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sábado, 12 de novembro de 2022

NOSSO MUNDO ESTÁ DOENTE, ENTUBADO (1)

Morre sorte, morre vida
Morre fé, morre esperança
Morre fim, morre começo
Morre paz, morre bonança
Morre tudo, nada fica
Só a dor da má lembrança

Morrem homens e mulheres
E crianças nas esquinas
Morre dia, morre noite
Nos morros, nas colinas
Morre tudo que se mexe
No rico solo de Minas

Mariana se repete
Com dor e muito espinho
O povo de Deus precisa
De amor e mais carinho
Por quê morre tanta gente
D'uma vez em Brumadinho…?


Que o mundo está perdido, está. Desde sempre. Desde Noé, que tentou salvar as espécies naquele diluviano bíblico.
A história do fim do mundo se acha em todo canto, mas ainda pode ser tempo de salvar essa história. Quem sabe?
O Cristo veio à Terra e à terra foi sepultado depois de torturado e morto cravado numa cruz.
Terremotos, maremotos e tsunamis a todos nos assustam.
Os mares continuam subindo de nível, assustadoramente. A temperatura, também.
O planetinha Terra está se afunhenhando rapidamente.
Toneladas e toneladas de lixo são expelidos anualmente nos mares.
O Atlântico e seus pares, que são sete, estão pedindo socorro a cada segundo em que se espraiam. E nós, nem não.
E os rios, hein?
Milhares e milhares de rios e riachos que os acompanham gemem correndo em direção aos mares.
O verde das águas marinhas mudam de cor a cada instante. Ao mudarem de cor, exalam o fedor que acolhem das águas dos rios. Da gente, das gentes.
Dos céus caem chuvas tóxicas. Com elas, pedaços de coisas quase sempre não identificadas.
E os ventos, hein?

O vento sou eu
O vento sois vós
Sem os ventos ventando
O que será de nós...?

A questão ambiental é uma questão mundial que a todos nos toca.
O mundo está doente, gravemente. E o Brasil, também.
Para que o nosso planetinha possa um dia se salvar é preciso que contribuamos de alguma maneira. Por exemplo: parar de jogar uma latinha de cerveja na rua ou uma garrafinha contendo água, leite ou sei lá o quê.
Domingo 6 foi inaugurada no Egito a COP-27.
A COP é um tipo de conferência promovida pela Organização das Nações Unidas. Reúne quase todos os 200 países identificados e com banca na ONU. O objetivo é discutir as questões climáticas sob todos os ângulos. O número 27 representa o total de conferências realizadas até agora.
O Brasil tem grande importância nas questões referentes ao clima do planeta.
A temperatura está subindo a cada ano e a Terra, esquentando. O mar avançando.
Essa é uma questão importantíssima para debate.
A Amazônia é o pulmão do mundo?
O meio ambiente tem sido discutido com intensidade e isso já faz tempo, e de todas as formas.
Desde o século 19, os autores realistas têm abordado a questão.
A questão seguiu como tema dos luteranos do século 20.
Vale a pena ler o romance A Bagaceira, do paraibano José Américo de Almeida; O Quinze, da cearense Rachel de Queiroz e também Vidas Secas, do alagoano Graciliano Ramos.
Os poetas populares Leandro Gomes de Barros e Patativa do Assaré também abordaram a temática que faz doer até hoje o coração do povo nordestino.
Há muito o povo do Brasil do fundão anda esquecido pelos poderosos de plantão, incluindo Pedro II que chegou a jurar a se desfazer até da última pérola da sua coroa em prol das assassinas secas seculares.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

TINÉ E A ARGENTINA: UMA HISTÓRIA DE AMOR

Tiné, Flávia e Teodoro, numa visita à
Casa Rosada
O jornalista pernambucano Flávio Tiné (85) é daqueles que a gente guarda com carinho e respeito na caixa do peito.
Conheço Tiné há muito tempo, desde quando trabalhei na TV Globo. À época ele era o bam-bam-bam da assessoria de imprensa do complexo HC, Hospital das Clínicas.
Figura incrível é o Tiné.
Foi não foi, Flávio Tiné dá o ar da sua graça cá em casa. Ele sempre me possibilita bons momentos.
Flávio Tiné acaba de voltar de um giro pela Argentina. Esteve acompanhado da filha Flávia, do filho Paulo e do neto Teodoro. Do povo argentino, ele próprio quem fala: "Encontrei um povo alegre e tranquilo, sem a neurose de que se fala. Uma gente educada, alegre, cumpridora de suas obrigações sociais, de vestes despojadas. Apesar da crise financeira, não demonstravam preocupação e lotavam os restaurantes, com mesas e cadeiras nas calçadas. Fui muito bem tratado em todas as oportunidades que ousei falar o Portunhol. No mínimo, era tratado com amável sorriso".
Eu estive na Argentina há alguns anos, ainda quando meus olhos viam cores, gente e tudo o mais. Gostei muito de Buenos Aires e de outras localidades. Fui muito bem recebido pela direção da Biblioteca Nacional. Tiné disse que também adorou Buenos Aires e até tomou um vinhozinho lá deles, diga-se de passagem.
Além de visitar Buenos Aires Flávio Tiné visitou Santa Fé, La Plata e San Isidro. Ele, sobre La Plata: "A 56 km de Buenos Aires, La Plata tem uma característica singular: ruas planejadas e numeradas, que se iniciam numa praça e são cortadas por diagonais. Adorei. Na praça principal, Moreno, em homenagem a Mariano Moreno, encontra-se a Catedral de um lado e a prefeitura, de outro. Na praça, estátuas de figuras históricas".
A visita de Tiné à Argentina durou 8 dias e por esse período pagou sua estadia num hotel a quantia de apenas 1 mil reais. 
A inflação na Argentina está beirando à estratosfera.
O filho de Tiné, Paulo, se acha na Argentina ministrando um curso na Universidade de Santa Fé, com todas as mordomias possíveis. "Adorei a Argentina. Pretendo retornar a esse país o mais breve possível. A Argentina é um país lindo!".
Pedi a Tiné que me encaminhasse fotos dando conta da sua presença no país vizinho.

Paulo, Tiné, Flávia e Teodoro numa visita às beiras do Rio Paraná

JOSÉ NÊUMANNE HOMENAGEIA BOLDRIN NUM POEMA

Assis e José Nêumanne, numa noite de autógrafos

José Nêumanne Pinto é paraibano da terra de Erundina, Uiraúna, cidade localizada a 476km da capital João Pessoa. Fica ali no Alto Sertão. Zé Nêumanne, como os amigos o chamam, é jornalista dos bons e poeta excepcional. Tem vários livros. Em 1999 eu e Zé Ramalho gravamos num CD (capa ao lado) um poema dele: Desafio de Viola Repentina e Guitarra Cética (ouvir abaixo).
O próximo livro de José Nêumanne, Antes de Atravessar (Ibis Libris), trará um poema muito bonito que ele fez em homenagem ao amigo cantor, compositor e ator Rolando Boldrin. Não deu tempo para o homenageado ouvir o poema do Zé, Mas os leitores deste Blog têm agora essa oportunidade. Foi o autor que nos mandou:

SR. BRASIL, PRAZER E PENA
O Brasil é isso aí mesmo, Fernando Henrique Cardoso para João Moreira Salles

O Brasil é isso aí:
munganga de sagüi,
muqueca de siri,
delícia de abacaxi
e licor de pequi.
O Brasil é isso mesmo:
um índio a esmo,
um negro forro,
tutu com torresmo.
O Brasil é isso:
um enguiço,
chouriço,
espinho de ouriço,
ex-voto e feitiço,
uma flor em pleno viço.
Tem bê de bola,
bunda rebola,
bê de Boldrin,
banzo de branco,
ordem no tranco
e progresso pra banco,
muleta de manco.
Erre de rói couro,
a rota do ouro,
erre de Rolando
e Rolando Lero,
de rato e rei,
duplo em errei.
Parece que acabou
e nem sequer começou.
A de Alagoas e Alagados,
A de açude,
vício e virtude.
Esse só de sol e sal,
de safo e sacana,
mas sobretudo de sacripanta
mesmo esse de santa.
Esse de sonho
bom ou medonho.
I de inocente,
como parece a nossa gente,
de ilusão e injúria,
de ignara incúria
e ingênua luxúria,
nosso importuno infortúnio.
Ele de lenga-lenga,
leve e molenga,
também de lama,
um lindo drama.
Ele de lado,
o lado bê da fama.
Ele de Lampião,
lutas e loas
no mar do sertão.
Ele de ladrão,
pelo menos algum há.
Ele de louco,
cada um tem um pouco.
Ele de luz,
Axé, Jesus.
Sr. Brasil, prazer e pena,
ele é fugaz,
ela é pequena.
Torno ao degredo,
nunca fui sério.
Morro de medo,
vivo um mistério.
Levo um segredo
pro cemitério.
Sr Brasil, pena e prazer:
a pena é capital,
e o prazer, mortal.

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

HOMEM DEVE CHORAR, SIM!

 Cresci ouvindo a frase que por muito tempo me acompanhou: "Homem não chora!".

Descobri no correr do tempo, e já em São Paulo, que choro alivia qualquer dor que um homem possa um dia sentir. Essa descoberta ocorreu quando eu tinha vinte e poucos anos de idade. O que me levou a isso não vem ao caso. Adianto, porém, que não houve mulher nessa história, ao contrário do que diz a letra do bolero Os homens não devem chorar, de Palmeira e Mário Zan. 

Mas chorar por mulher, também vale a pena. E por homem também, sei lá!

O tema choro trago ora aqui porque acabo de ouvir no rádio um chororo danado de bonito expresso por Lula, há poucos dias eleito novo presidente do Brasil. Ele dizia, entre soluços, que se findasse o mandato com café, almoço e janta na mesa do povo, dar-se-ia feliz, "Com a missão cumprida".

Pois é, choro faz bem.

 

BOLDRIN PARTIU SEM COMBINAR


O dia 9 de novembro de 2022 foi um dia brabo, barra pesada. Nesse dia, de frio e calor em São Paulo, partiram para a Eternidade a baiana Gal Costa e o paulista Rolando Boldrin.
Conheci Gal no tempo em que eu ainda morava em João Pessoa, PB. Tudo muito rapidamente, no centenário teatro Santa Rosa, que ficou lotado por meio mundo que queria vê-la cantando. O trânsito parou e foi tudo muito bonito. 
Gal Costa deixou um repertório constituído de 1.080 músicas, incluindo sambas, forrós, baiões e tal. Ela gravou Trem das Onze (Adoniran Barbosa) e Assum Preto (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), entre outros gêneros e ritmos.
Boldrin eu o conheci de perto.
Em 1993 ele e eu fomos chamados pela direção da extinta Continental para produzirmos uma série de discos sob o título geral de Som da Terra. Ele passou lá em casa e dirigindo me levou no seu carro até a sede da gravadora, que era ali na avenida do Estado. Durante uma reunião, Boldrin pediu uma grana alta. Não toparam pagar e ele não topou fazer a série, que ficou comigo. O resultado, que saiu em 1994, foi um pacotão com 26 CDs, 26 LPs e 26 fitas K-7.
Iniciei a série Som da Terra reunindo os principais violeiros de São Paulo. O primeiro deles, o pioneiro Cornélio Pires. A série encerrei com um disco contendo um belíssimo repertório de Boldrin. Ele gostou. Disse que adquiriu o CD em Nova Iorque, pois estava de férias.
Em 2006, Boldrin levou-me ao palco de onde gravava o seu Sr. Brasil. Plateia lotada, foi ele dizendo: "Esse cabloco aqui é muito bom. É Assis Ângelo, que vocês já conhecem".
Confesso que não sou muito tímido, mas ali ouvindo Boldrin dizer o que disse, acabrunhei-me.
Antes, poucos anos antes, convidei Boldrin a participar do programa São Paulo Capital Nordeste. Esse programa, líder de audiência na rádio Capital (AM 1040), era por mim apresentado nas noites de sábado. Ele foi e levou a tira colo uma garrafa de vinho que bebeu todinha enquanto eu transmitia o programa, ao vivo.
A partida de Boldrin para a Eternidade foi uma partida não combinada.
Rolandro Boldrin e Júlio Medaglia
nos estúdios da TV Cultura

Conversando ontem 9 à noite com o maestro Júlio Medaglia, ouvi: "Pois é, compadre. O dia foi pesado, mesmo. De manhã nos deixou a Gal e à tarde, Boldrin".
Medaglia teve importância fundamental na construção do movimento Tropicalista. Caetano frequentava sua casa, cá em Sampa. Gal, também. Ele lembra que Gal, muito novinha, costumava sentar-se muito à vontade no chão da sua casa. Cruzava as pernas e o vestidão enfeitava tudo. 
Quanto a Boldrin, o maestro conta que o ouvia frequentemente nos corredores da Cultura: "A última vez, faz uns três meses. Se tanto. Tiramos uma selfie (ao lado)".
Fica o registro.
Ah, sim! Ia-me esquecendo: há uns 3 meses eu compus Sr. Boldrin, em homenagem ao amigo. Veja:



LEIA MAIS: SR. BOLDRIN, O MELHOR DA TV (1) • SR. BOLDRIN, O MELHOR DA TV (2, FINAL) • MAIS CAUSOS DE BOLDRIN EM NOVO LIVRO • VIVA BOLDRIN, VIVA A CULTURA POPULAR • VIVA O OITENTÃO BOLDRIN!

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

MORTE DE GAL ENLUTA O BRASIL


Eu nunca tive medo da morte, nunca tive. Tive medo de ficar cego, fiquei. Dos olhos. 
Eu sinto a presença da morte quando ela ataca pessoas, artistas, como a cantora soteropolitana Gal Costa. 
A morte de Gal, ocorrida na manhã de hoje 9, pegou de surpresa o Brasil bom, do bem, sensível. Agora mesmo ouvi na rádio CBN a colunista de Política Vera Magalhães chorando. Pouco antes, na mesma emissora a colunista de Economia Miriam Leitão falando sobre Gal entre soluços.8
Gal Costa integrava a grande linhagem de cantoras brasileiras, entre as quais Dalva de Oliveira e Elis Regina. Desse mesmo time participavam também Elizeth Cardoso e Bidú Sayão. 
Gal Costa, de batismo Maria da Graça Costa Penna Burgos, começou a carreira inaugurando um teatro em Salvador, com o show Nós, Por Exemplo . Isso em 1964, em companhia de Caetano Veloso e Tom Zé. Tinha 19 anos de idade. Em 1964 estreou num compacto simples interpretando as músicas Vim da Bahia (Gil) e Sim, foi você (Caetano).
A voz de Gal Costa era uma voz com tom, digamos, de cristal. O Jô Soares chegou a dizer isso, quando a entrevistou. 
Gal, como poucas cantoras, aliava técnica e canto com incomparável talento.
No começo dos anos de 1970, Gal apresentou-se ao Brasil inteiro cantando Meu nome é Gal. O autor dessa obra são dois: Roberto e Erasmo Carlos. A letra é uma jóia: 
Meu nome é Gali
E desejo me corresponder 
Com um rapaz que seja o tal
Meu nome é Gal

E não faz mal
Que ele não seja branco, não tenha cultura
De qualquer altura, eu amo igual
Meu nome é Gal

E tanto faz
Que ele tenha defeito
Ou traga no peito crença ou tradição 
Meu nome é Gal, eu amo igual 
Ah, meu nome é Gal

Essa música foi feita a pedido do empresário Guilherme Araújo (1936-2007).
Meu nome é Gal é o título do longa metragem de Dandara Ferreira, que já foi feito e está no processo de edição e 1montagem. Caetano participa dele.
A estreia desse filme está programada para o primeiro trimestre de 2023.
Gal morava no bairro paulistano de Higienópolis e sofria de câncer. A causa mortis, porém, ainda não foi oficialmente anunciada.
 

DISCOS VOADORES NO CÉU DO BRASIL

Os discos voadores continuam singrando no céu do Brasil. Domingo 6 e Terça 8, pilotos e copilotos de duas aeronaves da Azul e da Tam garantiram à torre que seus olhos viram estranhos objetos em movimento, na barra do horizonte. Os aviões estavam seguindo a Porto Alegre, RS.
Muita gente, famosa inclusive, já disseram que não só viram discos voadores como por seus ocupantes foram abduzidos.
Eu mesmo nunca vi um disco voador, estou acostumado é a ouvir disco de 78rpm e LPs de 8 e 12 polegadas.
Em 1978 entrevistei um cara considerado papa no assunto: Erich Von Däniken (registro ao lado).
A entrevista com Däniken publiquei no caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo. Depois, no dia 8 de julho do mesmo ano, publiquei no Jornal de Verdade. Esse jornal, do município paulista de Carapicuíba, era por mim editado. 
Como eu disse, muita gente garante de mãos postas terem visto e até viajado em discos voadores.
O mundo da música popular está recheado de belas composições que tratam do assunto. Oliveira de Panelas é autor de um belo decassílabo intitulado Esses Discos Voadores/Me Preocupam Demais. Essa composição foi gravada por vários cantores, entre os quais Zé Ramalho. 
Eu, hein!

terça-feira, 8 de novembro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (53)

Oi, pessoal. O dia foi cansativo, não deu pra gente fazer aquela conversa de manhã. Aquela de sempre.
"Seu Assis, o senhor está muito formal hoje, tenso", interrompeu Barrica. "É mesmo, o seu Assis está meio esquisito", concordou Biu.
Vocês são suspeitos. Vocês são irmãos... Barrica: "Nada não, mas que o senhor está diferente hoje está!".
"Pensando bem, Barrica e Bil têm razão. O que é que há, seu Assis?", perguntou com muita calma Zilidoro. 
Vocês estão alterados, procurando pelo em ovo. Procurando confusão onde não há. Estou tranquilo... "Tranquilo uma ova!", ousou berrando do seu canto o Jão. 
Ai, ai, ai. Esses meus botões são do balacobaco, como diria a minha versão feminina Flor Maria.
O botão alagoano Zé, até então em silêncio,  levantou a mão pedindo palavra. Disse: "Pessoalmente, acho que o Brasil está afunhenhado. E se o seu Assis está desse jeito, um tanto macambuzio, é compreensível. Tem de ser compreensível!".
Hummmm... Obrigado, Zé. Devo dizer que ando preocupado, sim. Politicamente falando. Lula ganhou, por um Brasil melhor. O outro, seu adversário, perdeu e tem mais é que se recolher a sua insignificância. 
"Eu não ia falar nada, mas diante da explicação do Zé eu só posso dizer que a preocupação do seu Assis tem a ver com a preocupação dos brasileiros de bem", disse Zoião quebrando o jejum do seu silêncio. E Mané: "Oba! Oba! Concordo,  concordo!".
Foi falando o que falou Mané e, inesperadamente, ouviu-se um toc, toc. Silêncio. Barrica: "Quem será?". Todos parados, ouvidos atentos. De novo toc, toc. Barrica pediu licença pra atender a porta. Nem preciso foi abrir a porta, pois a porta já estava sendo aberta e ali apareceram duas figuras: uma conhecida e outra desconhecida.
"Lampa! Lampa!Lampa!", disseram irradiantes todos os botões. 
"E aí Lampa, por onde você andou?", perguntaram alegres cheios de saudades todos os botões. "Depois eu conto, depois eu conto", prometeu Lampa com a voz um tanto cansada e puxando de uma perna engessada com o auxílio de uma muleta. Barba enorme. 
"Coitado...", murmurou Mané. 
Ao ouvir o murmúrio do Mané, Lampa gritou com voz estridente: "Coitado é a puta que pariu!".
Ao gritar "puta que pariu" Lampa indicou com o dedo a pessoa que o acompanhava. E disse: "Esse aí é meu amigo. O nome dele é Davi de Almeida. Repórter cinematográfico do caralho!". 
Meio perdido, sem jeito, Davi disse simplesmente que "Esse Lampa é fantástico!".
Bom, pessoal, tanta coisa pra contar e nos perdemos no caminho. O que os fanáticos bolsonaristas estão fazendo contra o Brasil é algo completamente surreal. No pior dos sentidos, diga-se de passagem. 
"Seu Assis, o que o senhor achou da lista do Tite?", perguntou Zilidoro. E eu: O Daniel Alves já poderia estar curtindo a tranquilidade da sua vida. Pois, enfim, já está com 39 anos. 
Lá no fundo da casa, ouço uma voz provocadora: "Se esse aí foi chamado pra defender a nossa seleção de futebol, por que seu Assis não foi chamado também?". 
Hummmm esses meus botões...

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

PAÍS DE SANFONEIRO. VIVA CHIQUINHO DO ACORDEON!

O Brasil é um país com grande predominância de sanfoneiros, de Sul a Nordeste, de Sudeste a Centro-Oeste. No Sul nasceu Romeo Seibel chamado de Chiquinho do Acordeon, contemporâneo de Pedro Raymundo. E muitos e muitos mais, Teixeirinha inclusive. E Gaúcho da Fronteira, mais recentemente. Sem falar no pioneiro Moisés Mandadori.
O Nordeste deu Luiz Gonzaga e, antes dele, o pai Januário. E Dominguinhos. E antes, Sivuca. Sem falar em Pinto do Acordeon e do baiano Pedro Sertanejo, pai do carioca Oswaldinho do Acordeon. E por aí vai.
Chiquinho do Acordeon marcou época depois que trocou sua cidade, Santa Cruz do Sul, pelo Rio de Janeiro em 1949. Tinha 21 anos de idade, à época. O primeiro disco que gravou foi um de 78RPM, com os chorinhos Casca Grossa e Sereno. Fez-se acompanhar do Regional de Claudionor Cruz. Passados dois anos, juntou-se aos grandes violonistas Garoto e Fafá Lemos. O resultado foi a formação do Trio Surdina. Esse Trio gravou belas músicas de Ary Barroso e Dorival Caymmi.
Após centenas de gravações em estúdio, acompanhando outros artistas, Chiquinho andou pela Itália, França, Portugal, Inglaterra e outros países, integrando a III Caravana de Artistas criada pelo cearense Humberto Teixeira, ao tempo que era deputado federal.
Em 1989, Chiquinho do Acordeon tomou para si a responsabilidade de fazer o arranjo daquele que seria o último LP do rei do baião Luiz Gonzaga, Aquarela Nordestina. Esse disco foi à praça através da extinta gravadora Copacabana. Curiosidade: todas as faixas desse LP, traz o som mágico da sanfona de Chiquinho e não de Gonzaga, como todo mundo pensa.
Eu não me lembro direito em qual emissora me achava, mas lembro que Dominguinhos telefonou para mim dando a triste notícia do passamento de Romeo Seibel, o Chiquinho. Isso foi no dia 13 de fevereiro de 1993.
Chiquinho nasceu no dia 7 de novembro de 1928.
Vamos ouvir o LP Aquarela Nordestina?

domingo, 6 de novembro de 2022

HÁ 120 ANOS NASCIA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

"Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder".
A frase aí é do jornalista, contista, cronista e poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade.
Drummond, que nasceu no dia 31 de outubro de 1902, deixou uma obra de grande importância para a cultura literária brasileira. Preocupava-se com as questões sociais do seu tempo e não omitia-se nas questões de cunho político. Mesmo sem disputar nenhum cargo eletivo, tinha ampla visão sobre o que ocorria na Câmara e no Senado. E nas ruas. Em todo canto. Foi, aliás, chefe de gabinete do deputado Gustavo Capanema (1900-1986).
Capanema, que era mineiro como Drummond, foi o primeiro e mais longevo ministro da Educação (e Saúde Pública).
No livro Rosa do Povo (1945) Drummond aponta em versos os problemas reais que o Brasil vivia à época, incluindo os reflexos da 2ª Guerra Mundial.
O crítico austríaco Otto Maria Carpeaux (1900-1978), amigo do romancista surrealista Franz Kafka (1883-1924), classificou Drummond como “o poeta público”.
O primeiro livro de Carlos Drummond, Alguma Poesia, foi lançado à praça em 1930 por iniciativa dele próprio que bancou os custos editoriais para uma tiragem de apenas 500 exemplares. Fez o mesmo que fizera, em 1912, o paraibano Augusto dos Anjos.
Eu, de Augusto, teve tiragem igual ou inferior ao livro de Drummond.
Drummond é por muita gente considerado um modernista.
Em 1922, Carlos Drummond de Andrade tinha 20 anos e alguns textos publicados no jornal Diário de Minas, do qual seria redator chefe. Entre esses textos os contos se achavam Rosarita (1919) e Joaquim do Telhado (1922). Não eram grandes coisas.
 

 
Os seus primeiros e mais conhecidos poemas são No Meio do Caminho e Quadrilha.
No Meio do Caminho, publicado pela primeira vez na Revista de Antropofagia, ano 1 nº 03, SP, é este:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Particularmente, eu gosto muito da obra de Carlos Drummond. Acho fundamental, pra quem gosta do que é bom, o texto De Notícias e Não Notícias Face a Crônicas. Esse texto eu o li por volta de 1975. Está no livro Reunião, cuja primeira edição data de 1969.
Também de extremo bom gosto é o poema A Máquina do Mundo, que se acha no livro Claro Enigma (1951), inspirado no último dos dez Cantos do épico camoneano Os Lusíadas (1572).
Drummond foi um autor múltiplo, de textos encantadores. Na poesia, nem sempre seguia a métrica. Gostava de versos livres, brancos. Era um prosador poético. Eu o entrevistei num dia qualquer de dezembro de 1979. O texto foi inserido numa edição especial do extinto suplemento Folhetim, do paulistano Folha de S.Paulo, que punha em discussão a literatura brasileira da década de 70. Saiu no dia 13 de janeiro de 1980.
Comecei falando da visão social e política que o mineiro Drummond tinha. Falei da sua passagem pelo gabinete de Capanema (governo Vargas; 1930 - 1945). Esqueci de dizer, porém, que ele teve uma passagem rápida pelas fileiras do Comunismo, cooptado que foi pelo Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes.
Lembro que perguntei a Drummond o que achava do Partido dos Trabalhadores, PT, que estava se formando. E ele: "Homem de partido é partido".
Uma vez no Pasquim saiu matéria dando conta de que Lula resolvera ler o poeta. Título: Estamos Salvos! Lula vai ler Drummond.
E não custa dizer: vários poemas de Drummond foram musicados e como tais gravados em disco. Num desses o clássico José na voz do pernambucano Paulo Diniz. A gravação original foi lançada em 1972, há exatamente 50 anos.
 

No ano do centenário de nascimento de Drummond foi inaugurado, em Copacabana, um monumento em sua homenagem. Em bronze. Os óculos que ilustram o monumento já foi roubado 13 vezes. A última em abril deste ano de 2022.
Carlos Drummond de Andrade morreu no dia 17 de agosto de 1987, no Rio.

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora.
Colagem do cartunista Fausto Bergocce.

sábado, 5 de novembro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (52)

Barrica entra nervoso carregando um jornal na mão, lendo quase gritando: "O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, foi hostilizado e acuado num restaurante por bolsonaristas enfurecidos na cidade de Porto Belo, em Santa Catarina...".
"Chega! Chega! Chega, Barrica! Essa confusão aí aconteceu quinta dia 3 passado", interrompeu por sua vez o botão Biu, irmão de Barrica. "O negócio tá feio, feio mesmo! No dia 30, dia da eleição, uma criança de 7 anos por pouco não morreu sufocada por um bolsonarista desclassificado", contou ainda tenso o botão Jão. "É, a coisa tá feia. O menino aí chegou a desmaiar e a ser levado às pressas para o hospital. Felizmente escapou, mas é coisa que não pode acontecer no nosso País", acrescentou o botão alagoano Zé.
"E em Jundiaí, hein?", perguntou contrariado Zoião.
"Em Jundiaí, estudantes foram atacados quinta passada por uns desocupados que fazem de Bolsonaro o seu deus", disse Mané.
Lá no seu canto, quieto, Zilidoro parecia matutar. Devagar, levantou-se. E com ar professoral, quase medindo as palavras, externou: "O Brasil escolheu Lula para nos governar. Lula chega e pega o nosso País esculhambado, ferido, respirando via tubos hospitalares. Mas, depois da tormenta, vem a calmaria. A paz".
Não tive como evitar, bati palmas. Você tem razão e a sua razão é a esperança que todos nós temos por um Brasil melhor. O Brasil vai melhorar sim! Sabemos que não vai ser fácil. É triste vermos brasileiros e brasileiras com opinião desbotada, sem rumo, sem fé... "São pessoas, seu Assis, que sofreram uma espécie de lavagem cerebral. Lembra do dito Maria-vai-com-as-outras?", disse Barrica.
Estou sentindo falta de alguém aqui. Onde anda Lampa?
"Lampa está no hospital desde a semana passada", informou Zilidoro. E eu: Mas por quê? O que foi que houve?
"Lembra, seu Assis, que quinta 27 o Lampa chegou aqui todo esbaforido chutando a porta e perguntando se aqui havia macho?", perguntou Zilidoro com ar de preocupação. E eu: Hmmm... Lembro. E ele: "Pois bem, ele chegou daquele jeito e deu-se mal: quebrou três dedos do pé direito. Além disso, ficou com a perna direita comprometida. O chute que ele deu na porta não foi brinquedo não".
"Mas ele está já completamente fora de perigo", informou Zoião com aquela cara de sei-lá-o-quê lambendo os beiços. "Lampa foi para o hospital, ficou três dias lá, recebeu alta e está em casa pagando pecado. Tem sentido muitas dores, mas comparando com a surra que levou dos bolsonaristas é fichinha", completou.
Muito bem, muito bem, é pra ele aprender a não ser tão espalhafatoso. Não é assim que devemos andar na vida. Tudo tem regra e regra tem que ser respeitada. Lula ganhou a eleição e é o novo presidente do Brasil. O Bolsonaro perdeu a eleição... "E tem mais é que ficar quieto, no seu canto, sem encher o saco de ninguém", interrompeu-me Mané. 
Bom pessoal, a boa notícia é esta que eu leio agora. Da CNN: "Rebeca Andrade conquistou, nesta quinta-feira (3), a medalha de ouro no Mundial de Ginástica, disputado em Liverpool, na Inglaterra, tendo 56.899 de nota total".
Zilidoro levantou-se, depois de pedir licença. Foi à geladeira, pegou água e bebeu. Biu e seu irmão Barrica fizeram o mesmo e dei por encerrada a nossa roda de conversa, lembrando que amanhã é outro dia.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

TRISTE FIM DE NÃO SEI QUEM

O escritor Lima Barreto legou ao Brasil histórias incríveis publicadas ora em folhetins, ora no formato de livros.
Dentre as histórias de Barreto, destaque para Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Triste fim de Policarpo Quaresma e Os Bruzundangas.
São histórias incríveis as histórias de Lima Barreto
Os personagens de Barreto são personagens tirados da imaginação e da vida real.
No livro Triste Fim de Policarpo Quaresma o autor misturou o real com a ficção e o resultado é uma obra-prima. Quaresma é, aparentemente, um personagem ingênuo ao extremo. Isso, ao extremo! Como funcionário público ganha pouco, vive sem luxo, com naturalidade, enfiado num sítio que comprou ao lado de uma irmã. É solteiro e tal. Politicamente é conservador e sonha com um Brasil feliz. É projeto seu trocar a língua portuguesa pelo Tupy-Guarany. Não dá.
No tempo vivido por Quaresma, que é o tempo do marechal Floriano Peixoto, muita coisa louca acontece no Rio de Janeiro. Até a Revolta da Armada, planejada e posta em prática por marinheiros insatisfeitos com os rumos do Brasil traçados por Peixoto.
As ideias de Policarpo Quaresma o levam a ser considerado louco e como louco, internado num hospício. Depois de uma temporada no hospício, o personagem volta para casa. E numa hora qualquer, insatisfeito com o levante dos marinheiros, apresenta-se ao Exército para combater os revoltosos. Mata um deles e agora é ele mesmo que se considera louco. Como se não bastasse isso, Quaresma é acusado de "traidor da Pátria". Condenado à morte, morre no fundo de uma prisão.
Hmmm...

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
 
A cadeia te espera 
Presidente predador
Hoje quem foge é caça
Amanhã é caçador
 
Ingenuidade à moda de Quaresma é alienação.
Há milhões e milhões de brasileiros e brasileiras alienados. A prova disso é o número absurdo de votos que o candidato a reeleição à presidência recebeu no 2º turno das eleições deste ano inesquecível de 2022.
Fred Ghedini e Assis Angelo durante a entrevista
Meu amigo, minha amiga, você já leu Os Bruzundangas, do nosso Lima Barreto? Sugiro leitura imediata. Tem tudo a ver com o que ora vivemos.
Lima Barreto publicou Os Bruzundangas no ano de sua morte, em 1922. Há 100 anos, portanto.
O texto de Os Bruzundangas continua atualíssimo.

ENTREVISTA

Ontem 3 andei falando pelos cotovelos, instigado que fui por colegas jornalistas. Falei de tudo e mais um pouco, inclusive sobre jornalismo. Do papo, ao vivo, participaram Leda Beck, Jorge Araújo, o cartunista JAL e Fred Ghedini, ex-presidente do Sindicato dos Jornalista no Estado de São Paulo. Durou três horas. Virge, como esse povo fala! Pra ver e ouvir o que falamos, clique:
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

GOLPE CONTINUA NO RADAR BOLSONARISTA

Como no romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro quebraram o pau pra ver qual ideia de um ou de outro o pai assumiria. Flávio defendia moderação e fala imediata de reconhecimento das urnas pró-Lula. O irmão Eduardo defendia ideia contrária, ou seja: que o pai aumentasse o tom e defendesse de modo mais explícito os seus apoiadores mais fiéis e radicais. No vira e mexe da hora, Bolsonaro optou pela ideia do filho senador. Michelle tentou entrar na história, mas ouviu um sonoro "CALA A BOCA!" de Carluxo.
A primeira fala do presidente Bolsonaro foi, digamos, uma fala insossa e com gosto de pão adormecido.
A segunda fala do presidente Bolsonaro foi, digamos, um pouquinho mais compreensível. Dessa compreensão subtrai-se a ideia de que o presidente está se retirando do palco sem, porém, abandonar a tática que imagina levá-lo à condição de absolutista.
O sonho de Bolsonaro, pesadelo para os brasileiros de bem, é subir nos tamancos e virar um Stroessner. 
O plano ditatorial de Bolsonaro há muito foi captado por quem analisa o jogo político.
O seu interesse pelo Totalitarismo é antigo. Desde que se entende por gente, diga-se. Estreou no campo da safadeza político-militar quando ainda nem alcançara a vida adulta. Era apenas um fedelho interessado em dedurar pessoas. Essa história é amplamente conhecida.
Lendo outro dia um ótimo texto do português Boaventura de Sousa Santos, publicado na edição de 31 de outubro no Jornal Público, descobri que não estou só na conclusão do que pretende Bolsonaro. Ele sai de cena, mas nos bastidores continuará cooptando radicais como ele na pretensão de transformar o Brasil num imenso quartel. 
Sobre isso, sobre o golpe que pretende aplicar, já falei bastante.
Boaventura, que é Diretor Emérito do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, começa o seu conclusivo texto dizendo já no primeiro parágrafo: "Neste domingo (30) tornou-se evidente que está em curso um golpe de Estado no Brasil. É um golpe de tipo novo, cujo curso poderá não ser substancialmente afetado pelo resultado das eleições, ainda que a vitória de Lula da Silva certamente afetará o seu ritmo".
Sem dúvida, a vitória de Lula não estava no radar bolsonarista.
Os últimos acontecimentos envolvendo Bob Jefferson, Carla Zambelli e, agora, os caminhoneiros levaram bolsonaristas ao descontentamento e frustração provocados pelo comportamento do chefe Bolsonaro.
Por sua vez, Bolsonaro está sendo aos poucos abandonado pelos timoneiros do Centrão. 
Há preocupação nas hostes bolsonaristas.
Seguidores de Bolsonaro e o próprio Bolsonaro temem prisão.
Envolvendo Bolsonaro há, no momento, 58 processos esperando a hora certa para serem devidamente concluídos. Estão no STF. Um desses processos pode levá-lo à prisão.
O professor Boaventura de Sousa no parágrafo antes de concluir o seu texto, diz:
O golpe de Estado continuado vai entrar numa nova fase. De imediato, será provavelmente a contestação dos resultados eleitorais para compensar o fracasso dos golpistas em não terem conseguido os resultados que pretendiam com as múltiplas fraudes que praticaram. Depois, o golpe assumirá outras formas, ora mais subterrâneas com a utilização do crime organizado para intimidar as forças democráticas, ora mais institucionais com a mobilização desviante do poder legislativo para criar uma situação de permanente ingovernabilidade, nomeadamente com a ameaça de impeachment do governo eleito e dos quadros superiores do sistema judicial.

Pois é, não podemos fechar os olhos diante das manobras de Bolsonaro e seus "soldados". 

Leia o texto completo do professor Boaventura de Sousa Santos, no clique: O golpe de Estado continuado

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

O BRASIL TEM JEITO

Até agora o atual presidente da República não falou com clareza se aceita ou não o resultado das urnas, pró-Lula.
O seu lamentável silêncio sobre a questão inquieta a maioria dos brasileiros e brasileiras. Essa inquietação aumenta com o movimento dos caminhoneiros que ocupam mais de 150 pontos das rodovias federais. A respeito, disse ontem 1º o presidente Bolsonaro:

"Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população".

No decorrer do seu mandato, Bolsonaro e apoiadores radicais descumpriram várias vezes artigos da nossa Constituição. Por isso e por outras razões foram enquadrados em processos que ganham cada vez mais especificidade jurídica.
O movimento dos caminhoneiros contra o resultado das urnas já rendeu mais de 5 milhões de reais em multas.
Nas redes circula um vídeo em que aparecem policiais rodoviários de braços cruzados e até batendo continência para caminhoneiros bolsonaristas. Notícias dão conta de que a Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal, PRF, está apurando os fatos.
A coisa é grave.
Ontem 1º torcedores corinthianos fizeram o que até então a polícia rodoviária não havia feito: desbloquearam parte da marginal do Tietê, a via expressa mais importante da Capital paulista.
A atuação dos corinthianos fez-me lembrar do movimento chamado Democracia Corinthiana, iniciado há exatamente 40 anos (1982-1984) e liderado por Sócrates, Casagrande, Wladimir, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon.
O Brasil tem jeito.
Ah! Sim: E a Michelle, hein?
Tudo indica que ela parou de acompanhar as postagens do maridão.
Nesse angú tem caroço, diria minha sábia avó Alcina.

ADOÇÃO

Lula e sua mulher Janja, futuros ocupantes do Palácio da Alvorada, adotaram uma cachorrinha. Nome: Resistência.

 

ENTREVISTA

Amanhã quinta-feira 03, estarei falando no Boteco APJor, da Associação Profissão Jornalista, programa online, pelas plataformas Youtube e Facebook. A entrevista começa às 16h. Temas: todos, incluindo jornalismo.

LIMA BARRETO, UMA HISTÓRIA DE BRASIL

No rigor, no rigor, não sei quando o mundo começou. 
Adão e Eva? 
Não, não, a rigor não sabemos quando o mundo começou. Não sei, não saberemos. É possível, porém, imaginar que o mundo possa ter começado com os sons das aves, das árvores, dos ventos e tudo o mais.   
E nesse mundo todo, cheio de gente de todas as formas e conteúdos, é possível identificar gente além de nós como Machado de Assis e Lima Barreto. 
Lima e Machado eram negros e, silenciosamente, brigavam entre si. 
Somos isso: nada ou quase nada.
Amo Machado e amo Barreto. 
Machado e Barreto comeram o pão que o Diabo amassou.
Cabeças incríveis!
Hoje, 1° de novembro de 2022, faz 100 anos que o brasileiro Afonso Henriques de Lima Barreto partiu para a eternidade.  
O legado de Barreto é a sua própria história. 
 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

O BOI NA CULTURA POPULAR

 

Os primeiros bovinos desembarcados no Brasil, precisamente na Bahia, vieram da Ilha da Madeira no ano de 1532.
Em 1534, já havia bois pastando e dando duro na capitania de São Vicente, SP.
O português Martin Afonso de Souza foi o primeiro bam bam bam a dar cartas no que é hoje o município de São Vicente.
Foi em São Vicente que surgiu o primeiro engenho de moagem de cana no Brasil.
A Nova Guiné é a terra de origem da cana de açúcar.
São muitos os tipos de cana-de-açúcar. Para os especialistas, a cana caiana é uma das mais doces e resistentes à pragas.
Foi por intermédio de Martin Afonso que a cana chegou ao Brasil.
A força humana e a força bovina fizeram do Brasil Colônia o maior exportador de cana do mundo.
A contribuição dos animais bovinos para o sucesso do Brasil no exterior é, historicamente, imensurável.
Primeiro os bois foram atrelados a carros, carroças ou carretas em pares ou juntas.
O número de bois atrelados a carros foi se multiplicando rapidamente, à medida que o volume de cana ia aumentando.
Carros, carroças ou carretas chegaram a ser puxados por até 20 juntas de bois. Todos devidamente treinados para a tarefa.
No correr do tempo, os carros de boi, ou de bois, passaram a transportar das plantações os mais variados produtos: batata, milho, mandioca, café e tudo o mais. Inclusive, lenha. E não custa lembrar que o carro de boi foi também o nosso primeiro meio de transporte coletivo. Quer dizer, carregava produtos do campo e gente. Morta inclusive, diretamente para o cemitério.
O carro de boi ainda se acha presente em alguns cantos do Brasil, principalmente no Nordeste.
Em 1889, ano da proclamação da República, o paraibano de Areia Pedro Américo pintou do seu ateliê em Paris o quadro tornado histórico O Grito do Ipiranga. Nessa obra, curiosamente, se acha um carro de boi e trabalhadores ao lado.
Muitas histórias derivadas do chamado "ciclo do carro de boi" entraram para o fantástico mundo da cultura popular.
O bumba-meu-boi ou boi-bumbá, calemba, mamão, pintadinho e outros mais, que são o mesmo bumbá, tem sua origem numa lenda segundo a qual havia numa fazenda do Maranhão um homem e uma mulher escravizados. Século 18. A mulher, grávida, morrendo de desejo pediu ao marido uma língua de boi para comer. Sem dinheiro, decidiu roubar um boi do patrão. Matou o boi e tirou a língua, mas logo foi descoberto. Pra encurtar a história: o boi ressuscitou por obra e graça de um curandeiro. A mulher chamava-se Caterine, corruptela de Catarina; e o marido Francisco ou nego Chico.
A festa do boi ou auto do boi é uma festa bonita, tanto pra quem encena e pra quem assiste. Essa festa continua espalhada no Brasil inteiro. E há uma discografia enorme sobre ela ou a figura do boi.
A 1ª música com título Carro de Boi é uma moda de viola de autoria Ariowaldo Pires e Orlando Palzone, gravada num estúdio da extinta Victor em maio de 1942. Os intérpretes dessa música são Palmeira e Piraci.
Ouça Luiz Gonzaga cantando Boi Bumbá, de autoria de Gonzaguinha:



Recomendo a leitura dos livros Ciclo do Carro de Bois no Brasil, de Bernardino José de Souza; e Boi da Paraíba de Rafael de Carvalho.
Bernardino de Souza (1884-1949) era sergipano e de profissões várias: jornalista, advogado, geógrafo e historiador. Chegou a ser ministro e presidente do Tribunal de Contas da União,TCU. Seu livro clássico sobre carro de bois foi publicado em 1958.
Rafael de Carvalho (1918-1981) era paraibano e ator de teatro e cinema.

Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.
Aquarela de Fausto Bergocce.
 
Em tempo: nesta quinta-feira (03/11), Assis dará uma entrevista ao vivo para o Boteco APJor, da Associação Profissão Jornalista, programa online, pela plataforma StreamYard. Falará sobre sua trajetória profissional, seu começo, glórias, dificuldades, sua avaliação do jornalismo atual etc. Começa às 16h e segue até 18h/18h30.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

LULA GANHOU. O POVO GANHOU. VIVA A DEMOCRACIA!


Até o momento em que dito estas mal batidas linhas, o candidato à reeleição Bolsonaro continuava em lugar desconhecido e não sabido. Na moita, arquitetando loucuras radicais. É do seu feitio.
Bolsonaro passou 38 dias para reconhecer a vitória de Biden à presidência dos EUA. Biden, por sua vez, não demorou nem 38 minutos para reconhecer e aplaudir a vitória de Luís Inácio Lula da Silva, ontem 30.
Essa é a 3ª vitória de Lula à presidência da República.
Lula ganhou com uma diferença de 2,1 milhões de votos. Nos detalhes, o TSE divulgou números totais: Lula recebeu 60.345.999 votos, 2.139.645 a mais que Bolsonaro.
Na parte da manhã de ontem eu calculava a diferença pro Lula em 2.225.000 votos.
Os brasileiros residentes do estrangeiro aptos a votar eram de 697 mil, desses votaram 298.169. Lula ganhou com 152.605 votos.
As abstenções somaram 32.200.558, um pouco a menos que no 1º turno.
O presidente derrotado ganhou porém, em 13 Estados e no Distrito Federal.
O candidato do PSDB no Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, de virada faturou mais uma eleição derrotando o candidato bolsonarista Onyx Lorenzoni. Leite teve, no total, 3.687.126. A diferença de votos a seu oponente foi de 919.340.
Lorenzoni é aquele radical negacionista que, depois de virar as costas e recusar-se a apertar a mão de Leite, disse que a melhor vacina contra o Coronavírus era pegar o Coronavírus. Homofóbico, disse também que "iria ter uma 1ª Dama de verdade", no governo gaúcho. Quebrou a cara.
Em São Paulo, Bolsonaro fez da sua sombra Tarcísio de Freitas, governador.
Em Minas, mesmo com toda máquina do Estado, Bolsonaro perdeu. Curiosidade: historicamente, o candidato a presidente da República que ganha em Minas, ganha o Brasil.
Lula, no seu discurso após a vitória, disse que "A partir de 1º de janeiro de 2023, vou governar para 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis, somos um único país, um único povo, uma grande nação".
E disse também: "Nosso compromisso mais urgente é acabar outra vez com a fome. Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer, ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário. Se somos o terceiro maior produtor mundial de alimentos e o primeiro de proteína animal, se temos tecnologia e uma imensidão de terras agricultáveis, se somos capazes de exportar para o mundo inteiro, temos o dever de garantir que todo brasileiro possa tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias".
As principais ruas e avenidas do Brasil se encheram de brasileiros comemorando a vitória de Lula, a vitória do próprio povo, da Democracia.
A avenida Paulista ficou completamente tomada de pessoas de todas as idades e credos.
Fica o registro.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

O poeta mineiro de Itabira Carlos Drummond nasceu no dia 31 de outubro de 1902. Há exatamente 120 anos, portanto.
Drummond, que morreu no dia 17 de agosto de 1987, deixou uma obra excepcional. Chegou a ser indicado pra receber o Nobel de Literatura. Não deu. 
Eu entrevistei o poeta num dia qualquer de dezembro de 1980. 
É de Drummond a frase "Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder".
Viva Drummond!

domingo, 30 de outubro de 2022

ZAMBELLI PEGA PRA CAPÁ

Depois de o terrorista Bob Jefferson atacar policiais federais foi a vez de a pistoleira Carla Zambelli sacar uma pistola e mandar ver contra o jornalista Luan Araújo, de 32 anos. O primeiro caso aconteceu domingo passado no Rio e o segundo ontem 29 em Sampa.
Jefferson, que é presidente do PTB, se acha no xilindró de Bangu 8.
Zambelli, que é deputada federal, ainda está solta. Solto também está um de seus seguranças, cujo nome não foi revelado. O tal pagou fiança de um salário mínimo e está tirando onda da cara do povo pacato.
Neste domingo 30 de eleição é visível o desespero de Bolsonaro e seus asseclas. Caso percam, estarão afunhenhados. 
Os pontos de votação foram abertos pontualmente às 8hs, no horário de Brasília; e assim seguirão até às 5 da tarde.
A apuração dos votos para governador de 12 Estados e para presidente começará logo após o fechamento das zonas eleitorais. 
Até a conclusão deste texto, a situação no Brasil era aparentemente tranquila.
Fica o registro. 


sábado, 29 de outubro de 2022

DUELO NA TV

Uma coisa é certa: o Brasil não aguenta mais o Bolsonaro.
Bolsonaro entrou ontem 28, à noite, com os cascos afiados nos estúdios da TV Globo não para discutir, debater, mas para brigar. Chegou gritando, afobado. Os olhos pareciam querer sair da cara. A boca, os trejeitos, afe! Começou perguntando a Lula se ele, Bolsonaro, iria mesmo cortar o 13º salário do trabalhador. E perguntou e perguntou e perguntou. Diante do silêncio, passou a agredir o concorrente à cadeira de presidente.
Dessa vez, ao contrário da vez anterior na Band, Lula evitou cair nas armadilhas do Coiso.
Muita baixaria da parte do Coiso.
Lula chamou o adversário várias vezes à discussão pertinente aos interesses dos eleitores, da população brasileira. Disse, lá pras tantas, que estava cansado de ouvir tanta besteira.
Bolsonaro chamou Lula de ladrão e corrupto o tempo todo e lá pras tantas disse que sua ida recente ao Complexo do Alemão foi resultante da negociação da campanha do PT com traficantes e chefes do tráfico. Nos bastidores, Bolsonaro foi de uma grossura incomparável com os repórteres. Chegou a bater boca com Fábio Wajngarten, da Folha.
Lula bateu na tecla da valorização do trabalhador, dizendo que irá aumentar o salário mínimo acima da inflação. O Coiso também disse que iria aumentar o salário mínimo. Ora, ora! Lula lembrou que isso ele não fez nos 4 anos em que se encontra como presidente do Brasil. E não será agora que irá fazer isso, não é mesmo?
Lula disse que vai apostar cada vez mais na educação, na valorização do trabalho da mulher e na própria mulher. Disse também que a Amazônia será respeitada e que o Brasil sairá do limbo em que se acha para voltar a ganhar o aplauso e o reconhecimento da sua grandeza perante o mundo.
No confronto com Bolsonaro, Lula falou da importância da cultura e dos artistas, que vivem ao Deus-dará. 
Bolsonaro foi grosso com os correspondentes estrangeiros após o malfadado debate com o Lula.
Em muitos momentos, Bolsonaro parecia explodir e o fato é que perdeu terreno, e muito, no confronto de ontem na Globo.
Era pra ter sido um belíssimo debate se Bolsonaro levasse a sério o Brasil e os brasileiros. Mas como isso poderia ocorrer se ele, Bolsonaro é um cara sem caráter, de baixíssimo nível?
O Brasil não aguenta mais Jair Messias Bolsonaro. O seu lugar é a cadeia, e isso ele teme. Sua derrota se aproxima.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

DOMINGO ESTÁ CHEGANDO. HOJE TEM DEBATE NA GLOBO

 
Domingo 30 está chegando. É o nosso dia D. Nesse dia deverão ir às urnas pelo menos 130 milhões de brasileiros. No total, estão aptos a votar, pouco mais de 156 milhões de brasileiros e brasileiras, a partir dos 16 anos de idade.
No 1º turno das eleições deste 2022 foram às urnas 123.682.372 eleitores. Desses 118.229.719 foram votos válidos; brancos e nulos foram 5.452.653. 
Deixaram de votar no último dia 2 de outubro quase 32 milhões de brasileiros.
Eleições em 2º turno existem no Brasil desde 1989, quando Fernando Collor e Luís Inácio Lula da Silva disputaram o cargo de presidente. Collor ganhou, mas foi obrigado a renunciar ao cargo no dia 29 de dezembro de 1992. A renúncia deveu-se a denúncias feitas pelo irmão Pedro Collor (1952-1994).
Hoje 28, a partir das 21:30, ocorrerá o último debate envolvendo os dois candidatos à presidência da República: Bolsonaro e Lula. Será na TV Globo.
Ontem 27, também na Globo, ocorreu um debate entre Haddad e Tarcísio. No meu ponto de vista, Haddad deu uma surra no carioca.
O carioca candidato a governador de São Paulo mente tanto quanto o seu chefe, um horror. E é milico enrustido.
No livro Inspiração Nordestina (1956), o poeta popular cearense Patativa do Assaré (1909-2002) publicou o belíssimo poema Eu Quero. Leia:

Eu quero

Quero um chefe brasileiro
Fiel, firme e justiceiro
Capaz de nos proteger
Que do campo até à rua
O povo todo possua
O direito de viver

Quero paz e liberdade
Sossego e fraternidade
Na nossa pátria natal
Desde a cidade ao deserto
Quero o operário liberto
Da exploração patronal

Quero ver do Sul ao Norte
O nosso caboclo forte
Trocar a casa de palha
Por confortável guarida
Quero a terra dividida
Para quem nela trabalha

Eu quero o agregado isento
Do terrível sofrimento
Do maldito cativeiro
Quero ver o meu país
Rico, ditoso e feliz
Livre do jugo estrangeiro

A bem do nosso progresso
Quero o apoio do Congresso
Sobre uma reforma agrária
Que venha por sua vez
Libertar o camponês
Da situação precária

Finalmente, meus senhores,
Quero ouvir entre os primores
Debaixo do céu de anil
As mais sonoras notas
Dos cantos dos patriotas
Cantando a paz do Brasil.

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (50)

"Estou preocupado, muito preocupado seu Assis", começou o botão poeta de plantão Zilidoro.
Eu quis saber o que tanto preocupa Zilidoro. E ele: "Estou preocupado com os rumos que a política está tomando. O Bolsonaro está arquitetando nos bastidores. E isso me preocupa. É isso o que me preocupa!".
Zoião pediu a palavra pra perguntar se eu já trabalhara na rádio Jovem Pan. Sim, eu disse. Trabalhei na rádio Jovem Pan em anos do século passado. E Zoião: "A Pan era tão direitísta como hoje?".
Além de direitísta, foi falando Barrica, "a rádio Jovem Pan está jogando fora sua história, sua imagem de grande emissora de rádio do País. Além de marchar junto com os milicos e ex-milicos golpistas, a Pan e seus repórteres e colaboradores mentem, deturpam as notícias. E isso é grave, muito grave!".
Jão pediu licença pra dizer que várias entidades democráticas estão se manifestando a favor da democracia e da verdade. E destacou um trecho do manifesto assinado por entidades como Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Instituto Vladimir Herzog, Associação Brasileira de Imprensa, Federação Nacional dos Jornalistas: "Lamentamos que, neste momento, esse conceito esteja sendo usado de forma tão deturpada por veículos de comunicação, principalmente concessionários públicos, na tentativa de levarem à frente uma espécie de vitimismo tacanho e obterem licença para continuarem a mentir, difamar e avariar os pilares do regime democrático". Respirando fundo, Jão contou que jornalistas de todo canto estão se manifestando contra os absurdos transmitidos pela Pan: "Repudiamos toda e qualquer forma de censura e não admitimos que a liberdade de expressão seja distorcida para permitir a prevalência de mentiras na campanha eleitoral".
O botão alagoano Zé disse que também está preocupado: "Ora, ora, e a Pan anuncia aos quatro ventos que está sendo censurada pelo TSE. É mentira, é mentira, é mentira! As pessoas de bem deste nosso país precisam se manifestar e assinar o documento intitulado Manifesto de apoio à democracia".
Balançando a cabeça, irritado, Mané disse que viveu um pedaço da ditadura militar no Brasil. E gritando: "DITADURA NUNCA MAIS! DITADURA NUNCA MAIS!".
De repente ouviu-se o barulho de um chute na porta. Era Lampa, bradando: "AQUI TEM MACHO! AQUI TEM MACHO!". 
O espanto foi geral. Biu caiu na risada, sem se conter: "Esse Lampa! Esse Lampa não tem jeito!".
Não pude também deixar de rir. A cena além de engraçada, era ridícula. 
Zilidoro disse algo como "Esse Lampa é um maluco!".
Lampa, com uns quilos a mais e a barba mal feita, olhou na cara de Zilidoro e disse: "Maluco aqui é você e o feladaputa do Bolsonaro".
Pedi calma. Um problema não se resolve com outro problema. É preciso analisar direitinho o problema que nos incomoda. É claro que a Jovem Pan é um problema extremamente incômodo para as pessoas de bom senso...
"Mas ela não pode se comportar desse jeito, contra o povo e a democracia", interrompeu-me Zoião. Mané acrescentou: "O Zoião tem razão e não custa lembrar que a Pan é uma concessão do governo. E essa concessão não é de hoje é desde muito tempo".
"Numa boa, seu Assis? A Pan com essas maluquices, provoca humor e ódio. Humor porque chega a ser engraçado as mentiras que inventa e ódio porque ódio é ódio. O ódio está saindo da cabeça de Bolsonaro e afetando a cabeça das pessoas. Isso é triste, muito triste e preocupante", disse Zilidoro.
Bom pessoal, a conversa tá boa, mas por hoje é só. 
"Seu Assis! Seu Assis! Eu posso compartilhar com seus leitores o Manifesto 'Fake news não é notícia. Desinformação não é jornalismo', assinado por entidades democráticas como o Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo?", pediu Jão.
Claro!

https://www.sjsp.org.br/noticias/fake-news-nao-e-noticia-desinformacao-nao-e-jornalismo-1d3e

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

"MEU VOTO É 13!", DIZ STREAMER CASIMIRO

O dia D está chegando: domingo 30.
O Brasil da liberdade e da responsabilidade é um Brasil bonito.
O Brasil da irracionalidade e da censura é triste, é feio, é horroroso. Não é esse Brasil que o Brasil bonito, livre, quer.
O que o Brasil bonito quer é a beleza cada vez mais reluzente na cara, no rosto, na alma.
O Brasil, como um todo, está quebrado. Mas tem jeito. Ainda tem jeito. 
O Brasil da cultura popular, o Brasil da cultura erudita, é o Brasil cidadão. O Brasil que deu Câmara Cascudo, Bernardinho José de Souza, Mário Souto Maior e artistas da música como Chiquinha Gonzaga, Joaquim Antônio da Silva Callado, Patápio Silva, Chico Alves, Pixinguinha, Braguinha, Noel Rosa, Villa-Lobos, Carlos Gomes, Tom Jobim, Luiz Gonzaga, Manezinho Araújo e tantos e tantos mais.
O Brasil bonito é incomparável com quaisquer dos quase 200 países alinhados e identificados na Organização das Nações Unidas, ONU. E no cinema, hein?
E nas artes plásticas, hein?
No canto operístico o Brasil bonito guarda no coração e na memória Bidú Sayão.
O dia D, domingo 30, está chegando.
Domingo que vem será o dia que a Democracia se levantará, combalida que anda, para espraiar-se sobre nós.
Domingo será o dia D: 13!
Segunda 24 o teatro da PUC recebeu grandes representantes da nossa democracia, incluindo artistas de todos os seguimentos.
Entre os compositores, cantores e instrumentistas que apoiam a bandeira da democracia, via PT, se acham Jarbas Mariz, Jorge Ribbas, Cacá Lopes, Luiz Wilson, Costa Sena, Wilson Seraine, Dantas do Forró, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e suas filhas Preta e Bela Gil; Djavan, Martinho da Vila e sua filha Mart'nalia; Ivete Sangalo, Maria Rita, Gal Costa, Fatel, Socorro Lira, Anastácia, Anitta...
Mas há no Brasil ainda pessoas em dúvida, que não sabem exatamente ainda em quem votar.
Numa conversa ontem 25 com o amigo Geraldo Vandré, ousei perguntar sobre a atual situação política. O que ele está achando e tal. Se vai votar no Lula ou no outro. Sua resposta, melancolicamente: "Pra mim, tanto faz".
Problemas de foro íntimo têm deixado Geraldo muito triste. Já não faz poesia, já não faz música, já não lê livros nem nada: "Fico vendo TV, Ângelo".
O cidadão Geraldo Pedrosa de Araújo Dias completou no último setembro 87 anos de idade.

FAKE NEWS E STF

O Supremo Tribunal Federal derrubou ontem 25, por 9 a 2, pedido de revisão a um processo que dava mais forças ao exército de mentirosos do presidente Bolsonaro. O pedido foi encaminhado ao STF pelo PGR Augusto Aras. Em suma: Aras queria que o STF não retirasse das redes sociais as fake news postas pelos bolsonaritas. Caiu do cavalo. À propósito, o streamer Casimiro Miguel abriu o bocão para protestar contra o uso da sua imagem. O causo é que Casimiro teve um de seus posts adulterado, dando a entender que ele estaria apoiando a reeleição do atual presidente. Disse o famoso streamer:


ENTREVISTA

Amanhã, quinta 27, a partir das 16h estarei falando a respeito de jornalismo e tal no programa BOTECO APJor. O papo será transmitido ao vivo pelo Youtube/Facebook. Convido todo mundo a acompanhar nossa conversa, que terá entre os entrevistadores o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo Fred Ghedini.
APJor é a sigla para Associação Profissão Jornalista.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

BRASIL DA CULTURA POPULAR

O Brasil é, culturalmente, um país fora do esquadro. No sentido melhor do termo. 
Embora novo, o Brasil posiciona-se como o 5º maior do mundo em dimensão e população.
A cultura brasileira é rica e diversificada.
O indígena, o negro e o branco formam a nossa Nação.
Há riqueza em todos os cantos brasileiros. No canto propriamente musical e tudo o mais.
Os nossos autores literários, musicais e historiadores de todos os formatos dão o tom e a forma necessários para o fortalecimento do Brasil.
O potiguar Luís da Câmara Cascudo marcou presença na historiografia brasileira. Escreveu de tudo, sobre tudo. Deixou cerca de 150 títulos publicados e não só no campo dito folclórico. Falava muitas línguas e era de uma sabedoria incrível. Eu o conheci de perto.
No campo da cultura popular outro brasileiro, esse quase desconhecido, também deixou uma marca indelével. Refiro-me ao sergipano Bernardinho José de Souza.
Bernardinho José de Souza nasceu no dia 8 de fevereiro de 1884 e morreu no dia 11 de janeiro de 1949 depois de ver publicados os livros Heroínas Bahianas (1936), O Pau-Brasil na História Nacional (1939) e Dicionário da Terra e da Gente do Brasil (1939).
Por volta de 1945, Bernardinho tentou publicar Ciclo do Carro de Bois no Brasil. Não conseguiu. Esse livro, uma pérola, só foi publicado em 1958.
Exemplar a história desse sergipano que teve seus estudos desenvolvidos na Bahia de Castro Alves e Jorge Amado, mesmo lugar em que o paraibano de Caiçara Rafael de Carvalho firmou-se como cantor, ator, autor e tudo o mais relacionado às artes.
No livro Boi da Paraíba, Rafael conta sua história  desde seu berço paraibano.
Rafael de Carvalho morreu vítima de um infarto depois de participar do filme O Baiano Fantasma, dirigido por Denoy de Oliveira.
Rafael participou das novelas O Bem-Amado, Gabriela, Saramandaia e Rosa Baiana, entre outras; e dos filmes Aguenta o Rojão, Um Candango na Belacap e O Homem que Virou Suco, que traz no elenco o cantor e instrumentista paraibano Vital Farias. Pra recordar, ouça:

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