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quarta-feira, 9 de março de 2022

ADEUS, ERNO SCHNEIDER!


A vida é besta. Pois, pois.
Muita gente boa morre, mas a imagem fica. Exemplo disso Erno Schneider, gaúcho e cheio de bossa. Talento. Fez história. Partiu numa viagem sem volta ontem 8.
Erno Schneider trabalhou, como repórter fotográfico, em grandes jornais como o JB.
JB é Jornal do Brasil, cujo do dia a dia saíram grandes nomes da imprensa brasileira. Entre esses nomes, o cara que criou e enriqueceu a bibliografia da música brasileira: J.R. Tinhorão (1924-2021).
Pra quem não liga uma coisa com a outra, Erno Schneider foi o cabra que clicou e deixou para a história uma das mais enigmáticas imagens do ex-presidente da República Jânio Quadros (1917-1992). Essa foto ganhou grande repercussão na Imprensa brasileira e internacional. Ei-la:

 

ENTREVISTA

Em setembro de 1987, eu ocupava o cargo de chefe de reportagem da editoria de política do jornal O Estado de S.Paulo. Eu tinha 33 anos, à época. Marquei encontro com Jânio e no dia e hora marcados lá estava eu no local: Sede da Prefeitura, no Ibirirapuera. Ele recebeu-me de braços abertos, rindo. Disse: "Parabéns, você chegou na hora certa!". Leia: ENCONTRO COM JÂNIO

ANTENÓGENES SILVA: SAUDADE

As pessoas nascem, vivem e morrem.
É um passeio a nossa vida.
É sempre bom lembrar das pessoas que marcaram a vida passeando entre nós, nesse nosso planetinha por nós mesmos tão judiado.
No dia 9 de março de 2001, despedia-se deste mundo o grande sanfoneiro mineiro Antenógenes Silva. Tinha ele 95 anos de idade, naquele dia.
Antenógenes deixou uma obra intensa e reluzente.
Luiz Gonzaga (1912-1989) era fã  de carteirinha de Antenógenes. E pra sua alegria, a admiração era recíproca. Tanto que Antenógenes virou afinador de sanfona de Gonzaga. 
Cheguei a entrevistar Antenógenes, ao vivo, para o programa de rádio (Atual) Gente e Coisas do Nordeste. Foi a última entrevista do artista. Ouça um trecho, quando ele já estava com a voz distorcida e quase inaudível. História:
 


terça-feira, 8 de março de 2022

AVANTE, MULHER!

Na foto, Assis com os quadros
de Inezita Barroso e Zica Bérgamo

O Brasil feminino, e masculino, tem todos os motivos pra estar em festa.
O Brasil feminino e o Brasil masculino, esse Brasil que pensa e que faz, é a esse Brasil que me refiro. Sem preconceitos.
Esse Brasil a que me refiro tem arte e artistas.
A carioca Mary Del Priore tem uma obra fundamental, necessária para que conheçamos a nós próprios. São mais de 50 livros que essa mulher tem. Um melhor do que o outro. O mundo a aplaude. Eu, na minha pequenez, também.
A razão desta introdução é o fato de Mary Del Priore, por votos praticamente unânimes, ser eleita para a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras. Foi no último dia 3.
Viva à mulher!
O dia era 16 de abril. O ano, 2011.
A noite mal começara quando o telefone tocou. Era Inezita Barroso ligando pra dizer que a amiga Zica Bérgami fechara os olhos para sempre. Estava emocionada, quando me disse isso. Senti profundamente o passamento de dona Zica.
Dona Zica era uma mulher incrível. Eu a conheci de perto. Foi não foi, eu ia a sua casa.
Inezita eu também conheci fazia muito tempo. Às vezes ela me apanhava em casa, no tempo em que ainda dirigia automóvel, e me levava ao famoso e já extinto Parreirinha.
No Parreirinha conversávamos e bebericávamos bastante. Lá eu conheci Miltinho, Jamelão e tantos e tantos mais.
Bom, este 8 de março é o dia dedicado à mulher.
Já escrevi bastante a respeito da mulher e da vida da mulher.
Bobagem dizer que a mulher é um ser incrível, fabuloso etc. É tudo isso, mas é muito mais.
A mulher sofre muito no Brasil, desde sempre. Desde o tempo de antanho.
Se Deus falasse como falamos nós, de modo audível e com naturalidade, diria que certamente a vida feminina é uma vida dura e até incompreendida, principalmente pelos machões que procuram impor-se na base da porrada, da prepotência.
Com frequência mulheres são espancadas e assassinadas no Brasil. O número é espantoso.
Assassinato de mulher é chamado de feminicídio.
O feminicídio existe desde que o macho desceu da árvore.
Até nas artes, especialmente na literatura, o feminicídio faz-se presente.
Todo dia é dia de mulher, mas o dia 8 de março é um dia feito para reflexão. Pensemos nisso, até porque matar é crime punível com cadeia.
Toda mulher é guerreira. A respeito, acabo de fazer um texto poético. Clique:

LEIA MAIS:  


sábado, 5 de março de 2022

BLOCOS DE CARNAVAL, A ALEGRIA DO POVO


Foram os invasores portugueses que trouxeram o Carnaval para o Brasil. À época, o Carnaval não era como o Carnaval que hoje conhecemos. Entrudo era assim chamado.
Na biblioteca pública da cidade portuguesa do Porto, encontrei muitas referências sobre o Entrudo.
Era um horror o Entrudo, uma brincadeira de extremo mau gosto. Até mijo e merda eram atirados nas pessoas.
Dom Pedro I, no primeiro momento identificado curiosamente como “anarquista”, gostava do Entrudo. Incentivava o Entrudo.
No Brasil, o Entrudo durou até 1930 ou 40. Por ali.
O Entrudo foi abolido do Carnaval quando começaram a surgir as primeiras escolas de samba. A primeira, Deixa Falar, delineou-se como tal em 1928. Um dos seus fundadores foi o compositor Ismael Silva (1905-1978).
Antes da primeira escola de samba, surgiram cordões, ranchos e blocos.
Os cordões e ranchos já não existem no Brasil e em lugar nenhum no mundo.
Atualmente há mais de 500 blocos carnavalescos, no Rio de Janeiro.
Em São Paulo, o número de blocos carnavalescos chega à casa dos 700.
O Bola Preta, carioca, existe há mais de 100 anos.
Tanto no Rio quanto em São Paulo, há blocos de Carnaval surgindo todos os anos.
Um dos blocos cariocas mais novos, digamos assim, é O Rabugento.
O Rabugento é um bloco que surgiu pra encher o saco de muita gente, como geralmente o são todos os blocos. Os blocos são a alegria do povo.
Em 2010, o Rabugento ocupou ruas e avenidas do Rio com uma belíssima letra (e música) assinada pelo porralouca carnavalesco Manoel Gomes, autointitulado O Audaz. A letra:

BLOCO DO RABUGENTO 2010
ENREDO: OS RABUGENTOS DA CULTURA
AUTOR: MANOEL GOMES, O AUDAZ


I
Nós somos o Rabugento,
O bloco que não tem frescura,
E vamos homenagear
Os rabugentos da cultura

IIGente que não se curvou
Ao que o Rei mandou
E fez valer sua vontade
E, por manter essa coragem,
nossa homenagem
se faz em nome da verdade

III
O velho Nelson percebeu
A burrice da unanimidade
Os idiotas da objetividade
E arrasou com o senso-comum (mais um?)

IV
Nas quatro linhas do gramado
ninguém piava com saldanha
Que cometeu grande façanha
desafiando o ditador

V
Oswaldo Nunes e Satã
Brigavam com afã
Comendo macho na porrada
Valente essa rapaziada
sem medo de nada
Que em nossa História despontou

VI
Bezerra, porta-voz do morro.
Com seu “sambandido”
O candidato execrou
Intérprete era Jamelão
Que não se conformava
Com a palavra “puxador”

VII
E também tem o Tinhorão
Que sempre disse não
A toda influência gringa
E o Rabugento com sua ginga
Entra na avenida
No maior descaramento
denunciando as pilantragens
E as sabotagens
Da indústria do entretenimento


O jornalista e historiador José Ramos Tinhorão (1928-2021), foi o grande homenageado — E que homenagem! — naquele ano de 2010. Até uma camiseta foi feita em seu louvor.
Tinhorão entrou pra história como uma das mais brilhantes inteligências do nosso País. Antes dele, costumo dizer, que não havia uma bibliografia da nossa música popular. Ele a fez.
Os blocos de carnaval pululam alegremente no Brasil. São milhares.
Em 2010 surgiu na Capital paulista o Urubó.
Urubó “é o urubu da Freguesia do Ó”, define rindo, sarcasticamente, o cantor, compositor e instrumentista Jarbas Mariz. Ainda ele:

“O Urubó é o meu bloco do coração. Nasceu na Freguesia do Ó, Zona Norte da Capital paulista e faz um verdadeiro carnaval com marchinhas e canções de todas as épocas: Mocotó, Passoca, Carioca, Pedro, Carol, Odo, Rodrigo e tantos e tantos amigos do bloco, são a alegria mais completa do nosso Carnaval. Em 2020, mais de 100 mil foliões dançaram, pularam no nosso bloco”.

Na madrugada última madrugada de segunda para terça-feira, Jarbas concluiu mais uma belíssima música em homenagem ao bloco de sua predileção: NESSE CARNAVAL
Para Jarbas a pandemia provocada pelo novo Coronavírus pouco ou quase nada interferiu “na nossa alegria".
Pra Jarbas, “não seria ou será uma pandemia de meia tigela que iria, ou irá, acabar com a nossa festa”.
Eu, por mim, defino a pandemia provocada pelo novo Coronavírus como uma merda.
Em 2016, 3 anos depois de a luz dos meus olhos se apagarem, compareci ao estúdio da rádio CBN para falar a respeito do nosso Carnaval e origens. Ouça: 
 
 
O cartunista paulista Fausto Bergocce fez uma pintura muito especial para esta coluna. Sinto-me honrado.

LEIA MAIS: CARNAVAL SEM POVOHISTÓRIA DOS VELHOS CARNAVAIS

sexta-feira, 4 de março de 2022

EU E MEUS BOTÕES (16)

"Os russos acabam de assumir o controle da maior usina nuclear do mundo", disse em tom sério o quase sempre quieto Mané.
Com ar professoral, Zilidoro não deixou passar em brancas nuvens a frase dita por Mané. "O problema, antes interno, agora está tomando formas perigosas".
Confesso aos meus botões e a quem nos lê que anos preocupadíssimo com o que ouço no rádio e vejo na TV, a respeito da guerra declarada por Putin à Ucrânia. "O sinhô não lê jornais e revistas, chefe?", perguntou entre sisudo e irônico o velho Lampa sempre agarrado com o seu punhal.
"É pessoal, tudo indica que logo em breve teremos que prestar contas ao Pai Eterno", disse um tanto conformado, em tom de predição, o cearense Jão.
Mudando de assunto, Barrica deu um cutucão em Biu fazendo ele soltar um palavrão. Barrica riu e disse que enquanto todos estavam preocupados com a Rússia, esquecíamos de que, aqui mesmo no Brasil, violências incomuns estavam sendo praticadas contra os nossos índios. "O presidente de vocês aí é quem mais está incentivando a invasão de terras indígenas, em nome de um suposto progresso para o nosso País".
Vocês estão muito politizados, arrisquei. "E não era pra estarmos?", responderam em uníssono Zé e Zoião. Enfático, Zoião acrescentou: "Enquanto esse coisa presidente estiver mandando com sua caneta Bic, estaremos todos lascados e o Brasil no mais profundo dos buracos".
"Chega!", falou Zilidoro antes de pegar o boné e fechar a porta de casa.
Pois é, amanhã é outro dia.

quinta-feira, 3 de março de 2022

CARNAVAL, SEMPRE CARNAVAL

O Carnaval é todo dia. Todo dia e toda hora, independentemente do local ou lugar. 
O Carnaval eu já disse, e tantos também já disseram, chegou ao Brasil pelas mãos dos invasores portugueses. Mas só com a chegada da família Real portuguesa é que o Carnaval começou a ganhar forma. Antes era, literalmente, uma merda. E estou falando do Entrudo. A respeito já falei, aqui não é o caso.
Conheci grandes carnavalescos, grandes compositor de música de Carnaval.
O especial que ora compartilho com vocês eu o fiz há uns anos. Cliquem:


QUEM PODE, PODE

Eu não sei de nada, no máximo de coisas poucas, mas fico pensando a respeito da máxima popular: "quem pode, pode". A propósito eu gostaria de saber de vocês, amigos e amigas leitoras, o que acham dessa frase que também é música.

EU E MEUS BOTÕES (15)

Seu Assis, começou Zilidoro, "a briga Rússia e Ucrânia era uma briga interna, como escutei de você numa das nossas últimas conversas".
Pois é, lembro-me bem: respondendo a uma pergunta do Zilidoro, eu disse com todas as letras que a invasão da Ucrânia pela Rússia era uma querela interna. Só que essa querela, essa questão, está ganhando dimensões inaceitáveis. Agora é o planeta Terra que está em perigo. Todos nós.
Assim pensando, alto, fui ouvido por Zilidoro sempre atento: "se aquele cara, o tal Putin, resolver apertar o botãozinho da bomba atômica, alguém vai reagir. A uma ação, reação. E aí estaremos todos lascados". 
Num cantinho, no seu cantinho, discretamente Mané pediu a palavra quase em tom de desculpa: "O Zilidoro tem toda razão, no meu entender. Se o tal Puto, Potim, Putin, sei lá, resolver soltar uma atômica, o mundo vira geleia. Estou certo, patrão?".
Muita gente pensa que Mané é um botão sem pensamento. Quem pensa assim, erra. Mané tem toda razão do mundo. Podemos virar nada, a partir do momento que um poderoso de plantão acione uma bomba atômica.
Barrica, de poucas palavras como Mané, levantou a mão pedindo vez pra falar: "Todos sabemos que o mundo está pegando fogo. O detalhe é que o presidente Bolsonaro diz uma coisa e o Itamaraty, outra. E aí, é importante que o Brasil fique em cima do muro?".
Um pouco nervoso e depois de lamber o punhal, Lampa descarregou: "Eu ainda vou pegar esse cabra...".
Pra minha surpresa, Jão pediu calma: "Não é assim que um problema se resolve. Não se resolve uma situação tão delicada, como essa, na ponta de um punhal".
Biu bateu palmas pra Jão.
Até então calado, o alagoano Zé quis provocar: "É muita conversa mole! Vocês sabiam que o presidente Ucraniano é um palhaço ignóbil e admirador das práticas nazistas?".
Diante da fala provocativa de Zé, Zoião levantou-se com o dedo em riste gritando: "MENTIRA! MENTIRA! O presidente da Ucrânia não é nazista!". Zé revidou: "É, é sim!!!". 
Engraçado, começou Mané, "O Bolsonaro é nazista, filho do inferno, e ainda assim há quem goste dele. Tô entendendo...".
Mané, falou grosso Zé: "uma coisa não tem nada a ver com a outra! No mínimo, você é bobo ou está se fazendo de bobo. Acorda, cara!". 
De fato é periclitante o momento que o mundo vive. 
Chefe, voltou Mané, "o sinhô sabia que ontem houve a primeira baixa de um jornalista na guerra Rússia x Ucrânia?".
Esse é o Mané, sempre antenado. Do seu jeito. Eu não sabia, até este momento, que um jornalista havia sido morto por iniciativa do Putin. Soube agora. Seu nome: Evgeny Sakun.
Chefe, lá vem de novo Lampa chamando atenção, "eu estou umas conversas com o pessoal da Associação Independente dos Cangaceiros da Paraíba, o sinhô acha que vale a pena a gente se juntar e sair correndo pra pegar o Putin?".
Pergunta forte. Hmmmm...

quarta-feira, 2 de março de 2022

O FIM DO CARNAVAL

Mário Lago (1911-2002) foi um dos mais expressivos e inspirados artistas da vida brasileira. Nasceu no Rio.
Era uma criança, no melhor sentido do termo. Sabia de tudo, brincava com tudo.
Ouvia-me Mário nas ondas hertzianas no conforto da varanda do seu apartamento, no Rio.
Era uma alegria ter Mário como ouvinte do programa São Paulo Capital Nordeste.
Era uma alegria ter Mário como ouvinte.
Em fevereiro de 1998 entrevistamos Mário no centro do programa Roda Viva, da TV Cultura, SP. Falou de tudo e um pouco mais. De cara, falou que o Carnaval já não existia, estava morto.
No Roda Mário também falou de sua história e da história dos outros; dos velhos carnavais; dos bicheiros; falou de tudo quanto se possa imaginar. Pra tudo tinha uma resposta na ponta da língua. Sobre comunismo, inclusive. Era comunista sem saber. Na verdade nem era comunista, era um brasileiro que amava o Brasil. Assim, pura e simplesmente. Não era católico nem apostólico, era agnóstico.
Incrível foi a história que Mário Lago nos legou. Com vocês, compartilho o Roda Viva de fevereiro de 1998:


Escute alguns clássicos de Mário Lago:

terça-feira, 1 de março de 2022

HISTÓRIA DOS VELHOS CARNAVAIS

Em fevereiro de 1997, o jornalista carioca Sérgio Cabral foi o convidado especial do programa Roda-Vivam, da TV Cultura. Entre os convidados para entrevistá-lo estavam o cientista e compositor Paulo Vanzolini (1924-2013), o carnavalesco Seu Nenê, fundador da escola Nenê de Vila Matilde (1921-2010); a cantora Leci Brandão e eu.
Foi uma conversa muito boa com o entrevistado declarando o seu amor ao Rio de Janeiro.
Cabral também falou dos velhos carnavais e da modernização das escolas de samba. Acompanhe:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

CARNAVAL SEM POVO

História é história.
A história não morre, pelo contrário. A história reflete o passado e para nos guiarmos no presente é preciso história. Por isso, viva.
A história não se modifica, a história é um recipiente no qual guardam-se todos os acontecimentos de uma pessoa, de uma coisa, de uma cidade, de um estado, de um país...
Como convidado participei, como entrevistador, de várias edições do programa Roda Viva (TV Cultura, canal 2).
Em fevereiro de 1994 eu e Zuza Homem de Mello (1933-2020) e outros colegas jornalistas, navegantes da história, entrevistamos dona Zica (1913-2003), a última companheira de um dos mais importantes compositores do Brasil, Cartola (Angenor de Oliveira, 1908-1980).
Sob a batuta do querido Jorge Escosteguy (1946-1996), dona Zica falou e falou e falou tantas coisas interessantes sobre ontem e sobre hoje. Falou, por exemplo, sobre o Carnaval sem povo.
Dona Zica também falou dos velhos Carnavais, dos bicheiros, das escolas virando empresas e tal e tal e tal. Revelou-se até uma grande saudosista.
Meu amigo, minha amiga, você quer ouvir uma coisa bonita?
Clique:


CARNAVAL DA PANDEMIA

Este é o 2º ano seguido sem Carnaval oficial no Brasil. Isso porém não quer dizer que em 2021 e, agora em 2022, não tenha havido Carnaval. O Carnaval da Elite é o Carnaval da avenida, dos salões, de portas fechadas, com as orgias dionisíacas. Pois é, enquanto isso o povo fica em casa sem direito sequer a pular num bloco.

Amanhã falarei de blocos.

EU E MEUS BOTÕES (14)

Boa tarde pessoal!, fui chegando e assim dizendo aos meus botões que pareciam muito quietos em suas casas. Casas vizinhas, tipo parede e meia. Mané foi o primeiro a dizer "boa tarde".
Mané parece ser, sabe, o tipo quieto que não desperta a atenção de ninguém. Mas é dos bons.
Jão e Zé perguntaram, quase em uníssono: "Tudo bem com o sinhô?".
Claro que nada está nem comigo nem com o mundo que pensa, pois o mundo que pensa anda preocupadíssimo com a irracionalidade explicitada pelo presidente russo. O mundo corre perigo.
Ouvi no rádio agora pouco, começou Zilidoro, "que a Ucrânia acaba de assinar oficialmente um documento no qual expõe, ardentemente, o desejo de integrar-se à OTAN".
"Eu sabia! Eu sabia!", exultou Mané lembrando a sua rápida intervenção sobre a OTAN, no nosso último encontro.
A coisa tá feia, eu disse a todos.
A ouvir o que eu disse, Lampa olhou-me com aquele olhar enigmático. Disse: "Eu vou juntar meu pessoal lá de Pernambuco e, juntos, vamo dar uma liçãozinha chamado Pute, Pótin, Puntin... sei lá, mas do meu punházin, ele não escapa".
Barrixa e Zoião acharam graça na fala manhosa e perigosa de Lampa.
Quieto como estava, quietinho Biu falou: "Né nada não, mas eu gostaria de saber é como anda o Carnaval. O sinhô gosta de Carnaval?".
Eu disse que gosto do Carnaval, que gosto do que é bom brincar.
"E por que o sinhô não fala de Carnaval pra gente, agora?".
E aí, claro, eu tive que dizer alguma coisa. E disse, perguntando: Vocês querem, mesmo, que eu fale de Carnaval? 
Como se tivessem combinado, falaram ao mesmo tempo: "SIIIIIIIMMMMM!!!".
Então tá, minha gente. Leiam, daqui a pouco o Blog do Assis Angelo.

domingo, 27 de fevereiro de 2022

NA ONDA DO PODCAST

Estamos na 2ª década do 3º milênio, um pouquinho mais. Muita coisa, para o bem ou para o mal, tem acontecido até aqui. A derrubada do Trade Center por terroristas, marcou o mundo. E guerras, muitas guerras, têm atormentado povos em todas as línguas.
De fato, muita coisa mudou.
São muitas as novidades chegadas nestes tempos de tragédias e truculências de ditadores espalhados por aí afora. De esquerda e de direita.
Radicalismo é uma merda.
A China, com seus mais de 4 mil anos de história, tem assustado o planeta. Claro, nesse meio tempo, a China também apresentou ao mundo grandes descobertas como a bússola, o sismógrafo, o papel, os fogos de artifício e o macarrão. Vejam só, o macarrão!
A China não é besta. Com sua bússola, vai-se guiando no propósito de dominar este nosso planetinha de berda. Pois, pois.
O papiro, tudo indica, nasceu em terras egípcias e teve durante muito tempo a sua utilidade. A ver com a biblioteca de Alexandria. A ver também com a biblioteca de Pérgamo, na Grécia.
 O papiro e o pergaminho eram uma espécie de suporte à escrita, à comunicação.
No final do século 15, o alemão Gutenberg inventou a prensa. E aí tudo mudou mais fácil e rapidamente. 
Foi ele, Gutenberg, o primeiro impressor da Bíblia.
Muita água depois passada pela ponte, surgiram o rádio e a TV. E depois outros meios de comunicação, como a Internet.
A Internet mudou tudo, em termos de comunicação.
Emissoras de rádio e TV se acham na Internet, com programação ao vivo.
Ali pelo ano 2000, inventaram um tal de Podcast.
O Podcast chegou ao Brasil em 2004. Interessantíssimo. Tenho dado muitas entrevistas por esse meio. A primeira delas, em 2007. Confira: PODCASTING BRASIL - Com Assis Angelo

sábado, 26 de fevereiro de 2022

ANITA MALFATTI EM QUADRINHOS

O narrador dessa história, A Outra Anita, não é homem nem mulher, é um gato. Um gato preto sem nome, mas muito simpático. Está em todas as páginas ou em quase todas as páginas da biografia em quadrinhos da pintora Anita Malfatti (1889-1964), que a Faria e Silva acaba de editar.
O gato em questão, ao assumir a persona de narrador, começa logo dizendo: “Inquieta. Foi o que me atraiu nela. Inquieta de corpo e alma”.
Anita Catarina Malfatti nasceu na capital paulista. Com problema na mão direita, aprendeu a pintar com a mão esquerda. Estudou na Alemanha e nos Estados Unidos. Tinha 25 anos quando exibiu em público seus primeiros quadros. Sem repercussão nenhuma. Três anos depois, em 1917, realizou pra valer a sua primeira exposição individual. Essa exposição recebeu o olhar atento e severo do paulista de Taubaté Monteiro Lobato (1882-1948).
Sem papas na língua e com muito desembaraço na caneta, Lobato publicou um contundente artigo no jornal O Estado de S.Paulo, edição de 20 de dezembro daquele mesmo ano. Após ampla justificativa para o que dizia, ou para o que ia dizer, começou:

Páginas 60 e 61 da HQ A Outra Anita
Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura, guardando os eternos ritmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento, vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento. Embora eles se dêem como novos precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação…

O Gato e o Violino,
por Anita Malfatti

A expressão “aqueles que vêem anormalmente a natureza” era uma referência à jovem que inaugurava a sua primeira exposição num espaço da cidade que Mário de Andrade depois chamaria de "Paulicéia Desvairada”.
No jornal, o texto de Lobato recebeu o título A Propósito da Exposição de Malfatti. Esse texto seria em seguida publicado no livro Idéias de Jeca Tatu.
O artigo de Lobato foi de extrema importância para a carreira artística de Anita.
A primeira vontade pessoal de Monteiro Lobato era ser artista plástico. Seus bicos de pena são ótimos. Mas influenciado pelo avô José Francisco Monteiro, um figurão do Império, formou-se na Faculdade de Direito no Largo São Francisco, SP. Herdou uma fazenda e tornou-se o mais importante autor de livros infantis, no Brasil.
Anita era amiga do carioca Di Cavalcanti (1897-1976), que a incentivou a nunca parar de pintar. E foi ele, aliás, quem deu a ideia de se fazer um grande salão de artes em São Paulo, reunindo o que havia de mais significativo até então. Essa ideia resultou na Semana de Arte Moderna.
Se não fosse Di, é provável que não houvesse o que hoje se chama de Semana de 22, que reuniu Menotti Del Picchia, Mário e Oswald de Andrade, Villa-Lobos e pouquíssimas mulheres, entre as quais Anita Malfatti.
O artigo de Lobato sobre
Anita no Estadão
(clique na imagem
para visualizar melhor)

Foi uma Semana sem mulheres, negros e gays. Sem povo. Da elite para a elite.
Essa história, ou parte dessa história, é narrada brilhantemente pelo gato do quadro O Gato e o Violino, que Anita pintou em 1949.
“O projeto nasceu de conversas entre o desenhista Yuri Garfunkel e a mestra em História da Arte Anita Limulja, refletindo sobre os impactos da Semana de Arte Moderna na produção artística nacional. Teo e eu logo fomos incorporados ao processo criativo”, conta Paulo Garfunkel, acrescentando: “Os ecos da Semana de 22 reverberam até hoje nas expressões artísticas brasileiras e Anita Malfatti, ‘a incompreendida’, como seus amigos a chamavam, é o alicerce do movimento”.
Todo desenvolvimento do projeto teve o acompanhamento da família Malfatti e a curadoria da historiadora Mayra Laudanna que organizou o site do IEB, Instituto de Estudos Brasileiros, da USP: VER ANITA
O lançamento físico ocorrerá nos próximos dias, em local ainda não definido. E a versão digital já está disponível gratuitamente na rede: A OUTRA ANITA

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (13)

"O que é OTAN?", perguntou Mané. "Deixa de ser burro Mané, tu não sabe o que é OTAN!?", calma pessoal, calma. Tem muita gente por aí que não sabe o que é OTAN. "Eu mesmo nunca ouvi falar desse negócio de OTAN", diz com franqueza Barrica. "Eu sempre quis saber o que é isso, é de comer?", interferiu Jão. "Eu já ouvi falar desse negócio de OTAN. É coisa de gringo, num é?", foi a vez de entrar na conversa o alagoano Zé.
Enquanto isso, tipo na moita, a tudo observava desconfiado o lambedor de punhal Lampa.
O potiguar Biu, fazendo de conta que não tinha interesse pela coisa, pela conversa, falou quase miando: "Eu, por mim, nim tô nem aí".
Depois de coçar o queixo, meio incomodado, Zoião arriscou: "esse negócio aí tem a ver com guerra, não tem?".
Com ar de sabe-tudo, o poeta filósofo Zilidoro pôs a mão na cumbuca da história: "OTAN é a sigla da Organização do Tratado Atlântico Norte. Essa organização, internacional como se vê, é de extrema importância pra que se mantenha a paz no mundo. Dos 193 países com banca na ONU, 30 deles fazem parte da OTAN".
Era pra que eu tivesse me surpreendido, mas a explicação de Zilidoro foi brilhante. E fui claro, elogiando-o: Parabéns, Zilidoro. 
Eu nem tinha acabado de elogiar Zilidoro e os demais botões se manifestaram em palmas e urras. Logo após, Lampa quis mostrar que também sabia de algo referente à questão posta à mesa. 
Chefe, começou ele, "A OTAN é um negócio que tem a ver com aquela história de um por todos, todos por um. Estou certo? Era assim no cangaço".
Achei graça na fala de Lampa, sujeito de comportamento esquisito e até violento no palavreado. E respondi: Mais ou menos, mais ou menos, Lampa. No cangaço, a coisa não era bem assim. "Era, era!", retrucou  aos brados. Pedi calma e expliquei que o cangaço tinha, digamos, leis próprias. Se algum dos integrantes do bando cometesse um deslize inadequado, era rigorosamente punido. "E não é isso que acontece na OTAN, chefe?".
O discreto Biu decidiu retornar à conversa: "Pelo que sei, um tal de Puto, Putin, Potin. Putinho, Putinha... sei lá! Achou de declarar guerra contra o país lá do Leste europeu. Ucrânia, parece... A coisa por lá tá pegando fogo!", surpreendi-me e confirmei o que Biu dizia.
Zilidoro, atentíssimo, também concordou com o que ouviu do seu colega de casa e emendou: "Se o Putin decidir invadir também alguns países, ou pelo menos um, filiado a OTAN aí sim o pau come e o mundo pode até se acabar, porque a Rússia tem bomba atômica, os EUA tem bomba atômica, a França tem bomba atômica, a Alemanha tem bomba atômica e por aí vai", conclui benzendo-se.
Ao benzer-se, Zilidoro inspirou o cearense Jão a invocar o nome do seu padim pade Cíço, do Juazeiro. E começou, instigando a seus colegas: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja Vosso nome...".
Confesso que fiquei tocado com o que vi e ouvi.
Esses botões vão longe.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A LUTA PELO VOTO FEMININO

Sem mulher, o mundo não existiria.
A população mundial é estimada, pela ONU, em 7,8 bilhões de pessoas. A maioria, mulheres.
O número de mulheres que habitam nosso planetinha de berda é, segundo a ONU, de 5,6 bilhões.
O Brasil está entre os 5 mais populosos países do mundo.
A população brasileira já passa de 214 milhões de pessoas. A maioria, mulheres.
Outubro está chegando e com outubro, as eleições.
Dados do Tribunal  Superior Eleitoral, TSE, apontam que quase 80 milhões de mulheres estão habilitadas a votar. Isso significa algo em torno de 52% dos eleitores. 
A luta das mulheres pelo voto vem desde o século 19.
Em 1910, no Rio de Janeiro, foi fundado o Partido Republicano Feminino. O movimento cresceu, cresceu, e em 1932, as mulheres ganharam sua primeira grande luta: o direito de votar.
Pouco antes, em 1927, uma nordestina de Mossoró, RN, aproveitou uma brecha na Lei e foi às urnas votar. Seu nome: Celina Guimarães Viana.
Em 1928, ainda no Rio Grande do Norte, uma mulher ganhou nas urnas o direito de prefeitar. Seu nome: Luiza Alzira Teixeira Soriano.
Alzira, portanto, foi a primeira prefeita no Brasil.
Em 1934, com a terceira Constituição vigente, uma mulher de São Paulo elegeu-se como a primeira deputada federal. Seu nome: Carlota Pereira de Queirós.
Pois é meus amigos e amigas, mas nessa história há um detalhe: as mulheres aqui citadas como pioneiras na política brasileira, eram todas brancas.
Como talvez dissesse a guerreira, negra, Maria Quitéria de Jesus (1792-1853): a luta continua.
Enquanto isso, a população brasileira continua crescendo em tempo real. Clique: População brasileira, pelo IBGE
 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

EU E MEUS BOTÕES (12)

O dia amanheceu bonito, com sol alto e tudo.
Nem bem eu acabara de quebrar o jejum tomando o café, senti na camisa um movimento brusco dos meus botões. Pareciam em pé de guerra. Lampa, sempre Lampa, lambendo seu punhal de estimação, disse que estava um tanto chateado comigo. Eu quis saber o motivo. "É que o sinhô nunca mais deu bola pra gente". Eu fiz hmmmm. 
Dei uma espiada de lado e notei que Zé, Mané, Jão, Biu, Zoião, Barrica e Zilidoro estavam de comum acordo com o que dissera Lampa.
Lampa é um botão de poucas palavras como o alagoano Zé, mas quando fala parece falar por todos. Espécie de porta-voz, de líder. Desconfiado, voltou ele: "A gente quer saber por que o sinhô nos abandonou".
Sem arrodeio, respondi que o que fiz com ele não foi abandono. Foi falta de tempo, mesmo. "Que falta de tempo nada!", retrucou Lampa.
A situação parecia ganhar rumo perigoso. Pra minha sorte, o filósofo Zilidoro pediu calma e quis saber o que eu achava da invasão da Ucrânia por Putin. Disse-lhe que o caso está ganhando forma de problema muito sério. "Pode haver guerra? E se houver será mundial?", perguntou o botão Zé. Pessoalmente, acho que a invasão já foi feita. Mas guerra guerra mesmo, de tamanho mundial, acho que não vai ter. Mas, sem dúvida, é uma batata quente que o mundo tem nas mãos.
Biu, que Lampa chama de frouxo, disse "Muito bem!". E todos batem palmas, a exceção do lambedor de punhal, que debaixo pra cima jogou um olhar tipo ameaçador.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

DEPOIS DA VIDA, A MORTE

A gente nasce, a gente vive, a gente morre. É assim a vida. 
A vida é uma mágica distribuída em passes, de repente.
São muitas as formas de vida. Há vida em todo canto, nos lugares mais inóspitos.
O sol é vida, e sem o sol o que seria da vida? Que vida haveria sem o sol?
Na vida há tristezas e alegrias. 
São muitos os tipos de tragédia: da chuva, da seca, da falta de tudo e excesso, também. Acompanhe-me:


Sobre arte e cultura, acesse: INSTITUTO MEMÓRIA BRASIL

PEDRO, O MANDACHUVA DO CÉU

O mundo é uma tragédia.
Todas as tragédias estão bem perto de nós.
Brasil, cujo o governo atual é uma tragédia, está sem rumo e embicando para o fundo. Um fundo sem fundo, fundíssimo, profundo.
Hoje 22 faz exatamente uma semana que a cidade serrana de Petrópolis, RJ, está se consumindo em dor e abandono provocados pelas chuvas e, principalmente, irresponsabilidade dos governantes.
Quase 200 pessoas, incluindo dezenas de crianças, morreram até agora. Umas afogadas e outras, soterradas.
A solidariedade às vítimas de Petrópolis é grande. Chegam doações materiais de várias partes do País. O presidente da República, numa linguagem próxima ao português, esteve lá. Como sempre, da sua bocarra, só saíram bobagens e a promessa de liberar 2 milhões de reais a título emergencial.
O presidente, como se sabe, não tem coração e só pensa em reeleger-se no cargo que caiu-lhe às mãos via mentiras e mentiras disseminadas nas chamadas redes sociais. As urnas o puseram em Brasília e lá se acha tramando descaminhos para o Brasil.
As chuvas também caem torrencialmente em Minas, Bahia, Rio Branco...
Enquanto pessoas sofrem a violência provocada pelas chuvas, muita gente transforma-se em turista da tragédia. Isso mesmo: turistas da tragédia. Quer dizer, pessoas que param seus carros para registrar as dores do povo e transmiti-las, ao vivo ou não, via Internet. Horror!
Simão Pedro foi um dos 12 apóstolos de Cristo. Nasceu no ano 10 a.C. e aos 40 anos foi escolhido pelo próprio Cristo como o primeiro papa da Igreja Católica.
Pedro, segundo a lenda, é o santo que guarda as chaves das torneiras do céu.
Se algum poder divino eu tivesse, diria: Pedro, fecha o diacho dessas torneiras!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

CACHORRO DÁ EXEMPLO DE AMOR AO DONO

No rádio acabo de escutar notícia dando conta de que um cachorro vira-lata, dando falta de seu dono, ganhou estrada e percorreu 20km em 10 dias. Isso aconteceu nos arredores do Distrito Federal. 
O dono do cachorro, de nome Pedro, fora pego pelo Coronavírus e desabou num hospital.
O cachorro vivia em companhia do seu dono.
O dono do cachorro era viúvo, tinha quase 80 anos e seu conforto era, além do cachorro, outros animais que lhe batiam à porta e a eles lhes dava comida, ração. Bem comparando, parecia São Francisco.
Os vizinhos o respeitavam muito.
Depois de andar 20km, o cachorro encontrou seu dono morto no hospital.
O caso sensibilizou enfermeiras e médicos.
Familiares de seu Pedro pretendem adotar o cachorro.
Essa é uma história que se repete.
Há muitos casos idênticos ao estrelado pelo cão de seu Pedro. Veja:

Hoje 21 entra em vigor uma lei federal "que proíbe a eutanásia de cães e gatos de rua por órgãos de zoonose, canis públicos e estabelecimentos similares, exceto em casos de doenças graves ou enfermidades infectocontagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde humana e de outros animais".

Essa Lei é a de número14.228/21, com acesso disponível na rede.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

ALMIRANTE, A GRANDE PATENTE DO RÁDIO

Meu amigo, minha amiga, você já ouviu falar de Almirante?
Não, não me refiro ao militar que carrega consigo tal patente. Refiro-me ao compositor e cantor Henrique Foréis Domingues. 
Domingues tinha pose e voz muito bonitas. Gravou muitas músicas, algumas já devidamente integradas ao nosso cancioneiro, como Touradas em Madri e O Orvalho vem Caindo. Muitas das músicas que ele gravou foram lançadas em países de língua espanhola, como o Chile.
Além disso era apaixonadíssimo pela história da nossa música. Deixou um acervo fabuloso com milhares de livros, discos e partituras.
Henrique Foréis Domingues, chamado de "A Mais Alta Patente do Rádio", nasceu no dia 19 de fevereiro de 1908, no Rio. E morreu em dezembro de 1980. O seu acervo se acha no Museu da Imagem e do Som, MIS.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

ANÍSIO SILVA, SAUDADE

Há 33 anos morria no Rio de Janeiro uma das vozes mais afinadas da música romântica, que atendia pelo nome de Anísio Silva. 
Anísio era baiano e fez de um tudo antes de tornar-se cantor profissional, a partir de 1952.
A estreia de Anísio, em disco, foi marcada pelas músicas Um Passarinho Tristonho e Quando eu me Lembro, pelo selo Star.
Amigo de figuras de destaque na sociedade, como o Juscelino Kubitschek (1902-1976), Anísio Silva foi o primeiro cantor brasileiro a ganhar um Disco de Ouro pelo enorme sucesso que fez com o bolero Alguém me Disse, em 1960.
Em toda sua carreira, o artista baiano vendeu mais de 10 milhões de discos. Morreu, de um ataque cardíaco, no dia 18 de fevereiro de 1989.


NELSON CAVAQUINHO

Três anos antes da morte de Anísio Silva morria, no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Nelson Cavaquinho. Nelson foi, provavelmente, a voz mais rouca do samba-canção. Fez história e deixou uma discografia invejável. Com Guilherme de Brito e Alcides Caminha, compôs e gravou A Flor e O Espinho. Obra-prima. Curiosidade: Caminha foi desenhista e roteirista dos "catecismos" assinado por seu alterego Carlos Zéfiro.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

HÁ 100 ANOS, JORNALISTAS PARTICIPAVAM DA SEMANA DE 22

A Semana de Arte Moderna, que foi de apenas 3 dias, reuniu nordestinos e cariocas ao grupo de paulistas liderado basicamente por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia.
A Semana não foi tudo que se diz.
Na verdade a Semana foi, digamos, um festival ou salão de múltiplas expressões artísticas, incluindo exposição de quadros, declamações e música.
O evento, que teve lugar no Teatro Municipal de São Paulo, foi aberto com uma palestra do maranhense de São Luís Graça Aranha (1868-1931), à época um nome bastante conhecido das letras e da diplomacia brasileira.
Foi Graça, autor do livro Canaã (1902), o cara incumbido de arrecadar grana, entre cafeicultores, para a realização do que ficou conhecida como a Semana de Arte Moderna ou Semana de 22.
Essa semana foi feita quase toda por jornalistas: Graça Aranha, Ronald Carvalho, Afonso Schmidt, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e até Plínio Salgado.
Plínio, paulista de São Bento do Sapucaí, entrou para a história como o criador do movimento político Ação Integralista. Era da direita radical.
Retrato de Graça Aranha
Vários participantes da Semana eram conservadores. Pois é.Na noite de 13 de fevereiro, uma segunda-feira, o teatro não estava com sua lotação completa. Na quarta, também não. E na sexta, pouquíssimas pessoas deram o ar de sua graça. Detalhe: aquela pode ter sido a melhor das noites, pois já estava o carioca Heitor Villa-Lobos (1887-1959) mostrando parte do seu enorme talento. Mesmo assim, recebeu vaias e berros de uma plateia na qual se incluíam estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, cooptados por Oswald de Andrade.
Oswald foi um marqueteiro e tanto.
A ideia da Semana não partiu dos paulistanos. Partiu do jovem pintor carioca Di Cavalcanti (1897-1976).
À época, Di tinha 25 anos incompletos. E teria dito a Mário, ou a Oswald, de Andrade: “Está na hora de fazermos um grande evento artístico pra chamar atenção das pessoas”.
O evento contou com a exposição de uma centena de quadros, 20 e pouco dos quais assinados por Anita Malfatti (1889-1964).
Mário de Andrade e Tarsila do Amaral
no traço de Fausto Begocce

Anita, uma paulistana, tinha 28 anos de idade quando realizou, em 1917, a sua primeira exposição individual. Essa exposição despertou a ira do escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), que escreveu um artigo demolidor contra Anita, no Estadão. Disse, depois de comparar a sua obra à obra dos loucos: “... A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses”.
Lobato é o autor do personagem Jeca Tatu e de Narizinho, que deu início às histórias do Sítio do Pica Pau Amarelo.
Muita gente pensa que Tarsila do Amaral (1886-1973) participou da Semana, mas não. Na ocasião ela se achava em Paris. Aliás, foi em Paris que ela conheceu Oswald, com quem se casaria em 1926.
Entrevista de Menotti Del Picchia
a Assis Ângelo
Depois de separar-se de Oswald, Tarsila entrou em parafuso. A propósito: é dela a obra-prima Abaporu (1928), que inspiraria o ex-marido a criar o movimento Antropofágico.
A Semana de Arte Moderna tinha por objetivo, segundo dizem, romper com as tradições inovando a arte brasileira. Conversa!
A Semana não quebrou tradição alguma.
A Semana foi um evento de pouca repercussão e sem nenhuma importância, a rigor. Foi apenas um movimento de jovens insatisfeitos com o momento em que viviam. Um momento de tensão, de pressão política. O presidente da República era, não custa lembrar, o paraibano Epitácio Pessoa.
Não foi a Semana de 22 um evento direcionado ao povo. Mas de elite para elite.
Alguns nomes que participaram da Semana entrariam para a história independentemente da Semana.
Em maio de 1984 publiquei uma matéria de 2 páginas no extinto suplemento literário D.O. Leitura, de São Paulo, com o último dos participantes daquela Semana: Menotti Del Picchia (1892-1988). Na entrevista, o autor de Juca Mulato diz, com todas as letras, que “Mário de Andrade era um gênio”. Diz também coisas curiosas como acreditar em fantasmas, embora não cresse em reencarnação, que gostava de Mozart e de poetas como Cassiano Ricardo.
Capa da revista Klaxon e Charge de Belmonte.

Menotti Del Picchia teve uma vida agitada na imprensa paulistana. Foi redator chefe, por exemplo, dos jornais Tribuna de Santos, A Gazeta e Diário da Noite.
No dia 15 de maio de 1922, logo após a realização da Semana, começou a circular em São Paulo a revista Klaxon. No expediente, entre os colaboradores, se achavam Guilherme de Almeida, Mário e Oswald de Andrade.
Em suma, a Semana de 22 não serviu praticamente pra nada, até porque a cultura popular (expressão maior do povo, de qualquer povo) esteve completamente ausente da programação.
E pensar que Mário de Andrade foi o autor da belíssima moda Viola Quebrada, hein?
O chargista Belmonte (Benedito Carneiro Bastos Barreto, 1896-1947) foi um dos muitos críticos da Semana de 22.

PRESIDENTE MENTIROSO. E PERIGOSO

Charge de Renato Aroeira
Feio e perigoso é o mundo fabuloso do presidente Bolsonaro.
Feio e perigoso porque é um mundo feito de mentiras.
Bolsonaro, cara de pau sem verniz, põe no bolso facilmente personagens da cultura popular como Pinóquio (Itália) e João Grilo (Portugal).
Pantaleão, personagem de Chico Anysio (1931-2012), desavergonhado que nem o presidente, sentia prazer em mentir. E ainda perguntava à mulher: "É mentira, Terta?".
Pesquisas sobre as mentiras do presidente indicam que o tal mente, em média, 7 vezes ao dia.
Números colhidos pela plataforma Aos Fatos carimbam o absurdo de que só em 2021 Bolsonaro mentiu 2.516 vezes, o que significa 6,9 mentiras por dia.
Segundo a plataforma, a mentira mais repetida por Bolsonaro no ano passado foi sobre a pandemia, provocada pelo novo Coronavírus.
As urnas eletrônicas do TSE são também alvos prediletos do conhecido mentiroso. Semana passada, por exemplo, ele usou sua enfadonha live para dizer que as Forças Armadas haviam detectado insegurança nas urnas.
Na verdade, as Forças Armadas haviam encaminhado ao TSE uma relação de perguntas sobre o funcionamento técnico das urnas. Pediram sigilo, mas Bolsonaro incumbiu-se de tornar pública a consulta e mentir como mentiu, dizendo que os seus comandados haviam detectado fragilidades no equipamento. Isso fez com que o ministro Luís Roberto Barroso, do TSE, divulgasse o questionário e as devidas respostas.
É enorme o questionamento e as respostas.
Nunca, em tempo algum, um presidente da República mentiu tanto e descaradamente como Bolsonaro.
É desse jeito que ele deverá entrar para a história.
Mentir é feio. E com meus botões penso que tamanho teria o nariz de Bolsonaro se crescesse toda vez que mentisse.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

O RÁDIO NA TV: ULISSES COSTA É O CARA

Carlos Silvio e Ulisses Costa no
programa Paiaiá Conectados

O futebol chegou ao Brasil nos fins do século 19, pelas mãos ou pés de Charles Miller. 
O futebol, mais ou menos como o conhecemos hoje, nasceu lá pras bandas da Inglaterra.
Aliás, na Inglaterra tem um time centenário chamado Corinthians.
O Corinthians brasileiro foi completamente inspirado no Corinthians inglês, contra o qual o jogador Sócrates chegou a jogar.
O rádio chegou ao Brasil, historicamente falando, em setembro de 1922. 
O futebol começou a despertar a atenção do público de rádio ali pelos anos 30. Ou 40, com o compositor mineiro Ary Barroso fazendo as primeiras transmissões. De lá pra cá, muita coisa mudou. A coisa profissionalizou-se e hoje, transmissão de futebol é o que é. Pelo rádio ou TV.
Transmissão de futebol pela TV é um saco de se ver. 
Nem nos tempos que eu enxergava com os olhos, gostava de ver futebol pela TV. O rádio é mágico, nesse e noutros pontos.
Conheci muitos narradores de futebol. Craques, como Osmar Santos.
Osmar imortalizou o bordão: "Bimba na gorduchinha!".
Conheci também Fiori Gigliotti (1928-2006), que abria suas narrações com o bordão "Abrem-se as cortinas!".
Gigliotti era um romântico. Maravilhoso.
Uma vez, quando recebi uma homenagem na assembleia legislativa de São Paulo, lá estava ele... Mas essa é outra história.
Um acidente automobilístico tirou Osmar Santos dos microfones. Seu irmão Ulisses, na CBN, faz o que pode pra prender a atenção dos ouvintes. Gosto.
Está surgindo uma figurinha incrível na telinha: Ulisses Costa.
Ulisses Costa não é Oscar Ulisses.
Ulisses Costa é levando para a TV o pique do narrador de rádio. Legal. Estou gostando.
Dia desse, comentando isso com Carlos Silvio, ouvi: "O cara realmente é muito bom".
E o cara referido é o que fala aí abaixo:

OPINAR É BOM. VIVA BENEDITO LACERDA!

O compositor e instrumentista Benedito Lacerda, desaparecido no dia 16 de fevereiro de 1958, foi um dos maiores amigos do genial Pixinguinha (1897-1973). Tinha 55 anos incompletos quando morreu. Era carioca.
Em 1919, Pixinguinha escreveu o choro Um x Zero. Esse choro foi feito em homenagem ao jogador Friedenreich (1892-1969), autor do único gol da seleção brasileira contra a seleção uruguaia naquele ano. Após o jogo, Friedenreich ganhou o apelido de El Tigre.
E não custa lembrar que o choro Um x Zero foi gravado pela primeira vez em 1946, quando Pixinguinha deu a parceria a Benedito Lacerda.
A dupla Pixinguinha/Benedito Lacerda marcou época.
Como se vê, essa é uma opinião feita com base na história.
Opinar é fundamental.
A história brasileira aponta para vários críticos que marcaram época, como José Ramos Tinhorão (1928-2021).
Como Tinhorão marcaram época, no mundo das artes, os cineastas Glauber Rocha (1939-1981) e Arnaldo Jabor (1940-2022).
Tinhorão deixou uma bibliografia memorável, como Glauber e Arnaldo.
Todos os livros de Tinhorão são de obrigatória leitura.
Os filmes de Glauber, na maioria, merecem ser vistos.
Arnaldo Jabor, filhote do cinema novo, iniciou-se como panfletário e crítico discutível do cinema até então feito no Brasil. Pindorama, de 1970, é prova viva do que digo. Mas na verdade, na verdade, Arnaldo Jabor firmou-se no imaginário brasileiro a partir das suas aparições na TV Globo e na rádio CBN.
Isso que digo, porém, não o desmerece como cineasta. Deixou coisas boas, como Toda Nudez Será Castigada (1973), baseado no livro homônimo do pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980).
Nelson Rodrigues foi um dos maiores autores da literatura brasileira.
Vamos ouvir Um x Zero?

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