Zombou de todo meu amor, Levou
A alegria colorida
A festa já se acabou
E o que sobrou foi somente despedida...
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Eu sempre procurei ouvir artistas que enriquecem ou enriqueceram a nossa música popular.
Em fevereiro de 1990 publiquei entrevistas no Jornal de Brasília. Foram três. A primeira foi com João de Barro, o Braguinha, autor de clássicos do carnaval. É dele Touradas em Madri. é dele também, junto com Pixinguinha a pérola Carinhoso. A segunda foi com Zé Keti autor da última grande marcha-rancho Máscara Negra, com Pereira Matos. A terceira foi com Nássara. É dele e Haroldo Lobo a marchinha Alá-lá-ô, tornada clássica desde o seu lançamento em 1941.
Uma vez, fazendo pesquisa na biblioteca pública do Porto, deparei-me com uma notícia publicada num velho jornal português dando conta de que as primeiras manifestações carnavalescas no Brasil ocorreram bem no início do século 17. Notícia pequena, curtinha.
Uma notinha aqui, outra ali em jornais encontrados na Biblioteca Nacional dão conta de que o carnaval por aqui surgiu timidamente. Primeiramente em ambientes fechados. Bailes e tal. O primeiro desses bailes acorreu em 1840, no Rio. E foram se multiplicando e chegaram às ruas. O Zé Pereira saiu numa espécie de bloco do Eu Sozinho, batendo bombo.
Em 1899, à compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga coube a façanha de assinar a primeira marchinha de carnaval, Ó Abre Alas, que teria trechos gravados em disco da Casa Edison. A gravação completa porém só seria feita em 1972, pelas irmãs Linda e Dircinha Batista.
A primeira escola de samba de que se tem notícia é Deixa Falar, de 1928. A mais antiga, ainda em atividade, é a Portela que sai este ano de 2023 contando a sua história de 100 anos com o enredo O Azul Vem do Infinito.
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Mascarados, sede bemvindos ! — diz em Romeu e Julieta o velho Capuleto — já houve um tempo em que eu também me mascarava, para murmurar amáveis lisonjas ao ouvido das mulheres bonitas !» Quasi todos os velhos cariocas podem dizer o mesmo, porque no Rio de Janeiro o Carnaval já foi a grande festa da cidade, a festa que congregava no mesmo delírio todas as classes e todas as idades.
Muita gente séria, antigamente, suspirava todo o anno pela chegada d'essa época feliz.
É que havia logares a que não podia ir, sem grave escândalo, o burguez prudente. [...]
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| Assis e Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste |
No começo da segunda metade de 1918, a denominada “gripe espanhola” chegou ao Brasil pelos portos de Recife, Rio e São Paulo. Rapidamente a praga pegou. Matou muita gente por cá e alhures. Ao fim e a cabo, pelo menos 500 milhões de pessoas foram a óbito. Isso significou algo como ¼ da população mundial. Muita gente importante pegou essa gripe. O poeta Olavo Bilac morreu disso, em dezembro daquele ano.
O carnaval de 1919 foi uma barbaridade em todos os sentidos. Houve suicídios, estupros, balas...
Este ano de 2023 é, a rigor, o primeiro carnaval pós-pandemia Covid-19.
Evoé!
O carnaval é a festa popular de maior ressonância no Brasil. Foi trazida por portugueses cerca de um século depois de terem nos encontrado na pele dos indígenas. Éramos mais ou menos cinco milhões de almas de etnias diversas. Sobraram poucas. Pilantras de todos os tipos e patentes não se cansam de chafurdar nas terras dos nossos originários, pondo-os numa situação de risco grave, gravíssima, mas essa é outra história.
Carnaval: carne levare, carnivale, carnaval...
Não dá pra cravar com exatidão o mês e o ano em que nasceu o carnaval. Há quem diga que tem origens na Antiguidade. Pagã. Há também quem diga o contrário, ou seja: na Era iniciada com o nascimento de Jesus. Idade Média ou sei lá! O fato é que o carnaval, tal como o conhecemos, surgiu mesmo foi no Brasil.
Em país algum o carnaval é tão colorido e sensual como o carnaval do Brasil. É um carnaval bonito, extraordinariamente bonito, com sotaques e gingas pontuais de norte a sul.
O carnaval no Nordeste tem um quê a mais que outros carnavais do país.
No Sudeste, notadamente no Rio e em São Paulo, as escolas de samba são a grande atração.
Recife, chamada de Veneza brasileira, apresenta um carnaval peculiar e por isso mesmo inesquecível com seus grupos de maracatu e cirandas. Sem falar no famoso Galo da Madrugada com aqueles bonecões representando personagens do bem e do mal que pululam na vida nacional. E tem o frevo.
O frevo pernambucano é alegre, bonito, incomparável.
O pai do frevo sempre foi pra mim o inimitável Capiba, de batismo Lourenço da Fonseca Barbosa. A propósito cheguei a perguntar a Capiba se ele mesmo se considerava o pai desse inebriante ritmo. Rindo disse que não, que não era pai de nada. Mas quisesse ou não, compôs frevos incríveis. Chapéu de Sol Aberto, por exemplo. Esse frevo chegou a dar título a um LP, cuja capa foi ilustrada (vejam só!) por ele próprio.
Há uns 30 anos entrevistei Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste, que eu apresentava na Rádio Atual. Duas horas de papo.
Enquanto isso o Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, encaminha abaixo assinado ao STF pedindo a prisão do candidato a ditador do Brasil, Jair Bolsonaro, que se acha escondido em local qualquer dos EUA. No documento há cerca de 300 mil assinaturas. À respeito diz o deputado federal Guilherme Boulos:
"Bolsonaro anunciou que voltará ao Brasil em março, esperamos que volte mesmo para responder no banco dos réus pelos crimes que cometeu. Além de tudo, ele é muito covarde. Passou quatro anos desacreditando o sistema eleitoral e estimulando o golpismo no Brasil, defendendo AI 5, ditadura, tentando transformar torturador em herói. Nosso pedido é de reparação. Não é vingança, é justiça. Nenhuma ferida cicatriza se não houver reparação. Por isso, viemos entregar as quase 300 mil assinaturas que apoiam o nosso pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como forma de reforçar o pedido que já fizemos ao Supremo Tribunal Federal. Prisão para Jair Bolsonaro, aos milicianos, aos golpistas".
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| Pablo Neruda no Pacaembu |
Estou ficando moderno. Até instagram agora eu tenho. E no pique. Confira, clicando: https://www.instagram.com/assis_angelo/
radialista Cezar Ladeira fez um rádio teatro abordando a vida de Carmélia e Jimmy. Título: Amor de Sua Vida. O único registro desse programa se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, num disco nunca levado comercialmente à praça.![]() |
| A cantora Carmélia Alves |
paulista José Andrade Vilela Nascimento Ramos, com quem se casou no dia 27 de junho de 1944. Tempos de guerra e de dificuldades em todo canto, inclusive no Brasil. | O compositor Paquito |
Há terremotos desde que o mundo é mundo. E continuam aqui e acolá a arrastar pessoas à morte, como agora na Turquia e na Síria. Mas não só de terremotos o mundo morre.
Como os terremotos, a fome é uma praga sem cura.
Há muita fome no continente africano e em outros lugares. No Brasil, por exemplo.
Pois é, no Brasil mais de 30 milhões de pessoas não sabem se vão comer hoje, amanhã ou sei lá!
Gente gananciosa continua metendo a mão no erário das três esferas: municipal, estadual e federal.
Gente gananciosa, sem espírito ou noção está matando índios e florestas.
Representantes das três armas já se acham na Amazônia prendendo ou botando pra correr madeireiros e garimpeiros que há anos vêm atuando ilegalmente na região. O detalhe é que esses caras estão se juntando em grupos para se apropriar dos mantimentos enviados aos indígenas.
As forças legais têm muito mapeamento de área.
Até agora já foram identificadas mais de 1.200 pistas clandestinas para pouso de aeronaves. É o começo do fim para os bandidos da área. Que assim seja!
Enquanto isso, policiais federais continuam cumprindo ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STE/STF, no sentido de prender os aloprados bolsonaristas que pretenderam impedir a posse de Lula como presidente da República.
Isso tudo também é uma espécie de terremoto no nosso país, né não?
Em entrevista a Kennedy Alencar da RedeTV! e UOL ontem 2, o presidente Lula da Silva foi questionado sobre afirmação de que não concorreriria às eleições de 2026. Respondendo ao repórter, lembrou que até lá estará com 81 anos de idade. Até aí tudo bem. O diacho é o que vem depois: "Eu só posso ser candidato com saúde perfeita, com 81 de idade, energia de 40 e tesão de 30".
A isso dá-se um nome: machismo.
Lula, aliás, é recorrente nessa questão. Num passado recente falou o que não vou falar agora.
O machismo é uma porcaria. Pega branco, pega preto, novo, velho, gordo, magro e, principalmente, pessoas sem educação e civilidade. Pena que isso ocorra também com o nosso presidente.
O presidente anterior, o porcaria Bolsonaro, foi não foi repete que é "imbroxável", "imorrível" e coisa e tal. Esse não tem salvação. Com jeito, Lula ainda pode se salvar. Digo isso porque a sociedade brasileira a todo dia se esclarece mais. E isso é importante.
Não à toa, as mulheres sofrem tanto nas unhas dos machões. Muitas e muitas apanham até a morte. Infelizmente.
O Brasil que queremos é um Brasil bonito, de pessoas que se respeitem mutuamente e que deem o real valor à educação e ao próximo. Sem isso fica difícil a convivência entre pessoas.
É isso.
Hoje cedo acompanhei pelo rádio a solenidade de reinício dos trabalhos jurídicos no STF. Foram feitos quatro discursos. O primeiro coube à presidente do Supremo, Rosa Weber. Importantíssimo. Em vários momentos foram lembrados os ataques contra a democracia. Vândalos destruíram o que encontraram pela frente, no espaço onde se acham os prédios que simbolicamente representam os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Depois de Rosa Weber, discursou o inacreditável PGR, Augusto Aras.
Com a maior cara de pau do mundo, o bolsonarista PGR começou lembrando pateticamente alguém que ama alguém profundamente. E tascou: "Democracia eu te amo, te amo, te amo!". E sem se quer enrubescer, chegou a tecer loas à figura do filósofo italiano Norberto Bobbio. Pra quem não sabe ou lembra, Bobbio (1909-2004) foi um dos maiores intelectuais defensores da Democracia e direitos humanos no mundo. Sua obra é vasta e necessária para que entendamos os descalabros cometidos ou que se possam cometer contra as liberdades.
O Aras é uma vergonha à vida brasileira.
O terceiro discurso feito hoje no STF coube ao presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco. Sem muito brilho, mas ainda assim um bom discurso para o novo ano jurídico inaugurado na manhã de hoje.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse da necessidade de resolver os problemas do Brasil e do povo brasileiro. Voltou a falar do quebra-quebra de 8 de janeiro. Os envolvidos nessa tentativa de golpe pagarão por tudo que fizeram, garantiu. E garantiu também que todos os esforços, da parte do governo, estão sendo feitos para pôr fim definitivo aos crimes praticados até aqui contra os Yanomami. Isso quer dizer que garimpeiros e madeireiros que atuam ilegalmente na Amazônia serão todos postos pra correr. Cadeia neles!
Como se vê, o Brasil não é pra principiantes.
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