de esquerda.
O marco temporal agora se acha no Senado.
Os povos originários, há muito se acham perdidos. Téo Azevedo e eu compusemos:


MEDO E DELÍRIO

Meu amigo, minha amiga, se você não conhece deveria conhecer o podcast Medo e Delírio em Brasília. É supimpa! O papo do apresentador e sua trupe gira com graça e harmonia. É muita verdade dita, entre um palavrão e outro. Linguagem simples, popular, mas correta em todos os sentidos. É um tapa na cara dos escrotos de plantão, que quase sempre agem na surdina. Lá vai, clique:

terça-feira, 30 de maio de 2023

ANASTÁCIA, UM ORGULHO DO BRASIL

 
Num tempo corrido como o que vivemos não é fácil chegar à casa dos 80 incólume.
A cantora e compositora pernambucana Anastácia, chamada de Rainha do Forró, não só chegou aos 80 como faz hoje 83 anos de idade. Não é pra todo mundo, não.
Anastácia chega aos 83 rindo, cantando, enaltecendo a vida. Tem centenas de músicas compostas e gravadas por ela mesma e meio mundo. Coisas lindas, pela simplicidade. Coisas lindas, pela grandeza.
Em 2011, foi publicado o livro Eu sou Anastácia. O título já diz tudo. E se eu fosse você, meu amigo, minha amiga, sairia por aí correndo à procura desse livro. Nele tem até um texto que assino.
A brasileira Anastácia, é um orgulho do Brasil. Em sua homenagem, o craque Jorge Ribbas e eu compusemos o brejeiro Forró Pra Anastácia:
 



LEIA MAIS: HOJE É DIA DA BRASILEIRA ANASTÁCIAANASTÁCIA CHEIA DE GRAÇAFORRÓ PARA ANASTÁCIAANASTÁCIA, PRINCESA OU RAINHA?ANASTÁCIA E O CHINÊS

segunda-feira, 29 de maio de 2023

JORGE RIBBAS LANÇA NOVO DISCO

Grande parte das músicas que se ouve hoje no rádio e na TV é de uma  pobreza franciscana, pra dizer o mínimo. Lamentável.
As músicas gringas também são de baixo nível. Pop, pop, sem conteúdo que preste.
Ouço rádio e TV, principalmente rádio. Todo o dia. E também à noite.
Afirmo sem medo de errar que as programações musicais das rádios Cultura e USP são as melhores.
As programações dessas duas emissoras são ricas em temas populares e eruditos, porém dá pra notar que nomes como Manezinho Araújo, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro são simplesmente limados. Se propositalmente não sei.
Os discos físicos já não existem, pelo menos não são mais fabricados.
Sei que sou suspeito ao dizer que os bons ouvidos estão atentos a tudo. Razão de alegria, aliás, é o CD digital que o craque da nossa música Jorge Ribbas está lançando nas principais plataformas: YouTube, Spotify, Deezer e Amazon Music.
A nova produção musical de Ribbas tem por título Meu Forró. No total são 16 faixas, sete das quais resultantes da nossa parceria. Na verdade são seis músicas, sete pelo fato de uma delas, Xote Erudito, ter recebido duas versões: uma com cordas. 
Dentre as faixas de Meu Forró, destaco a "parceria" de Jorge com Manezinho Araújo, o eterno rei da embolada. Título: São Paulo é Paulo.
A capa do disco é um detalhe à parte.
Assinada pela designer Camila Peneireiro, o visual de Meu Forró ficou legal.
O cantor, compositor, instrumentista e professor de música da Universidade Federal da Paraíba, UFPB, Jorge Ribbas, tem até aqui, uma dezena de discos na praça.
Ouça:





Ouça o álbum completo: MEU FORRÓ
LEIA MAIS: JORGE RIBBAS, UMA HISTÓRIA CIDADÃ

domingo, 28 de maio de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (20)

O sexo e o palavrão têm uma relação íntima, desde que o mundo é mundo. O resultado disso se acha em todo canto, incluindo na literatura popular e erudita, no teatro, cinema, dança, música, nas artes em geral. Perguntei a Oliveira: Como você vê essa relação na poética de improviso ao som de viola?
ELE: Existe no reino cantoria cantadores de que gostam de versos mais picantes, na hora que estão fazendo um desafio, mas não chega a ser "boca suja", na cantoria, a plateia, de uma maneira geral não absorve essa temática. Mas tem muitos deles que mesmo sendo proibido chegam raras vezes a ultrapassar os limites. A não ser um trabalho de encomenda, aí o sujeito se solta todo!

EU: Qual a sua opinião a respeito das músicas de duplo sentido?
ELE: Eu acho a música de duplo sentido uma responsabilidade muito grande. Ou é bem feita ou descartável. Eu gostava de Genival Lacerda, tem muitos outros mas não lembro agora.

EU: Você foi de Ariano Suassuna o poeta repentista mais estimado. Suassuna dizia muitos palavrões? E você quando leva uma topada, diz o quê? Aleluia?
ELE: Sim, Ariano tinha uma grande amizade por mim, e a recíproca era verdadeira. Os três anos que eu fui seu convidado nas suas Aulas Espetáculo, nunca ouvi nenhum. Mas em algum momento tudo pode acontecer.
Eu sempre chamo o famoso: EITA PORRA! Mas por paradoxal que venha parecer eu logo me arrependo e chamo o nome de um santo (risos).
Oliveira de Panelas com Roberto Carlos e Otacílio Batista


EU: Você e Otacílio Batista estiveram várias vezes cantando para Roberto Carlos, na casa dele. Roberto tem muitas músicas que falam de sexo e coisa e tal. Aliás, não só Roberto, mas muitos outros artistas como Tom Zé, Rolando Boldrin, Rita Lee, Isaurinha Garcia, Wando, Chico, Caetano... Roberto diz muito palavrão?
ELE: Acho muito bonito quem sabe colocar o sexo nas músicas que canta. Um erotismo apaixonante e sensual. Pois partindo para o chulo perde o sentido.
Roberto, não deu tempo ouvir nenhum palavrão dele não. Mas sendo na hora certa todo mundo diz.

EU: Conte um caso inusitado envolvendo um palavrão:
ELE: Olhe, um caso inusitado, eu não lembro agora, mas que o palavrão já me tirou muitíssimas vezes do prego isso não tenha a menor dúvida. Não adianta ser hipócrita, todo mundo tem seu palavrãozinho de estimação. Eu tenho e gosto deles pra lascar! (risos).

Na noite de 13 de julho de 2022, no Qualistage, RJ, Roberto Carlos nervoso com uma fã disse: “Cala a boca, caralho! Porra!”. Dias depois ele voltou ao tema, se desculpando: “Foi sem querer”.

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora
Ilustração de Fausto Bergocce

sábado, 27 de maio de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (19)

Do poeta repentista Oliveira de Panelas:

Toca-me com teus seios de suavíssima pluma!
Deixa-os destilar os meus lábios sequiosos
Pingos de essências; o mel dos desejosos
Amantes que não sei se há em parte alguma!

Roça-me com teu ventre em maciez de bruma
E logo após retoma em ritmos calorosos
Mergulha nos instantes de anseios ardorosos
Repete uma vez mais... mais outra vez... mais uma!!!

Tu sufocas-me, e eu te canso, e te alivio.
Desnuda, e nessa pausa de transe e tresvario,
Arpejos sussurrantes, corpo esclarecido.

Após o néctar-êxtase, sã, A consciência volta,
Restaura nossos Eros e cada um se solta
Na paixão do mais belo amor que foi vivido!

O soneto como tal conhecemos, formado por dois quartetos e dois tercetos, foi uma criação do italiano Francesco Petrarca (1304-1374). Houve um tempo que virou moda mundo afora e no Brasil, inclusive. Oliveira de Panelas, nas horas vagas poeta de bancada, deita e rola, como nesse campo rolaram muitos outros grandes poetas. Incomum, no caso, é a temática aqui abordada por Panelas: o lirismo erótico como no soneto inédito Néctar-Êxtase, que publicamos aqui.
Esse tema também foi original e genialmente abordado por um dos poetas mais completos da nossa língua portuguesa: Olavo Bilac.
É de Bilac o livro Contos para Velhos, publicado em 1897.
Os cordelistas também chamados de poetas de bancada e os repentistas ao som de viola, também costumam desenvolver poemas de duplo sentido.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

PRA REFLETIR: HOJE É O DIA DA ÁFRICA

  Esta tirinha faz parte do livro Histórias de Esquina, do cartunista Fausto e Assis Ângelo
 
Não é só o Brasil que tem andado de cabeça pra baixo. O mundo está de cabeça pra baixo, tonto, cambaleante. Isso, claro, não é bom.
Este nosso planetinha de josta está implodindo. Nós, seus habitantes, estamos próximos de, juntos, somarmos oito bilhões. É muita gente, é muita alma penando por aí afora sem rumo, sem nada.
Somos pretos e brancos, ricos e pobres, uma mistura danada e tonta. Ocupamos quase 200 países.
Os conflitos de todos os tipos se complicam.
O problemas reais pululam. 
Ontem 24 o jogador de futebol brasileiro Vini foi homenageado por seu time, o Real Madrid.
Ontem 24 o presidente de La Liga, Javier Tebas, pediu desculpas pelo comportamento racista dos torcedores do Valência e tal. Foram desculpas assim, assim, sem convicção. Desculpas com aspas. Assim, do tipo "pero no mucho".
O que os torcedores espanhóis estão fazendo contra o jogador Vini é lamentável. Merecem punição braba, cana com multa e tudo mais.
O futebol é receita importante na economia espanhola. Significa algo em torno de 1,7% do PIB.
O mundo civilizado está de olho na Espanha, especialmente no futebol espanhol.
O caso Vini faz-me lembrar o caso Luiz Gonzaga.
Em 1951 o rei do baião, Luiz Gonzaga, foi convidado pra uma entrevista na rádio Gazeta, cujo slogan era "A Rádio da Elite". Ao chegar à portaria foi barrado por um porteiro branco e metido a besta que o proibiu de passar na porta. Gonzaga perguntou por que estava sendo impedido de entrar. E a resposta foi que só entraria com um convite. Gonzaga perguntou onde arrumaria um convite para comprar. E aí começou um bate-boca. Rápido Gonzaga conseguiu acessar o elevador, mas foi agarrado. E antes do pau cantar de verdade, a confusão chamou a atenção do apresentador do programa e de seus assistentes. Desse modo Gonzaga, reconhecido, adentrou ao ambiente da entrevista. Depois, insatisfeito, o Rei do Baião procurou jornais pra falar do ocorrido. A ninguém interessou a questão e tudo ficou por isso mesmo.
Eu soube ontem 24 que a cantora negra norte-americana Tina Turner morreu. Pena. Grande cantora, sem dúvida. Veio do nada, sofreu, pastou, como se diz, antes de alcançar o estrelato mundial. No rádio ouço loas a seu respeito. Dizem que não podemos nos esquecer nunca de Tina. Concordo.
A olhos nus vejo grandes artistas negros da nossa música completamente esquecidos como Pattápio Silva, Pixinguinha e João da Baiana; Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara e Carmen Costa.
Carmen Costa foi a primeira cantora brasileira a gravar um chorinho de Luiz Gonzaga, em 1943. Os casos de esquecimento são muitos. E a nossa música é negra, porque não dizer?
O choro é negro, o samba é negro, o baião é negro e isso é muito bom, certo?
Em 1942 um cidadão piauiense muito afoito Berilo Neves escreveu num artigo da Revista da Semana que "O samba é uma reminiscência afro-melódica dos tempos coloniais. Não é a expressão musical de um povo: é o prurido eczematoso do morro. É o irmão gêmeo destas entidades abstrusas que se chamam Suor, Jogo do Bicho e Malandragem".
Pois é, né?
Esse Berilo nasceu em 1900 morreu 74 anos depois, sem deixar saudade.
A carioca Elza Soares partiu faz pouquíssimo tempo e já está esquecida.
Tem muita coisa errada neste mundão de meu Deus do céu!
Ah! Sim, para refletir: hoje é o Dia Mundial da África.


LEIA MAIS: O CHORO É NEGRO 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

OLIVEIRA DE PANELAS: 77 ANOS

Localizado no Agreste pernambucano, Panelas é um dos 5.570 municípios brasileiros. Com tal denominação foi fundado em 1909. A sua população é estimada, segundo o IBGE, em pouco mais de 26 mil habitantes. Fica a cerca de 200km da capital, Recife.
Quem nasce em Panelas é panelense.
O artista mais conhecido de Panelas é Oliveira Francisco de Melo. À propósito, esse Francisco carrega em si como nome artístico Panelas.
Falo, é claro, de um dos mais importantes poetas repentistas do Brasil: Oliveira de Panelas.
Oliveira começou a fazer versos de improviso quando tinha 8 anos de idade. Aos 12, já cantava com a violinha no peito. Quer dizer, uma "violinha" quase tão grande quanto a sua própria estatura física. Havia quem se referisse a ele como "O menino da viola".
O tempo foi passando, passando e esse Oliveira acabou por se tornar um verdadeiro gigante da Cantoria. Hoje tem no currículo 19 livros publicados e pelo menos 40 discos, incluindo 11 LPs gravados e lançados à praça. 
O nome de Oliveira de Panelas está definitivamente registrado na história do repentismo brasileiro. É um gênio, por que não dizer?
Oliveira Francisco de Melo nasceu no dia 24 de maio de 1946.
Não tenho certeza, mas acho que foi num dia qualquer de 2012 que gravei um papo com o poeta antes de apresentá-lo a uma plateia que o esperava ansiosa na unidade Sesc Santana, SP, onde eu realizava a ocupação Roteiro Musical da Cidade de São Paulo. Ouça um trecho dessa entrevista:


ESTAMOS DE VOLTA À PRÉ-HISTÓRIA

Essa tirinha faz parte do livro Pré-Histórias, do cartunista Fausto Bergocce
 
Um terço da população brasileira, cerca de 70 milhões de pessoas, se acha na linha da pobreza e boa parte se afundando na miséria.
Dados do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) indicam que pelo menos 30 milhões de brasileiros, entre homens e mulheres, passam fome; não têm o que comer, não sabem o que comer.
Um terço da população brasileira, cerca de 70 milhões de pessoas, vive de esperança ou de reza, quem sabe?
A desigualdade entre os brasileiros é muito grande. Há um abismo, um poço sem fundo, no qual a gente anda caindo.
A população brasileira é, historicamente, miscigenada.
Formamos a nação mais miscigenada do mundo. Esse fato poderia ser uma bela amostra de integração entre as pessoas, mas não é.
Infelizmente somos uma sociedade dividida entre pobres e ricos, pretos e brancos.
A discriminação é uma praga que se acha em todos os campos sociais.
Salta aos olhos o que passa o pobre e o preto. O pobre preto então, nem se fala.
Para um pobre preto alcançar status social come o pão que o diabo amassa. Parece natural, pode parecer natural, mas não é.
Nos últimos quatro anos, o Brasil foi arrasado pelo tsunami do ódio destilado pelo poder vulgar e perigoso do nazi-bolsonarismo. E assim, mais uma vez, o Brasil foi dividido.
Quase todos os dias nos deparamos com notícia dando conta de que um brasileiro foi agredido pela ira racista, num lugar qualquer do mundo. Domingo foi em Valência, na Espanha.
É bem como eu disse ontem 23: estamos voltando ao tempo em que os trogloditas arrastavam as mulheres pelos cabelos.
E hoje não só a mulher é arrastada pelos cabelos, os pobres também; os negros, idem; e minorias como a comunidade LGBTQIAP+.
Do jeito que o mundo anda, tudo vai explodir.
Os conflitos armados continuam se multiplicando mundo afora.
Atenção, pra refletir: Lula está sendo criticado por dizer que nem a Ucrânia e tampouco a Rússia, através Zelensky e Putin, querem a paz.
Tudo gira em torno de grana e poder. 
Ao mesmo tempo que as guerras matam, as guerras fazem com que montanhas de dinheiro se movimentem em prol das grandes potências.
Enquanto isso, por não ter o que fazer, fiz este poeminha cujo título é Mais Amor e Menos Ódio:

Todos sabem muito bem
Que o mundo anda mal
Girando um tanto torto
No seu eixo natural

É caso muito sério
De difícil solução
Pode tudo se findar
À base de explosão

Como rastro de pólvora
Feito só para matar
As guerras se multiplicam
No campo, na serra, no mar

Aviões atiram bombas
Aleatoriamente
Destruindo meio mundo
E matando muita gente

Tudo isso sob as ordens
De um ser que planta o mal
De um ser que quer fazer
Nova guerra mundial

Pare enquanto é tempo
Chega de tanto terror
Em fuga o povo chora
Pedindo paz e mais amor

terça-feira, 23 de maio de 2023

PELO JEITO, NÃO TEMOS SALVAÇÃO

 
Um horror! Um horror! Um horror!
Lamentável sob qualquer aspecto os horrores que ocorrem no mundo deste já terceiro milênio: fome, desemprego, guerra, latrocínio, feminicídio, homofobia, racismo...
Em todos os canais, incluindo rádio, ouço notícias terríveis de gente matando gente, de gente humilhando gente, de gente fazendo o que gente que é gente não deveria fazer.
Agora mesmo tomo notícia de que mais um brasileiro é atacado violentamente por racistas espanhóis. A vítima, no caso, é o jogador Vini Júnior, do Real Madrid.
Com isso, chego à conclusão de que nós humanos estamos regredindo voltando ao tempo da pedra lascada, quando trogloditas arrastavam pelos cabelos as mulheres às suas tocas.
O dia a dia nos oferece cada vez mais surpresas lamentáveis.
Ontem 22 o Cristo Redentor, no Rio, chorou. Empreteceu, em protesto ao que acaba de acontecer na Espanha. Foi uma homenagem ao jogador, e ele:

"Preto e imponente. O Cristo Redentor ficou assim há pouco. Uma ação de solidariedade que me emociona. Mas quero, sobretudo, inspirar e trazer mais luz à nossa luta. Agradeço demais toda a corrente de carinho e apoio que recebi nos últimos meses. Tanto no Brasil quanto mundo afora. Sei exatamente quem é quem. Contem comigo porque os bons são maioria e não vou desistir. Tenho um propósito na vida e, se eu tiver que sofrer mais e mais para que futuras gerações não passem por situações parecidas, estou pronto e preparado."

Bom, costumo dizer que nós, humanos, não temos e dificilmente teremos salvação.

domingo, 21 de maio de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (18)

 
O proibido, por razões que Freud explica, desperta todos os tipos possíveis de curiosidade. Faz sucesso, por despertar os monstrinhos invisíveis que há em nós.
Na última terça 28, saiu da lista do vestibular da Universidade Rio Verde, de Goiás, o livro Eu Receberia as Piores Notícias dos Teus Lindos Lábios, do jornalista e roteirista de cinema e TV Marçal Aquino. Trata-se de um romance com personagens que formam uma relação triangular, na qual se acha um pastor. E aí está o problema.
O romance de Marçal provocou a ira do deputado bolsonarista Gustavo Gayer, que da tribuna federal cuspiu cobras e lagartos contra a obra do romancista. Disse que o livro é de teor pornográfico. A Universidade curvou-se e, a seu modo, tascou o carimbo de censura no livro.
O livro já é sucesso, merecidamente.
E não custa lembrar: em 1974 os guardiões da moral tupiniquim proibiram o lançamento do Dicionário do Palavrão, do estudioso da cultura popular, Mário Souto Maior. Quatro anos antes, agentes do sistema militar tentaram identificar e prender Carlos Zéfiro, o autor dos quadrinhos eróticos que tanto prazer levou às mãos dos jovens daqueles tão nublados tempos.
Artistas de todas as áreas criticaram e resistiram às investidas das botinas e blindados representados pelos donos do poder da época. Dos 60 aos 80.
O cartunista Fausto, paulista de Reginópolis, com graça e ironia resume: “Militares e nem ninguém têm ou terão o direito de vetar o imaginário sexual. O Zéfiro foi muito importante na minha vida. A vida segue”.
“Concordo completamente com o que diz Fausto. O Zéfiro foi de uma importância fundamental para a juventude da nossa época. Bati muita bronha lendo as histórias dele”, diz rindo o escarrado e cuspido músico e roteirista criador de Vira-Lata, personagem que resume de certa forma a força do Brasil pela diversidade, Paulo Garfunkel.
Fausto e Paulo Garfunkel, o Magrão, são do caralho!
Sabe aquela história da Censura?
Em 1972 Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro compuseram uma obra a que deram o título de Pesadelo. Por ali, diz assim:

…Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente, olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí, eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí…


Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 20 de maio de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (17)

Assis e Capiba

Em 2014, uns tais de Filipe Escandurras e Magno Santana fizeram uma coisa chamada Lepo Lepo. Um grupo especializado em porcaria musical, Psirico, gravou e encheu o bolso de grana. A coisa ficou nas paradas do rádio durante intermináveis três ou quatro meses. O cara do Psirico não cantava, gemia ou grunhia num suposto ato sexual. Mas não houve censura. Aliás, anote: se não gostar do que ouve no rádio e vê na TV, mude de rádio, de canal ou desligue.
No carnaval baiano de 2023 o grande sucesso foi uma josta chamada Zona de Perigo, interpretada por um cara que faz tempo se acha na crista da onda, Léo Santana.
A interessante letra de Zona de Perigo, dada a sua beleza e profundidade filosófica, precisou da colaboração integral de seis intelectuais ora de reconhecida fama: Adriel, Rafa, Ivees, Fella, Pierrot e LuKinhas.
O ritmo de Zona de Perigo é resultado da mistura incrível de arrocha, pisadinha, funk, suor e peido, como certamente diria o despachado e sem papas na língua Capiba.
O pernambucano Capiba, autor de belíssimos frevos, rebatendo jovens músicos de sua época dizia que "Som universal é peido!".
Aproveito pra compartilhar com vocês um pedacinho, só um pedacinho, da interessantíssima música Zona de Perigo: "Sensacional o jeito que ela faz comigo/ É fora do normal, estou na zona de perigo/ ...Essa bebê provoca, a bunda dela pulsa/ ...E vem sentando gostosinho pro pai...".
Se bunda pulsa, bunda pensa.
Pergunto: isso é arte?
A banda Blitz faturou legal com o carimbo de proibição que a censura da ditadura militar lhe deu.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

EU E MEUS BOTÕES (63)

"Seu Assis! Seu Assis!"
Calma, calma, Barrica. O que houve? O que é que há pra você falar desse jeito chamando a atenção de todos, gritando?
"Estão acontecendo absurdos. Olha aqui na Folha. Vou ler em voz alta. Logo de manchete, aspas: Em crise, planos de saúde rescindem contratos e deixam crianças sem tratamento".
É, realmente é absurdo o que está acontecendo nos planos de saúde.
"E a matéria começa assim, aspas: A Unimed Nacional valoriza a transparência em todas as suas relações. Comunicamos, portanto, a rescisão do plano de saúde celebrado com a sua empresa, encerrando a vigência do seu plano no dia 27 de junho de 2023".
Lamentável, lamentável. E o pior é que isso não está acontecendo agora, já faz tempo. São centenas de planos de saúde passando a perna em muita gente. Eu entendo o seu desabafo, Barrica.
O irmão de Barrica, Biu, entra na história lembrando que a Unimed é a empresa que mais ludibria a sua clientela: "E essas empresas não só deixam na mão as crianças, mas os pais e todo mundo! A Justiça, por sua vez, dá ganho de causa às vítimas desses planos. Mas fica nisso e terminam pagando o pato. Isso é caso de polícia!".
"E como se não bastasse, o SUS também não está atendendo a população como deveria", foi a vez de Zilidoro falar. E acrescentou: "Eu ouvi no rádio que no SUS tem uma fila de 680 mil brasileiros e brasileiras esperando agendamento pra cirurgias. É muita aflição. Fico imaginando a pessoa que está com câncer, por exemplo. Deve está sofrendo muito, ansiosa. E nessa fila infinita, certamente muita gente já morreu".
Lampa, quieto no seu canto, levanta as sobrancelhas enquanto cutuca as unhas com o seu inefável punhalzinho. De repente levanta a cabeça e dá uma geral no ambiente. Parece que vai dizer alguma coisa, mas cala.
Jão cutuca Mané, que diz: "A verdade, a verdade verdadeira, é que estamos todos a-fu-nhe-nha-dos! As empresas de planos de saúde fazem o que querem, rompem contratos a hora que querem... Na verdade, na verdade, o Brasil está doente! Muito doente!".
Zé, que permanecia em silêncio até agora, diz: "Eu tinha um plano com essa tal de Unimed. E sempre paguei em dia, mas mesmo assim os sacanas me cortaram. Bastou eu ficar doente e precisar de uma cirurgia de hérnia. Recorri à Justiça, ganhei, mas a tal Unimed mandou eu catar coquinho. Procurei o SUS e estou esperando uma cirurgia até agora e nada!".
Bom, pessoal. O papo tá bom...
Lampa interrompe, bruscamente: "O papo tá bom coisa nenhuma! É um horror! E tem mais. Eu soube que aquele órgão... Ibama! Sim, o Ibama, não está deixando a Petobrás tirar petróleo do chão da Amazônia. É briga grande. A Marina, ministra do Meio Ambiente, está tiririca da vida. Vão ter que passar por cima do cadáver dela. Eu gosto dela. Briga bem, defende os índios e as matas".
Surpreendi-me, devo dizer, com a interrupção inesperada do nosso Lampa. Sempre fechado em si, silencioso. 
"Muito bem, Lampa. Gostei de ver!", aplaudiu Zilidoro contando que tem briga feia na causa Amazônica.
Pra relaxar, Jão lembrou que Deltan Dallagnol teve o cargo de deputado federal cassado pelo STF e que seu coleguinha Sérgio Moro está se borrando todo, com medo de perder o mandato de senador. " E por falar do STF, os juízes formaram maioria para mandar o ex-senador e ex-presidente da República Fernando Collor à cadeia", emendou Zé. E Mané, pegando a deixa, lembrou: "O Bolsonaro que se cuide, pois a vez dele está chegando!".
Pois é, pessoal, a semana que está terminando foi intensa, movimentadíssima. O que falta ainda acontecer?
E como se tivessem ensaiado, todos disseram: "Cadeia pra Bolsonaro!".

quinta-feira, 18 de maio de 2023

VIVA ZÉ NÊUMANNE!

O jornalista paraibano de Uirauna José Nêumanne Pinto nasceu no dia 18 de maio de 1951 e hoje, portanto, está completando 72 anos de idade. É mais velho do que euzinho aqui coisa de um ano e meio. É cabra bom, de inteligência rara. Sabe tudo e mais um pouco da vida mundana em que vivemos. Tem filhos, livros e tal. Acho que já até plantou algum pé de coisa por aí. Se fez isso, é um homem realizado.
Nêumanne, como os amigos o chamam, tem livros de reportagem e até de poesia.
A poesia de José Nêumanne é de raro valor. Das boas. Seus versos chegaram a arrancar lágrimas do escritor português José Saramago. Vejam só!
Zé e eu chegamos a trabalhar juntos no centenário jornal paulistano O Estadão. Ele como editor de política e eu como chefe de reportagem dessa mesma editoria. Pra ele, Jarbas Mariz e eu compusemos a embolada Pinto Novo Quer Brigar. Ouçam e não tenham vergonha de dizer que está bem bonitinha:


quarta-feira, 17 de maio de 2023

DIA FRIO E MÚSICA BOA

Tom Zé: talento à toda prova
Lá fora o tempo tá frio, ventando na alma, mas com promessa de mudança. Tomara.
No correr do desjejum, ouvi músicas que me fizeram bem. Comecei ouvindo Chico e Mônica Salmaso, Ode aos Ratos. Uma joia, que compartilho com vocês: https://www.youtube.com/watch?v=RkTfRC-bU2Q. Outra música que alegrou-me ouvi na voz da irmã de Caetano, Bethânia, esta: https://www.youtube.com/watch?v=MGDI-fb8kLY.
A terceira música que ouvi hoje Leva Eu, Saudade, de autoria da bela Renata Rosa. Essa música, aliás, lembrou-me pelo título a canção Leva Eu Sodade, Alventino Cavalcânti e Tito Neto, gravada originalmente por Nilo Amaro e seus amigos do grupo Cantores de Ébano. Essa música também ganhou a voz do paraibano Zé Ramalho. À propósito, Zé um dia me contou que encontrou perambulando à mingua numa rua de São Luís, MA, um dos autores dessa música. Triste. Ouçam Renata Rosa: https://www.youtube.com/watch?v=7bRvX0ehSX0
Lua Cheia é uma música que me faz bem e creio também que vocês dela gostarão. Ei-la, com Ana Maria Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=e6CNXB0SMpM
Por fim, achei graça na letra de O Amor é um Rock. Uma joia. Linda, toda cheia de firulas próprias do seu autor, Tom Zé. Engraçado também e num tom de pilhéria aparece no miolo da moda do Tom a canção paraguaia Meu Primeiro Amor, de Hermínio Gimenez, versionada por José Fortuna e Pinheirinho Júnior.
O talento de Tom Zé enriquece nossa música. Ouçam-no:

terça-feira, 16 de maio de 2023

HÁ 100 ANOS NASCIA VASSOURINHA

 
O jovem paulistano Mário Ramos de Oliveira passou pelo mundo que nem um cometa. Foi brevíssima a sua presença entre nós.
Esse Mário Ramos nasceu no dia 16 de maio de 1923 e, com 12 anos de idade, foi "contratado" como contínuo da Rádio Record. Era um menino alegre, cheio de graça. Todo mundo gostava dele. Suas tarefas ele as desenvolvia cantarolando. Era afinado, muito bem afinado. Voz gostosa, possante.
Perguntei certa vez ao radialista Raul Duarte, ali num ano qualquer dos 80, como era o garoto Mário. E ele disse-me o que digo aí acima, e tal. Eu quis saber de Raul se ele sabia das origens do Mário. Sabia nada ou muito pouco.
A cantora paulistana Isaurinha Garcia também pouco sabia a respeito do jovem Mário Ramos de Oliveira, ao lado de quem se apresentou poucas vezes. Pouquíssimas.
Em 1940, um pouquinho antes talvez, Mário deixou momentaneamente a rádio Record e foi tentar carreira no Rio de Janeiro, na Rádio Clube do Brasil.
Foi no Rio que Mário Ramos conheceu o compositor Braguinha, que fora parceiro do mestre Noel Rosa. Braguinha, ou João de Barro, tinha muito trânsito nas gravadoras cariocas. Chegou a ser, aliás, diretor da extinta Continental. Mas foi na Columbia, que viraria Continental, a gravadora que abriu as portas para Mário gravar seus únicos seis discos de 78 rpm. No total, foram 12 músicas que o jovem artista nos legou.
Mário Ramos de Oliveira entrou para a história da nossa música popular como Vassourinha.
O primeiro disco que Vassourinha gravou, em 1941, trouxe os choros Seu Libório, de Braguinha e Alberto Ribeiro e Juraci de Ciro de Sousa e Antônio Almeida.
Vassourinha morreu no dia 3 de agosto de 1942, provavelmente de tuberculose.
Pois é, incrível: por que não se fez ou se faz nenhuma comemoraçãozinha em lembrança desse grande artista, hein?
 
Ouça Seu Libório:

segunda-feira, 15 de maio de 2023

ÓPERA POLITICAMENTE CORRETA

Acompanhei tudo através de audiodescrição
A tomada e exploração das terras indígenas é fato que perdura até hoje, desde o começo do século 16.
O romance O Guarani, do cearense José de Alencar, tem como enredo a história envolvendo o guarani Peri e a branca Cecí, filha de um poderoso português que se instala na mata para dela se apossar. Tem espanhol na área. O pau canta.
Na história de Alencar, publicada originalmente em 1857, consta a bravura dos aimorés, também chamados de botocudos.
Os aimorés eram antropófagos e contra eles foi declarada guerra até pelo imperador Dom João VI, no mesmo ano em que chegou ao Brasil, em 1808.
É de cunho romântico a história de José de Alencar e como tal permanece na nova encenação que tem como palco o Theatro Municipal de São Paulo. Claro, isso não dava pra mudar. Não dá pra mudar. Houve adaptação em vários pontos da história, que pela primeira vez foi levada à cena no teatro Ala Scala de Milão, em 1870, com libreto assinado pelo italiano Antonio Scalvini. A nova encenação traz a chancela do jornalista e escritor ambientalista Ailton Krenak, autor do livro Ideias para Adiar o Fim do Mundo.
A intervenção de Krenak no original de Carlos Gomes podemos classificar como "politicamente correto". Mas não dá pra falar de alienação ou má fé de José de Alencar e do maestro Carlos Gomes, pois culturalmente o Brasil estava ainda criando sua identidade.
A obra de José de Alencar tinha por fundo tocar o coração dos apaixonados. Isso na metade do século 19. De lá pra cá muita coisa mudou no Brasil e no mundo. Com isso quero dizer que são bem-vindas as intervenções de Krenak. Noto, porém, que houve exagero nisso. O real, no caso, chega a se sobrepor ao lirismo cunhado por Alencar e Gomes.
A última pesquisa do IBGE, de 2010, dá conta de que havia menos de 1 milhão de indígenas falando 274 línguas em pouco mais de 300 etnias.
A nação guarani é formada aproximadamente por 50 mil indígenas, distribuídos em São Paulo, Rio e mais cinco ou seis Estados.
A nação aimoré praticamente não existe desde 1911, ano que foi coincidentemente inaugurado o Theatro Municipal de São Paulo.
A nação guajajara, formada por cerca de 25 mil pessoas está presente na atual versão, talvez com apresentada da ópera O Guarani, talvez em homenagem à ministra dos Povos Indígenas.
Esteticamente e politicamente, a ópera O Guarani na sua versão atual é muito bonita.
É louvável que os indígenas tenham encontrado na obra O Guarani caminho para fortalecer denúncias contra a invasão e exploração de suas terras por criminosos. 

PS: Quero deixar aqui meus agradecimentos aos profissionais que formam integram o projeto Ver com Palavras representados nas pessoas de Marina, Angela e Priscila. 
 
Ficha técnica da atual versão de O Guarani:

Roberto Minczuk, direção musical
Ailton Krenak, concepção geral
Cibele Forjaz, direção cênica
Denilson Baniwa, codireção artística e cenografia
Simone Mina, codireção artística, cenografia e figurino
Livio Tragtenberg, assistente musical

Ligiana Costa, dramaturgismo
Aline Santini, design de luz
Vic von Poser, design de vídeo
João Malatian, assistente de direção

David Vera Popygua Ju, Peri (ator)
Zahy Tentehar
, Ceci (atriz)

Solistas dias 12, 14, 17 e 20
Atalla Ayan, Peri
Nadine Koutcher, Ceci
Rodrigo Esteves, Gonzales

Solistas dias 13, 16 e 19
Enrique Bravo, Peri
Débora Faustino, Ceci
David Marcondes, Gonzales

Elenco único (todas as récitas)
Lício Bruno, Cacique
Andrey Mira, Don Antonio
Guilherme Moreira, Don Alvaro
Carlos Eduardo Santos, Ruy
Orlando Marcos, Pedro
Gustavo Lassen, Alonso

Corifeus
Luaa Gabanini
Raoni Garcia
Augusto Ortale Trainotti

ORQUESTRA E CORO GUARANI DO JARAGUÁ KYRE’Y KUERY
AVAKUE (Homens): Naldo Karai, Claudio Vera, Adilson Vera, Lourival Tupã, Lenilson Karai, Jovelino Karai, Dario Tataendy, Guilherme Vera Mirim, Joaci Karai, Felipe Vera, Juca Kuaray, Messias Karai, Pedrinho Karai, Juscelino Karai KUNHANGUE (Mulheres): Jaqueline Jaxuka, Silvana Ara, Priscila Para, Marines Poty, Patricia Kerexu, Layne Jera, Marilda Yva, Maricela Yva, Ciara Ara


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