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domingo, 12 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (2, FINAL)

Leandro Gomes de Barros tem inspirado muitos cordelistas. Seu nome ainda circula no meio popular e até entre candidatos a doutor por universidades Brasil afora. Sobre sua obra, há várias teses universitárias rolando por aí. Às Universidades Federais da Paraíba e do Mato Grosso do Sul foram apresentadas as dissertações Direito & Literatura: Aspectos Jurídicos e Sociais na obra de Leandro Gomes de Barros, de Elon da Silva Barbosa Damaceno e "Que povo é esse?", de Erasmo Peixoto de Lacerda. À Fundação Getúlio Vargas, FGV, RJ, Ivone da Silva Ramos Maya apresentou O Poeta de Cordel e a Primeira República: a Voz Visível do Popular.
Folhetos de Leandro continuam a ser publicados. Também tem inspirado ou inspirou poetas de tudo quanto é quilate, como Carlos Drummond de Andrade e Klévisson Viana.
No dia 9 de setembro de 1976, Drummond publicou em bela crônica no Jornal do Brasil um pouco da história do grande paraibano. Chamou-o de príncipe. Um trecho:
Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. [...] Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião.
Klévisson, além de escrever sobre Leandro, conseguiu recuperar uma de suas fotos (ao lado).
Em disco LP trecho de um cordel de Leandro foi adaptado pelos jornalistas Mirabô Dantas e José Nêumanne e gravado pelas cantoras Telma e Terezinha de Jesus. Título: A quem interessar possa.
E por não ter mais o que fazer, fiz um poeminha em homenagem a Leandro.
Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de novembro de 1865 e morreu no dia 04 de março de 1918.

PAULO CARUSO

O jornalista, cartunista, humorista, compositor e cantor paulistano da Vila Madalena Paulo Caruso morreu vítima de câncer no último dia 4 de março deste ano de 2023. Tinha 73 anos de idade. Começou a carreira no extinto jornal paulistano Diário Popular. Seu traço espalhou-se por publicações Brasil afora. Deixou meia dúzia de livros publicados, todos de alto nível. Eu o conheci de perto. Foi sepultado segunda 6, no cemitério São Paulo. Para lembrá-lo, o cartunista Fausto foi buscar inspiração em Da Vinci. LEIA: ADEUS PAULO CARUSO

Foto e Reproduções por Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 11 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (1)

Foto de Leandro Gomes de Barros
recuperada por Klévisson Viana

O Brasil, sabemos, é um país novo. Riquíssimo. De tudo tem muito: ouro, prata, pérolas e muita miséria, além das safadezas que borbulham nas esquinas, palácios e bordéis.
Por ser um país novo, tudo ainda é novo.
No correr da nossa história, houve todo tipo de violência e desgraça.
O indígena, o negro e a mulher, grosso modo falando, sempre foram vistos como um seres menores ou de segunda classe pelos poderosos de plantão.
Na literatura nacional e também na música aparecem personagens judiadas e até mortas de todas as maneiras. Num livro do cearense José de Alencar, por exemplo, há casos horrorosos.
No romance regionalista Til, de Alencar; e no Dona Guidinha do Poço, livro naturalista de Manoel de Oliveira Paiva, há casos terríveis findados em feminicídio.
Til foi publicado em 1872 e Dona Guidinha, embora também escrito no século 19, foi publicado 60 anos depois da morte do autor. No enredo desse livro, curiosidade: é a esposa que manda matar o marido.
Pois é, a nossa literatura ainda é nova. Tem só uns 200 anos.
A nossa literatura popular ainda é mais nova do que a chamada literatura erudita ou moderna.
Os primeiros folhetos de cordel, que se encaixam perfeitamente no campo da literatura popular, começaram a ser publicados no Brasil poucos anos antes da chegada do século 20.
O primeiro e nosso principal cordelista, como são chamados os autores de folheto de cordel, foi o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros.
Leandro escreveu seu primeiro folheto em 1889. Título: A Mulher Roubada, que só seria publicado em 1907.
O romancista Ariano Suassuna dizia que tomara conhecimento de um folheto de cordel circulando nos sertões da Paraíba já em 1836. Título: Romance da Pedra do Reino, de autor desconhecido.
Orígenes Lessa, também escritor dos bons, anotou: o primeiro folheto de cordel, também de autor desconhecido, publicado no Brasil foi em 1865, sob o título O Testamento que faz um macaco, especificando suas gentilezas, gaiatices, sagacidade, etc.
Em agosto de 2001 o Sesc, unidade Pompéia, apresentou uma grande exposição com debate e tudo mais intitulada 100 Anos de Cordel, cuja a curadoria coube ao jornalista Audálio Dantas.
Não se sabe até hoje quantos folhetos Leandro escreveu e publicou, mas às centenas com títulos clássicos como O Cachorro dos Mortos.
O cachorro dos mortos trata de um tríplice homicídio provocado pelo fato de uma das vítimas, Angelita, não ceder aos desejos de um pretendente. Atualíssimo.

sexta-feira, 10 de março de 2023

MARINHO GANHA POEMA AOS 75 ANOS

A comunicação sempre foi importante na vida humana.
O cotidiano é cheio de problemas, agora imaginemos o cotidiano sem comunicação; sem que as pessoas se comuniquem, se falem, se entendam.
As guerras entre nações existem desde tempos d'antanho.
As guerras, dizem, servem para equilibrar a população mundial. Eu digo: as guerras servem pra matar gente e transformar assassinos em heróis.
Há muitos heróis assassinos, desde quando o homem desceu da árvore.
Comunicação é tudo. Ou quase tudo.
A comunicação deveria resolver todos os problemas de ordem humana.
No dia 10 de março de 1876, na Filadélfia, EUA, o inglês de Edimburgo Alexander Graham Bell fazia a primeira ligação telefônica para um de seus auxiliares, Thomas Watson.
Foi ligação rápida e curta, de pouca distância, mas com isso ele conseguiu aproximar as pessoas. Avanço enorme no campo da comunicação. 
No dia 10 de março de 1948, nascia na Paraíba uma criança que se chamaria Sebastião Marinho. Sua infância não foi, digamos, própria de quem nasce em berço de ouro. Mas lutando virou artista, cantor. Trocou o violão pela viola e aí caiu no mundo mágico da cantoria de improviso ao som de música.
Já carreguei Sebastião Marinho pra tudo quanto foi programa que apresentei, no rádio principalmente.
Em dezembro de 2003, convidei Marinho pra animar o papo que eu faria, como fiz, com o cartunista argentino Quino. Desse encontro participaram ainda Álvaro Moya, Paulo Caruso e Custódio.
Marinho, que chega hoje aos 75 anos, vai receber amigos com tapete vermelho na sede da União dos Cantadores, Repentistas e Apologistas do Nordeste (Ucran), que criou há mais de 30 anos.
A Ucran está localizada à rua Teixeira Leite, 263, Liberdade, SP.
Sebastião Marinho é comunicação em pessoa.
Hoje tem festa de violeiro na Ucran. Bora lá?
Por não ter muito o que fazer, fiz Poeminha pra Sebastião Marinho. Ouça:
 

LEIA MAIS: SEBASTIÃO MARINHO, 70HOJE É DIA DE SEBASTIÃO MARINHO!

quinta-feira, 9 de março de 2023

EU E MEUS BOTÕES (60)

Um chute do Lampa por pouco não derrubou a porta. Ele estava eufórico. Estranhamente eufórico, quase babando: "Agora eu pego ele!".
Os olhos de todos se voltaram a Lampa. Barrica foi o primeiro a falar: "O que é isso, endoidou?".
Fazendo de conta que nada ouvira, Lampa abriu o jornal e aos trancos e barrancos leu a manchete: Coronel afirma que Bolsonaro ficou com joias dadas por regime saudita...
De modo brusco Barrica puxou o jornal das mãos de Lampa, que não gostou e quase rosnando entre dentes disse algo ininteligível: "Bvjrtzqblxk!".
"Calma, mano. Deixa o Lampa ler a notícia!", interrompeu Biu. "Mas ele me deixa nervoso, nem sabe ler direito esse peste!", retrucou Barrica. 
Nesse ponto foi a vez de entrar na conversa o botão letrado Zilidoro, que educadamente pediu pra ele próprio ler a notícia do jornal. Barrica olhou pro Lampa, que nada disse. Zilidoro começou: "Documento obtido pelo Estadão atesta que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu no Alvorada um segundo pacote de joias da Arábia Saudita, também trazido irregularmente ao Brasil pela comitiva do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque...".
"Tá vendo? Tá vendo? Tá vendo? O cabra é um ladrão, um desmilinguido. Vou pegar e vou capar. Lugar de quem não presta são dois: cadeia ou um buraco de cemitério", falou esbravejando o destabocado Lampa. "Agora eu pego ele! Ora se pego!", acrescentou aos berros enquanto alisava seu punhalzinho de estimação. 
Do fundo da casa escutei uma voz malemolente, perguntando o que é que eu estou achando dessa história toda de joias e tal. Era Zoião. Respondi que acho um horror, uma vergonha. É um escândalo atrás do outro manchando o nome do nosso país.
Mané tomou a palavra pra perguntar se eu já lera o livro O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro, da jornalista Juliana Dal Piva. Respondi dizendo que esse livro foi lançado em 2022, mas que ainda não tive tempo de lê-lo. Até porque leio muita coisa. As prioridades em primeiro lugar. Acabo de ler, por exemplo, o mais novo livro do colega José Nêumanne, Antes de Atravessar. É um baita livro de poesia. Eu o recomendo, aliás.
Até então em silêncio, Zé deu um beliscão em Jão, que o encarou rindo: "Que isso, Zé?".
Tudo que Zé queria era simples: perguntar se eu sei quanto é que nós, brasileiros, estamos pagando pela permanência do ex-presidente nos EUA. Respondi dizendo que a questão é complexa, mas seguramente pelo menos 2 milhões já sairam do erário público para manter Bolsonaro no Exterior. Como ex-presidente ele tem direito a dois automóveis com motoristas, tradutor ou tradutora pessoal, meia dúzia de seguranças, hospedagem em hotel bom, alimentação ótima e tal. Uma beleza!
"Tá vendo? Tá vendo? Isso é uma vergonha!", alterou-se novamente Lampa, jurando por Deus e Nossa Senhora que "Tudo vai mudar um dia. E pra melhor".
Eu já me preparava pra dar por encerrada a nossa roda de conversa, quando Zoião perguntou se eu não escrevera algum poema para as mulheres no seu dia, 8 de março que foi ontem. Respondi que sim e mais do que depressa, Zilidoro sacou o celular e botou pra todo mundo ver e ouvir:
 

segunda-feira, 6 de março de 2023

BOLSONARO É JOIA

O Brasil é mesmo um país estranho, mas muito bonito.
Na caixinha joiada dada pelo rei,
está faltando um bracelete...
Ou eu tô cego!?

De tão real, a política brasileira parece ficção. Né, não?
Está em tudo quanto é jornal a notícia de que Bolsonaro tentou embolsar para si e com sorte os mimos que o rei Déspota da Arábia Saudita ofereceu como presente ao Brasil. Joias, um monte de joias. Tudo calculado em pelo menos três milhões de euros. Algo como 16 ou 20 milhões de reais.
Presentes que chefes de governo recebem de outros chefes superior a um mil dólares, vão todos para o acervo do Governo/Palácio. Pois, pois. E não é, menino, que o ex-presidente fez de tudo para embolsar esses mimos? Sua consorte, Michelle, andou aí pelas redes debochando do caso. Hmmm...
O Ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou abertura de inquérito para apurar o caso tim-tim por tim-tim.
Uma coisinha: um brasileiro reconheceu Bolsonaro ao entrar num restaurante no Tennessee, EUA. Perguntou: "Tudo joia, presidente?". Nervoso, Bolsonaro fitou os olhos do interlocutor, respondendo: "@~!%&¨$ PARIU!". 
É muita baixaria... Até quando?
E tudo começou com rachadinhas, funcionários fantasmas...

domingo, 5 de março de 2023

GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (2, FINAL)

A Segunda Guerra Mundial foi deflagrada no dia 1° de setembro de 1939 e teria fim no dia 2 de setembro de 1945. O saldo ficou na casa dos milhões e milhões de mortos e incontáveis feridos.
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial o ditador Getúlio Vargas já havia criado um inferno particular para os brasileiros: o Estado Novo, instalado em 1937. Deixou mortos e feridos.
Entre 1936 e 1939, os espanhóis viveram em guerra.
A Rússia participou da Primeira e da Segunda guerras mundiais. O Brasil também.
Submarinos alemães afundaram navios brasileiros, daí a nossa participação nesses conflitos. Curiosidade: Aracy de Carvalho, mulher do escritor Guimarães Rosa teve participação ativa no salvamento de judeus. Participação ativa também teve a escritora Clarice Lispector. À época Clarice se encontrava na Alemanha em companhia do marido Maury Gurgel Valente, que era embaixador. Não seria exagero dizer que a experiência vivida pela escritora refletiu-se na sua obra.
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia no ano de 1920.
Cinquenta anos antes do nascimento de Clarice, o Brasil acabara de sair vitorioso da guerra do Paraguai. Essa guerra começou no final de 1864 depois de tropas do exército do Paraguai invadirem o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul; e pela parte argentina Corrientes. Foi quando formou-se a Tríplice Aliança e tal. O resto é história.
E não tem como esquecer a Guerra de Canudos, brasileiramente interna, ocorrida entre 1896 e 1897. Quem acabou com essa guerra foi o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de Morais, reunindo forças policiais de vários Estados. Massacre. Leia Os Sertões.Leia também o Dicionário das Batalhas Brasileiras de Hernâni Donato.
É certo que já passa de 350 mil o número de mortos na guerra de Putin.
No nosso subconsciente se acha a errônea informação de que o maior número de assassinatos numa guerra foi provocado pelo austríaco Adolf Hitler. Não foi. A história conta que o sacana que mais matou gente numa guerra foi o chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976): 40 a 70 milhões. Não há exatidão, mas os números são horrorosos.
Claro, Mao foi o sujeito que instalou o Comunismo no seu país. Curiosidade: entre os 196 países reconhecidos pela ONU, apenas cinco têm o Comunismo como regime político. Esses países são, além da China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Cuba.
O Comunismo foi adotado na Rússia logo após a guerra civil, em 1917, quando Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin (1870-1924), assumiu o poder.
O comando do chamado Exército Vermelho foi confiado por Lenin a Leon Trotsky.
Em 1923, há um século, portanto, a Rússia passou a chamar-se União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.
Com a morte de Lenin, Trotsky e Joseph Stalin disputaram o poder. Trotsky perdeu e Stalin entrou para a história como assassino de milhões e milhões de russos e russas.
E teve, na história, uma guerra que engoliu 3 reis. Foi em Alcácer-Quibir, no Marrocos, no ano de 1572. Um desses reis, Dom Sebastião, virou um quase santo e a marca politicamente indelével de Sebastianismo.
O presidente Inácio Lula da Silva acaba de entrar no jogo, sugerindo a formação de um grupo de países para negociar a paz entre Rússia e Ucrânia.
Como fica a situação das outras guerras mundo afora, hein?
Que Deus nos proteja.

Foto por Flor Maria.
Ilustração de Fausto Bergocce.

sábado, 4 de março de 2023

ADEUS, PAULO CARUSO!

 Hoje 4 bem cedo, ali pelas 9 da matina, o telefone toca trazendo a voz do cartunista Fausto. Dizia que o colega Paulo Caruso partira pra um lugar longe daqui, definitivamente. Não chorei, mas a notícia deu-me um nó do caralho na garganta.
Paulo Caruso foi meu amigo. Falávamos, falávamos e falávamos sobre tudo que ocorria/ocorre na vida brasileira.
Eu tinha por Paulo um carinho enorme. Era coisa vice-versa, sabe?
Eu sou do tempo de anos atrás. Dum tempo passado, que ainda se acha vivo na minha memória. E aqui lembro de nomes incríveis que comigo compartilharam redações: Fortuna, Petchó, Glauco, Henfil...
É claro que a vida fica mais pobre, mais triste, sem a presença dessas pessoas tão queridas no meu dia a dia.
"Nos últimos três anos já morreram mais de 50 cartunistas", lamenta o antenado Fausto Bergoce.
A última vez que estive com Paulo Caruso foi no evento comemorativo dos 50 anos de fundação da TV Cultura, no MIS - Museu da Imagem e do Som. Estavam comigo a  minha amiga querida e  jornalista Cilene Soares, o presidente Marcos Mendonça e sua esposa Dalva.
A noite daquele evento foi inesquecível. Tudo nos trinques. Bom vinho, bom uísque, boa cachaça.
Além da comemoração dos 50 anos da TV Cultura, aplaudiam-se o sucesso que foi a série Brasil Toca Choro. Dessa série, na TV, participei de dois ou três episódios.

Ah! Ia me esquecendo: na ocasião foi lançado um livro luxuoso intitulado Brasil Toca Choro. Já na primeira página, Paulo achou de caricaturizar a mim e a Cilene. Gostei, gostamos.
Digo essas palavras como lembrança de um momento muito bonito do qual participou o meu querido Paulo Caruso, irmão do Chico... A propósito lembro aqui do encontro entre mim, Paulo e Chico Caruso na missa de sétimo dia em louvor à alma de Fortuna. Foi numa igreja do Jabaquara, acho que São Judas. 
Paulo Caruso parte aos 73 anos de idade.
Hummm... Estou na casa dos 70 desde o ano passado e...
Daqui ninguém leva nada, mas deixa lembranças.
A lembrança que eu tenho de Paulo Caruso é a lembrança de um irmão querido.

GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (1)


Não tem jeito. Os indícios levam a uma grave realidade: o mundo anda de pernas bambas e com ele, nós.
Nós, humanos, não temos salvação.
Desentendimento leva à discussão e briga no campo doméstico.
Conflito gera convulsão e até morte à bala ou facadas. Comum no cotidiano.
Isso tudo piora no campo político quando brigas provocam conflitos envolvendo grupos. Daí a outros episódios mais graves é um passo.
Secessão ou guerra civil é o que mais ocorre mundo afora. Sem falar em levante, revolução e guerra pelo poder.
No momento há guerras internas na Síria, por exemplo.
Há anos guerras começam e recomeçam no continente africano e fora dele. No Iêmen o pau canta há muito tempo. Milhares e milhares já morreram e continuam a morrer no Oriente Médio e no Leste Europeu. Leia-se: Rússia × Ucrânia.
A Ucrânia foi invadida por tropas russas no dia 24 de fevereiro de 2022. O presidente dos russos Vladimir Putin decidiu matar os ucranianos simplesmente com o propósito de tomar suas terras. Pensou que seria coisa de uma semana, mas quebrou a cara e está levando seu povo e seu exército à bancarrota, já que os países civilizados estão todos contra ele. Entre esses os EUA, França, Alemanha e Inglaterra.
Os EUA têm ampla experiência em guerras. Perdeu algumas, mas ganhou muitas.
Em 1776 os EUA, que eram colônia da Inglaterra, conquistaram a sua independência.
Entre 1861 e 1865, os EUA entraram em guerra civil e o resto todo mundo sabe.
Em 1789, a França deu exemplo de liberdade com a tomada da Bastilha. O rei à época, Luís XVI, perdeu a cabeça numa guilhotina.
A base de Hitler para tomar o mundo foi a Alemanha. Inspirou-se nas diabruras do italiano Mussolini, que acabou esquartejado pela plebe rude após o fim da guerra. Bem feito!
O ditador, sempre os ditadores, António Oliveira Salazar (1889-1970) era um apaixonado pelo matador Mussolini.
Salazar teve sob suas rédeas o povo português, entre os anos de 1933 e 1968, quando caiu da cadeira. Infarto.
E Francisco Franco (1892-1975) na Espanha, hein?
Foi sob as armas assassinas de Franco que sucumbiu, num paredon, um dos maiores poetas espanhóis: Federico García Lorca.
O mundo está em convulsão, continua em convulsão, e pode explodir a qualquer momento num apertar de botões.
A Rússia tem cerca de 6.255 ogivas nucleares.
Guerras são uma praga que existe desde que o homem desceu das árvores.
Você sabia que existem pelo menos uma bomba nuclear, de origem norte-americana, perdida num lugar qualquer do mundo?
Hiroshima e Nagasaki, no Japão, foram destruídas por bombas atômicas em agosto de 1945.
Sempre houve guerra pela disputa do poder.
O Egito que ainda tem um dos maiores exércitos do mundo árabe já dominou áreas enormes do nosso planetinha. Falo do tempo antigo.
O povo egípcio se juntou em 2011 formando o que se chamou "Primavera árabe". O resultado disso foi a queda do ditador Mohammed Hosni Mubarak.
Há guerras que começam à toa.
No dia 28 de julho de 1914 o bam-bam-bam do Império Austro-Húngaro Francisco Ferdinando e sua mulher Sofia foram assassinados a tiros de pistola numa rua de Sarajevo. Pronto! Estava iniciada a Primeira Guerra Mundial, que se prolongaria até o dia 11 de novembro de 1918. O saldo foi de milhões de mortos e feridos, incluindo civis.

sexta-feira, 3 de março de 2023

GRUPO GATO COM FOME CANTA GORDURINHA

Atenção! Atenção!
O grupo musical paulistano Gato com Fome (foto ao lado) subirá ao palco do Teatro Sérgio Cardoso às 19h da próxima segunda-feira 6.
Formado por Cadu Ribeiro (voz e percussão), Gregory Andreas (voz e cavaquinho) e Renato Enoki (voz e violão 7 cordas), apresentará ao distinto público um repertório especial baseado na obra do cantor e compositor baiano Gordurinha.
Gordurinha, de batismo Waldeck Artur de Macedo (1922-1969), trocou a cidade onde nasceu por Recife, PE, na virada dos 40. Em 1951 trocou a Capital pernambucana pelo Rio de Janeiro, onde morreria no dia 16 de janeiro.
Sua primeira composição foi gravada por Jorge Veiga, Quero me Casar.
Gato com Fome surgiu há uns 20 anos. É arretado!
O repertório que o grupo apresentará no Teatro Sérgio Cardoso abre com o clássico Chiclete com Banana, imortalizado pelo rei do ritmo Jackson do Pandeiro. Ouça:

quinta-feira, 2 de março de 2023

O NOSSO SENADO É UMA MÃE

Tem muita coisa errada no Brasil, mas o erro não está nos brasileiros. O erro se acha palpitando no coração do Senado, na Câmara, por aí.
Os senadores acabam de decidir que vão trabalhar menos. Esse "trabalhar menos" significa violentar os meses. Explico melhor: os 81 senadores eleitos por nós, o povo, vão trabalhar apenas três dias por semana num mês de três semanas. Assim mesmo, à tarde. Os dias de "trabalho" começarão à tarde de terças, quartas e quintas-feiras.
É mole?
Meu amigo, minha amiga, você sabe quanto custa um senador aos cofres públicos?
Atualmente um senador recebe por mês 39,2 mil reais.
A partir do mês que vem, abril, cada senador que elegemos passará a receber a bagatela de 41,6 mil reais.
Por ano nós, brasileiros, tiramos do bolso a bagatela de algo em torno de 5 milhões de dólares para manter um senador, sentadinho em sua cadeira. Em reais, os citados dólares somam quase 25 milhões de reais.
Dentre todos os Senados do nosso planetinha, só o Senado dos EUA tem custo maior que o nosso. Detalhe: Os Estados Unidos da América têm a maior economia do mundo.
Que tal, hein?
O mandato de um senador é de 8 anos, no mínimo.
Ah! Ia-me esquecendo: ainda tem as férias, o recesso...
Pois, pois!

quarta-feira, 1 de março de 2023

AINDA HÁ ESCRAVIDÃO NO BRASIL

... Eu estava uma tarde sentado no patamar da escada exterior da casa, quando vejo precipitar-se para mim um jovem negro desconhecido, de cerca de dezoito anos, o qual se abraça aos meus pés suplicando-me, pelo amor de Deus, que o fizesse comprar por minha madrinha, para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida... Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição, com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava.
Nada mostra melhor, do que a própria escravidão, o poder das primeiras vibrações do sentimento... Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar... Assim eu combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimittis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimentando uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.
É que tanto a parte do senhor era inscientemente egoísta, tanto a do escravo era inscientemente generosa. A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil...
(Massangana, trecho do capítulo 20 do livro Minha Formação, de Joaquim Nabuco; 1900)
Os exploradores do capitalismo selvagem continuam escravizando pessoas incautas e delas fazendo o que querem. De certo modo, tem sido uma rotina no Brasil. 
Somente em 2022, segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego 2.575 pessoas foram resgatadas de locais de trabalho análogo a escravidão. A maior parte dessas pessoas foi localizada no território de Minas Gerais. Os responsáveis foram obrigados a indenizar as vítimas.
O tema continua em pauta.
Ouvi hoje 1º notícia no rádio dando conta de que a polícia rodoviária do Rio Grande do Sul localizou e livrou do trabalho análogo a escravidão 207 pessoas, todas do sexo masculino e oriundas da Bahia. Encaixam-se na faixa etária de 18 a 27 anos.
Essas pessoas aqui lembradas foram localizadas no município de Bento Gonçalves, RS. Estavam trabalhando sem nenhuma garantia na colheita de uva. O período dessa colheita vai de janeiro a março.
A respeito desse assunto, acabo de ouvir no rádio trecho de um discurso do vereador gaúcho Sandro Fantinel. Um horror. Esse cidadão precisa ser punido na forma da lei, no rigor da lei, pelos absurdos que diz no Plenário da Câmara em Caxias do Sul, RS. Ouça/veja: https://youtu.be/H2nl-nNwM6c
O pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910) estava adiantado no seu tempo em mais de 100 anos. No livro Minha Formação, ali no capítulo 21 (A Abolição), ele escreve:

Quando a campanha da abolição foi iniciada, restavam ainda quase dois milhões de escravos, enquanto que os seus filhos de menos de oito e todos os que viessem a nascer, apesar de ingênuos, estavam sujeitos até aos 21 anos a um regime praticamente igual ao cativeiro. Foi esse imenso bloco que atacamos em 1879, acreditando gastar a nossa vida sem chegar a entalhá-lo. No fim de dez anos não restava dele senão o pó. Tal resultado foi devido a muitas causas... Em primeiro lugar, à época em que foi lançada a idéia. A humanidade estava por demais adiantada para que se pudesse ainda defender em princípio a escravidão, como o haviam feito nos Estados Unidos. A raça latina não tem dessas coragens. O sentimento de ser a última nação de escravos humilhava a nossa altivez e emulação de país novo. Depois, à fraqueza e à doçura do caráter nacional, ao qual o escravo tinha comunicado sua bondade e a escravidão o seu relaxamento. Compare-se nesse ponto o que ela foi no Brasil com o que foi na América do Norte. No Brasil, a escravidão é uma fusão de raças; nos Estados Unidos, é a guerra entre elas...

Em 2000, o cantor e compositor Caetano Veloso melodiou parte do texto Massangana. O texto musicado foi o título do CD Noites do Norte. Ouça: 


LEIA MAIS: MARIA FIRMINA DOS REIS, 100 ANOSIMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE IHISTÓRIA VIVA, MEMÓRIA MORTA. PAÍS SEM MEMÓRIAJESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (1)LEI PRA INGLÊS VER

RUY BARBOSA 100 ANOS

O baiano Ruy Barbosa foi uma das mentes mais brilhantes do Brasil. Sem dúvidas. Foi ele também o primeiro ministro da Fazenda da 1ª República. Governo Deodoro da Fonseca. Sua inteligência ultrapassou fronteiras. Foi aplaudido nos EUA e Europa. Na Holanda a Imprensa o chamou de Águia de Haia. O apelido pegou e ficou no imaginário popular. Tentou ser presidente em 1909, disputando com o marechal Hermes da Fonseca. Perdeu. Em 1919 tentou novamente ser presidente, disputando com o paraibano Eptácio Pessoa. Perdeu. Antes disso, muito antes, mandou queimar documentos importantes referentes ao período da escravidão no Brasil. Crime. Desse crime jamais livrou-se.
Ruy Barbosa de Oliveira nasceu na cidade de São Salvador, BA, no dia 5 de novembro de 1849 e morreu em Petrópolis, RJ, no dia 1º de março de 1923.

LEIA MAIS: O NEGRO NA HISTÓRIA (1)ARTISTAS ENGAJADOS

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

SECOM PROMETE COMBATER FAKE NEWS

A Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Secom, acaba de criar um cargo que visa combater a onda de notícias falsas. Até aí, tudo bem. Porém, há um porém.
O novo cargo ainda não foi preenchido, mas chama atenção pela peculiaridade do título: coordenadora da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Pois é, parece piada. É piada.
Daqui desejo sorte e sucesso ao titular da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

JOSÉ NÊUMANNE NO PAIAIÁ

O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto está lançando um novo livro de poesias: Antes de Atravessar (Ed. Ibis Libris).
Nêumanne foi entrevistado sábado 25 pelo radialista Carlos Silvio. Acompanhe a entrevista, clicando:

ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (2, FINAL)

As cantoras Dalva de Oliveira, Isaura Garcia e Aracy de Almeida

Três anos depois de ser aprovada num programa de calouros da Record, comandado pelo radialista Otávio Gabus Mendes (1906-1946), gravou o seu primeiro disco, pela extinta Columbia, no formato de 78RPM o samba Pode Ser?, de Geraldo Pereira e Marino Pinto; e o choro Chega de Tanto Amor, de Mário Lago.
Isaurinha Garcia, como Dalva de Oliveira, cantou tudo quanto foi ritmo. Baião inclusive.
Ouça Baião no Braz.
Em 1979, a Personalíssima foi entrevistada no programa FM Inéditos, da rádio Eldorado. A entrevista foi ótima. A respeito, escreveu o historiador José Ramos Tinhorão:
… Acompanhada apenas por um violão — contou sua vida com alegre sinceridade, e cantou com paixão algumas várias músicas que os interesses de estúdio nunca lhe haviam antes permitido gravar. Sem o saber, Isaurinha Garcia estava produzindo ali, ao vivo, naquela hora, um raro documento de verdade e de beleza.
No seu texto de contracapa do LP, Tinhorão concluiu:
O resultado dessa obra de carinho e competência técnica de Aluízio Falcão e da Eldorado postos a serviço da glória devida a uma das mais originais intérpretes femininas da música popular brasileira em todos os tempos, é um disco raro e único: resume uma carreira, conta uma vida e permite ouvir, para sempre, uma voz do povo destinada a ficar acima das modas e do tempo. A mágica voz nacional do Brás de Isaurinha Garcia.
Isaurinha já chegou a ser tema de um musical, estrelado pela atriz Rosamaria Murtinho (Isaura Garcia
— O musical, 2003) e de um livro escrito por Lulu Librandi (Mensagem — A Isaurinha Garcia, 2013).
Isaurinha teve pouquíssimas participações no cinema.
No filme Garotas e Samba, de Carlos Manga (1957), ouve-se Isaurinha cantar a marchinha Garrafa Cheia, de Adoniran Barbosa, Benedito Lobo e Antônio Rago. Sim, ela bebia legal. E orgulhava-se da boca suja de palavrão que tinha. Dizia que o seu repertório de palavras de baixo calão era só comparável ao repertório de Aracy de Almeida e Emilinha Borba.
Aracy, não custa lembrar, foi a melhor intérprete das músicas de Noel Rosa.
Da sua discografia constam cerca de 300 títulos. Entre esses Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro.
Já está mais do que na hora de algum diretor de cinema levar à telona a vida dessa artista nascida no bairro paulistaníssimo do Brás.
Este ano, comemora-se 100 anos do nascimento de Isaurinha Garcia.
Ano que vem, 100 anos do nascimento de Paulo Vanzolini.
Depois, em 2025, é a vez de comemorarmos o centenário de Inezita Barroso.

 
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (1)

Ei, vem cá: você já ouviu falar de uma mulher chamada Vicentina de Paula Oliveira?
Não, sei que você não sabe quem foi essa Vicentina.
E se eu disser que essa Vicentina atendia pelo nome de Dalva de Oliveira, hein?
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar de uma mulher chamada Isaura Garcia?
Hummm... Tá. Isaurinha Garcia. Isso mesmo, ela.
Dalva de Oliveira nasceu no interior paulista, numa cidade chamada Rio Claro, a pouco mais de 170 km da capital de São Paulo. Ano: 1917.
Isaurinha Garcia, paulistana do Brás, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923.
O que diachos tem a ver Dalva de Oliveira com Isaurinha Garcia, além de ambas terem nascido num mesmo século no Estado de São Paulo?
Isaura era filha de um italiano com uma brasileira. Pobre. Simples, humilde. Casal que queria tudo de bom para a filha, naturalmente. História essa: tinha 13 anos a menina Isaura quando participou de um programa de calouros na rádio Cultura. 1937. Foi gongada. No ano seguinte saiu-se vitoriosa num outro programa de calouros, interpretando um samba de Assis Valente intitulado Camisa Listrada, na Rádio Record.
Pela Record Isaura, que viraria Isaurinha, chegaria a se aposentar.
A história é longa e cheia de altos e baixos. Baixíssimos. Baixarias, na verdade.
Isaura deixou a casa dos pais ainda na primeira adolescência. Tinha uns 14, 15 anos. Fez isso por achar-se apaixonada por um bam-bam-bam da radiofonia paulistana, com quem viveu durante 18 anos. Isso não quer dizer que ela tenha sido exclusiva dele. Disse-me uma vez, às gargalhadas.
Isaurinha Garcia foi uma mulher marcante, tão marcante quanto a sua voz: ia do baixo ao alto.
Sabe amigo, amiga, daquelas pessoas que nos encantam derrepentemente?
Assim era Isaurinha cheia de obviedades surpreendentes: cantava com verdades, interpretando com intensidade as letras das canções que lhe chegavam às mãos.
O poeta mineiro Drummond talvez a chamasse de gauche e não erraria.
Isaurinha quando se apaixonava, apaixonava-se por completo. Sem medo. "Ele batia em mim, na cara. Pá!".
Referia-se ao músico pernambucano Walter Wanderley (1932-1986).
Quando ela uma vez a mim disse isso, e é certo que a outros jornalistas também, foi naquela maneira meio rindo. Gargalhando, mas um gargalhar meio triste, falso, de quem engole dor de maneira forçada. Dava pra ver.

Mulheres guerreiras, como a gente diz hoje, são mulheres como Isaurinha Garcia. Sofreu, mas viveu com intensidade. Disse uma vez que se tivesse muito dinheiro ajudaria a todo mundo, principalmente as putas. "Eu amo as putas. Todas".
Teve Isaurinha três maridos e muitos amantes. Ela: "Eles me traíam e eu dava o troco".
Dalva de Oliveira teve três maridos e nenhum amante.
Isaurinha Garcia teve apenas uma filha. Dalva, com seu primeiro e mais turbulento marido teve dois filhos.
Dalva de Oliveira é um marco da música popular brasileira no tocante à voz. Foi a nossa maior cantora da música popular. O seu timbre vocal ia do contralto ao soprano. Inimitável.
Isaurinha Garcia, a Personalíssima na acertada definição de Blota Júnior (1920-1999), foi de fato uma cantora que marcou época em 50 anos de carreira.Não precisa ir longe na memória, mas quem gosta de música bonita vai se amarrar, como se dizia lá pelos anos 80. É de 1945 seu primeiro sucesso musical: Mensagem, de Aldo Cabral e Cícero Nunes.

ROBINHO DEVE SER PRESO POR ESTUPRO

 À presidente do STJ, Maria Tereza de Assis Moura, cabe decidir pela homologação da condenação por estupro o ex-jogador de futebol Robinho. O caso aconteceu na Itália e foi a Justiça italiana que condenou o ex-integrante da seleção brasileira de futebol a uma pena de nove anos de cadeia. 

Robinho se acha no Brasil. 

Há poucos dias Maria Tereza recebeu da Justiça italiana o pedido de homologação da pena. 

Historicamente o Brasil nunca extraditou brasileiros para cumprir pena no exterior. 

É 100% provável que a Justiça brasileira mande prender o estuprador. Pode demorar alguns meses para que isso aconteça, mas acontecerá. 

É opinião quase geral de que lugar de estuprador é na cadeia.

Estupro é coisa séria, gravíssima e deve ser punida no rigor da lei. 

Daniel Silva, também ex-integrante da seleção brasileira de futebol, continua preso na Espanha. Nesse país ele foi acusado de estupro. 

Cumpra-se a lei. 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

SIMONAL: IMAGEM REABILITADA

Wilson Simonal foi um dos cantores mais emblemáticos do nosso pa-tro-pi. Nasceu no dia 26 de fevereiro de 1939. Pois bem, em vida Simonal deu no que falar.
Dono de uma voz e um balanço incomparáveis, Simonal começou a carreira artística gravando um compacto simples. Isso em 1961. Dois anos depois, pela ODEON, gravou seu primeiro LP: Tem algo mais.
Vejam só: o primeiro LP de Simonal foi lançado há exatos 60 anos.
O sucesso acompanhou Simonal a vida inteira. Ou quase durante a vida inteira, pois num ano da década de 70 foi acusado de ser informante da engrenagem policial da repressão. E sua carreira, a partir daí, entrou em parafuso. E ele também.
No ano qualquer dos 90 combinei, por telefone, entrevista com Simonal. Ele topou, mas não deu tempo, três ou quatro dias depois do combinado, morreu. Dissera-me que iria contar tudo sobre as acusações sofridas.
Em 2003 a imagem pública de Wilson Simonal foi reabilitada pela Comissão dos Direitos Humanos da OAB por nada ter sido encontrado contra ele nos arquivos policiais. Luta da família. Isso gerou um documentário. Acompanhe: 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

PUTIN CONTINUA MATANDO NA UCRÂNIA... ATÉ QUANDO?

 
Guerra serve pra matar gente, fazer herói e vilão.
E pra enriquecer a indústria bélica. Sempre foi assim e assim certamente, infelizmente, sempre será.
Nós humanos não nascemos para nos salvar. É do jogo, para desespero das pessoas que querem simplesmente viver.
Já entrou no calendário mundial o dia 24 de fevereiro do ano da pandemia da Covid: 2022.
Foi naquele 24 de fevereiro que o mundo foi surpreendido pela invasão da Rússia na Ucrânia. Até agora já morreram cerca de 350 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças. E idosos. É o que dizem as agências de notícias.
Putin, o dono da Rússia, foi o responsável pela invasão que estarreceu o mundo civilizado.
A Covid-19 matou milhões de pessoas. Só no Brasil, 700 mil. Quer dizer, o dobro dos mortos pela guerra na Ucrânia.
Já faz dias que o presidente Luís Inácio Lula da Silva, pressionado pelo presidente norte-americano Joe Biden, recusou-se a entrar na guerra Rússia x Ucrânia. A ele foi pedido toneladas de balas para a resistência ucraniana contra-atacar as forças de Putin. Disse não. E ao dizer não, Lula sugeriu que fosse formado um bloco para negociar a paz. A ONU topou. É isso.
Por não ter cá muito o que fazer, fiz este poeminha:
 
Todos sabem muito bem
Que o mundo anda mal
Girando um tanto torto
No seu eixo natural

É caso muito sério
De difícil solução
Pode tudo se findar
À base de explosão

Como rastro de pólvora
Feito só para matar
As guerras se multiplicam
No campo, na serra, no mar

Aviões atiram bombas
Aleatoriamente
Destruindo meio mundo
E matando muita gente

Tudo isso sob as ordens
De um ser que planta o mal
De um ser que quer fazer
Nova guerra mundial

Pare enquanto é tempo
Chega de tanto terror
Em fuga o povo chora
Pedindo paz e mais amor

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

GERMANO MATHIAS AGORA É SAUDADE

Hoje é quarta-feira de cinzas
Zombou de todo meu amor, Levou
A alegria colorida
A festa já se acabou
E o que sobrou foi somente despedida...
 
Fui pego ontem 22 de surpresa. Um amigo, Peter Alouche, pelo telefone disse: "Morreu Germano Mathias. Foi à pouco, horas atrás".
O cantor, compositor e ritmista Germano Mathias, paulistano do Pari, se achava internado num hospital de São Paulo se recuperando de uma pneumonia. Não deu. À tarde, partiu. Tinha 87 anos. Ia fazer 88 no próximo dia 2 de junho.
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Germano Mathias participou de filmes (abaixo) e até uma novela, no SBT.
A carreira desse artista iniciou-se em 1954, quando gravou a primeira música e seu grande sucesso: Minha Nega na Janela.
Conheci de perto Germano. Eu o entrevistei várias vezes, inclusive no programa que eu apresentava na Rádio Capital: São Paulo Capital Nordeste. Aliás, deste programa ele era freguês.
No dia 10 de fevereiro de 1992 publiquei entrevista de página inteira com Germano no jornal D.O. Leitura (ao lado). 
Ele era engraçado e fazia o diabo tocando samba numa latinha de graxa. Com a boca imitava o som de um trombone de vara como ninguém. Cantava muito bem. Voz única, sincopada. Ganhou prêmios e tudo o mais.
A última música que gravou foi Já foi Meu Carnaval. Ouça:
 
 
 
E VEJA: 
 
 
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

TRAGÉDIA, CARNAVAL E CINZAS


A água que tem despencado do céu vem deixando um rastro de mortes, em vários pontos do país.
Em São Sebastião, bela cidade localizada ao norte do litoral paulista, com cerca de 100 mil habitantes, entrou em parafuso no último fim de semana. Foram cerca de 700mm em 24 horas, de sábado para domingo. Isso quer dizer que choveu cerca de 700 litros de água num espaço de um metro quadrado. É volume grande, coisa feia do modo como caiu.
Até agora, no momento em que dito estas benditas linhas, equipes de salvamento retiraram 48 corpos que se achavam encobertos por lama e destroços diversos. Há notícia de que pelo menos 40 pessoas continuam desaparecidas. É grande o número de desabrigados.
Forças políticas estão juntas, unidas, trabalhando na tentativa de salvar gente e minimizar a situação.
O prefeito de São Sebastião é o PSDBista Felipe Augusto.
O governador Tarcísio Freitas, do Republicanos, está de mãos dadas com o prefeito. Juntando tudo, o presidente Lula está garantindo recursos necessários para reconstruir a cidade. Assim é que deve ser, independentemente de siglas e ideologias políticas.
Helicópteros do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Militar de São Paulo estão fazendo o que é possível fazer, segundo diz o governador.
Amanhã 23 um navio de grande porte da Marinha, com 300 leitos e mais de 20 médicos, aportará na região para receber feridos.
Diante dos problemas provocados pela chuva, o Carnaval do litoral Norte paulista foi cancelado.
São Sebastião, o mais antigo município da região, recebeu esse nome em homenagem ao santo do dia. Nesse dia, 20 de janeiro de 1502, navegava pelas proximidades o italiano Américo Vespúcio. Curiosidade: Vespúcio morreu num dia como o de hoje, 22 de fevereiro, quinze dias antes de completar 58 anos de idade em 1512, na Espanha.
Os primeiros habitantes de São Sebastião foram os índios tupinambás.
Na Capital paulista a vencedora dos desfiles foi a Mocidade Alegre, com o samba-enredo Yasuke. 
Na disputa pelo primeiro lugar, a Mancha Verde perdeu por um décimo.
A vida continua, nessa quarta-feira de Cinzas.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

NOTA 10 PARA A EXPEDITA DE LAMPIÃO!

Confesso que vibrei nesta madrugada ouvindo na TV o desfile da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, com seus 3 mil componentes divididos em 24 alas, além de 5 carros alegóricos. Num deles, o último, brilhava impoluta a única filha reconhecida como tal de Lampião, Expedita Ferreira.
Dizer mais o quê?
As escolas de samba são, no geral, colírio para os olhos das gentes de todo o canto.
Cá no meu canto já estou torcendo pela escola que levou Expedita Ferreira (ao lado) a desfilar seus 90 anos em cima de um carro alegórico do Carnaval deste ano de 2023, na Sapucaí, RJ.
Lampião é e será sempre uma figura polêmica. Herói ou bandido?
Ainda no correr do desfile dessa madrugada, no Rio, ouvi também entusiasmado a Beija-Flor, com seus 3.500 componentes em 23 alas e 6 carros, o puxador Neguinho da Beija-Flor (e Ludmilla) cantava o belíssimo enredo: Brava gente, o grito dos excluídos no bicentenário da independência.
A independência do Brasil não ocorreu, a rigor, no dia 7 de setembro de 1822. Ocorreu no dia 2 de julho de 1823, na Bahia. É essa a história que a Beija-Flor conta. Uma das heroínas da independência foi Maria Quitéria.

CARNAVAL DE SÃO PAULO

Logo mais as 16h começa a apuração das escolas de samba de São Paulo, no Anhembi.
Quem você acha que vai ganhar, a Mancha Verde?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

ATENÇÃO: FILHA DE LAMPIÃO DESFILA NA SAPUCAÍ, AOS 90 ANOS


Baseados principalmente na literatura de cordel, Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz e Renne Barbosa compuseram o enredo do samba O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida, que a escola Imperatriz Leopoldinense leva à Sapucaí lá pelo meio da próxima madrugada 21. O enredo começa assim:

Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia
Tal qual barro feito a mão misturado na areia

Quando a sanfona chora, mandacaru aflora
Bate zabumba tocando no meu coração
Leopoldinense, cangaceira é minha escola
Eis o destino do valente Lampião!


Essa não é a primeira vez que Lampião, de batismo Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), é tema de escolas de samba do Rio-São Paulo e de outros Estados. Cheguei a entrevistar DonaMocinha (1910-2012), última irmã do cabaço Lampa. Essa também não foi a primeira vez que i famoso cangaceiro pernambucano entra no vasto repertório da nossa música popular. Em Portugal ele virou ópera popular, ao lado do também celerado Zé do Telhado.
A Imperatriz Leopoldinense exibirá em destaque a única filha do Rei do Cangaço, Expedita Ferreira Nunes. O enredo ela o aprovou completamente e aceitou naturalmente o convite para desfilar na avenida.
Expedita vai completar 91 anos de idade no próximo 13 de setembro. Está, pois, com 90 anos.
A mulher com mais idade a desfilar numa escola de samba foi a nossa maior cantora lírica da história: Balduína de Oliveira Sayão, na arte Bidu Sayão. Tinha 93 anos de idade quando desfilou pela escola Beija-Flor de Nilópolis, no dia 25 de fevereiro de 1995.
Antes de Bidu ir à avenida, como tema de samba-enredo, desfilou pela Viradouro a humorista e atriz Dercy Gonçalves (1907-2008). Isso em 1991, quando tinha 84 anos de idade.
Essas jovens de idade a mais do que o natural são, de fato, incríveis.
A história do nordeste é tudo a ver com a história de Lampião e Luiz Gonzaga. À propósito, na última madrugada a escola Mancha Verde apresentou-se no sambódromo do Anhembi, SP. Tema: Oxente - Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil. Fala de Luiz Gonzaga.
Ouça o enredo da Imperatriz Leopoldinense:

LEIA MAIS: MARIA BONITA É CRIAÇÃO DE JORNALISTAS CANGAÇO E CONGRESSO DE CANGACEIROS

FORRÓ NATIVA

Hoje 20 ali pelo meio da madrugada, ouvi os irmãos Expedito e Amorim Filho tecerem loas sobre o trabalho de pesquisa no campo da cultura popular que desenvolvo desde sempre. Os dois, famosos como Mano Novo e Mano Véio, tomaram por base textos que escrevi a respeito da história do Carnaval. Isso no programa que apresentam madrugada adentro e há anos na rádio Nativa FM (93.5). Fico grato aos dois pela deferência e pelas belas palavras a mim dirigidas.
Expedito e Amorim Filho há muito labutam no rádio paulistano. Estive várias vezes no programa Nas Quebradas do Sertão, que apresentavam ao vivo na Velha Bandeirantes. O Nordeste se acha por inteiro na cabeça e no coração desses dois craques a quem os nordestinos de boa cepa devem muito, culturalmente falando.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (2, FINAL)

Eu sempre procurei ouvir artistas que enriquecem ou enriqueceram a nossa música popular.
Em fevereiro de 1990 publiquei entrevistas no Jornal de Brasília. Foram três. A primeira foi com João de Barro, o Braguinha, autor de clássicos do carnaval. É dele Touradas em Madri. é dele também, junto com Pixinguinha a pérola Carinhoso. A segunda foi com Zé Keti autor da última grande marcha-rancho Máscara Negra, com Pereira Matos. A terceira foi com Nássara. É dele e Haroldo Lobo a marchinha Alá-lá-ô, tornada clássica desde o seu lançamento em 1941.
Uma vez, fazendo pesquisa na biblioteca pública do Porto, deparei-me com uma notícia publicada num velho jornal português dando conta de que as primeiras manifestações carnavalescas no Brasil ocorreram bem no início do século 17. Notícia pequena, curtinha.
Uma notinha aqui, outra ali em jornais encontrados na Biblioteca Nacional dão conta de que o carnaval por aqui surgiu timidamente. Primeiramente em ambientes fechados. Bailes e tal. O primeiro desses bailes acorreu em 1840, no Rio. E foram se multiplicando e chegaram às ruas. O Zé Pereira saiu numa espécie de bloco do Eu Sozinho, batendo bombo.
Em 1899, à compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga coube a façanha de assinar a primeira marchinha de carnaval, Ó Abre Alas, que teria trechos gravados em disco da Casa Edison. A gravação completa porém só seria feita em 1972, pelas irmãs Linda e Dircinha Batista.
A primeira escola de samba de que se tem notícia é Deixa Falar, de 1928. A mais antiga, ainda em atividade, é a Portela que sai este ano de 2023 contando a sua história de 100 anos com o enredo O Azul Vem do Infinito.

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Na década de 70 era comum ouvir-se a expressão "som universal". Sempre bem humorado, Capiba mandou ver: "Som universal é peido!".
O carnaval tem sido ao longo do tempo objeto dos mais variados estudos. À respeito, muitos livros já foram publicados. Mas faltava um que tratasse de publicações periódicas, como jornais e revistas. E aí, em 2000, o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão (1928-2021) teve publicado pela Hedra o livro A Imprensa Carnavalesca no Brasil, cuja leitura recomendo.
Muitas coletâneas em disco, abordando a temática, também foram lançadas à praça. Entre essas Sempre Carnaval, caixa que traz seis LPs e um encarte contando um pouco da história do chamado “tríduo momesco”.

CARNAVAL DE BILAC

A crônica é um gênero jornalístico surgido na segunda parte do século 19. O jornalista, poeta e contista carioca Olavo Bilac (1865-1918) foi um craque nesse campo. Entre 1898 e 1908, ele publicou semanalmente no jornal Gazeta de Notícias crônicas que seriam publicadas no livro Ironia e Piedade, em 1916. Nesse livro ele publica a deliciosa Carnaval. Começa assim, à pág. 119:
Mascarados, sede bemvindos ! — diz em Romeu e Julieta o velho Capuleto — já houve um tempo em que eu também me mascarava, para murmurar amáveis lisonjas ao ouvido das mulheres bonitas !» Quasi todos os velhos cariocas podem dizer o mesmo, porque no Rio de Janeiro o Carnaval já foi a grande festa da cidade, a festa que congregava no mesmo delírio todas as classes e todas as idades.
Muita gente séria, antigamente, suspirava todo o anno pela chegada d'essa época feliz.
É que havia logares a que não podia ir, sem grave escândalo, o burguez prudente. [...]


Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 18 de fevereiro de 2023

CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (1)

Assis e Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste


No começo da segunda metade de 1918, a denominada “gripe espanhola” chegou ao Brasil pelos portos de Recife, Rio e São Paulo. Rapidamente a praga pegou. Matou muita gente por cá e alhures. Ao fim e a cabo, pelo menos 500 milhões de pessoas foram a óbito. Isso significou algo como ¼ da população mundial. Muita gente importante pegou essa gripe. O poeta Olavo Bilac morreu disso, em dezembro daquele ano.
O carnaval de 1919 foi uma barbaridade em todos os sentidos. Houve suicídios, estupros, balas...
Este ano de 2023 é, a rigor, o primeiro carnaval pós-pandemia Covid-19.
Evoé!
O carnaval é a festa popular de maior ressonância no Brasil. Foi trazida por portugueses cerca de um século depois de terem nos encontrado na pele dos indígenas. Éramos mais ou menos cinco milhões de almas de etnias diversas. Sobraram poucas. Pilantras de todos os tipos e patentes não se cansam de chafurdar nas terras dos nossos originários, pondo-os numa situação de risco grave, gravíssima, mas essa é outra história.
Carnaval: carne levare, carnivale, carnaval...
Não dá pra cravar com exatidão o mês e o ano em que nasceu o carnaval. Há quem diga que tem origens na Antiguidade. Pagã. Há também quem diga o contrário, ou seja: na Era iniciada com o nascimento de Jesus. Idade Média ou sei lá! O fato é que o carnaval, tal como o conhecemos, surgiu mesmo foi no Brasil.
Em país algum o carnaval é tão colorido e sensual como o carnaval do Brasil. É um carnaval bonito, extraordinariamente bonito, com sotaques e gingas pontuais de norte a sul.
O carnaval no Nordeste tem um quê a mais que outros carnavais do país.
No Sudeste, notadamente no Rio e em São Paulo, as escolas de samba são a grande atração.
Recife, chamada de Veneza brasileira, apresenta um carnaval peculiar e por isso mesmo inesquecível com seus grupos de maracatu e cirandas. Sem falar no famoso Galo da Madrugada com aqueles bonecões representando personagens do bem e do mal que pululam na vida nacional. E tem o frevo.
O frevo pernambucano é alegre, bonito, incomparável.
O pai do frevo sempre foi pra mim o inimitável Capiba, de batismo Lourenço da Fonseca Barbosa. A propósito cheguei a perguntar a Capiba se ele mesmo se considerava o pai desse inebriante ritmo. Rindo disse que não, que não era pai de nada. Mas quisesse ou não, compôs frevos incríveis. Chapéu de Sol Aberto, por exemplo. Esse frevo chegou a dar título a um LP, cuja capa foi ilustrada (vejam só!) por ele próprio.
Há uns 30 anos entrevistei Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste, que eu apresentava na Rádio Atual. Duas horas de papo.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

ESCOLAS CONTAM HISTÓRIAS DO NORDESTE. PORÉM, A DESEJAR

O desfile das escolas de samba de São Paulo começa oficialmente hoje 17, no sambódromo do Anhembi. 
O Carnaval é uma festa boa, bonita, a mais colorida festa popular do Brasil. A história é longa. A primeira marchinha surge com Chiquinha Gonzaga, em 1899. Um clássico. Uma joia. Antes tinha o Zé Pereira, o Entrudo antes do Pereira. E tudo foi indo, foi indo.
Surgiram as escolas de samba, primeiro no Rio de Janeiro. Deixa Falar marcou época. E foi e foi.
São Paulo imitou o Rio criando suas escolas.
Desde os anos 40 que as escolas têm samba de enredo. Tudo bonito e tal, hoje está tudo meio degringolado.
A Portela, no Rio, comemora seus 100 anos de fundação.
Em São Paulo três escolas escolheram temas até bonitos e bons, mas falharam no seu desenvolver.
A Dragões da Real vai entrar na avenida não contando o que se propôs a contar: a história da fundação de João Pessoa, PB.
A Mancha Verde vai entrar na avenida contando a história do Xaxado, cantiga do cangaceiro Lampião. Ficou meia-boca.
A Pérola Negra vai entrar na avenida homenageando Jair Rodrigues. Começa falando já no título: "Prepare seu Coração"... Vandré não é citado. Ficou assim, assim.
É isso. Confira e tire suas conclusões:





HOJE É DIA MUNDIAL DO GATO. E AÍ?


No calendário nacional e estrangeiro existe dia pra tudo. Dia de santo tal, dia do herói não-sei-quem, dia da independência não sei da onde, Dia da Paz Mundial, que é no dia 1º de janeiro. Existe dia pra tudo. Dia do Samba, Dia do Choro, Dia da Poesia, Dia da Literatura Infantil, Dia disso e daquilo. Até Dia do Gato existe.
Já faz anos que os italianos inventaram o Dia do Gato. Dia lá deles, dos bichanos e dos italianos.
Os italianos criaram o Dia do Gato em benefício do gato, principalmente dos gatos abandonados. A ideia era fazer com que as pessoas tomassem consciência da necessidade de tratar bem o gato e, na levada, todos os animais domésticos.
Diante do exposto até aqui peço licença aos cachorros, quadrúpedes ou não, para saudar o gato. O de botas, inclusive.
No Brasil existem mais de 20 milhões de gatos.
O número de cachorros é superior, mais do que o dobro, ao número de gatos. E nessa leva de gatos, euzinho aqui não se sente incluído. Poderia até estar, mas não.
É necessário que todos tenhamos consciência de ser preciso cuidar de gatos e de outros animais domésticos, com carinho.
Ao adotar o animal doméstico cuidemos deles porque eles também, de certo modo, cuidam da gente.
 
Assis com o livro Gataiada

O Dia do Gato criado pelos italianos virou Dia Mundial do Gato.
Em 2019 o cartunista paulista Fausto Bergocce publicou um livro muito bonito. Esse livro, Gataiada, é uma joia. Nele eu digo uma ou outra coisa. À pág. 39, por exemplo, inspirado num velho sindicalista, comparo gato a gente. Mais ou menos isso: Como qualquer um de nós, gato também é gente.
Pois, pois!
Há muitas histórias de gato.
Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar num cara chamado Edgar Allan Poe?
Pois bem, Edgar Allan Poe (1809-1849) foi jornalista, poeta, contista... É dele o conto intitulado O Gato Preto, que foi publicado originalmente em agosto de 1843. É uma história trágica. Começa com um jovem casal que cuida de um gato. O resto eu não conto. Se quiser saber o final dessa trágica história, tristemente original, leia: O GATO PRETO
Na nossa música popular, o gato é personagem bastante presente. Ouça: 
 


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