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quinta-feira, 6 de abril de 2023

METRÔ DARÁ NOME DE ASSASSINO A UMA ESTAÇÃO

Paulo Freire na visão do cartunista Fausto Bergocce
 
Em breve, o Metrô de São Paulo dará o nome do bandeirante Fernão Dias Paes Leme a uma de suas futuras estações. A estação está programada como extensão da Linha 2-Verde, que atualmente liga a Vila Madalena à Vila Prudente. O nome de Fernão Dias estará numa das estações dessa linha, que se prolongará até o bairro da Penha.
O nome antes escolhido era o do educador pernambucano Paulo Freire.
Segundo a direção do Metrô, a nova escolha foi resultado de uma pesquisa entre sabe-se lá que grupo de pessoas.
Fernão Dias foi um bandeirante que entrou para a história como assassino e responsável pela prisão e "venda" de indígenas que escravizava. Morreu em Minas Gerais aos 73 anos de idade, achando que tinha descoberto uma enorme jazida de Esmeraldas. O que achou, na verdade, foi uma coisa chamada Turmalina.
Paulo Freire foi um dos mais importantes brasileiros, cuja vida foi toda dedicada à educação.
Em 1963, há exatos 50 anos, Freire criava o métodos que leva o seu nome.

LEIA MAIS: PAULO FREIRE EM CORDEL BOLSONARO, EDUCAÇÃO E PAULO FREIRE

quarta-feira, 5 de abril de 2023

LUIZ GAMA VIRA PRÊMIO DE DIREITOS HUMANOS

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 Todo mundo sabe e se não sabe deveria saber que Lula, presidente do Brasil pela terceira vez, tem seu pensamento e ações voltados a valorização das pessoas e dos direitos humanos. Muita coisa já fez, nesse sentido. E continua fazendo.
No último dia 3 o Diário Oficial da União, DOU, revogou a Ordem do Mérito Princesa Isabel, criado pelo governo anterior. No seu lugar foi criado o Prêmio Luiz Gama, que "será dado a cada dois anos a pessoas físicas ou jurídicas de direito privado cujos trabalhos ou ações mereçam destaque especial nas áreas de promoção e de defesa dos direitos humanos no País".
Isabel, de batismo Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon e Bragança, feita princesa pelo pai Pedro II, foi quem assinou a Lei Áurea "libertando" pessoas escravizadas até o dia 13 de maio de 1888. Essas pessoas, porém, ganharam a rua e nada mais. Quer dizer, o que a princesa fez ficou muito aquém do necessário.
Jornais da época, como o Gazeta de Notícias (acima), deram destaque ao ato da princesa no Paço Imperial, no Rio, naquele distante 13 de maio.
A luta pela dignidade humana levada à cabo pelos abolicionistas de primeira hora, como Luiz Gama e José do Patrocínio, não ficou só na assinatura formal da princesa. Foi além e como tal, continua.
O jornalista e poeta Luiz Gama dedicou sua vida a essa luta. Portanto a iniciativa de Lula é bem vinda.
Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, só neste ano mais de 1.127 brasileiros foram libertos de trabalhos análogos à escravidão só neste 1º trimestre.

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O BRASIL MAL-EDUCADO. QUE PENA!

É um horror, é um horror!
Ouço no rádio notícias dando conta de pessoas, simples, sendo massacradas por pessoas. Também simples.
O que é que está havendo no meu País?
O Bolsonaro fodeu tudo, eu sei. Mas não está na hora de a gente repensar na importância da vida e das pessoas?
Somos o que somos, iguais no rigor.
No rádio ouvi notícia de uma aluna de 45 anos de idade sendo humilhada, zombada, ridicularizada... Preconceito às favas!
No rádio também ouvi notícia dando conta de uma garota autista sendo "zoada" por alunos e alunas da sua classe. Escola no Rio de Janeiro.
Deus do céu, até quando nós pessoas humanas continuaremos assim a menosprezar nossos iguais?
Estou triste.
O Brasil precisa se reeducar. Precisamos nos reeducar.

domingo, 2 de abril de 2023

HÁ 40 ANOS MORRIA GREGÓRIO BEZERRA

 O golpe militar de 1964 foi efetivado no final da madrugada do dia 1° de abril. Loucura. Pego de sopetão, o Brasil calou estupefato. O pior viria em seguida, com perseguições e tudo o mais.

No dia 2 de abril daquele ano o líder das Ligas Camponesas e ex-deputado federal Gregório Bezerra foi preso e torturado em praça pública.  Isso em Recife, PE. Bezerra foi manietado e arrastado por um jipe do Exército. Sofreu, sangrou e quase morreu diante de pessoas comuns que a tudo assistiam nas ruas da capital pernambucana. O horror foi transmitido ao vivo por canais de TV locais. Esse horror só foi suspenso por intervenção de freiras de um colégio perto de onde tudo acontecia.

A violência contra Gregório foi tanta que prefiro parar por aqui.

Não conheci pessoalmente Gregório Bezerra, mas fui escalado pela chefia de reportagem da Folha para fazer a cobertura de seu velório no hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Bezerra morreu de um ataque cardíaco na madrugada do dia 21 de outubro de 1983. Para minha surpresa deparei-me com Luís Carlos Prestes, o da Coluna. Entrevistei-o. Falou-me da sua relação histórica com Bezerra. Aproveitei a ocasião para perguntar a Prestes se ele conhecera o gangaceiro Virgolino Ferreira, o Lampião. Olhou-me surpreso e respondeu-me o que lhe perguntara. Foi um papo de uns 20 minutos, talvez um pouco mais. Disse-me que não conheceu Lampião pessoalmente, mas se viram à distância. Enfileirados,no Ceará, acho que em 1926 ou 1927.

O causo foi o seguinte: o governo usou padre Cícero para convencer Lampião a combater a Coluna Prestes. Para isso, o famoso cangaceiro receberia armas e ganharia a patente de capitão. Prestes disse-me algo como "não topou por entender rapidamente que estaria combatendo contra quem combatia o mesmo inimigo. Ou seja, o governo".

Lampião virou capitão por conta própria. 

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (4)


 Seguindo a mesma temática, isto é a licenciosidade como tema do nosso dia a dia, o poeta repentista Otacílio Batista publicou de sua autoria o cordel em décimas de sete sílabas O Corpo da Mulher Nua. Na penúltima estrofe diz:
Assis Angelo e Otacilio Batista, em programa da Rádio Atual

Sobe tudo neste mundo
Sem dó e sem compaixão,
O relógio da inflação
Nunca atrasou um segundo.
É raro um cheque ter fundo
Num país mal governado.
A rolinha do passado
Abre o bico mas não canta,
Mulher pelada levanta
Salário de aposentado…


O editor e cordelista cearense Klévisson Viana transformou em literatura poética o caso de uma prostituta que providencia um catimbó pra matar um delegado que a humilhou desferindo socos e pontapés. O final é feliz. Começa assim:

Leitores, não se enfadam
Vou retornar ao passado
Para narrar uma história
Que passou em nosso Estado
O caso de um puta
Que matou, numa disputa,

Um temível delegado...

Esse folheto, intitulado O Romance da Quenga que matou o Delegado, foi adaptado para um capítulo da série Brava Gente, da TV Globo. A personagem feminina foi interpretada pela atriz Ana Paula Arósio. Confira:

sábado, 1 de abril de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (3)


Muitos cordelistas, também chamados de poetas de bancada, optam pelo anonimato ou pseudônimo ao escreverem histórias nas quais inserem palavras, frases e versos de baixo calão. Mas há também autores que publicam este tipo de história com nomes que corriqueiramente os identificam perante o seu público. São muitos os casos. Entre esses Mestre Azulão, Erotildes Miranda dos Santos, Abrão Batista, Cícero
Lins de Moura, Manoel Monteiro, Gonçalo Ferreira da Silva, Alípio Bispo dos Santos, Manoel Caboclo e Silva.
É vasta a produção de histórias picantes na poética de cordel e da dita literatura erudita em que se destacam nomes de brasileiros como Olavo Bilac, Jorge Amado, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, sem falar no primeiro de todos: Gregório de Matos Guerra (1639-1696).
O português Bocage, por extenso Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805), fez piadas e versos picantes. E põe picante nisso! É dele a história A Mulher do Amigo, adaptada para quadrinhos e publicada no formato de folheto. Nessa história rola um triângulo amoroso, do tipo capaz de enrubescer até poste. Curiosidade: Bocage foi preso sob a acusação de, digamos, libertino. Isso em 1797. Os versos que o levaram à cadeia diziam:

Pavorosa Ilusão de Eternidade
Terror dos vivos, cárcere dos mortos;
D'almas vãs sonhos vão, chamado inferno;
Sistema de política opressora...


Gozador em todos os sentidos, Bocage escreveu um soneto intitulado Epitáfio. Termina assim:

… Aqui dorme Bocage, o putanheiro
Passou a vida folgada e milagrosa
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro


Em 2022 a editora BoiTempo publicou uma antologia do poeta intitulada Da Erótica. A organização da obra é do crítico literário e estudioso dos textos de Marx, José Paulo Neto.
Mas voltemos aos nossos compatriotas, que usam a putaria para se expressar. O campo é minado, mas não tem como reconhecer a graça originária fixada em letras de forma nos folhetos de cordel. Mestre Azulão, ora veja, paraibano um dos criadores da Feira de São Cristóvão, RJ, escreveu e publicou O Poder que a Bunda tem. Engraçadíssimo.
O pernambucano José Francisco Borges, o J. Borges, é cordelista e xilogravador dos mais conhecidos e premiados no Brasil e mundo afora. É dele a bela xilo A Chegada da Prostituta no Céu e o cordel A Filosofia do Peido, cuja primeira estrofe é essa:

Vários poetas escreveram
O valor que o peido tem
Eu achei muito engraçado
O peido é feito um trem
Tanto apita como ronca
Na hora que o peido vem…

sexta-feira, 31 de março de 2023

O BRASIL SOBREVIVEU AO GOLPE MILITAR. VIVA A DEMOCRACIA!

Na manhã do dia 31 de março de 1964, sob o comando do general Mourão Filho (1900-1972), milhares de soldados marchavam de Minas para o extinto Estado da Guanabara pela rodovia 040. O propósito era apear do poder o presidente João Goulart, acusado pelas forças armadas de ser comunista.
Comunista?
Goulart, chamado de Jango, era um possante fazendeiro no Rio Grande do Sul com ideias voltadas ao bem do Brasil.
As tropas de Mourão Filho alcançaram a Guanabara na madrugada de 1º de abril. Tanques na rua e tal. O povo, de boca aberta, foi pego de surpresa. E Jango caiu. No seu lugar assumiu por breve tempo uma junta militar.
A queda de Jango pôs fim à Quarta República, iniciada em 1889.
Os militares ficaram dando ordens e massacrando civis durante 21 anos, ininterruptamente.
A Quinta República começou em 1985, quando o mineiro Tancredo Neves foi escolhido presidente por um colégio eleitoral. O resto é história.
A rodovia 040 ficou conhecida como BR-3 que, em 1970, ganhou uma música no gênero soul feita por Antônio Adolfo e Tibério Gaspar. Essa música, BR-3, ganhou o 1º lugar no V Festival Internacional da Canção promovido e realizado pela TV Globo no dia 25 de outubro de 1970, no Maracanãzinho. Foi defendida por Tony Tornado, acompanhado pelo Trio Ternura. Pra lembrar, clique:


A respeito do golpe de 64, leia mais: A DEMOCRACIA NÃO VESTE FARDA DITADURA MILITAR: TRISTE LEMBRANÇA ÁUDIOS CONFIRMAM O ÓBVIO: A DITADURA MATOU ÓBVIO, DITADURA NUNCA MAIS DEMOCRACIA SEMPRE

MEDO E DELÍRIO EM BRASÍLIA

Tem muita coisa boa rolando na Internet. Há ótimos podcasts, como Medo e Delírio em Brasília, produzido e levado avante por uma certa Rádio Novelo. O pessoal desse podcast junta realidade com ficção. É pra morrer, ou viver de rir, sei lá! Quem descobriu essa joia foi a minha filha Clarissa. É ótimo. Na edição de hoje, aí embaixo, o ministro Flávio Dino, da Justiça, dá um banho de crítica e sabedoria nos integrantes da CCJ que o "convidaram" para questionamentos. Não percam e passem pra frente, pois vale a pena:

quinta-feira, 30 de março de 2023

UMA PALAVRA PELO BEM DO BRASIL: PAZ

Já faz tempo que o Brasil está meio afunhenhado. E afunhenhou-se praticamente de vez no período em que O Coiso governou o Brasil. Quer dizer, desgovernou. O propósito dele era fechar o Congresso e o País. Não deu. E findou por fugir e homiziar-se num ponto qualquer dos EUA. Voltou hoje 30, com o rabo entre as pernas e decepcionado por ter a esperá-lo apenas alguns gatos pingados, que não tinham o que fazer, no aeroporto de Brasília.
A nossa história política tem sido complicada, como de resto em boa parte do mundo.
Até hoje governos autoritários fecharam Congresso 18 vezes. A primeira vez que isso ocorreu foi em novembro de 1823, há quase 200 pois.
O Brasil já teve oito Constituições, incluindo a de 1988, a 2ª com o maior tempo de duração na nossa história. A anterior, de 1967, entrou em vigor em março daquele ano. A 1ª, não custa lembrar, foi outorgada também num mês de março (1824).
Digo tudo isso para que não nos esqueçamos que o perigo sempre nos ronda.
O Coiso voltou hoje para atiçar aqueles com quem se identifica.
No dia 30 de março de 1964 os quartéis estavam em movimento, como cobras no ninho prontas para tumultuar o ambiente, o que acabaria por ocorrer na madrugada de 1º de abril.
Não custa permanecermos atentos a movimentos estranhos. Pois o mal não tem cor nem sexo.

quarta-feira, 29 de março de 2023

VIVA BRAGUINHA!

Não custa lembrar que, grosso modo, o Brasil através de seus governantes têm o péssimo hábito de esquecer os seus grandes filhos. Isso seja nas artes em geral, seja em que campo for da atividade profissional. Hoje 29, por exemplo, é dia do aniversário de nascimento do compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, também conhecido por João de Barro.
João de Barro é o nome de um pássaro.
Braguinha, ou João de Barro, é autor de uma grande quantidade de sucessos musicais. Entre esses Carinhoso, Touradas em Madri e Yes! Nós Temos Bananas. Foi gravado por grandes nomes da nossa música, a partir de Carmen Miranda.
Entre 1929 e 1931, Braguinha integrou o grupo musical Bando de Tangarás. Desse grupo participava Noel Rosa, Almirante, Henrique Brito e Alvinho.
Eu conheci e entrevistei Braguinha em São Paulo. Na ocasião, ele disse que me deixaria muitas canções inéditas. E deixou, certamente.
Braguinha morreu no dia 24 de dezembro de 2006.

terça-feira, 28 de março de 2023

O BRASIL PRECISA DE REVISÃO!

Ouvi no rádio a triste e lamentável notícia da assassinato de uma professora da rede pública do Estado. O assassino é um estudante na pré-adolescência, que pôs uma máscara de caveira na cara e armou-se de uma faca peixeira para praticar o crime. Uma tragédia, na verdade.
É muita morte nas ruas e em todo canto.
Todo dia ouço notícia de marmanjo praticar feminicídio. 
Acho que o que vivemos hoje não se vivia no tempo da pedra lascada.
Ouço no rádio notícia dando conta de que várias autoridades foram ao local do crime, uma escola na Zona Oeste, mais precisamente no bairro de Vila Sônia, divisa com Taboão da Serra.
O governador disse que providências estão sendo tomadas, que irá colocar policiais em todas as escolas.
O prefeito diz que está chocado.
É preciso mudar a forma de ensino.
É preciso valorizar os professores e professoras. Chega de agressão.
A sociedade precisa imediatamente de uma revisão.
Vivemos uma barbárie.

segunda-feira, 27 de março de 2023

ONZE ANOS SEM MILLÔR FERNANDES

Millôr Fernandes no traço mágico de Fausto

 Na noite do dia 27 de março de 2012, uma terça-feira, falecia na sua casa no Rio o jornalista, dramaturgo, tradutor e artista plástico, gráfico e visual, Millôr Fernandes, no registro civil como Milton Viola Fernandes.
Millôr foi um dos mais importantes e completos intelectuais que o Brasil já deu. Começou a carreira não como artista, mas como contínuo da revista O Cruzeiro. Tinha 15 anos de idade e logo revelou-se através do traço gráfico e da sua inteligência ímpar. Foi nessa revista, do magnata da Imprensa Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, através do pseudônimo Vão Gôgo. Seu colega na revista foi o pernambucano Péricles, criador do personagem Amigo da Onça. Péricles morreu em 1961.
Em 1963, Millôr criou a revista Pif-Paf junto com os amigos Claudius, Fortuna, Jaguar e Ziraldo. A revista durou oito números. 
Autor de muitos livros, Millôr Fernandes ocupou espaço na Revista Veja, Jornal do Brasil e tal. Gerou muitas frases que caíram no gosto dos leitores. Dizia que no roteiro que estava preparando o personagem era ele mesmo, que não morria no fim.
Entre as comparações que fez, pérolas como "confundir Liberdade com Licenciosidade".
Millôr completaria 100 anos de idade no próximo dia 16 de agosto. Um de seus grandes amigos foi Flávio Rangel (1934-1988), que nasceu 11 anos e 10 dias depois de Millôr.

JUCA CHAVES

O cantor, compositor e humorista Juca Chaves morreu no último dia 25 em Salvador, BA. Tinha 84 anos de idade.

NEGREIROS

O cartunista Negreiros morreu sexta-feira 24, aos 68 anos de idade.
Como se vê, o Brasil está perdendo a graça.

domingo, 26 de março de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (2)

Na literatura popular se acham definições no mínimo engraçadas para o cidadão que é premiado com chifres pela mulher. Exemplo:
O Corno Ateu: Aquele que leva chifre, mas não acredita;
O Bravo: Aquele que quando é chamado de corno, quer brigar;
O Bateria: O que vive dizendo," Vou tomar uma solução";
O Cebola: Quando vê a mulher com outro, chora;
O Vidente: Aquele que diz "Eu já sabia";
O Cigano: Aquele que toda vez que leva chifre, muda de bairro;
O Famoso: Aquele que por onde passa, é reconhecido como tal;
O Fofoqueiro: Aquele que leva chifre e sai contando para todo mundo;
O Frio: O que leva chifre e não esquenta;
O Iô-Iô: O que vai mas volta;
O Matemático: O que vê a mulher fazendo 69 com outro e vai para o bar tomar uma 51, pois enfim ninguém é de ferro.
A poesia publicada em cordel não foi inventada por brasileiros. Referências há desse tipo de poesia desde a Idade Média.
Muitos autores clássicos tiveram e ainda têm partes da sua obra adaptada para folhetos. Caso de Giovanni Boccaccio. Que viveu no século 14. É dele a obra-prima Decameron. Dessa obra são extraídos textos para a adaptação. Exemplos: Chifre com Chifre se paga e o Homem que foi ao Inferno e Voltou Chifrudo.
São muitas as piadas em volta do corno. Uma delas trata de um sujeito tentando pular de um prédio pra se matar. Lá embaixo a mulher diz: “Para, não pula! Eu pus cornos em você e não asas!”.
A vida é uma comédia. VEJA: O TOMÉ DE SOUZA DE ZÉ LIMEIRA

Foto e ilustração por Flor Maria e Fausto Bergocce.

sábado, 25 de março de 2023

LICENCIOSIDADE NA CULTURA POPULAR (1)

A literatura de cordel é coisa boa, séria e engraçada.
Na literatura de cordel tem de tudo: história geral, fatos corriqueiros e inventados; histórias de príncipes e princesas, fadas, bruxas, natureza, animais e de coisas outros mundos. A classificação vai desde temas como religião, cangaço e gracejo. Trata também de figuras famosas como Padre Ciço, Lampião, Getúlio, Lula e até Roberto Carlos.
Na literatura de cordel não é difícil achar folhetos que tratam de temas do cotidiano e de personagens comuns que de uma hora pra outra caem na boca do povo.
O adultério é tema comum e picante desenvolvido por cordelistas desde o passado.
O corno como personagem folclórico aparece em inúmeros folhetos.
O ato de cornear é tão antigo e natural como o movimento das ondas do mar e o pôr do sol.
Contraditória em muitos pontos e temas, a Igreja condena os pulos de cerca.
Nas páginas do Velho Testamento é dito que a mulher deve obedecer e atender a todos os desejos do homem.
Segundo a Igreja é pecado trair. A mulher traidora deve arder no fogo dos infernos. Ai, ai, quanto exagero!
No dia 26 de março de 1986 estreou no Rio de Janeiro a comédia Trair e Coçar é só Começar, do ator Marcos Caruso. Tudo gira em torno de um casal fora de qualquer suspeita no tocante à infidelidade. Na história entra uma doméstica. Milhões de pessoas já viram essa peça, que já é referência no Guinness. Engraçadíssima.
Infidelidade conjugal é assunto que anda na boca de todo mundo. E também nas mídias.
Nomes conhecidos da chamada cultura de massa às vezes nos surpreendem com histórias mirabolantes envolvendo personagens que fazem da traição um hábito.
O compositor e cantor brega Falcão escreveu, para deleite de seus fãs, um folheto de cordel em que narra o encontro dele com um ET vindo sabe-se lá de onde! Queria conselhos de como se comportar após receber um belo par de chifres na testa: aceitar ou ir pro pau? Começa assim:

Se você acha que gaia
É coisa do imaginário
Que tem o nosso planeta
Como seu único cenário
Veja então este relato
Onde é narrado o fato
De um chifre interplanetário...

O tal ET conta que no seu planeta não tem bodega pra se beber boa pinga e tal. E corno é coisa rara, mas tem. Ele, por exemplo. Tanto que veio à Terra pra recorrer aos préstimos de Falcão. Chateado, o ET classificou a iniciativa da sua mulher como um “deslize”, só comparável ao que fez o personagem do poeta popular Zé Limeira:

O velho Tomé de Sousa
Governador da Bahia
Casou e no mesmo dia
Passou a pica na esposa
Ele fez que nem raposa
Comeu na frente e atrás
Chegou na beira do cais
Onde o navio trefega
Comeu o padre Nobrega
Os tempos não voltam mais!

Depois de aconselhado, e bem aconselho por Falcão, o ET voltou todo satisfeito ao lugar de onde veio. Parecia tranquilo. Falcão:

Enfim, o ET me disse
Feliz e muito contente
Que só tem a agradecer
Pra sempre e eternamente
Ter visto de um modo enfático
De um jeito assim tão didático
Que corno também é gente

sexta-feira, 24 de março de 2023

EU E MEUS BOTÕES (61)

"Bom dia seu Assis!", disseram em coro de modo ensaiado os meus fiéis botões.
Estou sentindo a falta de Zilidoro. Por onde anda Zilidoro? Pegou gripe? Levou queda? Ou...
Nem bem acabei de fazer essas indagações, eis que adentra a casa o querido poeta Zilidoro.
"Desculpem-me o atraso. É que tive dificuldade de apanhar ônibus ou carro de aplicativo. A cidade tá uma loucura. Quilômetros e quilômetros de engarrafamento, tudo por causa da greve dos metroviários cá de Sampa. Um horror!", justificou.
Bom pessoal, a política tá comendo solta. Os presidentes da Câmara e do Senado estão pegando pesado. O ego dos caras está lá em cima e quem paga por isso é o povo. Não se vota nada no Congresso.
Barrica se levantou da cadeira e concordou comigo, acrescentando: "Tem muita coisa pra ser votada na Câmara e no Senado. Isso todo mundo sabe, até eu que sou besta. Cadê o projeto da reforma tributária, hein?".
Zili, como é chamado na intimidade o Zilidoro, pôs a colher na pauta: "O pior disso tudo é que o presidente Lula está sem base política nas duas casas do povo. E não custa lembrar que o Senado e a Câmara têm, a rigor, maioria conservadora e sacana contra ele".
Enquanto meus ilustres botões falavam, Lampa quieto no tamborete, apenas cutucava as unhas com seu estimado punhalzinho. Sim, e com aquele olhar esquisito, tronxo, introspectivo. De repente ele se levanta e dá um soco no vento, depois de enfiar o punhal na cinta. Disse: "Ouvi há pouco no rádio informação dizendo que aquele feladaputa está voltando terça-feira que vem!".
Todos grudaram os olhos na cara do Lampa. Biu: "Cê tá falando de quem?".
Zoião deu uma risada, no que foi seguido por Zé, Jão e Mané. Risada geral. Lampa: "Eu tô falando do Bozo, do corno, dsquela coisa chamada Bolsonaro. Ele fugiu pros Estadozunido, mas de mim não escapa!".
Perguntei a Zilidoro o que ele achou da fala que Lula fez a respeito do possível sequestro e assassinato do Moro, planejado pelo PCC. Ele: "Seu Assis, o que acho é que o Lula tá falando demais. Podia ficar mais quieto, na dele. Enfim, há muita coisa importante a se fazer pelo povo. O desemprego ainda está lá em cima, o salário lá embaixo, doenças infestando o ar e a gente, os indígenas na pior... Pois é, há muito trabalho a ser feito e toda vez que o Lula fala de alguém, esse alguém sai ganhando. Moro é nada. É um oportunista, um sujeito sem escrúpulos".
Jão bateu palmas, concordando: "O Zili tem razão, mas é preciso lembrar que o Lula levou muita porrada e foi condenado sem provas pelo Moro e seus seguidores".
Mané pediu a palavra e emendou: "Pois é, o Lula está até aqui de mágoas. Foi acusado por crime que não cometeu e levado à cadeia pra cumprir pena injusa. Isso certamente causa trauma até num poste!".
Zoião levantou-se de onde estava e fazendo uma parte: "Tudo bem, tudo bem, mas o Lula não pode esquecer que é o presidente da República de todos os brasileiros. Tudo o que ele diz tem peso, para o bem ou para o mal".
Não tem como não ficar satisfeito ouvindo tudo isso dos meus queridos botões.
Jão pediu para mudar de assunto. Disse: "Eu sei que tem muita gente aqui que me critica por ser quem eu sou. Sim, eu sou um cara sem muito saber, sem muita leitura, estudei pouco que nem o Lampa. Mas eu me esforço para aprender coisas. Como exemplo eu posso dizer que tenho lido livros e escutado boas músicas no rádio. Posso até dar uma informação aqui. Hoje, 24 de março, é o dia em que nasceu o poeta e jornalista recifense Olegário Mariano. Ele era de 1889, ano da proclamação da República, e morreu em 1958, ano do surgimento da Bossa Nova. Foi o autor do cateretê...".
Antes de concluir o que estava dizendo, Jão foi bruscamente interrompido por Barrica que começou a cantarolar desafinadamente:

Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Jereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
Que dá com o pé

Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade me atormenta
Eu me vingo dela
Tocando viola de papo pro a...
 
Essa música, foi a vez de Zilidoro por a régua no papo, "foi gravada originalmente em 1931 por Gastão Formenti. Essa música contou com a parceria do grande Joubert de Carvalho".
Todos se levantaram batendo palmas, menos Jão que ficou um pouco ressentido por não ter sido reconhecido por seus esforços em busca de conhecimento.
Biu, que não conhecia a moda De Papo pro Á, perguntou onde poderia ouví-la. E Jão, rápido que nem um raio, adiantou-se: "No Youtube! No Youtube!".

quinta-feira, 23 de março de 2023

EX-PRESIDENTE LALAU TEM QUE DEVOLVER O QUE ROUBOU

O Plenário do Tribunal de Contas da União, TCU, por unanimidade decidiu ontem 22 que o ex-presidente lalau Bolsonaro devolva no prazo de cinco dias, sob pena de prisão, os mimos milionários que recebeu em forma de armas e joias do rei déspota da Arábia Saudita. Do rei ou do filho do rei, sei lá! O fato é que é pra valer: Bolsonaro tem que entregar à União o que subtraiu dela. Não é nada, são só quase 20 milhões de reais.
Aproveito a ocasião pra sugerir que Bolsonaro entregue-se à polícia ao entregar os mimos que embolsou. É isso. A vida continua.
 


Pois é...

Ex-presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera
Presidente matador
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador

quarta-feira, 22 de março de 2023

SEM ÁGUA MORREREMOS DE SEDE

O nível do reservatório da Cantareira já de 80%
Nós e o nosso mundo somos algo em torno de 90% líquidos. Isso no corpo físico humano e do planeta. É tudo muito simples, é tudo muito complexo. Somos quase todos água e para vivermos bem precisamos de água. Sem água não dá nem pra tomar um porre provocado por uma boa cachacinha, um bom uisquinho, por aí.
Hoje é o Dia Mundial da Água. Essa data foi criada pela Organização das Nações Unidas, ONU, há exatamente 31 anos. A data serve para refletirmos a respeito da importância da água que consumimos no nosso dia a dia por total necessidade.
Muita chuva caiu no decorrer da última estação. Reservatórios do País inteiro ficaram até aqui de água. Quer dizer: quase cheios, como o Cantareira que abastece milhões e milhões de pessoas que vivem em São Paulo.
O assunto é bom e merece reflexão.
Sem água de beber, doce, não há água pra porre. E tenho dito!
 

Visite meu Instagram: @assis_angelo

domingo, 19 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (4 final)

Leandro morreu em 1918, com 53 anos de idade. Sua obra foi vendida para João Martins de Athayde (1880-1959) e depois para José Bernardo da Silva (1901-1971). Eram cordelistas e donos de gráficas. O detalhe é que tanto Ataíde quanto Bernardo assinaram como se fossem deles folhetos de Leandro Gomes de Barros. Isso tem nome: apropriação indébita. É crime constante no nosso código penal. Exemplo dessa apropriação é o clássico O Cavalo Que Defecava Dinheiro.
Até hoje não se sabe com exatidão quantos folhetos de cordel Leandro escreveu e publicou. O poeta repentista pernambucano Otacílio Batista falava em 1.004. Falo disso no livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo (Ed. IBRASA; 1996). Nesse livro também falo da discriminação sofridos pelos poetas da viola.
Mas voltemos ao tema guerra.
É claro que o assunto é polêmico.
Uns poucos cordelistas do passado falaram nos conflitos internos registrados pela história.
A guerra ou massacre de Canudos, que durou menos de um ano no sertão da Bahia, mereceu o olhar de
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poetas de cordel: Minelvino Francisco da Silva (Antonio Conselheiro e a Guerra de Canudos), Arinos de Belém (História de Antonio Conselheiro), Jota Sara (História da Guerra de Canudos) e até o profícuo Maxado Nordestino, autor de As Profecias de Antonio Conselheiro.Nas fileiras de combate contra os miseráveis liderados pelo cearense Conselheiro, se achava o cordelista paraibano de Bananeiras João Melchíades Ferreira da Silva (1869-1933). A respeito desse personagem e da Guerra de Canudos faço referência no livro O Clarim e a Oração (Geração Editorial; 2002).
Atualmente Klévisson Viana e Rouxinol do Rinaré, do Ceará, e o baiano Marco Haurélio são os mais importantes e profícuos cordelistas em atividade no País.
Tem aumentado substancialmente o número de mulheres escrevendo e publicando cordéis no Brasil. LEIA: A MULHER NA LITERATURA DE CORDEL
Eu já disse e repito: a cultura popular é a identidade de um povo.
É isso, minha gente.
Ah! Sim, ia-me esquecendo: o primeiro filólogo a dicionarizar a expressão cordel foi o padre português Francisco Caldas Aulete. Curiosidade: todos os dicionaristas brasileiros, inclusive Antônio Houaiss, repetem quase ipsis litteris o escrito por Aulete.

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 18 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (3)

Leandro Gomes de Barros
em xilo de Klévisson Viana
Que as musas mitológicas
Vindas em dourados carros
Cheguem da Fonte Poética
Trazendo água nos jarros:
Dêem-me a taça predileta
Onde bebeu o poeta
Leandro Gomes de Barros.

Por admirar Leandro
Fui em busca da história
Do poeta de Pombal
Com sua rica trajetória,
desde os tempos de criança
Com matizes e nuança
Do seu passado de glória.

Pois além de pioneiro,
Leandro foi um gigante
À poesia popular
Deu legado relevante
Escreveu drama e tragédia
Fez gracejo e fez comédia
Com sua pena atuante…

(Leandro Gomes de Barros - O Pioneiro da Literatura de Cordel; Klévisson Viana)

A cultura popular é o retrato mais fiel de um povo, de uma nação.
A cultura popular brasileira engrandece o mundo, por sua beleza e originalidade.
O Brasil é o quinto ou sexto maior país do nosso planeta, tanto em área territorial quanto em população: somos mais de 200 milhões de pessoas habitando uma terra de mais de 8,5 milhões de Km².
A cultura popular se manifesta na música e nas artes em geral.
O paraibano Leandro Gomes de Barros foi o primeiro e até aqui o mais importante cordelista de que se tem notícia.
O cordel, ou literatura de cordel, não é invenção brasileira. Mas foi no Brasil que esse tipo de literatura, desenvolvida principalmente em sextilhas e septilhas, ganhou forma.
Sim, Leandro foi o grande pioneiro nessa forma de arte.
Já na virada do século 19 Leandro estava ligado a tudo, a todos os acontecimentos no Brasil e em todo o canto.
Antes e depois de Leandro, nenhum cordelista falou em verso de folheto sobre as mazelas e consequências da Primeira Guerra Mundial.
É dele, por exemplo, o folheto AS AFLIÇÕES DA GUERRA NA EUROPA, que começa assim:

Detonam tiros medonhos
Das peças demasiadas
Soam grandes estampidos
Estremecendo as quebradas
Descendo rios de sangue
Como água em enchorradas…

É dele também o segundo folheto sobre a guerra. Título: A ALLEMANHA VENCIDA E HUMILHADA, que começa assim:

Até que afinal chegamos
Ao fim da tal grande guerra
Que tanto mal produziu
Geralmente em toda a terra
E a Allemanha vencida
Se humilha, grita e berra…


Como se não bastasse, Leandro escreveu ECHOS DA PÁTRIA, que começa assim:

Despertai filhos da Pátria
Mostrai a vossa façanha
Arriscai o peito à bala
Ide morrer na campanha
Um soldado brasileiro
Não rende pleito à Allemanha…

sexta-feira, 17 de março de 2023

CÂMARA CASCUDO DIZ QUEM FOI LEANDRO GOMES DE BARROS

Leandro Gomes de Barros publicou centenas de folhetos. O total de títulos é impreciso

Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, quem foi o potiguar Luís da Câmara Cascudo.
Cascudo tinha 20 anos de idade quando conheceu em Recife, PE, o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros. Leandro morreu em março de 1918, seis meses antes de a Gripe Espanhola se alastrar no Brasil contaminando e matando homens, mulheres e crianças. Cascudo pegou a maldita gripe, mas escapou.
O poeta Olavo Bilac foi contaminado e morto pela gripe. Mas essa é outra história.
Em 1939 Luís da Câmara Cascudo publicaria, à pág 264 do livro Vaqueiros e Cantadores, texto descritivo sobre o poeta:
LEANDRO GOMES DE BARROS, 1868-1918. Nasceu e morreu na Paraíba, viajando pelo Nordeste. Viveu exclusivamente de escrever versos populares inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais. Publicou cêrca de mil folhetos, tirando dêles dez mil edições. Êsse inesgotável mancial correi ininterrupto enquanto Leandro viveu. É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboeiros, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas nas horas do "rancho", no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo. Seus romances, histórias românticas em versos, são decoradas pelos cantadores. Assim "Alonso e Marina", "O Boi misterioso", "João da Cruz", "Rosa e Lino de Alencar", "O Príncipe e a Fada", o satírico "Canção de Fogo", espécie de "Palavras Cínicas", de Forjaz de Sampaio, a "Órfã abandonada", etc, constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do nordeste. Não sei verdadeiramente se êle chegou a medir-se com algum cantador. Conhecí-o na Capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espêsso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade.
 
Quando a desgraça quer vir
Não manda avisar ninguém,
Não quer saber de um vai mal
E nem se outro vai bem.
E não procura saber
Que idade Fulano tem...

Não especula se é branco,
Se é preto, rico, ou se é pobre,
Se é de origem de escravo
Ou se é de linhagem nobre!
É como o sol quando nasce:
O que achar na terra, cobre!

Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacricidade na face triste do sertão.

quinta-feira, 16 de março de 2023

ADEUS, THEO DE BARROS

Assis, Theo de Barros e Eduardo Gudin ouvem Luís Avelima falando sobre música popular
 
O músico Theo de Barros morreu na última madrugada 15, cinco dias depois de completar 80 anos de idade. Era carioca, filho de um radialista pernambucano. Começou a carreira ainda na pré-adolescência. Sua carreira ganhou brilho a partir de São Paulo onde conheceu seu parceiro mais famoso, Geraldo Vandré. 
É de Theo e Vandré a moda de viola Disparada, empatada com A Banda, de Chico Buarque, num festival de música promovido pela Record em 1966. Essa música ganhou versão em vários idiomas: espanhol, italiano, francês e alemão. 
A primeira composição de Theo gravada por ele mesmo, num compacto simples, foi Menino das Laranjas, gravado também por Vandré e Elis Regina. 
Há uma versão muito bonita em espanhol de Menino das Laranjas, por Elis.
Eu conheci Theo de Barros num ano qualquer dos 70. Viramos amigos. Frequentou a minha casa (acima).
Acho que foi em 2008 que levei Theo para debater comigo o interminável ano de 1968. Foi um debate com exposição temática por mim organizada no BNB, em Fortaleza, CE
Desse debate, um ciclo, também participaram o músico Sérgio Ricardo e o jornalista José Hamilton Ribeiro. 
Certa vez Theo perguntou se eu conhecia a obra do poeta cubano Nicolás Guillén (1902-1989). Disse que sim, que até tinha uma edição de um livro de Guillén editado na Argentina. Pediu-me emprestado e eu o emprestei. Resultado: Theo musicou um poema do cubano e o inseriu num álbum duplo que lançou pela extinta Eldorado, em 1980.
E pensar que ontem 15 de manhã eu e minha filha Clarissa ouvíamos Elis cantar Menino das Laranjas, enquanto tomávamos café. E alí pelo final da tarde, numa visita a mim o amigo músico e quadrinista Paulo Garfunkel, o Magrão, perguntava se eu conhecia Teófilo Augusto de Barros Neto.
Pois é, pra morrer basta estar vivo.
 
 

HÁ 56 ANOS, TINHORÃO ENTREVISTAVA NAIR DE TEFFÉ

Parece que foi ontem...
No dia 15 de março de 1967, o jornalista José Ramos Tinhorão publicava no extinto Jornal da Tarde, SP, uma bela e inédita entrevista que fez dias antes em Niterói, RJ, com a viúva do marechal Hermes da Fonseca, Nair de Tefé. 
Hermes da Fonseca chegou à presidência da República em 1910, depois  de disputa eleitoral com o baiano Rui Barbosa.
Nair de Tefé foi ninguém mais, ninguém menos, do que a primeira caricaturista brasileira. Publicava em jornais e revistas sob o anagrama Rian, que é seu nome de trás pra frente.
À época, Tinhorão tinha 39 anos de idade. E ela 81. 
José Ramos Tinhorão nasceu no dia 07 de fevereiro de 1928, no município Paulista de Santos.
Na ocasião em que os dois de encontraram, ele foi por ela caricaturado (ao lado). 
Fica aqui o registro.
 

O PALAVRÃO NA BOCA DO POVO

Pesquisa sobre palavrões indica que Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro são as três cidades cujos habitantes dizem mais palavrões. Xingam mais, pra valer ou simplesmente brincando. Puta que pariu, que pesquisa!
Confesso, porém, que não me surpreendi.
O Brasil não se acha entre os primeiros países de bocas mais sujas do mundo.
Os ingleses e norte-americanos falam mais palavrões que nós. No mínimo, duas vezes e meia por dia. Por aqui, segundo a pesquisa que se acha nos jornais, o homem brasileiro fala em média oito palavrões por dia. E a mulher, cinco.
Porra! Pensei que era mais.
Agora, é claro que há brasileiros e brasileiras que falam mais ou menos palavrões. Eu mesmo falo uns 50 por dia. As palavras e palavrões que pronuncio no meu dia a dia vão de chá a paralelepípedo. Às vezes falo até inconstitucionalissimamente. Tem 12 sílabas. E quando estou bravo, bravo mesmo, falo até pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Caralho! Você dirá, caro leitor. Mas essa palavra eu já falei só por brincadeira, como agora dividindo sílabas pneu-mo-ul-tra-mi-cros-co-pi-cos-si-li-co-vul-ca-no-co-ni-ó-ti-co. São 46 letras, distribuídas em 20 sílabas.
Numa reunião ocorrida em 22 de abril de 2020, Bolsonaro pronunciou 29 palavrões em menos de 2 horas. Ele nasceu já assim, desbocado. Para o mal é sem limite e para o bem, zero. Agora mesmo deve estar se contorcendo num buraco qualquer dos EUA, com medo de cair em cana. Já são muitos os crimes a que responde e a outros que ainda responderá. Os tais presentes das arábias devem lhe render uma caninha de 2 a 12 anos. É o que consta no nosso código penal para o crime de peculato.
À propósito, por determinação do ministro da Justiça Flávio Dino, a Polícia Federal vai indiciar e apurar tim-tim por tim-tim o caso dos presentes das arábias. Caso esse em que se acha enrolado até o pescoço o tal que fugiu para os EUA.
Bolsonaro, por si só um palavrão, deve estar chamando todo mundo de fela da puta, corno, vagabundo, arrombado, fi de quenga. Daqui nós o chamamos de fela da puta mesmo, ladrão e tudo mais, Ô cabra ruim!

LEIA MAIS: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA! IIIH! DEU MOFO NO PULMÃO, COLEGA...

E PRA RELAXAR...

quarta-feira, 15 de março de 2023

VIVA A IMPRENSA BRASILEIRA!

Os bichos, os monstros, que andavam grudados no corpo e nos buracos do governo Bolsonaro estão a cada instante sendo descobertos, voltando à tona, e enojando os brasileiros de boa índole e formação. O caso agora está ligado umbilicalmente à Agência Brasileira de Inteligência, Abin.
O caso em pauta foi descoberto e publicado em manchete de 1ª página pelo jornal carioca O Globo, edição de ontem 14. Começava o texto:

Durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) operou um sistema secreto de monitoramento da localização de cidadãos em todo o território nacional, segundo documentos obtidos pelo GLOBO e relatos de servidores. A ferramenta permitia, sem qualquer protocolo oficial, monitorar os passos de até 10 mil proprietários de celulares a cada 12 meses. Para isso, bastava digitar o número de um contato telefônico no programa e acompanhar num mapa a última localização conhecida do dono do aparelho...

Isso nos remete ao tempo da ditadura militar instaurada no Brasil em 1964 e que durou terríveis, sombrios e intermináveis 21 anos. Não custa lembrar, e é importante que se lembre, que muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. E em muitos casos, exilada.
O sonho de Bolsonaro, e pesadelo nosso, era fazer do nosso Estado Democrático um Estado policial e de terror. Não conseguiu e por não conseguir o que queria, pegou um avião da FAB e voou pra se esconder num lugar qualquer dos EUA. Os jornais de hoje dizem que ele pretende voltar no próximo dia 29. Mentira. Está com medo de ser preso. E vai, na hora em que a Justiça decidir. É como eu já disse:

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera
Presidente matador
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador
 
Esse caso envolvendo a Abin é sério, muito sério. Precisa ser apurado bem di-rei-ti-nho e os envolvidos, todos, punidos rigorosamente na forma da Lei.
E as joias das arábias, hein? LEIA: BOLSONARO É JOIA
O papel que a Imprensa tem desempenhado continua sendo de grande importância para a valorização do ir e vir, da nossa Democracia.
Por falar nisso, termino lembrando um texto poético/musical que andei fazendo em homenagem a um dos grandes pioneiros da reportagem, João do Rio. A gravação é da dupla Caju e Castanha. Ouça:


LEIA MAIS: JOÃO DO BRASILO JORNALISTA JOÃO DO RIO, UMA MARCAJOÃO DO RIO: JORNAL É CHIBATA DO POVOAINDA JOÃO DO RIO, 100 ANOS

terça-feira, 14 de março de 2023

LAERTE DÁ ENTREVISTA NOTA DEZ À TV CULTURA

Foi supimpa a entrevista que ouvi ontem 13 no Roda Viva, da TV Cultura, com a cartunista e quadrinista Laerte.
Opa, consegui!
Eu, Jota, Angeli, Glauco, Fortuna, Fausto e Laerte dividimos espaço na redação do extinto suplemento Folhetim, que circulava como encarte na edição de domingo do jornal Folha de S.Paulo. E quando digo consegui é porque nunca conseguira chamar o Laerte de "a Laerte".
A última vez que nos encontramos, e já faz um bocado de anos,  e ela (olha eu de novo!) achou graça no meu jeito de falar. E disse: "Relaxa, Assis".
A entrevista da Laerte ao programa Roda Viva foi pra lá de excelente. Falou de tudo e muito mais. Falou de vida e morte, solidão, velhice, filosofia, inteligência artificial; de machismo, feminismo, política e tal; da vida pessoal com filhos e netos e de amigos como os já citados Fausto, Angeli e Glauco.
Pra ele, não existe charge a favor de quem quer que seja.
Pra Laerte chargista existe pra fazer crítica a poderosos de plantão e a governos, independentemente da coloração política. E até ilustrou lembrando um caso segundo o qual alguém perguntará a Ziraldo por que nunca metera o pau no Sarney. A resposta teria sido esta: "Pô! Eu sou amigo do cara". 
No decorrer da fala, Laerte não se esqueceu de falar do amigo recentemente falecido Paulo Caruso.
Recomendo a todo mundo a acessar o site da TV Cultura e acompanhar a entrevista da Laerte, comandada pela jornalista Vera Magalhães. Nota dez!
 

JARBAS MARIZ

O cantor, compositor e musical multitudo Jarbas Mariz completa no dia sagrado de hoje, 14 de março, 71 aninhos de idade.
Jarbas, pelo talento que tem, é daqueles caras que a gente classifica como sendo do caralho. Pessoa linda, daquelas que exercem com inteiridade a complexa ação da cidadania. Quer pra si o melhor que a vida oferece e pra todos, a mesma coisa.
Jarbas está lançando novo CD. Falarei a respeito já, já.
Aproveito aqui este espaço para mandar meus votos de saúde e longevidade a esse gigante da da nossa música popular, extensivos a sua companheira Ângela.

segunda-feira, 13 de março de 2023

DHARMA ENRIQUECE A OBRA DE SOCORRO LIRA

Jorge Ribbas e Assis Ângelo num momento de descontração

Jorge Ribbas e Ricardo Vignini acompanham
Socorro Lira, no Itaú Musical
O cantor, compositor e instrumentista pernambucano Jorge Ribbas há muito é uma das figurinhas mais solicitadas do mundo da nossa música popular, a mais bonita e original.
Ribbas passou o último fim de semana na Capital paulista. Na sexta, 10 de março de 2023, esteve se apresentando ao lado da cantora e compositora Socorro Lira que acaba de lançar em formato digital, um novo repertório intitulado DHARMA.
Dharma, perguntei a Jorge o que vem a ser. E ele: é uma perspectiva baseada na filosofia de vida indiana que significa “viver e trabalhar pelo melhor futuro para a humanidade, isso como missão de vida em um patamar de pensamento elevado”.
O novo repertório de Socorro Lira, ganha cores, naturalmente com os arranjos de Jorge Ribbas feitos em parceria com Ricardo Vignini.
Vignini é um paulistano bastante conhecido pelas composições, produções musicais que faz e como bom violeiro que é.
O espetáculo Dharma foi apresentado a uma plateia instigante no Auditório do Itaú Cultural na Av. Paulista.
A ideia é levar socorro Lira a mostrar sua nova obra em todo o país. “Cá pra nós, o trabalho de Socorro é excepcional e merece ser ouvida por todo o mundo”, diz o cantor, compositor e instrumentista Jorge Ribbas.
A obra de Socorro Lira se acha em mais de uma dúzia de discos fáceis de ser encontrados através das principais plataformas de streaming.
A capa de Dharma é a reprodução de um dos quadros de Elifas Andreato.


ELIFAS ANDREATO

Jorge Ribbas também esteve envolvido num belíssimo projeto que teve por base a obra pictórica do paranaense Elifas Andreato que rendeu três dezenas de músicas distribuídas em dois CD’s. Essas músicas são interpretadas por talentosos nomes da nossa música, porém ainda pouco conhecidos pela
grande mídia.
Jorge conta melhor esta história: "Realizei a seleção das músicas inscritas junto à Mirian Ibañez e Elifas Andreato. Além de participar da seleção das canções que foram compostas para temas específicos, fornecidos por Roberto Tranjan do Instituto Economia ao Natural; compus os arranjos das músicas que compõem o repertório dos dois discos".
Esse projeto, que começou em plena pandemia da COVID 19 intitula-se Brasil ao Natural.
Tranjan é escritor e responsável pelo Instituto Economia ao Natural. Saiba mais: https://www.youtube.com/@economiaaonatural802.
Para os leitores deste Blog, segue o álbum com seus compositores e intérpretes.




E PRA DESCONTRAIR...

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