Seguir o blog

quarta-feira, 25 de maio de 2022

CULTURA PARA TODOS

Assis Angelo e Jarbas Mariz
A Fábrica de Cultura, unidade Nova Cachoeirinha, encheu-se ontem 24 de um público formado basicamente por educadores e aprendizes para ouvir o que eu tinha e tenho a dizer a respeito de cultura popular.
Entre os educadores, se achava o entusiasmado Rubens Morais.
Minha palestra, intitulada A Cegueira Não é o Fim, começou pontualmente às 15h e terminou uma hora e pouco depois.
Além de cultura popular falei sobre rádio, jornal e até declamei poemas que tenho feito ao longo dos anos.  
Descrevi também os folhetos de cordel que compus e publiquei no decorrer da pandemia que nos tem atacado desde 2020.
Muito atento, o público teve participação ativa na fala por mim desenvolvida.
Fiquei feliz com tudo que ocorreu na Fábrica de Cultura do bairro Nova Cachoeirinha.
Nova Cachoeirinha é um dos muitos bairros da zona Norte da Capital paulista.
Fábrica de Cultura é um projeto do governo do Estado que visa acesso e ampliação ao conhecimento. É desenvolvido e acompanhado de perto pela POIESIS, Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura.
Do projeto Fábrica de Cultura, existem 8 unidades: Brasilândia, Capão Redondo, Diadema, Iguape, Jaçanã, Jardim São Luís, Osasco e a já citada Nova Cachoeirinha.
Antes de mim estiveram por lá falando e cantando Tom Zé, Emicida, Chico César, Alceu Valença e outros mais.
Tudo muito bom, tudo muito bonito.
O responsável pela programação da Fábrica de Cultura do bairro Nova Cachoeirinha é o músico profissional Jarbas Mariz.
 

LEIA MAIS:  
 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

LIVRO E MÚSICA NA CASA DI FATEL


Marcantes foram a tarde e pedaço da noite de ontem 22 no espaço cultural Casa di Fatel, no bairro paulistano Parelheiros. No período ocorreu o lançamento do livro Léxico Catrumano, do poeta e violeiro Téo Azevedo.
Muitos artistas compareceram ao evento, entre os quais Ibys Maceió, Dantas do Forró, Rosa Morena e Anastácia.
Também compareceram ontem à Casa di Fatel jornalistas e radialistas, como Carlos Silvio, Sérgio Mauro e Geraldo do Norte.
Além de profissional da rádio nacional, Geraldo do Norte é um grande poeta da linha popular.
Outros poetas também estiveram prestigiando Téo Azevedo, na Casa di Fatel, como João Gomes de Sá.
Muita gente boa pegou seus instrumentos e tocou e cantou.
Sob aplausos, Fatel, Anastácia, Luiz Wilson e outros bambas de bom gogó cantaram o arrastapé O Cantador de Alto Belo. Ouça:
 

PALESTRA

Amanhã 24, a partir das 15h, estarei proferindo palestra no espaço cultural Fábrica de Cultura

domingo, 22 de maio de 2022

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (3, FINAL)

No último fim de semana, o jogador do Corinthians chamou de macaco um jogador do Internacional. O corintiano acusado, Rafael Ramos, português, foi preso em flagrante e levado à Delegacia para esclarecimentos, foi solto após seu time pagar fiança.
Lamentável, sob qualquer aspecto. E isso tem origem.
O professor João Baptista conta no seu livro que os programas de rádio com auditório atraíam, e ainda atraem, público diverso:

“Tão acentuada é a presença da mulher de cor entre esses frequentadores de auditórios, e é de tal maneira efervescente, barulhento e espetaculoso o seu comportamento, que nos meios radiofônicos tais grupos promocionais são chamados depreciativamente de “macacas de auditório”, numa alusão direta àquelas generalizações populares que procuram identificar características negróides a traços simiescos.”
Mas, evidentemente, no geral o rádio representa muito no Brasil.
O artista e apresentador do programa Pintando o 7, Luiz Wilson, diz:
“O Rádio sobreviveu e sobrevive a toda evolução no mundo inteiro. Desde a chegada da Televisão que se popularizou até a chegada da Internet e todas as suas ferramentas até aqui criadas, o Rádio se mantém na liderança como o principal veículo de comunicação.
Como Radialista, digo que o Rádio é o maior companheiro, sendo a principal razão de que uma vez sendo um meio de comunicação auditivo podemos escutá-lo enquanto realizamos outras atividades, desde os afazeres domésticos às mais variadas funções.”
Pois é, apesar de tudo.
O rádio continua sendo o meio mais rápido pra se saber o que acontece no mundo. Fora isso, é através dele que os ouvintes tomam posição política ou não. E ainda tem o dado musical, embora esse seja hoje bastante discutível. Falo do gosto. Melhor: do mau gosto. Música de má qualidade. Aliás, só existem dois tipos de música, já dizia o maestro Eleazar de Carvalho (1912-1996), a boa e a má.
Grosso modo, o que é levado ao ar é música de má qualidade, com raríssimas exceções.
Os narradores profissionais de futebol como Fiori Gigliotti e Estevam Sangirardi, deixaram em disco passagens históricas do nosso futebol. Pérolas, na verdade.
Há poucos dias, Carlos Silvio entrevistou uma lenda do rádio paulistano: Salomão Ésper.

VEJA E OUÇA MAIS: CLAUDIO JUNQUEIRA NO PAIAIPA NA CONECTADOSSÍLVIO MENDES NO PAIAIÁ NA CONECTADOSJÚLIO MEDAGLIA NO PAIAIÁ NA CONECTADOSPAULO CARUSO NO PAIAIÁ CONECTADOSJOSÉ HAMILTON RIBEIRO NO PAIAIÁ NA CONECTADOS

Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora.

sábado, 21 de maio de 2022

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (2)

Não só de alegria vive o rádio, no tocante à transmissões de partidas de futebol.
Grosso modo, são poucos os profissionais que atuam no setor. Mais brancos do que negros. Mulheres são minoria absoluta, embora haja mulheres já transmitindo jogos. E não só no futebol, no rádio em geral.
O paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, professor emérito da USP publicou em 1967 o livro Cor, Profissão e Mobilidade: O Negro e o Rádio de São Paulo, no qual analisa o setor radiofônico, desde os anos de 1950. Lá pras tantas, ele diz:
“Do total de radialistas, 1.854 (83,7%) são homens e 362 (16,3%) são mulheres: destas, 334 (15%) são brancas e apenas 28 (1,2%) são de cor; enquanto no grupo masculino, 1.610 (72,6%) são brancos e 244 (11,4%) são pretos ou mulatos. Observa-se portanto que o número de homens brancos não chega a ser 7 vezes o total de profissionais não-brancos, ao passo que o número de mulheres brancas chega a ser quase 12 vezes o de mulheres de cor. Nota-se, também, que o total de profissionais brancos mal atinge 5 vezes o número de mulheres brancas; já o número de profissionais de cor chega a ser quase 9 vezes superior ao total de mulheres não-brancas.
No grupo branco, as 334 mulheres correspondem a 17,6% do total de profissionais; por sua vez no grupo de cor, as 28 mulheres representam 11,4% do total de radialistas com as mesmas características raciais. Estes dados permitem estabelecer a percentagem diferencial entre elementos brancos e de cor, nas diferentes categorias de sexo: dentro do grupo feminino, 92,3% são brancas e 7,7% são de cor. No masculino, 86,8% são brancos e 13,2% são pretos ou mulatos.”
Os dados antigos, dos anos de 1950.
Carlos Silvio (esq.) e Salomão Ésper
Faltam dados atualizados, mas surpresa não será se o resultado for pior ou igual aos números do passado.
Negros famosos no rádio de São Paulo contam-se nos dedos: Moisés da Rocha, que há mais de 30 anos produz e apresenta na rádio USP, uma vez por semana, o programa O Samba Pede Passagem e Maria Júlia Coutinho Portes, a Maju, que apresentava um belíssimo programa de entrevistas, ao vivo, na extinta rádio Globo paulista.
O radialista Carlos Silvio, apresentador do programa Paiaiá na Conectados, reforça a ausência do negro na rádio brasileira. E diz:
"Em várias áreas, o negro ainda tem pouca representatividade. Fato. No mundo do rádio, não é diferente.
Uma rápida passagem pela memória, não conseguir lembrar, de bate-pronto, se há negros trabalhando no rádio paulistano. Ou há?
Num País mestiço como o Brasil, em que muitas vezes pessoas se identificam como 'moreno' ao invés de negro, a ausência é mais evidente.
Quando morava na Bahia eu ouvia muito as transmissões futebolísticas, pela Rádio Sociedade da Bahia, uma das principais vozes era o narrador Silvio Mendes, um negrão.
Hoje, com 76 anos e narrando futebol pela Rádio Metrópole e Salvador, Mendes diz que vai narrar futebol até os 80 anos.
Mendes simboliza que o negro pode e deve estar em todos os lugares e profissões, sem que haja a necessidade de incluir em qualquer tipo de 'cota'.
Negro, assim como o branco, amarelo, albino ou sei lá o que mais, é capaz"
Pois é, e o problema se agrava. Sempre.
Frequentemente atletas negros enfrentam xingamentos de torcedores. E não só no Brasil. Na Inglaterra, na França, na Itália… Mais grave: jogador chamando jogador de macaco.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES E TÉO AZEVEDO (25)

Bom dia pessoal. Resolvi começar nosso papo hoje mais cedo. Tá um frio danado, não é? Alguém aí já tomou café?
Em uníssono todos responderam que sim.
Bom, hoje eu trouxe uma pessoa muito querida para apresentar a vocês. Essa pessoa é Téo Azevedo.
Após ligeira algazarra, Zilidoro pediu licença pra falar. Disse: "Eu já conheço esse moço, aí. É cantor, compositor, num é?".
Téo Azevedo abriu um sorriso largo e confirmou: "Sim, sou cantor. Artista". 
Os irmãos Biu e Barrica, ambos papa-jerimuns, eram os mais exaltados com a presença do artista e quiseram saber logo de onde era, de que cidade, de qual Estado...
Bom, começou Téo, "eu nasci num pequeno povoado mineiro, chamado Alto Belo. O meu pai era um cantador muito famoso, embora tocasse com um braço só. Seu nome era Tiófo e todo mundo gostava dele. Puxei a ele e virei artista do povo".
O político quase poeta Zoião, perguntou: "Uma vez eu vi na televisão você dizendo que começou a ganhar a vida com a cobra no pescoço e lutando boxe. É verdade?".
Sim, é verdade, confirmou Téo acrescentando: "Tenho lutado muito na vida, mas muitas pessoas me ajudaram nessa caminhada. E continuam ajudando. Agradeço a Deus por tudo que sou".
Meio desconfiado, como sempre, Lampa apenas a tudo observava. Perguntou: "Você já matou alguém? Já bateu em cabra safado?".
Pego assim de supetão, Téo Azevedo engasgou-se. Porém não perdeu o trilho. Disse: "Bater bati, como profissional do boxe. Mas matar, não. Só Deus tem o direito de matar".
Mané Paraibano, agora renovado e sempre surpreendendo, perguntou: "Seu Téo, como é que o sinhô está vendo a política?".
Política é pra político, respondeu o artista.
Agora chega né, pessoal? Eu disse isso e puxei uma salva de palmas para o meu convidado. Depois eu disse que acabara de fazer uma música em homenagem a Téo. A letra da música é minha, mas a melodia é de Cacá Lopes e Luiz Wilson. Vamos ouvir?

LÉXICO CATRUMANO

No próximo domingo 22, a partir das 14h, o poeta e cantador Téo Azevedo vai lançar o livro Léxico Catrumano. O lançamento será no espaço cultural Casa di Fatel. Está todo mundo convidado.

RÁDIO: FUTEBOL, NEGRO E MÚSICA (1)

Definitivamente podemos dizer que o futebol é o esporte mais popular e seguido em todos os cantos do planeta. É a alegria do povo. Chova ou faça sol; e esteja em que situação estiver o país, em guerra ou paz; dirigido por democrata ou ditador.
As primeiras transmissões de jogos de futebol, no Brasil, começaram nos anos de 1930. O compositor e pianista mineiro Ary Barroso, fez a festa. Era flamenguista. História incrível, bonita.
O rádio ganhou muitos bons comentaristas e narradores de futebol. Entre os mais famosos se acham Geraldo José de Almeida, Sílvio Luiz, José Silvério, Luciano do Valle, Oscar Ulisses e seu irmão Osmar Santos.
Muitos profissionais do rádio entraram para a história por gravarem expressões definitivas a respeito dos jogos.
Osmar Santos eternizou-se por expressões como “Ripa na chulipa!”, “Pimba na gorduchinha!”.
José Geraldo de Almeida ficou famoso ao repetir a frase “Linda! Linda! Linda!”.José Silvério, marcou: "E que golaço!"; “Dominou, limpou, bateu”; “No peito e na raça”.
E Luciano do Valle, que já não se acha entre nós, diante de um belo gol dizia: “Golaço-aço!”.
Outro narrador de futebol famoso foi o paulista de Barra Bonita Fiori Giglioti (1928-2006), que começava a transmitir as partidas com a belo frase, alto e bom som: “Abrem-se as cortinas, começa o espetáculo” e, não resistindo a um clima de tensão, repetia: “É fogo, torcida brasileira!”.A propósito acha-se na praça um livro contando sua história: Fiori Gigliotti, o locutor da torcida brasileira.

quinta-feira, 19 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES (24)

"Olha aí, olha aí, vocês estão vendo? O cara lá de Brasília não para de encher a paciência do Brasil. Quer destruir tudo, inclusive o STF!", dizia isso Zoião enquanto eu adentrava a casa de Zilidoro, onde nós costumamos nos reunir.
"Pois é, pois é, esse cara não tem jeito", falou Biu enquanto o irmão, Barrica, acrescentava: "Com tantos problemas pra resolver no Brasil, o povo passando fome e tal, e o presidente só pensando no seu próprio umbigo e nos seus apoiadores horrorosos".
Bizoiando de lado, em silêncio, Lampa parecia hipnotizado com o punhal que começava a lamber.
Olhei Lampa nos olhos, mas os olhos de Lampa estavam centrados no fio da arma. Num relance, porém, ele levantou uma das pálpebras e resmungou algo como "Hmmm...".
Exaltado, Zoião nem pediu licença e foi logo lendo a notícia do jornal:

"Toffoli nega abertura de ação de Bolsonaro contra Moraes no STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta quarta-feira 18 a notícia-crime apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes por abuso de autoridade. O argumento de Toffoli é de que os fatos descritos na ação proposta por Bolsonaro não trazem indícios de possíveis delitos cometidos por Moraes, relator de investigações que miram o presidente. Também nesta quarta, o presidente entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Moraes".
 
A decisão de Toffoli em arquivar a suposta notícia-crime, eu digo, teve por base o art. 21 do Regimento Interno do STF. O referido artigo, no seu parágrafo 1º, diz que "O Relator poderá negar seguimento a pedido ou recurso manifestamente inadmissível, improcedente ou contrário à jurisprudência dominante ou à súmula do Tribunal, deles não conhecer em caso de incompetência manifesta, encaminhando os autos ao órgão que repute competente, bem como cassar ou reformar, liminarmente, acórdão contrário à orientação firmada nos termos do art. 543-B do Código de Processo Civil...".
"Virge! que coisa complicada", espanta-se Jão. 
De fato, o linguajar jurídico é estranho ao o ouvido comum. Mas o resumo é o seguinte: O Regimento do STF dá amparo ao juiz prosseguir da apuração de qualquer processo que esteja com ele, eu disse. Mas o diacho é que Bolsonaro continua insistindo e, agora, acionando a PGR. Não vai dar em nada, pois não há respaldo.
Num pulo, Lampa ficou de pé. Nada falou, grunhiu. E agitado deu um grito de guerra e saiu correndo com o punhal na mão, mas o agarramos a tempo. Mané perguntou, nervoso: "Lampa, Lampa, pra onde você pensa que vai?".
Arfando, quase descontrolado Lampa disse: "Vou dar um pulo em Brasília!".
Biu e Barrica, mais Zoião, seguraram Lampa e o fizeram sentar-se de novo no tamborete.
Mané paraibano deu uma piscada ao Zé das Alagoas e, em uníssono, disseram: "Iiiiiihhh... O clima pesou de novo".
Zilidoro, relaxado, perguntou se não podia cantar uma música que ouviu lá atrás.
Que música 'cê quer cantar, perguntei. "Essa, do Zé do Norte. Chama-se Lua Bonita. A propósito, a Lua hoje está em fase minguante, já já chegando a 4ª minguante. E em homenagem a Lampa, lá vai":

quarta-feira, 18 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES (23)

"... Pois é, e tem mais esta que acabo de ler no jornal", é Zóião falando aos seus colegas antes mesmo de eu entrar em sua casa. De pé, fico escutando ele ler a notícia:
"Nós defendemos o armamento para o cidadão de bem, porque entendemos que a arma de fogo, além de uma segurança pessoal para as famílias ela também é a segurança para a nossa soberania nacional. E a garantia de que a nossa democracia será preservada, não interessam os meios que, porventura, um dia tenhamos que usar. A nossa democracia e a nossa liberdade são inegociáveis, discursou Bolsonaro a apoiadores, o que vocês acham?"
Lampa, sentado num tamborete, olha de baixo pra cima sem mexer músculos. Frio, calculista. E resmunga: "Hmmm... Pura demagogia. Ameaça o povo, ameaça contra a paz. Hmmm... Lá na minha terrinha cabra safado come grama pelo pé por muito menos do que isso. O povo é bom, cabra safado não presta".
Pera, pera! Sou eu falando. Calma, Lampa! Você também está fazendo ameaça!
"Não, Chefe! Não estou fazendo ameaça de nada. Só estou dizendo como é lá na minha terrinha".
Na sua terrinha, Pernambuco, não é assim, não é mais assim. "É!", rebateu Lampa. "Não!", replico.
E nesse é e não é, Zilidoro que estava aparentemente indiferente no seu canto, põe o bedelho: "O negócio, seu Assis, é que esse Bolsonaro realmente está ultrapassando todos os limites. Ele está ameaçando o povo, a paz, a democracia, e por isso precisamos estar sempre atentos. Agora mesmo ele, através de seu advogado, acaba de entrar com uma ação acusando o ministro Alexandre de Morais por abuso de autoridade. É o fim da picada!".
Sim, sei, mas precisamos manter a linha, a calma, porque senão perdemos a razão e aí já viu: nos lascaremos, pois tudo que esse presidente aí quer é pretexto para o golpe que pretende´dar no nosso país.
Zóião me olhou e muito calmamente disse: "Perfeito, seu Assis. Precisamos manter a linha e ficarmos atentos".
Os irmãos Biu e Barrica e os demais presentes perguntaram se eu conheço Pernambuco. Eu disse que sim. E perguntei se alguém ali sabia onde se acha o município de Caruaru. Claro, foi provocação. Pela primeira vez Lampa sorriu assim solto, quase menino: "Conheço, que nem a palma da minha mão. E agora sou eu quem pergunta: Quem sabe aqui quando foi fundado esse município?".
Mané, que continua a nos surpreendendo, levantou a mão e disse logo: "No dia 18 de maio de 1857!".
Palmas gerais. Ambiente descontraído, Zé e Jão entreolham-se e começam a cantar com a ajuda do Youtube:

terça-feira, 17 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES (22)

"Esse Bolsonaro não tem jeito mesmo, abre a boca só pra dizer besteira", disse Lampa pausadamente enquanto lambia seu inestimável punhalzinho.
"Oxente, quem disse que meu ouvido ouviu foi o Lampa véio de guerra?", indagou surpreso o paraibano Mané.
"Hmmm... Fui eu mesmo!", resmungou irritado o velho pernambucano.
Realmente, o Brasil corre perigo, pessoal. Pois temos um presidente sem noção...
"Outro dia eu ouvi no rádio o artista Jorge Ribbas cantando uma música que dizia que era sua e dele, seu Assis. Essa música eu até já decorei. Mas bom mesmo é ouvir com o Ribbas", contou Jão perguntando: "Alguém aqui quer ouvir essa música?".
Todos disseram que sim, até pra relaxar o clima. E Jão pegou o celular e de repente a música saiu. Essa:


Ao fim, palmas e o elogio que me tocou: "Muito bem, muito bem seu Assis", falou por todos Zoião.
"Pois é, a temperatura está subindo em Brasília e caindo no resto do Brasil", disse Zilidoro claramente, acrescentando: "Bolsonaro está ensaiando um golpe militar a partir do descrédito às urnas que o tempo todo ataca. Isso é temperatura alta, clima tenso, tempo terrível esse que vivemos agora. E o frio pela temperatura ambiental, da natureza, que cobre de chuva de gelo e névoa no Sul, principalmente".
Zilidoro tem razão, "o presidente tem dito muita besteira, mas besteira ameaçadora. Ele está sufocando nosso país e fazendo de tudo para prender a liberdade. Mas presidente também morre...", voltou Lampa falando devagarinho como se estivesse contando palavras.
"Lampa lembrou que presidente também morre porque certamente ouviu em algum lugar um poema do seu Assis que fala disso. E fala mais, fala que um presidente também pode ser preso...", retomou a fala o poeta Zilidoro.
"Pois é, isso mesmo! Ouvi sim! E lembrei disso porque nesse tal poema ele fala que presidente também pode ser preso. E o tal aí, o Bolsonaro, disse que ninguém o prenderá jamais e quem tirará ele da cadeira de presidente só Deus. Hmmm, ele vai ver...".
"Esse Lampa está mesmo surpreendendo. De bobo, tá ficando sabido", alfinetou o bom Mané.
"O pessoal aqui realmente tá ficando de nível, de alto nível. E pra encerrar, vou declamar esse poema do seu Assis. Começa falando de pandemia, de mortes. Agora o número de mortes já passa, no Brasil, dos 665 mil", disse em tom sério o Zilidoro. E abriu a boca:

Já não são quinhentas mortes
Já não são quinhentas mil
A desgraça toma corpo
No coração do Brasil

Não são mortes naturais
As mortes de Silvas e Bragas
São mortes provocadas
Por vírus, pestes e pragas

Praga viva inda mata
Homem, menino e mulher
Mata completamente
Do jeito que o bicho quer

Maldito Coronavírus
Que pega e mata gente
O Brasil está morrendo
Nas garras do presidente

Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!

A cadeia te espera 
Presidente matador 
Quem apanha hoje é caça
Amanhã é caçador

segunda-feira, 16 de maio de 2022

TÉO AZEVEDO GANHA MÚSICA DE PRESENTE

 
A dupla Caju & Castanha em estúdio
O mineiro Téo Azevedo é cantor, compositor, violeiro, repentista, cordelista, pesquisador da cultura popular da sua terra desde a metade dos anos de 1960.
A sua primeira gravação como cantor ocorreu em 1965. Por ali. Título: Deus te Salve Casa Santa, obra de origem portuguesa e por ele adaptada e readaptada depois por outro mineiro, Tavinho Moura, e gravada por Milton Nascimento sob o título de Calix Bento.
A primeira gravação de Téo saiu em 78rpm. De lá pra cá, Téo Azevedo produziu milhares de discos e pelo menos 2.500 composições de sua autoria e parceiros. "É isso, mas ainda vou compor muito e produzir muito, pois vontade tenho pra isso", diz.
Como pesquisador da cultura popular, Téo já publicou dúzia e meia de livros. O mais novo intitula-se Léxico Catrumano. Nesse livro, que tem cerca de 500 páginas, ele reúne uma grande quantidade de palavras e expressões comuns na língua do povo e, a maioria, não conhecida nos grandes centros.
Um pouco da sua história Téo Azevedo contou ontem 15 ao cantor, compositor e apresentador de rádio Luiz Wilson, na rádio Imprensa (FM 102,5). 
Eu estive presente, junto com o cantor da boa música Cacá Lopes.
E porque estive lá?
Assis Angelo, Téo Azevedo, Cacá Lopes
e Luiz Wilson na Rádio Imprensa

Participamos do programa Pintando o 7, ao vivo, para lançar um arrasta pé que fizemos com Cacá e Luiz Wilson. Presente antecipado dos seus 80 anos.
A produção deste arrasta pé, letra minha, foi feita pela cantora Fatel que reuniu os cantores Costa Senna, Tiziu do Araripe, Dantas do Forró, Tio Joca, Carneiro do Acordeon, Caju & Castanha, Anastácia e Glórya Rios (foto acima). O arranjo musical coube ao craque Olivinho do Acordeon.
De Téo Azevedo, Fatel já gravou várias músicas em discos pela extinta Copacabana.
Resolvi, com isso, prestar uma homenagem a um artista muito singular da nossa música popular. Escrevi o texto em 1ª pessoa, o que justifica o título: Eu Sou Téo Azevedo. Ouça:

domingo, 15 de maio de 2022

O RÁDIO CHEGOU PARA FICAR (2, FINAL)


Os comediantes
José Vasconcelos
e Zé Fidelis

No rádio começaram grandes artistas, incluindo humoristas como Zé Fidelis, José Vasconcelos, Lauro Borges e Castro Barbosa.
Zé Fidelis, pseudônimo do paulistano Gino Cortopassi, começou a carreira no programa Cascatinha do Genaro, na antiga rádio Cruzeiro do Sul (SP).
O acreano José Vasconcelos, de batismo José Thomás da Cunha Vasconcellos, começou a fazer gracinhas na rádio Clube do Brasil. Corria o ano de 1942. Marcou época imitando todo mundo, principalmente radialistas e cantores.
Lauro Borges era paulistano, nascido no bairro de Santa Ifigênia.
Castro Barbosa era mineiro, do município de Sabará.
A dupla Lauro e Castro estreou em 1944, na extinta rádio Mayrink Veigas (RJ). O programa mais famoso dos dois foi PRK-30, que chegou a ocupar faixas de LPs.
O rádio como veículo de grande popularidade levou ao trono cantores e cantoras, chamadas reis e rainhas do rádio. Entre esses Chico Alves, Orlando Silva, Cauby Peixoto; Emilinha Borba, Dalva de Oliveira, Marlene, Ângela Maria e Dóris Monteiro.
Os reis e rainhas do rádio eram “eleitos” por votação popular, a partir de cupons extraídos principalmente da Revista do Rádio.
A Revista do Rádio foi criada em 1948 e durou até 1970, quando passou a circular com o título alterado para Revista do Rádio e TV.
Além da Revista do Rádio, outra revista foi criada para registrar os ocorridos no meio radiofônico: Radiolândia, que 10 anos depois passou a intitular-se TV Radiolândia.
Curiosidade: Zé Fidelis arrancou muitas risadas ao fazer o que chamou de transmissões malucas. José Vasconcelos, também. Ótimas as imitações que fez de artistas e radialistas. O LP Eu sou o Espetáculo é impecável.
Quanto a Lauro Borges e Castro Barbosa, é desnecessário dizer que continuam inimitáveis. Ouçam: PRK-30
Foi o rádio o veículo que primeiro criou programas de calouros e auditório.
Foi no programa de calouros de Ary Barroso que o pernambucano Luiz Gonzaga apresentou-se pela primeira vez. Foi gongado.
Lugares para participar de programas de auditório da rádio Nacional eram disputadíssimos.
Para melhor entender essa história toda, sugiro que leiam o livro Música Popular: do Gramofone ao Rádio e TV, de José Ramos Tinhorão.
Não custa lembrar que o rádio foi a mídia que registrou grandes momentos da nossa história e personagens como Monteiro Lobato.
Em toda a sua vida, Monteiro Lobato usou os microfones de rádio uma ou duas vezes. A última ao repórter Murilo Antunes Alves (1919-2010), da rádio Record. Corria o ano de 1948. Dois dias depois da entrevista, Lobato morreu.
Os repórteres de rádio continuam dando furo, o que é muito bom para a democracia.
Meu amigo, minha amiga, você sabe quem criou a expressão radialista?
A expressão radialista foi criada pelo paulista de Jundiaí Nicolau Tuma (1911-2006).
Comecei a fazer rádio em João Pessoa, PB. Primeira emissora: Rádio Correio da Paraíba. Em São Paulo fiz as rádios Atual, Mulher, Jovem Pan, Capital e Trianon.
Sexta 6 estive na Trianon, ao lado de Téo Azevedo. Fomos entrevistados por Pedro Nastri. Acompanhe: SARAU DA TRIANO
Domingo 15, ali pelo meio dia, Téo Azevedo e eu estaremos proseando com o cantor, compositor e apresentador Luiz Wilson.

OUÇA:


Foto e reproduções de Flor Maria e Anna da Hora

sábado, 14 de maio de 2022

O RÁDIO CHEGOU PARA FICAR (1)

Quando surgiu a televisão no Brasil, em setembro de 1950, muita gente disse que o rádio ia se acabar. Não se acabou.
O rádio não se acabou e dificilmente se acabará, pois a sua importância no cotidiano é extremamente relevante e fácil o seu acesso.
Até pela Internet, por computador fixo ou celular, qualquer pessoa pode acessar qualquer emissora de rádio do Brasil ou de qualquer outro país. Num simples toque e em segundos a magia estará feita.
No Brasil a voz humana foi transmitida pela primeira vez à distância por uma geringonça instalada no morro do Corcovado, alcançando receptores em Niterói, Petrópolis e São Paulo, no começo dos anos de 1920.
A primeira emissora chamou-se Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Essa rádio, fundada no dia 20 de abril de 1923, tinha à frente Roquette-Pinto e durou até 1936.O estatuto da Rádio Sociedade não incluía noticiário político e religioso. Também excluía propaganda comercial.
Mas o rádio, já no seu começo, despertou a curiosidade e interesse político e financeiro de muita gente. E foi aí que, frustrado nos seus propósitos, Roquette-Pinto acabaria doando a emissora ao governo de Getúlio. Corria o ano de 1936. Foi então que surgiu a Rádio MEC.
A rádio do Ministério da Educação e Cultura, antes da educação e saúde, está ininterruptamente no ar até hoje enfrentando todo tipo de dificuldade. Até o fechamento, como já foi aventado em fevereiro deste ano de 2022.
A programação da Rádio MEC leva ao ar o ideal de Roquette-Pinto. Até um festival de música erudita é anualmente realizado. Em 2021, o vencedor desse festival foi o professor de música Jorge Ribbas.
Além da rádio MEC as emissoras mais antigas ainda em atividade são: Rádio Gaúcha (1927), Rádio Record (1928), Rádio São Paulo (1934), Rádio Tupi (1935), Rádio Cultura (1936), Rádio Nacional (1936), Rádio Bandeirantes (1937), Rádio Jovem Pan (1944), Rádio Capital.
A rádio Capital de 1948, no Rio, foi transformada numa instituição religiosa como tantas e tantas.
A rádio Capital de São Paulo foi fundada em 1978. Da sua programação participei apresentando o programa São Paulo Capital Nordeste, durante cerca de 6 anos. Pelo programa, São Paulo Capital Nordeste, passaram centenas e centenas de artistas, entre os quais Antônio Barros, Billy Blanco, Dominguinhos, Jarbas Mariz, Tom Zé, Fagner, Inezita Barroso, Mário Zan, Téo Azevedo, Jair Rodrigues e Genival Lacerda, meu primeiro convidado.
Ao jornal Hora do Povo, edição de 24/25 de abril de 1999, o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão afirmou:
Vejo o programa do Assis quase como um acidente, um negócio completamente fora da realidade, pois é um programa brasileiro, e uma coisa brasileira no Brasil é uma coisa muito difícil. O brasileiro hoje é um cidadão segunda classe dentro de seu próprio país. Acredito que dentre em breve vamos ter que usar a ‘carteira 19’, documento que é feito para estrangeiro e, talvez andar com passaporte no bolso. De repente você tem uma oportunidade, como no programa de hoje, onde aconteceu aquela coisa assombrosa: o Fagner cantando da Bahia e o Gereba acompanhando-o ao violão, no estúdio. Isso não estava programado: foi uma coisa totalmente improvisada. Essas coisas altamente criativas, que se realizam de forma plena, só podem acontecer em condições como esta, num programa ao vivo e cheio de vida, condições que normalmente são repetidas por um sistema que privilegia um produto acabado. É uma coisa milagrosa a existência desse programa . Vamos torcer para que o ‘subdesenvolvimento’ criativo consiga romper com essa barreira durante mais algum tempo.
A fala de Tinhorão é uma referência ao programa especial de 1º aniversário quando Fagner, de Salvador (BA), entrou cantando por telefone uma canção que acabara de gravar. Mas que dali esquecia-se da letra e do estúdio seu parceiro Gereba lembrava, acompanhando-o no violão.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

EU E MEUS BOTÕES (21)

Seu Assis, começou o poeta popular Zilidoro, "o senhor viu a cacetada que o ministro Fachin deu ontem 12 no Bolsonaro?".
Hmmm, estou a par.
Pois é, recomeçou Zilidoro lembrando as frequentes investidas do presidente contra as urnas eletrônicas do TSE: "o Bozo anda desconfiado das urnas eletrônicas. E botou o Exército nessa história. Pelo jeito ele quer se perpetuar no poder, custe o que custar. Ai de nós!". 
Já era tempo de o ministro Edson Fachin se manifestar com firmeza contra o palavreado irresponsável de Bolsonaro. É isso o que eu acho. Até para um cego é claro que ele está tramando contra a nossa Democracia. Diante disso, e de outras loucuras, é preciso que estejamos todos atentos, de prontidão.
Quieto no seu canto, e quase sem piscar, Lampa levantou a cabeça resmungando: "Já to vendo que vai ter trabaio pra mim...". Num movimento rápido, num pulo, levantou-se do tamborete onde estava e do cinto puxou seu inseparável punhal, que passou a lambê-lo como se lambe uma cria.
Os irmão Biu e Barrica olham-se rapidamente, rindo. Um riso meio torto, mas um riso.
O paraibano Mané, um tanto ingênuo aos padrões dos colegas, disse que não estava entendendo o comportamento de Lampa.
Jão, que é do município cearense de Pessoa Anta, levantou a mão dizendo que tinha o que dizer: "Seu Assis, esse Mané é muito burro, viu? O comportamento do Lampa é claríssimo. Diante de tanto desempregado no Brasil, o que Lampa quis dizer é que desempregado precisa trabalhar".
Mané riu: "Depois dizem que o besta sou eu. Ai, ai...".
Zoião, que tem lá suas tiradas de poeta e político, pediu a vez pra perguntar se tínhamos conhecimento da demissão do ministro das Minas e Energia. 
O alagoano Zé, respondeu de bate pronto: "E quem é que não tá sabendo que o almirante Bento de Albuquerque foi demitido humilhantemente? Não tenho nada contra ou favor dos militares, mas o lugar desse pessoal é na caserna".
Zoião, atento à fala de Zé, bateu palmas: "Parabéns, parabéns, vocês está por dentro meu amigo Zé. O que Bolsonaro está fazendo é destruindo o Brasil. Ele quer privatizar tudo. Até a Petrobras".
A conversa tá boa, mas vamos parar por aqui. Tem muita coisa acontecendo nos bastidores da política. Lula e Bolsonaro encabeçam as pesquisas de opinião...
Lampa pediu uma parte pra perguntar o por quê do paulista Ciro Gomes não ser sequer lembrado pela Imprensa.
Esse assunto fica pra nossa próxima conversa. E nos cuidemos porque hoje é sexta 13.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

EM TEMPO DE GUERRA

Passado: Canudos. Presente Cracolândia
 
Não é de hoje que o mundo anda em guerra.
Há guerras mundo afora. A mais recente, na Ucrânia.
O Brasil tem no seu histórico centenas, milhares de guerras, revoltas etc.
Canudos, na virada do século 19, foi a que resultou em maior número de mortes.
As cenas horrorosas registradas ontem 11 na Capital paulista sensibilizaram até postes. Um horror. Uma multidão de esfarrapados ocuparam as ruas da cidade. O objetivo, segundo a Polícia, era prender traficantes de drogas. Vários foram presos. Os dependentes químicos deixaram suas tocas e saíram em debandada, temendo serem agredidos ou presos.
O passado ninguém prevê porque é história. 
O presente é vivo, está entre nós.
O futuro a Deus pertence.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

BIDÚ É LIBERDADE

Bidú Sayão desfilando na Beija-Flor, em 1995

Assisti, vi, a cantora lírica Bidú Sayão (1902-1999) em destaque desfilando pela escola Beija-Flor, Rio, em 1995.
Vibrei.
Bidú, de batismo Balduína de Oliveira Sayão, seminua na Sapucaí. Liiinda!
Tinha Bidú 92 anos de idade quando desfilou na Sapucaí.
Bidú Sayão nasceu num dia como hoje, 11 de maio, e mostrou para o mundo a beleza da sua voz. Lírica. Revolucionária. Rouxinol, assim era chamada.
O compositor e maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) a amava. Mas está provado: o Brasil não gosta do Brasil.
Bidú, uma guerreira da liberdade, viveu quase toda a sua vida nos "Estâtes". A sua voz era incrível, fantástica!
Com a voz que Deus lhe deu Bidú ganhou muito dinheiro. Construiu e morou em mansão, como Carmem Miranda.
À Bidú e Miranda, materialmente, nada lhes faltava.
Mas a nós, brasileiros de cá, tudo nos faltava. E continua nos faltando porque vira-latas que somos, assim entendido por Nelson Rodrigues (1912-1980), nem sabemos o que queremos. E batemos, ainda assim, palmas para o estrangeiro do Norte.
Aqui, comigo, tenho muita coisa do que gravou Bidú Sayão.
Uma vez, em Paris, achei numa loja de discos uma caixa com tudo ou quase tudo que Bidú Sayão gravou. Comprei.
Ouço Bidú Sayão quando estou triste.
Não é o caso agora. Pois agora, acabo de receber uma ligação da minha Maria.
A minha Maria adora Bidú.
Viva a boa música brasileira! 
Meu amigo minha amiga você já ouviu Casinha Pequenina, com Bidú Sayão? 
 

terça-feira, 10 de maio de 2022

ESTÃO MATANDO O NOSSO IRMÃO: O JUMENTO

Se Jesus voltasse a este nosso mundinho de josta, estaria perdido.
Num tempo passado Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho. Devagar, tranquilo, enquanto seus admiradores atiravam ramos, raminhos. 
A cena que deu início à "modernidade" está registrada no Novo Testamento.
O jumento é um animal de paragens longínquas...
O jumento é um animalzinho tranquilo e forte. Resistente.
No Brasil o animal jumentinho, trazido pelos portugueses, foi de importância fundamental para o crescimento do nosso País.
Pra se ter ideia da importância do jumento basta dizer que o Pedro I (1798-1834), aquele do grito, passou à história montado num desses, mesmo negando.
Cavalo não sobe serra, não sobe ladeira.
O jumentinho, jeitosinho, na sua fortaleza quadrúpede sobe e desce ladeira.
O paraibano Pedro Américo (1843-1905) cometeu uma besteira histórica ao retratar o grito do Ipiranga no quadro que todo mundo conhece e que se acha no museu do Ipiranga, ali no bairro paulistano de mesmo nome, confundindo jumento com cavalo.
O referido quadro foi pintado em Paris.
Os jumentos se multiplicam que nem sonhos. Ou pesadelos.
Sonhos não têm origem nem idade, pesadelos também não.
Os jumentos, no Brasil, são abandonados que nem gatos e cachorros. Nas estradas. Desde sempre. Sem dó nem piedade. Nas estradas são atropelados e mortos...
Os jumentos voltam a chamar atenção.
Os jumentos agora são produto de exportação, noticia do Jornal Hoje (TV Globo). 
A China é o principal mercado consumidor do jumento.
Os jumentos, em algumas regiões, já estão sendo trocados por bois. A razão é o preço, são baratos. Custam nada ou quase nada.
Quase nada também custam outros seres que não falam a nossa língua: gatos, cachorros, leões, cabritos...
E nós, humanos, quanto custamos?
Acho que o gringo Marx, com todas as suas imperfeições, teve um estalo fantástico ao identificar a  exploração do homem pelo homem. Identificando isso, ele chamou de "mais-valia".
E o jumento, aonde é que se encaixa nessa história de Marx, hein?

domingo, 8 de maio de 2022

O RÁDIO NO BRASIL E NO MUNDO (2, FINAL)

Muita gente boa começou no rádio.
Além de se apresentarem no rádio, muitos artistas conduziram programas musicais como Almirante (Henrique Foréis Rodrigues; 1908-1980), Zé Dantas, Tonico e Tinoco, Rolando Boldrin e tantas e tantos. Até hoje.
Téo Azevedo, mineiro de Alto Belo, passou por várias emissoras de rádio. Detalhe: Téo é o compositor com mais obras feitas e gravadas por ele mesmo e centenas de cantores, do Brasil e do Exterior. Passou pelas rádios Atual e Record.
O pernambucano Luiz Wilson está à frente do programa Pintando o 7 desde setembro de 2007. Esse programa, com três horas de duração aos domingos, é levado ao ar sempre ao vivo pela rádio Imprensa.
A literatura referente à história do rádio é riquíssima.
Para o iniciante, curioso nessa história, sugiro que leia o mais rapidamente possível a trajetória do padre cientista Landell de Moura.
Reconhecido tardiamente, há um prêmio em São Paulo chamado Padre Landell de Moura do Radiojornalismo.
O paulista Hamilton Almeida foi o primeiro estudioso a publicar um livro sobre Landell. Um não, dois: O Outro Lado das Telecomunicações (1983) e Landell de Moura (1984).
Em 2004, Almeida teve publicado na Alemanha o livro Pater und Wissenschaftler: Die Geschichte des Paters Roberto Landell de Moura.
O rádio se acha na história do mundo desde o começo do século passado.
O rádio faz história. A própria história, inclusive.
Recomendo a leitura dos livros História do Rádio no Brasil, da Magaly Prado (2012); Jornalismo de Rádio, de Milton Jung (2004); MPB na Era do Rádio, do Sérgio Cabral (1996); A Era do Rádio, de Lia Calabre (2002); As Cantoras do Rádio, de Miécio Caffé (1992), Histórias que o Rádio não Contou, de Reynaldo C. Tavares (2014) e Vargas, Agosto de 54: A História Contada Pelas Ondas do Rádio, de Ana Baum.
Ali pela segunda metade dos anos 30, o jornalista gaúcho Armando Campos inventou um programa intitulado A Hora do Brasil. Esse programa tinha por finalidade levantar a bola do ditador Getúlio Vargas. Começava assim: “Trabalhadores do Brasil…”.
O radialista Almirante
A Hora do Brasil virou A Voz do Brasil, que se ouve até hoje. Até música inspirada nesse programa foi composta e gravada por muita gente, até por Zé Ramalho. Título: Ele Disse.
O ano de 68 foi um ano marcante, no mundo inteiro. O motivo disso foram as manifestações estudantis iniciadas na França.
Há vários discos que tratam da insatisfação dos jovens de 68.
Na França o ano de 68 virou um LP. No Brasil, também.
A rádio Jornal do Brasil lançou vários LPs que tratam da história do Brasil e do mundo, a partir dos anos de 1960.
O resto é história.
A propósito, e por não ter o que fazer, acabo de compor a Canção do Rádio:

Uma caixinha mágica
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar

Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar

Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar

Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão

O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro

Foto e reproduções: Flor Maria e Anna da Hora
LEIA MAIS: O FUTURO DO RÁDIO É A INTERNETREVISTA JORNAL DOS JORNAISSÃO PAULO CAPITAL NORDESTE

sábado, 7 de maio de 2022

O RÁDIO NO BRASIL E NO MUNDO (1)

Que Marconi que nada, o inventor do rádio foi o gaúcho de Porto Alegre Roberto Landell de Moura (1861-1928).
Landell era padre e cientista, com altos estudos desenvolvidos na Itália.
Nos fins do século 19, Landell de Moura inaugurou a transmissão de voz humana entre a incipiente Avenida Paulista, SP, e o Alto de Santana.
Embora tenha desenvolvido tal façanha, o padre cientista não recebeu nenhum incentivo da iniciativa privada, do governo e tampouco da Igreja católica.
A vida do padre Roberto Landell de Moura foi uma vida duríssima.
O padre chegou a ser acusado de pacto com demônio, por causa das suas experiências no campo da Ciência. É o caso de se dizer, literalmente, que Landell comeu o pão que o Diabo amassou.
Curioso, né?
O mineiro Santos Dumont, inventor do avião, também viveu maus bocados que findou por se matar pendurado numa corda. Mas essa é outra história.
Oficialmente, digamos assim, o rádio foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1922. Sem endereço fixo. O presidente era o paraibano Epitácio Pessoa.
Pra valer, pra valer mesmo, a 1ª emissora de rádio no Brasil chamou-se Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. O proprietário, e autor da façanha, foi o médico e antropólogo Edgar Roquette-Pinto (1884-1954).


O rádio foi crescendo, crescendo, e ganhando um destaque fantástico no mundo todo.
Às 9 da noite de 12 de setembro de 1936, boa parte dos brasileiros ouviram o paulista de Jundiaí Celso Guimarães (1907-1973) anunciar, alto e bom som, que estava inaugurada a Rádio Nacional.
Até peça contando história da Nacional foi escrita: Rádio Nacional - As ondas que conquistaram o Brasil, de Fábio Pilar, Claudia Vigonne e Sylvia Bandeira.
No começo dos anos de 1930 o rádio, no Brasil, foi de extrema importância para os cantores e cantoras como Chico Alves, Luiz Gonzaga e tantos e tantas.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

NO RÁDIO, A NOSSA CULTURA

Pedro Nastri e convidados no programa
Metrópole em Foco
Hoje 6 cedo participamos, Téo Azevedo e eu, do programa Metrópole em Foco, da rádio Trianon.
O programa Metrópole em Foco, apresentado por Pedro Nastri, trata dos problemas e alegrias da Capital paulista. É diário e vai ao ar, ao vivo, entre às 9 e 11 horas.
O papo foi ótimo.
Chegamos à emissora levados por Katya Moreira.
No estúdio, mais parecendo uma sala de visitas, nos esperavam Pedro e o produtor Duda Jr.
Iniciado pontualmente às 9h, o programa foi até a hora marcada: 11.
Falamos de tudo ou quase tudo a respeito da cultura popular, que anda em baixa geral provocada pelo governo louco que aí se acha.
No Metrópole em Foco, Téo Azevedo contou mil histórias. E cantou e tocou. Lembrou de momentos marcantes de sua vida como o encontro que teve com o grupo Rolling Stones e Bob Dylan. Curiosidade; um dos integrantes da banda inglesa, Bobby Keys (1943-2014), chegou a gravar com Téo a toada-baião Asa Branca. Tenho cópia dessa gravação.
Pedro Nastri perguntou mil coisas a Téo. Entre as perguntas que fez, esta: "Por que você não lança a gravação que fez de Asa Branca com o Bobby Keys?".
E por aí foi o papo. E falamos e falamos. Falei de Camões e da adaptação que fiz de Os Lusíadas. E mais e mais.
Enquanto falávamos, o estúdio foi se enchendo de convidados. 
É isso. Gostei, gostamos.
Detalhe: o programa Metrópole em Foco é transmitido simultaneamente pelas rádios Trianon, Gazeta e outras mais. 
Ontem 5, Dia Internacional da Língua Portuguesa, a Tutaméia TV levou ao ar uma entrevista legal gravada comigo três dias atrás. Se não viu, veja:

quinta-feira, 5 de maio de 2022

EU E CAMÕES NA TUTAMÉIA TV

Logo mais, às 18h, estarei falando ao colega repórter Rodolfo Lucena, da Tutaméia TV,  sobre coisas que andei fazendo no correr da vida. Entre essas coisas há a adaptação de Os Lusíadas, canto e cordel.
Os Lusíadas é uma obra-prima da literatura mundial, gerada pelo português Luís Vaz de Camões (1524-1580).
A obra de Camões teve a sua primeira edição publicada há 450 anos.
A adaptação que fiz quero ver no teatro, como ópera popular.
O newsletter Jornalistas&Cia foi quem deu a nota. Esta:
Clique para ler

Para acompanhar nosso papo, clique: Aos 450 anos, "Os Lusíadas" é contado em cordel

LEIA MAIS:  Primeira edição de Os Lusíadas, de Camões, completa 450 anos de vida. Assis Ângelo conta essa história em prosa e verso

MAIS ENTREVISTA

Amanhã 6, entre às 9 e 11 horas, o violeiro Téo Azevedo e eu estaremos em prosa nas rádios Trianon e Gazeta. Ao vivo. Vai ser bom.

VIVA A LÍNGUA PORTUGUESA!

A língua é nossa casa, nossa alma, nossa pátria.
A língua portuguesa é falada por cerca de 260 milhões de pessoas, em nove países.
Existe até um dia para lembrarmos da nossa língua, e de sua importância: 5 de maio.
O Brasil, um dos nove países que falam português, tem mais de 10 milhões de pessoas que não sabem escrever. Falam essas pessoas, mas muito mal. Triste.
Mais de 30 milhões de brasileiros, com formação superior, falam e escrevem muito mal. Trôpega e toscamente. Essas pessoas, semianalfabetas com diploma universitário, são chamadas de "analfabetos funcionais".
Belos poemas e músicas já foram compostos por autores como Caetano Veloso.
Estudemos.
Mas estudar como, há quem pergunte. 
Pois é, a rede escolar brasileira, em todos os níveis, está destroçada. Pena.
É preciso ter saúde e crença na vida.
 

quarta-feira, 4 de maio de 2022

LULA DIZ À TIME QUE ESTÁ FELIZ

Em ampla entrevista de capa da revista norte-americana Time, que acaba de chegar às bancas, o ex-presidente Lula fala, fala e fala sobre o passado reservando na sua conversa com a repórter Ciara Nugent pouco tempo para o futuro. Disse que como presidente deu atenção aos pobres e que foi vítima de um complô para derrubá-lo. Apesar disso, não carrega mágoas consigo.
Perguntado sobre a invasão da Rússia a Ucrânica, Lula disse que o culpado nessa história toda não é só Putin. Culpa também têm Biden e os chefes de governo da União Europeia. Zelensky, segundo o ex-presidente, também tem culpa no cartório e mais parece estar alimentando a guerra, fazendo campanha, cada vez mais aparecendo na telinha das TVs mundo afora. Se fosse Biden, Lula garante que teria pego um avião e desembarcado na Rússia para uma conversa olho no olho com Putin.
No decorrer da entrevista fica claro que Lula é pró Putin.
Perguntado a respeito da mulher com quem está prestes a se casar, disse que está feliz e apaixonado como um jovem de 20 anos e que não pretende fazer campanha agredindo seja quem for.
Depois de lida a entrevista feita na base do ping-pong, tipo perguntas e respostas, a impressão que fica é que Lula é candidato a governar o mundo. 
E a verdade é a seguinte: pessoas das suas proximidades, ligadas à campanha, têm se mostrado preocupadas com suas falas. Não querem que fale de improviso.
Agora mesmo Lula desceu a ripa do presidente da Câmara, Arthur Lira. Desnecessário.
Há pouco, Lula mostrou-se a favor do aborto. 
Também há pouco, Lula disse a classe média brasileira vive ostentando um padrão de vida além do necessário.
Oficialmente, a pré-campanha de Lula de novo à Presidência será anunciada no próximo sábado 7. E uma coisa é certa: a esquerda radical é tão grave para um país, como a direita radical.
Uma nação vive melhor sem radicalismos.
Enquanto isso a inflação está chegando à lua e o povo passando fome, desempregados. E tá tudo muito caro.

terça-feira, 3 de maio de 2022

UM DIA PARA REFLETIR

Hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Na verdade, esse dia tinha e tem que ser todos os dias.
Todo dia muita gente boa se ferra pela língua de obscurantistas, ditadores, prepotentes, que a todos nos ameaçam.
Os brasileiros de bem sofrem diariamente com a língua má do presidente Bolsonaro, o pior da história do Brasil.
Bolsonaro mente, mente, mente sempre.
O ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, dizia que quanto mais uma mentira é dita, mais em  "verdade" ela se transforma.
Bolsonaro é seguidor de Hitler. Sabemos.
Jornalistas daqui e de todo o canto são diariamente agredidos, acusados de mentir ao publicar verdades.
O sonho do Bolsonaro é acabar com a imprensa.
Não dá pra confundir a liberdade de falar com mentiras a dizer.
Os parceiros e apoiadores de Bolsonaro tentam a todo custo incendiar o Brasil, ameaçando matar quem discorda deles.
Até juízes do STF já foram ameaçados.
O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, criado pela ONU em 1993, é pra ser lembrado e refletido sempre.
Ditadura não conjuga nem rima com liberdade.
Enquanto isso, a pobreza segue judiando o povo.

Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós (bis)
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz

Vem, vem, vem reviver comigo amor
O centenário em poesia
Nesta pátria, mãe querida
O império decadente, muito rico, incoerente
Era fidalguia
Surgem os tamborins, vem emoção
A bateria vem no pique da canção
E a nobreza enfeita o luxo do salão
Vem viver o sonho que sonhei
Ao longe faz-se ouvir
Tem verde e branco por aí
Brilhando na Sapucaí

Da guerra nunca mais
Esqueceremos do patrono, o duque imortal
A imigração floriu de cultura o Brasil
A música encanta e o povo canta assim
Pra Isabel, a heroína
Que assinou a lei divina
Negro, dançou, comemorou o fim da sina
Na noite quinze reluzente
Com a bravura, finalmente
O marechal que proclamou
Foi presidente

segunda-feira, 2 de maio de 2022

LIBERDADE SEMPRE!

Téo Azevedo, João Contador de Histórias,
Jorge Ribbas e Assis Angelo na rede

O dia 2 de maio é um dia muito importante para o mundo, hoje. O dia 2 de maio é, também, muito importante para mim. Nós.
O dia 2 é o dia posterior ao dia 1º, do Trabalhador, não é mesmo?
O dia 3 de maio, é o dia que antecede o dia 4. Pois, pois, óbvio.
O ano de 1968 começou, para o mundo, no dia 4 de maio.
Essa história é incrível. Cheia de barricadas nas ruas de Paris.
E o Vietnã ardendo em fogo.
Kennedy assassinado e assassinado também Martin Luther King. 
Junto com King, a cantora Joan Baez. Ainda vivíssima, embora tenha abandonado a carreira.
Hoje 2/5 o mundo começava a tomar conhecimento de tudo que viraria importante, a partir daquele infindável ano de 1968.
Taiguara ganhava o Festival de Música Brasileira com Helena, Helena. 
E Vandré, marcava a sua posição musical na vida com Caminhando ou Pra Não Dizer que Não Falei de Flores.
Hoje 2 vieram dizer coisas para mim o cantor/violeiro Téo Azevedo e Jorge Ribbas, professor de música na Federal da Paraíba e doutorando, no campo mais alto da música. Erudita.
Téo Azevedo veio hoje ao lugar onde moro, trazendo à tiracolo um dos seus conterrâneos chamado João Contador de Histórias. E foi tudo muito bom.
Téo Azevedo, lá pras tantas, contou-nos histórias que eu não conhecia. Ao contar o que contou, só cresceu no meu conceito.
Azevedo revelou-nos, a mim, João e Jorge, que durante 3 dias foi pendurado num "pau de arara". Sofreu. Chorou, mas está vivo e recontando histórias que nem cão sem dono.
Emocionei-me. Não sabia disso.
Para ilustrar o que contou, Téo lembrou uma música que fez e que Jair Rodrigues gravou. Título: Os Paus-de-arara.
A vida nos traz surpresas o tempo todo.
O dia de hoje foi um dia marcante.
Viva a liberdade e a quem aposta na liberdade.
 

domingo, 1 de maio de 2022

NO RÁDIO, A MÚSICA DO NORDESTE (2, FINAL)

Paulinho Rosa

Além de Luiz Wilson, há outros programas em São Paulo que põem a “música nordestina” em evidência. Sempre programas semanais: Vira e Mexe, no ar pela rádio USP (FM 93,7) é um deles.
“Vira e Mexe eu comecei a apresentar em 2009, junto com o sanfoneiro Dominguinhos”, conta o paulistano Paulinho Rosa. “Eu e ele apresentamos poucos programas juntos. Não por mim, mas por ele que tinha muitos compromissos musicais Brasil afora”, acrescenta.
Paulinho Rosa é o dono da casa de espetáculos O Canto da Ema.
Antes de Luiz Wilson, Germanno Júnior e Paulinho Rosa, apresentaram programas voltados ao repertório nordestino, em São Paulo, Jorge Paulo (1938-2015), os irmãos Mano Novo e Mano Véio e Téo Azevedo. Jorge era paulistano. Mano Véio e Mano Novo, do Rio Grande do Norte e Paraíba, respectivamente. Téo Azevedo mineiro, de Alto Belo.
Durante muitos anos Jorge Paulo, chamado de O Bandeirante do Norte, apresentou programas nas rádios e TVs Bandeirante, Cultura e Globo.
Por seus programas passaram Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Gordurinha, Ary Lobo e Anastasia, em começo de carreira.
Em São Paulo, Mano Véio e Mano Novo apresentaram o programa nas Quebradas do Sertão, pela Bandeirantes. Ambos, hoje, apresentam o Forró Nativa (no ar, ao vivo, entre 2 e 6 da manhã).
Téo Azevedo apresentou programas nas rádios Record e Atual.
Fora de São Paulo, há nomes que devem ser lembrados, por valorizarem as músicas e autores nordestinos. Entre esses nomes Perfilino Neto (Bahia), Ivan Ferraz (Pernambuco) e Wilson Seraine (Piauí).

Wilson Seraine com Assis Brasil
Wilson Seraine, professor formado em Engenharia Nuclear, apresenta desde 2009 o programa A Hora do Rei do Baião. O seu programa, levado ao ar pela rádio Cultura de Teresina (FM 107,9), é transmitido pelas rádios comunitárias Malhada Dos Jatobás e Torre Da Lua/Fm; webs Confiança, Patacas, Minha Cidade, Cangaço, Tipi FM, Ceará Rural, Revista Informativa e até pelo Youtube, via TV do Habilidoso.
“Sempre que tenho oportunidade levo ao programa músicos e escritores como Assis Brasil. Já levei muita gente e pretendo levar mais ainda. E aqui quero deixar registrado o seguinte: um tal de Assis Ângelo é o culpado por tudo que eu faço na rádio hoje. Foi ele quem me inspirou a fazer o que eu faço”, diz rindo Seraine.
Gosto do rádio e tenho certeza que continuarei a gostar até os meus últimos dias.
Comecei no rádio como locutor, apresentador de noticiário. Rádio: Correio da Paraíba. Ano, faz tempo.
Em São Paulo apresentei programas na rádio Mulher, na rádio Atual, na rádio Capital, na rádio Trianon, por aí.
Assis Angelo com revistas da
Revista do Rádio

O programa que mais tempo durou na minha voz foi São Paulo Capital Nordeste. Por esse programa passaram Dominguinhos, Genival Lacerda, Billy Blanco, Inezita Barroso, Benito di Paula, Jair Rodrigues, César e Oswaldinho do Acordeon, poetas, jornalistas, atores como Jackson Antunes e novelistas como Benedito Ruy Barbosa. E mais muita gente.
O rádio tem sido de fundamental importância na sociedade brasileira. É através dele que tomamos conhecimento, em primeira mão, de tudo que acontece por cá e em derredor do mundo.
Nos tempos áureos da rádio, entre os anos 30 e 40, mais um pedaço dos 50, apresentavam-se artistas que fizeram história como Carmélia Alves, Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto e tantos e tantos.
O rádio está mais vivo do que nunca.
Quero voltar ao rádio. Sinto saudade dessa mídia.
É isso.

E MAIS: SÃO PAULO CAPITAL NORDESTE
E MAIS: RAÍZES DO BRASIL

POSTAGENS MAIS VISTAS