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| Pablo Neruda no Pacaembu |
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
MATARAM NERUDA, NERUDA VIVE!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
O RÁDIO JÁ TEM SAMBA
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar
Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar
Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar
Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão
O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro
Estou ficando moderno. Até instagram agora eu tenho. E no pique. Confira, clicando: https://www.instagram.com/assis_angelo/
domingo, 12 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (2, FINAL)
Gostava de ler. Érico Veríssimo era um de seus grandes autores. Gostava da música erudita: Bahr, Beethoven…
Não foram poucos os discos que Carmélia gravou. Dezenas, dezenas. Seu repertório é extenso. E cantava onde tinha gente pra ouví-la. Gravou discos em vários países: na Rússia, Alemanha, Itália, EUA, Argentina, Uruguai (onde gravou um belíssimo LP), Portugal, África e tal.
Divulgando o baião e outros gêneros de nossa música, Carmélia apresentou-se em dezenas e dezenas de países com Jimmy a seu lado. Levou a sério o "título" de rainha do baião dado por Gonzaga. Fez muito sucesso. Músicas que gravou continuam gravadas no inconsciente popular. Exemplos: Sabiá na gaiola, Trepa no Coqueiro…
A minha filha caçula Clarissa ama até hoje Sabiá na Gaiola…
E o tempo passou. Passando o tempo, no programa São Paulo Capital Nordeste que eu apresentava na Rádio Capital (AM 1040), num momento só és que eu estou lado a lado, ou no meio, com as rainhas Marinês, Carmélia e Anastácia.
De Gonzaga e parceiros, Carmélia gravou muitas músicas. E de Hervê também, até um LP só com músicas dele. Isso em 1959. Nesse ano, o
radialista Cezar Ladeira fez um rádio teatro abordando a vida de Carmélia e Jimmy. Título: Amor de Sua Vida. O único registro desse programa se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, num disco nunca levado comercialmente à praça.O Brasil precisa dar mais atenção aos seus artistas, não é mesmo?
Carmélia Alves Curvello morreu no Retiro dos Artistas, no Rio, abandonada, no dia 3 de novembro de 2012.
Jimmy Lester morreu no dia 13 de novembro de 1998.
Viva a rainha de todos os baiões, do samba ao frevo!
LEIA MAIS: FESTA NO CÉU COM O REI E RAINHA DO BAIÃO • CARMÉLIA DE BAIÃO TAMBÉM ERA DO FREVO • REIS DA MÚSICA CANTAM SÃO PAULO • AINDA CARMÉLIA ALVES
sábado, 11 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (1)
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| A cantora Carmélia Alves |
No auditório da rádio Jornal do Commercio em Recife, PE, fez uma apresentação histórica interpretando baiões e tudo mais. Foi em novembro de 1950. Fez um pot-pourri e saiu na boca do povo. Não demorou e Luiz Gonzaga, que emplacava um sucesso atrás do outro a partir do Rio, a chamou de rainha do baião e até simbolicamente a coroou como tal.
Não custa lembrar que Carmélia gostava de ouvir rádio e de cantar imitando até nos trejeitos a portuguesinha Carmen Miranda.
Carmélia, de batismo Carmélia Alves Curvello, tinha uns 17 anos de idade quando a princípio sem os pais saberem passou a frequentar auditórios e programas de calouros que se multiplicavam nas emissoras de rádio do Rio. Passou em todos até no Estrada de Jacó ou algo parecido, comandado pelo invocado mineiro Ary Barroso.
Em 1943 Carmélia gravou o primeiro disco: um 78rpm com as músicas Quem Dorme no Ponto é Chofer, de Assis Valente; e Deixei de Sofrer, de Horondino Silva e Buco do Pandeiro. Essa informação não acha na discografia da música brasileira (78rpm) e até onde sei em livro nenhum. Curiosidade: o referido disco foi todo produzido de modo independente com o flautista Benedito Lacerda à frente. Os cantores Chico Alves, Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro e a divina Elizeth Cardoso formaram um coro para acompanhar a brilhante estreante. O disco foi independente, está claro?
Mesmo fazendo bonito nos programas de calouro, Carmélia não conseguiu encantar de imediato os bam-bam-bans das gravadoras.
Carmélia deixou a casa dos pais três meses depois de conhecer o
paulista José Andrade Vilela Nascimento Ramos, com quem se casou no dia 27 de junho de 1944. Tempos de guerra e de dificuldades em todo canto, inclusive no Brasil. Carmélia cantou em quase todos os cassinos do Brasil, antes e depois de ficar famosa.
O presidente à época era o gaúcho Getúlio Vargas, substituído pelo marechal Dutra e por ordem da mulher Carmela achou por proibir o jogo de cassino no Brasil. Fato que mexeu profundamente com a vida dos artistas da época.Eu conheci Carmélia Alves num ano qualquer da década de 1990. Viramos amigos. Ela frequentava a minha casa e eu a dela em Teresópolis, RJ. Fui lá várias vezes. Ora sozinho, ora com o sanfoneiro cearense Cezar do Acordeon, com quem cheguei a dividir parceria numa música em homenagem à Carmélia. Homenagem em vida, né?
Tive ótimos papos com o marido da Carmélia. Vozeirão, voz bonita. Jimmy Lester além de cantar tocava vários instrumentos e produzia shows na vida. Sua carreira como cantor não durou muito. Porque não quis. Gravou bons discos, boas músicas. Gosto de Jangada, canção do maestro Hervê Cordovil e do radialista Vicente Leporace, gravada em 1952. Foi nesse ano em que eu nasci na capital paraibana. Ele trocou sua carreira para dedicar-se a sua mulher. Escreveu e dirigiu vários espetáculos dela no Brasil e no exterior. "Jimmy foi meu único homem. Minha vida com ele foi muito bonita, muito boa. Fomos marido e mulher durante 54 anos", disse-me uma vez Carmélia.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (59)
| O compositor Paquito |
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
E OS MANDANTES DO QUEBRA-QUEBRA EM BRASÍLIA, HEIN?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
FOME É TERREMOTO QUE MATA NO BRASIL
Há terremotos desde que o mundo é mundo. E continuam aqui e acolá a arrastar pessoas à morte, como agora na Turquia e na Síria. Mas não só de terremotos o mundo morre.
Como os terremotos, a fome é uma praga sem cura.
Há muita fome no continente africano e em outros lugares. No Brasil, por exemplo.
Pois é, no Brasil mais de 30 milhões de pessoas não sabem se vão comer hoje, amanhã ou sei lá!
Gente gananciosa continua metendo a mão no erário das três esferas: municipal, estadual e federal.
Gente gananciosa, sem espírito ou noção está matando índios e florestas.
Representantes das três armas já se acham na Amazônia prendendo ou botando pra correr madeireiros e garimpeiros que há anos vêm atuando ilegalmente na região. O detalhe é que esses caras estão se juntando em grupos para se apropriar dos mantimentos enviados aos indígenas.
As forças legais têm muito mapeamento de área.
Até agora já foram identificadas mais de 1.200 pistas clandestinas para pouso de aeronaves. É o começo do fim para os bandidos da área. Que assim seja!
Enquanto isso, policiais federais continuam cumprindo ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STE/STF, no sentido de prender os aloprados bolsonaristas que pretenderam impedir a posse de Lula como presidente da República.
Isso tudo também é uma espécie de terremoto no nosso país, né não?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
CRETINOS TAMBÉM SE MATAM
domingo, 5 de fevereiro de 2023
YANOMAMI: UMA TRAGÉDIA PROGRAMADA
Bernardo Guimarães, autor do clássico A Escrava Isaura, publicou em 1872 o conto Jupira, que ganharia o palco como ópera em 1900 no Rio de Janeiro. O maestro Francisco Braga (1868-1945), autor da melodia do Hino à Bandeira (letra de Olavo Bilac), foi o regente da história criada por Guimarães.
A questão indígena se acha em todo canto, literalmente. Até em samba de enredo e em marchinha de carnaval.
Em 1959 o maestro Villa-Lobos compôs a belíssima peça Forest of The Amazon. Gravada nos EUA, obteve sucesso mundial.
Dalgas Frisch foi a primeira pessoa a gravar trinados de pássaros da Amazônia, inclusive do uirapuru. Suas gravações viraram discos elogiados pela imprensa internacional e até pelo presidente norte-americano John Kennedy (1917-1963).
A fotógrafa Claudia Andujar inaugura nessa sexta-feira 3/2 exposição sobre os Yanomami, em Nova York. Claudia tem dedicado boa parte da sua vida registrando o dia a dia Yanomami.
A Polícia Federal está investigando os responsáveis por mais essa tragédia indígena.
LEIA MAIS: CANA PARA O GENOCIDA BOLSONARO! • O ÍNDIO MERECE RESPEITO… • A SOLIDÃO COMO OPÇÃO • DIA DO ÍNDIO E DE TODOS NÓS, BRASILEIROS • ÍNDIO NÃO QUER APITO • ÍNDIOS VIVEM À MÍNGUA
Ilustrações por Fausto Bergocce.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
JACKSON DO PANDEIRO NO TEATRO
Eu sou paraibano de João de Pessoa.
Jackson, de batismo José Gomes, era paraibano de Alagoa Grande.
A obra Jackson no Pandeiro é espetacular. Ele começou a gravar em 1953. Seu primeiro sucesso foi sua primeira gravação: Sebastiana. No seu tempo, gravavam-se discos de 78rpm. No acervo Instituto Memória Brasil, IMB, criado por mim e por mim dirigido, há tudo e muito mais a respeito de Jackson.
Agora foi que me toquei: se Jackson gravou a primeira música, um forró em 1953... Pois é: este ano completam-se 70 anos da primeira gravação musical do nosso grande ritimista. A respeito, não custa lembrar que o papa da Bossa Nova, João Gilberto, era fã de carteirinha de Jackson. Fica o registro.
Perdi meus olhos, a luz dos meus olhos.
Viva Jackson!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023
ABAIXO O MACHISMO!
Em entrevista a Kennedy Alencar da RedeTV! e UOL ontem 2, o presidente Lula da Silva foi questionado sobre afirmação de que não concorreriria às eleições de 2026. Respondendo ao repórter, lembrou que até lá estará com 81 anos de idade. Até aí tudo bem. O diacho é o que vem depois: "Eu só posso ser candidato com saúde perfeita, com 81 de idade, energia de 40 e tesão de 30".
A isso dá-se um nome: machismo.
Lula, aliás, é recorrente nessa questão. Num passado recente falou o que não vou falar agora.
O machismo é uma porcaria. Pega branco, pega preto, novo, velho, gordo, magro e, principalmente, pessoas sem educação e civilidade. Pena que isso ocorra também com o nosso presidente.
O presidente anterior, o porcaria Bolsonaro, foi não foi repete que é "imbroxável", "imorrível" e coisa e tal. Esse não tem salvação. Com jeito, Lula ainda pode se salvar. Digo isso porque a sociedade brasileira a todo dia se esclarece mais. E isso é importante.
Não à toa, as mulheres sofrem tanto nas unhas dos machões. Muitas e muitas apanham até a morte. Infelizmente.
O Brasil que queremos é um Brasil bonito, de pessoas que se respeitem mutuamente e que deem o real valor à educação e ao próximo. Sem isso fica difícil a convivência entre pessoas.
É isso.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
DEMOCRACIA E GLÓRIA MARIA
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023
PACHECO É REELEITO PRESIDENTE DO SENADO
NOSSA DEMOCRACIA ESTÁ VIVA
Hoje cedo acompanhei pelo rádio a solenidade de reinício dos trabalhos jurídicos no STF. Foram feitos quatro discursos. O primeiro coube à presidente do Supremo, Rosa Weber. Importantíssimo. Em vários momentos foram lembrados os ataques contra a democracia. Vândalos destruíram o que encontraram pela frente, no espaço onde se acham os prédios que simbolicamente representam os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Depois de Rosa Weber, discursou o inacreditável PGR, Augusto Aras.
Com a maior cara de pau do mundo, o bolsonarista PGR começou lembrando pateticamente alguém que ama alguém profundamente. E tascou: "Democracia eu te amo, te amo, te amo!". E sem se quer enrubescer, chegou a tecer loas à figura do filósofo italiano Norberto Bobbio. Pra quem não sabe ou lembra, Bobbio (1909-2004) foi um dos maiores intelectuais defensores da Democracia e direitos humanos no mundo. Sua obra é vasta e necessária para que entendamos os descalabros cometidos ou que se possam cometer contra as liberdades.
O Aras é uma vergonha à vida brasileira.
O terceiro discurso feito hoje no STF coube ao presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco. Sem muito brilho, mas ainda assim um bom discurso para o novo ano jurídico inaugurado na manhã de hoje.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse da necessidade de resolver os problemas do Brasil e do povo brasileiro. Voltou a falar do quebra-quebra de 8 de janeiro. Os envolvidos nessa tentativa de golpe pagarão por tudo que fizeram, garantiu. E garantiu também que todos os esforços, da parte do governo, estão sendo feitos para pôr fim definitivo aos crimes praticados até aqui contra os Yanomami. Isso quer dizer que garimpeiros e madeireiros que atuam ilegalmente na Amazônia serão todos postos pra correr. Cadeia neles!
Como se vê, o Brasil não é pra principiantes.
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
VIVA O BREGA BRAGA!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
HOJE É O DIA DA SAUDADE
LEIA MAIS: HOJE É DIA DE SAUDADE • SAUDADE É BOA E DOCE QUE NEM RAPADURA, MAS DÓI! • O QUE É SAUDADE? • VIVA A POESIA!
sábado, 28 de janeiro de 2023
A ARAPUAN E A HISTÓRIA DO RÁDIO NA PARAÍBA
Sob a direção geral de Otinaldo Lourenço, o Rádio Arapuan constituiu, durante o consulado militar, instrumento da mais autêntica resistência democrática.
É claro que esta deve ser considerada em termos. A certa altura, a emissora sabia que não poderia conceder passo em falso. Na reabertura, o próprio Governo advertira:
— Vocês tomem cuidado para evitar novo fechamento!
(Do livro A Arapuan e o Rádio Paraibano; pág. 103)
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| O documentarista Vladimir Carvalho |
A luta do padre foi titânica. Lutou, lutou e morreu na praia, triste e decepcionado pela indiferença dos homens poderosos de seu tempo, que poderiam ter reconhecido seus estudos científicos que apontavam o rádio como sua grande descoberta.
O louvor da invenção do rádio coube ao italiano Guglielmo Marconi.
No Brasil o rádio deu seus primeiros sinais de vida, oficialmente falando, no dia 7 de setembro de 1922. O presidente da República era o paraibano Epitácio Pessoa, cujo governo e o País comemoravam o 1° centenário do falacioso "grito do Ipiranga".
Para efeitos históricos, a primeira emissora de rádio a entrar no ar com um esboço de programação própria foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, no dia 20 de abril de 1923.
Em 1936 a Rádio Sociedade, que tinha à frente o cientista Roquette Pinto, seria doada ao governo Vargas e ganharia o nome de Rádio MEC.
A partir dos anos 30, o rádio começava a se espalhar pelo território nacional.
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| Enoque Pelágio |
No dia 16 de agosto de 1950 os paraibanos foram presenteados com a inauguração da Rádio Arapuan.
O novo livro do historiador José Octávio de Arruda Mello trata do que bem diz o título: A Arapuan e o rádio paraibano (Uma Biografia Dual).
Desde o título, passando pelo preâmbulo e dados finais, José Octávio mostra a importância de Otinaldo Lourenço, seu irmão, na radiodifusão paraibana. E à página 69, escreve:
Foi com Otinaldo Lourenço, na direção artística do Rádio Arapuan, em 1959, que teve início a mais ampla renovação do rádio paraibano.Começou na Tabajara, na área de esportes, e na Arapuan mostrou seu talento por completo. Foi inovador tanto na redação, reportagem e direção.
Não é demais afirmar que Otinaldo inovou na forma de transmitir notícias. Isso em áreas diversas. Esportiva, por exemplo. Formou ao lado de nomes importantes da imprensa local como Ivan Bezerra, Bernardo Filho e Vladimir Carvalho.
Pra quem não liga o nome à pessoa, necessário se faz dizer que o Vladimir aqui citado é o famoso e mais importante documentarista cinematográfico do Brasil, autor da pérola O País de São Saruê, baseada no folheto de cordel de Manoel Camilo (1905-1987).
O País de São Saruê foi um dos primeiros filmes nacionais censurados pela ditadura militar.
A Rádio Arapuan levava a seus ouvintes programas dos mais diversos: Dramas e Comédias da Cidade, por exemplo, com o repórter policial Enoque Pelágio (1934-1987) e Antena Política, com Otinaldo e seu irmão José.
Otinaldo Lourenço e José Octávio entrevistaram expressivos nomes da política brasileira, como Ulisses Guimarães, Abelardo Jurema, ex-ministro da Justiça e o general Costa e Silva que na ocasião, em 1967, soltou a gracinha: "Jornalista sem gravador é como soldado sem fuzil".
A religião também não ficou de fora da grade da emissora.
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| Otinaldo entrevista o general Costa e Silva |
Sem dúvida, afirmo com todas as letras que a Rádio Arapuan marcou época.
A Arapuan foi a primeira emissora do Brasil a dar em primeira mão a notícia do assassinato do presidente chileno Salvador Allende, no dia 11 de setembro de 1973. Furo!
O jornal Furo… Essa é outra história.
Otinaldo era natural de Surubim, PE, nascido em 1934. Foi, além de radialista, bacharel em Direito e professor da Universidade Federal da Paraíba, como o irmão José. Morreu no dia 13 de fevereiro de 2021, quando se comemora o dia mundial do rádio, criado pela UNESCO em novembro de 2011. Em abril de 2022 foi lançado um livro póstumo: A Revolução do Rádio na Paraíba e Anotações Autobiográficas.
Foto e reproduções Flor Maria e Anna da Hora
SÃO PAULO 469 ANOS
Nesse dia 25 de janeiro os paulistanos comemoram com ênfase o 469º aniversário de fundação. São Paulo é a cidade mais cantada do mundo em músicas de todos os gêneros: forró, baião, xote, xaxado, samba, rock, choro e tudo o mais. Eu mesmo cheguei a compor música em homenagem à Sampa. Jarbas Mariz e eu compusemos São Paulo Esquina do Mundo. Compus e interpretei Declaração de Amor a São Paulo. Sobre essa cidade, que tão bem me acolheu em 1976, já escrevi muita coisa e até uma exposição/ocupação fiz em 2012 intitulada Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, na unidade Sesc Santana/SP. Para o Newsletter Jornalistas&Cia escrevi o texto abaixo. Leia: SÃO PAULO EM MÚSICA, PROSA E VERSO
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
HÁ 100 ANOS NASCIA WALDIR AZEVEDO
LEIA MAIS: TÉO AZEVEDO HOMENAGEIA WALDIR AZEVEDO • WALDIR AZEVEDO, O MÁGICO DO CAVAQUINHO
RADAMÉS GNATTALI
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
HOJE É DIA DE BOSSA
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
PELÉ É BRASIL. PELÉ É SÃO PAULO!
LEIA MAIS: SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (1) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (2) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (3) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (4) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (5) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (6) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (7) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (8) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (9) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (10) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (11) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (12) • SÃO PAULO EM PROSA, VERSO E MÚSICA (FINAL) • PELÉ, UMA LENDA NA TERRA E NO CÉU • PELÉ ETERNO. VIVA PELÉ.
O BRASIL É "NUESTRA AMERICA"
Ei, ei, ei! Vem cá: hoje é 23 de janeiro. Faz, pois, 23 dias que Lula virou o novo presidente do Brasil. Se ele foi bom nas duas primeiras vezes, agora certamente será melhor.
Cego dos olhos hoje que sou, vejo e ouço em boa parte do rádio e da televisão coleguinhas cobrarem do governo Lula que agora está apenas começando. Isso não é certo!
Lula acaba de fazer a primeira visita oficial a um país. No caso, a Argentina.
Politicamente poderemos classificar a Argentina como um país de esquerda. E daí?
Bolsonaro estava fechando e fechou a sua posição política com países que tinham a ver com sua ideologia de prepotente matador. E não foram poucos. Turquia, inclusive.
Bolsonaro é assassino, genocida. E por isso certamente terá que pagar. Lei é lei.
A visita de Lula à Argentina, no meu ponto de vista foi necessária.
Não sou economista, não sou cousa nenhuma. Sou um jornalista que pergunta, que pergunta. E pergunto porque nada sei...
Lula na Argentina levou à discussão a possibilidade de se criar uma moeda para transações financeiras e comerciais. Nada a ver com o Euro.
A América Latina, a América do Sul, não pode estar isolada do mundo.
O Brasil é o quinto maior país do nosso planetinha, territorialmente falando.
Viva o Brasil!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2023
CANA PARA O GENOCIDA BOLSONARO!
Presidente também morre
De morte matada ou não
Lugar de quem não presta
É lá no fundo da prisão!
domingo, 22 de janeiro de 2023
PERSONA REPRISA TAIGUARA NA TV CULTURA
Logo mais às 21h será reprisado o programa Persona, da TV Cultura, que enfoca vida e obra do cantor e compositor Taiguara. Eu já vi e se você, meu amigo, minha amiga, ainda não o viu tem agora a oportunidade de ver. Anota aí, dia 22/01, às 21hs.
sábado, 21 de janeiro de 2023
EUCLIDES DA CUNHA MORRE EM DUELO DEPOIS DE DAR ENTREVISTA
Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados.Canudos invadida pelo cearense Antônio Conselheiro era uma região pobre, localizada no sertão baiano. Ninguém queria morar lá ou viver, só os miseráveis conselheiristas que não tinham onde cair mortos.
A ÚLTIMA ENTREVISTA
É ali, em Copacabana, ao rumor das ondas, numa casa batida pelo vento do mar e de janelas abertas para o azul do oceano, que Euclides da Cunha vive a sua existência extraordinária, do mais completo e do mais artista historiador brasileiro.Uma tarde, em que à rua do Ouvidor, falávamos de livros e de arte, ele me bateu amigavelmente nos ombros:
— Vai um domingo lá em casa, que diabo! Conversamos, almoçamos e depois sairemos descalços, a passear na praia.
Desde as primeiras páginas de Os Sertões que eu comecei a ter pelo historiador de Canudos a mais cega e comovida admiração. Não era admiração apenas, era mais — adoração — adoração por aquele escritor, que, imprevistamente, surgia onipotente e supremo, para o espanto de uma língua e de uma raça, por aquele narrador de guerra que de tão alto se punha para historiar todos os problemas da luta, pelo artista ruidoso e formidável, que abria uns novos painéis de arte robusta e essencialmente nossa, pelo paisagista incomparável. evocador, como nenhum outro, gigantesco, resplandecente, como ninguém.
Foi num domingo que lá estive. Era sol e era azul. A casa estava com as janelas abertas para o vento do mar, rumorejante da alegria das ondas, que, na areia se esfarelavam toda lavada do sol daquele domingo álacre.
Euclides é um simples como nunca vi assim. Quem o encontra na rua, magro, o rosto carregado, numa profunda concentração, não acredita o que pode haver de alegre, carinhoso e desprendido naquela alma. Quem devora as páginas rutilantes de Os Sertões imagina que ali está um escritor de sossego e método e que a obra foi feita com o maior dos métodos e o mais regular dos sossegos.
Nada disso. Nem uma coisa nem outra. Euclides nunca “se assentou”. A sua vida tem sido uma vida errante, ora aqui, ora ali, numa comissão, noutra, as malas sempre prontas, os livros dentro das malas. Ora em Minas, em São Paulo, no Amazonas, no Acre, em Canudos; de lápis na mão, enchendo de algarismos os livrinhos de notas, como engenheiro.
Ao que ele conta, desde estudante que o seu sonho é pousar; ter uma vida pacata, a sua casa, tudo em ordem, os seus livros arrumadinhos, a hora certa de começar o trabalho, a hora certa de terminá-lo, e hora certa de dormir. E nunca teve. A sua existência tem sido revolta, sem assento em lugar nenhum, irregular, imprevista, incerta, nômade, uma hora aqui, outra onde o diabo perdeu as botas, sempre carregado de trabalho, trabalhando noites além, um dia no costado de um cavalo, percorrendo sertões, outro medindo terras, outros suando, entre o fragor dos martelos, numa ponte que se constrói. Um horror!
— Continuo a ser o estudante que era. Tudo à revelia.
Ao entrar-se em casa de Euclides, a gente fica à vontade. Não parece que se está em frente de um dos máximos prosadores de uma língua, mas sim de um rapaz amigo, de um velho camarada com quem se viveu larga quadra, de um companheiro que nos fala de suas coisas como se fossem nossas, uma dessas criaturas que vão, logo à primeira vista, espavorindo a cerimônia, e a quem a gente se sente mal de dar até o tratamento de “senhor”.
E o que é curioso, o que mais ressalta e o que mais comove, é a profunda modéstia de Euclides. Isso dele ser o mais completo dos nossos historiadores, o artista extraordinário, o escritor surpreendente, o paisagista formidável, isso, somos nós aqui fora que o dizemos. Ele, ele é que não está convencido disso. A sua modéstia é orgânica. Os Sertões para ele nada tem de extraordinário. É um livro como outro qualquer.
Aquelas páginas assombrosas cheias daquele fragor e daquela comburência de frase, daqueles painéis faustosos, que nos fazem vibrar e arder de entusiasmo e de orgulho, para ele são páginas rasteiras, cobertas de defeitos. De defeitos!
— De defeitos, sim! — confirma Euclides, muito espantado de ninguém ter dado por isso. — Aqui estão eles. Na nova edição de Os Sertões fiz seis mil emendas. Não se diga que sejam erros de revisão, são defeitos meus, só meus. E mostrou-nos o livro, onde em cada página aparecem pelo menos três remendos. — Hei de consertar isto por toda a vida. Até já nem abro Os Sertões porque fico sempre atormentado, a encontrar imperfeições a cada passo.
É ao almoço, numa sala para o mar, enquanto o vento da praia agita os guardanapos, que Euclides me conta como escreveu Os Sertões.
Estava por esse tempo em São José do Rio Pardo, reconstruindo uma ponte. Era um trabalhar sem conta, noite e dia, ele ali a dirigir as obras, sempre à frente, no tumulto dos operários.
A ponte construída por outros engenheiros havia uma noite desabado desastrosamente e o governo de São Paulo convidara-o a reconstruí-la.
A obra era da mais alta responsabilidade, principalmente depois do desastre. Euclides, por amor próprio, em respeito à sua carta de engenheiro, estava sempre à tese de tudo. Morava numa casinha a dois passos das obras e passava os dias, em cálculos, a lutar com os xx da matemática. Foi aí que veio a ideia de escrever Os Sertões.
Um livro daquele peso toda gente tem a impressão de que o seu autor escreveu-o cercado de volumes para consultar. Não foi assim. Euclides não tinha um livro consigo, nem um volume de geologia. Nada.
Mas assim mesmo atirou-se. A todo o momento tinha que levantar-se, para vir ver a marcha do trabalho da ponte, que se ia erguendo, quando estava num trecho, desses com que os escritores se torturam e dão um pedaço de vida para acabá-Io, eis que um operário vinha chamá-lo para resolver uma dificuldade. Apesar disso Os Sertões iam caminhando. À tarde o juiz de direito, o presidente da Câmara Municipal, mais duas ou três pessoas de Rio Pardo, reuniam-se à casinha de Euclides, para ouvir o folhetim.
Ele lia então as tiras que havia escrito durante o dia. Dentre as pessoas que vinham ouvi-lo havia um paulista conhecedor d’Os Sertões; um desses talentos fulgurantes, estupendos que nunca são coisa alguma porque nunca entraram numa escola. Esse homem tinha cócegas de escritor. Tinha lá os seus versos, as suas tiras de papel cheias de rascunhos literários. Euclides da Cunha falou que ia descrever o estouro de boiada, dos quadros mais épicos e mais sinistros dos campos e matas brasileiros.
Nunca havia visto o estouro; sabia-o apenas por informação, por ouvir contar. O paulista vira diversos, estava “cansado de ver”, dizia ele.
— E se seu doutor quiser, seu doutor escreve, eu escrevo também e vamos ver quem é que faz mais perfeito.
Euclides teve, deveras, medo daquela proposta. Atirou-se à descrição, receoso de ser derrotado. No outro dia, à tarde, o matuto apresentou-se corajosamente, com as suas tiras de papel. O juiz de direito, o presidente da Câmara, as duas ou três pessoas de Rio Pardo esperavam o duelo.
— Leia!
— Leia o doutor primeiro!
Euclides leu. Leu aquela descrição incomparável, assombrosa, que nós todos conhecemos n’ Os Sertões. E ao terminar voltou-se para o homem.
— Leia!
— Qual, nada seu doutor. Olhe ali.
No chão, as tiras do pobre homem estavam aos pedacinhos, esfrangalhadas.
— Eu vou então ler alguma coisa depois disso?! Não é possível, não é possível, que o senhor não tenha visto pelo menos cem “estouros de boiada”.
E no meio da barulhada infernal dos martelos, das travas de ferro, dos foles, Os Sertões caminhavam. Quando a ponte ficou concluída, o livro estava concluído também. Ninguém sabia nesse tempo que Euclides era escritor. Ele apenas se havia mostrado no Estado de S. Paulo, numas crônicas, ligeiras, com as iniciais. Tinha medo da publicidade. Mas resolveu a publicá-lo. O juiz de direito, o presidente da Câmara de Rio Pardo, o matuto do “estouro” haviam-lhe dito que o livro era bom. Foi a São Paulo e levou-o ao Estado, para publicá-lo em folhetins. O maço de tiras era enorme. Isso parece que espantou. Seis meses depois, ao voltar a São Paulo e ao subir à redação do Estado, lá encontrou, num canto, o seu embrulho de tiras, empoeirado. Pô-lo debaixo do braço, e veio ao Rio de Janeiro. Não conhecia aqui nenhum escritor, a não ser Lúcio de Mendonça. Lúcio de Mendonça procurou-lhe editor. O escritor era desconhecido e o volume de tiras assustava. Os editores torciam o nariz.
O Jornal do Commercio não quis a obra para folhetins. Afinal o velho Masson da casa Laemmert, depois de muito pensar e de muito vacilar, disse que ficava com o rodo de tiras. Entra o livro no prelo. Meses depois Euclides, que por essa feita estava em Lorena, ao chegar à Companhia Tipográfica, à rua dos Inválidos, abrindo ao acaso um volume, lá encontrava um a com uma crase intrusa, adiante uma vírgula de mais, etc., etc. Ele estava nesse tempo atacado de uma neurastenia profunda. Aquela crase, aquela vírgula, aqueles outros erros, pareceram-lhe grandes blocos de pedra, que vinham atacar o seu nome. Que horror! E a ponta de canivete (parece mentira, mas verdade), em dois mil volumes, Euclides raspou oitenta erros. Foram cento e sessenta mil emendas! Levou dias e dias nessa trabalheira gigantesca. Os operários da tipografia estavam assombrados com aquilo. Ele passava os dias, as noites curvado sobre os volumes, a raspar com a pontinha do canivete. Só acabou na véspera da chegada do barão do Rio Branco, em dezembro de 1902. O livro ia ser posto à venda no dia seguinte. Um estranho pavor se apoderou de Euclides. Tinha certeza de que a obra ia ser um desastre. E pediu ao editor que retardasse a venda para daí a três ou quatro dias. E tocou-se para Lorena.
O seu pavor tinha crescido estupendamente, tanto que, chegando a Lorena à meia-noite, às três da manhã estava de viagem. Para onde? Sabia lá! O que ele queria era fugir, esconder-se no fim do mundo, não ver mais ninguém, rasgar o livro, não ter notícias do desastre. E andou oito dias a cavalo pelo interior de São Paulo, sem destino. O que lhe passava pelo espírito era curioso: via-se inteiramente achatado, a sua reputação de engenheiro por terra, o seu nome espatifado nas crônicas dos jornais.
— Para que me fui meter eu nisso, senhores!
Ao chegar aos pousos do sertão, onde os sertanejos vinham recebê-la ao terreiro, para hospedá-lo, as reflexões que lhe acudiam eram interessantes.
— Ora veja, dizia, esses homens me tinham em tão boa conta!
Ao fim de oito dias sentiu saudade da família. Do livro não tinha a mais vaga notícia. Mas via-se servindo de troça nas rodas literárias da rua do Ouvidor, o editor desesperado com a bucha, a mandá-lo para o inferno. Chegou a Taubaté, de volta, empoeirado, à tarde. Depois da chegada do trem do Rio, seguia um expresso para Lorena. Enquanto esperava o expresso, foi comer alguma coisa, no restaurante da estação. Chega o trem do Rio. Uma multidão de passageiros salta e corre para o restaurante. Entre eles um homem alto, barbado, de guarda-pó e um livro debaixo do braço. Euclides tem um sacolejão. Se não se enganava tinha visto Os Sertões, sob o braço do homem. Parece que foi alguma mola que o fez levantar-se. Chegou-se ao tipo, sacudido de emoção:
— O senhor pode deixar-me ver esse livro?
O senhor fitou-o, mediu-o e sério, desconfiado da má vontade, estendeu-lhe mudamente o livro, sem largá-lo. Era Os Sertões.
— Obrigado.
O seu desejo foi atirar-se ao sujeito e abraçá-lo. Mas voltou para a sua mesa e pôs-se a pensar e repensar. O livro estaria fazendo sucesso? Teria sido bem sucedido? Os jornais o que estariam dizendo? E a figura do passageiro de guarda-pó surgia-lhe à imaginação. Aquele sujeito não tinha cara de gostar de ler. Se estava lendo seu livro é porque estava gostando. Quem sabia se aquilo não era apenas ostentação, vaidade de mostrar-se aos outros passageiros do trem como leitor de um livro grosso! Poderia ser! Mas como foi que ele comprou o livro? O volume custava dez mil-réis. Só se dão dez mil-réis por um livro, quando se sabe, ou se ouve dizer, que esse livro é bom. Se aquele homem comprou, é porque ouviu dizer, ou por um amigo ou pelos jornais. Mas podia ser que aquilo fosse um presente. Podia. E o sujeito estaria gostando? Se ele não estivesse, ao saltar do trem para tomar um refresco na estação, deixaria o volume no seu banco. Se o trouxe debaixo do braço era porque o livro lhe era precioso. Mas também podia ser que fizesse aquilo para que não lho roubassem. Mas um livro ninguém se importa que carreguem com ele.
E nesse torturar de espírito, Euclides chegou a Lorena. Esperavam-lhe jornais e cartas. Cartas do editor. Do editor havia duas. Abriu uma por acaso, por felicidade era a segunda. Nessa carta, o editor dizia que estava assombrado com a venda do livro e que em oito dias estava quase esgotado um milheiro; contava-lhe do sucesso, das críticas dos jornais, do barulho que a obra estava fazendo. A outra carta, a primeira, era esmagadora. O editor confessava-se-lhe redondamente arrependido de tê-lo editado, dizia que não havia vendido um único volume e mais: que, sendo cada volume pelo preço de dez mil-réis, mandara oferecer aos “sebos” da rua de São José por cinco e nem um só aceitara.
— Se eu tivesse lido essa carta em primeiro lugar, parece que morreria, conclui Euclides, sorrindo.
É essa a história da obra máxima da nossa literatura. A profunda modéstia de Euclides é orgânica. Com a publicação de Os Sertões, quem mais se espantou foi ele. Nós nos espantamos de ver que a nossa raça já tinha um escritor, que atingira ao mais alto grau da perfeição. Ele se espantou ao saber que esse escritor era ele.
V. C.
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