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terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
NOTA 10 PARA A EXPEDITA DE LAMPIÃO!
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
ATENÇÃO: FILHA DE LAMPIÃO DESFILA NA SAPUCAÍ, AOS 90 ANOS
Baseados principalmente na literatura de cordel, Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz e Renne Barbosa compuseram o enredo do samba O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida, que a escola Imperatriz Leopoldinense leva à Sapucaí lá pelo meio da próxima madrugada 21. O enredo começa assim:
Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia
Tal qual barro feito a mão misturado na areia
Quando a sanfona chora, mandacaru aflora
Bate zabumba tocando no meu coração
Leopoldinense, cangaceira é minha escola
Eis o destino do valente Lampião!
Essa não é a primeira vez que Lampião, de batismo Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), é tema de escolas de samba do Rio-São Paulo e de outros Estados. Cheguei a entrevistar DonaMocinha (1910-2012), última irmã do cabaço Lampa. Essa também não foi a primeira vez que i famoso cangaceiro pernambucano entra no vasto repertório da nossa música popular. Em Portugal ele virou ópera popular, ao lado do também celerado Zé do Telhado.
A Imperatriz Leopoldinense exibirá em destaque a única filha do Rei do Cangaço, Expedita Ferreira Nunes. O enredo ela o aprovou completamente e aceitou naturalmente o convite para desfilar na avenida.
Expedita vai completar 91 anos de idade no próximo 13 de setembro. Está, pois, com 90 anos.
A mulher com mais idade a desfilar numa escola de samba foi a nossa maior cantora lírica da história: Balduína de Oliveira Sayão, na arte Bidu Sayão. Tinha 93 anos de idade quando desfilou pela escola Beija-Flor de Nilópolis, no dia 25 de fevereiro de 1995.
Antes de Bidu ir à avenida, como tema de samba-enredo, desfilou pela Viradouro a humorista e atriz Dercy Gonçalves (1907-2008). Isso em 1991, quando tinha 84 anos de idade.
Essas jovens de idade a mais do que o natural são, de fato, incríveis.
A história do nordeste é tudo a ver com a história de Lampião e Luiz Gonzaga. À propósito, na última madrugada a escola Mancha Verde apresentou-se no sambódromo do Anhembi, SP. Tema: Oxente - Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil. Fala de Luiz Gonzaga.
Ouça o enredo da Imperatriz Leopoldinense:
LEIA MAIS: MARIA BONITA É CRIAÇÃO DE JORNALISTAS • CANGAÇO E CONGRESSO DE CANGACEIROS
FORRÓ NATIVA
Hoje 20 ali pelo meio da madrugada, ouvi os irmãos Expedito e Amorim Filho tecerem loas sobre o trabalho de pesquisa no campo da cultura popular que desenvolvo desde sempre. Os dois, famosos como Mano Novo e Mano Véio, tomaram por base textos que escrevi a respeito da história do Carnaval. Isso no programa que apresentam madrugada adentro e há anos na rádio Nativa FM (93.5). Fico grato aos dois pela deferência e pelas belas palavras a mim dirigidas.Expedito e Amorim Filho há muito labutam no rádio paulistano. Estive várias vezes no programa Nas Quebradas do Sertão, que apresentavam ao vivo na Velha Bandeirantes. O Nordeste se acha por inteiro na cabeça e no coração desses dois craques a quem os nordestinos de boa cepa devem muito, culturalmente falando.
domingo, 19 de fevereiro de 2023
CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (2, FINAL)
Eu sempre procurei ouvir artistas que enriquecem ou enriqueceram a nossa música popular.
Em fevereiro de 1990 publiquei entrevistas no Jornal de Brasília. Foram três. A primeira foi com João de Barro, o Braguinha, autor de clássicos do carnaval. É dele Touradas em Madri. é dele também, junto com Pixinguinha a pérola Carinhoso. A segunda foi com Zé Keti autor da última grande marcha-rancho Máscara Negra, com Pereira Matos. A terceira foi com Nássara. É dele e Haroldo Lobo a marchinha Alá-lá-ô, tornada clássica desde o seu lançamento em 1941.
Uma vez, fazendo pesquisa na biblioteca pública do Porto, deparei-me com uma notícia publicada num velho jornal português dando conta de que as primeiras manifestações carnavalescas no Brasil ocorreram bem no início do século 17. Notícia pequena, curtinha.
Uma notinha aqui, outra ali em jornais encontrados na Biblioteca Nacional dão conta de que o carnaval por aqui surgiu timidamente. Primeiramente em ambientes fechados. Bailes e tal. O primeiro desses bailes acorreu em 1840, no Rio. E foram se multiplicando e chegaram às ruas. O Zé Pereira saiu numa espécie de bloco do Eu Sozinho, batendo bombo.
Em 1899, à compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga coube a façanha de assinar a primeira marchinha de carnaval, Ó Abre Alas, que teria trechos gravados em disco da Casa Edison. A gravação completa porém só seria feita em 1972, pelas irmãs Linda e Dircinha Batista.
A primeira escola de samba de que se tem notícia é Deixa Falar, de 1928. A mais antiga, ainda em atividade, é a Portela que sai este ano de 2023 contando a sua história de 100 anos com o enredo O Azul Vem do Infinito.
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O carnaval tem sido ao longo do tempo objeto dos mais variados estudos. À respeito, muitos livros já foram publicados. Mas faltava um que tratasse de publicações periódicas, como jornais e revistas. E aí, em 2000, o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão (1928-2021) teve publicado pela Hedra o livro A Imprensa Carnavalesca no Brasil, cuja leitura recomendo.
Muitas coletâneas em disco, abordando a temática, também foram lançadas à praça. Entre essas Sempre Carnaval, caixa que traz seis LPs e um encarte contando um pouco da história do chamado “tríduo momesco”.
CARNAVAL DE BILAC
A crônica é um gênero jornalístico surgido na segunda parte do século 19. O jornalista, poeta e contista carioca Olavo Bilac (1865-1918) foi um craque nesse campo. Entre 1898 e 1908, ele publicou semanalmente no jornal Gazeta de Notícias crônicas que seriam publicadas no livro Ironia e Piedade, em 1916. Nesse livro ele publica a deliciosa Carnaval. Começa assim, à pág. 119:Mascarados, sede bemvindos ! — diz em Romeu e Julieta o velho Capuleto — já houve um tempo em que eu também me mascarava, para murmurar amáveis lisonjas ao ouvido das mulheres bonitas !» Quasi todos os velhos cariocas podem dizer o mesmo, porque no Rio de Janeiro o Carnaval já foi a grande festa da cidade, a festa que congregava no mesmo delírio todas as classes e todas as idades.
Muita gente séria, antigamente, suspirava todo o anno pela chegada d'essa época feliz.
É que havia logares a que não podia ir, sem grave escândalo, o burguez prudente. [...]
Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora
sábado, 18 de fevereiro de 2023
CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (1)
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| Assis e Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste |
No começo da segunda metade de 1918, a denominada “gripe espanhola” chegou ao Brasil pelos portos de Recife, Rio e São Paulo. Rapidamente a praga pegou. Matou muita gente por cá e alhures. Ao fim e a cabo, pelo menos 500 milhões de pessoas foram a óbito. Isso significou algo como ¼ da população mundial. Muita gente importante pegou essa gripe. O poeta Olavo Bilac morreu disso, em dezembro daquele ano.
O carnaval de 1919 foi uma barbaridade em todos os sentidos. Houve suicídios, estupros, balas...
Este ano de 2023 é, a rigor, o primeiro carnaval pós-pandemia Covid-19.
Evoé!
O carnaval é a festa popular de maior ressonância no Brasil. Foi trazida por portugueses cerca de um século depois de terem nos encontrado na pele dos indígenas. Éramos mais ou menos cinco milhões de almas de etnias diversas. Sobraram poucas. Pilantras de todos os tipos e patentes não se cansam de chafurdar nas terras dos nossos originários, pondo-os numa situação de risco grave, gravíssima, mas essa é outra história.
Carnaval: carne levare, carnivale, carnaval...
Não dá pra cravar com exatidão o mês e o ano em que nasceu o carnaval. Há quem diga que tem origens na Antiguidade. Pagã. Há também quem diga o contrário, ou seja: na Era iniciada com o nascimento de Jesus. Idade Média ou sei lá! O fato é que o carnaval, tal como o conhecemos, surgiu mesmo foi no Brasil.
Em país algum o carnaval é tão colorido e sensual como o carnaval do Brasil. É um carnaval bonito, extraordinariamente bonito, com sotaques e gingas pontuais de norte a sul.
O carnaval no Nordeste tem um quê a mais que outros carnavais do país.
No Sudeste, notadamente no Rio e em São Paulo, as escolas de samba são a grande atração.
Recife, chamada de Veneza brasileira, apresenta um carnaval peculiar e por isso mesmo inesquecível com seus grupos de maracatu e cirandas. Sem falar no famoso Galo da Madrugada com aqueles bonecões representando personagens do bem e do mal que pululam na vida nacional. E tem o frevo.
O frevo pernambucano é alegre, bonito, incomparável.
O pai do frevo sempre foi pra mim o inimitável Capiba, de batismo Lourenço da Fonseca Barbosa. A propósito cheguei a perguntar a Capiba se ele mesmo se considerava o pai desse inebriante ritmo. Rindo disse que não, que não era pai de nada. Mas quisesse ou não, compôs frevos incríveis. Chapéu de Sol Aberto, por exemplo. Esse frevo chegou a dar título a um LP, cuja capa foi ilustrada (vejam só!) por ele próprio.
Há uns 30 anos entrevistei Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste, que eu apresentava na Rádio Atual. Duas horas de papo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
ESCOLAS CONTAM HISTÓRIAS DO NORDESTE. PORÉM, A DESEJAR
HOJE É DIA MUNDIAL DO GATO. E AÍ?
No calendário nacional e estrangeiro existe dia pra tudo. Dia de santo tal, dia do herói não-sei-quem, dia da independência não sei da onde, Dia da Paz Mundial, que é no dia 1º de janeiro. Existe dia pra tudo. Dia do Samba, Dia do Choro, Dia da Poesia, Dia da Literatura Infantil, Dia disso e daquilo. Até Dia do Gato existe.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
AINDA SEM FINAL O CASO NERUDA
A polêmica aumenta: foi assassinado ou vítima de câncer de próstata, no dia 23 de setembro de 1973?
Ontem 15 à tarde o advogado Rodolfo Reyes, que representa a família no processo contra o Estado chileno, garante que os laudos de que dispõe comprovam que no poeta foi injetada uma substância desconhecida.
Depois de exumado, em 2012, no corpo de Neruda foi encontrada uma bactéria conhecida como "Clostridium botulinum", cuja toxina causa botulismo.
Eu não sei bem o que é isso, mas sei que isso mata.
A juíza designada para acompanhar o caso, Paola Plaza, acha insuficientes as informações que lhes chegaram às mãos. E disse em entrevista coletiva: "Não posso assumir a responsabilidade pelo que está circulando na imprensa e se algum dos participantes teve conhecimento prévio".
O sobrinho-neto do poeta, Bernardo Reyes, disse por sua vez que "A conclusão científica não poderá determinar sua associação com um ato homicida. Sem mencionar que até 1973 ainda não havia no país, durante a ditadura, um desenvolvimento de assassinatos com técnicas químicas".
Bernardo Reyes aproveitou a ocasião pra dizer que seus parentes são "porta-vozes arrogantes, que sequer representam a família".
Isso tudo vem à baila depois que o motorista de Neruda, Manuel Arayas, revelou em 2012 que logo após receber a injeção que provavelmente lhe causou a morte, o poeta lhe telefonou para dizer que estava sentindo sintomas estranhos no corpo.
É grande e valorosa a obra do poeta chileno, traduzida em várias línguas mundo afora.
Ditadura é um horror!
PRISÃO PARA BOLSONARO
Enquanto isso o Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, encaminha abaixo assinado ao STF pedindo a prisão do candidato a ditador do Brasil, Jair Bolsonaro, que se acha escondido em local qualquer dos EUA. No documento há cerca de 300 mil assinaturas. À respeito diz o deputado federal Guilherme Boulos:
"Bolsonaro anunciou que voltará ao Brasil em março, esperamos que volte mesmo para responder no banco dos réus pelos crimes que cometeu. Além de tudo, ele é muito covarde. Passou quatro anos desacreditando o sistema eleitoral e estimulando o golpismo no Brasil, defendendo AI 5, ditadura, tentando transformar torturador em herói. Nosso pedido é de reparação. Não é vingança, é justiça. Nenhuma ferida cicatriza se não houver reparação. Por isso, viemos entregar as quase 300 mil assinaturas que apoiam o nosso pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como forma de reforçar o pedido que já fizemos ao Supremo Tribunal Federal. Prisão para Jair Bolsonaro, aos milicianos, aos golpistas".
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
MATARAM NERUDA, NERUDA VIVE!
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| Pablo Neruda no Pacaembu |
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
O RÁDIO JÁ TEM SAMBA
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar
Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar
Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar
Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão
O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro
Estou ficando moderno. Até instagram agora eu tenho. E no pique. Confira, clicando: https://www.instagram.com/assis_angelo/
domingo, 12 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (2, FINAL)
Gostava de ler. Érico Veríssimo era um de seus grandes autores. Gostava da música erudita: Bahr, Beethoven…
Não foram poucos os discos que Carmélia gravou. Dezenas, dezenas. Seu repertório é extenso. E cantava onde tinha gente pra ouví-la. Gravou discos em vários países: na Rússia, Alemanha, Itália, EUA, Argentina, Uruguai (onde gravou um belíssimo LP), Portugal, África e tal.
Divulgando o baião e outros gêneros de nossa música, Carmélia apresentou-se em dezenas e dezenas de países com Jimmy a seu lado. Levou a sério o "título" de rainha do baião dado por Gonzaga. Fez muito sucesso. Músicas que gravou continuam gravadas no inconsciente popular. Exemplos: Sabiá na gaiola, Trepa no Coqueiro…
A minha filha caçula Clarissa ama até hoje Sabiá na Gaiola…
E o tempo passou. Passando o tempo, no programa São Paulo Capital Nordeste que eu apresentava na Rádio Capital (AM 1040), num momento só és que eu estou lado a lado, ou no meio, com as rainhas Marinês, Carmélia e Anastácia.
De Gonzaga e parceiros, Carmélia gravou muitas músicas. E de Hervê também, até um LP só com músicas dele. Isso em 1959. Nesse ano, o
radialista Cezar Ladeira fez um rádio teatro abordando a vida de Carmélia e Jimmy. Título: Amor de Sua Vida. O único registro desse programa se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, num disco nunca levado comercialmente à praça.O Brasil precisa dar mais atenção aos seus artistas, não é mesmo?
Carmélia Alves Curvello morreu no Retiro dos Artistas, no Rio, abandonada, no dia 3 de novembro de 2012.
Jimmy Lester morreu no dia 13 de novembro de 1998.
Viva a rainha de todos os baiões, do samba ao frevo!
LEIA MAIS: FESTA NO CÉU COM O REI E RAINHA DO BAIÃO • CARMÉLIA DE BAIÃO TAMBÉM ERA DO FREVO • REIS DA MÚSICA CANTAM SÃO PAULO • AINDA CARMÉLIA ALVES
sábado, 11 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (1)
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| A cantora Carmélia Alves |
No auditório da rádio Jornal do Commercio em Recife, PE, fez uma apresentação histórica interpretando baiões e tudo mais. Foi em novembro de 1950. Fez um pot-pourri e saiu na boca do povo. Não demorou e Luiz Gonzaga, que emplacava um sucesso atrás do outro a partir do Rio, a chamou de rainha do baião e até simbolicamente a coroou como tal.
Não custa lembrar que Carmélia gostava de ouvir rádio e de cantar imitando até nos trejeitos a portuguesinha Carmen Miranda.
Carmélia, de batismo Carmélia Alves Curvello, tinha uns 17 anos de idade quando a princípio sem os pais saberem passou a frequentar auditórios e programas de calouros que se multiplicavam nas emissoras de rádio do Rio. Passou em todos até no Estrada de Jacó ou algo parecido, comandado pelo invocado mineiro Ary Barroso.
Em 1943 Carmélia gravou o primeiro disco: um 78rpm com as músicas Quem Dorme no Ponto é Chofer, de Assis Valente; e Deixei de Sofrer, de Horondino Silva e Buco do Pandeiro. Essa informação não acha na discografia da música brasileira (78rpm) e até onde sei em livro nenhum. Curiosidade: o referido disco foi todo produzido de modo independente com o flautista Benedito Lacerda à frente. Os cantores Chico Alves, Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro e a divina Elizeth Cardoso formaram um coro para acompanhar a brilhante estreante. O disco foi independente, está claro?
Mesmo fazendo bonito nos programas de calouro, Carmélia não conseguiu encantar de imediato os bam-bam-bans das gravadoras.
Carmélia deixou a casa dos pais três meses depois de conhecer o
paulista José Andrade Vilela Nascimento Ramos, com quem se casou no dia 27 de junho de 1944. Tempos de guerra e de dificuldades em todo canto, inclusive no Brasil. Carmélia cantou em quase todos os cassinos do Brasil, antes e depois de ficar famosa.
O presidente à época era o gaúcho Getúlio Vargas, substituído pelo marechal Dutra e por ordem da mulher Carmela achou por proibir o jogo de cassino no Brasil. Fato que mexeu profundamente com a vida dos artistas da época.Eu conheci Carmélia Alves num ano qualquer da década de 1990. Viramos amigos. Ela frequentava a minha casa e eu a dela em Teresópolis, RJ. Fui lá várias vezes. Ora sozinho, ora com o sanfoneiro cearense Cezar do Acordeon, com quem cheguei a dividir parceria numa música em homenagem à Carmélia. Homenagem em vida, né?
Tive ótimos papos com o marido da Carmélia. Vozeirão, voz bonita. Jimmy Lester além de cantar tocava vários instrumentos e produzia shows na vida. Sua carreira como cantor não durou muito. Porque não quis. Gravou bons discos, boas músicas. Gosto de Jangada, canção do maestro Hervê Cordovil e do radialista Vicente Leporace, gravada em 1952. Foi nesse ano em que eu nasci na capital paraibana. Ele trocou sua carreira para dedicar-se a sua mulher. Escreveu e dirigiu vários espetáculos dela no Brasil e no exterior. "Jimmy foi meu único homem. Minha vida com ele foi muito bonita, muito boa. Fomos marido e mulher durante 54 anos", disse-me uma vez Carmélia.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (59)
| O compositor Paquito |
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
E OS MANDANTES DO QUEBRA-QUEBRA EM BRASÍLIA, HEIN?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
FOME É TERREMOTO QUE MATA NO BRASIL
Há terremotos desde que o mundo é mundo. E continuam aqui e acolá a arrastar pessoas à morte, como agora na Turquia e na Síria. Mas não só de terremotos o mundo morre.
Como os terremotos, a fome é uma praga sem cura.
Há muita fome no continente africano e em outros lugares. No Brasil, por exemplo.
Pois é, no Brasil mais de 30 milhões de pessoas não sabem se vão comer hoje, amanhã ou sei lá!
Gente gananciosa continua metendo a mão no erário das três esferas: municipal, estadual e federal.
Gente gananciosa, sem espírito ou noção está matando índios e florestas.
Representantes das três armas já se acham na Amazônia prendendo ou botando pra correr madeireiros e garimpeiros que há anos vêm atuando ilegalmente na região. O detalhe é que esses caras estão se juntando em grupos para se apropriar dos mantimentos enviados aos indígenas.
As forças legais têm muito mapeamento de área.
Até agora já foram identificadas mais de 1.200 pistas clandestinas para pouso de aeronaves. É o começo do fim para os bandidos da área. Que assim seja!
Enquanto isso, policiais federais continuam cumprindo ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STE/STF, no sentido de prender os aloprados bolsonaristas que pretenderam impedir a posse de Lula como presidente da República.
Isso tudo também é uma espécie de terremoto no nosso país, né não?
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
CRETINOS TAMBÉM SE MATAM
domingo, 5 de fevereiro de 2023
YANOMAMI: UMA TRAGÉDIA PROGRAMADA
Bernardo Guimarães, autor do clássico A Escrava Isaura, publicou em 1872 o conto Jupira, que ganharia o palco como ópera em 1900 no Rio de Janeiro. O maestro Francisco Braga (1868-1945), autor da melodia do Hino à Bandeira (letra de Olavo Bilac), foi o regente da história criada por Guimarães.
A questão indígena se acha em todo canto, literalmente. Até em samba de enredo e em marchinha de carnaval.
Em 1959 o maestro Villa-Lobos compôs a belíssima peça Forest of The Amazon. Gravada nos EUA, obteve sucesso mundial.
Dalgas Frisch foi a primeira pessoa a gravar trinados de pássaros da Amazônia, inclusive do uirapuru. Suas gravações viraram discos elogiados pela imprensa internacional e até pelo presidente norte-americano John Kennedy (1917-1963).
A fotógrafa Claudia Andujar inaugura nessa sexta-feira 3/2 exposição sobre os Yanomami, em Nova York. Claudia tem dedicado boa parte da sua vida registrando o dia a dia Yanomami.
A Polícia Federal está investigando os responsáveis por mais essa tragédia indígena.
LEIA MAIS: CANA PARA O GENOCIDA BOLSONARO! • O ÍNDIO MERECE RESPEITO… • A SOLIDÃO COMO OPÇÃO • DIA DO ÍNDIO E DE TODOS NÓS, BRASILEIROS • ÍNDIO NÃO QUER APITO • ÍNDIOS VIVEM À MÍNGUA
Ilustrações por Fausto Bergocce.
sábado, 4 de fevereiro de 2023
JACKSON DO PANDEIRO NO TEATRO
Eu sou paraibano de João de Pessoa.
Jackson, de batismo José Gomes, era paraibano de Alagoa Grande.
A obra Jackson no Pandeiro é espetacular. Ele começou a gravar em 1953. Seu primeiro sucesso foi sua primeira gravação: Sebastiana. No seu tempo, gravavam-se discos de 78rpm. No acervo Instituto Memória Brasil, IMB, criado por mim e por mim dirigido, há tudo e muito mais a respeito de Jackson.
Agora foi que me toquei: se Jackson gravou a primeira música, um forró em 1953... Pois é: este ano completam-se 70 anos da primeira gravação musical do nosso grande ritimista. A respeito, não custa lembrar que o papa da Bossa Nova, João Gilberto, era fã de carteirinha de Jackson. Fica o registro.
Perdi meus olhos, a luz dos meus olhos.
Viva Jackson!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023
ABAIXO O MACHISMO!
Em entrevista a Kennedy Alencar da RedeTV! e UOL ontem 2, o presidente Lula da Silva foi questionado sobre afirmação de que não concorreriria às eleições de 2026. Respondendo ao repórter, lembrou que até lá estará com 81 anos de idade. Até aí tudo bem. O diacho é o que vem depois: "Eu só posso ser candidato com saúde perfeita, com 81 de idade, energia de 40 e tesão de 30".
A isso dá-se um nome: machismo.
Lula, aliás, é recorrente nessa questão. Num passado recente falou o que não vou falar agora.
O machismo é uma porcaria. Pega branco, pega preto, novo, velho, gordo, magro e, principalmente, pessoas sem educação e civilidade. Pena que isso ocorra também com o nosso presidente.
O presidente anterior, o porcaria Bolsonaro, foi não foi repete que é "imbroxável", "imorrível" e coisa e tal. Esse não tem salvação. Com jeito, Lula ainda pode se salvar. Digo isso porque a sociedade brasileira a todo dia se esclarece mais. E isso é importante.
Não à toa, as mulheres sofrem tanto nas unhas dos machões. Muitas e muitas apanham até a morte. Infelizmente.
O Brasil que queremos é um Brasil bonito, de pessoas que se respeitem mutuamente e que deem o real valor à educação e ao próximo. Sem isso fica difícil a convivência entre pessoas.
É isso.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
DEMOCRACIA E GLÓRIA MARIA
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023
PACHECO É REELEITO PRESIDENTE DO SENADO
NOSSA DEMOCRACIA ESTÁ VIVA
Hoje cedo acompanhei pelo rádio a solenidade de reinício dos trabalhos jurídicos no STF. Foram feitos quatro discursos. O primeiro coube à presidente do Supremo, Rosa Weber. Importantíssimo. Em vários momentos foram lembrados os ataques contra a democracia. Vândalos destruíram o que encontraram pela frente, no espaço onde se acham os prédios que simbolicamente representam os três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
Depois de Rosa Weber, discursou o inacreditável PGR, Augusto Aras.
Com a maior cara de pau do mundo, o bolsonarista PGR começou lembrando pateticamente alguém que ama alguém profundamente. E tascou: "Democracia eu te amo, te amo, te amo!". E sem se quer enrubescer, chegou a tecer loas à figura do filósofo italiano Norberto Bobbio. Pra quem não sabe ou lembra, Bobbio (1909-2004) foi um dos maiores intelectuais defensores da Democracia e direitos humanos no mundo. Sua obra é vasta e necessária para que entendamos os descalabros cometidos ou que se possam cometer contra as liberdades.
O Aras é uma vergonha à vida brasileira.
O terceiro discurso feito hoje no STF coube ao presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco. Sem muito brilho, mas ainda assim um bom discurso para o novo ano jurídico inaugurado na manhã de hoje.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse da necessidade de resolver os problemas do Brasil e do povo brasileiro. Voltou a falar do quebra-quebra de 8 de janeiro. Os envolvidos nessa tentativa de golpe pagarão por tudo que fizeram, garantiu. E garantiu também que todos os esforços, da parte do governo, estão sendo feitos para pôr fim definitivo aos crimes praticados até aqui contra os Yanomami. Isso quer dizer que garimpeiros e madeireiros que atuam ilegalmente na Amazônia serão todos postos pra correr. Cadeia neles!
Como se vê, o Brasil não é pra principiantes.
terça-feira, 31 de janeiro de 2023
VIVA O BREGA BRAGA!
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
HOJE É O DIA DA SAUDADE
LEIA MAIS: HOJE É DIA DE SAUDADE • SAUDADE É BOA E DOCE QUE NEM RAPADURA, MAS DÓI! • O QUE É SAUDADE? • VIVA A POESIA!
sábado, 28 de janeiro de 2023
A ARAPUAN E A HISTÓRIA DO RÁDIO NA PARAÍBA
Sob a direção geral de Otinaldo Lourenço, o Rádio Arapuan constituiu, durante o consulado militar, instrumento da mais autêntica resistência democrática.
É claro que esta deve ser considerada em termos. A certa altura, a emissora sabia que não poderia conceder passo em falso. Na reabertura, o próprio Governo advertira:
— Vocês tomem cuidado para evitar novo fechamento!
(Do livro A Arapuan e o Rádio Paraibano; pág. 103)
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| O documentarista Vladimir Carvalho |
A luta do padre foi titânica. Lutou, lutou e morreu na praia, triste e decepcionado pela indiferença dos homens poderosos de seu tempo, que poderiam ter reconhecido seus estudos científicos que apontavam o rádio como sua grande descoberta.
O louvor da invenção do rádio coube ao italiano Guglielmo Marconi.
No Brasil o rádio deu seus primeiros sinais de vida, oficialmente falando, no dia 7 de setembro de 1922. O presidente da República era o paraibano Epitácio Pessoa, cujo governo e o País comemoravam o 1° centenário do falacioso "grito do Ipiranga".
Para efeitos históricos, a primeira emissora de rádio a entrar no ar com um esboço de programação própria foi a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, no dia 20 de abril de 1923.
Em 1936 a Rádio Sociedade, que tinha à frente o cientista Roquette Pinto, seria doada ao governo Vargas e ganharia o nome de Rádio MEC.
A partir dos anos 30, o rádio começava a se espalhar pelo território nacional.
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| Enoque Pelágio |
No dia 16 de agosto de 1950 os paraibanos foram presenteados com a inauguração da Rádio Arapuan.
O novo livro do historiador José Octávio de Arruda Mello trata do que bem diz o título: A Arapuan e o rádio paraibano (Uma Biografia Dual).
Desde o título, passando pelo preâmbulo e dados finais, José Octávio mostra a importância de Otinaldo Lourenço, seu irmão, na radiodifusão paraibana. E à página 69, escreve:
Foi com Otinaldo Lourenço, na direção artística do Rádio Arapuan, em 1959, que teve início a mais ampla renovação do rádio paraibano.Começou na Tabajara, na área de esportes, e na Arapuan mostrou seu talento por completo. Foi inovador tanto na redação, reportagem e direção.
Não é demais afirmar que Otinaldo inovou na forma de transmitir notícias. Isso em áreas diversas. Esportiva, por exemplo. Formou ao lado de nomes importantes da imprensa local como Ivan Bezerra, Bernardo Filho e Vladimir Carvalho.
Pra quem não liga o nome à pessoa, necessário se faz dizer que o Vladimir aqui citado é o famoso e mais importante documentarista cinematográfico do Brasil, autor da pérola O País de São Saruê, baseada no folheto de cordel de Manoel Camilo (1905-1987).
O País de São Saruê foi um dos primeiros filmes nacionais censurados pela ditadura militar.
A Rádio Arapuan levava a seus ouvintes programas dos mais diversos: Dramas e Comédias da Cidade, por exemplo, com o repórter policial Enoque Pelágio (1934-1987) e Antena Política, com Otinaldo e seu irmão José.
Otinaldo Lourenço e José Octávio entrevistaram expressivos nomes da política brasileira, como Ulisses Guimarães, Abelardo Jurema, ex-ministro da Justiça e o general Costa e Silva que na ocasião, em 1967, soltou a gracinha: "Jornalista sem gravador é como soldado sem fuzil".
A religião também não ficou de fora da grade da emissora.
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| Otinaldo entrevista o general Costa e Silva |
Sem dúvida, afirmo com todas as letras que a Rádio Arapuan marcou época.
A Arapuan foi a primeira emissora do Brasil a dar em primeira mão a notícia do assassinato do presidente chileno Salvador Allende, no dia 11 de setembro de 1973. Furo!
O jornal Furo… Essa é outra história.
Otinaldo era natural de Surubim, PE, nascido em 1934. Foi, além de radialista, bacharel em Direito e professor da Universidade Federal da Paraíba, como o irmão José. Morreu no dia 13 de fevereiro de 2021, quando se comemora o dia mundial do rádio, criado pela UNESCO em novembro de 2011. Em abril de 2022 foi lançado um livro póstumo: A Revolução do Rádio na Paraíba e Anotações Autobiográficas.
Foto e reproduções Flor Maria e Anna da Hora
SÃO PAULO 469 ANOS
Nesse dia 25 de janeiro os paulistanos comemoram com ênfase o 469º aniversário de fundação. São Paulo é a cidade mais cantada do mundo em músicas de todos os gêneros: forró, baião, xote, xaxado, samba, rock, choro e tudo o mais. Eu mesmo cheguei a compor música em homenagem à Sampa. Jarbas Mariz e eu compusemos São Paulo Esquina do Mundo. Compus e interpretei Declaração de Amor a São Paulo. Sobre essa cidade, que tão bem me acolheu em 1976, já escrevi muita coisa e até uma exposição/ocupação fiz em 2012 intitulada Roteiro Musical da Cidade de São Paulo, na unidade Sesc Santana/SP. Para o Newsletter Jornalistas&Cia escrevi o texto abaixo. Leia: SÃO PAULO EM MÚSICA, PROSA E VERSO
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