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quinta-feira, 30 de março de 2023
UMA PALAVRA PELO BEM DO BRASIL: PAZ
quarta-feira, 29 de março de 2023
VIVA BRAGUINHA!
terça-feira, 28 de março de 2023
O BRASIL PRECISA DE REVISÃO!
segunda-feira, 27 de março de 2023
ONZE ANOS SEM MILLÔR FERNANDES
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| Millôr Fernandes no traço mágico de Fausto |
dramaturgo, tradutor e artista plástico, gráfico e visual, Millôr Fernandes, no registro civil como Milton Viola Fernandes.JUCA CHAVES
NEGREIROS
domingo, 26 de março de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (2)
O Corno Ateu: Aquele que leva chifre, mas não acredita;A poesia publicada em cordel não foi inventada por brasileiros. Referências há desse tipo de poesia desde a Idade Média.
O Bravo: Aquele que quando é chamado de corno, quer brigar;
O Bateria: O que vive dizendo," Vou tomar uma solução";
O Cebola: Quando vê a mulher com outro, chora;
O Vidente: Aquele que diz "Eu já sabia";
O Cigano: Aquele que toda vez que leva chifre, muda de bairro;
O Famoso: Aquele que por onde passa, é reconhecido como tal;
O Fofoqueiro: Aquele que leva chifre e sai contando para todo mundo;
O Frio: O que leva chifre e não esquenta;
O Iô-Iô: O que vai mas volta;
O Matemático: O que vê a mulher fazendo 69 com outro e vai para o bar tomar uma 51, pois enfim ninguém é de ferro.
Muitos autores clássicos tiveram e ainda têm partes da sua obra adaptada para folhetos. Caso de Giovanni Boccaccio. Que viveu no século 14. É dele a obra-prima Decameron. Dessa obra são extraídos textos para a adaptação. Exemplos: Chifre com Chifre se paga e o Homem que foi ao Inferno e Voltou Chifrudo.
São muitas as piadas em volta do corno. Uma delas trata de um sujeito tentando pular de um prédio pra se matar. Lá embaixo a mulher diz: “Para, não pula! Eu pus cornos em você e não asas!”.
A vida é uma comédia. VEJA: O TOMÉ DE SOUZA DE ZÉ LIMEIRA
sábado, 25 de março de 2023
LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (1)
Na literatura de cordel tem de tudo: história geral, fatos corriqueiros e inventados; histórias de príncipes e princesas, fadas, bruxas, natureza, animais e de coisas outros mundos. A classificação vai desde temas como religião, cangaço e gracejo. Trata também de figuras famosas como Padre Ciço, Lampião, Getúlio, Lula e até Roberto Carlos.
Na literatura de cordel não é difícil achar folhetos que tratam de temas do cotidiano e de personagens comuns que de uma hora pra outra caem na boca do povo.
O adultério é tema comum e picante desenvolvido por cordelistas desde o passado.
O corno como personagem folclórico aparece em inúmeros folhetos.
O ato de cornear é tão antigo e natural como o movimento das ondas do mar e o pôr do sol.
Contraditória em muitos pontos e temas, a Igreja condena os pulos de cerca.
Nas páginas do Velho Testamento é dito que a mulher deve obedecer e atender a todos os desejos do homem.
Segundo a Igreja é pecado trair. A mulher traidora deve arder no fogo dos infernos. Ai, ai, quanto exagero!
No dia 26 de março de 1986 estreou no Rio de Janeiro a comédia Trair e Coçar é só Começar, do ator Marcos Caruso. Tudo gira em torno de um casal fora de qualquer suspeita no tocante à infidelidade. Na história entra uma doméstica. Milhões de pessoas já viram essa peça, que já é referência no Guinness. Engraçadíssima.
Infidelidade conjugal é assunto que anda na boca de todo mundo. E também nas mídias.
Nomes conhecidos da chamada cultura de massa às vezes nos surpreendem com histórias mirabolantes envolvendo personagens que fazem da traição um hábito.
O compositor e cantor brega Falcão escreveu, para deleite de seus fãs, um folheto de cordel em que narra o encontro dele com um ET vindo sabe-se lá de onde! Queria conselhos de como se comportar após receber um belo par de chifres na testa: aceitar ou ir pro pau? Começa assim:
Se você acha que gaia
É coisa do imaginário
Que tem o nosso planeta
Como seu único cenário
Veja então este relato
Onde é narrado o fato
De um chifre interplanetário...
O tal ET conta que no seu planeta não tem bodega pra se beber boa pinga e tal. E corno é coisa rara, mas tem. Ele, por exemplo. Tanto que veio à Terra pra recorrer aos préstimos de Falcão. Chateado, o ET classificou a iniciativa da sua mulher como um “deslize”, só comparável ao que fez o personagem do poeta popular Zé Limeira:
O velho Tomé de Sousa
Governador da Bahia
Casou e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa
Comeu na frente e atrás
Chegou na beira do cais
Onde o navio trefega
Comeu o padre Nobrega
Os tempos não voltam mais!
Depois de aconselhado, e bem aconselho por Falcão, o ET voltou todo satisfeito ao lugar de onde veio. Parecia tranquilo. Falcão:
Enfim, o ET me disse
Feliz e muito contente
Que só tem a agradecer
Pra sempre e eternamente
Ter visto de um modo enfático
De um jeito assim tão didático
Que corno também é gente
sexta-feira, 24 de março de 2023
EU E MEUS BOTÕES (61)
Pescando no rio de Jereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
Que dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade me atormenta
Eu me vingo dela
Tocando viola de papo pro a...
quinta-feira, 23 de março de 2023
EX-PRESIDENTE LALAU TEM QUE DEVOLVER O QUE ROUBOU
Pois é...
Ex-presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
quarta-feira, 22 de março de 2023
SEM ÁGUA MORREREMOS DE SEDE
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| O nível do reservatório da Cantareira já de 80% |
domingo, 19 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (4 final)
Até hoje não se sabe com exatidão quantos folhetos de cordel Leandro escreveu e publicou. O poeta repentista pernambucano Otacílio Batista falava em 1.004. Falo disso no livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo (Ed. IBRASA; 1996). Nesse livro também falo da discriminação sofridos pelos poetas da viola.
Mas voltemos ao tema guerra.
É claro que o assunto é polêmico.
Uns poucos cordelistas do passado falaram nos conflitos internos registrados pela história.
A guerra ou massacre de Canudos, que durou menos de um ano no sertão da Bahia, mereceu o olhar de
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| Clique para ler |
Atualmente Klévisson Viana e Rouxinol do Rinaré, do Ceará, e o baiano Marco Haurélio são os mais importantes e profícuos cordelistas em atividade no País.
Tem aumentado substancialmente o número de mulheres escrevendo e publicando cordéis no Brasil. LEIA: A MULHER NA LITERATURA DE CORDEL
Eu já disse e repito: a cultura popular é a identidade de um povo.
É isso, minha gente.
Ah! Sim, ia-me esquecendo: o primeiro filólogo a dicionarizar a expressão cordel foi o padre português Francisco Caldas Aulete. Curiosidade: todos os dicionaristas brasileiros, inclusive Antônio Houaiss, repetem quase ipsis litteris o escrito por Aulete.
sábado, 18 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (3)
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| Leandro Gomes de Barros em xilo de Klévisson Viana |
Vindas em dourados carros
Cheguem da Fonte Poética
Trazendo água nos jarros:
Dêem-me a taça predileta
Onde bebeu o poeta
Leandro Gomes de Barros.
Por admirar Leandro
Fui em busca da história
Do poeta de Pombal
Com sua rica trajetória,
desde os tempos de criança
Com matizes e nuança
Do seu passado de glória.
Pois além de pioneiro,
Leandro foi um gigante
À poesia popular
Deu legado relevante
Escreveu drama e tragédia
Fez gracejo e fez comédia
Com sua pena atuante…
(Leandro Gomes de Barros - O Pioneiro da Literatura de Cordel; Klévisson Viana)
A cultura popular é o retrato mais fiel de um povo, de uma nação.
A cultura popular brasileira engrandece o mundo, por sua beleza e originalidade.
O Brasil é o quinto ou sexto maior país do nosso planeta, tanto em área territorial quanto em população: somos mais de 200 milhões de pessoas habitando uma terra de mais de 8,5 milhões de Km².
A cultura popular se manifesta na música e nas artes em geral.
O paraibano Leandro Gomes de Barros foi o primeiro e até aqui o mais importante cordelista de que se tem notícia.
O cordel, ou literatura de cordel, não é invenção brasileira. Mas foi no Brasil que esse tipo de literatura, desenvolvida principalmente em sextilhas e septilhas, ganhou forma.
Sim, Leandro foi o grande pioneiro nessa forma de arte.
Já na virada do século 19 Leandro estava ligado a tudo, a todos os acontecimentos no Brasil e em todo o canto.
Antes e depois de Leandro, nenhum cordelista falou em verso de folheto sobre as mazelas e consequências da Primeira Guerra Mundial.
É dele, por exemplo, o folheto AS AFLIÇÕES DA GUERRA NA EUROPA, que começa assim:
Detonam tiros medonhos
Das peças demasiadas
Soam grandes estampidos
Estremecendo as quebradas
Descendo rios de sangue
Como água em enchorradas…
É dele também o segundo folheto sobre a guerra. Título: A ALLEMANHA VENCIDA E HUMILHADA, que começa assim:
Até que afinal chegamos
Ao fim da tal grande guerra
Que tanto mal produziu
Geralmente em toda a terra
E a Allemanha vencida
Se humilha, grita e berra…
Como se não bastasse, Leandro escreveu ECHOS DA PÁTRIA, que começa assim:
Despertai filhos da Pátria
Mostrai a vossa façanha
Arriscai o peito à bala
Ide morrer na campanha
Um soldado brasileiro
Não rende pleito à Allemanha…
sexta-feira, 17 de março de 2023
CÂMARA CASCUDO DIZ QUEM FOI LEANDRO GOMES DE BARROS
LEANDRO GOMES DE BARROS, 1868-1918. Nasceu e morreu na Paraíba, viajando pelo Nordeste. Viveu exclusivamente de escrever versos populares inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais. Publicou cêrca de mil folhetos, tirando dêles dez mil edições. Êsse inesgotável mancial correi ininterrupto enquanto Leandro viveu. É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboeiros, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas nas horas do "rancho", no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo. Seus romances, histórias românticas em versos, são decoradas pelos cantadores. Assim "Alonso e Marina", "O Boi misterioso", "João da Cruz", "Rosa e Lino de Alencar", "O Príncipe e a Fada", o satírico "Canção de Fogo", espécie de "Palavras Cínicas", de Forjaz de Sampaio, a "Órfã abandonada", etc, constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do nordeste. Não sei verdadeiramente se êle chegou a medir-se com algum cantador. Conhecí-o na Capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espêsso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade.Quando a desgraça quer virNão manda avisar ninguém,Não quer saber de um vai malE nem se outro vai bem.E não procura saberQue idade Fulano tem...Não especula se é branco,Se é preto, rico, ou se é pobre,Se é de origem de escravoOu se é de linhagem nobre!É como o sol quando nasce:O que achar na terra, cobre!Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacricidade na face triste do sertão.
quinta-feira, 16 de março de 2023
ADEUS, THEO DE BARROS
HÁ 56 ANOS, TINHORÃO ENTREVISTAVA NAIR DE TEFFÉ
O PALAVRÃO NA BOCA DO POVO
LEIA MAIS: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA! • IIIH! DEU MOFO NO PULMÃO, COLEGA...
E PRA RELAXAR...
quarta-feira, 15 de março de 2023
VIVA A IMPRENSA BRASILEIRA!
O caso em pauta foi descoberto e publicado em manchete de 1ª página pelo jornal carioca O Globo, edição de ontem 14. Começava o texto:
Durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) operou um sistema secreto de monitoramento da localização de cidadãos em todo o território nacional, segundo documentos obtidos pelo GLOBO e relatos de servidores. A ferramenta permitia, sem qualquer protocolo oficial, monitorar os passos de até 10 mil proprietários de celulares a cada 12 meses. Para isso, bastava digitar o número de um contato telefônico no programa e acompanhar num mapa a última localização conhecida do dono do aparelho...
Isso nos remete ao tempo da ditadura militar instaurada no Brasil em 1964 e que durou terríveis, sombrios e intermináveis 21 anos. Não custa lembrar, e é importante que se lembre, que muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. E em muitos casos, exilada.
O sonho de Bolsonaro, e pesadelo nosso, era fazer do nosso Estado Democrático um Estado policial e de terror. Não conseguiu e por não conseguir o que queria, pegou um avião da FAB e voou pra se esconder num lugar qualquer dos EUA. Os jornais de hoje dizem que ele pretende voltar no próximo dia 29. Mentira. Está com medo de ser preso. E vai, na hora em que a Justiça decidir. É como eu já disse:
LEIA MAIS: JOÃO DO BRASIL • O JORNALISTA JOÃO DO RIO, UMA MARCA • JOÃO DO RIO: JORNAL É CHIBATA DO POVO • AINDA JOÃO DO RIO, 100 ANOS
terça-feira, 14 de março de 2023
LAERTE DÁ ENTREVISTA NOTA DEZ À TV CULTURA
JARBAS MARIZ
segunda-feira, 13 de março de 2023
DHARMA ENRIQUECE A OBRA DE SOCORRO LIRA
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| Jorge Ribbas e Assis Ângelo num momento de descontração |
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| Jorge Ribbas e Ricardo Vignini acompanham Socorro Lira, no Itaú Musical |
ELIFAS ANDREATO
Jorge Ribbas também esteve envolvido num belíssimo projeto que teve por base a obra pictórica do paranaense Elifas Andreato que rendeu três dezenas de músicas distribuídas em dois CD’s. Essas músicas são interpretadas por talentosos nomes da nossa música, porém ainda pouco conhecidos pela
grande mídia.
Jorge conta melhor esta história: "Realizei a seleção das músicas inscritas junto à Mirian Ibañez e Elifas Andreato. Além de participar da seleção das canções que foram compostas para temas específicos, fornecidos por Roberto Tranjan do Instituto Economia ao Natural; compus os arranjos das músicas que compõem o repertório dos dois discos".
Esse projeto, que começou em plena pandemia da COVID 19 intitula-se Brasil ao Natural.
Tranjan é escritor e responsável pelo Instituto Economia ao Natural. Saiba mais: https://www.youtube.com/@economiaaonatural802.
Para os leitores deste Blog, segue o álbum com seus compositores e intérpretes.
E PRA DESCONTRAIR...
domingo, 12 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (2, FINAL)
Folhetos de Leandro continuam a ser publicados. Também tem inspirado ou inspirou poetas de tudo quanto é quilate, como Carlos Drummond de Andrade e Klévisson Viana.
No dia 9 de setembro de 1976, Drummond publicou em bela crônica no Jornal do Brasil um pouco da história do grande paraibano. Chamou-o de príncipe. Um trecho:
Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. [...] Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião.Klévisson, além de escrever sobre Leandro, conseguiu recuperar uma de suas fotos (ao lado).Em disco LP trecho de um cordel de Leandro foi adaptado pelos jornalistas Mirabô Dantas e José Nêumanne e gravado pelas cantoras Telma e Terezinha de Jesus. Título: A quem interessar possa.
E por não ter mais o que fazer, fiz um poeminha em homenagem a Leandro.
Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de novembro de 1865 e morreu no dia 04 de março de 1918.
PAULO CARUSO
O jornalista, cartunista, humorista, compositor e cantor paulistano da Vila Madalena Paulo Caruso morreu vítima de câncer no último dia 4 de março deste ano de 2023. Tinha 73 anos de idade. Começou a carreira no extinto jornal paulistano Diário Popular. Seu traço espalhou-se por publicações Brasil afora. Deixou meia dúzia de livros publicados, todos de alto nível. Eu o conheci de perto. Foi sepultado segunda 6, no cemitério São Paulo. Para lembrá-lo, o cartunista Fausto foi buscar inspiração em Da Vinci. LEIA: ADEUS PAULO CARUSOsábado, 11 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (1)
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| Foto de Leandro Gomes de Barros recuperada por Klévisson Viana |
Por ser um país novo, tudo ainda é novo.
No correr da nossa história, houve todo tipo de violência e desgraça.
O indígena, o negro e a mulher, grosso modo falando, sempre foram vistos como um seres menores ou de segunda classe pelos poderosos de plantão.
Na literatura nacional e também na música aparecem personagens judiadas e até mortas de todas as maneiras. Num livro do cearense José de Alencar, por exemplo, há casos horrorosos.
No romance regionalista Til, de Alencar; e no Dona Guidinha do Poço, livro naturalista de Manoel de Oliveira Paiva, há casos terríveis findados em feminicídio.
Til foi publicado em 1872 e Dona Guidinha, embora também escrito no século 19, foi publicado 60 anos depois da morte do autor. No enredo desse livro, curiosidade: é a esposa que manda matar o marido.
Pois é, a nossa literatura ainda é nova. Tem só uns 200 anos.
A nossa literatura popular ainda é mais nova do que a chamada literatura erudita ou moderna.
Os primeiros folhetos de cordel, que se encaixam perfeitamente no campo da literatura popular,
começaram a ser publicados no Brasil poucos anos antes da chegada do século 20.O primeiro e nosso principal cordelista, como são chamados os autores de folheto de cordel, foi o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros.
Leandro escreveu seu primeiro folheto em 1889. Título: A Mulher Roubada, que só seria publicado em 1907.
O romancista Ariano Suassuna dizia que tomara conhecimento de um folheto de cordel circulando nos sertões da Paraíba já em 1836. Título: Romance da Pedra do Reino, de autor desconhecido.
Orígenes Lessa, também escritor dos bons, anotou: o primeiro folheto de cordel, também de autor desconhecido, publicado no Brasil foi em 1865, sob o título O Testamento que faz um macaco, especificando suas gentilezas, gaiatices, sagacidade, etc.
Em agosto de 2001 o Sesc, unidade Pompéia, apresentou uma grande exposição com debate e tudo mais intitulada 100 Anos de Cordel, cuja a curadoria coube ao jornalista Audálio Dantas.
Não se sabe até hoje quantos folhetos Leandro escreveu e publicou, mas às centenas com títulos clássicos como O Cachorro dos Mortos.
O cachorro dos mortos trata de um tríplice homicídio provocado pelo fato de uma das vítimas, Angelita, não ceder aos desejos de um pretendente. Atualíssimo.
sexta-feira, 10 de março de 2023
MARINHO GANHA POEMA AOS 75 ANOS
LEIA MAIS: SEBASTIÃO MARINHO, 70 • HOJE É DIA DE SEBASTIÃO MARINHO!
quinta-feira, 9 de março de 2023
EU E MEUS BOTÕES (60)
segunda-feira, 6 de março de 2023
BOLSONARO É JOIA
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| Na caixinha joiada dada pelo rei, está faltando um bracelete... Ou eu tô cego!? |
domingo, 5 de março de 2023
GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (2, FINAL)
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial o ditador Getúlio Vargas já havia criado um inferno particular para os brasileiros: o Estado Novo, instalado em 1937. Deixou mortos e feridos.
Entre 1936 e 1939, os espanhóis viveram em guerra.
A Rússia participou da Primeira e da Segunda guerras mundiais. O Brasil também.
Submarinos alemães afundaram navios brasileiros, daí a nossa participação nesses conflitos. Curiosidade: Aracy de Carvalho, mulher do escritor Guimarães Rosa teve participação ativa no salvamento de judeus. Participação ativa também teve a escritora Clarice Lispector. À época Clarice se encontrava na Alemanha em companhia do marido Maury Gurgel Valente, que era embaixador. Não seria exagero dizer que a experiência vivida pela escritora refletiu-se na sua obra.
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia no ano de 1920.
Cinquenta anos antes do nascimento de Clarice, o Brasil acabara de sair vitorioso da guerra do Paraguai. Essa guerra começou no final de 1864 depois de tropas do exército do Paraguai invadirem o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul; e pela parte argentina Corrientes. Foi quando formou-se a Tríplice Aliança e tal. O resto é história.
E não tem como esquecer a Guerra de Canudos, brasileiramente interna, ocorrida entre 1896 e 1897. Quem acabou com essa guerra foi o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de Morais, reunindo forças policiais de vários Estados. Massacre. Leia Os Sertões.Leia também o Dicionário das Batalhas Brasileiras de Hernâni Donato.
No nosso subconsciente se acha a errônea informação de que o maior número de assassinatos numa guerra foi provocado pelo austríaco Adolf Hitler. Não foi. A história conta que o sacana que mais matou gente numa guerra foi o chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976): 40 a 70 milhões. Não há exatidão, mas os números são horrorosos.
Claro, Mao foi o sujeito que instalou o Comunismo no seu país. Curiosidade: entre os 196 países reconhecidos pela ONU, apenas cinco têm o Comunismo como regime político. Esses países são, além da China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Cuba.
O Comunismo foi adotado na Rússia logo após a guerra civil, em 1917, quando Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin (1870-1924), assumiu o poder.
O comando do chamado Exército Vermelho foi confiado por Lenin a Leon Trotsky.
Em 1923, há um século, portanto, a Rússia passou a chamar-se União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.
Com a morte de Lenin, Trotsky e Joseph Stalin disputaram o poder. Trotsky perdeu e Stalin entrou para a história como assassino de milhões e milhões de russos e russas.
E teve, na história, uma guerra que engoliu 3 reis. Foi em Alcácer-Quibir, no Marrocos, no ano de 1572. Um desses reis, Dom Sebastião, virou um quase santo e a marca politicamente indelével de Sebastianismo.
O presidente Inácio Lula da Silva acaba de entrar no jogo, sugerindo a formação de um grupo de países para negociar a paz entre Rússia e Ucrânia.
Como fica a situação das outras guerras mundo afora, hein?
Que Deus nos proteja.
Ilustração de Fausto Bergocce.
sábado, 4 de março de 2023
ADEUS, PAULO CARUSO!
Hoje 4 bem cedo, ali pelas 9 da matina, o telefone toca trazendo a voz do cartunista Fausto. Dizia que o colega Paulo Caruso partira pra um lugar longe daqui, definitivamente. Não chorei, mas a notícia deu-me um nó do caralho na garganta.Paulo Caruso foi meu amigo. Falávamos, falávamos e falávamos sobre tudo que ocorria/ocorre na vida brasileira.
Eu tinha por Paulo um carinho enorme. Era coisa vice-versa, sabe?
Eu sou do tempo de anos atrás. Dum tempo passado, que ainda se acha vivo na minha memória. E aqui lembro de nomes incríveis que comigo compartilharam redações: Fortuna, Petchó, Glauco, Henfil...
É claro que a vida fica mais pobre, mais triste, sem a presença dessas pessoas tão queridas no meu dia a dia.
"Nos últimos três anos já morreram mais de 50 cartunistas", lamenta o antenado Fausto Bergoce.
A última vez que estive com Paulo Caruso foi no evento comemorativo dos 50 anos de fundação da TV Cultura, no MIS - Museu da Imagem e do Som. Estavam comigo a minha amiga querida e jornalista Cilene Soares, o presidente Marcos Mendonça e sua esposa Dalva.
A noite daquele evento foi inesquecível. Tudo nos trinques. Bom vinho, bom uísque, boa cachaça.
Além da comemoração dos 50 anos da TV Cultura, aplaudiam-se o sucesso que foi a série Brasil Toca Choro. Dessa série, na TV, participei de dois ou três episódios.
Ah! Ia me esquecendo: na ocasião foi lançado um livro luxuoso intitulado Brasil Toca Choro. Já na primeira página, Paulo achou de caricaturizar a mim e a Cilene. Gostei, gostamos.
Digo essas palavras como lembrança de um momento muito bonito do qual participou o meu querido Paulo Caruso, irmão do Chico... A propósito lembro aqui do encontro entre mim, Paulo e Chico Caruso na missa de sétimo dia em louvor à alma de Fortuna. Foi numa igreja do Jabaquara, acho que São Judas.
Paulo Caruso parte aos 73 anos de idade.
Hummm... Estou na casa dos 70 desde o ano passado e...
Daqui ninguém leva nada, mas deixa lembranças.
A lembrança que eu tenho de Paulo Caruso é a lembrança de um irmão querido.
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