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domingo, 19 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (4 final)

Leandro morreu em 1918, com 53 anos de idade. Sua obra foi vendida para João Martins de Athayde (1880-1959) e depois para José Bernardo da Silva (1901-1971). Eram cordelistas e donos de gráficas. O detalhe é que tanto Ataíde quanto Bernardo assinaram como se fossem deles folhetos de Leandro Gomes de Barros. Isso tem nome: apropriação indébita. É crime constante no nosso código penal. Exemplo dessa apropriação é o clássico O Cavalo Que Defecava Dinheiro.
Até hoje não se sabe com exatidão quantos folhetos de cordel Leandro escreveu e publicou. O poeta repentista pernambucano Otacílio Batista falava em 1.004. Falo disso no livro A Presença dos Cordelistas e Cantadores Repentistas em São Paulo (Ed. IBRASA; 1996). Nesse livro também falo da discriminação sofridos pelos poetas da viola.
Mas voltemos ao tema guerra.
É claro que o assunto é polêmico.
Uns poucos cordelistas do passado falaram nos conflitos internos registrados pela história.
A guerra ou massacre de Canudos, que durou menos de um ano no sertão da Bahia, mereceu o olhar de
Clique para ler
poetas de cordel: Minelvino Francisco da Silva (Antonio Conselheiro e a Guerra de Canudos), Arinos de Belém (História de Antonio Conselheiro), Jota Sara (História da Guerra de Canudos) e até o profícuo Maxado Nordestino, autor de As Profecias de Antonio Conselheiro.Nas fileiras de combate contra os miseráveis liderados pelo cearense Conselheiro, se achava o cordelista paraibano de Bananeiras João Melchíades Ferreira da Silva (1869-1933). A respeito desse personagem e da Guerra de Canudos faço referência no livro O Clarim e a Oração (Geração Editorial; 2002).
Atualmente Klévisson Viana e Rouxinol do Rinaré, do Ceará, e o baiano Marco Haurélio são os mais importantes e profícuos cordelistas em atividade no País.
Tem aumentado substancialmente o número de mulheres escrevendo e publicando cordéis no Brasil. LEIA: A MULHER NA LITERATURA DE CORDEL
Eu já disse e repito: a cultura popular é a identidade de um povo.
É isso, minha gente.
Ah! Sim, ia-me esquecendo: o primeiro filólogo a dicionarizar a expressão cordel foi o padre português Francisco Caldas Aulete. Curiosidade: todos os dicionaristas brasileiros, inclusive Antônio Houaiss, repetem quase ipsis litteris o escrito por Aulete.

Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 18 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (3)

Leandro Gomes de Barros
em xilo de Klévisson Viana
Que as musas mitológicas
Vindas em dourados carros
Cheguem da Fonte Poética
Trazendo água nos jarros:
Dêem-me a taça predileta
Onde bebeu o poeta
Leandro Gomes de Barros.

Por admirar Leandro
Fui em busca da história
Do poeta de Pombal
Com sua rica trajetória,
desde os tempos de criança
Com matizes e nuança
Do seu passado de glória.

Pois além de pioneiro,
Leandro foi um gigante
À poesia popular
Deu legado relevante
Escreveu drama e tragédia
Fez gracejo e fez comédia
Com sua pena atuante…

(Leandro Gomes de Barros - O Pioneiro da Literatura de Cordel; Klévisson Viana)

A cultura popular é o retrato mais fiel de um povo, de uma nação.
A cultura popular brasileira engrandece o mundo, por sua beleza e originalidade.
O Brasil é o quinto ou sexto maior país do nosso planeta, tanto em área territorial quanto em população: somos mais de 200 milhões de pessoas habitando uma terra de mais de 8,5 milhões de Km².
A cultura popular se manifesta na música e nas artes em geral.
O paraibano Leandro Gomes de Barros foi o primeiro e até aqui o mais importante cordelista de que se tem notícia.
O cordel, ou literatura de cordel, não é invenção brasileira. Mas foi no Brasil que esse tipo de literatura, desenvolvida principalmente em sextilhas e septilhas, ganhou forma.
Sim, Leandro foi o grande pioneiro nessa forma de arte.
Já na virada do século 19 Leandro estava ligado a tudo, a todos os acontecimentos no Brasil e em todo o canto.
Antes e depois de Leandro, nenhum cordelista falou em verso de folheto sobre as mazelas e consequências da Primeira Guerra Mundial.
É dele, por exemplo, o folheto AS AFLIÇÕES DA GUERRA NA EUROPA, que começa assim:

Detonam tiros medonhos
Das peças demasiadas
Soam grandes estampidos
Estremecendo as quebradas
Descendo rios de sangue
Como água em enchorradas…

É dele também o segundo folheto sobre a guerra. Título: A ALLEMANHA VENCIDA E HUMILHADA, que começa assim:

Até que afinal chegamos
Ao fim da tal grande guerra
Que tanto mal produziu
Geralmente em toda a terra
E a Allemanha vencida
Se humilha, grita e berra…


Como se não bastasse, Leandro escreveu ECHOS DA PÁTRIA, que começa assim:

Despertai filhos da Pátria
Mostrai a vossa façanha
Arriscai o peito à bala
Ide morrer na campanha
Um soldado brasileiro
Não rende pleito à Allemanha…

sexta-feira, 17 de março de 2023

CÂMARA CASCUDO DIZ QUEM FOI LEANDRO GOMES DE BARROS

Leandro Gomes de Barros publicou centenas de folhetos. O total de títulos é impreciso

Todo mundo sabe, e se não sabe deveria saber, quem foi o potiguar Luís da Câmara Cascudo.
Cascudo tinha 20 anos de idade quando conheceu em Recife, PE, o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros. Leandro morreu em março de 1918, seis meses antes de a Gripe Espanhola se alastrar no Brasil contaminando e matando homens, mulheres e crianças. Cascudo pegou a maldita gripe, mas escapou.
O poeta Olavo Bilac foi contaminado e morto pela gripe. Mas essa é outra história.
Em 1939 Luís da Câmara Cascudo publicaria, à pág 264 do livro Vaqueiros e Cantadores, texto descritivo sobre o poeta:
LEANDRO GOMES DE BARROS, 1868-1918. Nasceu e morreu na Paraíba, viajando pelo Nordeste. Viveu exclusivamente de escrever versos populares inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais. Publicou cêrca de mil folhetos, tirando dêles dez mil edições. Êsse inesgotável mancial correi ininterrupto enquanto Leandro viveu. É ainda o mais lido de todos os escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboeiros, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas nas horas do "rancho", no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo. Seus romances, histórias românticas em versos, são decoradas pelos cantadores. Assim "Alonso e Marina", "O Boi misterioso", "João da Cruz", "Rosa e Lino de Alencar", "O Príncipe e a Fada", o satírico "Canção de Fogo", espécie de "Palavras Cínicas", de Forjaz de Sampaio, a "Órfã abandonada", etc, constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do nordeste. Não sei verdadeiramente se êle chegou a medir-se com algum cantador. Conhecí-o na Capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espêsso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade.
 
Quando a desgraça quer vir
Não manda avisar ninguém,
Não quer saber de um vai mal
E nem se outro vai bem.
E não procura saber
Que idade Fulano tem...

Não especula se é branco,
Se é preto, rico, ou se é pobre,
Se é de origem de escravo
Ou se é de linhagem nobre!
É como o sol quando nasce:
O que achar na terra, cobre!

Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacricidade na face triste do sertão.

quinta-feira, 16 de março de 2023

ADEUS, THEO DE BARROS

Assis, Theo de Barros e Eduardo Gudin ouvem Luís Avelima falando sobre música popular
 
O músico Theo de Barros morreu na última madrugada 15, cinco dias depois de completar 80 anos de idade. Era carioca, filho de um radialista pernambucano. Começou a carreira ainda na pré-adolescência. Sua carreira ganhou brilho a partir de São Paulo onde conheceu seu parceiro mais famoso, Geraldo Vandré. 
É de Theo e Vandré a moda de viola Disparada, empatada com A Banda, de Chico Buarque, num festival de música promovido pela Record em 1966. Essa música ganhou versão em vários idiomas: espanhol, italiano, francês e alemão. 
A primeira composição de Theo gravada por ele mesmo, num compacto simples, foi Menino das Laranjas, gravado também por Vandré e Elis Regina. 
Há uma versão muito bonita em espanhol de Menino das Laranjas, por Elis.
Eu conheci Theo de Barros num ano qualquer dos 70. Viramos amigos. Frequentou a minha casa (acima).
Acho que foi em 2008 que levei Theo para debater comigo o interminável ano de 1968. Foi um debate com exposição temática por mim organizada no BNB, em Fortaleza, CE
Desse debate, um ciclo, também participaram o músico Sérgio Ricardo e o jornalista José Hamilton Ribeiro. 
Certa vez Theo perguntou se eu conhecia a obra do poeta cubano Nicolás Guillén (1902-1989). Disse que sim, que até tinha uma edição de um livro de Guillén editado na Argentina. Pediu-me emprestado e eu o emprestei. Resultado: Theo musicou um poema do cubano e o inseriu num álbum duplo que lançou pela extinta Eldorado, em 1980.
E pensar que ontem 15 de manhã eu e minha filha Clarissa ouvíamos Elis cantar Menino das Laranjas, enquanto tomávamos café. E alí pelo final da tarde, numa visita a mim o amigo músico e quadrinista Paulo Garfunkel, o Magrão, perguntava se eu conhecia Teófilo Augusto de Barros Neto.
Pois é, pra morrer basta estar vivo.
 
 

HÁ 56 ANOS, TINHORÃO ENTREVISTAVA NAIR DE TEFFÉ

Parece que foi ontem...
No dia 15 de março de 1967, o jornalista José Ramos Tinhorão publicava no extinto Jornal da Tarde, SP, uma bela e inédita entrevista que fez dias antes em Niterói, RJ, com a viúva do marechal Hermes da Fonseca, Nair de Tefé. 
Hermes da Fonseca chegou à presidência da República em 1910, depois  de disputa eleitoral com o baiano Rui Barbosa.
Nair de Tefé foi ninguém mais, ninguém menos, do que a primeira caricaturista brasileira. Publicava em jornais e revistas sob o anagrama Rian, que é seu nome de trás pra frente.
À época, Tinhorão tinha 39 anos de idade. E ela 81. 
José Ramos Tinhorão nasceu no dia 07 de fevereiro de 1928, no município Paulista de Santos.
Na ocasião em que os dois de encontraram, ele foi por ela caricaturado (ao lado). 
Fica aqui o registro.
 

O PALAVRÃO NA BOCA DO POVO

Pesquisa sobre palavrões indica que Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro são as três cidades cujos habitantes dizem mais palavrões. Xingam mais, pra valer ou simplesmente brincando. Puta que pariu, que pesquisa!
Confesso, porém, que não me surpreendi.
O Brasil não se acha entre os primeiros países de bocas mais sujas do mundo.
Os ingleses e norte-americanos falam mais palavrões que nós. No mínimo, duas vezes e meia por dia. Por aqui, segundo a pesquisa que se acha nos jornais, o homem brasileiro fala em média oito palavrões por dia. E a mulher, cinco.
Porra! Pensei que era mais.
Agora, é claro que há brasileiros e brasileiras que falam mais ou menos palavrões. Eu mesmo falo uns 50 por dia. As palavras e palavrões que pronuncio no meu dia a dia vão de chá a paralelepípedo. Às vezes falo até inconstitucionalissimamente. Tem 12 sílabas. E quando estou bravo, bravo mesmo, falo até pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico. Caralho! Você dirá, caro leitor. Mas essa palavra eu já falei só por brincadeira, como agora dividindo sílabas pneu-mo-ul-tra-mi-cros-co-pi-cos-si-li-co-vul-ca-no-co-ni-ó-ti-co. São 46 letras, distribuídas em 20 sílabas.
Numa reunião ocorrida em 22 de abril de 2020, Bolsonaro pronunciou 29 palavrões em menos de 2 horas. Ele nasceu já assim, desbocado. Para o mal é sem limite e para o bem, zero. Agora mesmo deve estar se contorcendo num buraco qualquer dos EUA, com medo de cair em cana. Já são muitos os crimes a que responde e a outros que ainda responderá. Os tais presentes das arábias devem lhe render uma caninha de 2 a 12 anos. É o que consta no nosso código penal para o crime de peculato.
À propósito, por determinação do ministro da Justiça Flávio Dino, a Polícia Federal vai indiciar e apurar tim-tim por tim-tim o caso dos presentes das arábias. Caso esse em que se acha enrolado até o pescoço o tal que fugiu para os EUA.
Bolsonaro, por si só um palavrão, deve estar chamando todo mundo de fela da puta, corno, vagabundo, arrombado, fi de quenga. Daqui nós o chamamos de fela da puta mesmo, ladrão e tudo mais, Ô cabra ruim!

LEIA MAIS: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, PORRA! IIIH! DEU MOFO NO PULMÃO, COLEGA...

E PRA RELAXAR...

quarta-feira, 15 de março de 2023

VIVA A IMPRENSA BRASILEIRA!

Os bichos, os monstros, que andavam grudados no corpo e nos buracos do governo Bolsonaro estão a cada instante sendo descobertos, voltando à tona, e enojando os brasileiros de boa índole e formação. O caso agora está ligado umbilicalmente à Agência Brasileira de Inteligência, Abin.
O caso em pauta foi descoberto e publicado em manchete de 1ª página pelo jornal carioca O Globo, edição de ontem 14. Começava o texto:

Durante os três primeiros anos do governo Bolsonaro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) operou um sistema secreto de monitoramento da localização de cidadãos em todo o território nacional, segundo documentos obtidos pelo GLOBO e relatos de servidores. A ferramenta permitia, sem qualquer protocolo oficial, monitorar os passos de até 10 mil proprietários de celulares a cada 12 meses. Para isso, bastava digitar o número de um contato telefônico no programa e acompanhar num mapa a última localização conhecida do dono do aparelho...

Isso nos remete ao tempo da ditadura militar instaurada no Brasil em 1964 e que durou terríveis, sombrios e intermináveis 21 anos. Não custa lembrar, e é importante que se lembre, que muita gente foi perseguida, presa, torturada e morta. E em muitos casos, exilada.
O sonho de Bolsonaro, e pesadelo nosso, era fazer do nosso Estado Democrático um Estado policial e de terror. Não conseguiu e por não conseguir o que queria, pegou um avião da FAB e voou pra se esconder num lugar qualquer dos EUA. Os jornais de hoje dizem que ele pretende voltar no próximo dia 29. Mentira. Está com medo de ser preso. E vai, na hora em que a Justiça decidir. É como eu já disse:

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera
Presidente matador
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador
 
Esse caso envolvendo a Abin é sério, muito sério. Precisa ser apurado bem di-rei-ti-nho e os envolvidos, todos, punidos rigorosamente na forma da Lei.
E as joias das arábias, hein? LEIA: BOLSONARO É JOIA
O papel que a Imprensa tem desempenhado continua sendo de grande importância para a valorização do ir e vir, da nossa Democracia.
Por falar nisso, termino lembrando um texto poético/musical que andei fazendo em homenagem a um dos grandes pioneiros da reportagem, João do Rio. A gravação é da dupla Caju e Castanha. Ouça:


LEIA MAIS: JOÃO DO BRASILO JORNALISTA JOÃO DO RIO, UMA MARCAJOÃO DO RIO: JORNAL É CHIBATA DO POVOAINDA JOÃO DO RIO, 100 ANOS

terça-feira, 14 de março de 2023

LAERTE DÁ ENTREVISTA NOTA DEZ À TV CULTURA

Foi supimpa a entrevista que ouvi ontem 13 no Roda Viva, da TV Cultura, com a cartunista e quadrinista Laerte.
Opa, consegui!
Eu, Jota, Angeli, Glauco, Fortuna, Fausto e Laerte dividimos espaço na redação do extinto suplemento Folhetim, que circulava como encarte na edição de domingo do jornal Folha de S.Paulo. E quando digo consegui é porque nunca conseguira chamar o Laerte de "a Laerte".
A última vez que nos encontramos, e já faz um bocado de anos,  e ela (olha eu de novo!) achou graça no meu jeito de falar. E disse: "Relaxa, Assis".
A entrevista da Laerte ao programa Roda Viva foi pra lá de excelente. Falou de tudo e muito mais. Falou de vida e morte, solidão, velhice, filosofia, inteligência artificial; de machismo, feminismo, política e tal; da vida pessoal com filhos e netos e de amigos como os já citados Fausto, Angeli e Glauco.
Pra ele, não existe charge a favor de quem quer que seja.
Pra Laerte chargista existe pra fazer crítica a poderosos de plantão e a governos, independentemente da coloração política. E até ilustrou lembrando um caso segundo o qual alguém perguntará a Ziraldo por que nunca metera o pau no Sarney. A resposta teria sido esta: "Pô! Eu sou amigo do cara". 
No decorrer da fala, Laerte não se esqueceu de falar do amigo recentemente falecido Paulo Caruso.
Recomendo a todo mundo a acessar o site da TV Cultura e acompanhar a entrevista da Laerte, comandada pela jornalista Vera Magalhães. Nota dez!
 

JARBAS MARIZ

O cantor, compositor e musical multitudo Jarbas Mariz completa no dia sagrado de hoje, 14 de março, 71 aninhos de idade.
Jarbas, pelo talento que tem, é daqueles caras que a gente classifica como sendo do caralho. Pessoa linda, daquelas que exercem com inteiridade a complexa ação da cidadania. Quer pra si o melhor que a vida oferece e pra todos, a mesma coisa.
Jarbas está lançando novo CD. Falarei a respeito já, já.
Aproveito aqui este espaço para mandar meus votos de saúde e longevidade a esse gigante da da nossa música popular, extensivos a sua companheira Ângela.

segunda-feira, 13 de março de 2023

DHARMA ENRIQUECE A OBRA DE SOCORRO LIRA

Jorge Ribbas e Assis Ângelo num momento de descontração

Jorge Ribbas e Ricardo Vignini acompanham
Socorro Lira, no Itaú Musical
O cantor, compositor e instrumentista pernambucano Jorge Ribbas há muito é uma das figurinhas mais solicitadas do mundo da nossa música popular, a mais bonita e original.
Ribbas passou o último fim de semana na Capital paulista. Na sexta, 10 de março de 2023, esteve se apresentando ao lado da cantora e compositora Socorro Lira que acaba de lançar em formato digital, um novo repertório intitulado DHARMA.
Dharma, perguntei a Jorge o que vem a ser. E ele: é uma perspectiva baseada na filosofia de vida indiana que significa “viver e trabalhar pelo melhor futuro para a humanidade, isso como missão de vida em um patamar de pensamento elevado”.
O novo repertório de Socorro Lira, ganha cores, naturalmente com os arranjos de Jorge Ribbas feitos em parceria com Ricardo Vignini.
Vignini é um paulistano bastante conhecido pelas composições, produções musicais que faz e como bom violeiro que é.
O espetáculo Dharma foi apresentado a uma plateia instigante no Auditório do Itaú Cultural na Av. Paulista.
A ideia é levar socorro Lira a mostrar sua nova obra em todo o país. “Cá pra nós, o trabalho de Socorro é excepcional e merece ser ouvida por todo o mundo”, diz o cantor, compositor e instrumentista Jorge Ribbas.
A obra de Socorro Lira se acha em mais de uma dúzia de discos fáceis de ser encontrados através das principais plataformas de streaming.
A capa de Dharma é a reprodução de um dos quadros de Elifas Andreato.


ELIFAS ANDREATO

Jorge Ribbas também esteve envolvido num belíssimo projeto que teve por base a obra pictórica do paranaense Elifas Andreato que rendeu três dezenas de músicas distribuídas em dois CD’s. Essas músicas são interpretadas por talentosos nomes da nossa música, porém ainda pouco conhecidos pela
grande mídia.
Jorge conta melhor esta história: "Realizei a seleção das músicas inscritas junto à Mirian Ibañez e Elifas Andreato. Além de participar da seleção das canções que foram compostas para temas específicos, fornecidos por Roberto Tranjan do Instituto Economia ao Natural; compus os arranjos das músicas que compõem o repertório dos dois discos".
Esse projeto, que começou em plena pandemia da COVID 19 intitula-se Brasil ao Natural.
Tranjan é escritor e responsável pelo Instituto Economia ao Natural. Saiba mais: https://www.youtube.com/@economiaaonatural802.
Para os leitores deste Blog, segue o álbum com seus compositores e intérpretes.




E PRA DESCONTRAIR...

domingo, 12 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (2, FINAL)

Leandro Gomes de Barros tem inspirado muitos cordelistas. Seu nome ainda circula no meio popular e até entre candidatos a doutor por universidades Brasil afora. Sobre sua obra, há várias teses universitárias rolando por aí. Às Universidades Federais da Paraíba e do Mato Grosso do Sul foram apresentadas as dissertações Direito & Literatura: Aspectos Jurídicos e Sociais na obra de Leandro Gomes de Barros, de Elon da Silva Barbosa Damaceno e "Que povo é esse?", de Erasmo Peixoto de Lacerda. À Fundação Getúlio Vargas, FGV, RJ, Ivone da Silva Ramos Maya apresentou O Poeta de Cordel e a Primeira República: a Voz Visível do Popular.
Folhetos de Leandro continuam a ser publicados. Também tem inspirado ou inspirou poetas de tudo quanto é quilate, como Carlos Drummond de Andrade e Klévisson Viana.
No dia 9 de setembro de 1976, Drummond publicou em bela crônica no Jornal do Brasil um pouco da história do grande paraibano. Chamou-o de príncipe. Um trecho:
Não foi príncipe dos poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro. [...] Leandro foi o grande consolador e animador de seus compatrícios, aos quais servia sonho e sátira, passando em revista acontecimentos fabulosos e cenas do dia-a-dia, falando-lhes tanto do boi misterioso, filho da vaca feiticeira, que não era outro senão o demo, como do real e presente Antônio Silvino, êmulo de Lampião.
Klévisson, além de escrever sobre Leandro, conseguiu recuperar uma de suas fotos (ao lado).
Em disco LP trecho de um cordel de Leandro foi adaptado pelos jornalistas Mirabô Dantas e José Nêumanne e gravado pelas cantoras Telma e Terezinha de Jesus. Título: A quem interessar possa.
E por não ter mais o que fazer, fiz um poeminha em homenagem a Leandro.
Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de novembro de 1865 e morreu no dia 04 de março de 1918.

PAULO CARUSO

O jornalista, cartunista, humorista, compositor e cantor paulistano da Vila Madalena Paulo Caruso morreu vítima de câncer no último dia 4 de março deste ano de 2023. Tinha 73 anos de idade. Começou a carreira no extinto jornal paulistano Diário Popular. Seu traço espalhou-se por publicações Brasil afora. Deixou meia dúzia de livros publicados, todos de alto nível. Eu o conheci de perto. Foi sepultado segunda 6, no cemitério São Paulo. Para lembrá-lo, o cartunista Fausto foi buscar inspiração em Da Vinci. LEIA: ADEUS PAULO CARUSO

Foto e Reproduções por Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 11 de março de 2023

LEANDRO GOMES DE BARROS CONTINUA VIVO (1)

Foto de Leandro Gomes de Barros
recuperada por Klévisson Viana

O Brasil, sabemos, é um país novo. Riquíssimo. De tudo tem muito: ouro, prata, pérolas e muita miséria, além das safadezas que borbulham nas esquinas, palácios e bordéis.
Por ser um país novo, tudo ainda é novo.
No correr da nossa história, houve todo tipo de violência e desgraça.
O indígena, o negro e a mulher, grosso modo falando, sempre foram vistos como um seres menores ou de segunda classe pelos poderosos de plantão.
Na literatura nacional e também na música aparecem personagens judiadas e até mortas de todas as maneiras. Num livro do cearense José de Alencar, por exemplo, há casos horrorosos.
No romance regionalista Til, de Alencar; e no Dona Guidinha do Poço, livro naturalista de Manoel de Oliveira Paiva, há casos terríveis findados em feminicídio.
Til foi publicado em 1872 e Dona Guidinha, embora também escrito no século 19, foi publicado 60 anos depois da morte do autor. No enredo desse livro, curiosidade: é a esposa que manda matar o marido.
Pois é, a nossa literatura ainda é nova. Tem só uns 200 anos.
A nossa literatura popular ainda é mais nova do que a chamada literatura erudita ou moderna.
Os primeiros folhetos de cordel, que se encaixam perfeitamente no campo da literatura popular, começaram a ser publicados no Brasil poucos anos antes da chegada do século 20.
O primeiro e nosso principal cordelista, como são chamados os autores de folheto de cordel, foi o paraibano de Pombal Leandro Gomes de Barros.
Leandro escreveu seu primeiro folheto em 1889. Título: A Mulher Roubada, que só seria publicado em 1907.
O romancista Ariano Suassuna dizia que tomara conhecimento de um folheto de cordel circulando nos sertões da Paraíba já em 1836. Título: Romance da Pedra do Reino, de autor desconhecido.
Orígenes Lessa, também escritor dos bons, anotou: o primeiro folheto de cordel, também de autor desconhecido, publicado no Brasil foi em 1865, sob o título O Testamento que faz um macaco, especificando suas gentilezas, gaiatices, sagacidade, etc.
Em agosto de 2001 o Sesc, unidade Pompéia, apresentou uma grande exposição com debate e tudo mais intitulada 100 Anos de Cordel, cuja a curadoria coube ao jornalista Audálio Dantas.
Não se sabe até hoje quantos folhetos Leandro escreveu e publicou, mas às centenas com títulos clássicos como O Cachorro dos Mortos.
O cachorro dos mortos trata de um tríplice homicídio provocado pelo fato de uma das vítimas, Angelita, não ceder aos desejos de um pretendente. Atualíssimo.

sexta-feira, 10 de março de 2023

MARINHO GANHA POEMA AOS 75 ANOS

A comunicação sempre foi importante na vida humana.
O cotidiano é cheio de problemas, agora imaginemos o cotidiano sem comunicação; sem que as pessoas se comuniquem, se falem, se entendam.
As guerras entre nações existem desde tempos d'antanho.
As guerras, dizem, servem para equilibrar a população mundial. Eu digo: as guerras servem pra matar gente e transformar assassinos em heróis.
Há muitos heróis assassinos, desde quando o homem desceu da árvore.
Comunicação é tudo. Ou quase tudo.
A comunicação deveria resolver todos os problemas de ordem humana.
No dia 10 de março de 1876, na Filadélfia, EUA, o inglês de Edimburgo Alexander Graham Bell fazia a primeira ligação telefônica para um de seus auxiliares, Thomas Watson.
Foi ligação rápida e curta, de pouca distância, mas com isso ele conseguiu aproximar as pessoas. Avanço enorme no campo da comunicação. 
No dia 10 de março de 1948, nascia na Paraíba uma criança que se chamaria Sebastião Marinho. Sua infância não foi, digamos, própria de quem nasce em berço de ouro. Mas lutando virou artista, cantor. Trocou o violão pela viola e aí caiu no mundo mágico da cantoria de improviso ao som de música.
Já carreguei Sebastião Marinho pra tudo quanto foi programa que apresentei, no rádio principalmente.
Em dezembro de 2003, convidei Marinho pra animar o papo que eu faria, como fiz, com o cartunista argentino Quino. Desse encontro participaram ainda Álvaro Moya, Paulo Caruso e Custódio.
Marinho, que chega hoje aos 75 anos, vai receber amigos com tapete vermelho na sede da União dos Cantadores, Repentistas e Apologistas do Nordeste (Ucran), que criou há mais de 30 anos.
A Ucran está localizada à rua Teixeira Leite, 263, Liberdade, SP.
Sebastião Marinho é comunicação em pessoa.
Hoje tem festa de violeiro na Ucran. Bora lá?
Por não ter muito o que fazer, fiz Poeminha pra Sebastião Marinho. Ouça:
 

LEIA MAIS: SEBASTIÃO MARINHO, 70HOJE É DIA DE SEBASTIÃO MARINHO!

quinta-feira, 9 de março de 2023

EU E MEUS BOTÕES (60)

Um chute do Lampa por pouco não derrubou a porta. Ele estava eufórico. Estranhamente eufórico, quase babando: "Agora eu pego ele!".
Os olhos de todos se voltaram a Lampa. Barrica foi o primeiro a falar: "O que é isso, endoidou?".
Fazendo de conta que nada ouvira, Lampa abriu o jornal e aos trancos e barrancos leu a manchete: Coronel afirma que Bolsonaro ficou com joias dadas por regime saudita...
De modo brusco Barrica puxou o jornal das mãos de Lampa, que não gostou e quase rosnando entre dentes disse algo ininteligível: "Bvjrtzqblxk!".
"Calma, mano. Deixa o Lampa ler a notícia!", interrompeu Biu. "Mas ele me deixa nervoso, nem sabe ler direito esse peste!", retrucou Barrica. 
Nesse ponto foi a vez de entrar na conversa o botão letrado Zilidoro, que educadamente pediu pra ele próprio ler a notícia do jornal. Barrica olhou pro Lampa, que nada disse. Zilidoro começou: "Documento obtido pelo Estadão atesta que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu no Alvorada um segundo pacote de joias da Arábia Saudita, também trazido irregularmente ao Brasil pela comitiva do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque...".
"Tá vendo? Tá vendo? Tá vendo? O cabra é um ladrão, um desmilinguido. Vou pegar e vou capar. Lugar de quem não presta são dois: cadeia ou um buraco de cemitério", falou esbravejando o destabocado Lampa. "Agora eu pego ele! Ora se pego!", acrescentou aos berros enquanto alisava seu punhalzinho de estimação. 
Do fundo da casa escutei uma voz malemolente, perguntando o que é que eu estou achando dessa história toda de joias e tal. Era Zoião. Respondi que acho um horror, uma vergonha. É um escândalo atrás do outro manchando o nome do nosso país.
Mané tomou a palavra pra perguntar se eu já lera o livro O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro, da jornalista Juliana Dal Piva. Respondi dizendo que esse livro foi lançado em 2022, mas que ainda não tive tempo de lê-lo. Até porque leio muita coisa. As prioridades em primeiro lugar. Acabo de ler, por exemplo, o mais novo livro do colega José Nêumanne, Antes de Atravessar. É um baita livro de poesia. Eu o recomendo, aliás.
Até então em silêncio, Zé deu um beliscão em Jão, que o encarou rindo: "Que isso, Zé?".
Tudo que Zé queria era simples: perguntar se eu sei quanto é que nós, brasileiros, estamos pagando pela permanência do ex-presidente nos EUA. Respondi dizendo que a questão é complexa, mas seguramente pelo menos 2 milhões já sairam do erário público para manter Bolsonaro no Exterior. Como ex-presidente ele tem direito a dois automóveis com motoristas, tradutor ou tradutora pessoal, meia dúzia de seguranças, hospedagem em hotel bom, alimentação ótima e tal. Uma beleza!
"Tá vendo? Tá vendo? Isso é uma vergonha!", alterou-se novamente Lampa, jurando por Deus e Nossa Senhora que "Tudo vai mudar um dia. E pra melhor".
Eu já me preparava pra dar por encerrada a nossa roda de conversa, quando Zoião perguntou se eu não escrevera algum poema para as mulheres no seu dia, 8 de março que foi ontem. Respondi que sim e mais do que depressa, Zilidoro sacou o celular e botou pra todo mundo ver e ouvir:
 

segunda-feira, 6 de março de 2023

BOLSONARO É JOIA

O Brasil é mesmo um país estranho, mas muito bonito.
Na caixinha joiada dada pelo rei,
está faltando um bracelete...
Ou eu tô cego!?

De tão real, a política brasileira parece ficção. Né, não?
Está em tudo quanto é jornal a notícia de que Bolsonaro tentou embolsar para si e com sorte os mimos que o rei Déspota da Arábia Saudita ofereceu como presente ao Brasil. Joias, um monte de joias. Tudo calculado em pelo menos três milhões de euros. Algo como 16 ou 20 milhões de reais.
Presentes que chefes de governo recebem de outros chefes superior a um mil dólares, vão todos para o acervo do Governo/Palácio. Pois, pois. E não é, menino, que o ex-presidente fez de tudo para embolsar esses mimos? Sua consorte, Michelle, andou aí pelas redes debochando do caso. Hmmm...
O Ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou abertura de inquérito para apurar o caso tim-tim por tim-tim.
Uma coisinha: um brasileiro reconheceu Bolsonaro ao entrar num restaurante no Tennessee, EUA. Perguntou: "Tudo joia, presidente?". Nervoso, Bolsonaro fitou os olhos do interlocutor, respondendo: "@~!%&¨$ PARIU!". 
É muita baixaria... Até quando?
E tudo começou com rachadinhas, funcionários fantasmas...

domingo, 5 de março de 2023

GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (2, FINAL)

A Segunda Guerra Mundial foi deflagrada no dia 1° de setembro de 1939 e teria fim no dia 2 de setembro de 1945. O saldo ficou na casa dos milhões e milhões de mortos e incontáveis feridos.
Quando estourou a Segunda Guerra Mundial o ditador Getúlio Vargas já havia criado um inferno particular para os brasileiros: o Estado Novo, instalado em 1937. Deixou mortos e feridos.
Entre 1936 e 1939, os espanhóis viveram em guerra.
A Rússia participou da Primeira e da Segunda guerras mundiais. O Brasil também.
Submarinos alemães afundaram navios brasileiros, daí a nossa participação nesses conflitos. Curiosidade: Aracy de Carvalho, mulher do escritor Guimarães Rosa teve participação ativa no salvamento de judeus. Participação ativa também teve a escritora Clarice Lispector. À época Clarice se encontrava na Alemanha em companhia do marido Maury Gurgel Valente, que era embaixador. Não seria exagero dizer que a experiência vivida pela escritora refletiu-se na sua obra.
Clarice Lispector nasceu na Ucrânia no ano de 1920.
Cinquenta anos antes do nascimento de Clarice, o Brasil acabara de sair vitorioso da guerra do Paraguai. Essa guerra começou no final de 1864 depois de tropas do exército do Paraguai invadirem o Mato Grosso e o Rio Grande do Sul; e pela parte argentina Corrientes. Foi quando formou-se a Tríplice Aliança e tal. O resto é história.
E não tem como esquecer a Guerra de Canudos, brasileiramente interna, ocorrida entre 1896 e 1897. Quem acabou com essa guerra foi o primeiro presidente civil do Brasil: Prudente de Morais, reunindo forças policiais de vários Estados. Massacre. Leia Os Sertões.Leia também o Dicionário das Batalhas Brasileiras de Hernâni Donato.
É certo que já passa de 350 mil o número de mortos na guerra de Putin.
No nosso subconsciente se acha a errônea informação de que o maior número de assassinatos numa guerra foi provocado pelo austríaco Adolf Hitler. Não foi. A história conta que o sacana que mais matou gente numa guerra foi o chinês Mao Tsé-Tung (1893-1976): 40 a 70 milhões. Não há exatidão, mas os números são horrorosos.
Claro, Mao foi o sujeito que instalou o Comunismo no seu país. Curiosidade: entre os 196 países reconhecidos pela ONU, apenas cinco têm o Comunismo como regime político. Esses países são, além da China, Coreia do Norte, Vietnã, Laos e Cuba.
O Comunismo foi adotado na Rússia logo após a guerra civil, em 1917, quando Vladimir Ilitch Ulianov, o Lênin (1870-1924), assumiu o poder.
O comando do chamado Exército Vermelho foi confiado por Lenin a Leon Trotsky.
Em 1923, há um século, portanto, a Rússia passou a chamar-se União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS.
Com a morte de Lenin, Trotsky e Joseph Stalin disputaram o poder. Trotsky perdeu e Stalin entrou para a história como assassino de milhões e milhões de russos e russas.
E teve, na história, uma guerra que engoliu 3 reis. Foi em Alcácer-Quibir, no Marrocos, no ano de 1572. Um desses reis, Dom Sebastião, virou um quase santo e a marca politicamente indelével de Sebastianismo.
O presidente Inácio Lula da Silva acaba de entrar no jogo, sugerindo a formação de um grupo de países para negociar a paz entre Rússia e Ucrânia.
Como fica a situação das outras guerras mundo afora, hein?
Que Deus nos proteja.

Foto por Flor Maria.
Ilustração de Fausto Bergocce.

sábado, 4 de março de 2023

ADEUS, PAULO CARUSO!

 Hoje 4 bem cedo, ali pelas 9 da matina, o telefone toca trazendo a voz do cartunista Fausto. Dizia que o colega Paulo Caruso partira pra um lugar longe daqui, definitivamente. Não chorei, mas a notícia deu-me um nó do caralho na garganta.
Paulo Caruso foi meu amigo. Falávamos, falávamos e falávamos sobre tudo que ocorria/ocorre na vida brasileira.
Eu tinha por Paulo um carinho enorme. Era coisa vice-versa, sabe?
Eu sou do tempo de anos atrás. Dum tempo passado, que ainda se acha vivo na minha memória. E aqui lembro de nomes incríveis que comigo compartilharam redações: Fortuna, Petchó, Glauco, Henfil...
É claro que a vida fica mais pobre, mais triste, sem a presença dessas pessoas tão queridas no meu dia a dia.
"Nos últimos três anos já morreram mais de 50 cartunistas", lamenta o antenado Fausto Bergoce.
A última vez que estive com Paulo Caruso foi no evento comemorativo dos 50 anos de fundação da TV Cultura, no MIS - Museu da Imagem e do Som. Estavam comigo a  minha amiga querida e  jornalista Cilene Soares, o presidente Marcos Mendonça e sua esposa Dalva.
A noite daquele evento foi inesquecível. Tudo nos trinques. Bom vinho, bom uísque, boa cachaça.
Além da comemoração dos 50 anos da TV Cultura, aplaudiam-se o sucesso que foi a série Brasil Toca Choro. Dessa série, na TV, participei de dois ou três episódios.

Ah! Ia me esquecendo: na ocasião foi lançado um livro luxuoso intitulado Brasil Toca Choro. Já na primeira página, Paulo achou de caricaturizar a mim e a Cilene. Gostei, gostamos.
Digo essas palavras como lembrança de um momento muito bonito do qual participou o meu querido Paulo Caruso, irmão do Chico... A propósito lembro aqui do encontro entre mim, Paulo e Chico Caruso na missa de sétimo dia em louvor à alma de Fortuna. Foi numa igreja do Jabaquara, acho que São Judas. 
Paulo Caruso parte aos 73 anos de idade.
Hummm... Estou na casa dos 70 desde o ano passado e...
Daqui ninguém leva nada, mas deixa lembranças.
A lembrança que eu tenho de Paulo Caruso é a lembrança de um irmão querido.

GUERRAS SÃO PASSAPORTE PARA O FIM DO MUNDO (1)


Não tem jeito. Os indícios levam a uma grave realidade: o mundo anda de pernas bambas e com ele, nós.
Nós, humanos, não temos salvação.
Desentendimento leva à discussão e briga no campo doméstico.
Conflito gera convulsão e até morte à bala ou facadas. Comum no cotidiano.
Isso tudo piora no campo político quando brigas provocam conflitos envolvendo grupos. Daí a outros episódios mais graves é um passo.
Secessão ou guerra civil é o que mais ocorre mundo afora. Sem falar em levante, revolução e guerra pelo poder.
No momento há guerras internas na Síria, por exemplo.
Há anos guerras começam e recomeçam no continente africano e fora dele. No Iêmen o pau canta há muito tempo. Milhares e milhares já morreram e continuam a morrer no Oriente Médio e no Leste Europeu. Leia-se: Rússia × Ucrânia.
A Ucrânia foi invadida por tropas russas no dia 24 de fevereiro de 2022. O presidente dos russos Vladimir Putin decidiu matar os ucranianos simplesmente com o propósito de tomar suas terras. Pensou que seria coisa de uma semana, mas quebrou a cara e está levando seu povo e seu exército à bancarrota, já que os países civilizados estão todos contra ele. Entre esses os EUA, França, Alemanha e Inglaterra.
Os EUA têm ampla experiência em guerras. Perdeu algumas, mas ganhou muitas.
Em 1776 os EUA, que eram colônia da Inglaterra, conquistaram a sua independência.
Entre 1861 e 1865, os EUA entraram em guerra civil e o resto todo mundo sabe.
Em 1789, a França deu exemplo de liberdade com a tomada da Bastilha. O rei à época, Luís XVI, perdeu a cabeça numa guilhotina.
A base de Hitler para tomar o mundo foi a Alemanha. Inspirou-se nas diabruras do italiano Mussolini, que acabou esquartejado pela plebe rude após o fim da guerra. Bem feito!
O ditador, sempre os ditadores, António Oliveira Salazar (1889-1970) era um apaixonado pelo matador Mussolini.
Salazar teve sob suas rédeas o povo português, entre os anos de 1933 e 1968, quando caiu da cadeira. Infarto.
E Francisco Franco (1892-1975) na Espanha, hein?
Foi sob as armas assassinas de Franco que sucumbiu, num paredon, um dos maiores poetas espanhóis: Federico García Lorca.
O mundo está em convulsão, continua em convulsão, e pode explodir a qualquer momento num apertar de botões.
A Rússia tem cerca de 6.255 ogivas nucleares.
Guerras são uma praga que existe desde que o homem desceu das árvores.
Você sabia que existem pelo menos uma bomba nuclear, de origem norte-americana, perdida num lugar qualquer do mundo?
Hiroshima e Nagasaki, no Japão, foram destruídas por bombas atômicas em agosto de 1945.
Sempre houve guerra pela disputa do poder.
O Egito que ainda tem um dos maiores exércitos do mundo árabe já dominou áreas enormes do nosso planetinha. Falo do tempo antigo.
O povo egípcio se juntou em 2011 formando o que se chamou "Primavera árabe". O resultado disso foi a queda do ditador Mohammed Hosni Mubarak.
Há guerras que começam à toa.
No dia 28 de julho de 1914 o bam-bam-bam do Império Austro-Húngaro Francisco Ferdinando e sua mulher Sofia foram assassinados a tiros de pistola numa rua de Sarajevo. Pronto! Estava iniciada a Primeira Guerra Mundial, que se prolongaria até o dia 11 de novembro de 1918. O saldo foi de milhões de mortos e feridos, incluindo civis.

sexta-feira, 3 de março de 2023

GRUPO GATO COM FOME CANTA GORDURINHA

Atenção! Atenção!
O grupo musical paulistano Gato com Fome (foto ao lado) subirá ao palco do Teatro Sérgio Cardoso às 19h da próxima segunda-feira 6.
Formado por Cadu Ribeiro (voz e percussão), Gregory Andreas (voz e cavaquinho) e Renato Enoki (voz e violão 7 cordas), apresentará ao distinto público um repertório especial baseado na obra do cantor e compositor baiano Gordurinha.
Gordurinha, de batismo Waldeck Artur de Macedo (1922-1969), trocou a cidade onde nasceu por Recife, PE, na virada dos 40. Em 1951 trocou a Capital pernambucana pelo Rio de Janeiro, onde morreria no dia 16 de janeiro.
Sua primeira composição foi gravada por Jorge Veiga, Quero me Casar.
Gato com Fome surgiu há uns 20 anos. É arretado!
O repertório que o grupo apresentará no Teatro Sérgio Cardoso abre com o clássico Chiclete com Banana, imortalizado pelo rei do ritmo Jackson do Pandeiro. Ouça:

quinta-feira, 2 de março de 2023

O NOSSO SENADO É UMA MÃE

Tem muita coisa errada no Brasil, mas o erro não está nos brasileiros. O erro se acha palpitando no coração do Senado, na Câmara, por aí.
Os senadores acabam de decidir que vão trabalhar menos. Esse "trabalhar menos" significa violentar os meses. Explico melhor: os 81 senadores eleitos por nós, o povo, vão trabalhar apenas três dias por semana num mês de três semanas. Assim mesmo, à tarde. Os dias de "trabalho" começarão à tarde de terças, quartas e quintas-feiras.
É mole?
Meu amigo, minha amiga, você sabe quanto custa um senador aos cofres públicos?
Atualmente um senador recebe por mês 39,2 mil reais.
A partir do mês que vem, abril, cada senador que elegemos passará a receber a bagatela de 41,6 mil reais.
Por ano nós, brasileiros, tiramos do bolso a bagatela de algo em torno de 5 milhões de dólares para manter um senador, sentadinho em sua cadeira. Em reais, os citados dólares somam quase 25 milhões de reais.
Dentre todos os Senados do nosso planetinha, só o Senado dos EUA tem custo maior que o nosso. Detalhe: Os Estados Unidos da América têm a maior economia do mundo.
Que tal, hein?
O mandato de um senador é de 8 anos, no mínimo.
Ah! Ia-me esquecendo: ainda tem as férias, o recesso...
Pois, pois!

quarta-feira, 1 de março de 2023

AINDA HÁ ESCRAVIDÃO NO BRASIL

... Eu estava uma tarde sentado no patamar da escada exterior da casa, quando vejo precipitar-se para mim um jovem negro desconhecido, de cerca de dezoito anos, o qual se abraça aos meus pés suplicando-me, pelo amor de Deus, que o fizesse comprar por minha madrinha, para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida... Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição, com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava.
Nada mostra melhor, do que a própria escravidão, o poder das primeiras vibrações do sentimento... Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar... Assim eu combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimittis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimentando uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.
É que tanto a parte do senhor era inscientemente egoísta, tanto a do escravo era inscientemente generosa. A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil...
(Massangana, trecho do capítulo 20 do livro Minha Formação, de Joaquim Nabuco; 1900)
Os exploradores do capitalismo selvagem continuam escravizando pessoas incautas e delas fazendo o que querem. De certo modo, tem sido uma rotina no Brasil. 
Somente em 2022, segundo dados da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego 2.575 pessoas foram resgatadas de locais de trabalho análogo a escravidão. A maior parte dessas pessoas foi localizada no território de Minas Gerais. Os responsáveis foram obrigados a indenizar as vítimas.
O tema continua em pauta.
Ouvi hoje 1º notícia no rádio dando conta de que a polícia rodoviária do Rio Grande do Sul localizou e livrou do trabalho análogo a escravidão 207 pessoas, todas do sexo masculino e oriundas da Bahia. Encaixam-se na faixa etária de 18 a 27 anos.
Essas pessoas aqui lembradas foram localizadas no município de Bento Gonçalves, RS. Estavam trabalhando sem nenhuma garantia na colheita de uva. O período dessa colheita vai de janeiro a março.
A respeito desse assunto, acabo de ouvir no rádio trecho de um discurso do vereador gaúcho Sandro Fantinel. Um horror. Esse cidadão precisa ser punido na forma da lei, no rigor da lei, pelos absurdos que diz no Plenário da Câmara em Caxias do Sul, RS. Ouça/veja: https://youtu.be/H2nl-nNwM6c
O pernambucano Joaquim Nabuco (1849-1910) estava adiantado no seu tempo em mais de 100 anos. No livro Minha Formação, ali no capítulo 21 (A Abolição), ele escreve:

Quando a campanha da abolição foi iniciada, restavam ainda quase dois milhões de escravos, enquanto que os seus filhos de menos de oito e todos os que viessem a nascer, apesar de ingênuos, estavam sujeitos até aos 21 anos a um regime praticamente igual ao cativeiro. Foi esse imenso bloco que atacamos em 1879, acreditando gastar a nossa vida sem chegar a entalhá-lo. No fim de dez anos não restava dele senão o pó. Tal resultado foi devido a muitas causas... Em primeiro lugar, à época em que foi lançada a idéia. A humanidade estava por demais adiantada para que se pudesse ainda defender em princípio a escravidão, como o haviam feito nos Estados Unidos. A raça latina não tem dessas coragens. O sentimento de ser a última nação de escravos humilhava a nossa altivez e emulação de país novo. Depois, à fraqueza e à doçura do caráter nacional, ao qual o escravo tinha comunicado sua bondade e a escravidão o seu relaxamento. Compare-se nesse ponto o que ela foi no Brasil com o que foi na América do Norte. No Brasil, a escravidão é uma fusão de raças; nos Estados Unidos, é a guerra entre elas...

Em 2000, o cantor e compositor Caetano Veloso melodiou parte do texto Massangana. O texto musicado foi o título do CD Noites do Norte. Ouça: 


LEIA MAIS: MARIA FIRMINA DOS REIS, 100 ANOSIMPRENSA NEGRA, RESISTENTE E HEROICA: PARTE IHISTÓRIA VIVA, MEMÓRIA MORTA. PAÍS SEM MEMÓRIAJESUS SEMPRE FOI UM CARA NEGRO. PONTO (1)LEI PRA INGLÊS VER

RUY BARBOSA 100 ANOS

O baiano Ruy Barbosa foi uma das mentes mais brilhantes do Brasil. Sem dúvidas. Foi ele também o primeiro ministro da Fazenda da 1ª República. Governo Deodoro da Fonseca. Sua inteligência ultrapassou fronteiras. Foi aplaudido nos EUA e Europa. Na Holanda a Imprensa o chamou de Águia de Haia. O apelido pegou e ficou no imaginário popular. Tentou ser presidente em 1909, disputando com o marechal Hermes da Fonseca. Perdeu. Em 1919 tentou novamente ser presidente, disputando com o paraibano Eptácio Pessoa. Perdeu. Antes disso, muito antes, mandou queimar documentos importantes referentes ao período da escravidão no Brasil. Crime. Desse crime jamais livrou-se.
Ruy Barbosa de Oliveira nasceu na cidade de São Salvador, BA, no dia 5 de novembro de 1849 e morreu em Petrópolis, RJ, no dia 1º de março de 1923.

LEIA MAIS: O NEGRO NA HISTÓRIA (1)ARTISTAS ENGAJADOS

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

SECOM PROMETE COMBATER FAKE NEWS

A Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Secom, acaba de criar um cargo que visa combater a onda de notícias falsas. Até aí, tudo bem. Porém, há um porém.
O novo cargo ainda não foi preenchido, mas chama atenção pela peculiaridade do título: coordenadora da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Pois é, parece piada. É piada.
Daqui desejo sorte e sucesso ao titular da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

JOSÉ NÊUMANNE NO PAIAIÁ

O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto está lançando um novo livro de poesias: Antes de Atravessar (Ed. Ibis Libris).
Nêumanne foi entrevistado sábado 25 pelo radialista Carlos Silvio. Acompanhe a entrevista, clicando:

ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (2, FINAL)

As cantoras Dalva de Oliveira, Isaura Garcia e Aracy de Almeida

Três anos depois de ser aprovada num programa de calouros da Record, comandado pelo radialista Otávio Gabus Mendes (1906-1946), gravou o seu primeiro disco, pela extinta Columbia, no formato de 78RPM o samba Pode Ser?, de Geraldo Pereira e Marino Pinto; e o choro Chega de Tanto Amor, de Mário Lago.
Isaurinha Garcia, como Dalva de Oliveira, cantou tudo quanto foi ritmo. Baião inclusive.
Ouça Baião no Braz.
Em 1979, a Personalíssima foi entrevistada no programa FM Inéditos, da rádio Eldorado. A entrevista foi ótima. A respeito, escreveu o historiador José Ramos Tinhorão:
… Acompanhada apenas por um violão — contou sua vida com alegre sinceridade, e cantou com paixão algumas várias músicas que os interesses de estúdio nunca lhe haviam antes permitido gravar. Sem o saber, Isaurinha Garcia estava produzindo ali, ao vivo, naquela hora, um raro documento de verdade e de beleza.
No seu texto de contracapa do LP, Tinhorão concluiu:
O resultado dessa obra de carinho e competência técnica de Aluízio Falcão e da Eldorado postos a serviço da glória devida a uma das mais originais intérpretes femininas da música popular brasileira em todos os tempos, é um disco raro e único: resume uma carreira, conta uma vida e permite ouvir, para sempre, uma voz do povo destinada a ficar acima das modas e do tempo. A mágica voz nacional do Brás de Isaurinha Garcia.
Isaurinha já chegou a ser tema de um musical, estrelado pela atriz Rosamaria Murtinho (Isaura Garcia
— O musical, 2003) e de um livro escrito por Lulu Librandi (Mensagem — A Isaurinha Garcia, 2013).
Isaurinha teve pouquíssimas participações no cinema.
No filme Garotas e Samba, de Carlos Manga (1957), ouve-se Isaurinha cantar a marchinha Garrafa Cheia, de Adoniran Barbosa, Benedito Lobo e Antônio Rago. Sim, ela bebia legal. E orgulhava-se da boca suja de palavrão que tinha. Dizia que o seu repertório de palavras de baixo calão era só comparável ao repertório de Aracy de Almeida e Emilinha Borba.
Aracy, não custa lembrar, foi a melhor intérprete das músicas de Noel Rosa.
Da sua discografia constam cerca de 300 títulos. Entre esses Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro.
Já está mais do que na hora de algum diretor de cinema levar à telona a vida dessa artista nascida no bairro paulistaníssimo do Brás.
Este ano, comemora-se 100 anos do nascimento de Isaurinha Garcia.
Ano que vem, 100 anos do nascimento de Paulo Vanzolini.
Depois, em 2025, é a vez de comemorarmos o centenário de Inezita Barroso.

 
Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (1)

Ei, vem cá: você já ouviu falar de uma mulher chamada Vicentina de Paula Oliveira?
Não, sei que você não sabe quem foi essa Vicentina.
E se eu disser que essa Vicentina atendia pelo nome de Dalva de Oliveira, hein?
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar de uma mulher chamada Isaura Garcia?
Hummm... Tá. Isaurinha Garcia. Isso mesmo, ela.
Dalva de Oliveira nasceu no interior paulista, numa cidade chamada Rio Claro, a pouco mais de 170 km da capital de São Paulo. Ano: 1917.
Isaurinha Garcia, paulistana do Brás, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923.
O que diachos tem a ver Dalva de Oliveira com Isaurinha Garcia, além de ambas terem nascido num mesmo século no Estado de São Paulo?
Isaura era filha de um italiano com uma brasileira. Pobre. Simples, humilde. Casal que queria tudo de bom para a filha, naturalmente. História essa: tinha 13 anos a menina Isaura quando participou de um programa de calouros na rádio Cultura. 1937. Foi gongada. No ano seguinte saiu-se vitoriosa num outro programa de calouros, interpretando um samba de Assis Valente intitulado Camisa Listrada, na Rádio Record.
Pela Record Isaura, que viraria Isaurinha, chegaria a se aposentar.
A história é longa e cheia de altos e baixos. Baixíssimos. Baixarias, na verdade.
Isaura deixou a casa dos pais ainda na primeira adolescência. Tinha uns 14, 15 anos. Fez isso por achar-se apaixonada por um bam-bam-bam da radiofonia paulistana, com quem viveu durante 18 anos. Isso não quer dizer que ela tenha sido exclusiva dele. Disse-me uma vez, às gargalhadas.
Isaurinha Garcia foi uma mulher marcante, tão marcante quanto a sua voz: ia do baixo ao alto.
Sabe amigo, amiga, daquelas pessoas que nos encantam derrepentemente?
Assim era Isaurinha cheia de obviedades surpreendentes: cantava com verdades, interpretando com intensidade as letras das canções que lhe chegavam às mãos.
O poeta mineiro Drummond talvez a chamasse de gauche e não erraria.
Isaurinha quando se apaixonava, apaixonava-se por completo. Sem medo. "Ele batia em mim, na cara. Pá!".
Referia-se ao músico pernambucano Walter Wanderley (1932-1986).
Quando ela uma vez a mim disse isso, e é certo que a outros jornalistas também, foi naquela maneira meio rindo. Gargalhando, mas um gargalhar meio triste, falso, de quem engole dor de maneira forçada. Dava pra ver.

Mulheres guerreiras, como a gente diz hoje, são mulheres como Isaurinha Garcia. Sofreu, mas viveu com intensidade. Disse uma vez que se tivesse muito dinheiro ajudaria a todo mundo, principalmente as putas. "Eu amo as putas. Todas".
Teve Isaurinha três maridos e muitos amantes. Ela: "Eles me traíam e eu dava o troco".
Dalva de Oliveira teve três maridos e nenhum amante.
Isaurinha Garcia teve apenas uma filha. Dalva, com seu primeiro e mais turbulento marido teve dois filhos.
Dalva de Oliveira é um marco da música popular brasileira no tocante à voz. Foi a nossa maior cantora da música popular. O seu timbre vocal ia do contralto ao soprano. Inimitável.
Isaurinha Garcia, a Personalíssima na acertada definição de Blota Júnior (1920-1999), foi de fato uma cantora que marcou época em 50 anos de carreira.Não precisa ir longe na memória, mas quem gosta de música bonita vai se amarrar, como se dizia lá pelos anos 80. É de 1945 seu primeiro sucesso musical: Mensagem, de Aldo Cabral e Cícero Nunes.

ROBINHO DEVE SER PRESO POR ESTUPRO

 À presidente do STJ, Maria Tereza de Assis Moura, cabe decidir pela homologação da condenação por estupro o ex-jogador de futebol Robinho. O caso aconteceu na Itália e foi a Justiça italiana que condenou o ex-integrante da seleção brasileira de futebol a uma pena de nove anos de cadeia. 

Robinho se acha no Brasil. 

Há poucos dias Maria Tereza recebeu da Justiça italiana o pedido de homologação da pena. 

Historicamente o Brasil nunca extraditou brasileiros para cumprir pena no exterior. 

É 100% provável que a Justiça brasileira mande prender o estuprador. Pode demorar alguns meses para que isso aconteça, mas acontecerá. 

É opinião quase geral de que lugar de estuprador é na cadeia.

Estupro é coisa séria, gravíssima e deve ser punida no rigor da lei. 

Daniel Silva, também ex-integrante da seleção brasileira de futebol, continua preso na Espanha. Nesse país ele foi acusado de estupro. 

Cumpra-se a lei. 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

SIMONAL: IMAGEM REABILITADA

Wilson Simonal foi um dos cantores mais emblemáticos do nosso pa-tro-pi. Nasceu no dia 26 de fevereiro de 1939. Pois bem, em vida Simonal deu no que falar.
Dono de uma voz e um balanço incomparáveis, Simonal começou a carreira artística gravando um compacto simples. Isso em 1961. Dois anos depois, pela ODEON, gravou seu primeiro LP: Tem algo mais.
Vejam só: o primeiro LP de Simonal foi lançado há exatos 60 anos.
O sucesso acompanhou Simonal a vida inteira. Ou quase durante a vida inteira, pois num ano da década de 70 foi acusado de ser informante da engrenagem policial da repressão. E sua carreira, a partir daí, entrou em parafuso. E ele também.
No ano qualquer dos 90 combinei, por telefone, entrevista com Simonal. Ele topou, mas não deu tempo, três ou quatro dias depois do combinado, morreu. Dissera-me que iria contar tudo sobre as acusações sofridas.
Em 2003 a imagem pública de Wilson Simonal foi reabilitada pela Comissão dos Direitos Humanos da OAB por nada ter sido encontrado contra ele nos arquivos policiais. Luta da família. Isso gerou um documentário. Acompanhe: 

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