LEANDRO GOMES DE BARROS, 1868-1918. Nasceu e morreu na Paraíba, viajando pelo Nordeste. Viveu exclusivamente de escrever versos populares inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais. Publicou cêrca de mil folhetos, tirando dêles dez mil edições. Êsse inesgotável mancial correi ininterrupto enquanto Leandro viveu. É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboeiros, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas nas horas do "rancho", no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo. Seus romances, histórias românticas em versos, são decoradas pelos cantadores. Assim "Alonso e Marina", "O Boi misterioso", "João da Cruz", "Rosa e Lino de Alencar", "O Príncipe e a Fada", o satírico "Canção de Fogo", espécie de "Palavras Cínicas", de Forjaz de Sampaio, a "Órfã abandonada", etc, constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do nordeste. Não sei verdadeiramente se êle chegou a medir-se com algum cantador. Conhecí-o na Capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espêsso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade.Quando a desgraça quer virNão manda avisar ninguém,Não quer saber de um vai malE nem se outro vai bem.E não procura saberQue idade Fulano tem...Não especula se é branco,Se é preto, rico, ou se é pobre,Se é de origem de escravoOu se é de linhagem nobre!É como o sol quando nasce:O que achar na terra, cobre!Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacricidade na face triste do sertão.
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sexta-feira, 17 de março de 2023
CÂMARA CASCUDO DIZ QUEM FOI LEANDRO GOMES DE BARROS
quinta-feira, 16 de março de 2023
ADEUS, THEO DE BARROS
HÁ 56 ANOS, TINHORÃO ENTREVISTAVA NAIR DE TEFFÉ
O PALAVRÃO NA BOCA DO POVO
LEIA MAIS: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA! • IIIH! DEU MOFO NO PULMÃO, COLEGA...
E PRA RELAXAR...
quarta-feira, 15 de março de 2023
VIVA A IMPRENSA BRASILEIRA!
O caso em pauta foi descoberto e publicado em manchete de 1ª página pelo jornal carioca O Globo, edição de ontem 14. Começava o texto:
Durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) operou um sistema secreto de monitoramento da localização de cidadãos em todo o território nacional, segundo documentos obtidos pelo GLOBO e relatos de servidores. A ferramenta permitia, sem qualquer protocolo oficial, monitorar os passos de até 10 mil proprietários de celulares a cada 12 meses. Para isso, bastava digitar o número de um contato telefônico no programa e acompanhar num mapa a última localização conhecida do dono do aparelho...
Isso nos remete ao tempo da ditadura militar instaurada no Brasil em 1964 e que durou terríveis, sombrios e intermináveis 21 anos. Não custa lembrar, e é importante que se lembre, que muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. E em muitos casos, exilada.
O sonho de Bolsonaro, e pesadelo nosso, era fazer do nosso Estado Democrático um Estado policial e de terror. Não conseguiu e por não conseguir o que queria, pegou um avião da FAB e voou pra se esconder num lugar qualquer dos EUA. Os jornais de hoje dizem que ele pretende voltar no próximo dia 29. Mentira. Está com medo de ser preso. E vai, na hora em que a Justiça decidir. É como eu já disse:
LEIA MAIS: JOÃO DO BRASIL • O JORNALISTA JOÃO DO RIO, UMA MARCA • JOÃO DO RIO: JORNAL É CHIBATA DO POVO • AINDA JOÃO DO RIO, 100 ANOS
terça-feira, 14 de março de 2023
LAERTE DÁ ENTREVISTA NOTA DEZ À TV CULTURA
JARBAS MARIZ
segunda-feira, 13 de março de 2023
DHARMA ENRIQUECE A OBRA DE SOCORRO LIRA
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| Jorge Ribbas e Assis Ângelo num momento de descontração |
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| Jorge Ribbas e Ricardo Vignini acompanham Socorro Lira, no Itaú Musical |
ELIFAS ANDREATO
Jorge Ribbas também esteve envolvido num belíssimo projeto que teve por base a obra pictórica do paranaense Elifas Andreato que rendeu três dezenas de músicas distribuídas em dois CD’s. Essas músicas são interpretadas por talentosos nomes da nossa música, porém ainda pouco conhecidos pela
grande mídia.
Jorge conta melhor esta história: "Realizei a seleção das músicas inscritas junto à Mirian Ibañez e Elifas Andreato. Além de participar da seleção das canções que foram compostas para temas específicos, fornecidos por Roberto Tranjan do Instituto Economia ao Natural; compus os arranjos das músicas que compõem o repertório dos dois discos".
Esse projeto, que começou em plena pandemia da COVID 19 intitula-se Brasil ao Natural.
Tranjan é escritor e responsável pelo Instituto Economia ao Natural. Saiba mais: https://www.youtube.com/@economiaaonatural802.
Para os leitores deste Blog, segue o álbum com seus compositores e intérpretes.
E PRA DESCONTRAIR...
domingo, 12 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (2, FINAL)
Folhetos de Leandro continuam a ser publicados. Também tem inspirado ou inspirou poetas de tudo quanto é quilate, como Carlos Drummond de Andrade e Klévisson Viana.
No dia 9 de setembro de 1976, Drummond publicou em bela crônica no Jornal do Brasil um pouco da história do grande paraibano. Chamou-o de príncipe. Um trecho:
Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. [...] Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião.Klévisson, além de escrever sobre Leandro, conseguiu recuperar uma de suas fotos (ao lado).Em disco LP trecho de um cordel de Leandro foi adaptado pelos jornalistas Mirabô Dantas e José Nêumanne e gravado pelas cantoras Telma e Terezinha de Jesus. Título: A quem interessar possa.
E por não ter mais o que fazer, fiz um poeminha em homenagem a Leandro.
Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de novembro de 1865 e morreu no dia 04 de março de 1918.
PAULO CARUSO
O jornalista, cartunista, humorista, compositor e cantor paulistano da Vila Madalena Paulo Caruso morreu vítima de câncer no último dia 4 de março deste ano de 2023. Tinha 73 anos de idade. Começou a carreira no extinto jornal paulistano Diário Popular. Seu traço espalhou-se por publicações Brasil afora. Deixou meia dúzia de livros publicados, todos de alto nível. Eu o conheci de perto. Foi sepultado segunda 6, no cemitério São Paulo. Para lembrá-lo, o cartunista Fausto foi buscar inspiração em Da Vinci. LEIA: ADEUS PAULO CARUSOsábado, 11 de março de 2023
LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (1)
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| Foto de Leandro Gomes de Barros recuperada por Klévisson Viana |
Por ser um país novo, tudo ainda é novo.
No correr da nossa história, houve todo tipo de violência e desgraça.
O indígena, o negro e a mulher, grosso modo falando, sempre foram vistos como um seres menores ou de segunda classe pelos poderosos de plantão.
Na literatura nacional e também na música aparecem personagens judiadas e até mortas de todas as maneiras. Num livro do cearense José de Alencar, por exemplo, há casos horrorosos.
No romance regionalista Til, de Alencar; e no Dona Guidinha do Poço, livro naturalista de Manoel de Oliveira Paiva, há casos terríveis findados em feminicídio.
Til foi publicado em 1872 e Dona Guidinha, embora também escrito no século 19, foi publicado 60 anos depois da morte do autor. No enredo desse livro, curiosidade: é a esposa que manda matar o marido.
Pois é, a nossa literatura ainda é nova. Tem só uns 200 anos.
A nossa literatura popular ainda é mais nova do que a chamada literatura erudita ou moderna.
Os primeiros folhetos de cordel, que se encaixam perfeitamente no campo da literatura popular,
começaram a ser publicados no Brasil poucos anos antes da chegada do século 20.O primeiro e nosso principal cordelista, como são chamados os autores de folheto de cordel, foi o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros.
Leandro escreveu seu primeiro folheto em 1889. Título: A Mulher Roubada, que só seria publicado em 1907.
O romancista Ariano Suassuna dizia que tomara conhecimento de um folheto de cordel circulando nos sertões da Paraíba já em 1836. Título: Romance da Pedra do Reino, de autor desconhecido.
Orígenes Lessa, também escritor dos bons, anotou: o primeiro folheto de cordel, também de autor desconhecido, publicado no Brasil foi em 1865, sob o título O Testamento que faz um macaco, especificando suas gentilezas, gaiatices, sagacidade, etc.
Em agosto de 2001 o Sesc, unidade Pompéia, apresentou uma grande exposição com debate e tudo mais intitulada 100 Anos de Cordel, cuja a curadoria coube ao jornalista Audálio Dantas.
Não se sabe até hoje quantos folhetos Leandro escreveu e publicou, mas às centenas com títulos clássicos como O Cachorro dos Mortos.
O cachorro dos mortos trata de um tríplice homicídio provocado pelo fato de uma das vítimas, Angelita, não ceder aos desejos de um pretendente. Atualíssimo.
sexta-feira, 10 de março de 2023
MARINHO GANHA POEMA AOS 75 ANOS
LEIA MAIS: SEBASTIÃO MARINHO, 70 • HOJE É DIA DE SEBASTIÃO MARINHO!
quinta-feira, 9 de março de 2023
EU E MEUS BOTÕES (60)
segunda-feira, 6 de março de 2023
BOLSONARO É JOIA
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| Na caixinha joiada dada pelo rei, está faltando um bracelete... Ou eu tô cego!? |
domingo, 5 de março de 2023
GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (2, FINAL)
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial o ditador Getúlio Vargas já havia criado um inferno particular para os brasileiros: o Estado Novo, instalado em 1937. Deixou mortos e feridos.
Entre 1936 e 1939, os espanhóis viveram em guerra.
A Rússia participou da Primeira e da Segunda guerras mundiais. O Brasil também.
Submarinos alemães afundaram navios brasileiros, daí a nossa participação nesses conflitos. Curiosidade: Aracy de Carvalho, mulher do escritor Guimarães Rosa teve participação ativa no salvamento de judeus. Participação ativa também teve a escritora Clarice Lispector. À época Clarice se encontrava na Alemanha em companhia do marido Maury Gurgel Valente, que era embaixador. Não seria exagero dizer que a experiência vivida pela escritora refletiu-se na sua obra.
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia no ano de 1920.
Cinquenta anos antes do nascimento de Clarice, o Brasil acabara de sair vitorioso da guerra do Paraguai. Essa guerra começou no final de 1864 depois de tropas do exército do Paraguai invadirem o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul; e pela parte argentina Corrientes. Foi quando formou-se a Tríplice Aliança e tal. O resto é história.
E não tem como esquecer a Guerra de Canudos, brasileiramente interna, ocorrida entre 1896 e 1897. Quem acabou com essa guerra foi o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de Morais, reunindo forças policiais de vários Estados. Massacre. Leia Os Sertões.Leia também o Dicionário das Batalhas Brasileiras de Hernâni Donato.
No nosso subconsciente se acha a errônea informação de que o maior número de assassinatos numa guerra foi provocado pelo austríaco Adolf Hitler. Não foi. A história conta que o sacana que mais matou gente numa guerra foi o chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976): 40 a 70 milhões. Não há exatidão, mas os números são horrorosos.
Claro, Mao foi o sujeito que instalou o Comunismo no seu país. Curiosidade: entre os 196 países reconhecidos pela ONU, apenas cinco têm o Comunismo como regime político. Esses países são, além da China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Cuba.
O Comunismo foi adotado na Rússia logo após a guerra civil, em 1917, quando Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin (1870-1924), assumiu o poder.
O comando do chamado Exército Vermelho foi confiado por Lenin a Leon Trotsky.
Em 1923, há um século, portanto, a Rússia passou a chamar-se União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.
Com a morte de Lenin, Trotsky e Joseph Stalin disputaram o poder. Trotsky perdeu e Stalin entrou para a história como assassino de milhões e milhões de russos e russas.
E teve, na história, uma guerra que engoliu 3 reis. Foi em Alcácer-Quibir, no Marrocos, no ano de 1572. Um desses reis, Dom Sebastião, virou um quase santo e a marca politicamente indelével de Sebastianismo.
O presidente Inácio Lula da Silva acaba de entrar no jogo, sugerindo a formação de um grupo de países para negociar a paz entre Rússia e Ucrânia.
Como fica a situação das outras guerras mundo afora, hein?
Que Deus nos proteja.
Ilustração de Fausto Bergocce.
sábado, 4 de março de 2023
ADEUS, PAULO CARUSO!
Hoje 4 bem cedo, ali pelas 9 da matina, o telefone toca trazendo a voz do cartunista Fausto. Dizia que o colega Paulo Caruso partira pra um lugar longe daqui, definitivamente. Não chorei, mas a notícia deu-me um nó do caralho na garganta.Paulo Caruso foi meu amigo. Falávamos, falávamos e falávamos sobre tudo que ocorria/ocorre na vida brasileira.
Eu tinha por Paulo um carinho enorme. Era coisa vice-versa, sabe?
Eu sou do tempo de anos atrás. Dum tempo passado, que ainda se acha vivo na minha memória. E aqui lembro de nomes incríveis que comigo compartilharam redações: Fortuna, Petchó, Glauco, Henfil...
É claro que a vida fica mais pobre, mais triste, sem a presença dessas pessoas tão queridas no meu dia a dia.
"Nos últimos três anos já morreram mais de 50 cartunistas", lamenta o antenado Fausto Bergoce.
A última vez que estive com Paulo Caruso foi no evento comemorativo dos 50 anos de fundação da TV Cultura, no MIS - Museu da Imagem e do Som. Estavam comigo a minha amiga querida e jornalista Cilene Soares, o presidente Marcos Mendonça e sua esposa Dalva.
A noite daquele evento foi inesquecível. Tudo nos trinques. Bom vinho, bom uísque, boa cachaça.
Além da comemoração dos 50 anos da TV Cultura, aplaudiam-se o sucesso que foi a série Brasil Toca Choro. Dessa série, na TV, participei de dois ou três episódios.
Ah! Ia me esquecendo: na ocasião foi lançado um livro luxuoso intitulado Brasil Toca Choro. Já na primeira página, Paulo achou de caricaturizar a mim e a Cilene. Gostei, gostamos.
Digo essas palavras como lembrança de um momento muito bonito do qual participou o meu querido Paulo Caruso, irmão do Chico... A propósito lembro aqui do encontro entre mim, Paulo e Chico Caruso na missa de sétimo dia em louvor à alma de Fortuna. Foi numa igreja do Jabaquara, acho que São Judas.
Paulo Caruso parte aos 73 anos de idade.
Hummm... Estou na casa dos 70 desde o ano passado e...
Daqui ninguém leva nada, mas deixa lembranças.
A lembrança que eu tenho de Paulo Caruso é a lembrança de um irmão querido.
GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (1)
Não tem jeito. Os indícios levam a uma grave realidade: o mundo anda de pernas bambas e com ele, nós.
Nós, humanos, não temos salvação.
Desentendimento leva à discussão e briga no campo doméstico.
Conflito gera convulsão e até morte à bala ou facadas. Comum no cotidiano.
Isso tudo piora no campo político quando brigas provocam conflitos envolvendo grupos. Daí a outros episódios mais graves é um passo.
Secessão ou guerra civil é o que mais ocorre mundo afora. Sem falar em levante, revolução e guerra pelo poder.
No momento há guerras internas na Síria, por exemplo.
Há anos guerras começam e recomeçam no continente africano e fora dele. No Iêmen o pau canta há muito tempo. Milhares e milhares já morreram e continuam a morrer no Oriente Médio e no Leste Europeu. Leia-se: Rússia × Ucrânia.
A Ucrânia foi invadida por tropas russas no dia 24 de fevereiro de 2022. O presidente dos russos Vladimir Putin decidiu matar os ucranianos simplesmente com o propósito de tomar suas terras. Pensou que seria coisa de uma semana, mas quebrou a cara e está levando seu povo e seu exército à bancarrota, já que os países civilizados estão todos contra ele. Entre esses os EUA, França, Alemanha e Inglaterra.
Os EUA têm ampla experiência em guerras. Perdeu algumas, mas ganhou muitas.
Em 1776 os EUA, que eram colônia da Inglaterra, conquistaram a sua independência.
Entre 1861 e 1865, os EUA entraram em guerra civil e o resto todo mundo sabe.
Em 1789, a França deu exemplo de liberdade com a tomada da Bastilha. O rei à época, Luís XVI, perdeu a cabeça numa guilhotina.
A base de Hitler para tomar o mundo foi a Alemanha. Inspirou-se nas diabruras do italiano Mussolini, que acabou esquartejado pela plebe rude após o fim da guerra. Bem feito!
O ditador, sempre os ditadores, António Oliveira Salazar (1889-1970) era um apaixonado pelo matador Mussolini.
Salazar teve sob suas rédeas o povo português, entre os anos de 1933 e 1968, quando caiu da cadeira. Infarto.
E Francisco Franco (1892-1975) na Espanha, hein?
Foi sob as armas assassinas de Franco que sucumbiu, num paredon, um dos maiores poetas espanhóis: Federico García Lorca.
O mundo está em convulsão, continua em convulsão, e pode explodir a qualquer momento num apertar de botões.
A Rússia tem cerca de 6.255 ogivas nucleares.
Guerras são uma praga que existe desde que o homem desceu das árvores.
Você sabia que existem pelo menos uma bomba nuclear, de origem norte-americana, perdida num lugar qualquer do mundo?
Hiroshima e Nagasaki, no Japão, foram destruídas por bombas atômicas em agosto de 1945.
Sempre houve guerra pela disputa do poder.
O Egito que ainda tem um dos maiores exércitos do mundo árabe já dominou áreas enormes do nosso planetinha. Falo do tempo antigo.
O povo egípcio se juntou em 2011 formando o que se chamou "Primavera árabe". O resultado disso foi a queda do ditador Mohammed Hosni Mubarak.
Há guerras que começam à toa.
No dia 28 de julho de 1914 o bam-bam-bam do Império Austro-Húngaro Francisco Ferdinando e sua mulher Sofia foram assassinados a tiros de pistola numa rua de Sarajevo. Pronto! Estava iniciada a Primeira Guerra Mundial, que se prolongaria até o dia 11 de novembro de 1918. O saldo foi de milhões de mortos e feridos, incluindo civis.
sexta-feira, 3 de março de 2023
GRUPO GATO COM FOME CANTA GORDURINHA
quinta-feira, 2 de março de 2023
O NOSSO SENADO É UMA MÃE
quarta-feira, 1 de março de 2023
AINDA HÁ ESCRAVIDÃO NO BRASIL
... Eu estava uma tarde sentado no patamar da escada exterior da casa, quando vejo precipitar-se para mim um jovem negro desconhecido, de cerca de dezoito anos, o qual se abraça aos meus pés suplicando-me, pelo amor de Deus, que o fizesse comprar por minha madrinha, para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida... Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição, com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava.
Nada mostra melhor, do que a própria escravidão, o poder das primeiras vibrações do sentimento... Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar... Assim eu combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimittis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimentando uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.
É que tanto a parte do senhor era inscientemente egoísta, tanto a do escravo era inscientemente generosa. A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil...
(Massangana, trecho do capítulo 20 do livro Minha Formação, de Joaquim Nabuco; 1900)
Quando a campanha da abolição foi iniciada, restavam ainda quase dois milhões de escravos, enquanto que os seus filhos de menos de oito e todos os que viessem a nascer, apesar de ingênuos, estavam sujeitos até aos 21 anos a um regime praticamente igual ao cativeiro. Foi esse imenso bloco que atacamos em 1879, acreditando gastar a nossa vida sem chegar a entalhá-lo. No fim de dez anos não restava dele senão o pó. Tal resultado foi devido a muitas causas... Em primeiro lugar, à época em que foi lançada a idéia. A humanidade estava por demais adiantada para que se pudesse ainda defender em princípio a escravidão, como o haviam feito nos Estados Unidos. A raça latina não tem dessas coragens. O sentimento de ser a última nação de escravos humilhava a nossa altivez e emulação de país novo. Depois, à fraqueza e à doçura do caráter nacional, ao qual o escravo tinha comunicado sua bondade e a escravidão o seu relaxamento. Compare-se nesse ponto o que ela foi no Brasil com o que foi na América do Norte. No Brasil, a escravidão é uma fusão de raças; nos Estados Unidos, é a guerra entre elas...
Em 2000, o cantor e compositor Caetano Veloso melodiou parte do texto Massangana. O texto musicado foi o título do CD Noites do Norte. Ouça:
LEIA MAIS: MARIA FIRMINA DOS REIS, 100 ANOS • IMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE I • HISTÓRIA VIVA, MEMÓRIA MORTA. PAÍS SEM MEMÓRIA • JESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (1) • LEI PRA INGLÊS VER
RUY BARBOSA 100 ANOS
LEIA MAIS: O NEGRO NA HISTÓRIA (1) • ARTISTAS ENGAJADOS
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
SECOM PROMETE COMBATER FAKE NEWS
A Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Secom, acaba de criar um cargo que visa combater a onda de notícias falsas. Até aí, tudo bem. Porém, há um porém.
O novo cargo ainda não foi preenchido, mas chama atenção pela peculiaridade do título: coordenadora da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Pois é, parece piada. É piada.
Daqui desejo sorte e sucesso ao titular da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
JOSÉ NÊUMANNE NO PAIAIÁ
O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto está lançando um novo livro de poesias: Antes de Atravessar (Ed. Ibis Libris).
Nêumanne foi entrevistado sábado 25 pelo radialista Carlos Silvio. Acompanhe a entrevista, clicando:
ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (2, FINAL)
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| As cantoras Dalva de Oliveira, Isaura Garcia e Aracy de Almeida |
Três anos depois de ser aprovada num programa de calouros da Record, comandado pelo radialista Otávio Gabus Mendes (1906-1946), gravou o seu primeiro disco, pela extinta Columbia, no formato de 78RPM o samba Pode Ser?, de Geraldo Pereira e Marino Pinto; e o choro Chega de Tanto Amor, de Mário Lago.
Isaurinha Garcia, como Dalva de Oliveira, cantou tudo quanto foi ritmo. Baião inclusive.
Ouça Baião no Braz.
Em 1979, a Personalíssima foi entrevistada no programa FM Inéditos, da rádio Eldorado. A entrevista foi ótima. A respeito, escreveu o historiador José Ramos Tinhorão:
… Acompanhada apenas por um violão — contou sua vida com alegre sinceridade, e cantou com paixão algumas várias músicas que os interesses de estúdio nunca lhe haviam antes permitido gravar. Sem o saber, Isaurinha Garcia estava produzindo ali, ao vivo, naquela hora, um raro documento de verdade e de beleza.No seu texto de contracapa do LP, Tinhorão concluiu:
O resultado dessa obra de carinho e competência técnica de Aluízio Falcão e da Eldorado postos a serviço da glória devida a uma das mais originais intérpretes femininas da música popular brasileira em todos os tempos, é um disco raro e único: resume uma carreira, conta uma vida e permite ouvir, para sempre, uma voz do povo destinada a ficar acima das modas e do tempo. A mágica voz nacional do Brás de Isaurinha Garcia.Isaurinha já chegou a ser tema de um musical, estrelado pela atriz Rosamaria Murtinho (Isaura Garcia — O musical, 2003) e de um livro escrito por Lulu Librandi (Mensagem — A Isaurinha Garcia, 2013).
Isaurinha teve pouquíssimas participações no cinema.
No filme Garotas e Samba, de Carlos Manga (1957), ouve-se Isaurinha cantar a marchinha Garrafa Cheia, de Adoniran Barbosa, Benedito Lobo e Antônio Rago. Sim, ela bebia legal. E orgulhava-se da boca suja de palavrão que tinha. Dizia que o seu repertório de palavras de baixo calão era só comparável ao repertório de Aracy de Almeida e Emilinha Borba.
Aracy, não custa lembrar, foi a melhor intérprete das músicas de Noel Rosa.
Da sua discografia constam cerca de 300 títulos. Entre esses Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro.
Já está mais do que na hora de algum diretor de cinema levar à telona a vida dessa artista nascida no bairro paulistaníssimo do Brás.
Este ano, comemora-se 100 anos do nascimento de Isaurinha Garcia.
Ano que vem, 100 anos do nascimento de Paulo Vanzolini.
Depois, em 2025, é a vez de comemorarmos o centenário de Inezita Barroso.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (1)
Ei, vem cá: você já ouviu falar de uma mulher chamada Vicentina de Paula Oliveira?
Não, sei que você não sabe quem foi essa Vicentina.
E se eu disser que essa Vicentina atendia pelo nome de Dalva de Oliveira, hein?
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar de uma mulher chamada Isaura Garcia?
Hummm... Tá. Isaurinha Garcia. Isso mesmo, ela.
Dalva de Oliveira nasceu no interior paulista, numa cidade chamada Rio Claro, a pouco mais de 170 km da capital de São Paulo. Ano: 1917.
Isaurinha Garcia, paulistana do Brás, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923.
O que diachos tem a ver Dalva de Oliveira com Isaurinha Garcia, além de ambas terem nascido num mesmo século no Estado de São Paulo?
Isaura era filha de um italiano com uma brasileira. Pobre. Simples, humilde. Casal que queria tudo de bom para a filha, naturalmente. História essa: tinha 13 anos a menina Isaura quando participou de um programa de calouros na rádio Cultura. 1937. Foi gongada. No ano seguinte saiu-se vitoriosa num outro programa de calouros, interpretando um samba de Assis Valente intitulado Camisa Listrada, na Rádio Record.
Pela Record Isaura, que viraria Isaurinha, chegaria a se aposentar.
A história é longa e cheia de altos e baixos. Baixíssimos. Baixarias, na verdade.
Isaura deixou a casa dos pais ainda na primeira adolescência. Tinha uns 14, 15 anos. Fez isso por achar-se apaixonada por um bam-bam-bam da radiofonia paulistana, com quem viveu durante 18 anos. Isso não quer dizer que ela tenha sido exclusiva dele. Disse-me uma vez, às gargalhadas.
Isaurinha Garcia foi uma mulher marcante, tão marcante quanto a sua voz: ia do baixo ao alto.
Sabe amigo, amiga, daquelas pessoas que nos encantam derrepentemente?
Assim era Isaurinha cheia de obviedades surpreendentes: cantava com verdades, interpretando com intensidade as letras das canções que lhe chegavam às mãos.
O poeta mineiro Drummond talvez a chamasse de gauche e não erraria.
Isaurinha quando se apaixonava, apaixonava-se por completo. Sem medo. "Ele batia em mim, na cara. Pá!".
Referia-se ao músico pernambucano Walter Wanderley (1932-1986).
Quando ela uma vez a mim disse isso, e é certo que a outros jornalistas também, foi naquela maneira meio rindo. Gargalhando, mas um gargalhar meio triste, falso, de quem engole dor de maneira forçada. Dava pra ver.
Teve Isaurinha três maridos e muitos amantes. Ela: "Eles me traíam e eu dava o troco".
Dalva de Oliveira teve três maridos e nenhum amante.
Isaurinha Garcia teve apenas uma filha. Dalva, com seu primeiro e mais turbulento marido teve dois filhos.
Dalva de Oliveira é um marco da música popular brasileira no tocante à voz. Foi a nossa maior cantora da música popular. O seu timbre vocal ia do contralto ao soprano. Inimitável.
Isaurinha Garcia, a Personalíssima na acertada definição de Blota Júnior (1920-1999), foi de fato uma cantora que marcou época em 50 anos de carreira.Não precisa ir longe na memória, mas quem gosta de música bonita vai se amarrar, como se dizia lá pelos anos 80. É de 1945 seu primeiro sucesso musical: Mensagem, de Aldo Cabral e Cícero Nunes.
ROBINHO DEVE SER PRESO POR ESTUPRO
À presidente do STJ, Maria Tereza de Assis Moura, cabe decidir pela homologação da condenação por estupro o ex-jogador de futebol Robinho. O caso aconteceu na Itália e foi a Justiça italiana que condenou o ex-integrante da seleção brasileira de futebol a uma pena de nove anos de cadeia.
Robinho se acha no Brasil.
Há poucos dias Maria Tereza recebeu da Justiça italiana o pedido de homologação da pena.
Historicamente o Brasil nunca extraditou brasileiros para cumprir pena no exterior.
É 100% provável que a Justiça brasileira mande prender o estuprador. Pode demorar alguns meses para que isso aconteça, mas acontecerá.
É opinião quase geral de que lugar de estuprador é na cadeia.
Estupro é coisa séria, gravíssima e deve ser punida no rigor da lei.
Daniel Silva, também ex-integrante da seleção brasileira de futebol, continua preso na Espanha. Nesse país ele foi acusado de estupro.
Cumpra-se a lei.
sábado, 25 de fevereiro de 2023
SIMONAL: IMAGEM REABILITADA
Dono de uma voz e um balanço incomparáveis, Simonal começou a carreira artística gravando um compacto simples. Isso em 1961. Dois anos depois, pela ODEON, gravou seu primeiro LP: Tem algo mais.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023
PUTIN CONTINUA MATANDO NA UCRÂNIA... ATÉ QUANDO?
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
GERMANO MATHIAS AGORA É SAUDADE
Zombou de todo meu amor, Levou
A alegria colorida
A festa já se acabou
E o que sobrou foi somente despedida...
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