Um bandido acaba de se entregar à Polícia, exatamente nesta hora: às 19h09, depois de a casa ser cercada. Antes balas dele levaram para o hospital um policial e uma policial federal.
Ainda bem que a força policial não reagiu à ação desse bandido, Roberto Jefferson, presidente de um partido político (PTB).
O Brasil sofre.
O Brasil violento que ora se apresenta é o Brasil Bolsonaro. O Brasil da Michelle, que engana o povo prometendo espaço no céu. Em nome de Deus e dos crápulas enrustidos. Fazem misérias.
O Brasil violento que ora se apresenta é o Brasil dos milicianos. Brasil que mata e promete matar mais ainda. É o Brasil bolsonarista. O Brasil sem pudor, despudorado. O Brasil...
Este domingo 23 está sendo marcado pela violência, mais uma vez, de um bolsonarista radical como é caracterizado um bolsonarista.
Jefferson recebeu à bala a Polícia que foi a sua casa para cumprir uma determinação judicial. Esse Jefferson é aquele que não presta. É aquele ser que baba veneno na gola o tempo todo. É o cara que ontem 22 comparou a ministra Carmen Lúcia com uma prostituta, no mais abjeto do termo.
O Brasil bolsonarista é o Brasil da ditadura horrorista.
A vida brasileira, nossa vida, tem que ser regida o tempo todo pela regra democrática.
Para presidente, nordestino vota em nordestino. E de tabela o Brasil todo vota e tem que votar, neste momento, no Lula para o bem do bem.
Viva a Democracia!
A terra de Homero E da Mitologia Dos deuses do Olimpo E da Democracia Plantou em Diógenes A flor da Anarquia
Diógenes era um doido Diplomado em Poesia Com sua lanterna acesa Em pleno dia Procurou mas não achou No poder cidadania
Outras coisas ele achou Mas não o que queria: Um Ser que fosse honesto A verdade sem fantasia e um santo que falasse Do valor da valentia
Valente é todo Ser Que vive de teimosia Que detesta injustiça E a lei da "Mais Valia" E não vou falar mais disso Adeus, até outro dia!
Esse barulhinho aí é esquisito, não é? Eu ouvi esse barulhinho quando era menino, e ele nunca mais saiu daqui da minha cachola. É o barulhinho do carro de boi chorando, gemendo estrada afora. Qual menino do meu sertão não ouviu esse chorar e viu o lento rodar dos velhos carros de boi? Sim, qual o menino que nunca viu isso? Pois é. Dia de feira, dia de festa, de gente pra lá e de gente pra cá. De gente vinda de tudo quanto é lugar, numa agitação dos infernos! Gente gritando, rindo, moleque chorando, outros vendendo e comprando fosse o que fosse. E à distância, o carro de boi: oooooonnn... Comendo a poeira levantada pelo tropel dos cavalos. Naqueles dias distantes da minha infância, lembro que tinha também os bebuns de plantão de boteco para quem os dias pareciam não passar. Mas apesar disso, e por isso mesmo, o que fica pregado na memória é o chiadinho do carro de boi. Esse chiadinho que arrepia a alma, choroso, é diferente do choro de gente. É um choro chorado, dorido, diferente de tudo. Um choro que vem de lá de nem sei de onde. Esse choro me entristecia, profundamente. Para ter tristeza e chorar num precisa ser frouxo, não. Cabra macho também chora. Seu Nonô mesmo, que era raçudo e tinha lá nas costas uma penca de morte feita a bala e faca, um dia, escondido, eu o vi chorar. Aliás, até os bois choram. Choro demais chega a ferir o coração da gente. Ah! Sim, todo mundo sabe: coração de sertanejo é duro de doer. É calejado, cheio de marca que nem seus pés e suas mãos. Notei isso quando cresci. Olha aqui as minhas mãos, tá vendo? Todas cheinhas de calo de tanto amargar o cabo da enxada de sol a sol. Doem. E os pés? Olha aqui. Tudo rachado que nem a terra seca à espera da água do céu que parece nunca vir. Por cá, por essas bandas, falta d´água mata gente e mata boi. Pois é, coração de sertanejo não é mole, não. Quando dá de doer, seu moço, de machucar feito moenda com toras de cana ou aquelas maquininhas de repuxar agave, no muque, ah!, danou-se! E fique certo: o sofrimento é tanto que lembra dor de dente na hora do meio-dia, do pino, sob a danação da seca pesada. É de lascar o cano! Por essas bandas tudo é triste. O nosso andar, a nossa fala puxada, o nosso riso, até o nosso espirro é triste. Pode reparar. Tudo é triste na gente. Menos a esperança. Ah! Essa, não. É tudo que nos resta... Mas que a nossa vidinha por aqui é braba, lá isso é. Daí a tristeza. Deus que me perdoe, mas acho que até ele esquece da gente. E né não? Mas eu tava falando mesmo era dos carros de boi. Quando os carros de boi param, tudo para. Até o tempo. Eita tristeza danada é a falta do gemido, do choro inacoluto do carro de boi!... Eu sempre quis falar esta palavra: inacoluto. Nem sei o que é inacoluto, nem sei se existe, mas que é uma palavrinha bonita, hein? Lá isso é! Essa história de carro de boi é triste, mas é bonita. Nem sei se pelo carro ou pelos bois. Para os meninos do sertão, o boi não é só um bicho trabalhador, não. É amigo, amigo mesmo! Boa companhia. Bem comparando, é que nem cão e gato na cidade grande. Mas um dia tudo se acaba. Nós, inclusive. E os bois. De morte morrida ou de morte matada, não interessa. Isso é detalhe. Quando o boi morre de morte matada, a sua carne é vendida no açougue. Que fazer? Das duas, uma: ou se morre de barriga cheia ou se morre de barriga vazia. A cena do boi indo pro sacrifício é feia, o moço aí já viu? Ele adivinha que vai morrer, tanto que dos cantos dos seus olhos escorre lágrima. Pode ver. E numa rápida manobra, o carrasco, poft!, dá cabo à vida dele. Tem gente que disfarça, que olha de banda, que não quer olhar. Eu olhei e chorei, como muitos amigos meus, meninos do meu tempo, de calça curta, de um tempo que já vai longe, e como vai! Jamais vou esquecer o boi entrando no matadouro, escorregando no sangue de outros bois e caindo pesado, num baque seco, surdo, sem um mugido sequer. O difícil, depois, é achar entre os corpos esquartejados a carne do boi de carro, de estimação, de brinquedo, do boi querido, do boi amigo, do boi quase irmão, do boi que virou calemba, bumbá, mamão. Do boi que virou lembrança, uma dolorosa e triste lembrança no mais fundo de nós. Mas é essa a sina do boi. Depois de passar a vida toda puxando carro ou arando de sol a sol, morre pelas mãos assassinas do homem. Com Jesus também não foi diferente: veio para nos salvar e nós o matamos. Sem pena nem piedade. Foi assim, é assim e será sempre assim. Não tem jeito. O homem é mau, o boi é bom. O homem não nasceu pra se salvar.
Carro de boi Boi de carro
Carro que geme Boi que cala Seja no cipó Seja na bala
É boi, é gente É gente, é boi Carro, boi, gente A vida no sertão Ai meu coração! Gente e boi Boi, gente É tudo um pedaço, Um pedaço que sente, Que sente que vida É suor, é semente
Seja boi de reis Seja boi de carro Seja boi calemba Seja boi de carro
Seja boi-bumbá Seja boi de mamão Seja, meu Deus! Bois do coração
É boi de cá É boi de lá Tudo é boi É boi pra se amar No sol e na poeira Na subida e na ladeira Segue o homem Segue o boi O carro puxando Sobre pedra Sobre barro Ora aqui Ora acolá Sem nada reclamar
O carro, o boi, o homem O homem, o boi, o carro O carro geme a dor do homem Que geme a dor do boi Que puxa o carro do homem Sem preguiça Justiça! Sem ódio Sem rancor Segue assim o homem Andando, correndo Comendo poeira No silêncio do trabalho Óh! Deus Segue assim o homem o seu destino A sua sina… No cangote doido da vida Severina
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, aponta que há no Brasil milhões e milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência visual, auditiva, motora, intelectual etc. Dentre esses milhões, um número incalculável de cegos.
Eu perdi a luz dos meus olhos entre 2013 e 2014. A razão foi descolamento de retina.
O que a pesquisa do IBGE não mostra com clareza é o número absurdo de eleitores deficientes. E eleitores simples, carentes de tudo. Pobres, desempregados e tantos mais revelam-se bolsonaristas.
Bolsonaro ganhou o governo, em 2018, após convencer os eleitores e eleitoras de que faria uma administração diferente do que, grosso modo, sempre fizeram os políticos tradicionais. Começou a mentir aí. Quer dizer a mentir mentira grande, pois mentir sempre mentiu, negando no seu "staff" a existência de funcionários fantasmas.
A prática de rachadinhas Bolsonaro iniciou há muito tempo.
O time que cerca Bolsonaro é um time altamente eficiente no quesito "fake news".
Até agora Lula e o seu "staff" andam um tanto perdidos diante da produção incrivelmente escandalosa de mentiras produzidas pelos bolsonaristas. E eu, aqui, já disse: Bolsonaro mente, mente, mente. Mente e depois se auto desmente, mentindo de novo.
Ontem 20, Lula disse em entrevista no Rio que nem ele, nem o PT, estavam preparados para enfrentar a fábrica monstruosa de fake news armada e comandada pelos bolsonaristas. "É preciso que se reconheça a capacidade do exército de milicianos dele
de fazer os enfrentamentos de rede social. Eu acho que a gente não tinha
experiência, o Brasil não estava habituado com isso. Mesmo assim eu
acho que vamos ganhar as eleições. Acho impossível ele virar em uma
semana, mesmo fazendo as loucuras que ele faz", acrescentou.
E põe loucura nisso.
No começo da semana Bolsonaro entrou na casa de umas meninas, em Brasília, e entusiasmou-se. Disse, com todas as letras, que diante delas "pintou um clima".
As meninas em questão são adolescentes nascidas na Venezuela. Depois de dizer isso, desdiu-se na Internet. Quer dizer, além de mentiroso é covarde por não assumir suas falas nojentas.
Ainda nesta semana ouvi um vídeo em que o candidato à reeleição tece loas a Alfredo Stroessner (1912-2006).
Stroessner foi ditador do Paraguai entre 1954 e 1989. Nesse período, perseguiu o povo simples da sua terra. Muita gente morreu nas suas unhas, nas unhas da sua polícia. Enquanto matava quem queria, estuprava meninas de 10 a 15 anos de idade. Foi um pedófilo sem mais classificação. Praticou mais de 1.600 estupros e foi a esse sujeito que Bolsonaro elogiou, depois de elogiar os generais Geisel e Médici, creditando a eles o sucesso do agronegócio.
Essa fala se acha na Internet.
Na Internet também se acha notícia dando conta de que Bolsonaro jogou suas asas em direção a uma garotinha de 10 anos. Afe! Foi numa de suas "lives", no dia 10 de setembro de 2020. A menininha, uma "youtuber" mirim, tremeu ao perceber os olhos maliciosos de Bolsonaro sobre os seus. "Isso é feio", disse ela.
O Brasil nunca viveu um momento tão delicado como agora. Sem falar no Coronavírus que contaminou e matou meio mundo. Esse vírus fez Bolsonaro imitar, de modo debochado, uma pessoa morrendo por falta de ar. Quanta desumanidade!
Para lembrar o caráter assassino do presidente, fiz o poeminha este:
Já não são quinhentas mortes Já não são quinhentas mil A desgraça toma corpo No coração do Brasil
Não são mortes naturais As mortes de Silvas e Bragas São mortes provocadas Por vírus, pestes e pragas
Praga viva inda mata Homem, menino e mulher Mata completamente Do jeito que o Bicho quer
Maldito Coronavírus Que pega e mata gente O Brasil está morrendo Nas garras do presidente
Presidente também morre De morte matada ou não Lugar de quem não presta É lá no fundo da prisão!
Em 1928, o paulistano Paulo Prado levou à praça o livro Retrato do Brasil, com o subtítulo Ensaio sobre a Tristeza Brasileira. Esse livro alcançou três edições no mesmo ano de 28.
O título do livro de Prado já diz tudo.
Em 1941, o austríaco Stefan Zweig (1881-1942) publicou o livro Brasil, Um País do Futuro.
Retrato do Brasil traça um doloroso perfil da gente brasileira. Dói, mas é verdade.
De 28 pra cá, a tristeza brasileira só aumentou, em consequência do altíssimo índice de desemprego, fome e miséria.
O livro de Zweig é, com todas as letras, um livro de conteúdo otimista.
O País do Futuro referido por Stefan Zweig ainda está pra nascer.
Stefan Zweig matou-se, junto com a mulher, um ano depois de lançar Um País do Futuro, no dia 23 de fevereiro.
O livro de Paulo Prado continua sendo cópia da nossa cara. Infelizmente.
Mas uma coisa é certa: precisamos nos reinventar, acreditando ser possível a transformação do negativo com o positivo.
Ouvi há pouco Simone Tebet dizer que o Brasil não aguenta mais viver sob o negacionismo bolsonarista. Estamos quebrados, ela disse. E conclamou: "Vamos com Lula pelo Brasil!".
Por enquanto, alegria mesmo só no carnaval. Aliás Carnaval é o título do livro do baiano Jorge Amado (1912-2001).
Mas até no carnaval há tragédias, como nos conta o poeta Carlos Paraná (1932-1970):
Nasceu Maria quando a folia Perdia a noite, ganhava o dia Foi fantasia seu enxoval Nasceu Maria no Carnaval
E não lhe chamaram assim como tantas Marias de santas, Marias de flor Seria Maria, Maria somente Maria semente de samba e de amor
Não era noite, não era dia Só madrugada, só fantasia Só morro e samba Viva Maria Quem sabe a sorte lhe sorriria
E um dia viria De porta-estandarte Sambando com arte Puxando cordões E em plena folia Decerto estaria Nos olhos e sonhos De mil foliões
Morreu Maria quando a folia Na quarta-feira também morria E foi de cinzas seu enxoval Viveu apenas um Carnaval...
O carioca Zé Kéti (1921-1999) também pegou o carnaval como tema e cantou, tirando a máscara:
Tanto riso, oh quanta alegria Mais de mil palhaços no salão Arlequim está chorando pelo amor da Colombina No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez Tá fazendo um ano Foi no carnaval que passou Eu sou aquele pierrô Que te abraçou Que te beijou, meu amor Na mesma máscara negra Que esconde o teu rosto Eu quero matar a saudade Vou beijar-te agora Não me leve a mal Hoje é carnaval
"Atenção, atenção, atenção, pessoal! O doutor do hospital garantiu que o Lampa vai receber alta ainda esta semana. Ele já está até falando. Está lúcido. Disse que vai votar no Lula", falou enfático o botão alagoano Zé.
A fala de Zé foi seguida de um estrondoso bater de palmas. "Que bom! Que bom! O Lampa nos faz falta!", disse Zilidoro.
"Seu Assis, estamos há poucos dias do 2º turno. O feladaputa do Bolsonaro não pode continuar presidindo o nosso País", falou o quase sempre quieto Jão. E Mané: "Isso mesmo! Isso mesmo! Esse aí é resultado de um aborto da natureza. Um horror!".
"Estamos vivendo momentos delicados e decisivos. O Brasil está no fundo do poço. À beira do fundo do poço. E esse poço a que me refiro é sem fundo. Um buraco sem fundo!", foi a vez de Barrica dizer mais uma vez o que pensa a respeito da situação que ora todos nós vivemos.
Aproveitei o momento pra perguntar a Biu e a Zoião se têm acompanhado o noticiário... "Sim, sim! Eu tenho acompanhado tudo. É impressionante o comportamento e a fala do presidente Bolsonaro. Desde sempre, ele xinga tudo e todos. Ele esculhamba com nordestino, negro, gays, pobres e todos mais", disse Biu. E Zoião: "Esse cara aí é inqualificável. Ainda não foi inventada uma palavra pra dizer realmente quem ele é".
Não tem como não concordar com vocês. O que o Zoião acaba de falar é completamente compreensível. Bolsonaro é lixo, produto do esgoto mais fedorento de todos. Hitler começou como ele, falando de pobres, gays, analfabetos e judeus. E deu no que deu. Hitler começou imitando Mussolini. Ambos mataram milhões e milhões de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.
"Seu Assis, eu andei levantando umas frases loucas ditas por Bolsonaro", começou Biu. E Mané: "Eu também! Eu também! Eu também tenho recorrido à Internet pra procurar o pensamento maldito do presidente. O Brasil não merece Bolsonaro como presidente. Bolsonaro merece ir para o fundo da cadeia. Ele tem muitos crimes pra pagar". Depois de dizer o que disse, Biu pediu licença a seus companheiros botões pra citar algumas frases ditas pelo atual presidente da República. Estas:
“A atual Constituição garante a intervenção das Forças Armadas para a manutenção da lei e da ordem. Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção, desde que este Congresso dê mais um passo rumo ao abismo, que no meu entender está muito próximo" (1999)
“O pau-de-arara funciona. Eu sou favorável à tortura” (1999)
“Tudo é coitadismo. Coitado do negro, coitado da mulher, coitado do gay, coitado do nordestino, coitado do piauiense. Vamos acabar com isso” (2018)
Muito bem Biu. Na Internet tem muita coisa mostrando quem é, de fato, Bolsonaro. E o incrível é que corremos o risco de ele ser reeleito. A Federação da Indústria do Estado de São Paulo, Fiesp, está dividida. Uma parte dos grandes empresários quer Bolsonaro reeleito. o Nordeste não quer. O Nordeste e boa parte do Sudeste querem ver esse sujeito no esgoto de onde veio. Claro, o Brasil corre um risco profundo de cair no Nada. No 1º turno, mais de 30 milhões de brasileiros cruzaram os braços, sequer saíram de casa. Não deram bola às urnas, à Democracia.
"Seu Assis! Seu Assis! Sabemos que boa parte dos brasileiros não liga pra nada. É como se seguissem a letra do samba do Zeca Pagodinho: Deixa a vida me levar/Vida leva eu...", cantarolou o potiguar Barrica.
"Que pena, que pena. Somos em grande parte cidadãos alienados", lamentou Zilidoro. Jão acrescentou: "As frases revelam o sujeito maledicente que é Bolsonaro".
Bom, pessoal, pra encerrar tem esta: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada! Só vai mudar, infelizmente, se um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar para fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente” (1999).
"Essa frase aí também é do Bolsonaro?", perguntou um tanto atordoado o paraibano Mané. Sim, respondi. E aproveitei pra perguntar se Mané e seus colegas tinham visto o podcast do Lula, que está batendo recorde de audiência. "Onde eu acho isso?", perguntou Zilidoro. O endereço é este: LULA NO FLOW PODCAST
Levantando-se do tamborete onde até então se achava, Barrica cantarolou acompanhado por todos:
Vai passar Nessa avenida um samba Popular Cada paralelepípedo Da velha cidade Essa noite vai Se arrepiar Ao lembrar Que aqui passaram Sambas imortais Que aqui sangraram pelos Nossos pés Que aqui sambaram Nossos ancestrais
Antes de perguntar a meus botões o que acharam do debate de ontem 16 promovido pela Band, ouvi uma voz cavernosa dizendo algo como "Arrasou, arrasou!". Procurei identificar a voz, mas tive dúvidas, Barrica deu uma risada escrachada dizendo: "É o Biu! É o Biu! O Biu quando quer é irônico até na hora do choro, seu Assis". Mas não entendi o "Arrasou! Arrasou!". E Biu: "O Bolsonaro, o Bolsonaro!". De outro canto, Jão comentou: "Arrasou se foi pras quengas dele. E dos cachorros!". Calma, pedi calma. Não podemos entrar na baixaria da propaganda eleitoral.
"Muito bem, seu Assis. Parabéns, de fato a propaganda política está que é uma baixaria só. Um horror!", foi a vez de Zilidoro falar, emendando: "Gostei muito do formato do debate formulado pelo pessoal da Bandeirantes".
O Zilidoro tem razão. A Band inovou no formato para debates políticos. E Zé: "Achei que o Lula ganhou, mas podia ter ganhado de goleada.
Até então quieto no seu canto, Zoião fez hummm e ameaçou dizer alguma coisa, mas não disse.
O Lula começou falando de educação e perguntando ao seu adversário quantas faculdades novas ele fez no seu governo. Silêncio. Bolsonaro tergiversou. A primeira parte, apesar de tudo, até que foi boa. Depois Bolsonaro só xingou o Lula, chamando-o de ladrão, amigo de bandido. Lamentável.
Na verdade, na verdade pessoal, a Bandeirantes ganhou no formato para debates e ganhou também a Democracia e todos nós.
Um debate assim, entre dois políticos graduados não poderia ser feito se vivêssemos numa ditadura. Interrompendo-me, disse Zoião: "O Bolsonaro, antes de tudo é um escroto. Sacana. Bicho ruim. Ele mente, ele engana o povo falando de liberdade e democracia. Na verdade ele quer é ditadura, apertar o torniquete. Se ele for reeleito, estaremos todos afunhenhados".
"O cabra não tem conserto. O cabra não tem jeito, é um horror sob todos os aspectos. Fala mal de nordestino, diz que nordestino é analfabeto e que foram os nordestinos analfabetos que deram a vitória ao Lula", lembrou Zé. E Jão emendou: "E ainda desrespeita as mulheres, os negros, os gays, os jornalistas e agora até jovens adolescentes venezuelanas que, pra ele, são prostitutas. E posso dizer mais uma coisa seu Assis? Esse cara, com o perdão da palavra, é um filho da puta!!!".
Pois é pessoal, e ele disse que com as meninas venezuelanas "pintou um clima". Ai, ai, ai...
Pra encerrar, perguntei a Biu como está o Lampa. Resposta: "O Lampa está fora de perigo, já está respirando sem uso de instrumentos. Está na enfermaria do hospital e quem sabe receberá alta nesta ou na próxima semana. Torçamos".
Barrica lembrou que o dia 30 de outubro está chegando e que antes, no dia 28, será a vez de a Globo promover o seu debate entre Lula e Bolsonaro.
Zilidoro, mexendo no computador, fazendo de conta que nada ouvia clicou:
Só não vê quem não quer ver Diz um dito popular Esse dito é bem dito E dele é bom falar...
Mas como hoje 15 é o Dia do Professor, o referido poema eu poderia começar assim:
Só não aprende quem não quer
Diz um dito popular
Esse dito é bem dito
E dele é bom falar...
O Dia do Professor existe para reflexão. É um dia importantíssimo para os profissionais que assumiram para si a missão de ensinar. E cabe ao aluno, e somos todos alunos, aprender se quiser.
Aprendi com muitos professores, amigos, amigas, filhos e filhas. Aprendo com todo mundo e o próprio mundo me ensina.
Levei porrada e porrada certamente levarei. Levar no sentido de receber.
Tive grandes professores na vida. A começar pelos meus pais, avós e demais familiares. Na escola aprendi o be-a-bá. Na escola aprendi a pintar e só não aprendi a tocar e a cantar porque a mim faltou talento.
Há professores de canto, há professores de música.
Estudei música com Aldo Parisot. Confesso que não aprendi nada. Eu desafinava, dizia ele com decepção. "A sua voz até que é boa, mas não serve para o canto", dizia ele.
João Câmara Filho e outros mestres das artes plásticas até que me ensinaram a segurar o pincél e com ele na palheta. Misturei tintas e nessas pinturas, descobri novas cores. Aprendi que o preto com branco, dá cinza. O vermelho com branco deixa a cor rosada. Tem o azul cobalto...
Um dia no programa da Inezita, Viola Minha Viola, a uma pergunta dela eu disse que a rabeca é filha bastarda do violino. Ela gostou.
O violino nasceu muito antes da rabeca, que tem origem ali pelo século 7º d.C.
O som da rabeca surgiu ali pelos tempos em que os mouros invadiram a Península Ibérica.
Dentre os meus mestres não há como esquecer Luís da Câmara Cascudo. Eu ia à casa dele beber na fonte límpida da história que ele também sabia. História da cultura popular, erudita e tal.
Câmara Cascudo sabia de tudo e mais um pouco. Pra mim ele era "o Velho que Sabe Tudo". Esse, aliás, foi o título que dei a uma das entrevistas que fiz com ele. Saiu no suplemento Folhetim, extinto, do paulistano Folha de S.Paulo.
Os professores sofrem muito, principalmente nos tempos atuais.
Professor ganha pouco e sofre muito. Isso precisa mudar. Um país sem professor, sem mestre, é um país/nação pobre em todos os sentidos.
Além da literatura tradicional, infantil no caso, os autores vão se
sucedendo e construindo histórias e reconstruindo memórias.
Descobri autores nacionais pondo nas histórias personagens reais. Caso, por
exemplo, de Jorge Amado, que escreveu uma belíssima história dedicada ao filho
João. Esse livro foi escrito em 1948 e publicado 28 anos depois. O próprio
Jorge explica, à guisa de prefácio:
A história de amor do Gato Malhado e da Andorinha Sinhá eu a escrevi em
1948, em Paris, onde então residia com minha mulher e meu filho João
Jorge, quando este completou um ano de idade, presente de aniversário;
para que um dia ele a lesse. Colocado junto aos pertences da criança, o
texto se perdeu e somente em 1976, João, bulindo em velhos guardados, o
reencontrou, dele tomando finalmente conhecimento. Nunca pensei em
publicá-lo. Mas tendo sido dado a ler a Carybé por João Jorge, o mestre
baiano, por gosto e amizade, sobre as páginas datilografadas desenhou as
mais belas ilustrações, tão belas que todos as desejam admirar. Diante do
que, não tive mais condições para recusar-me à publicação por tantos
reclamada: se o texto não paga a pena, em troca não tem preço que possa
pagar as aquarelas de Carybé. O texto é editado como o escrevi em
Paris...
Pois é, personagens reais têm invadido a ficção. Infantil. Coisa boa.
Por esse mesmo caminho têm trilhado muitos autores, jornalistas inclusive. Em
2009, o jornalista alagoano Audálio Dantas publicou O Menino Lula. É a
história do pernambucano que virou presidente. Bom texto, para um bom
personagem. E por não ter o que fazer, até eu abracei a ideia de contar a
infância de pessoas reais, como a cantora paulistana Inezita Barroso e o
pernambucano de Exu Luiz Gonzaga. Dois livros, direcionados ao classificado
público infanto-juvenil. Títulos: A Menina Inezita Barroso (2011) e Lua
Estrela Baião, a História de um Rei (2012). No ano de 1987, o multitudo
paranaense Elifas Andreato adaptou um texto da Declaração dos Direitos Humanos
(1948) para a criançada. Dizia dos principais itens, ou pontos, necessários
para que as crianças pudessem/possam crescer com liberdade e categoria.
Tornando-se cidadãos de respeito. Essa adaptação ganhou livro e versão musical
para teatro e disco. Uma beleza. Título: A Canção dos Direitos da Criança. Sou
litorâneo. Nasci em João Pessoa, PB. Conheci o mar nos braços da minha prima
Avani. Eu tinha uns três anos, se tanto. Apaixonei-me pelo mar. E apaixonado
escrevo, especialmente para este J&Cia, O Menino e o Mar:
Numa boa estou bem Na canoa a navegar Navego no lusco-fusco
Das ondas que faz o mar Menino-peixe que sou Eu nasci para
brincar
Quem brinca se diverte Seja só ou seja em par Nas
ruas, parques e praças Ou simplesmente no mar Na vida tudo é
graça Pra quem gosta de brincar
Brincando criei a Lua Brincando
fiz o luar Minha canoa não teme As intempéries do mar Quem
tem medo do medo Não serve para brincar
Minha canoa é
forte Tão forte que nem o mar Tão forte que nem o vento Quando
quer nos assustar Com remos firmes nas mãos Eu não me canso de
remar
Já remei em todo canto Inda mais hei de remar Na
Paraíba, no Japão... Em japonês eu vou cantar Cantando direi que
sei Dos segredos que tem o mar
Na tarde de todo dia
Num ponto qualquer do mar Ouço vozes maviosas Ganhando
formas no ar São sereias desgarradas Num belo coro a cantar
É
a coisa mais bonita Que se possa imaginar: Sereias no ar dançado
Cantando pra encantar Num ponto qualquer do mundo Num ponto
qualquer do mar!
Deslizando sobre águas Sigo eu a
navegar Procurando juntar forças Pra quem sabe até voar! Sou
peixe à luz do Sol À luz da Lua sou o mar
Sol e Lua quando
juntos Formam sempre um belo par O Sol oscula a Lua A Lua
oscula o mar Na canoa numa boa Sigo eu a navegar
O dia 12 de outubro é o Dia das Crianças, escolhido como Lei em
1924. No dia 12 de outubro também é comemorado o Dia de Nossa Senhora
Aparecida, a Padroeira do Brasil.
LEIA MAIS: Em junho de 2013 escrevi um texto especial abordando o tema
literatura infantil. É uma pequena viagem no tempo. Talvez valha a pena
acompanhar o dito escrito sob o título
Oralidade — Hoje, ontem e sempre.
Foto e ilustrações por Flor Maria, Anna da Hora e Fausto Bergocce.
Lá atrás, lá bem atrás, nos meus tempos distantes de criança, eu costumava ouvir nas horas de recreio na escola coisinhas assim:
Hoje é domingo Pé de cachimbo O cachimbo é de ouro Bate no touro O touro é valente Bate na gente A gente é fraco Cai no buraco O buraco é fundo Acabou-se o mundo!
E ouvia também, e todo mundo cantando, pérolas como esta:
Marcha soldado Cabeça de papel Se não marchar direito Vai preso no quartel…
Muitas coisas bonitas, lúdicas, permanecem grudadas nas paredes da minha memória. A história de Chapeuzinho Vermelho me assustava, me arrepiava todo. E olha, nem era a história original contada na Idade Média que eu ouvia. Na versão original o lobo mau matava a vovozinha e seu corpo cortado como em pedaços de bife dividia com Chapeuzinho que nem de longe desconfiava do que estava comendo. E depois disso, insaciável, crau! Comia a pobrezinha da Chapeuzinho. Essa história tem várias versões na França, na Espanha, na Itália. No Brasil, em 1970, o compositor Chico Buarque e o cartunista Ziraldo inventaram uma certa Chapeuzinho Amarelo. É a história de uma menina que tem medo de tudo, até do medo. Lembro da Gata Borralheira, da Branca de Neve, do Pinocchio, do João e Maria... A história de João e Maria, essa contada por minha avó Alcina, arrancava-me rios torrenciais de lágrimas. Os irmãos, crianças, eram filhos de um lenhador viúvo casado pela segunda vez. Eram pobres. A madrasta, má, convenceu o marido a abandonar os filhos na floresta. Em resumo: eles sobrevivem mesmo depois de caírem nas garras de uma bruxa cega. Ai, ai, ai meus tempos de criança. Os contos de fadas e fábulas têm origem nos tempos imemoriais. Há indícios de que o primeiro autor de fábulas foi o escravo grego Esopo. Indícios, apenas indícios, pois até hoje não há provas concretas. Não há escritos, manuscritos. Histórias, historinhas, colhidas da boca do povo. Tudo oralidade. Esopo teria vivido no século 6 a.C. Nos séculos 17 e 18 surgiram na França e na Alemanha La Fontaine e os irmãos Grimm, respectivamente. No ano de 1668 Fontaine publicou seu primeiro livro reunindo pouco mais de uma centena de fábulas, em versos, a que intitulou Fábulas Escolhidas. Esse livro foi dedicado ao rei Luís 14. Os Grimm foram, como Fontaine, de grande importância para a fabulagem de nossos tempos de infância. A literatura infantil, em prosa e poesia se acha nos quase 200 países classificados pela Organização das Nações Unidas, ONU. Pinocchio é personagem italiano e incorpora o mentiroso. Eu gostava do Pinocchio. Pra incomodar amiguinhos chatos, eu os chamava de Pinocchio. Criança apronta muito, e muito. Sempre. Mais de uma vez eu vi amiguinho defendendo a mãe com uma quadrinha que nunca me saiu da cabeça. Era quando um menino maior xingava um menino menor chamando-o de "filho da puta". Resposta:
Filho da puta É banana curta Teu pai é corno E tua mãe é puta!
O moleque dizia isso e pernas pra que te quero! E corria feito doido, cai aqui cai acolá. E quando caía, apanhava. Não posso me queixar dos meus tempos de criança. Brinquei de cavalo de pau, de esconde-esconde, de bang bang, de médico e paciente, de passa anel, de bola de gude, de pião. Muitos dos meus brinquedos eu mesmo os construía como caminhõezinhos de madeira, boizinhos e vaquinhas de barro. O tempo passa e a memória fica.
Uma coisa é certa: a coisa tá feia, como diria o violeiro mineiro de Monte Azul Tião Carreiro (1934-1993), que durante anos e anos fez dupla com o paulista de São Carlos Pardinho (1932-2001).
O presidente Bolsonaro não para de mandar o povo se armar. O povo dele, diga-se de passagem.
Ouvi no rádio e TV noticiário dando conta de que autoridades de Uberaba (MG) e do Rio, RJ, "comemoraram" o Dia das Crianças ensinando a elas como mexer com armas. E de grosso calibre. E bombas de gás lacrimogênio. Um horror! Disseram que era para as crianças começarem a perder o medo de armas de fogo e de bombas. Deus do céu!
Os agentes do Ministério Público estão investigando esses horrores.
Enquanto isso, e no mesmo dia das crianças, Bolsonaro agarra-se no vácuo à cata de votos de cristãos e evangélicos, depois de flertar com a Maçonaria.
Ontem 12, Em Aparecida (SP), o arcebispo dom Orlando Brandes mandou um recado curto e grosso direto a Bolsonaro no correr da homilia: "Nossa Senhora gloriosa no céu, depois da cruz e o céu, é a nossa pátria definitiva. Maria venceu o dragão. Temos muitos dragões que ela vai vencer. O dragão que é o tentador. O dragão que já foi vencido – a pandemia". E disse mais: "Mas temos o dragão do ódio, que faz tanto mal. E o dragão da mentira, e a mentira não é de Deus, é do maligno. E o dragão do desemprego, o dragão da fome. O dragão da incredulidade. Com Maria, vamos vencer o mal e vamos dar prioridade ao bem, à verdade e justiça que o povo merece porque tem fé e ama Nossa Senhora Aparecida".
A minha conclusão é simples: esse cara que mente, mente e mente, não tem o menor escrúpulo. É horroroso de nascença. O objetivo dele é praticar o mau, especialmente a quem dele discorda.
O Brasil está se cobrindo de irracionalidade da Direita extremosa, assassina.
Bolsonaro não tem limite. Ele rasga as leis e cospe na cara do povo. Do povo brasileiro, do povo pacato, simples, trabalhador. E aos poucos recomeça sua ladainha contra as urnas eletrônicas. E o Exército, na moita.
Cadê o relatório das Forças Armadas sobre o desempenho das urnas eletrônicas?
Eu conheci muita gente bonita da nossa música popular. Entre essa gente, Luiz Vieira. Vieira escreveu muita coisa bonita. Cantou muita coisa bonita, como Menino Passarinho, de sua autoria. O dia 12 de outubro nos remete ao ano de 1924. Foi nesse ano, no governo Arthur Bernardes, que surgiu e foi patenteado o Dia das Crianças. O Brasil foi o primeiro país a dedicar um dia às crianças. Luiz Vieira compôs Menino Passarinho. Eu que não sou poeta nem nada, apenas jornalista, inventei de inventar um poema a que intitulei O Menino e o Mar. Em 1952, o rei da voz Chico Alves teve lançada após sua morte, no dia 27 de setembro, a Canção da Criança. Uma pérola, belíssima. Ouça:
“Puxa vida! Não entendi nada. Há uma grande violência sendo incentivada e espalhada no Brasil pelo presidente Bolsonaro. Muita doidura vem da boca de Bolsonaro. É muita mentira, muita esculhambação. Eu não compreendo nada, é difícil entender o que ora ocorre no Brasil”, desabafou o poeta popular Zilidoro. Barrica emendou: “Loucura, loucura, loucura!”. Reflexivo, Zé disse para a surpresa de todos: “Pela primeira vez um chefe de Estado faz da loucura uma estratégia política”. Zilidoro puxou palmas para a fala de Zé. Zoião pergunta o que é que acho disso tudo. Hmmmm, respondi. Mané não gostou do meu “Hmmm…” e retrucou: “Seu Assis, agora é a hora verdadeira de a gente tomar posição e mandar o Bolsonaro para o esgoto de onde saiu!”. Concordo, concordo. Agora é a hora chegada de tomarmos posição: Lula tem de ganhar, porque senão… “Estaremos afunhenhados!”, arrancou do meu pensamento o poeta Zilidoro, acrescentando: “O Bolsonaro diz que não há fome no Brasil. Ai, ai, ai…”. O sempre quase quieto Zoião, para minha surpresa, se disse indignado com todas as falas mentirosas, cretinas, homofóbicas, machistas do Bolsonaro. E mudando de assunto, disse que viu há uns 10 anos um filme chamado Gonzaga - de Pai pra Filho e que nesse filme, eu apareço, de alguma forma eu apareço, e que até teve esse filme divulgação ampla na TV Globo. E pra provar o que estava dizendo, tascou: “Foi em 2012. Antes desse filme, o sinhô aparece numa entrevista da Globo dizendo que Luiz Gonzaga era pobre, negro e analfabeto". Sim!, respondi. Era pobre, negro, analfabeto e cego de um olho! E sofreu muito por ser quem foi. Foi um gênio, na verdade! “Seu Assis, posso compartilhar com meus amigos e todo mundo o vídeo do ...?". Antes que Zoião concluísse, eu disse: Pode!
“A campanha política recomeçou, está na rua. Uma doidura”, disse Barrica. Seu irmão Biu, acrescentou: “Vi na TV o ressuscitamento de uma entrevista do Bolsonaro publicada no jornal norte-americano The New York Times, em 2016, dizendo que estava pronto pra comer índio”. Espantados, todos perguntaram: “O quê!?!?!?”. “Isso mesmo!”, confirmou Biu. E pegando o jornal, destacou a frase de Bolsonaro: “Eu comeria o índio sem problema nenhum, é a cultura deles, e eu me submeti àquilo”. “Deus do céu!”, espantado disse Mané. “Caraca!, esse Bolsonaro é do balacubaco. Canibal!”, foi a vez de Zé falar. Notei que Zilidoro estava a mil, só me observando. Fiz de conta que não vi. E ele: “Seu Assis, até agora o Sr. não se manifestou diretamente sobre a sua preferência ao nome que deverá governar o nosso País nos próximos quatro anos. Pergunto: o sr. é Bolsonaro, ou o sr. é Lula?”. Olhei na cara de Zilidoro, olhei na cara de todos, e disse com todas as letras: Eu sou Brasil, eu sou brasileiro, eu sou nordestino nascido em João Pessoa, PB. Sou jornalista com poucos recursos financeiros, mas acredito profundamente na Democracia. Sem Democracia não é possível ser feliz. Sonho por um Brasil melhor, sem desigualdades, justo. Vou votar no Lula. O Bolsonaro é lixo. Confesso que não foi surpresa ver os meus botões se levantarem e entusiasmados baterem palmas: “Isso! Isso!”, disseram. E Zilidoro: “O Brasil precisa sair do buraco em que se acha!”. Do seu canto Zoião só nos olhava. De repente, disse: “Estou sentindo a falta do Lampa…”. “Eu também…”, respondeu Zé. “O Lampa parece estar fora de perigo. Já não respira por máquinas. Saiu do tubo. Foi o que me disse a pouco, por telefone, o Jão”, informou Barrica. Pessoal, hoje é segunda e amanhã é terça. Tomara que até o fim do mês o Lampa esteja conosco. “Isso! Isso, seu Assis!”, bateu palmas se levantando da cadeira o Biu. Antes de darmos por encerrada a nossa reunião, Zilidoro pediu a palavra e perguntou: “Seu Assis, vi hoje na internet o Sr. sendo censurado. Pela internet! Por quê? Não entendi”. Ai, ai, ai, Zilidoro. Eu também não entendi. Postei uma fala de 53 segundos e a internet não gostou. Não sei porque, tudo que falei foi que estava indignado com a fala de Bolsonaro. Aquela em que ele dizia que nós, nordestinos, votamos em Lula no primeiro turno porque somos analfabetos. Enquanto eu falava, Mané mexia na internet. Achou o post referido por Mané. E quase gritando, disse: “Achei, achei! É este!”
É certo que Dominguinhos não estaria dando a mínima ao desmantelado PSDB ou ao inescrupuloso, homofóbico e negacionista Bolsonaro. O Nordeste inteiro apoiou Lula, levando-o ao 2° turno. Detalhe: Lula só não ganhou no 1° turno porque o ressentido Ciro Gomes inventou de esculhambá-lo chamando-o disso e daquilo. O embate entre Bolsonaro e Lula está deixando muita gente assustada. Isso porque, de repentemente, o Brasil de uma hora para outra foi coberto pelo manto da direita extremada. A campanha na rua para o 2° turno começou segunda 3 no fim da tarde. A propaganda política obrigatória, no rádio e TV começou sexta-feira 7. Um dia antes, aliás, estreou no teatro da FAAP (rua Alagoas, 903, Higienópolis) o musical Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais, idealizado e dirigido por Gabriel Fontes Paiva. O texto é da jornalista Silvia Gomes e a parte musical coube a Myriam Taubkin. Participam do espetáculo Hugo Lins, Jam da Silva, Cosme Vieira e Zé Pitoco, além da filha de Dominguinhos, a cantora Liv Moraes, e os atores Luiza Fittipaldi e Wilson Feitosa. Dominguinhos estreou em LP no ano de 1964, a convite do baiano Pedro Sertanejo. Sertanejo, pai de Oswaldinho do Acordeon, era o criador e diretor do selo musical Cantagalo. Depois dos primeiros discos gravados na Cantagalo, Dominguinhos transformou-se num dos mais importantes sanfoneiros do Brasil. Entre LPs, compactos simples e duplos e CDs, Dominguinhos deixou mais de 50 títulos. Eu conheci Dominguinhos num ano qualquer dos 80. Em 99, ele assinou o prefácio de um livro de minha autoria Eu Vou Contar Pra Vocês (Editora Ícone). Foi o primeiro e único prefácio que escreveu. E à mão. Participou várias vezes do programa que eu apresentava na Rádio Capital, São Paulo Capital Nordeste. Em 2006 apresentei e dirigi o espetáculo Baião, no Sesc Pinheiro. Desse espetáculo participaram, além de Dominguinhos, Anastácia (rainha do forró), os emboladores Caju e Castanha, Carmélia Alves (rainha do Baião), Cezar do Acordeon, o poeta repentista Oliveira de Panelas, a cantora e compositora Socorro Lira e o cantor e também compositor Gereba. Com Gereba, a propósito, compus Hino ao Céu. Essa música foi gravada por Dominguinhos e Gereba, num ano que não me lembro.
AULA DE RÁDIO
Os jornalistas Heródoto Barbeiro e José Nêumanne deram uma verdadeira aula de conhecimentos no campo do jornalismo radiofônico, sábado 1, no programa Paiaiá na rádio Conectados. O programa é apresentado pelo radialista baiano Carlos Silvio. Confiram:
SAMBA DO RÁDIO
Até hoje ninguém ousou compor e gravar um hino ao rádio. Por não ter lá muito o que fazer, convidei o craque da nossa música Jarbas Mariz e com ele fiz o Samba do Rádio. Ouçam:
Nunca na história política brasileira houve tantos jingles enaltecendo candidatos a deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República. Foram milhares. O de Bolsonaro é uma porcaria e o de Lula muito aquém da sua figura carismática. O de Bolsonaro tem ritmo de "sertanojo" e o de Lula está mais para "forró de plástico". O pessoal que cuida da sua campanha poderia melhorar isso. Cadê o Hilton Acioli, o competente autor de Lula lá? A história dos jingles políticos no Brasil começa pra valer com Júlio Prestes, o Julinho, candidato a presidente da República, em 1929. Luiz Gonzaga foi um dos mais profícuos autores de jingles. Ele dizia, e disse-me mais de uma vez, que não tinha particularmente partido político. Trabalhava para quem pagasse melhor. E foi assim com Dutra, Carlos Lacerda, Jânio e tantos e tantos. O baião Paraíba foi composto originalmente como jingle político. Chegou, aliás, a ser lançado em praça pública pela cantora Marlene. O evento se deu em Campina Grande, PB, no ano de 1950. A trilha de Gonzaga foi seguida passo a passo por José Domingos de Moraes, o Dominguinhos. Dominguinhos fez muitos jingles para políticos do Nordeste e de São Paulo, inclusive para candidatos do hoje afunhenhado PSDB. O PSDB foi praticamente destroçado pelo ex-governador "bolsodória". Pela primeira vez o sanfoneiro Dominguinhos é tema central de um musical que tem como título o seu nome acrescido de Isso Aqui Tá Bom Demais, título homônimo do forró composto pelo músico pernambucano Nando Cordel. Em 1949, Dominguinhos tinha 8 anos de idade e tocava com os irmãos à entrada de um hotel de Garanhuns, cidade onde nasceu. Por um desses acasos da vida, Dominguinhos e seus irmãos, Os 3 Pinguins, foram vistos e ouvidos por Gonzaga Rei do Baião. Oito anos depois, em 1957, Gonzaga já apresentava Dominguinhos à imprensa como seu sucessor.Nem tinha ainda maioridade e Dominguinhos já acompanhava Luiz Gonzaga em gravação de disco de 78 RPM na extinta RCA Victor.
Na infância, desde a infância, aprendi a respeitar as pessoas. Todas as pessoas, independentemente de religião, cor, posição política, sexualidade, condição financeira e tudo mais.
Aprendi que somos todos iguais.
Aprendi isso na escola e no colégio de padres onde estudei, onde vivi por bom tempo da minha vida.
Aprendi também que somos iguais perante Deus e perante a Lei.
O que ora a pessoa que ocupa a cadeira de representante da República diz é lamentável, sob todos os aspectos. Essa pessoa, Bolsonaro, esculhamba todo mundo. Ele não tem sentimento, não tem pena de ninguém. O projeto dele é poder, poder, poder. Mas ele é pequeno demais. Ninguém é grande, além de Deus.
É incrível o que Bolsonaro faz como presidente da República. Como pessoa. Bom, como pessoa...
O preconceito que Bolsonaro tem contra pretos, brancos, pobres, indígenas e nordestinos é algo incompreensível, abominável, monstruoso. Inclassificável é o seu comportamento sob a ótica civilizatória. Parece, no seu comportamento e ação, um bicho saído dos esgotos. Meu Deus!
Ele, Bolsonaro, acaba de esculhambar de novo os nordestinos. Vomitou na sua língua que Lula ganhou no Nordeste com votos de analfabetos.
Lula respondeu dizendo que nordestino não é analfabeto porque quer. Nordestino sonha, nordestino quer crescer.
São milhões os nordestinos que fizeram história, que contribuíram e continuam a contribuir para o crescimento do país.
Lula, que não teve oportunidade de virar doutor, disse que quem tiver na veia sangue de nordestino não deve votar no Bolsonaro. Concordo.
Eu sou nordestino. Tenho orgulho disso. Tenho orgulho de ser brasileiro, mas tenho desorgulho de ser contemporâneo desse cara.
Agora é hora de todos os nordestinos, de todos os brasileiros que sonham com um Brasil livre e progressista por na cadeira de presidente o pernambucano Luís Inácio Lula da Silva.
As forças do bem contra o mal são fortes. Muito fortes. E agora é neste mês de outubro, mais uma vez outubro, que o Brasil terá que decidir quem o dirigirá.
No dia 27 de outubro de 2002, Lula ganhou a presidência no segundo turno.
No dia 29 de outubro de 2006, Lula ganhou o direito de presidir o Brasil pela segunda vez.
O Brasil está em risco, correndo risco. Em perigo.
Nunca o Brasil esteve em situação tão dramática.
Nunca um político mentiu tanto, publicamente. Refiro-me a Bolsonaro, um paulista que começou a carreira no Rio de Janeiro. Foi vereador e deputado do baixíssimo clero. Nunca fez nada de bom que beneficiasse o Brasil. Grosso modo falando, politicamente falando é zero zero à esquerda. É violento, homofóbico, negacionista e tudo o mais que não presta. Mente e mente o tempo todo, seguindo a máxima chancelada pelo ministro da Propaganda do genocida Adolf Hitler, segundo a qual "a mentira dita muitas vezes torna-se verdade".
Bolsonaro chegou à Presidência por acaso e por artimanhas dos seus filhotes. Um deles, Carluxo, por nunca ter o que fazer em prol da vida, especializou-se no submundo da Internet e que tais. Especializou-se em engendrar mentiras, fake news. E mentiu e mentiu, como mente o pai. Dupla perfeita. E foi assim que fez com que o coiso se transformasse em presidente. Mas ele não estava preparado, tanto que no dia 14 de junho deste ano disse, com todas as letras: "Eu não tinha nada pra estar aqui, na Presidência. Nem levo jeito. Nasci pra ser militar".
Nasceu pra ser militar, mas o fato é que nem pra isso nasceu. Simplesmente porque do Exército foi expulso.
Antes de se eleger, em outubro de 2018, disse: "O que eu pretendo é fazer uma excelente reforma política, acabando com o
instituto da reeleição, que começa comigo caso seja eleito, e reduzindo
um pouco, em 15% ou 20%, a quantidade de parlamentares".
O que o sujeito aí promete não cumpre, como se vê.
Impossível também é esquecer da gozação que fez das pessoas infectadas e morrendo sufocadas nos leitos e corredores dos hospitais. Ele imitava debochadamente as vítimas da Covid-19. Bolsonaro tripudiou, tirou sarro, desumanamente dos milhares e milhares de brasileiros e brasileiras que pegaram a Covid.
As urnas eletrônicas funcionaram perfeitamente, mas delas saíram resultados surpreendentes.
O PT ganhou no Nordeste e o PL papou o Brasil, elegendo 98 deputados federais.
Em 98 o finado PFL fez cerca de 100 deputados federais. Pois é, parece que politicamente estamos regredindo.
O bolsonarismo fez 8 novos senadores formando, no total, até aqui 13 senadores. Ganhou em vários estados. Em 1º turno, inclusive. Ganhou em Minas e em Minas fez o deputado mais votado na história daquele Estado, Nikolas Ferreira, de 26 anos.
Minas virou a cara do Brasil. Retrato fiel.
Urnas abertas, o resultado foi 48% do total de votantes para Lula. O Coiso ficou com o 43%. A diferença foi de 5 a 6 milhões de votos.
Simone Tebet teve quase 5% do eleitorado, na frente quase dois pontos de Ciro Gomes. Em tese, Simone e Ciro detém cerca de 9 milhões de votos, suficientes para eleger Lula no primeiro turno. Simone disse que não vai ficar em cima do muro. Isso quer dizer que ela pode apoiar Lula no segundo turno. Ciro ainda se balança na dúvida, embora diga que teme a vitória do Coiso.
Ciro bateu forte, muito forte, no Lula. A propósito, vejo irresponsabilidade no comportamento do ex-governador do Ceará.
Ciro é rancoroso, terrivelmente rancoroso. O rancor de Ciro deu no que deu.
Lula já disse que vai falar com todo mundo que possa apoiá-lo.
Eu não tenho dúvidas de que o PT pisou na bola, abandonando as ruas.
A coisa vai mal quando há racha entre partidos. Nesse ponto a esquerda pecou e muito. Mas política é política, que nem nuvens no céu: muda a todo instante, a cada olhar.
E o Haddad, hein?
São Paulo, Minas e Rio de Janeiro vão decidir quem vai ganhar no segundo turno.
O segundo turno ocorrerá no domingo 30 deste inesquecível outubro de 2022.
Até 1967, o nome oficial do Brasil era República dos Estados Unidos do Brasil. A partir de 68, ano do famigerado AI-5, o nome virou República Federativa do Brasil. Desde 1985, o Brasil vive a 6ª República. Antes tivemos a 1ª República, entre 1889 e 1930, Velha República. A 2ª República (Governo provisório de Vargas), foi curtinha: de 30 a 37. A 3ª (Estado Novo) de 37 a 45. A 4ª (Fim da Segunda Guerra Mundial) até 64, a 5ª (Ditadura militar), de 64 a 85. Antes de ser eleito, por voto direto, o primeiro presidente civil após a ditadura militar, houve eleição para deputado federal, deputado estadual, governador e senador. Isso em novembro de 1982. Três anos depois, o mineiro Tancredo Neves chegou à presidência através de um colégio eleitoral. Quer dizer, pelo voto indireto. É sempre bom falar em democracia, principalmente quando a liberdade é agredida e corre risco de morte. Alguém já disse que a democracia não é o melhor sistema político de governo, mas não há outro melhor. A democracia, no mundo, data da antiguidade clássica. Desde o século VIII a.C. Para ilustrar, não custa lembrar que no dia 16 de setembro de 1943, o cantor Gilberto Alves (1915-1992) entrou num dos estúdios da Odeon, no Rio, e gravou a marchinha Democracia. Essa música, de Aldo Cabral e Monteiro Neto, foi lançada em novembro de 43. A letra diz:
Democracia para um mundo novo
Recibos de votação, a partir de 1982
É o sol que nasce com deslumbramento Eleito o povo para o próprio povo É liberdade à voz do pensamento Democracia é a luz que invade Todas as grandes nações pela soberania É que na verdade Só há liberdade Onde há democracia Louvemos, pois, e com respeito Esse regime que defende e protege o Direito Ideal comum que assim exprime O direito que tem cada um Porque reduz, ponto final A opressão desigual O poder tirania Abaixo reino-unidos Mil e um partidos E viva a democracia.
Pois bem, o dia 2 de outubro está chegando. É domingo que vem. Meu amigo, minha amiga: não deixe de votar, não deixe de ir às urnas. Escolha com critério, devagar, avaliando propostas e planos dos seus candidatos a deputado estadual e federal, a governador, a senador e a presidente da República. Não entre em discussão, não brigue, não aceite provocações. Nós, eleitores, somos as pessoas mais importantes domingo dia 2. O voto é a arma do eleitor.
Um cidadão se faz É com Democracia, Educação e cultura E um quê de sabedoria Sem esses "ingredientes" Não se faz Cidadania
Sempre é tempo de pensar Brasil, sempre é tempo de pensar democracia. E o momento é o mais propício, especialmente porque nos encontramos no momento de exaltação política. De polarização entre candidatos e eleitores.
O dia 2 de outubro está chegando e será nesse dia que deveremos escolher o futuro que melhor ao país se adeque: se de botina e quepe ou simplesmente de traje civil.
Já passamos pelos tempos de Colônia, Império e República em várias fases. Sem contar os duros tempos da ditadura militar (1964-1985). Aqueles foram tempos de profunda escuridão, com torturados, mortos e desaparecidos. Perseguição e censura.
A primeira vez que o Brasil experimentou um processo de eleição foi em janeiro de 1532. Eram tempos vividos sob o comando do português Martim Afonso de Sousa. Esse Martin foi quem fundou a Vila de São Vicente, no litoral paulista. Essa vila é o que é hoje a cidade de São Vicente. Naquele janeiro de 32, há 500 e tantos anos, Martim Afonso determinou que fosse feita uma eleição para escolher os membros do que chamou de "Conselho Municipal" da Vila de São Vicente. Nesse meio tempo estavam-se construindo a Câmara, Igreja, Pelourinho e Cadeia.
Capa da Constituição de 1937
O Brasil crescia a passos lentos. Em todo canto pipocavam brigas de terreiro e guerras de sangue. Em Pernambuco a luta era pela separação do Império por um Estado independente. O sonho durou pouco. Muita gente boa foi presa ou morta. Bárbara de Alencar, uma liderança, foi presa e depois solta. Frei Caneca não teve a mesma sorte: seu corpo foi varado a bala, diante de um paredão de fuzilamento. Isso em 1817. Guerra Pernambucana de 17. Em 1822, o imperador Pedro I proclamou a independência. No ano seguinte, o mesmo Pedro formou e desformou a primeira Constituinte. Em março de 24, o pai de Pedro II outorgou o pequeno calhamaço que entraria para a história como a primeira Carta Magna do Brasil. Nessa Carta são descritas as atribuições dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. E mais um: Moderador, com o qual o imperador podia tudo e muito mais. Era Deus no céu e ele, na terra. Depois do golpe militar que derrubou Pedro II, em 1889, o Brasil foi premiado com mais uma Constituinte e, consequentemente, mais uma Constituição: a segunda do Brasil e a primeira da República. A Constituição de 1891 assentava regras para a eleição direta para presidente da República. O primeiro civil a ser eleito por tais regras foi Prudente de Morais (1894-1898). Esse Morais foi aquele que inundou de sangue o arraial de Canudos, BA. A chamada República Velha findou em 1930, quando o gaúcho Getúlio Vargas desferiu mais um golpe na nossa história derrubando Júlio Prestes e ferindo gravemente a democracia, que até então vinha sendo tocada na base da porrada.
Capa da Constituião de 1988
Júlio Prestes, o Julinho, ganhou no voto, mas perdeu pra Vargas e sua tropa. Não custa lembrar que as eleições realizadas até então eram grosseiramente fraudadas. Os caciques de hoje eram chamados de coronéis. Mandavam e desmandavam. Voto de cabresto e tal. Eram eleições com cédulas em papel. Até no Império era assim. O título de eleitor foi criado em 1881. Sem foto. Mulher, pobre, analfabeto, indígena e membros do clero não tinham vez nas urnas. Proibidos. Isso só aconteceria em 1932, quando foi criado o código jurídico. Melhor: código eleitoral ou justiça eleitoral. E com foto no título, só em 1955. Em 1960 Jânio elegeu-se e logo depois o Brasil viveu por curto tempo o sistema parlamentarista, que foi derrubado através de plebiscito em 1962, com artistas à frente da campanha. Entre esses, Bibi Ferreira. O presidente era João Goulart. O Brasil é o terceiro país com o maior número de eleitores: 156 milhões. Mais mulheres do que homens. Mulheres são 82 milhões, ou 53% do total de eleitores. Nas eleições deste ano de 2022, quase 700 mil brasileiros irão às urnas em 181 cidades de 21 países. Mais mulheres do que homens, 58%. Curiosidade: Portugal é o país com o maior número de eleitores brasileiros. No total, são 45,2 mil. A Constituição brasileira que ficou mais tempo em vigor foi a de 1824. A que durou menos tempo foi a de 1934.O Brasil teve sete Cartas incluindo as Cartas de 1824, 1891 e 1934. As outras foram apresentadas em 1937, 1946, 1967 e a mais recente no dia 5 de outubro de 1988. Chamou-se Constituição Cidadã.
"Lula! Lula! Lula! Lula, lá!!!", disse desandado com toda a força dos pulmões o aparentemente pacato Biu.
A fala-grito de Biu chamou a atenção imediata de todos. "Você tá doido?", cutucou forte o irmão Barrica. Zoião, com aqueles zoiões, caiu na risada e disse: "Gostei, gostei! O Biu tem razão. O caminho político/eleitoral leva-nos ao Lula. Lula lá! Domingo é Lula lá!!!". Mané, de braços cruzados soltou um pum. E nem disfarçou. Todos apertaram o nariz e Jão esculhambou: "Seu feladaputa!".
Calma, calma. Peidar faz parte da vida.
"Certo. Tudo bem, mas não precisa fazer isso aqui diante da gente. A gente não merece isso. A gente tem que ter educação", disse Jão. Zé o apoiou, batendo palmas: "Isso mesmo! Isso mesmo! A gente tem que se respeitar".
Bom, pessoal, domingo 2 é dia de eleição. O Brasil precisa mudar para melhor e domingo é o dia. Concordo plenamente com o Biu. Aqui tem algum bolsonarista...?
Zilidoro levantou-se pedindo palavra: "Claro que aqui não tem nenhum louco querendo morrer, querendo ditadura militar. Somos pobres, mas limpos. Somos cidadãos, seu Assis. Aproveito o momento pra dizer o seguinte: vamos votar domingo dia 2, mas é importante não sairmos de casa vestindo roupa da cor vermelha ou das cores da bandeira brasileira. As nossas cores foram sequestradas, como outro dia disse o craque do cartum Fausto Bergocce. Não podemos aceitar provocação de quem quer que seja!".
O alagoano Zé, que não é muito chegado a questões políticas, disse que há muito foi decepcionado pela política. Lembrou que a sua terra deu o primeiro militar golpista: Deodoro da Fonseca, marechal. Lembrou que o segundo marechal presidente do Brasil foi Floriano Peixoto. Floriano também era alagoano. Lembrou também que Alagoas deu outro presidente: Fernando Collor. Disse, de cara amarrada, que o Collor roubou, roubou e roubou e por isso foi obrigado a renunciar. Foi obrigado, ressaltou, a deixar a cadeira de presidente no dia 2 de outubro de 1992.
"Puxa vida! O Zé sabe muita coisa! Eu não sabia que o Zé sabia tanta coisa", disse exaltado o caboclo Barrica.
Em silêncio, Zé levantou-se do tamborete em que estava e foi até a geladeira.
Cada dia mais eu me orgulho de vocês. A política faz parte da nossa vida. Infelizmente há muito político safado, ladrão. Safado e ladrão se acham em todas as profissões. Na medicina, no jornalismo... E no Clero! E no Clero!
Acompanhei pela TV o último debate político deste ano de 2022. Muita baixaria! O Coiso mentindo, mentindo, mentindo o tempo todo. E na maior cara de pau. Mentiu, mentiu, mentiu! Baixaria total! E teve ainda aquele padreco cujo o nome eu nem sei. Peço licença pra chamar aquele padreco de feladaputa. "Eu sei. Eu sei o Lampa diria a mesma coisa", falou o sempre bem comportado Zilidoro.
Para minha surpresa, os meus botões se levantaram batendo palmas. E o Zé: "É isso mesmo! É isso mesmo! A gente vai votar pelo bem do nosso país. Domingo dia 2 é o nosso dia, é o dia da liberdade. Domingo vai ser o dia em que nós todos diremos um basta à esculhambação! O Lula vai estar na presidência da República de novo. O mundo tá de olho. De olho no Lula e de olho em nós, brasileiros. O Brasil e nós merecemos o melhor que a vida pode dar".
Olhando assim de soslaio captei lágrimas caindo do olhos de Zoião.
Entusiasmado, Barrica levantou-se e disse: "Concordo com tudo que ouvi até agora. O debate da Globo terminou no começo da madrugada. Vi e ouvi tudo. Vibrei quando Simone Tebet respondeu ao prepotente Bolsonaro. Esse aí, o Coiso, tentou desmoralizar Mara Gabrilli acusando o PT de ter matado Celso Daniel. E Simone disse simplesmente: por que você não pergunta ao Lula? Ele tá aqui. Ao dizer o que disse Simone tascou um carimbo de 'covarde' na cara feia do Coiso".
"Eu gostei da Simone, foi ótima! A Soraya também deu troco ao Coiso, quando o chamou 'Nem-nem', simplesmente porque nem estuda, nem trabalha. É vagabundo. Lascou-se!", disse por sua vez Mané.
Bom, abraços. Hoje é sexta e amanhã é sábado. Vou dar um pulinho no hospital para ver como está o Lampa. "O Lampa tá em coma e os médicos muito pessimistas", falou Mané. Barrica balançou a cabeça concordando com o que disse Mané. Biu passou a mão no rosto. Zilidoro falou do carinho que tem por Lampa: "Ele é o que é. Lampa é grosso, deseducado, mas é sincero".
Lembrei que setembro está findando e que o mês de setembro é o mês em que surgiu o rádio no Brasil. Aproveitei pra dizer que costumo fazer uma musiquinha aqui e ali ao lado de grandes artistas, como Jarbas Mariz. Antes de dizer o que estou dizendo, Jão disse que tem ouvido muitas referências a minha pessoa no rádio e na televisão. Na TV, ele disse, viu o jornalista Renato Lombardi falar coisas bonitas sobre mim. Agradeci dizendo que Lombardi é suspeito. Eu e Lombardi somos amigos de velha data. Trabalhamos no Estadão, eu como chefe de Reportagem Política e ele como repórter da Editoria Policial.
O Jão ainda disse que leu um texto sobre mim escrito pelo colega jornalista Flávio Tiné. Disse e foi lendo, sem nem pedir licença:
Dia 27, ele faz 70 anos e vamos festejar condignamente, mesmo sem Tinhorão, Audálio e outros que se foram. Quem sabe Vandré dê o ar de sua graça, ou José Hamilton Ribeiro. Com certeza nosso personagem não os verá mas deverá reconhecer a voz de antigos companheiros e artistas que um dia entrevistou. O Instituto Memória Brasil, que reúne acervo de grande valia e é também sua casa, será invadido por amigos e amigas. Assis não os verá, mas ouvirá tudo. Seus amigos relembrarão quem é ele, que veio da Paraíba para São Paulo com o mesmo talento dos nordestinos que um dia invadiram o Sul Maravilha para nos orgulhar. Francisco de Assis Ângelo ficou cego já cinquentão, depois de ver de perto, amar, entrevistar e conhecer pessoalmente a nata da MPB e da Cultura nacional. Durante anos colaborei com ele sem o conhecer pessoalmente. Falávamos ao telefone. Como assessor de imprensa do HCFMUSP eu o ajudava intermediando incontáveis entrevistas e reportagens na TV Globo, onde ora produzia, entrevistava ou escrevia. Até que ele me procurou queixando-se da vista, que andava falhando aqui e ali. Para resumir, a Oftalmologia diagnosticou glaucoma, em estado avançado. Várias cirurgias depois, ele estaria completamente cego. Aquilo que começara como inocente embaço, tornou-se cegueira irreversível. Acionados por mim, os mais competentes especialistas não conseguiram contornar o problema. Hoje, Assis Ângelo não vê sequer os carros que passam sob a janela do apartamento onde mora só mas nunca está sozinho, graças à presença diária de filhas, amigas e amigos. À tardinha, quando o sol se esconde por detrás dos prédios da Alameda Eduardo Prado, deita numa rede e apela ao celular para contatar alguém de sua intimidade. Fala e chora. Chora e fala.