“A atual Constituição garante a intervenção das Forças Armadas para a manutenção da lei e da ordem. Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção, desde que este Congresso dê mais um passo rumo ao abismo, que no meu entender está muito próximo" (1999)“O pau-de-arara funciona. Eu sou favorável à tortura” (1999)
“Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso” (2018)
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quarta-feira, 19 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (48)
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (47)
sábado, 15 de outubro de 2022
SOMOS TODOS MESTRES
Só não vê quem não quer ver
Diz um dito popular
Esse dito é bem dito
E dele é bom falar...
Mas como hoje 15 é o Dia do Professor, o referido poema eu poderia começar assim:
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
MEMÓRIAS DA INFÂNCIA: O MENINO E O MAR (2, FINAL)
Nunca pensei em publicá-lo. Mas tendo sido dado a ler a Carybé por João Jorge, o mestre baiano, por gosto e amizade, sobre as páginas datilografadas desenhou as mais belas ilustrações, tão belas que todos as desejam admirar. Diante do que, não tive mais condições para recusar-me à publicação por tantos reclamada: se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa pagar as aquarelas de Carybé.
O texto é editado como o escrevi em Paris...
Pois é, personagens reais têm invadido a ficção. Infantil. Coisa boa. Por esse mesmo caminho têm trilhado muitos autores, jornalistas inclusive.
Em 2009, o jornalista alagoano Audálio Dantas publicou O Menino Lula. É a história do pernambucano que virou presidente. Bom texto, para um bom personagem.
E por não ter o que fazer, até eu abracei a ideia de contar a infância de pessoas reais, como a cantora paulistana Inezita Barroso e o pernambucano de Exu Luiz Gonzaga. Dois livros, direcionados ao classificado público infanto-juvenil. Títulos: A Menina Inezita Barroso (2011) e Lua Estrela Baião, a História de um Rei (2012).
No ano de 1987, o multitudo paranaense Elifas Andreato adaptou um texto da Declaração dos Direitos Humanos (1948) para a criançada. Dizia dos principais itens, ou pontos, necessários para que as crianças pudessem/possam crescer com liberdade e categoria. Tornando-se cidadãos de respeito. Essa adaptação ganhou livro e versão musical para teatro e disco. Uma beleza. Título: A Canção dos Direitos da Criança.
Sou litorâneo. Nasci em João Pessoa, PB. Conheci o mar nos braços da minha prima Avani. Eu tinha uns três anos, se tanto. Apaixonei-me pelo mar. E apaixonado escrevo, especialmente para este J&Cia, O Menino e o Mar:
Na canoa a navegar
Navego no lusco-fusco
Das ondas que faz o mar
Menino-peixe que sou
Eu nasci para brincar
Quem brinca se diverte
Seja só ou seja em par
Nas ruas, parques e praças
Ou simplesmente no mar
Na vida tudo é graça
Pra quem gosta de brincar
Brincando criei a Lua
Brincando fiz o luar
Minha canoa não teme
As intempéries do mar
Quem tem medo do medo
Não serve para brincar
Minha canoa é forte
Tão forte que nem o mar
Tão forte que nem o vento
Quando quer nos assustar
Com remos firmes nas mãos
Eu não me canso de remar
Já remei em todo canto
Inda mais hei de remar
Na Paraíba, no Japão...
Em japonês eu vou cantar
Cantando direi que sei
Dos segredos que tem o mar
Num ponto qualquer do mar
Ouço vozes maviosas
Ganhando formas no ar
São sereias desgarradas
Num belo coro a cantar
É a coisa mais bonita
Que se possa imaginar:
Sereias no ar dançado
Cantando pra encantar
Num ponto qualquer do mundo
Num ponto qualquer do mar!
Deslizando sobre águas
Sigo eu a navegar
Procurando juntar forças
Pra quem sabe até voar!
Sou peixe à luz do Sol
À luz da Lua sou o mar
Sol e Lua quando juntos
Formam sempre um belo par
O Sol oscula a Lua
A Lua oscula o mar
Na canoa numa boa
Sigo eu a navegar
O dia 12 de outubro é o Dia das Crianças, escolhido como Lei em 1924.
No dia 12 de outubro também é comemorado o Dia de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil.
LEIA MAIS: Em junho de 2013 escrevi um texto especial abordando o tema literatura infantil. É uma pequena viagem no tempo. Talvez valha a pena acompanhar o dito escrito sob o título Oralidade — Hoje, ontem e sempre.
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
MEMÓRIAS DA INFÂNCIA: O MENINO E O MAR (1)
Hoje é domingo
Pé de cachimbo
O cachimbo é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo!
E ouvia também, e todo mundo cantando, pérolas como esta:
Marcha soldado
Cabeça de papel
Se não marchar direito
Vai preso no quartel…
Muitas coisas bonitas, lúdicas, permanecem grudadas nas paredes da minha memória.
A história de Chapeuzinho Vermelho me assustava, me arrepiava todo. E olha, nem era a história original contada na Idade Média que eu ouvia. Na versão original o lobo mau matava a vovozinha e seu corpo cortado como em pedaços de bife dividia com Chapeuzinho que nem de longe desconfiava do que estava comendo. E depois disso, insaciável, crau! Comia a pobrezinha da Chapeuzinho.
Essa história tem várias versões na França, na Espanha, na Itália. No Brasil, em 1970, o compositor Chico Buarque e o cartunista Ziraldo inventaram uma certa Chapeuzinho Amarelo. É a história de uma menina que tem medo de tudo, até do medo.
Lembro da Gata Borralheira, da Branca de Neve, do Pinocchio, do João e Maria...
A história de João e Maria, essa contada por minha avó Alcina, arrancava-me rios torrenciais de lágrimas. Os irmãos, crianças, eram filhos de um lenhador viúvo casado pela segunda vez. Eram pobres. A madrasta, má, convenceu o marido a abandonar os filhos na floresta. Em resumo: eles sobrevivem mesmo depois de caírem nas garras de uma bruxa cega.
Ai, ai, ai meus tempos de criança.
Os contos de fadas e fábulas têm origem nos tempos imemoriais.
Há indícios de que o primeiro autor de fábulas foi o escravo grego Esopo. Indícios, apenas indícios, pois até hoje não há provas concretas. Não há escritos, manuscritos.
Histórias, historinhas, colhidas da boca do povo. Tudo oralidade.
Esopo teria vivido no século 6 a.C.
Nos séculos 17 e 18 surgiram na França e na Alemanha La Fontaine e os irmãos Grimm, respectivamente.
No ano de 1668 Fontaine publicou seu primeiro livro reunindo pouco mais de uma centena de fábulas, em versos, a que intitulou Fábulas Escolhidas. Esse livro foi dedicado ao rei Luís 14.
Os Grimm foram, como Fontaine, de grande importância para a fabulagem de nossos tempos de infância.
A literatura infantil, em prosa e poesia se acha nos quase 200 países classificados pela Organização das Nações Unidas, ONU.
Pinocchio é personagem italiano e incorpora o mentiroso.
Eu gostava do Pinocchio.
Pra incomodar amiguinhos chatos, eu os chamava de Pinocchio.
Criança apronta muito, e muito. Sempre.
Mais de uma vez eu vi amiguinho defendendo a mãe com uma quadrinha que nunca me saiu da cabeça. Era quando um menino maior xingava um menino menor chamando-o de "filho da puta". Resposta:
Filho da puta
É banana curta
Teu pai é corno
E tua mãe é puta!
O moleque dizia isso e pernas pra que te quero! E corria feito doido, cai aqui cai acolá. E quando caía, apanhava.
Não posso me queixar dos meus tempos de criança. Brinquei de cavalo de pau, de esconde-esconde, de bang bang, de médico e paciente, de passa anel, de bola de gude, de pião. Muitos dos meus brinquedos eu mesmo os construía como caminhõezinhos de madeira, boizinhos e vaquinhas de barro.
O tempo passa e a memória fica.
O MALIGNO E CRIANÇAS EM ARMAS
quarta-feira, 12 de outubro de 2022
EU JÁ FUI CRIANÇA
Eu conheci muita gente bonita da nossa música popular. Entre essa gente, Luiz Vieira.
Vieira escreveu muita coisa bonita. Cantou muita coisa bonita, como Menino Passarinho, de sua autoria.
O dia 12 de outubro nos remete ao ano de 1924. Foi nesse ano, no governo Arthur Bernardes, que surgiu e foi patenteado o Dia das Crianças.
O Brasil foi o primeiro país a dedicar um dia às crianças.
Luiz Vieira compôs Menino Passarinho. Eu que não sou poeta nem nada, apenas jornalista, inventei de inventar um poema a que intitulei O Menino e o Mar.
Em 1952, o rei da voz Chico Alves teve lançada após sua morte, no dia 27 de setembro, a Canção da Criança. Uma pérola, belíssima. Ouça:
terça-feira, 11 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (46)
“Puxa vida! Não entendi nada. Há uma grande violência sendo incentivada e espalhada no Brasil pelo presidente Bolsonaro. Muita doidura vem da boca de Bolsonaro. É muita mentira, muita esculhambação. Eu não compreendo nada, é difícil entender o que ora ocorre no Brasil”, desabafou o poeta popular Zilidoro. Barrica emendou: “Loucura, loucura, loucura!”.
Reflexivo, Zé disse para a surpresa de todos: “Pela primeira vez um chefe de Estado faz da loucura uma estratégia política”.
Zilidoro puxou palmas para a fala de Zé.
Zoião pergunta o que é que acho disso tudo. Hmmmm, respondi.
Mané não gostou do meu “Hmmm…” e retrucou: “Seu Assis, agora é a hora verdadeira de a gente tomar posição e mandar o Bolsonaro para o esgoto de onde saiu!”.
Concordo, concordo. Agora é a hora chegada de tomarmos posição: Lula tem de ganhar, porque senão… “Estaremos afunhenhados!”, arrancou do meu pensamento o poeta Zilidoro, acrescentando: “O Bolsonaro diz que não há fome no Brasil. Ai, ai, ai…”.
O sempre quase quieto Zoião, para minha surpresa, se disse indignado com todas as falas mentirosas, cretinas, homofóbicas, machistas do Bolsonaro. E mudando de assunto, disse que viu há uns 10 anos um filme chamado Gonzaga - de Pai pra Filho e que nesse filme, eu apareço, de alguma forma eu apareço, e que até teve esse filme divulgação ampla na TV Globo. E pra provar o que estava dizendo, tascou: “Foi em 2012. Antes desse filme, o sinhô aparece numa entrevista da Globo dizendo que Luiz Gonzaga era pobre, negro e analfabeto". Sim!, respondi. Era pobre, negro, analfabeto e cego de um olho! E sofreu muito por ser quem foi. Foi um gênio, na verdade!
“Seu Assis, posso compartilhar com meus amigos e todo mundo o vídeo do ...?".
Antes que Zoião concluísse, eu disse: Pode!
segunda-feira, 10 de outubro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (45)
“A campanha política recomeçou, está na rua. Uma doidura”, disse Barrica. Seu irmão Biu, acrescentou: “Vi na TV o ressuscitamento de uma entrevista do Bolsonaro publicada no jornal norte-americano The New York Times, em 2016, dizendo que estava pronto pra comer índio”.
Espantados, todos perguntaram: “O quê!?!?!?”. “Isso mesmo!”, confirmou Biu. E pegando o jornal, destacou a frase de Bolsonaro: “Eu comeria o índio sem problema nenhum, é a cultura deles, e eu me submeti àquilo”.
“Deus do céu!”, espantado disse Mané.
“Caraca!, esse Bolsonaro é do balacubaco. Canibal!”, foi a vez de Zé falar.
Notei que Zilidoro estava a mil, só me observando. Fiz de conta que não vi. E ele: “Seu Assis, até agora o Sr. não se manifestou diretamente sobre a sua preferência ao nome que deverá governar o nosso País nos próximos quatro anos. Pergunto: o sr. é Bolsonaro, ou o sr. é Lula?”.
Olhei na cara de Zilidoro, olhei na cara de todos, e disse com todas as letras: Eu sou Brasil, eu sou brasileiro, eu sou nordestino nascido em João Pessoa, PB. Sou jornalista com poucos recursos financeiros, mas acredito profundamente na Democracia. Sem Democracia não é possível ser feliz. Sonho por um Brasil melhor, sem desigualdades, justo. Vou votar no Lula. O Bolsonaro é lixo.
Confesso que não foi surpresa ver os meus botões se levantarem e entusiasmados baterem palmas: “Isso! Isso!”, disseram. E Zilidoro: “O Brasil precisa sair do buraco em que se acha!”.
Do seu canto Zoião só nos olhava. De repente, disse: “Estou sentindo a falta do Lampa…”.
“Eu também…”, respondeu Zé.
“O Lampa parece estar fora de perigo. Já não respira por máquinas. Saiu do tubo. Foi o que me disse a pouco, por telefone, o Jão”, informou Barrica.
Pessoal, hoje é segunda e amanhã é terça. Tomara que até o fim do mês o Lampa esteja conosco.
“Isso! Isso, seu Assis!”, bateu palmas se levantando da cadeira o Biu.
Antes de darmos por encerrada a nossa reunião, Zilidoro pediu a palavra e perguntou: “Seu Assis, vi hoje na internet o Sr. sendo censurado. Pela internet! Por quê? Não entendi”.
Ai, ai, ai, Zilidoro. Eu também não entendi. Postei uma fala de 53 segundos e a internet não gostou. Não sei porque, tudo que falei foi que estava indignado com a fala de Bolsonaro. Aquela em que ele dizia que nós, nordestinos, votamos em Lula no primeiro turno porque somos analfabetos.
Enquanto eu falava, Mané mexia na internet. Achou o post referido por Mané. E quase gritando, disse: “Achei, achei! É este!”
domingo, 9 de outubro de 2022
DOMINGUINHOS É TEMA DE MUSICAL EM SÃO PAULO (2, FINAL)
É certo que Dominguinhos não estaria dando a mínima ao desmantelado PSDB ou ao inescrupuloso, homofóbico e negacionista Bolsonaro.
O Nordeste inteiro apoiou Lula, levando-o ao 2° turno. Detalhe: Lula só não ganhou no 1° turno porque o ressentido Ciro Gomes inventou de esculhambá-lo chamando-o disso e daquilo.
O embate entre Bolsonaro e Lula está deixando muita gente assustada. Isso porque, de repentemente, o Brasil de uma hora para outra foi coberto pelo manto da direita extremada.
A campanha na rua para o 2° turno começou segunda 3 no fim da tarde. A propaganda política obrigatória, no rádio e TV começou sexta-feira 7. Um dia antes, aliás, estreou no teatro da FAAP (rua Alagoas, 903, Higienópolis) o musical Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais, idealizado e dirigido por Gabriel Fontes Paiva. O texto é da jornalista Silvia Gomes e a parte musical coube a Myriam Taubkin.
Participam do espetáculo Hugo Lins, Jam da Silva, Cosme Vieira e Zé Pitoco, além da filha de Dominguinhos, a cantora Liv Moraes, e os atores Luiza Fittipaldi e Wilson Feitosa.
Dominguinhos estreou em LP no ano de 1964, a convite do baiano Pedro Sertanejo.
Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, era o criador e diretor do selo musical Cantagalo.
Depois dos primeiros discos gravados na Cantagalo, Dominguinhos transformou-se num dos mais importantes sanfoneiros do Brasil. Entre LPs, compactos simples e duplos e CDs, Dominguinhos deixou mais de 50 títulos.
Eu conheci Dominguinhos num ano qualquer dos 80. Em 99, ele assinou o prefácio de um livro de minha autoria Eu Vou Contar Pra Vocês (Editora Ícone). Foi o primeiro e único prefácio que escreveu. E à mão. Participou várias vezes do programa que eu apresentava na Rádio Capital, São Paulo Capital Nordeste. Em 2006 apresentei e dirigi o espetáculo Baião, no Sesc Pinheiro. Desse espetáculo participaram, além de Dominguinhos, Anastácia (rainha do forró), os emboladores Caju e Castanha, Carmélia Alves (rainha do Baião), Cezar do Acordeon, o poeta repentista Oliveira de Panelas, a cantora e compositora Socorro Lira e o cantor e também compositor Gereba. Com Gereba, a propósito, compus Hino ao Céu. Essa música foi gravada por Dominguinhos e Gereba, num ano que não me lembro.
AULA DE RÁDIO
Os jornalistas Heródoto Barbeiro e José Nêumanne deram uma verdadeira aula de conhecimentos no campo do jornalismo radiofônico, sábado 1, no programa Paiaiá na rádio Conectados. O programa é apresentado pelo radialista baiano Carlos Silvio. Confiram:
SAMBA DO RÁDIO
Até hoje ninguém ousou compor e gravar um hino ao rádio. Por não ter lá muito o que fazer, convidei o craque da nossa música Jarbas Mariz e com ele fiz o Samba do Rádio. Ouçam:
sábado, 8 de outubro de 2022
DOMINGUINHOS É TEMA DE MUSICAL EM SÃO PAULO (1)
Nunca na história política brasileira houve tantos jingles enaltecendo candidatos a deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Foram milhares. O de Bolsonaro é uma porcaria e o de Lula muito aquém da sua figura carismática. O de Bolsonaro tem ritmo de "sertanojo" e o de Lula está mais para "forró de plástico". O pessoal que cuida da sua campanha poderia melhorar isso. Cadê o Hilton Acioli, o competente autor de Lula lá?
A história dos jingles políticos no Brasil começa pra valer com Júlio Prestes, o Julinho, candidato a presidente da República, em 1929.
Luiz Gonzaga foi um dos mais profícuos autores de jingles. Ele dizia, e disse-me mais de uma vez, que não tinha particularmente partido político. Trabalhava para quem pagasse melhor. E foi assim com Dutra, Carlos Lacerda, Jânio e tantos e tantos.
O baião Paraíba foi composto originalmente como jingle político. Chegou, aliás, a ser lançado em praça pública pela cantora Marlene. O evento se deu em Campina Grande, PB, no ano de 1950.
A trilha de Gonzaga foi seguida passo a passo por José Domingos de Moraes, o Dominguinhos.
Dominguinhos fez muitos jingles para políticos do Nordeste e de São Paulo, inclusive para candidatos do hoje afunhenhado PSDB.
O PSDB foi praticamente destroçado pelo ex-governador "bolsodória".
Pela primeira vez o sanfoneiro Dominguinhos é tema central de um musical que tem como título o seu nome acrescido de Isso Aqui Tá Bom Demais, título homônimo do forró composto pelo músico pernambucano Nando Cordel.
Em 1949, Dominguinhos tinha 8 anos de idade e tocava com os irmãos à entrada de um hotel de Garanhuns, cidade onde nasceu. Por um desses acasos da vida, Dominguinhos e seus irmãos, Os 3 Pinguins, foram vistos e ouvidos por Gonzaga Rei do Baião. Oito anos depois, em 1957, Gonzaga já apresentava Dominguinhos à imprensa como seu sucessor.Nem tinha ainda maioridade e Dominguinhos já acompanhava Luiz Gonzaga em gravação de disco de 78 RPM na extinta RCA Victor.
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
NORDESTINOS, UNI-VOS!
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
O BRASIL À BEIRA DO ABISMO
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
O BRASIL FOI ÀS URNAS
domingo, 2 de outubro de 2022
O BRASIL VAI ÀS URNAS (2, FINAL)
Desde 1985, o Brasil vive a 6ª República.
Antes tivemos a 1ª República, entre 1889 e 1930, Velha República.
A 2ª República (Governo provisório de Vargas), foi curtinha: de 30 a 37.
A 3ª (Estado Novo) de 37 a 45.
A 4ª (Fim da Segunda Guerra Mundial) até 64, a 5ª (Ditadura militar), de 64 a 85.
Antes de ser eleito, por voto direto, o primeiro presidente civil após a ditadura militar, houve eleição para deputado federal, deputado estadual, governador e senador. Isso em novembro de 1982. Três anos depois, o mineiro Tancredo Neves chegou à presidência através de um colégio eleitoral. Quer dizer, pelo voto indireto.
É sempre bom falar em democracia, principalmente quando a liberdade é agredida e corre risco de morte.
Alguém já disse que a democracia não é o melhor sistema político de governo, mas não há outro melhor.
A democracia, no mundo, data da antiguidade clássica. Desde o século VIII a.C.
Para ilustrar, não custa lembrar que no dia 16 de setembro de 1943, o cantor Gilberto Alves (1915-1992) entrou num dos estúdios da Odeon, no Rio, e gravou a marchinha Democracia. Essa música, de Aldo Cabral e Monteiro Neto, foi lançada em novembro de 43. A letra diz:
Democracia para um mundo novo
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| Recibos de votação, a partir de 1982 |
Eleito o povo para o próprio povo
É liberdade à voz do pensamento
Democracia é a luz que invade
Todas as grandes nações pela soberania
É que na verdade
Só há liberdade
Onde há democracia
Louvemos, pois, e com respeito
Esse regime que defende e protege o
Direito Ideal comum que assim exprime
O direito que tem cada um
Porque reduz, ponto final
A opressão desigual
O poder tirania
Abaixo reino-unidos
Mil e um partidos
E viva a democracia.
Pois bem, o dia 2 de outubro está chegando. É domingo que vem.
Meu amigo, minha amiga: não deixe de votar, não deixe de ir às urnas. Escolha com critério, devagar, avaliando propostas e planos dos seus candidatos a deputado estadual e federal, a governador, a senador e a presidente da República. Não entre em discussão, não brigue, não aceite provocações. Nós, eleitores, somos as pessoas mais importantes domingo dia 2.
O voto é a arma do eleitor.
LEIA MAIS: VIVA A DEMOCRACIA! • VIVA A DEMOCRACIA! (2) • VIVA A DEMOCRACIA! (3) • DEMOCRACIA EM PERIGO • VIVA A DEMOCRACIA! (4) • TUDO PELA DEMOCRACIA! • DEMOCRACIA SEMPRE • LIBERDADE É DEMOCRACIA!
sábado, 1 de outubro de 2022
CENSO DO IBGE FAZ O RETRATO DO BRASIL (1)
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| "Vota Brasil", por Fausto |
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| Capa da Constituição de 1824 |
Um cidadão se faz
É com Democracia,
Educação e cultura
E um quê de sabedoria
Sem esses "ingredientes"
Não se faz Cidadania
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| Capa da Constituição de 1937 |
Em 1822, o imperador Pedro I proclamou a independência. No ano seguinte, o mesmo Pedro formou e desformou a primeira Constituinte. Em março de 24, o pai de Pedro II outorgou o pequeno calhamaço que entraria para a história como a primeira Carta Magna do Brasil. Nessa Carta são descritas as atribuições dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. E mais um: Moderador, com o qual o imperador podia tudo e muito mais. Era Deus no céu e ele, na terra.
Depois do golpe militar que derrubou Pedro II, em 1889, o Brasil foi premiado com mais uma Constituinte e, consequentemente, mais uma Constituição: a segunda do Brasil e a primeira da República.
A Constituição de 1891 assentava regras para a eleição direta para presidente da República. O primeiro civil a ser eleito por tais regras foi Prudente de Morais (1894-1898). Esse Morais foi aquele que inundou de sangue o arraial de Canudos, BA.
A chamada República Velha findou em 1930, quando o gaúcho Getúlio Vargas desferiu mais um golpe na nossa história derrubando Júlio Prestes e ferindo gravemente a democracia, que até então vinha sendo tocada na base da porrada.
![]() |
| Capa da Constituião de 1988 |
Não custa lembrar que as eleições realizadas até então eram grosseiramente fraudadas. Os caciques de hoje eram chamados de coronéis. Mandavam e desmandavam. Voto de cabresto e tal. Eram eleições com cédulas em papel. Até no Império era assim. O título de eleitor foi criado em 1881. Sem foto. Mulher, pobre, analfabeto, indígena e membros do clero não tinham vez nas urnas. Proibidos. Isso só aconteceria em 1932, quando foi criado o código jurídico. Melhor: código eleitoral ou justiça eleitoral. E com foto no título, só em 1955. Em 1960 Jânio elegeu-se e logo depois o Brasil viveu por curto tempo o sistema parlamentarista, que foi derrubado através de plebiscito em 1962, com artistas à frente da campanha. Entre esses, Bibi Ferreira. O presidente era João Goulart.
O Brasil é o terceiro país com o maior número de eleitores: 156 milhões. Mais mulheres do que homens. Mulheres são 82 milhões, ou 53% do total de eleitores.
Nas eleições deste ano de 2022, quase 700 mil brasileiros irão às urnas em 181 cidades de 21 países. Mais mulheres do que homens, 58%. Curiosidade: Portugal é o país com o maior número de eleitores brasileiros. No total, são 45,2 mil.
A Constituição brasileira que ficou mais tempo em vigor foi a de 1824. A que durou menos tempo foi a de 1934.O Brasil teve sete Cartas incluindo as Cartas de 1824, 1891 e 1934. As outras foram apresentadas em 1937, 1946, 1967 e a mais recente no dia 5 de outubro de 1988. Chamou-se Constituição Cidadã.
sexta-feira, 30 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (44)
Dia 27, ele faz 70 anos e vamos festejar condignamente, mesmo sem Tinhorão, Audálio e outros que se foram. Quem sabe Vandré dê o ar de sua graça, ou José Hamilton Ribeiro. Com certeza nosso personagem não os verá mas deverá reconhecer a voz de antigos companheiros e artistas que um dia entrevistou.
O Instituto Memória Brasil, que reúne acervo de grande valia e é também sua casa, será invadido por amigos e amigas. Assis não os verá, mas ouvirá tudo. Seus amigos relembrarão quem é ele, que veio da Paraíba para São Paulo com o mesmo talento dos nordestinos que um dia invadiram o Sul Maravilha para nos orgulhar.
Francisco de Assis Ângelo ficou cego já cinquentão, depois de ver de perto, amar, entrevistar e conhecer pessoalmente a nata da MPB e da Cultura nacional. Durante anos colaborei com ele sem o conhecer pessoalmente. Falávamos ao telefone. Como assessor de imprensa do HCFMUSP eu o ajudava intermediando incontáveis entrevistas e reportagens na TV Globo, onde ora produzia, entrevistava ou escrevia.
Até que ele me procurou queixando-se da vista, que andava falhando aqui e ali.
Para resumir, a Oftalmologia diagnosticou glaucoma, em estado avançado. Várias cirurgias depois, ele estaria completamente cego. Aquilo que começara como inocente embaço, tornou-se cegueira irreversível. Acionados por mim, os mais competentes especialistas não conseguiram contornar o problema. Hoje, Assis Ângelo não vê sequer os carros que passam sob a janela do apartamento onde mora só mas nunca está sozinho, graças à presença diária de filhas, amigas e amigos. À tardinha, quando o sol se esconde por detrás dos prédios da Alameda Eduardo Prado, deita numa rede e apela ao celular para contatar alguém de sua intimidade. Fala e chora. Chora e fala.
quinta-feira, 29 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (43)
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
POIS É, ADENTREI À CASA DOS 70
segunda-feira, 26 de setembro de 2022
EU E MEUS BOTÕES (42)
domingo, 25 de setembro de 2022
CENSO DO IBGE FAZ O RETRATO DO BRASIL (2, FINAL)
Questões políticas impediram a realização do Censo demográfico em 1910 e 1930.
Em 1970, ano da realização do 8° recenseamento, os agentes do IBGE registraram o total de 93 milhões de habitantes. Esse censo deu o que falar, especialmente porque a Seleção Brasileira de Futebol papou o tricampeonato no estádio Azteca, no México. (confira vídeo acima)
A Seleção de 70 foi a melhor de todas, até aqui. Se Pelé já era grande, o rei da bola, com o Tri ficou maior. Bom, mas essa é outra história.
Não custa dizer, e é sempre bom dizer, que o Censo demográfico é de importância fundamental para que saibamos das belezas e misérias que habitam o nosso País. E o que o Censo nos dá é, sempre, um retrato minucioso das nossas realidades.
Em 2006, o IBGE publicou num grosso e primoroso volume a história do século 20. Título: Estatísticas do Século XX. Nessa obra se acha um apanhado geral de tudo que ocorreu no referido período. Nessa obra se acha uma bela entrevista com o economista paraibano Celso Furtado (1920-2004), feita pelo ex-presidente do IBGE (2004-2011) Eduardo Pereira Nunes. Já na primeira resposta à pergunta de Pereira Nunes, Furtado responde: “[...] O Brasil continua sendo uma constelação de regiões de distintos níveis de desenvolvimento, com uma grande heterogeneidade social, e graves problemas sociais que preocupam a todos os brasileiros”.
A entrevista completa pode ser acessada aqui. Não custa lembrar que o Censo de 2010 trouxe à tona a realidade "do Brasil brasileiro", como diria o compositor e instrumentista mineiro Ary Barroso.
Os pesquisadores de campo identificaram, em 2010, cerca de 46% de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.
Os cegos totais, aqueles para quem os olhos nada enxergam, aproximavam-se da casa do milhão.
Há poucos dias recebi a visita de um agente do IBGE. Queria saber tudo de mim e tudo de mim eu lhe disse. Disse-lhe primeiramente que perdi a visão total depois de uma série de cirurgias. Descolamento de retina foi a causa que me deixou na escuridão, depressivo e afunhenhado. A CEGUEIRA NÃO É O FIM
Existem poucas músicas que tratam do Censo demográfico. Na verdade eu conheço só uma, aquela que a portuguesinha Carmen Miranda gravou no dia 27 de setembro de 1940 e lançada três meses depois. Autoria: Assis Valente. Gênero: Samba. Título: Recenseamento, gravada nos estúdios da Odeon.
A cantora potiguar Ademilde Fonseca também gravou em LP, 1989, o samba de Valente. Ouça as duas versões e diga qual a melhor:
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora
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Coisas da vida. Zica Bergami, autora da valsinha Lampião de Gás partiu. Tinha 97 anos completados em agosto. O caso se deu ontem por volta d...
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http://www.youtube.com/watch?v=XlfAgl7PcM0 O pernambucano de Olho da Agua, João Leocádio da Silva, um dos mais inspirados compositores...
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Cegos e demais pessoas portadoras de deficiência, seja ela qual for, come o pão que o diabo amassou. Diariamente. SER CEGO É UMA MERDA! Nã...
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Este ano terrível de 2020 está chegando ao fim, sem deixar saudade. Saudade é coisa que machuca, que dói. É uma coisa que Deus botou no mund...
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Escondidinho de carne seca e caldinho de feijão antecederam o tirinete poético travado ao som de violas repentistas ontem à noite, na casa ...
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Intriga, suspense, confusão, mentira, emoção atentado contra a ordem e a lei e otras cositas mas . O cantor, compositor e instrumentista To...





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