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domingo, 25 de dezembro de 2022

JESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (2, FINAL)


Era uma espécie de banco central, o que se chamava de templo.
No tal templo trocavam-se moedas de diversas espécies e lugares. Esse templo era dirigido por judeus de alto gabarito. E foram esses que pegaram Jesus e o entregaram a Pilatos que lavou as mãos e deu no que deu.
No geral, e a rigor, comparo Jesus a Antônio Conselheiro.
Conselheiro, beato, saiu dos cafundós do Ceará para brigar contra os poderosos da sua época. E aí, lascou-se. Resultado: 25 mil mortos em Canudos, BA.
Nisso tudo até aqui contado, há algo que me encanta: Jesus, a contragosto dos discípulos, recebeu um dia um grupo de crianças no Jardim das Oliveiras. Justificando a sua vontade teria dito "Vinde a mim crianças".
Agora, meu amigo, minha amiga, imagine Jesus loiro de olhos azuis no Egito.
Naquele tempo, no tempo de Jesus, havia tudo quanto não presta, que nem hoje. Figuras como o rei Salomão eram de grande importância. Temidos. Salomão era negro. O rei Davi, também. Por que não se fala disso?
Existem centenas, milhares, de livros, discos, muita coisa que trata de Jesus e seus discípulos.
Os discípulos eram uma espécie de segurança de Jesus.
Jesus não nasceu em Belém, nasceu em Nazaré.
Nazaré era uma vilinha de nada pegada à Palestina.
E o Natal, hein?
Em dezembro daqueles tempos era um mês de festejos pagãos.
O cristianismo foi adotado como religião, digamos assim, no século 4 pelo Imperador Constantino.
O calendário gregoriano... Bom, essa é outra história. Sem falar da violência comum naqueles tempos. Escravidão, inclusive. Analisando bem, pouco mudou até aqui.
Na segunda parte do século 19 o baiano Castro Alves pegou para si a bandeira da abolição e gerou a obra-prima O Navio Negreiro, cuja a 4ª parte foi musicada pelo pernambucano Jorge Ribbas. Assim:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!...


Foto de Flor Maria.
Ilustração do cartunista Fausto Bergocce.

sábado, 24 de dezembro de 2022

JESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (1)


Maria, Maria! Veja isso, Maria!, foi dizendo entusiasmado Zelatiel das Flores à mulher que na sala ajeitava umas tranqueiras referentes ao período natalino. E ela: Oi, oi. Endoidou?.
Zelatiel fez que não ouviu, talvez tenha ouvido, mas entusiasmado, com o celular na mão, disse que acabara de ler uma coisa bonita.
Maria, por uns momentos, parou de mexer nas tranqueiras e encarando o maridão, perguntou: Quem é esse cara a quem você se refere?.
Zelatiel fez que não ouviu e começou a ler com voz impostada:

Oh! Deus teu filho é negro
E tem de ti a semelhança
Dos que nascem em África
No rastro da esperança

Tu sabes, e muito bem,
Que isso dá discussão:
Há brancos que se recusam
A ver num negro seu irmão

Lamentável! Lamentável!
Impróprio para cristãos:
Se somos todos iguais
Por que não somos irmãos?

Hummm... Gostei, gostei. Esse é o cara a quem você se refere? Poxa, muito bom, perguntou já opinando a Maria de Zelatiel. E ele: Sim, ele é o cara!.
E a conversa foi seguindo por aí, entre perguntas e exclamações.
Zelatiel começou a dizer à mulher que não conhecia pessoalmente o autor do poema, mas o acompanhava na imprensa. Disse que os textos dele publicados no newsletters Jornalistas&Cia, por exemplo, fogem da obviedade ululante.
E é por isso, mulher, que você aparentemente gostou dele e sem o conhecer. E quer ver?
Jesus não era branco, não era loiro, era negro.
Não existe loiro de olhos azuis no Oriente Médio.
Não está na Bíblia, mas Jesus tinha menos de 1,70m de altura. Seus cabelos eram curtos e a barba, aparada. Era pessoa aparentemente normal. Era do campo. Agricultor. Talvez analfabeto, mas um dia achou de brigar com o establishment. E aí lascou-se.
Viu Maria, viu Maria?
De fato, o mundo todo guarda na memória a figura de Jesus loiro, magro, de olhos azuis e gostoso, penando de braços abertos numa cruz.
Olha, Maria, o que o cara ainda escreveu:
Na Bíblia há muitas informações a respeito do tempo antigo. Desgraceiras a dar com pau, muitas orgias.
Nem anjos escaparam da sede sexual dos tarados de Sodoma e Gomorra.
Isso é o que diz o velho Testamento.
Você está acompanhando isso, Maria?
Sim, Zelatiel.
Pois é, no velho Testamento há coisas do arco da velha.
Confesso, Zeca, que nunca li a Bíblia. Mas acho que vou deixar minha preguicite de lado e me ocupar dessa tarefa. Na Bíblia há todas essas putarias a que você se refere?
Sim, Maria. A Bíblia é um livro incrível. Nesse livro tem poema, tem romance, tem crônica, tem tudo o que você possa imaginar. Belíssimo. Veja de novo o que o nosso amigo escreveu:
Ninguém sabe quando nasceu e morreu Jesus Cristo.
Lucas, Mateus e Marcos falam de Jesus nos seus textos. Pra mim, eles são jornalistas do tempo antigo. Dão informações a respeito de Jesus. Incompletas, é verdade. Mas está lá: Jesus tinha uns 30 anos de idade quando foi preso, torturado e morto pregado numa cruz por romanos.
Aos 12 ou 13 anos de idade, Jesus encantou sábios em Jerusalém. E foi em Jerusalém que ele botou pra quebrar ao expulsar, na porrada, marreteiros que vendiam bugigangas em torno do que a Bíblia chama de templo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

É NATAL, O RECOMEÇO DE UNTUDO.

Mais um ano está chegando ao fim. Antes tem o Natal, causo renovador no calendário gregoriano. Antes até, mas é o que temos. É o que temos.
Grande Sertão: Veredas, do mestre mineiro Guimarães Rosa, um João de um tamanho sem fim, traça uma história pra lá de fabulosa. Há cousas e novidades a cada parágrafo. Sem exagero. João era gigante. Maior do que um pé de coco, dum centenário jequitibá, dum pé de cedro e coisa e tal. Madeira de lei, de dar em doido.
João Guimarães Rosa é a união de universos. Quer duvidar? Duvide, não!
À página 658, ele diz com suas palavras derramadas no mar do Sertão. Assim: 

A vida inventa! A gente principia as coisas, no não saber por que, e desde aí perde o poder de continuação – porque a vida é mutirão de todos, por todos remexida e temperada.
Pois é, a vida é um eterno recomeço.
A respeito desse João, atirei o meu pensar numa folha de papel em branco. Saiu isto:

Nonada não é nada
Nas veredas do Sertão
Nonada é apenas
Começo de confusão
Prá macho que nasce frouxo
pedindo a padre perdão

Nonada não é nada
É um sim, talvez um não
É Hermógenes morrendo
No meio dum furacão
É Joca Ramiro vingado
Com muito sangue no chão

Nonada não é nada
É bendito, é oração
É padre puxando reza
Na frente de procissão
Convencendo o pecador
A fazer bem ao seu irmão

Nonada não é nada
Nem é tiro de canhão
É começo de conversa
De gente forte do Sertão
Inventada por um cabra
De nome chamado João


O belíssimo Sertão: Veredas, publicada em 1956, é pra ser lido por todo mundo. Até por quem já o leu.
Na primeira página desse livro, o autor mostra com todos os olhos, pernas e braços, a que veio. Encantado, inventei de gravar o que senti. Ouça:


quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

VIDA É ARTE. VIVA A ESPERANÇA!

O dia 22 de dezembro de 2022 marca um dia importante para a vida brasileira. Pra quem gosta do Brasil. Pra quem gosta de arte. E pra quem gosta de música.
No dia 19 de fevereiro de 1908 nasceu, no Rio de Janeiro, Henrique Foréis Domingues.
Esse Henrique Foréis tinha uma atração fundamental, uma atração incrível, pelo Brasil.
Foréis inventou de acrescentar um nome ao sobrenome que não tinha: Almirante.
Henrique Foréis Domingues era um Almirante sem ser, que nem o Capitão Furtado.
Meu Deus, como o Brasil é bonito!
No dia 22 de dezembro de 1980, Deus carregou Almirante pra fazer lá em cima festa com ele. Ai, ai.
Eu digo essas coisas, essas palavras, à Anninha.
Anninha é uma menina linda, cujo o nome de batismo é Anna Clara da Hora.
Viver é coisa boa.
A esperança e a vida são palavras que nos rejuvenescem.
Aproveitando isso, aqui quero mandar um beijo pra Maria.
Almirante foi grandão. Leia: ALMIRANTE, A GRANDE PATENTE DO RÁDIO
Lula não é músico nem artista de coisa nenhuma, mas Lula é um nome que dá esperança à música e tudo mais que tem a ver com a arte.

TESÃO É VIDA!

Não eram nem 11hs da manhã de hoje 22 quando a presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleise Hoffman, começou a ocupar o microfone em Brasília pra falar a respeito da conclusão dos trabalhos de transição de governos.
 Bolsonaro, uma besta, está deixando o Brasil em pandarecos, dizendo que não há nenhum brasileiro passando fome. 
Isto tudo está re-gis-tra-do. É documento para a história. 
A equipe de transição,  coordenada pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin, mostrou as loucuras que o presidente que está saindo cometeu nos últimos quatro anos. Contra nós. Na surdina, na sacanagem. Coisa de feladaputa.
Ai de nós! 
Lula falou bonito no evento aberto por Hoffman. Falou de solidariedade, compreensão, essas coisas que de certo modo nem nos lembramos mais.
A página da desgraceira escrita malamanhadamente por Bolsonaro está sendo virada. Não quer dizer, porém, que a história não a registre.
Lula falou forte, falou bem.
A esperança do Brasil está toda depositada em Luís Lula da Silva. E ele disse que aos 77 anos de idade está se sentindo como um jovem de 30, com tesão de 20.
Lula é negociante político. Começou na sua fala agradecendo aos presidentes do Senado e da Câmara por terem tido participação decisiva na aprovação da PEC da transição. Importantíssimo. E agradeceu também aos presidentes dos partidos políticos que se juntaram a ele no decorrer da última campanha política. 
E nessa fala foi ele falando de nomes que formarão o seu ministério. 
Pra minha alegria Anielle Franco, irmã de Marielle, foi anunciada por Lula como titular do Ministério da Igualdade Racial. 
Marielle Franco foi uma brasileira pobre, negra, bissesual que inventou de estudar. Virou socióloga. Mais: seguiu em frente defendendo os direitos humanos de todos os sexos. Apaixonou-se pela política e virou vereadora. Era demais. O resto, Bolsonaro talvez deva saber.
Jesus Cristo era pobre, negro e fodido, mas essa é outra história. 
Ninguém precisa ser petista pra achar que Lula é do caralho!
A cabeça de Lula como cidadão e político tem algumas parecenças com algumas cabeças paraibanas. Sou de lá. 
Eu, de minha parte, devo dizer que do alto de meus não sei quantos anos vivo de tesão. 
Tesão me move. Sem tesão nada sou. 
Um beijo, Maria!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

HOJE É DIA DE ELOMAR E ALTAMIRO CARRILHO


Há exatos 85 anos nascia, nas beiradas do Rio Gavião, na Bahia, o arquiteto que virou violonista, cantor e compositor Elomar Figueira Mello.
Filho de Ernesto e Eurides, Elomar nasceu na casa da fazenda do pai e da mãe. Fez vestibular pra Geologia, mas terminou optando por Arquitetura, que concluiu em 1964. Quatro anos depois estreou no mercado fonográfico um compacto simples.
Eu conheci Elomar ali por volta de 1978, quando descobri o LP Das Barrancas do Rio Gavião. O texto de apresentação, inserido na contracapa, trazia a assinatura do poeta Vinícius de Moraes. Dizia:

... Assim é Elomar Figueira de Mello: um príncipe da caatinga, que o mantém desidratado como um couro bem curtido, em seus 34 anos de vida e muitos séculos de cultura musical, nisso que suas composições são uma sábia mistura do romanceiro medieval, tal como era praticado pelos reis-cavalheiros e menestréis errantes e que culminou na época de Elizabeth, da Inglaterra; e do cancioneiro do Nordeste, com suas toadas em terças plangentes e suas canções de cordel, que trazem logo à mente os brancos e planos caminhos desolados do sertão, no fim extremo dos quais reponta de repente um cego cantador com os olhos comidos de glaucoma e guiado por um menino - anjo a cantar façanhas de antigos cangaceiros ou 'causos' escabrosos de paixões espúrias sob o sol assassino do agreste...

Já escrevi vários textos sobre Elomar, por Vinícius chamado de Menestrel. Leia: O POPULAR E O ERUDITO EM ELOMAR • ELOMAR E A SUA OBRA DE LOUVOR A DEUS • AINDA ELOMAR E A CULTURA BRASILEIRADEU BODE NO JOGOELOMAR CRIA FESTIVAL DA ÓPERA BRASILEIRA.
Elomar nasceu no dia 21 de dezembro de 1937 e, no dia 21 de dezembro de 1924, nascia no, Rio de Janeiro, um dos maiores flautistas do Brasil: Altamiro Carrilho.
Também já escrevi bastante a respeito de Altamiro. Leia: ALTAMIRO CARRILHO AGORA É SAUDADE • ALTAMIRO REGE PÚBLICO NO SESC10 ANOS SEM ALTAMIRO CARRILHO.

VISITA É COISA BOA

Ontem 20 a minha casa ficou mais alegre com a presença dos amigos Fausto e Vitor Nuzzi. Fausto é um grande chargista e Nuzzi autor de grandes livros. É dele, por exemplo, Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida (Kuarup, 2018). A prosa foi ótima, começou por voltas das 15h e terminou à boca da noite. Falamos de tudo um pouco: política, futebol, literatura, charge, pintura e tal. E molhamos o bico, que ninguém é de ferro. Aí na foto, o registro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

O BRASIL FICA MENOR COM A MORTE DOS GRANDES

No ano de 1915 nasceu, no Rio de Janeiro, aquele que seria chamado por todos que gostam de boa música de O Cantor das Multidões. Orlando Silva, que veio ao mundo num dia como hoje 20 de dezembro, deixou uma obra magnífica como intérprete. A sua voz era, digamos, de pluma. Como de pluma era a voz do cantor paraibano Roberto Luna.
Naquele distante 1915 nasceu também o pernambucano de Macuparana Rosil de Assis Cavalcanti.
Rosil foi um compositor de extrema importância para o que podemos chamar de "música nordestina".
Luiz Gonzaga, o rei do baião, gravou muita coisa bonita de Rosil. Véio Macho, por exemplo.
O professor de música da Universidade Estadual da Paraíba Jorge Ribbas e eu compusemos uma coisinha para Rosil. Ouça:
 

NÉLIDA PIÑON

A escritora Nélida Piñon morreu sábado 17 em Lisboa, aos 85 anos de idade. Ela foi a primeira presidente da Academia Brasileira de Letras, ABL.
O corpo de Nélida foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

CARLOS BRICKMANN

Sábado 17 morreu também, em São Paulo, o colega jornalista Carlos Brickmann. Tinha 78 anos. Foi vítima de falência múltipla dos órgãos. Era uma pessoa maravilhosa e muito bem humorada. Inteligente, inteligentíssimo, fazia amizades com muita rapidez. Eu o conheci há uns 30 anos. Chegou a participar de um programa que apresentei na Rádio Trianon. O corpo de Brickmann foi sepultado no domingo 18, no Cemitério Israelita do Butantã, na Capital paulista.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

A COPA DO CRAQUE FAUSTO. NOTA DEZ!

Tudo começou em 1930, quando o Uruguai abateu a Argentina pelo placar de 4 x 2.
A Argentina ganhou a Copa em 1978 e 1986, sagrando-se tricampeã ontem 18 no tórrido Catar. Resultado: 4 x 2 nos pênaltis, depois de empatar no tempo regulamentar e na prorrogação.
Essa foi, na opinião geral, o Mundial mais incrível da história. Pois houve surpresas de todo lado. Pela 1ª vez, por exemplo, o Senegal se fez participante como participante também se fez a seleção de Marrocos.
Nunca uma seleção africana chegou tão longe.
Os marroquinos botaram pra quebrar.
"Esperava-se mais, muito mais, da nossa Seleção", diz o quase sempre silencioso cartunista paulista Fausto Bergocce. Ainda Fausto: "O Tite e seus meninos pisaram na bola, decepcionando milhões e milhões de brasileiros que nem eu".
É verdade que o gol do atacante Richarlison foi memorável. Mas ficou nisso. Esperava-se mais, como frisou Fausto.
Foi espantosa a participação de Lionel Messi e também a participação de Mbappé, que sagrou-se artilheiro da Copa do Mundo por sua seleção, da França. Superou Pelé, nesse quesito. E olha que o francês tem apenas 23 anos de idade. Não é preciso ter bola de cristal para prever que o futuro de Mbappé será totalmente coroado de êxito. 
Mbappé é imbatível. 
Fausto acompanhou passo a passo todas as principais partidas. Fez, nada mais nada menos, 53 maravilhosas ilustrações.
É para Fausto que dedico hoje este espaço.
Senegal, um dos 54 países do Continente africano tem uma música extraordinária. Curiosidade: Há alguns anos os senegaleses gravaram de modo especial a toada-baião Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Ouça: 
 


Os sul-coreanos, que também participaram da Copa deste 22, fizeram uma belíssima releitura de Asa Branca: https://www.youtube.com/watch?v=5pnStf2iojY
 
Estreia do Brasil com golaço do Richarlison

 
Primeira vitória africana na Copa por Senegal


O craque Mbappe grande velocista do time da França

Saída melancólica do Brasil diante da Croácia

Marrocos, grande surpresa na Copa

Lionel Messi levando a Argentina na final

Grande final com a Croácia ficando na terceira colocação

A grande final com vitória Argentina de Messi

domingo, 18 de dezembro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (55)

 "Olha lá, olha lá, olha lá. Puta que pariu! Olha, olha, empatou! 2 x 2!", descontrolado Lampa bateu na mesa ainda acrescentando: "Caralho!".
Todos os olhos da casa voltaram-se ao botão Lampa. E ele, suando às bicas: "O que foi? O que foi? Nunca me viram?".
Foi nesse momento que pus os pés na casa. 
Olhei Lampa nos olhos, e ele: "Desculpe, chefe. O jogo tava ganho pra nós...".
De novo todos os olhares se voltaram à Lampa. E ele, meio incômodo, sussurrou: "Desculpem amigos, desculpem. O Brasil perdeu e passei a ver na seleção argentina a nossa seleção. O Tite e o Neymar são dois grandes felasdaputa! E tem mais. Eu soube que o Richarlison fez uma suruba com três mulheres antes de disputar a semifinal  da Copa. É muita irresponsabilidade".
"Eu também li isso em algum lugar", disse Barrica. O irmão Biu, acrescentou: "Eu li e ouvi notícia dando conta do que o Lampa falou".
Mané, Jão e Zoião quietos estavam, quietos ficaram.
Lamentável, lamentável, eu disse.
Quebrando o próprio silêncio, Zilidoro falou: "Pois é, tudo errado! A imprensa internacional deu notícia revelando que futebolistas brasileiros, incluindo o Fenômeno, comeram carne com ouro em Catar...".
"Puta que pariu!!!", Lampa irritou-se definitivamente sacando o punhal e o enfiando com força na mesa. E grunhindo: "Vou pegar esses caras!".
"Olha lá, olha lá, olha lá. De novo, empatou: 3 X 3. Agora, pênaltis", interrompeu o papo Mané.
"Agora é que eu quero ver", disse provocando Zoião. E Mané: "Cala boca, cara!".
Seguiram-se momentos periclitantes, de silêncios gritantes. Messi abriu o placar: 1 X 0.
 Mbappé, foi o primeiro de sua seleção a fazer o que Messi fez. Empatou: 1 X 1. 
Zilidoro pediu a palavra pra dizer o seguinte: "Essa história o mundo todo já sabe. Agora tem aquele detalhe. Foi o Montiel que provocou o pênalti que levou a Argentina a morrer de infarto..." 
É verdade, eu disse. E foi o Montiel que chutou o gol que deu vitória à Argentina. 
Uma coisa, chefe. Na primeira Copa, em 1930, o Uruguai ganhou enfiando quatro tentos na sacola da Argentina. O resultado foi 4 X 2. Curioso, não?".
Antes de dar ponto final nessa nossa conversa, eu quero compartilhar com vocês a informação de que o cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz jogou bola na adolescência e por pouco não se profissionalizou no Náutico, de Recife, PE. E pra minha alegria ouvi hoje a minha filha Clarissa dizer que eu posso estar perfeitamente pronto pra entrar em campo e trazer, para o Brasil, a taça tão desejada de hexacampeão. 
Numa boa, acho que a Clarissa tem razão. 

CANTOR BOM DE BOLA × JOGADOR BOM DE MÚSICA (2.2, FINAL)

Louca pelo Corinthians, Inezita gravou música e tal. Um dia chegou a chamar o craque Sócrates para cantar no seu programa Viola Minha Viola. Curiosidade: em 1981, Sócrates gravou um LP intitulado Casa de Caboclo (RCA Victor). Nesse disco ele canta clássicos. Uns dez anos depois participou, junto com Osmar Santos, de uma faixa do disco Aquarela, de Toquinho. Muito bom. A música que interpreta é Corinthians do Meu Coração.
Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, paraense, chegou a fazer poesia e a compor músicas. Guardo alguns poemas inéditos dele, escritos de próprio punho.
Papete e Osvaldinho da Cuíca compuseram e gravaram um samba para o Corinthians que se tornou clássico: Vai Corinthians.
Paulinho Nogueira, antigo professor de violão de Toquinho, compôs uma jóia para homenagear o Timão depois de duas décadas sem títulos: Meus Vinte Anos, Ai Corinthians!
O caboclinho querido Silvio Caldas, cantor de voz poderosíssima, era palmeirense roxo. Claro, enalteceu o Palmeiras em música gravada em disco: Tarantela em Verde e Branco e Arrancada Heroica.
O cantor e compositor Moacir Franco é palmeirense, mas um dia não resistiu e gravou uma música em homenagem ao botafoguense Garrincha. Título: Balada n° 7.
Num ano qualquer da década de 70 o humorista Chico Anísio criou o personagem Coalhada. Tipo Bozó, manja?
 
Na fatídica partida que desclassificou por pênaltis a Seleção brasileira de futebol no Catar, no dia 9/12/22, faltou o goleiro Coalhada, saca?
Quanto a mim devo dizer que nunca disputei nenhuma partida de futebol importante para a vida nacional, mas isso não quer dizer que não fui bom jogador de bola de gude, bola de meia e peteca. Confesso: nunca errei uma peteca na cabeça de um corno adversário. Também devo dizer que tive razoável atuação no futebol de salão e de campo, meio Coalhada, hic!
Em 2026, voltarei ao assunto.


Foto e reproduções Flor Maria e Anna da Hora.
Ilustração do cartunista Fortuna (1931-1994).

sábado, 17 de dezembro de 2022

CANTOR BOM DE BOLA × JOGADOR BOM DE MÚSICA (2.1)

Definitivamente: música e futebol é um lance que combina muito.
É ginga, ritmo, swing, baile… Essas palavras encaixam-se perfeitamente no repertório musical e no futebolístico.
Futebol é dança, espécie de balé.
E música, hein?
Ary Barroso foi um dos mais prolíficos compositores da nossa música popular. Era um chato, dizem. Mas o fato é que foi importante. Deixou uma obra extremamente significativa. Foi um dos primeiros a ter música gravada em outras línguas. Começou compondo no gênero, digamos, caipira. Alinhou-se ao samba e gerou um gênero: exaltação, samba exaltação.
Dominguinhos, de batismo José Domingos de Morais, tinha tudo pra ser nada. Mas um dia, aos oito anos de idade, teve a felicidade de ser visto por Luiz Gonzaga já rei. Foi no interior de Pernambuco, a terra de ambos. O tempo passou e Gonzaga findou por adotar, musicalmente, aquele menino.
Ary era desesperadamente flamenguista e Dominguinhos, botafoguense.
O detalhe é que, fugindo à regra, Ary nunca compôs uma música para seu time. Dominguinhos, idem. Curiosidade: Dominguinhos chegou a bater bola com seu ídolo, Mané Garrincha (1933-1983). "Os dois chegaram a virar amigos", lembra a sua ex-companheira Anastácia.
O compositor e cantor Ari Lobo, de Belém do Pará, foi um artista que deixou muitas músicas bonitas. É dele, por exemplo, a música No Balanço do Garrincha. Ari deixou cerca de 400 músicas, entre as quais Eu Vou pra Lua e Menino Prodígio.
A cantora Elza Soares pra Garrincha gravou: Alegria do Povo.
Luiz Gonzaga, o rei do baião, deixou uma infinidade de músicas bonitas. Entre elas, Asa Branca.
Há coisas curiosas em torno de Asa Branca, de matriz folclórica. Pois é, de matriz folclórica.
Uma vez perguntei a Gonzaga qual a origem de Asa Branca. Isso porque eu sabia que o povo mais simples de Pernambuco e Paraíba já cantarolava essa música. Leia sua resposta, clicando: ODE A LUA.
Em outubro de 2013, levei à cena no Centro Cultural dos Correios, RJ, a história de Gonzaga. Pra me ajudar na tarefa convidei Ricardo Cravo Albin, Oswaldinho do Acordeon, entre outros.
Filho do baiano Pedro Sertanejo, o carioca Oswaldinho jogou pelada na adolescência. Era o xodó do pai, que queria porque queria vê-lo sanfoneiro. A primeira música que ensinou ao filho foi Asa Branca. E era só chegar uma visita em casa, que o pai o chamava para tocar a "bendita música". O menino ficou traumatizado. Saiba o motivo:

Papete, Paulinho Nogueira e a cantora Inezita Barroso eram fãs de carteirinha do Corinthians, como fãs de carteirinha desse time são Osvaldinho da Cuíca, Tom Zé e mais mundo e meio.Tom Zé fez uma interessante canção para o ex-meio-campista Neto, de batismo José Ferreira Neto. Esse Neto, da safra de 66, é paulista de Santo Antônio de Posse. E tem uma língua enorme, ferina. Para tanto, basta ouví-lo no rádio e TV Bandeirantes.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

MATUSALÉM VAI AO INSS

 
Fui dormir ontem pensando no homem, vejam só!
Fui dormir pensando em Matusalém. E como uma coisa puxa outra, pensei nos brasileiros com mais de 100 anos. São muitos.
Segundo dados do IBGE, já passa de 20 mil o número de brasileiros e brasileiras que flanam por aí. Flanar é voar, embora essa palavra não conste no dicionário da nossa língua. Origem francesa, mas essa é outra história.
Fui dormir pensando em Matusalém.
Enquanto eu dormia, também sonhava.
Sonhei vendo Matusalém diante de um funcionário do Instituto Nacional do Seguro Social, INSS. Diante do burocrata, Matusalém pergunta o que é preciso pra uma pessoa se aposentar. O burocrata olha pra ele e diz: "Primeiro, antes de tudo, tem de ter mais de 60 anos de idade".
Atualmente, no Brasil, há cerca de 22 milhões de homens e mulheres aposentados. Pessoas que trabalharam, que deram o sangue, pelo Brasil. Entre essas não há nenhuma mais velha do que o goiano Andrelino Vieira da Silva, pai de 7 filhos e avô muitas vezes.
Andrelino completou 121 em fevereiro deste ano de 2022.
A primeira instituição, no Brasil, a dar atenção aos trabalhadores de idade foi o Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência Social (IAPAS). Isso em 1923, no governo de Artur Bernardes.
O burocrata de plantão, perguntou a idade e Matusalém respondeu: "Eu vou fazer 969 anos".
Pois é, Andrelino é na figura de Matusalém uma pedra no sapato do INSS.
Matusalém era avô de Noé, aquele da barca que salvou um monte de animais.
Ah! Sim: Adão, de Eva, morreu com 130 anos de idade.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

FORRÓ É SAÚDE E LONGEVIDADE

Luiz Gonzaga gostava de uma ceverjinha... Com o Assis
Setenta...
Hmmm... Bom, nos dedos: oitenta, noventa, cem, cento e dez, cento e vinte...
Pois é, falta 50 aninhos pra o papai aqui chegar lá. É muito tempo, não é?
No meu caso, no meu caso mesmo, os dias tem no mínimo 48 horas. Demoram a passar. É o que eu acho.
Setenta... Hmmm...
Quando o Rei do Baião nasceu, o goiano de Anicuns Andrelino Vieira da Silva já tinha 11 anos de idade e fazia o que todo mundo do campo faz: cuidar da lavoura e da vida.
Luiz Gonzaga, quando menino/adolescente, também cuidou da lavoura metendo aqui e acolá a enxada no chão. E nas horas vagas, digamos assim, observava o pai Januário ajeitando sanfona. Gostava do que via e não deu outra: trocou a enxada pela sanfona, a contragosto da mãe Santana.
O que é que há em comum entre Andrelino e Gonzaga, hein?
Andrelino gosta de forró até hoje, forró que foi inventado pelo Rei do Baião.
O que mais? 
Andrelino, além de forró, é chegado a uma boa cachacinha.
Gonzaga sempre gostou de cachaça, de uma boa cachacinha, mas um dia encheu a cara e pensou fazer diabruras contra o pai da jovem que amava. E aí deu zebra: o pai e a mãe pegaram-no pra valer. Foi uma surra dos infernos! E foi assim que Gonzaga deixou de beber cachaça, mas uma cervejinha e um conhaquezinho sempre caíam bem no seu gogó.
Dançando o que dança e bebendo o que bebe, Andrelino vai chegar à idade de Matusalém.

CAMINHADA DO FORRÓ

No próximo sábado 17, às 15h, forrozeiros de todas as idades e sexos sairão da Praça Manoel da Nóbrega em caminhada festiva por ruas do Centro histórico. Esperam-se cerca de 200 forrozeiros tocando zabumba, triângulo, sanfona, o escambau. Fortalecendo a caminhada estarão as cantoras e cantores Fatel Barbosa, Luís Wilson, Dantas do Forró, Cacá Lopes, Trio Virgulino, Neide Gara-pé, Maria Fulô, Valentina Guillén e a rainha de todos os forrozeiros: Anastácia. À frente da tropa, o "espalhabrasa" Zé Geraldo.
Para fazer o seu dia mais alegre, clique:

FUTEBOL: DOMINGO TEM NOVO TRICAMPEÃO MUNDIAL

 
Gostei. Jogaram que nem gigantes. Estou falando dos marroquinos ontem 14, num estádio do Catar. Esperava mais e menos da França. Mas os franceses são bons. São bi. Bicampeões, entenda-se.
Os franceses jogam domingo 18 contra "los hermanos argentinos".
A parada vai ser das melhores, a partir das 16h. O duelo, bom duelo, será Messi x Mbappé. Messi nasceu em Rosário e Mbappé, Paris. O pai é camaronês e a mãe, argelina.
Pouco antes de o jogo Marrocos x França, o amigo Peter Alouche telefona pra perguntar por quem eu iria torcer. Resumi: a França vai ganhar de 2 a 0 e disputar o mundial do futebol com a Argentina. A princípio ele não entendeu, mas uma meia hora depois caiu na risada. "É, se acontecer você estará de parabéns", disse.
Após o jogo, que resultou no 2 a 0 para os franceses, o craque do cartum Fausto telefona pra dizer que gostou do jogo e que esperava, de fato, a final entre Argentina e França. "Essa parada será dos nossos hermanos", disse e meia hora depois nos mandou a charge acima.
Sábado 17, a partir do meio dia, marroquinos e croatas disputaram o 3º lugar da Copa.
De Marrocos x França sairá, de qualquer modo, o Tricampeão de futebol.
O Brasil é Penta e pra lembrar, clique:
 

DERROTA DA SELEÇÃO

A imprensa mundial continua repercutindo o churrasco banhado a ouro deglutido por craques e ex-craques da Seleção brasileira, no Catar. Foi uma farra. Nada contra farra. Ando na linha do Lula: um churrasquinho e uma ceverjinha, num feriado ou fim de semana, não faz mal. É bom. Uma festinha como fez o Neymar anteontem na sua casinha no Rio, também não faz mal. Né não? E chega de choro, gente! 
Hmm... Agora, cá pra nós, quem come ouro, faz o quê no dia seguinte?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

HOJE É O DIA DA ÓPERA

Auto, Opereta e Ópera são gêneros que se cruzam na literatura e na música. O Auto tem mais a ver com o popular, como a Opereta.
A Ópera, grosso modo, é a arte de contar uma história cantada com vários personagens, da mesma maneira que é também desenvolvida a Ópera Popular.
Ópera Popular não é Auto.
O português Gil Vicente foi o maior representante dos textos identificados como Autos.
Foi na Alemanha do século 17 que o gênero operístico surgiu e de lá foi parar na Inglaterra. Para espalhar-se Europa afora foi, como diz o popular: dois palitos!
O gênero está vivo até hoje.
O italiano Verdi, figura exemplar do mundo da música erudita, deixou uma obra imortal. Como imortal é, também, a obra do brasileiro Carlos Gomes.
Carlos Gomes estreou no campo operístico em 1861, mais precisamente no dia 4 de setembro de 1861, no Teatro Lyrico Fluminense, Rio de Janeiro. Título da ópera: A Noite do Castelo.
Descoberto pelo imperador Pedro II, Carlos Gomes foi estudar música na Itália. Tudo pago. Quer dizer, mais ou menos. Ele comeu o pão que o Diabo amassou na Itália. Casou-se, teve filhos e passou grandes necessidades. Mas essa é outra história.
Antes de Carlos Gomes, a ópera deu seus primeiros passos no século 18.
O padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), que tocava tudo quanto era instrumento, fez algumas coisas parecidas com ópera. Depois dele e antes de Carlos Gomes, o paulista Elias Lobo (1834-1901) compôs, em 1860, A Noite de São João.
Em 1958, no Teatro Municipal de São Paulo, o maestro Armando Berlardi regeu orquestra e gravou, integralmente pela primeira vez, O Guarani.
Em 1986, foi a vez do maestro Benito Juarez reger a orquestra Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas e gravar, também integralmente, a obra-prima de Carlos Gomes.
Em 1976, por não ter o que fazer, escrevi e a Editora Nacional publicou o livrinho O Brasileiro Carlos Gomes.
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

HOJE É O DIA DO CEGO

Todos os dias são dias importantes. Mas há determinados dias que a gente considera mais importante que os outros. Hoje, por exemplo, é o Dia do Cego.
No dia 13 de dezembro de 1912 nasceu em Exu, PE, um menino a que os pais dariam o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento.
Luiz Gonzaga, que se tornaria o rei do baião, nasceu exatamente há 100 anos.
Já famoso e correndo o Brasil de ponta a ponta, Gonzaga sofreria dois grandes acidentes de carro. Um em Santos, SP, e outro na cidade do Rio de Janeiro. O resultado disso foi a perda do olho direito.
Num tempo já distante, uma jovem estuprada e morta por algozes. Nome: Luzia.
Hoje é o dia de Santa Luzia, a padroeira dos cegos.
Eu conheci muitos cegos e cegas na minha vida, mas em nenhum momento imaginei que eu faria parte dessa enorme legião de pessoas que não veem com os olhos.
Perdi meus olhos em 2014, em consequência de descolamento de retina. Mas a vida continua. A gente vai se equilibrando aqui e ali. E assim, desse jeito, vi ser possível ver com a memória. Já escrevi bastante a respeito. Ouça:
 
 
O tema cego/cegueira é bastante comum no nosso repertório musical.
Luiz Gonzaga, ele mesmo, gravou várias músicas falando de cego. A última ele compôs ao lado do violeiro mineiro Téo Azevedo: Padroeira da Visão.
E à Santa Luzia andei também fazendo uns versos. Ouça: 

 

LEIA MAIS: A CEGUEIRA NÃO É O FIM DEPOIS DE FICAR CEGO, ASSIS ÂNGELO LUTA PARA DIGITALIZAR ACERVO A CULTURA SOB UM NOVO OLHAR ASSIS ÂNGELO, CEGO HÁ SETE ANOS, LANÇA CORDÉIS SOBRE A PANDEMIA

PARA CRIMINOSOS HÁ LEI

O mundo tá pegando fogo, diria hoje o meu querido amigo e conterrâneo Sivuca. Pegando fogo, mesmo.
O povo mongol está na rua brigando por dias melhores, tendo como pano de fundo a inflação que anda corrompendo o povo de lá, da Mongólia.
A Mongólia é a terra de Gengis Khan (±1162-1227), político e assassino histórico, criador do Império Mongol e responsável por suas expansões na Ásia e Europa.
Na Ucrânia, o povo está morrendo vítima da violência russa.
Na África do Sul e países em volta, o pau tá comendo.
No Oriente Médio, os poderosos de plantão continuam perseguindo a população e matando. No Irã, ai, ai ai...
Na Sérvia...
Em Brasília, odientos bolsonaristas invadiram as ruas ontem 12 decididos a por o Brasil de cabeça pra baixo. Até um índio aloprado, que andou fazendo vídeos convocando cachorros loucos para impedir a diplomação do novo presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva.
Os radicais de Bolsonaro nada mais são que terroristas. E pra terroristas, criminosos, assassinos, há remédio: A Lei.
O silêncio de Bolsonaro é apoio e estímulo para os seus seguidores fazerem o que estão fazendo.
Eles querem derrubar a Democracia brasileira, mas não conseguirão.
O Brasil civilizado está atento a tudo que acontece em sua volta.
Sim é certo que o sanfoneiro Sivuca diria: O mundo está pegando fogo!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

DEPOIS DA DIPLOMAÇÃO, A POSSE: 1° DE JANEIRO

O discurso de 15 minutos de Lula, agora há pouco, em Brasília, leva mais esperança aos brasileiros e brasileiras que votaram ou não no presidente eleito no último  30 de outubro. 
No seu discurso Lula falou dos ataques violentos que a nossa democracia tem sofrido nos últimos quatro anos.
Houve momentos em que Lula não segurou e pôs pra fora, em lágrimas, as suas emoções. 
Lula lembrou que Deus existe exatamente porque o levou ao cargo de presidente pela terceira vez. Lembrou que não teve oportunidade de estudar formalmente para adquirir o diploma universitário. Mas pra ele é uma alegria muito grande o fato de ter se diplomado mais uma vez como presidente pelo TSE.
Depois da claríssima fala de Lula foi a vez de o presidente do TSE, Alexandre de Morais, discursar ressaltando as dificuldades que a Justiça enfrentou para levar a cabo o processo eleitoral. Política não se faz com ódio, disse. E disse também que as pessoas que cometem crime não ficarão impunes, responderão à Justiça no momento oportuno. 
À solenidade de diplomação de Lula compareceram os presidentes da Câmara, Senado e STF. História. 
A diplomação do presidente eleito encerra o processo legal eleitoral deste ano de 2022. Isso quer dizer que o pernambucano Luís Inácio Lula da Silva é, agora, o trigésimo nono presidente da República Federativa do Brasil. 
Lula assumirá o cargo de presidente no próximo dia 1° de janeiro.

LULA RECEBE HOJE DIPLOMA DE PRESIDENTE

O processo legal eleitoral deste ano da graça de 2022 termina hoje 12, em Brasília, quando o presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva será diplomado pelo TSE, no Congresso.
O esquema de proteção a Lula e ao vice, Alckmin, desde já é intenso e rigoroso. Policiais identificados como tais e à paisana foram escalados às centenas.
Os bolsonaristas ditos raízes estão em estado de euforia maléfica, torcendo e lutando para que tudo dê errado. Mas esses bolsonaristas perderam, para o bem do Brasil.
A posse de Lula como presidente da República está prevista para o próximo dia 1º de janeiro.
À posse de Lula são esperadas pelo menos 300 mil pessoas, incluindo representações estrangeiras e chefes de governos. Caso Bolsonaro não compareça à solenidade, para transmitir a faixa presidencial, nada demais ocorrerá. 
A faixa presidencial, como tal conhecemos, foi criada por decreto do marechal presidente Hermes da Fonseca. Isso no dia 21 de dezembro de 1910. Hermes foi o primeiro a usar a simbólica faixa.
Até hoje apenas o general presidente João Figueredo se recusou a passar a faixa para o sucessor, no caso o maranhense José Sarney.
A diplomação de Lula como presidente da República ocorrerá às 14h.

ENQUANTO ISSO...

No Congresso começa a articulação para criar o cargo de senador vitalício. 
Essa bondade visa proteger Bolsonaro dos processos que responderá ao perder a imunidade. Há quem ache que, cedo ou tarde, ele cairá nas garras da Lei. Pois é, também acho.

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
 
A cadeia te espera 
Presidente matador 
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador

domingo, 11 de dezembro de 2022

CANTOR BOM DE BOLA × JOGADOR BOM DE MÚSICA (1)

A relação entre música e futebol é antiga, como antiga é a relação entre futebol e músicos. Em resumo: não é de hoje que artistas fazem música pra futebolista e futebol. E não é de hoje também que futebolistas deixam o futebol pela música.
No final dos anos de 1940, os paraibanos Jackson do Pandeiro e Genival Lacerda deixaram, respectivamente, o Botafogo e o Treze Futebol Clube para seguirem a carreira de compositor e cantor.
Do Botafogo, de João Pessoa, Jackson era goleiro.
Do Treze de Campina Grande, Genival foi atacante em várias posições.
Há muitas histórias curiosas no campo do futebol.
Línguas irresponsáveis diziam à boca pequena que Manezinho Araújo, o rei da embolada, gostava muito de jogar pelada. Até aí tudo bem. O detalhe é que tais línguas diziam ainda que Manezinho entrava em campo como dono da bola e uma faquinha inocente presa à cintura.
Quanta maldade!
Que Manezinho gostava de futebol, isso eu sei. A prova é que nos legou a embolada Futebol na Roça.
Luiz Gonzaga, o rei do baião, não carregava faquinha na cintura. Porém, sempre há um porém, mandava no jogo. A prova, para quem duvida, está na música Lá Vai Pitomba. É engraçada, como Siri Jogando Bola.
Anastácia, a rainha do forró, achou graça quando eu disse uma vez que Gonzaga gostava de futebol. Ela: "Ele gostava mesmo era de pelada". E não é a mesma coisa? E ela: "Te liga, Assis! Quando falo pelada, falo de pelada mesmo! De mulher pelada, entende?".
Na verdade, na verdade, os mais próximos ao rei do baião dizem que se ele não fosse estéril teria tido filhos suficiente para formar uma população do tamanho do município de Exu, onde nasceu.
Anastácia entra para a história do futebol como a primeira mulher a compor e a cantar uma música para a Seleção brasileira. Foi em 1970, quando o Brasil ganhou o Tri, no México. Título: Bola na Rede.
Não são poucos, na verdade são quase todos os cantores e compositores que têm abordado o futebol como tema de carreira e obra. Chico Buarque, por exemplo.
Em 1978, Chico criou um time só para si e seus amigos: Politheama, que tem sede no Centro Recreativo Vinícius de Moraes, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro.
Todo mundo sabe, mas quem não sabe já é tempo de saber que Chico é torcedor absolutamente fanático do Fluminense. O cantor Ciro Monteiro chegou a tentar cooptá-lo para o Flamengo. Chico respondeu com uma música: Ilmo. Sr. Ciro Monteiro Ou Receita Pra Virar Casaca De Neném.
Da mesma maneira que há muitos e muitos compositores e cantores apaixonados por futebol, o contrário pode ser dito e confirmado. Exemplo: Zico, o Galinho de lances inesquecíveis no Flamengo, chegou até a gravar disco junto com Fagner.
Em 1982, o meio-campista Júnior entrou em estúdio e gravou o samba Voa Canarinho. A ideia era embalar a Seleção brasileira de futebol. Deu certo. Vendeu 650 mil cópias. Entusiasmado, gravaria depois três LPs.
Júnior toca vários instrumentos de percussão, incluindo pandeiro.
Em maio de 2010 eu o entrevistei para o livro A Presença do Futebol na Música Popular Brasileira. Leia um trecho:

Assis — Na família tem outro profissional de futebol?
Júnior — Profissionalmente só o meu irmão mais novo, que jogou por algum tempo na Portuguesa, do Rio. O meu pai (Leovegildo Lins Gama) foi ponta-esquerda amador. Os amigos dizem que ele era muito bom.

Assis — O escritor Guimarães Rosa, autor de Grande Sertões: Veredas, dizia que todo ser inteligente era paraibano ou nascia em Minas Gerais, e como torcedor teria de ser Flamengo. É isso?
Júnior — Generosidade dele, mas eu me encaixo mais ou menos nesse formulário, né?

Assis — O Flamengo foi o time da sua vida. Mil novecentos e setenta…
Júnior — Eu só joguei no Flamengo, no Brasil. De 1974 até 1984. Voltei em 1989 e fui até 1993. Fora isso, três anos de Torino e dois anos de Pescara, na Itália.

Assis — Como a música entrou na sua vida?
Júnior — A música e o futebol são dois “embaixadores” do Brasil em qualquer parte do mundo. Eu nasci escutando música. Meu bisavô era um artesão de violino. Aprendi a tocar pandeiro vendo e ouvindo o meu tio Valter, irmão da minha mãe, tocar nas rodas de samba, quando eu tinha a idade de nove, dez anos. Eu não consegui tocar instrumentos de cordas e praticamente obriguei o meu filho Rodrigo a aprender a tocar violão, cavaquinho, banjo. A música está sempre me acompanhando [...].

Assis — Qual foi a primeira vez que você entrou num estúdio de gravação…?
Júnior — A primeira vez foi em 1978. Mas pra valer mesmo foi em 1982, com Alceu Maia. Foi ele quem me fez gravar “Voa Canarinho”. A última vez foi no ano passado, com Tereza Cristina no Samba Social Clube, cantando uma música do Paulo César Pinheiro e do Moacyr Luz. Foi um privilégio, inclusive, porque a música que gravamos (“Samba Bom de Bola”) fala de futebol e música. Faz essa analogia, música e futebol.


Pois é, há muitas histórias interessantes no mundo do futebol.
Em 1982, o compositor Max Nunes e o humorista Jô Soares criaram um personagem cri cri chamado Zé da Galera. Esse Zé torrava a paciência do técnico Telê Santana. Queria, porque queria, que Telê enchesse a seleção de pontas: ponta-esquerda, ponta-direita ...
É isso e muito mais.

Foto por Flor Maria.

sábado, 10 de dezembro de 2022

PERDEMOS A COPA, MAS GANHAMOS AS ELEIÇÕES. QUE TAL?

O meu relógio marcava 13:56hs, quando o juíz apitou o final da partida Portugal × Marrocos, no Catar. 

Exatamente nessa hora, hora de Brasília, a equipe de futebol marroquina garantia presença inquestionável na semifinal da Copa deste ano de 22. Um a zero no placar. Fato histórico, pois até aqui, nenhuma equipe de futebol daquelas bandas havia realizado tal façanha.

Confesso que vibrei. 

Os marroquinos foram gigantes em campo, suando a camisa e dando o resultado que deram.

Fizeram exatamente o que a equipe de Tite não fez.

Marrocos é uns dos 54 países do continente africano. Fica ao norte, região em que desapareceu para sempre, em 1578, o jovem rei Sebastião I de Portugal. 

Ao longo da história, os marroquinos comeram o pão que o diabo amassou. Superaram-se depois de dominados por espanhóis e franceses. Conquistaram a independência no começo dos anos de 1950.

O sistema de governo de Marrocos é monárquico constitucional. 

A equipe brasileira de futebol caiu diante da Croácia.  Foi ontem 9. Um chororo dos infernos. Enquanto choravam viam Tite sumir vestiário adentro. Patético. 

Nada não, mas chega a ser incompreensível o chororo dos craques brasileiros. Pergunto: um cara que ganha mais de 700 mil reais/dia, correndo atrás de uma bola, tem razão pra chorar?

Noticiário da revista norte-americana Forbes, espécie de bíblia do mundo financeiro, traz informações impressionantes sobre os ganhos de futebolistas como Neymar. 

Ao cair hoje 10 perante os marroquinos os portugueses também choraram em campo. Cristiano Ronaldo inclusive. Esse fatura em torno de 100 milhões de euros. Pois, pois!

Alguns ex-futebolistas, como Ronaldo Fenômeno, gastam seu dinheirinho comendo carne com ouro e tal e coisa. Tá Bom, cada qual faz o que quer com os seus ganhos. Mas cá pra nós, que isso é uma vergonha,  um assinte, é!

Bom, minha gente: perdemos a Copa, mas ganhamos as eleições. 

Com Lula, valorizando a educação, prevejo que o Brasil ainda tem jeito.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (54)

"Estou ouvindo passos, quem será?", matutou Barrica. "Deve ser o seu Assis. Se for, deve estar atrasado. Mas deve ser...".
"Não, acho que não é o seu Assis. Estou ouvindo passos de duas pessoas. Sim, acho que são duas pessoas", disse em voz baixa, calmamente, quase soletrando as palavras, o poeta Zilidoro. 
Lampa aguçou o ouvido, resmungando: "Hmmm... Não estou gostando". Disse isso e levantou-se do tamborete em que estava. Passou a mão na barba ainda por fazer e adiantou-se à porta, deixando a mostra o seu inseparável punhalzinho. Na verdade, um punhalzão. "Que é isso, Lampa!?", indagou preocupado Mané. E Lampa: "Seguro morreu de velho...", respondeu num sussurro.
Ouviu-se um toc-toc. E mais um.
Zé, Biu e Jão levantaram-se em silêncio e ficaram como quê escondidos num pequeno compartimento da casa, junto à porta. Zoião engrossou a voz, dizendo: "Calma, calma. Já vou!".
Atrás de Zoião, Lampa deu um cutucão como sinal pra abrir a porta.
Porta aberta, Zoião perguntou: "Quem são vocês?".
Lampa adiantou-se, de voz e olhos firmes: "Sim! Quem são vocês?".
"Sou amigo do Assis e vim aqui a convite dele. E esse aqui ao meu lado é Marlowe", apresentou-se com naturalidade Marco Antônio Zanfra.
Nem acabara de dizer isso, de apresentar-se, Barrica olhando pela janela, disse: "Seu Assis está chegando. Estou vendo daqui!".
Zanfra e Marlowe foram-se acomodando.
Bom dia, pessoal. Tive um pequeno imprevisto, mas aqui estou. Olá Zanfra. O Marlowe é esse aí, que está ao seu lado?
Antes de Zanfra confirmar, o próprio Marlowe apresentou-se: "Sim, sou eu. E há muito eu queria conhecer o senhor. O Zanfra fala muito a seu respeito. Eu lhe admiro pelos livros e reportagens que escreve".
Gosto das suas incursões em busca da justiça, Marlowe. Sei que não é fácil ser detetive, principalmente quando se é competente e honesto como você. E sensível. Não é todo policial que gosta de Beethoven, Chopin, Debussy, Mozart, Rachmaninoff, Schubert e Prokofiev. "O Marlowe também gosta muito de Bach e de romances policiais, claro", emenda Zanfra já familiarizado com os meus botões. 
Metendo-se na conversa, Zilidoro foi dizendo que o seu mundo é o mundo da cultura popular. Que ama tudo que Patativa do Assaré escreveu, por exemplo. Diz também que Leandro Gomes de Barros é o seu mais admirado cordelista, ao lado de Silvino Pirauá e José Melo Rezende, esse último autor do folheto O Pavão Misterioso. Porém não deixou de citar cordelistas mais novos como Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Cacá Lopes, Luiz Wilson, Moreira de Acopiara e Marco Haurélio e que adora o mundo dos cantadores repentistas, mundo do qual se sobressaem o Cego Aderaldo, os irmãos Batista, Ivanildo Vila-Nova e Oliveira de Panelas. 
Lá no fundo, Lampa deu uma tossida.
"Ia-me esquecendo dos personagens do nosso querido Nordeste, como Padre Cícero, Luiz Gonzaga e Lampião", acrescentou orgulhoso Zilidoro.
Jão pediu a palavra querendo saber detalhes da vida de Marlowe: "Além de fazer investigação, eu quero saber que mais faz da vida".
Meio sem jeito, Marlowe disse que está aposentado. Zanfra emendou, na gozação: "Aposentado porque é um besta. Não fuma, não tem vícios maiores. Mas enxuga álcool que nem uma esponja. Se riscar um fósforo perto dele é capaz de explodir!".
A explicação de Zanfra provocou uma risada geral, no ambiente. 
Bom pessoal, é isso aí. Zanfra é jornalista e escritor e Marlowe amigo dele. Marlowe é fácil de se encontrar nas páginas dos livros As covas gêmeas, A rosa no aquário e O beijo de Perséfone. No mais convido a todos para acompanhar comigo o jogo Brasil x Croácia, amanhã 9.
"O meu palpite é que o Brasil vai dar de 3 a 0 na Escócia", arriscou Barrica.
 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

PODCASTS DISCUTEM O BRASIL

 
A revista Piauí é uma revista ótima, de leitura necessária, que vai às bancas todo mês. Pode se dizer até que já é antiga, pois foi lançada em outubro de 2006. A sede da redação fica no Rio.
Em 2018 foi lançado o podcast Foro de Teresina, que é ligado umbelicalmente à Piauí. Apresentado pelos jornalistas Fernando de Barros e Silva, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky. A produção é da rádio Novelo.
O Foro de Teresina discute os problemas gerados pela política, no Brasil. É cáustico. Necessariamente cáustico. É o exato contraponto do Medo e Delírio em Brasília.
Medo e Delírio em Brasília tem a produção e apresentação de Pedro Daltro e Cristiano Botafogo.
Como o Foro de Teresina, Medo e Delírio em Brasília trata a bizarrice gerada por políticos sem vergonhas do País. Com um detalhe: é cheio de graça, por inserir aqui e ali palavras de baixo calão quase sempre engasgadas no gogó do povo. Nota 10!
O Foro de Teresina vai ao ar toda sexta-feira, via Internet.
Medo e Delírio em Brasília vai ao ar todas terças e sextas, também via Internet.
O número de dezembro da revista Piauí já se acha nas boas bancas. Como sempre, boas reportagens tem chamada na capa. E até gracinhas tem como leitura: "Esposa Michelle: Jair, vamos levantar da cama, por favor? Já faz 15 dias e nem o lençol você trocou...".
Não sei se tem a ver, mas ontem o maridão da Michelle apareceu em público com os olhos inchados, marejando. O quê que há, hein?
O natal está chegando. O que Papai Noel trará de presente para Bolsonaro? Hmmm...
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

BOLA NA REDE E OURO NO BUCHO

O cartunista Fausto registra a seu modo a partida Brasil x Coreia do Sul
 
O povo do mundo todo, ou parte do povo do mundo todo, esquece suas raivas e pobreza quando o time da sua predileção marca um gol contra o time adversário. Isso também ocorre no Brasil, é claro.
Já passou o tempo em que os árbitros eram chamados de felasdaputa. Agora são ladrões, simplesmente ladrões. E pra tirar dúvida, foi implantado um mecanismo chamado VAR.
O VAR é o tira-teima supremo. 
Até agora, ninguém ousou discutir as decisões supremas do VAR.
O VAR é aplicado em quase todos os jogos de futebol, no Brasil e na casa do chapéu.
O Brasil para, praticamente, toda vez que a seleção nacional entra em campo. Não foi diferente hoje 5.
A seleção de Tite enfrentou o time da Coreia do Sul, no Catar. No primeiro tempo, 4 x 0. No segundo, os coreanos do sul diminuíram em 1 o placar.
Os gols do Brasil foram marcados, pela ordem: Vini, Neymar (de pênalti), Richarlison e Paquetá.
O primeiro gol do Brasil contra a Coreia do Sul foi dedicado a Edson Arantes do Nascimento, Pelé. Que agradeceu do quarto do hotel em que se encontra, na Capital paulista.
No Brasil e no mundo, os pobres continuam pobres e os ricos, mais ricos.
Futebol dá muito dinheiro, é sabido.
Daniel Alves, com seus 39 anos e já considerado "velho" para a bola, embolsa todo mês cerca de 160 mil reais. É pouco, não é? Coisa pra aposentado.
Enquanto dito essas benditas linhas, ouço notícia dando conta que alguns jogadores e ex-jogadores brasileiros pagaram mais de 3 mil reais para comer carne com ouro. Não entendi direito, mas é o que diz a notícia. Leiam: Jogadores da seleção comem carne folheada a ouro no Qatar
Se for verdade a notícia, arrisco a pergunta: esses carnívoros estão investindo em quê ao comer ouro?

domingo, 4 de dezembro de 2022

FUTEBOL, UMA HISTÓRIA CONTADA EM MUITOS LIVROS (2, FINAL)

A Copa de 1958 mereceu pelo menos dois grandes clássicos: Escola de Feola e A Taça do Mundo é Nossa, essa gravada pelos músicos que integravam o sexteto Titulares do Ritmo. Todos cegos. Esses músicos, segundo o papa da bossa nova João Gilberto, formavam uma orquestra de cordas vocais e cantavam à capela. Naquele ano os destaques em campo foram todos, incluindo Djalma Santos.
A Copa de 1962 rendeu o belíssimo Frevo do Bi, gravado pelo paraibano Jackson do Pandeiro. Pelé machucou-se e a grande estrela em campo foi o anjo de pernas tortas, Garrincha.
A Copa de 1970, a do tri, foi embalada pela marchinha Pra Frente Brasil, usada e abusada pelos ditadores de plantão, à frente Médici. Pelé e Rivelino foram elevados ao grau máximo da glória.
A Copa de 1994 foi a que rendeu menos músicas. Duas ou três marcaram presença nas lojas de disco e rádio. Entre essas, Coração Verde e Amarelo. O destaque em campo foi Romário.
Em 2002 o número de músicas feitas pra estimular os torcedores também foi muito pequeno. Inexplicavelmente, até porque foi o ano que a nossa seleção faturou o pentacampeonato. Aqui e acolá ouviu-se Brasil Pentacampeão. O grande craque em campo foi Ronaldo Fenômeno.Copa de 2022 em andamento. O Brasil estreou no Catar, contra Sérvia. Richarlison foi o herói do dia, marcando 2 belos gols.
Todo mundo tem uma história pra contar, inclusive no campo do futebol.
Eu comecei a gostar do Flamengo e do Corinthians, por razões bobas. Li em algum lugar, num tempo que já não lembro, que o escritor mineiro Guimarães Rosa era Mengo e dizia que ser Mengo era ser inteligente. Ora, ora.
Em São Paulo escolhi o Corinthians por ser considerado o time do povo.
Antes de torcer pelo Flamengo e pelo Corinthians, eu torcia pelo Botafogo de João Pessoa, PB. O cantor e compositor Geraldo Vandré torce por esse time até hoje.
O cartunista Fausto é fiel torcedor do Botafogo. Mas esclareça-se, Botafogo do Rio. Ele conta que seu gosto pelo Bota carioca deve-se a Garrincha. Ele: "Eu tinha uns dez anos de idade quando comecei a frequentar a barbearia de um tio meu, Antônio, em Reginópolis, SP. Eu ficava folheando O Cruzeiro. Nessa revista eu via fotos de Garrincha atuando na Copa de 62. Passei a admirá-lo. Ele era botafoguense".
O Brasil é o único país pentacampeão de futebol do mundo.
A história do futebol, no Brasil, é contada em centenas de livros.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.
Ilustrações de Fausto Bergocce.

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