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segunda-feira, 22 de agosto de 2022

ÓCULOS PARA CEGOS, HEIN?

Sexta 19, ali pelas 11 horas, fui convidado a conhecer as instalações da biblioteca Louis Braille no Centro Cultural São Paulo. Até lá fui levado por Flor Maria e Cris Alves. Fui muito bem recebido pelas pessoas que cuidam dessa biblioteca. A ideia e o desejo eram testar um equipamento especial, feito em Israel, para possibilitar a leitura de livros a quem não vê. O equipamento tem por nome "óculos-scanner", fabricado pela Orcam.
Os ditos óculos-scanner, chamados também de "óculos inteligentes para cegos", chegaram ao Brasil em 2018, mas até hoje poucas são as pessoas com deficiência visual que tiveram ou têm acesso a eles. Os motivos são vários, mas destaco dois: o altíssimo preço (R$18.000, 00) e na prática sua pouca eficiência. A mim não me entusiasmou, confesso. Como funciona?
Aos óculos é acoplada, numa de suas hastes, pequena câmera. O usuário dá um toque na câmera depois de segurar o livro que deseja ler. A câmera foca a página e dela faz uma foto. Essa foto faz com que a câmera, depois de novamente acionada, leia o texto pretendido. Aí começam as falhas, pois quase sempre a foto sai com má qualidade. A leitura é feita por uma voz robótica, computadorizada. 
A biblioteca Louis Braille do Centro Cultural São Paulo foi criada há 75 anos. No seu acervo há milhares de livros em braille e em audio, à disposição de interessados. Pra tanto, basta fazer um
cadastro. Sete funcionários atendem o público. Quatro dessas pessoas são portadoras de deficiência visual e três videntes.
No linguajar das pessoas portadoras de deficiência visual, videntes são aquelas que não têm problemas visuais. 
À frente da biblioteca Louis Braille se acha Carlos Henrique Gomes Costa, o Caíque.
Caíque é funcionário público e presta serviço na biblioteca há dezoito anos.
Entre as pessoas que me receberam sexta 19, além de Caíque, se achava a baiana Edna, com problemas visuais desde a infância. "Ela não enxergava da vista direita e tinha visão residual na esquerda. O médico disse que sua visão poderia melhorar na puberdade ou poderia perder totalmente esse sentido. Com Edna aconteceram as duas coisas: ela teve súbita melhora da visão no olho esquerdo, mas em seguida perdeu totalmente a visão. Hoje dedica sua vida a colaborar com outros deficientes visuais", conta sua amiga Cris Alves.
Há alguns anos, Edna teve a ideia de criar uma espécie de passeio para videntes, no Centro Cultural São Paulo. Esse passeio, chamado de "Passeio no Escuro", visa promover a sensibilidade de videntes para melhorar a inclusão de quem tem baixa ou nenhuma visão.
Ao fim da visita, que adorei, Edna pediu que  eu declamasse algum poema. E declamei: 
 
 

domingo, 21 de agosto de 2022

JÔ É TEMA DE EXPOSIÇÃO EM SÃO PAULO

Filho único de um paraibano (Orlando) com uma carioca (Mercedes), José Eugênio Soares marcaria a vida cultural brasileira como jornalista, humorista, ator e diretor de teatro (e de cinema), ilustrador dos seus próprios textos para o Pasquim, Veja e outras publicações; apresentador de Talk Show primeiramente no SBT e depois na Globo e, nos últimos anos, até como romancista.
De tudo ou de quase tudo esse José foi e fez, com o pseudônimo de Jô Soares.
Estudou na Suíça e aprendeu a falar e a escrever com fluência meia dúzia de línguas. A ideia inicial era seguir a carreira diplomática, mas a tempo desviou-se do caminho e tornou-se um craque completo no campo da cultura, a partir dos anos de 1950.
Jô gravou alguns discos e escreveu alguns livros, sendo O Xangô de Baker Street (Companhia da Letras; 1995) o mais conhecido, até porque chegou a ser traduzido em várias línguas e virou filme em 2001. Entre os LPs que lançou, se acha o de conteúdo engraçado: A B… E Outras Estórias.
Jô Soares era uma graça.
Para contar de modo bem humorado a história desse intelectual e artista, dezenas de cartunistas se juntaram e puseram de pé no Shopping Center 3 (Av. Paulista, SP) a exposição Um BeiJÔ no Gordo, sob a batuta do presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, José Alberto Lovetro (JAL).
“Jô Soares merece todas as homenagens possíveis por sua importância para o Brasil e seu povo. Os cartunistas brasileiros não poderiam ficar de fora porque o humorista adorava o desenho e também desenhava. No Pasquim publicava textos e ilustrava. Depois virou também pintor. Esta exposição é de seus companheiros de humor gráfico que colocam no papel aquele sorriso maroto, aquela piscadinha especial e o fantástico beijo do Gordo”, é JAL falando.
Jô Soares morreu no último dia 5 de agosto. E nesse mesmo dia JAL mobilizou mais de uma centena de cartunistas para uma homenagem virtual levada à vante pelo pelo G1.
A exposição Um BeiJÔ no Gordo foi inaugurada no último dia 12 e poderá ser apreciada até o próximo dia 28. 
 
Ilustrações de: Paffaro, Gilmar Fraga, Francisco Machado, JAL, Afonso Carlos Fernandes, Manga e Maurício de Sousa (Clique para ver melhor)

Os cartunistas participantes da exposição um BeiJÔ no Gordo, são: Afonso Carlos Fernandes, André Brown, André Camargo, Alex, Alisson Affonso, Armando Marcos, Antonio Claudio D. Teixeira; Baptistão, Bixigão, Bira Dantas, Brum; Camilo Riani, Carol Cospe Fogo, Caó Cruz, Cláudio Atílio; Danilo Scarpa; Fausto Bergocce; Érico San Juan, Edra; Fred, Francisco Machado, Fredson, Floreal; Gilberto Maringoni, Gilmar Fraga, Gilmar, Gisele Henriques, Guilherme Bandeira, Guto Respi; Hippertt; Jal, J.Bosco, Júnior Lópes, Joaquim Monteiro, Jorge Inácio, Jhota Melo; Laudo, Luís; Gustavo; Marcos Guilherme, Manga, Mauricio de Sousa, Olante, Orlando; Ricardo Soares; Seri; Paffaro; Thiago, Toni D'Agostinho, Trilho; Ray Costa.
No dia 28 de novembro de 2016, Jô convidou Maurício de Sousa para o seu programa. Clique: https://globoplay.globo.com/v/5480869/
Com a sua partida, Jô Soares deixou mais de 200 personagens órfãos.


Foto e ilustrações por Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 20 de agosto de 2022

O FORRÓ EM PAUTA

Falar de forró é sempre uma coisa boa.
O forró nasceu em Pernambuco e ganhou forma e conteúdo no Rio de Janeiro, quando Luiz Gonzaga gravou pela primeira vez Forró de Mané Vito. Corria o ano de 1950. Fins.
Durante muito tempo o forró e o baião andaram de mãos dadas, lado a lado.
O baião nasceu antes do forró, em 1946. Naquele ano, o grupo musical 4 Ases e 1 Curinga gravou, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, o marco dessa história: Baião, que começa assim: Eu vou mostrar pra vocês/Como se dança o baião/E quem quiser aprender/É só prestar atenção...
Amanhã 20 e domingo 21, ocorrerá no Centro Cultural Olido (Avenida São João, 473, Centro) o 1º Seminário de Formação em Forró. A ideia foi de Alzira Viana.
A programação de sábado e domingo é a seguinte: 
 

 
Você já acessou o site do Instituto Memória Brasil? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

EU E MEUS BOTÕES (32)

"Seu Assis, seu Assis! O Sr. viu o Tchutchuca do Centrão partindo pra cima de um youtuber lá no Planalto?", começou a falar exaltado o quase sempre tranquilo Zoião.
Que história é essa de Tchutchuca do Centrão?
Risada geral entre meus aparentemente fiéis botões. "O Sr. não sabe, seu Assis, o que é Tchutchuca do Centrão!?", meteu-se na conversa, eufórico e rindo, Barrica. Seu irmão Biu, soltando uma gaitada, disse: "O chefe tá to-tal-men-te por fora". E Lampa, cutucando as unhas com seu punhalzinho de estimação: "Hmmm, achei graça nessa história, confesso".
Zé e Mané ao mesmo tempo disseram: "Merecido! Merecido!".
Zilidoro, com sua calma franciscana, achou de enfiou seu bedelho no papo: "Essa história de Tchutchuca é, claro, muito engraçada. Mas a expressão não é de hoje. Tchutchuca vem lá de trás, de 1999, quando o grupo de funk carioca Bonde do Tigrão mandou ver nas paradas de sucesso com essa coisa de Tchutchuca...".
Zilidoro nem havia terminado a sua explanação sobre a origem da expressão Tchuthuca, quando Jão quietinho no seu canto, começou a cantarolar:

Vem, vem
Tchutchuca
Vem aqui pro seu Tigrão
Vou te jogar na cama
E te dá muita pressão!

Todos os meus botões começaram a cantar esse malamanhado refrão. Pior: e a dançar. E não teve como não rir. Voltou a dizer Zilidoro: "A expressão tchutchuca foi usada pela primeira vez, no campo da política, em 2001. Naquele ano Roberto Requião e Álvaro Dias disputavam o governo do Paraná. E foi Requião que tirou sarro do Álvaro. Requião ganhou a eleição, mas essa é outra história".
Cá pra nós, mas confesso que me surpreendi com a firme explicação de Zilidoro para a expressão Tchutchuca no campo da nossa política. Tudo bem, mas o que me preocupa é o fato de um presidente da República partir para a agressão contra um cidadão insatisfeito com a sua administração. Sim, claro, ser chamado de vagabundo, covarde e safado não é fácil. Não é fácil para nós cidadãos comuns. Mas para um presidente, representante de umaNação, é diferente.
"Mas o que é que se pode  esperar do Bulsa, um cabra tão destemperado?", perguntou Mané.  
Essa fala do Mané despertou a atenção do Biu: "O que é 'Bulsa'?".
Todo mundo caiu na risada com a pergunta um tanto ingênua de Biu. 
"Bulsa, é Bolsonaro, idiota!", provocou Zoião.
É pessoal, a vida política no Brasil está complicada. É xingamento pra tudo quanto é lado. Até a primeira dama, dona Michelle, andou dizendo abobrinhas contra o Lula e o Lula revidou, dizendo que Bolsonaro está tomado pelo Demônio. "É verdade, é verdade, seu Assis! Muita coisa está por vir, por isso a gente precisa se cuidar", disse Zé. 
Bom, vocês viram a última pesquisa do Datafolha?
Barrica levantou a mão dizendo que sim, que viu, opinando: "O Lula continua na frente, que nem cavalo bom de corrida, mas se não se cuidar pode perder". 
No seu cantinho, de rádio portátil na mão, Jão começou a cantarolar incentivando os coleguinhas de casa a dançar no passo do Tigrão:

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

MORRE JORGE DA CUNHA LIMA


O jornalista, advogado e poeta paulistano Jorge da Cunha Lima morreu ontem, vítima de um câncer, no hospital Sírio Libanês onde se achava em tratamento há alguns dias.
Nascido no dia 14 de outubro de 1931, Jorge era descendente dos chamados "barões do café".
A carreira profissional de Jorge foi riquíssima.
Como jornalista chegou a dirigir o jornal Última Hora, em São Paulo. Foi colaborador do Correio Paulistano, Folha de S.Paulo e Estadão. Foi presidente da fundação Cásper Líbero e da Fundação Padre Anchieta. Ganhou muitos prêmios. Fui assessor de Jorge no tempo em que foi secretário da Cultura do Estado de São Paulo.
O corpo de Jorge da Cunha Lima está sendo velado no Funeral Home (rua São Carlos do Pinhal, 376 - Bela Vista). 

LEIA MAIS: O BRASIL PRECISA DE MAIS JORGES!

HÁ 50 ANOS MORRIA SÉRGIO CARDOSO

Conterrâneo e contemporâneo do cantor e compositor Ari Lobo (1930-1980), que era de Belém do Pará, o ator Sérgio Cardoso nasceu em março de 1925 e morreu, no Rio, RJ, vítima de um ataque cardíaco quando participava em um dos últimos capítulos da novela O Primeiro Amor.
A morte de Sérgio ocorreu no dia 18 de agosto de 1972. Há exatos 50 anos, portanto.
Sérgio Cardoso começou a carreira de ator na Capital fluminense, pouco depois de concluir o curso de Direito. Mas nunca advogou, preferindo brilhar nos palcos brasileiros. E brilhou.
Sérgio Cardoso foi um dos mais importantes atores brasileiros. Em São Paulo, SP, há um teatro com seu nome na rua Ruy Barbosa, Bela Vista.
Sempre é tempo de lembrarmos de figuras que marcaram época na cena brasileira. Sérgio Cardoso é uma dessas figuras que deixaram rastros de estrelas por onde passaram.
Viva Sérgio Cardoso!

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

DIOGO PACHECO, DO ERUDITO AO POPULAR. ADEUS

Eu quase ia me esquecendo, mas a minha querida Anninha da Hora lembrou-me que hoje é o Dia do Pão de Queijo. E disse-me ela, ainda em tom de lembrança, que hoje é também o Dia do Patrimônio Histórico.
Anninha meus amigos, minhas amigas, é asa que me faz voar na vida depois que os meus olhos fecharam-se para as cores.
Hoje 17 pra mim seria um dia como outro qualquer. E noite. 
Anninha me faz vivo, essa minha querida moleca empresta-me os olhos dela para que eu veja vida...
Hoje 17 faz 35 anos que o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade foi pra além de nós. Está no céu.
Eu conheci Drummond. Eu o entrevistei para o Folhetim.
O Folhetim era um suplemento dominical do diário paulistano Folha de S.Paulo.
Ai, ai, ai, por que estou dizendo isso tudo?
A Anninha é uma danada, ela me tira do prumo. Ela diz coisas que esqueço, que esqueci. E hoje 17 eu queria falar da morte, do passamento, de um cara chamado Diogo de Assis Pacheco. Paulistano.
Diogo Pacheco foi um dos caras mais incríveis que tive a oportunidade e a alegria de conhecer. Frequentei a casa dele.
Pacheco era incrível em todos os sentidos. Brincalhão, cheio de graça. Gostava de whisky, destilados, que nem eu. Levou-me a sua casa várias vezes. E numa dessas idas, ocorreu uma desgraça.
O maestro Diogo Pacheco morava bem, e muito bem, num apartamento ali na zona Oeste de Sampa.
Naquele tempo eu fumava. E muito. Pobre de mim.
Na casa do Diogo, um dia estávamos eu e ele ouvindo música na sua sala especial. De música. Coisas incríveis, musicalmente falando. Clássicos de todos os tamanhos, desde Chopin a Mozart.
Aí fumando, fumando, aceso um cigarro caiu num tapete especialíssimo do maestro. Queimou. O maestro ficou doido. Esculhambou-me e fiquei do tamanhinho de nada. E foi ali, a partir dali, que decidi parar de fumar. E parei! De vez!
Diogo Pacheco foi assistente do meu querido amigo cearense Eleazar de Carvalho. E foi Eleazar quem a me apresentou Pacheco, seu assistente na Orquestra do Estado de São Paulo, OSESP (abaixo).
Meu Deus, quanta coisa mais eu poderia dizer sobre Diogo Pacheco!?
Atenção: foi Diogo Pacheco, ali em 1966, que resolveu a polêmica musical do suposto plágio de Disparada, de Vandré. História. E não custa lembrar que o erudito Diogo Pacheco passou a vida tentando popularizar o erudito.
Quando Anninha lembrou-me o pão de queijo, fiquei naturalmente com a boca cheia d'água.
Quando Anninha lembrou-me que hoje é o dia do Patrimônio Histórico, pensei: Será que o Brasil questiona este dia? Não, não... O dia morreu, a noite está chegando ao fim e ninguém em mídia nenhuma falou desse dia tão importante no nosso calendário.
O corpo do maestro Diogo de Assis Pacheco foi sepultado hoje no final da tarde, no Cemitério da Consolação, onde se acham outros corpos da vida brasileira bastante conhecidos como Monteiro Lobato e a Marquesa de Santos.

DEUS E O DIABO NO PALCO POLÍTICO

Na literatura policial é comum o criminoso voltar ao local do crime. Ficção. Mas isso também acontece na vida real. O incomum, no caso, é a vítima voltar ao lugar em que foi vitimada. Bolsonaro, espécie de Cramunhão da cena política brasileira, voltou aonde recebeu uma mal dada facada no bucho: Juiz de Fora, MG.
Ontem 16, oficialmente 1º dia da campanha política de 2022, Bulsa e sua mulher Michelle disseram mais um monte de mentiras nas ruas. Tudo que diziam, os malucos que o seguem batiam palmas e gritavam o tempo todo o nome de ambos. Circo do horror, né não?
A Michelle, esquisitíssima, lá pras tantas hipoteticamente pediu: "Que Deus dê sabedoria e discernimento ao nosso povo brasileiro para que não entregue o nosso país, a nossa nação tão amada por Deus, na mão dos nossos inimigos". E acrescentou: "Essa campanha, mais uma vez, é um milagre de Deus. Começou em 2019, quando Deus fez um milagre na vida do meu marido, porque aqueles que pregam o amor e a pacificação atentaram contra a vida dele. Mas Deus é maior, e a justiça será feita".
O maridão Coiso da Michelle, que sempre clama por Deus, disse: "É preciso estar atento. A partir de hoje, mais do que nunca, os que amam o vermelho passarão a usar verde e amarelo, os que perseguiram e defenderam fechar igrejas se julgarão grandes cristãos, os que apoiam e louvam ditaduras socialistas se dirão defensores da democracia".
Claro que Bolsonaro, o Bulsa, estava se referindo a seu adversário Lula. Que, por sua vez, disse mandando recado pessoal e direto: "Não acreditou na Ciência, não acreditou na Medicina, não acreditou nos governadores. Bolsonaro, você acreditou na sua mentira porque se tem alguém que é possuído pelo demônio, é esse Bolsonaro, que é um mentiroso".
E todas as bobagens que Bolsonaro disse durante o dia, à noite calou. Calou-se.
Na posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, Bolsonaro parecia um poste. Apagado. Entrou pequeno no ambiente e de lá saiu menor. Menorsíssimo, quase nada. Nada.
Dos 27 governadores, 22 compareceram à posse do novo Ministro do TSE, Alexandre de Morais.
Além dos governadores, prefeitos de várias capitais também compareceram ao evento. Além disso, e desses figurões, estiveram no local quatro ex-presidentes da República e 45 embaixadores representando seus países.
O paulista Alexandre de Morais discursou com muita firmeza enaltecendo a lisura das urnas eletrônicas e a democracia brasileira. Disse: "Somos uma das maiores democracias do mundo em termos de voto popular, estando entre as quatro maiores democracias do mundo. Mas somos a única democracia do mundo que apura e divulga os resultados eleitorais no mesmo dia. Com agilidade, segurança, competência e transparência. Isso é motivo de orgulho nacional".
É certo que Moraes fazia referência à democracia ora vigente nos EUA, França e Inglaterra. 
Ao dizer o que disse, o novo presidente do TSE foi aplaudido de pé. Apenas dois bobalhões não deram bolas ao que estava sendo dito. Importantíssimo.
Esses dois bobalhões eram o presidente da República e o seu filho 02.
Alexandre de Morais disse mais: "A Constituição Federal consagra o binômio 'liberdade e responsabilidade', não permitindo de maneira irresponsável a efetivação do abuso no exercício de um direito constitucionalmente consagrado. Não permitindo a utilização da liberdade de expressão como escudo protetivo para a prática de discursos de ódio antidemocráticos, ameaças, agressões, violência, infrações penais e toda a sorte de atividades ilícitas. Eu não canso de repetir, e obviamente não poderia deixar de fazê-lo nesse importante momento: liberdade de expressão não é liberdade de agressão, de destruição da democracia, de destruição das instituições, da dignidade e da honra alheias".
Além de Bulsa e seu filho inexpressivo, estiveram na posse do novo presidente do TSE Sarney, Temer, Dilma e Lula-lá. Curiosidade: Bulsa e Lula ficaram cara a cara. E Dilma bem perto do seu algoz, Temer, tipo assim cara a cara. Nenhum desses se falaram. Ai, ai, ai... Pareciam moleques intrigados. Mas, enfim, isso é coisa de política. De políticos.
Preparemo-nos para os absurdos  dos absurdos que virão  desde os fins de agora até os fins de setembro.
Digo isso pensando no Cramunhão, que é um dos nomes do Satanás. A propósito, escrevi outro dia o folheto Repórter Entrevista/Piolho do Cramunhão. Um trecho:

... Perguntado se tem pai
Se tem mãe, se tem parente
O Piolho invocado
Respondeu indiferente:
Isso não interessa
O meu caso é papá gente

Pego homem, pego mulher
Pego preto, pego branco
Eu não faço distinção
Sou desse jeito: franco!
Mas de mim poucos escapam
Sou pior do que um cranco

No inferno tem lugar
Pra todo tipo de gente
Alto, baixo, gordo, magro
Feio, burro e crente
Não tenho preconceito
Sequer contra parente

Sou vírus democrático
Mato macaco, leão
Tigre, burro e pato
Fácil, fácil gavião
Pra pegar um cabra besta
Basta ir na contra mão

Dizem que só pego velhos
Mas jovens pego também
São esses os mais fáceis
Pela burrice que têm
Não aceitam ordenamento
E só fazem o que convém

Pego gente sabida
Doutor, intelectual
Pintor, cantor, jogador
Nessa onda mundial
Jamais vão me esquecer
Não é sensacional?...

Quer ler o texto completo desse folheto de cordel? Clique: https://institutomemoriabrasil.com.br/pagina/1471804/reporter-entrevista-piolho-do-cramunhao
 
A Democracia pode não ser o melhor sistema do mundo, mas é o que melhor atende a uma nação.
LEIA:

terça-feira, 16 de agosto de 2022

CIRO, VÍTIMA OU AGRESSOR?

Hoje 16 começa oficialmente, digamos assim, a campanha eleitoral de campo.
A campanha de rádio e TV, eletrônica, começa no próximo dia 26. 
Na verdade, a "campanha" começou desde que Bolsonaro virou presidente em 2018. E não parou de lá pra cá, sempre desrespeitando as regras do Tribunal Superior Eleitoral, TSE.
O desrespeito de Bolsonaro ao TSE é seguido de desdém. Mais: de agressão e de tentativa de descrédito às urnas eletrônicas que - vejam só! - o elegeram presidente e várias vezes deputado federal. 
A mais nova pesquisa do Ipec, ex-Ibope, divulgada ontem 15 pôs Lula na frente da corrida eleitoral à presidência da República com 44 pontos, 12 a mais do que Bolsonaro. Nessa mesma pesquisa, Ciro Gomes aparece com 6 pontos.
A propósito, Ciro Gomes foi o entrevistado de ontem do Roda Viva.
Na Internet o que se lê hoje 16 é que Ciro quebrou o pau com jornalistas que o entrevistavam. Não foi bem assim. Eu assisti o programa da Cultura do começo ao fim. O que ouvi foi o raciocínio do entrevistado sendo quebrado o tempo todo pelo meio, enquanto ele pedia apenas que o deixassem concluir seu raciocínio. Assim, simples.
Claro que o estilo vapt, vupt é marca do Ciro. Marca essa que o tem prejudicado politicamente. É seu jeito, o que fazer?
Na entrevista ao Roda Viva Ciro botou numa mesma cumbuca Bolsonaro e Lula, chamando-os de "corruptos, corruptores e ladrões". 
O detalhe é que na entrevista ao programa da Cultura Ciro não deixou nenhuma pergunta solta ou sem resposta. Respondeu tudo. Repetiu que essa será sua quarta e última tentativa de chegar à presidência da República. Confiram:


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

10 ANOS SEM ALTAMIRO CARRILHO

Altamiro Carrilho, por Fausto
 
Altamiro Carrilho foi um dos maiores flautistas do Brasil e hoje, 15/8, faz exatos 10 anos que ele trocou a terra pelo céu. E desde lá continua nos enchendo de saudade.
A carreira artística de Altamiro foi iniciada em 1938, quando integrou a Banda Lira de Arion. Sua primeira gravação ocorreria cinco anos depois, num disco de Moreira da Silva.
Moreira marcou profundamente a música brasileira, como Altamiro.
A carreira artística de Altamiro ganhou impulso quando foi convidado pelo exímio violonista Américo Jacomino, o Canhoto, com a responsabilidade de substituir o flautista Benedito Lacerda.
Benedito foi um dos grandes parceiros de Pixinguinha.
Altamiro Carrilho apresentou-se em cerca de 50 países. Na Rússia, ele me disse um dia, que chegou a gravar disco. Lá. Um disco que jamais foi relançado no Brasil.
A primeira entrevista que fiz com Altamiro foi para a rádio Jovem Pan e a última, quando eu abri ao público a "ocupação" musical na unidade Sesc de Santana, na Capital paulista, intitulada Roteiro Musical da Cidade de São Paulo. Isso em janeiro de 2012. E foi nesse ano, num dia 15 de agosto, que complicações respiratórias o tiraram do nosso convívio.
Altamiro Carrilho chegou a ser comparado ao craque Pattápio Silva.
Viva Altamiro!

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

CARTA DE SUCESSO


O inverno finalmente chegou ontem 11 na Capital paulista. Sem chuva, mas com um frio de rachar qualquer resistência: 9,5ºC, com sensação térmica de 3ºC.
O frio que chegou à Capital paulista não impediu que milhares de cidadãos e cidadãs de todas as idades e profissões fossem bater palmas e lutar pela preservação da democracia em ato cívico realizado no salão nobre da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, USP, ali no Largo São Francisco.
O ato foi transmitido por emissoras de rádio e televisão em várias partes do País. E até no Exterior, Londres, por exemplo. Tudo via Internet. 
A Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito foi lida em pelo menos 22 dos 26 Estados, mais o Distrito Federal.
O ato pela democracia  foi apartidário. 
Entre os brasileiros que subscreveram a carta, se acham 727 porteiros, 8.973 desempregados, 5.045 enfermeiros, 4.217 motoristas, 6.619 policiais, 519 delegados de polícia, 28.868 engenheiros, 15 mil médicos e 4.231 magistrados, além de candidatos a diversos cargos políticos. Para presidente, inclusive.
Já passa de 1 milhão o número de pessoas que subscreveram a famosa Carta da USP. Sucesso. Com isso quero dizer o óbvio: o dia 11 de agosto de 2022 já é uma data histórica.

ROSA MORENA HOMENAGEIA CLARA NUNES


Assis e Clara Nunes
Admirada por Dorival Caymmi, Batatinha, Riachão, Roberto Mendes, Capinam, Ivete Sangalo e Fatel a cantora paulistana Rosa Morena subirá ao palco da casa de espetáculos Traço de União logo mais às 20h, para desfilar um rosário de músicas do riquíssimo repertório da cantora mineira Clara Nunes.
Hoje 12 Clara faria 80 anos de idade, mas uma má cirurgia para extrair-lhe inconvenientes varizes a tirou do nosso convívio. Isso no dia 2 de abril de 1983, no Rio de Janeiro.
A história de Clara Nunes é uma história bonita, brilhante, daí o título do show de Rosa Morena: Resplandecer. "Resplandecer, significa brilhar intensamente. Frase que perfeitamente se encaixa na trajetória brilhante de Clara Nunes, cujo legado é marcante e inesquecível", diz a cantora paulistana.
Além de cantora, Rosa Morena é compositora e atriz que durante longo tempo brilhou nos palcos sob o comando do diretor José Celso Martinez Corrêa. "Estou vivendo meu melhor momento e o samba de São Paulo é um gênero de que gosto muito, identifico-me com ele", diz Morena.
Eu conheci Clara Nunes num ano qualquer de 1970. Clique: CLARA NUNES, VOZ QUE ENCANTOU O BRASIL
O Traço de União, onde Rosa Morena se apresentará ainda hoje, localiza-se na rua Fradique Coutinho, 1013 - Pinheiros.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

PRISÃO E TORTURA NUNCA MAIS

Brasileiros e brasileiras mobilizam-se a favor da liberdade, da democracia, tão duramente conquistadas por todos nós.
São intoleráveis os ataques contra o Estado de Direito praticados diuturnamente pelo presidente Bolsonaro.
No decorrer do dia de hoje 11, a partir desta manhã, pipocarão manifestos a favor do bem-estar comum. A principal manifestação ocorrerá no salão nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, no miolo do Centro Histórico da Capital Paulista. Por volta das 11 horas será lida a carta cívica escrita por professores e alunos da Universidade de São Paulo, USP.
A carta já recebeu mais de 900 mil assinaturas de porteiros, médicos, advogados, jornalistas, artistas atletas e escritores,. Eu mesmo a assinei.
O terror tomou conta do Brasil entre 1964 e 1985, período em que muitos brasileiros foram perseguidos, presos, torturados e mortos.
O presidente Bolsonaro, eleito democraticamente pela população, insiste o tempo todo em desacreditar as urnas eletrônicas e tirar sarro das manifestações populares a favor de todos nós. O Brasil não aguenta mais isso. 
Até agora, hackers cometeram mais de 20 mil ataques na tentativa de derrubar o site com a Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito. Em vão. 
A carta feita por professores e estudantes da USP já foi traduzida para o inglês, espanhol, francês, italiano e alemão.
Viva a liberdade! Tudo pela Democracia!

VISITA DAS BOAS

Moreira, Sebastião, Solenne e Assis, no IMB
Ontem à noite 10 tive a alegria de receber a visita dos amigos Moreira de Acopiara, Sebastião Marinho e da professora universitária Solenne Derigond. 
Moreira de Acopiara é um dos mais inspirados cordelistas do Nordeste. Já escreveu centenas de folhetos e já publicou, até agora, 32 livros. Ele tem 61 anos de idade e é natural do Ceará. Só sobre o Cangaço, Moreira escreveu 42 folhetos.
Sebastião Marinho, presidente da União dos Cantadores Cordelistas e Apologistas do Nordeste, UCRAN, é dos mais inspirados poetas repentistas do nosso País. Tem discos e folhetos lançados. Tem 74 anos de idade e ontem 10 fez uma festa maravilhosa aqui em casa, com a sua viola mágica.
Solenne é professora da Universidade CAEN, na Baixa Normandia, ao norte da França.
Foi, o nosso, um encontro inesquecível.

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

ÍNDIO, VIDA E PÁSSARO. TUDO É NATUREZA

Nestes tempos loucos, de tristeza, solidão e desespero; de carestia de respeito ao próximo e violência; de devastação da natureza, do meio ambiente e tudo mais, não custa lembrar que o dia 10 de agosto marca o nascimento do primeiro e mais importante poeta romântico do Brasil: Antonio Gonçalves Dias, maranhense de Caxias.
Gonçalves Dias (1823-1864) era filho de um português e de uma mestiça brasileira, de poucos recursos. Mesmo assim, os pais se esforçaram e conseguiram enviá-lo à Coimbra. Corriam os anos de 1840. Em 44, por alí, Dias retornou ao Brasil com um diploma de Direito debaixo do braço. Não parou em sua terra, foi direto tentar a vida como advogado na capital do Império.
No Rio, atuando como jornalista no Diário do Comércio, logo ganhou fama que cresceu ao publicar o livro Primeiros Poemas.
Meu amigo, minha amiga, você conhece a Canção do Exílio? É assim:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


A Canção do Exílio é o poema mais plagiado da nossa história.
A obra de Gonçalves Dias enaltece o índio, o amor, a vida e os pássaros. Pequena, mas densa. De altíssimo nível e toda distribuída nos livros Primeiros Cantos, Segundos Cantos e Últimos Cantos.
É no Primeiros Cantos que se acha Canção de Exílio.
Pois é, Gonçalves Dias falou muito dos índios brasileiros.
Pouca gente, mesmo quem frequentou ou frequenta os bancos escolares, lembra ou diz de bate-pronto o belo poema Juca Pirama.
Juca Pirama é um poema desenvolvido em dez Cantos. No enredo um jovem tupi aparece passeando nas matas com o pai cego. Um dia, sem o pai, o jovem é capturado por índios inimigos. Antropófagos. Esses índios costumavam comer os inimigos valentes, guerreiros, para deles ganharem força. Era o que pensavam. Os covardes eram humilhados e soltos. O jovem tupi capturado foi enquadrado como covarde. O pai não gostou e entregou o filho aos inimigos, que o devoraram.
Hoje é politicamente incorreto chamar índio de índio.
Gonçalves Dias e José de Alencar estariam fritos e simbolicamente engolidos pelos patrulheiros de plantão.
Téo Azevedo e eu, e também Caetano Veloso, podemos ser considerados politicamente incorretos. Téo e eu compusemos, há uns 20 anos, a música O Índio. Um Índio é a música de Caetano.
José de Alencar, indianista de primeira hora, deixou três livros falando desse assunto. Todos belos. Destaco O Guarani, que em 1870 ganharia uma belíssima versão operística levada à cena no teatro Ala Scalla de Milão, pelo paulista de Campinas Antonio Carlos Gomes.
Dia 9 de agosto é o Dia Internacional dos Indígenas. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas, ONU, em 1995.
A população indígena, no Brasil, não chega hoje nem a um milhão. Pena.
Como Gonçalves Dias, Alencar falou na sua obra de índio, amor, vida e pássaros.
No Brasil existem hoje cerca de 1900 espécies de aves, 240 das quais se acham em processo galopante de extinção.
Desde 2002, o Brasil tem como símbolo o sabiá.
Há vários tipos de sabiás. O que virou símbolo, tem por "sobrenome" laranjeira.
O Sabiá laranjeira é lindo.
Eu gosto de tudo quanto é pássaro. Nunca matei, nem prendi um pássaro em gaiola.
No meu tempo de moleque safado em terras paraibanas, eu fingia caçar com meus pares igualmente safados, moleques. Saíamos armados de baladeira ou bodoque, mas nenhum bichinho da natureza era vítima das nossas eventuais más intenções.
Fui crescendo, fui crescendo e cada vez mais gostando de passarinhos. O beija-flor me encanta.
Catalogados, existem mundo afora cerca de 320 espécies de beija-flor. Só no Brasil, 84. E por não ter o que fazer, fiz:

Voa voa passarinho
Passarinho beija-flor
Leva leva no teu bico
Um beijo pra meu amor

Meu amor está dormindo
Um sono reparador
Voa voa passarinho
E diz a ela por favor
Que sem ela sou jardim
Despetalado, sem cor

O meu sonho, passarinho
Passarinho beija-flor
É viver agarradinho
Nos braços do meu amor



Ilustração por Fausto Bergocce
Na literatura e na música brasileira, os pássaros são personagens frequentes. Os mais visíveis são o Sabiá, a Bem-te-vi, a Asa Branca, Assum Preto, a Acauã.
O baião Sabiá, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, é uma obra-prima.
Em 1995, John Dalgas Frisch e seu filho Christian publicaram uma jóia: Jardim dos Beija-flores, todo em papel couchê.
Dalgas Frisch foi o cara que aventurou-se na Amazônia e gravou centenas de cantos de passarinhos, incluindo o Uirapurú. Essas gravações renderam cinco LPs, compactos e viraram CDs, depois. À época, 1962, o presidente norte-americano John Kennedy (1917-1968) chegou a expressar, por escrito, suas impressões sobre a fabulosa façanha empreendida por Dalgas.
Eu cheguei a levar Dalgas Frisch para entrevista no programa São Paulo Capital Nordeste, que durante anos apresentei na rádio Capital AM 1040. À época, ele estava lançando um bonito relógio de parede com pássaros marcando hora.
Em 1991, o capixaba Augusto Ruschi publicou Aves do Brasil em pranchas ilustradas por Etienne Demonte e Yvonne Demonte. Pérola.
Ruschi (1915-1986) formou-se em engenharia agronômica em 1940. Depois, especializou-se em Botânica. No correr da vida acumulou muitos cursos, chegando a integrar a Academia Brasileira de Ciências.
Antonio Gonçalves Dias morreu afogado aos 41 anos de idade, quando o navio em que viajava naufragou na costa do Maranhão.
Ouça Canção do Exílio, com Paulo Autran:

 
Foto e Reproduções Flor Maria e Anna da Hora

EU E MEUS BOTÕES (31)

Seu Assis, seu Assis, começou quase gritando o Zoião: "O sinhô acompanhou a entrevista do maldito Bolsonaro no canal Flow Podcast, conduzido por Igor Coelho?".
Antes que eu abrisse a boca, Mané pegou a deixa de Zoião bradando: "Um horror! Um horror! Como é que pode um presidente da República dizer tanta mentira na Internet?".
Zé, nervosíssimo, falou: "Meu Deus, meu Deus! O Brasil está afunhenhado, quebrado, lascado!".
Quando eu tentei dizer alguma coisa, em resposta a Zoião, Barrica do canto onde se achava não se controlou e falou quase berrando: "Esse Bolsonaro é um feladaputa!".
Calma, calma, pessoal...
"Calma coisa nenhuma, seu Assis! O que esse sujeito está fazendo de mal ao Brasil, e aos brasileiros, está fora de contexto. Fora de tudo!", falou Biu.
Biu, como se sabe, é um cabra tranquilo, de pouco falar. E lá vem ele de novo: "Seu Assis, eu nunca ouvi tanta mentira saída de um sujeito só. Esse Bolsonaro aí é um horror. É cabra que não presta. E quem gosta dele também não presta. É um feladaputa, como disse o mano Barrica".
Rabiei os olhos e dei de cara com Lampa, que me olhava enquanto cutucava as unhas com seu punhal de estimação. 
Pela primeira vez, aqui na casa do meu experiente poeta Zilidoro, notei Jão assim meio encafifado. Ele olhou pra mim e falou: "Seu Assis, é tanto absurdo que meu ouvido guardou que fico até sem jeito de dizer o que quero dizer. A minha finada vó, dona Zilda, ensinava que ninguém deve mentir. Que mentira só faz mal a quem diz e a quem ouve. O nosso presidente é um sujeito desqualificado. Completamente desqualificado, sem noção. Ele é perigoso. As suas maluquices são por ele elaboradas...".
"É isso mesmo, Jão. Você tem razão. Você é muito observador. Você está analisando perfeitamente o comportamento desse cara. Você tem razão quando diz que ele é perigoso. A entrevista que ele deu a Igor Coelho, do canal Flow Podcast, foi toda recheada de absurdos, de mentiras. Mas ainda bem que os jornalistas das grandes empresas preocupadas com o destino de nosso País estão fazendo o que deviam fazer. Ou seja: identificar ponto a ponto as mentiras, ou Fake News, ditas no vídeo que durou mais de 5 horas. É incrível o poder que tem Bolsonaro de mentir. Ele mente o tempo todo! Ele mistura tudo. Com o perdão da palavra, ele é um escroto!", desabafou o sempre calmo e sensato Zilidoro.
O Lampa, lá do seu canto, meteu a colher na conversa: "Sei não, sei não, mas acho que vou ter trabalho este mês. Se não neste mês, em setembro...".
Eu quis saber por que em setembro o Lampa teria ou terá trabalho: Que tipo de trabalho, Lampa?
Barrica se antecipou e quase ao mesmo tempo o seguiram Zoião, Biu, Zé e Jão: "Lampa quer matar!".
Levantei a mão e pedi calma, dizendo que não é esse o caminho. O caminho é a verdade e as urnas. Ninguém deve matar ninguém, o que deve morrer é a mentira. Ninguém tem o direito de mentir para ganhar adeptos e votos nas urnas. As urnas do TSE são invioláveis. E é nas urnas que deveremos matar a mentira, votando corretamente e trazendo à luz as verdades históricas. Chega de Fake News! O Brasil precisa de presidente que governe. E que resolva os nossos problemas, incluindo os problemas provocados pela fome.
"Chefe, o sinhô é muito direitin. Gente que não presta, não presta. Eu, na verdade, nunca matei ninguém. Quem mata é Deus, eu só dou uns furinho na barriga de quem não presta!", falou amuado o desengonçado Lampa.
Pessoal, eu disse, o Brasil é um país fantástico. Eu amo o meu País...
Antes que eu concluísse meu pensamento, os meus botões disseram em uníssono: "Eu amo o Brasil! Eu amo o Brasil!".
Calmo, Zilidoro falou pausadamente: "Nós a-ma-mos o nosso País. E por amar nosso País, por ele lutamos. Mas quero deixar no ar a pergunta que me incomoda: Por que as pessoas não leem mais, não leem livros? E não se informam corretamente? Na leitura, na educação, se acha muita coisa importante. Precisamos ler, ler e ler! Nunca é tarde para ler. A leitura é o caminho da verdade, como é a educação de modo geral".
De repente os meus botões, todos, bateram palmas endossando a compreensão de Zilidoro.
"É, Zilidoro tem razão. E o sinhô, também. Ninguém deve matar ninguém. O que deve morrer é a mentira. Gente que não presta por si só se destrói", diz com a voz clara, pela primeira vez, o cabra Lampa. E eu o aplaudi porisso.
Zoião, que abriu essa conversa, disse que acompanhou minuto a minuto a entrevista de Bolsonaro ao Flow Podcast. E concluindo, disse: "Sugiro que leiam o que os jornalistas escreveram sobre as falas mentirosas de Bolsonaro".
"Correto, correto!", apoiou Mané.
Só uma coisa a mais, interrompeu Jão: "Os jornalistas são fantásticos. Fazem um trabalho extraordinário, separando a mentira da verdade". Concordei. Só tinha a concordar com meus botões nesta manhã de 10 de agosto de 2022.
Quando eu falei 10 de agosto, Zilidoro pediu licença pra dizer o seguinte: "Foi no dia 10 de agosto de 1823 que nasceu, no Maranhão, o poeta Antônio Gonçalves Dias. É desse poeta a famosa Canção do Exílio. Gonçalves Dias, na sua obra, falou do índio, da vida, dos pássaros. Ele falou de amor, falou da natureza. Sugiro que leiam Gonçalves Dias".
Boa, boa, Zilidoro! Você acaba de me dar a ideia de escrever ainda hoje um texto especial sobre esse grande poeta romântico que foi Gonçalves Dias. É isso, pessoal. Nossa roda de conversa está encerrada e até outro dia.

terça-feira, 9 de agosto de 2022

CORDELISTAS HOMENAGEIAM JÔ SOARES

 
Não faz ainda nem uma semana que o ator, autor, apresentador de TV e humorista Jô Soares morreu e já se acha na praça um belo folheto de cordel contando o mal sucedido, no último dia 5, à Nação brasileira. Trata-se de Jô Soares Entrevistado em um Talk Show no Céu (acima), de autoria dos cearenses incríveis Rouxinol do Rinaré e Klévisson Viana. Os dois craques são dos melhores que há no cordelismo. Ambos já publicaram dezenas de livros e centenas de folhetos.
Sobre Rinaré já escrevi um monte de coisas. Leia: ROUXINOL DO RINARÉ, POETA NOTA MIL!
Sobre Klévisson Viana, meu parceiro em duas ou três músicas junto com Gereba, também já escrevi
bastante. Ouça e confira: QUIXOTEANDOKLÉVISSON VIANA, UM MESTRE DOS NOSSOS TEMPOS
Em novembro de 2001, Klévisson Viana foi entrevistado por Jô. Ele lembra: "Por indicação do jornalista Audálio Dantas, eu fui entrevistado no Programa do Jô Soares na sede na Rede Globo SP. Apresentei o cordel 'O atentado terrorista que abalou os EUA' e 'Carta de um Jumento a Jô Soares' (capa ao lado) ambos meus e de Arievaldo Vianna".
Leia, em primeira mão neste Blog, a íntegra do folheto Jô Soares Entrevistado em um Talk Show no Céu:

Mais uma estrela do riso
Neste plano se apagou
Nesta sexta-feira cinco
A mídia noticiou
Que no Sírio-Libanês
Jô Soares nos deixou!

Com oitenta e quatro anos
Faleceu o humorista.
Foi escritor, dramaturgo,
Ator, músico e jornalista
Que merece este registro
Da pena do cordelista.

À família e aos amigos
Nossos sinceros pesares,
Sua legião de fãs,
Que ele fez rir aos milhares,
Numa só voz diz: Adeus,
José Eugênio Soares!

Hoje “O Planeta dos Homens”
Fica sem graça e carente
A ausência de Jô Soares
O Brasil inteiro sente,
Mas fica imortalizado
Seu humor inteligente!

Com sua mente brilhante
Por seu humor refinado
Nosso grande Jô Soares
Pra sempre será lembrado
Todo o Brasil reconhece
Seu valoroso legado.

Jô Soares foi um mestre
Que das musas foi eleito
No humor tinha talento
Gozou de grande conceito
E em tudo que atuou
Procurou fazer bem feito.

Na galeria dos gênios
Nos mais altos patamares
O nosso gordo desponta
Se destaca entre os milhares
Viva o Gordo! Viva o mestre!
Nosso eterno Jô Soares.

Seu programa Viva o Gordo
Marcou sua trajetória
Foi na TV brasileira
Que alcançou fama e glória
Dirigiu, foi roteirista
Fez rir e contou história.

Lembro Coronel Pantoja,
Torcedor Zé da Galera,
Genial era O Reizinho,
Pois nosso Jô era um fera.
Capitão Gay que era fresco
Quais flores na primavera.

Era uma voz contundente
Em defesa do Brasil
Seu humor inteligente
Cheio de graça, sutil,
E como entrevistador
Era engraçado e gentil.

Por tudo que fez nos palcos
Cinema e televisão
Interpretando seus tipos
Com alegria e diversão
Figura entre os mais brilhantes
Artistas desta Nação.

N“O Homem do Sputnik”
Brilhou jovem no cinema
Foi músico, também cantor,
A arte era seu esquema
Seu nome se elevará
Onde o humor for o tema.

Foi ele o gordo mais leve
Que já viveu neste mundo
Era um artista completo
Com seu domínio profundo
Tinha o dom de fazer rir
Todo minuto e segundo.

Com “O Xangô de Baker Street”
Jô traçou um novo esquema
Brilhou como romancista
Sherlock Holmes foi tema
E seu livro foi direto
Para as telas do cinema.

Jô Soares fez história
Foi humano, foi decente
Na condição de amigo
Jô era sempre presente
Não tolerava injustiça,
Sentia o que a gente sente.

Jô Soares num poema
Deixou uma despedida
Recitando como alguém
Que antevê a partida
Disse: "Não chorem em meu túmulo",
Pois há vida além da vida!

Não estou lá em meu túmulo,
Não adianta chorar...
Estou nas águas do rio,
Estou no vento a soprar,
Estou também nas estrelas
Pelas noites a brilhar!

Mas Jô ao desencarnar
No quarto do hospital
Teve rápida letargia
E despertou afinal
Num programa de entrevistas
Na corte celestial

Jesus muito sorridente
Consultou na sua lista
E viu o nome de Jô
O nosso estimado artista
E no talk show do céu
Marcou a sua entrevista.

O “JC Onze e Meia”
Que chega a muitos lugares
Tem gigantesca audiência
É um dos mais populares
Jesus disse para o gordo:
— Venha pra cá, Jô Soares!

Nisso o Sexteto Celeste
Tocou de forma singela
Jô deu graças a Jesus
Por sua existência bela
E ficou emocionado
Vendo seu rosto na tela.

Olhando para o Sexteto
Nosso Jô se admira
Um dos músicos que tocava
Numa harpa ou numa lira
Era um velho conhecido,
Seu querido amigo Bira.

Enquanto Bira tocava
Se exibia no telão
Entre efeitos multicores
O cosmos em expansão
Belezas da Via Láctea:
Saturno, Urano e Plutão.

E da Terra, o Taj Mahal,
Um belo símbolo de amor,
Entre outras maravilhas
Nosso Cristo Redentor,
Monumento a “JC”,
O ilustre apresentador.

Inicia a entrevista
Jesus segura-lhe a mão
E recordou a estreia
De Jô na televisão
Lá na Praça da Alegria
Com o personagem Alemão.

Lembram cada atuação
Que seu humor fino encerra
Como o programa global
“Faça humor, não faça guerra”,
Uma sátira à guerra fria
Que envergonhava a Terra.

A certa altura Jesus
Perguntou: — Jô, afinal,
Como a Terra está? Vai bem?
Jô respondeu: — Vai bem mal!
E se ouviu no auditório
A gargalhada geral.

Jesus retruca: — E o Brasil?
Agora é uma nação mítica?
Você que é inteligente
E tem uma visão crítica,
Me diga, o que é que achas
Da situação política?

Jô Soares respondeu:
— Nossa “Pátria do Cruzeiro”
Sofre com a pandemia
Que assola o mundo inteiro
E com um governo tirano
Que massacra o brasileiro!

Jesus fazia perguntas
A fim de descontrair
E Jô, espirituoso,
Deixava o verbo fluir
No talk show a plateia
Bolava de tanto rir!

Jô Soares demonstrava
QI acima da média.
Jesus diz: — No humorismo
Tu és uma enciclopédia!
Jô responde: — É “falha nossa”
Se a vida é uma comédia!

Dos 300 personagens
Que Jô Soares criou
A pedido de Jesus
Alguns ele interpretou:
Tavares, Vovó Naná
Brilharam no talk show...

O professor Gengir Khan,
Irmão Thomas, Manchetão,
Norminha hippie, Zezinho,
Mordomo Gordon, Bocão...
Jô, com versatilidade,
Deu show de interpretação!

De pé a plateia aplaude.
Nesse talk show divino
Vieram abraçar o Jô
Tutuca, Paulo Silvino,
Lúcio Mauro, Chico Anysio,
Mestres do humor genuíno!

Grande Otelo também veio,
Zilda Cardoso, Oscarito,
Jorge Loredo, Golias,
Roni Rios... como um rito
Jô e o elenco do riso
Que vive no infinito.

Todos saudaram felizes
O grande comediante.
Jesus parabenizou
Esse humorista gigante,
Jô com “um beijo do gordo”
Despediu-se cativante!

Jô ficou junto de Deus,
A Suprema Inteligência.
No mundo espiritual
Prossegue sua existência,
Tornando o céu mais alegre
Com graça e irreverência!

Fim 

VOCÊ JÁ ASSINOU A CARTA DA USP?

O mês de agosto, de desgosto, é o mês do cachorro louco. E o bicho que se acha aboletado na cadeira de presidente é bicho sem limite para o mal. Símbolo deste trágico mês de agosto, pois foi nesse mês que Getúlio enfiou um tiro no peito e deixou uma nação em luto. Foi nesse mês também que o Homem da Vassourinha, Jânio Quadros, renunciou à presidência da República.
Muita coisa ruim aconteceu no mês de agosto. 
Bolsonaro tá de garras afiadas pra pegar a pulso a liberdade que a Democracia nos dá. Mas os brasileiros e brasileiras estão se juntando para o Brasil não sucumbir à escuridão.
Meu amigo, minha amiga, você já assinou a Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito elaborada por professores e estudantes da Universidade de São Paulo, USP? Se não assinou, assine. O caminho é este: www.estadodedireitosempre.com
Ah! Mais de 800 mil pessoas com vergonha na cara e desejo de liberdade já a assinaram. Inclusive, eu.

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

VIVA PEDRO BANDEIRA, 80 ANOS!

 
Cinquenta anos de carreira profissional é uma boa data para ser lembrada. Como 80 e 100.
O paulista de Santos Pedro Bandeira, começou a carreira como ator, cenógrafo e diretor na metade dos anos de 1970.
Pedro Bandeira, de batismo Pedro Bandeira de Luna Filho, deixou as coisas do teatro e meteu-se com tudo na seara literária do infanto-juvenil. Seu primeiro livro resultante dessa investida foi O Dinossauro Que Fazia Au-Au (Moderna, 1983).
O segundo livro de Bandeira, A Droga da Obediência (Moderna, 1984) vendeu que nem banana em feira livre.
Os cinquenta anos de carreira literária de Bandeira não renderam loas na Imprensa, como loas à Bandeira não renderam os seus 80 anos de vida, completados este ano.
Por que falo isso?
Todos os jornais, revistas e emissoras de rádio e TV continuam noticiando os 80 anos de vida do baiano Caetano Veloso. Acho bom. Isso é louvável, mas louvável também seria se outros grandes nomes da música, literatura e de outras atividades do campo artístico brasileiro, como o já referido Bandeira, fosse igualmente lembrados.
São muitos os brasileiros que nos legaram obras de formação e referência. E por que não reverenciá-los?
Poucos grandes nomes do viver literário e artístico sobrevivem à memória.
O cearense José de Alencar, o fluminense Machado de Assis, o pernambucano Manuel Bandeira, o mineiro Carlos Drummond ainda sobrevivem de modo, digamos, inconsciente na nossa memória.
No campo da música erudita sobrevivem Carlos Gomes e, especialmente, Heitor Villa-Lobos. Mas há mais.
O compositor e maestro cearense Eleazar de Carvalho é um nome que está se apagando. E não custa lembrar que foi ele, Eleazar, o criador do Festival de Campos de Jordão. Isso, em 1970. À propósito, a 52ª edição desse Festival findou no último 31 de julho.
Eleazar de Carvalho foi, durante anos, o maestro titular da Orquestra Sinfônica da Cidade de São Paulo.
Atenção, galera: O poeta Carlos Drummond de Andrade nasceu no dia 31 de outubro de 1902. O caso se deu em Itabira, MG. Merece lembrança?
A data não é redonda, mas se aproxima dos 90. Refiro-me ao cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré. No próximo dia 12 de setembro, o autor de Pra não Dizer que Não Falei de Flores fará 87 aninhos. E aí? Antes, daqui a 2 anos, Chico Buarque fará oitentinha. Pois é.
Eu da minha parte, menino que sou, chegarei aos 70 daqui a um mês e 19 dias. Ui!
Caetano Veloso nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.
A cidade do Caê é a mesma cidade/berço do pioneiro da nossa música Manuel Pedro dos Santos. Manuel, o Bahiano, nasceu em 1870 e morreu em 1944. 
Bahiano foi o primeiro cantor profissional do Brasil.  E nem o Caê fala dele, por quê?
Pois é, a vida é mesmo assim: pra uns tudo, pra outros nada.
Caetano Emanoel Viana Teles Veloso compôs, até hoje, 631 músicas que já foram gravadas ou regravadas 1.953 vezes por artistas diversos, incluindo o próprio.
Viva Caê!

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

TUDO PELA DEMOCRACIA

Cada dia mais se faz necessário que fiquemos atentos aos movimentos do presidente da República, que comanda seu timão a favor do caos contra o Brasil.
Diante dos riscos que a democracia corre, no Brasil, a sociedade tida civil está se mobilizando.
Já beira à casa dos 800 mil os subscritos da Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito, elaborada por alunos e professores da Universidade de São Paulo, USP, que será lida no próximo dia 11 na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
Hoje 5 os principais jornais do Brasil trazem, por sua vez, uma carta aberta à população intitulada Em Defesa da Democracia e da Justiça. A carta, escrita pela Fiesp, traz a marca de associações empresariais, ONGs, centrais sindicais e universidades. 
Eis a íntegra, leia:

No ano do bicentenário da Independência, reiteramos nosso compromisso inarredável com a soberania do povo brasileiro expressa pelo voto e exercida em conformidade com a Constituição.
Quando do transcurso do centenário, os modernistas lançaram, com a Semana de 22, um movimento cultural que, apontando caminhos para uma arte com características brasileiras, ajudou a moldar uma identidade genuinamente nacional.
Hoje, mais uma vez, somos instigados a identificar caminhos que consolidem nossa jornada em direção à vontade de nossa gente, que é a independência suprema que uma nação pode alcançar. A estabilidade
democrática, o respeito ao Estado de Direito e o desenvolvimento são condições indispensáveis para o Brasil superar os seus principais desafios. Esse é o sentido maior do 7 de Setembro neste ano.
Nossa democracia tem dado provas seguidas de robustez. Em menos de quatro décadas, enfrentou crises profundas, tanto econômicas, com períodos de recessão e hiperinflação, quanto políticas, superando essas mazelas pela força de nossas instituições.
Elas foram sólidas o suficiente para garantir a execução de governos de diferentes espectros políticos. Sem se abalarem com as litanias dos que ultrapassam os limites razoáveis das críticas construtivas, são as nossas instituições que continuam garantindo o avanço civilizatório da sociedade brasileira.
É importante que os Poderes da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – promovam, de forma
independente e harmônica, as mudanças essenciais para o desenvolvimento do Brasil.
As entidades da sociedade civil e os cidadãos que subscrevem este ato destacam o papel do Judiciário
brasileiro, em especial do Supremo Tribunal Federal, guardião último da Constituição, e do Tribunal Superior Eleitoral, que tem conduzido com plena segurança, eficiência e integridade nossas eleições respeitadas internacionalmente, e de todos os magistrados, reconhecendo o seu inestimável papel, ao longo de nossa história, como poder pacificador de desacordos e instância de proteção dos direitos fundamentais.
A todos que exercem a nobre função jurisdicional no país, prestamos nossas homenagens neste momento em que o destino nos cobra equilíbrio, tolerância, civilidade e visão de futuro.
Queremos um país próspero, justo e solidário, guiado pelos princípios republicanos expressos na Constituição, à qual todos nos curvamos, confiantes na vontade superior da democracia. Ela se fortalece com união, reformando o que exige reparos, não destruindo; somando as esperanças por um Brasil altivo e pacífico, não subtraindo-as com slogans e divisionismos que ameaçam a paz e o desenvolvimento almejados.
Todos os que subscrevem este ato reiteram seu compromisso inabalável com as instituições e as regras
basilares do Estado Democrático de Direito, constitutivas da própria soberania do povo brasileiro que, na data simbólica da fundação dos cursos jurídicos no Brasil, em 11 de agosto, estamos a celebrar.

A GENTE CHEGA, PASSEIA E PARTE. É DA VIDA

 

A impressão que eu tenho é que o dia amanheceu, hoje 5, mais triste. E não à toa, pois acabo de ouvir no rádio que o multitudo Jô Soares, 84 anos, partiu para a Eternidade. Foi às 2h20 no Sírio Libanês, em São Paulo.
Jô fez tudo, ou quase tudo, no campo das artes. Foi ator, autor, diretor de teatro, escritor, pintor, e tudo mais. Destacou-se em todas as áreas que entrou, inclusive na televisão.
Deixou muitos e muitos personagens e uma legião sem fim de admiradores, entre os quais eu.
No final dos anos de 1980, a contragosto, trocou a TV Globo pelo SBT. Motivo: queria virar apresentador, mas a direção da Globo não o quis para isso.
Fez um sucesso estrondoso no SBT e aí, Plim! Plim!, a Globo o chamou de volta pagando o que não lhe pagava antes. E é assim a história.
Eu participei de um dos seus programas. Foi no SBT, ao tempo em que eu lançava o livro Eu Vou Contar Pra Vocês (Ícone, 1990). Comigo participou do programa Onze e Meia a cantora e compositora pernambucana Anastácia.
O pai de Jô Soares, Osvaldo Heitor Soares, era paraibano. E Jô, carioca.
A vida é assim: a gente chega, passeia e parte.

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