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quinta-feira, 2 de março de 2023
O NOSSO SENADO É UMA MÃE
quarta-feira, 1 de março de 2023
AINDA HÁ ESCRAVIDÃO NO BRASIL
... Eu estava uma tarde sentado no patamar da escada exterior da casa, quando vejo precipitar-se para mim um jovem negro desconhecido, de cerca de dezoito anos, o qual se abraça aos meus pés suplicando-me, pelo amor de Deus, que o fizesse comprar por minha madrinha, para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida... Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição, com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava.
Nada mostra melhor, do que a própria escravidão, o poder das primeiras vibrações do sentimento... Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar... Assim eu combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimittis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimentando uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.
É que tanto a parte do senhor era inscientemente egoísta, tanto a do escravo era inscientemente generosa. A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil...
(Massangana, trecho do capítulo 20 do livro Minha Formação, de Joaquim Nabuco; 1900)
Quando a campanha da abolição foi iniciada, restavam ainda quase dois milhões de escravos, enquanto que os seus filhos de menos de oito e todos os que viessem a nascer, apesar de ingênuos, estavam sujeitos até aos 21 anos a um regime praticamente igual ao cativeiro. Foi esse imenso bloco que atacamos em 1879, acreditando gastar a nossa vida sem chegar a entalhá-lo. No fim de dez anos não restava dele senão o pó. Tal resultado foi devido a muitas causas... Em primeiro lugar, à época em que foi lançada a idéia. A humanidade estava por demais adiantada para que se pudesse ainda defender em princípio a escravidão, como o haviam feito nos Estados Unidos. A raça latina não tem dessas coragens. O sentimento de ser a última nação de escravos humilhava a nossa altivez e emulação de país novo. Depois, à fraqueza e à doçura do caráter nacional, ao qual o escravo tinha comunicado sua bondade e a escravidão o seu relaxamento. Compare-se nesse ponto o que ela foi no Brasil com o que foi na América do Norte. No Brasil, a escravidão é uma fusão de raças; nos Estados Unidos, é a guerra entre elas...
Em 2000, o cantor e compositor Caetano Veloso melodiou parte do texto Massangana. O texto musicado foi o título do CD Noites do Norte. Ouça:
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RUY BARBOSA 100 ANOS
LEIA MAIS: O NEGRO NA HISTÓRIA (1) • ARTISTAS ENGAJADOS
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
SECOM PROMETE COMBATER FAKE NEWS
A Secretaria de Comunicação do Governo Federal, Secom, acaba de criar um cargo que visa combater a onda de notícias falsas. Até aí, tudo bem. Porém, há um porém.
O novo cargo ainda não foi preenchido, mas chama atenção pela peculiaridade do título: coordenadora da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Pois é, parece piada. É piada.
Daqui desejo sorte e sucesso ao titular da Coordenação de Políticas para a Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação da Coordenação-Geral de Liberdade de Expressão e Enfrentamento à Desinformação do Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
JOSÉ NÊUMANNE NO PAIAIÁ
O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto está lançando um novo livro de poesias: Antes de Atravessar (Ed. Ibis Libris).
Nêumanne foi entrevistado sábado 25 pelo radialista Carlos Silvio. Acompanhe a entrevista, clicando:
ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (2, FINAL)
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| As cantoras Dalva de Oliveira, Isaura Garcia e Aracy de Almeida |
Três anos depois de ser aprovada num programa de calouros da Record, comandado pelo radialista Otávio Gabus Mendes (1906-1946), gravou o seu primeiro disco, pela extinta Columbia, no formato de 78RPM o samba Pode Ser?, de Geraldo Pereira e Marino Pinto; e o choro Chega de Tanto Amor, de Mário Lago.
Isaurinha Garcia, como Dalva de Oliveira, cantou tudo quanto foi ritmo. Baião inclusive.
Ouça Baião no Braz.
Em 1979, a Personalíssima foi entrevistada no programa FM Inéditos, da rádio Eldorado. A entrevista foi ótima. A respeito, escreveu o historiador José Ramos Tinhorão:
… Acompanhada apenas por um violão — contou sua vida com alegre sinceridade, e cantou com paixão algumas várias músicas que os interesses de estúdio nunca lhe haviam antes permitido gravar. Sem o saber, Isaurinha Garcia estava produzindo ali, ao vivo, naquela hora, um raro documento de verdade e de beleza.No seu texto de contracapa do LP, Tinhorão concluiu:
O resultado dessa obra de carinho e competência técnica de Aluízio Falcão e da Eldorado postos a serviço da glória devida a uma das mais originais intérpretes femininas da música popular brasileira em todos os tempos, é um disco raro e único: resume uma carreira, conta uma vida e permite ouvir, para sempre, uma voz do povo destinada a ficar acima das modas e do tempo. A mágica voz nacional do Brás de Isaurinha Garcia.Isaurinha já chegou a ser tema de um musical, estrelado pela atriz Rosamaria Murtinho (Isaura Garcia — O musical, 2003) e de um livro escrito por Lulu Librandi (Mensagem — A Isaurinha Garcia, 2013).
Isaurinha teve pouquíssimas participações no cinema.
No filme Garotas e Samba, de Carlos Manga (1957), ouve-se Isaurinha cantar a marchinha Garrafa Cheia, de Adoniran Barbosa, Benedito Lobo e Antônio Rago. Sim, ela bebia legal. E orgulhava-se da boca suja de palavrão que tinha. Dizia que o seu repertório de palavras de baixo calão era só comparável ao repertório de Aracy de Almeida e Emilinha Borba.
Aracy, não custa lembrar, foi a melhor intérprete das músicas de Noel Rosa.
Da sua discografia constam cerca de 300 títulos. Entre esses Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro.
Já está mais do que na hora de algum diretor de cinema levar à telona a vida dessa artista nascida no bairro paulistaníssimo do Brás.
Este ano, comemora-se 100 anos do nascimento de Isaurinha Garcia.
Ano que vem, 100 anos do nascimento de Paulo Vanzolini.
Depois, em 2025, é a vez de comemorarmos o centenário de Inezita Barroso.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
ISAURINHA GARCIA, 100 ANOS. ISSO DÁ FILME! (1)
Ei, vem cá: você já ouviu falar de uma mulher chamada Vicentina de Paula Oliveira?
Não, sei que você não sabe quem foi essa Vicentina.
E se eu disser que essa Vicentina atendia pelo nome de Dalva de Oliveira, hein?
Meu amigo, minha amiga: você já ouviu falar de uma mulher chamada Isaura Garcia?
Hummm... Tá. Isaurinha Garcia. Isso mesmo, ela.
Dalva de Oliveira nasceu no interior paulista, numa cidade chamada Rio Claro, a pouco mais de 170 km da capital de São Paulo. Ano: 1917.
Isaurinha Garcia, paulistana do Brás, nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923.
O que diachos tem a ver Dalva de Oliveira com Isaurinha Garcia, além de ambas terem nascido num mesmo século no Estado de São Paulo?
Isaura era filha de um italiano com uma brasileira. Pobre. Simples, humilde. Casal que queria tudo de bom para a filha, naturalmente. História essa: tinha 13 anos a menina Isaura quando participou de um programa de calouros na rádio Cultura. 1937. Foi gongada. No ano seguinte saiu-se vitoriosa num outro programa de calouros, interpretando um samba de Assis Valente intitulado Camisa Listrada, na Rádio Record.
Pela Record Isaura, que viraria Isaurinha, chegaria a se aposentar.
A história é longa e cheia de altos e baixos. Baixíssimos. Baixarias, na verdade.
Isaura deixou a casa dos pais ainda na primeira adolescência. Tinha uns 14, 15 anos. Fez isso por achar-se apaixonada por um bam-bam-bam da radiofonia paulistana, com quem viveu durante 18 anos. Isso não quer dizer que ela tenha sido exclusiva dele. Disse-me uma vez, às gargalhadas.
Isaurinha Garcia foi uma mulher marcante, tão marcante quanto a sua voz: ia do baixo ao alto.
Sabe amigo, amiga, daquelas pessoas que nos encantam derrepentemente?
Assim era Isaurinha cheia de obviedades surpreendentes: cantava com verdades, interpretando com intensidade as letras das canções que lhe chegavam às mãos.
O poeta mineiro Drummond talvez a chamasse de gauche e não erraria.
Isaurinha quando se apaixonava, apaixonava-se por completo. Sem medo. "Ele batia em mim, na cara. Pá!".
Referia-se ao músico pernambucano Walter Wanderley (1932-1986).
Quando ela uma vez a mim disse isso, e é certo que a outros jornalistas também, foi naquela maneira meio rindo. Gargalhando, mas um gargalhar meio triste, falso, de quem engole dor de maneira forçada. Dava pra ver.
Teve Isaurinha três maridos e muitos amantes. Ela: "Eles me traíam e eu dava o troco".
Dalva de Oliveira teve três maridos e nenhum amante.
Isaurinha Garcia teve apenas uma filha. Dalva, com seu primeiro e mais turbulento marido teve dois filhos.
Dalva de Oliveira é um marco da música popular brasileira no tocante à voz. Foi a nossa maior cantora da música popular. O seu timbre vocal ia do contralto ao soprano. Inimitável.
Isaurinha Garcia, a Personalíssima na acertada definição de Blota Júnior (1920-1999), foi de fato uma cantora que marcou época em 50 anos de carreira.Não precisa ir longe na memória, mas quem gosta de música bonita vai se amarrar, como se dizia lá pelos anos 80. É de 1945 seu primeiro sucesso musical: Mensagem, de Aldo Cabral e Cícero Nunes.
ROBINHO DEVE SER PRESO POR ESTUPRO
À presidente do STJ, Maria Tereza de Assis Moura, cabe decidir pela homologação da condenação por estupro o ex-jogador de futebol Robinho. O caso aconteceu na Itália e foi a Justiça italiana que condenou o ex-integrante da seleção brasileira de futebol a uma pena de nove anos de cadeia.
Robinho se acha no Brasil.
Há poucos dias Maria Tereza recebeu da Justiça italiana o pedido de homologação da pena.
Historicamente o Brasil nunca extraditou brasileiros para cumprir pena no exterior.
É 100% provável que a Justiça brasileira mande prender o estuprador. Pode demorar alguns meses para que isso aconteça, mas acontecerá.
É opinião quase geral de que lugar de estuprador é na cadeia.
Estupro é coisa séria, gravíssima e deve ser punida no rigor da lei.
Daniel Silva, também ex-integrante da seleção brasileira de futebol, continua preso na Espanha. Nesse país ele foi acusado de estupro.
Cumpra-se a lei.
sábado, 25 de fevereiro de 2023
SIMONAL: IMAGEM REABILITADA
Dono de uma voz e um balanço incomparáveis, Simonal começou a carreira artística gravando um compacto simples. Isso em 1961. Dois anos depois, pela ODEON, gravou seu primeiro LP: Tem algo mais.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023
PUTIN CONTINUA MATANDO NA UCRÂNIA... ATÉ QUANDO?
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023
GERMANO MATHIAS AGORA É SAUDADE
Zombou de todo meu amor, Levou
A alegria colorida
A festa já se acabou
E o que sobrou foi somente despedida...
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
TRAGÉDIA, CARNAVAL E CINZAS
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
NOTA 10 PARA A EXPEDITA DE LAMPIÃO!
CARNAVAL DE SÃO PAULO
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023
ATENÇÃO: FILHA DE LAMPIÃO DESFILA NA SAPUCAÍ, AOS 90 ANOS
Baseados principalmente na literatura de cordel, Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz e Renne Barbosa compuseram o enredo do samba O aperreio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida, que a escola Imperatriz Leopoldinense leva à Sapucaí lá pelo meio da próxima madrugada 21. O enredo começa assim:
Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia
Tal qual barro feito a mão misturado na areia
Quando a sanfona chora, mandacaru aflora
Bate zabumba tocando no meu coração
Leopoldinense, cangaceira é minha escola
Eis o destino do valente Lampião!
Essa não é a primeira vez que Lampião, de batismo Virgulino Ferreira da Silva (1897-1938), é tema de escolas de samba do Rio-São Paulo e de outros Estados. Cheguei a entrevistar DonaMocinha (1910-2012), última irmã do cabaço Lampa. Essa também não foi a primeira vez que i famoso cangaceiro pernambucano entra no vasto repertório da nossa música popular. Em Portugal ele virou ópera popular, ao lado do também celerado Zé do Telhado.
A Imperatriz Leopoldinense exibirá em destaque a única filha do Rei do Cangaço, Expedita Ferreira Nunes. O enredo ela o aprovou completamente e aceitou naturalmente o convite para desfilar na avenida.
Expedita vai completar 91 anos de idade no próximo 13 de setembro. Está, pois, com 90 anos.
A mulher com mais idade a desfilar numa escola de samba foi a nossa maior cantora lírica da história: Balduína de Oliveira Sayão, na arte Bidu Sayão. Tinha 93 anos de idade quando desfilou pela escola Beija-Flor de Nilópolis, no dia 25 de fevereiro de 1995.
Antes de Bidu ir à avenida, como tema de samba-enredo, desfilou pela Viradouro a humorista e atriz Dercy Gonçalves (1907-2008). Isso em 1991, quando tinha 84 anos de idade.
Essas jovens de idade a mais do que o natural são, de fato, incríveis.
A história do nordeste é tudo a ver com a história de Lampião e Luiz Gonzaga. À propósito, na última madrugada a escola Mancha Verde apresentou-se no sambódromo do Anhembi, SP. Tema: Oxente - Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil. Fala de Luiz Gonzaga.
Ouça o enredo da Imperatriz Leopoldinense:
LEIA MAIS: MARIA BONITA É CRIAÇÃO DE JORNALISTAS • CANGAÇO E CONGRESSO DE CANGACEIROS
FORRÓ NATIVA
Hoje 20 ali pelo meio da madrugada, ouvi os irmãos Expedito e Amorim Filho tecerem loas sobre o trabalho de pesquisa no campo da cultura popular que desenvolvo desde sempre. Os dois, famosos como Mano Novo e Mano Véio, tomaram por base textos que escrevi a respeito da história do Carnaval. Isso no programa que apresentam madrugada adentro e há anos na rádio Nativa FM (93.5). Fico grato aos dois pela deferência e pelas belas palavras a mim dirigidas.Expedito e Amorim Filho há muito labutam no rádio paulistano. Estive várias vezes no programa Nas Quebradas do Sertão, que apresentavam ao vivo na Velha Bandeirantes. O Nordeste se acha por inteiro na cabeça e no coração desses dois craques a quem os nordestinos de boa cepa devem muito, culturalmente falando.
domingo, 19 de fevereiro de 2023
CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (2, FINAL)
Eu sempre procurei ouvir artistas que enriquecem ou enriqueceram a nossa música popular.
Em fevereiro de 1990 publiquei entrevistas no Jornal de Brasília. Foram três. A primeira foi com João de Barro, o Braguinha, autor de clássicos do carnaval. É dele Touradas em Madri. é dele também, junto com Pixinguinha a pérola Carinhoso. A segunda foi com Zé Keti autor da última grande marcha-rancho Máscara Negra, com Pereira Matos. A terceira foi com Nássara. É dele e Haroldo Lobo a marchinha Alá-lá-ô, tornada clássica desde o seu lançamento em 1941.
Uma vez, fazendo pesquisa na biblioteca pública do Porto, deparei-me com uma notícia publicada num velho jornal português dando conta de que as primeiras manifestações carnavalescas no Brasil ocorreram bem no início do século 17. Notícia pequena, curtinha.
Uma notinha aqui, outra ali em jornais encontrados na Biblioteca Nacional dão conta de que o carnaval por aqui surgiu timidamente. Primeiramente em ambientes fechados. Bailes e tal. O primeiro desses bailes acorreu em 1840, no Rio. E foram se multiplicando e chegaram às ruas. O Zé Pereira saiu numa espécie de bloco do Eu Sozinho, batendo bombo.
Em 1899, à compositora e maestrina Chiquinha Gonzaga coube a façanha de assinar a primeira marchinha de carnaval, Ó Abre Alas, que teria trechos gravados em disco da Casa Edison. A gravação completa porém só seria feita em 1972, pelas irmãs Linda e Dircinha Batista.
A primeira escola de samba de que se tem notícia é Deixa Falar, de 1928. A mais antiga, ainda em atividade, é a Portela que sai este ano de 2023 contando a sua história de 100 anos com o enredo O Azul Vem do Infinito.
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O carnaval tem sido ao longo do tempo objeto dos mais variados estudos. À respeito, muitos livros já foram publicados. Mas faltava um que tratasse de publicações periódicas, como jornais e revistas. E aí, em 2000, o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão (1928-2021) teve publicado pela Hedra o livro A Imprensa Carnavalesca no Brasil, cuja leitura recomendo.
Muitas coletâneas em disco, abordando a temática, também foram lançadas à praça. Entre essas Sempre Carnaval, caixa que traz seis LPs e um encarte contando um pouco da história do chamado “tríduo momesco”.
CARNAVAL DE BILAC
A crônica é um gênero jornalístico surgido na segunda parte do século 19. O jornalista, poeta e contista carioca Olavo Bilac (1865-1918) foi um craque nesse campo. Entre 1898 e 1908, ele publicou semanalmente no jornal Gazeta de Notícias crônicas que seriam publicadas no livro Ironia e Piedade, em 1916. Nesse livro ele publica a deliciosa Carnaval. Começa assim, à pág. 119:Mascarados, sede bemvindos ! — diz em Romeu e Julieta o velho Capuleto — já houve um tempo em que eu também me mascarava, para murmurar amáveis lisonjas ao ouvido das mulheres bonitas !» Quasi todos os velhos cariocas podem dizer o mesmo, porque no Rio de Janeiro o Carnaval já foi a grande festa da cidade, a festa que congregava no mesmo delírio todas as classes e todas as idades.
Muita gente séria, antigamente, suspirava todo o anno pela chegada d'essa época feliz.
É que havia logares a que não podia ir, sem grave escândalo, o burguez prudente. [...]
Foto e reproduções por Flor Maria e Anna da Hora
sábado, 18 de fevereiro de 2023
CARNAVAIS DAS PANDEMIAS DE ONTEM E DE HOJE (1)
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| Assis e Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste |
No começo da segunda metade de 1918, a denominada “gripe espanhola” chegou ao Brasil pelos portos de Recife, Rio e São Paulo. Rapidamente a praga pegou. Matou muita gente por cá e alhures. Ao fim e a cabo, pelo menos 500 milhões de pessoas foram a óbito. Isso significou algo como ¼ da população mundial. Muita gente importante pegou essa gripe. O poeta Olavo Bilac morreu disso, em dezembro daquele ano.
O carnaval de 1919 foi uma barbaridade em todos os sentidos. Houve suicídios, estupros, balas...
Este ano de 2023 é, a rigor, o primeiro carnaval pós-pandemia Covid-19.
Evoé!
O carnaval é a festa popular de maior ressonância no Brasil. Foi trazida por portugueses cerca de um século depois de terem nos encontrado na pele dos indígenas. Éramos mais ou menos cinco milhões de almas de etnias diversas. Sobraram poucas. Pilantras de todos os tipos e patentes não se cansam de chafurdar nas terras dos nossos originários, pondo-os numa situação de risco grave, gravíssima, mas essa é outra história.
Carnaval: carne levare, carnivale, carnaval...
Não dá pra cravar com exatidão o mês e o ano em que nasceu o carnaval. Há quem diga que tem origens na Antiguidade. Pagã. Há também quem diga o contrário, ou seja: na Era iniciada com o nascimento de Jesus. Idade Média ou sei lá! O fato é que o carnaval, tal como o conhecemos, surgiu mesmo foi no Brasil.
Em país algum o carnaval é tão colorido e sensual como o carnaval do Brasil. É um carnaval bonito, extraordinariamente bonito, com sotaques e gingas pontuais de norte a sul.
O carnaval no Nordeste tem um quê a mais que outros carnavais do país.
No Sudeste, notadamente no Rio e em São Paulo, as escolas de samba são a grande atração.
Recife, chamada de Veneza brasileira, apresenta um carnaval peculiar e por isso mesmo inesquecível com seus grupos de maracatu e cirandas. Sem falar no famoso Galo da Madrugada com aqueles bonecões representando personagens do bem e do mal que pululam na vida nacional. E tem o frevo.
O frevo pernambucano é alegre, bonito, incomparável.
O pai do frevo sempre foi pra mim o inimitável Capiba, de batismo Lourenço da Fonseca Barbosa. A propósito cheguei a perguntar a Capiba se ele mesmo se considerava o pai desse inebriante ritmo. Rindo disse que não, que não era pai de nada. Mas quisesse ou não, compôs frevos incríveis. Chapéu de Sol Aberto, por exemplo. Esse frevo chegou a dar título a um LP, cuja capa foi ilustrada (vejam só!) por ele próprio.
Há uns 30 anos entrevistei Capiba no programa Gente e Coisas do Nordeste, que eu apresentava na Rádio Atual. Duas horas de papo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
ESCOLAS CONTAM HISTÓRIAS DO NORDESTE. PORÉM, A DESEJAR
HOJE É DIA MUNDIAL DO GATO. E AÍ?
No calendário nacional e estrangeiro existe dia pra tudo. Dia de santo tal, dia do herói não-sei-quem, dia da independência não sei da onde, Dia da Paz Mundial, que é no dia 1º de janeiro. Existe dia pra tudo. Dia do Samba, Dia do Choro, Dia da Poesia, Dia da Literatura Infantil, Dia disso e daquilo. Até Dia do Gato existe.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
AINDA SEM FINAL O CASO NERUDA
A polêmica aumenta: foi assassinado ou vítima de câncer de próstata, no dia 23 de setembro de 1973?
Ontem 15 à tarde o advogado Rodolfo Reyes, que representa a família no processo contra o Estado chileno, garante que os laudos de que dispõe comprovam que no poeta foi injetada uma substância desconhecida.
Depois de exumado, em 2012, no corpo de Neruda foi encontrada uma bactéria conhecida como "Clostridium botulinum", cuja toxina causa botulismo.
Eu não sei bem o que é isso, mas sei que isso mata.
A juíza designada para acompanhar o caso, Paola Plaza, acha insuficientes as informações que lhes chegaram às mãos. E disse em entrevista coletiva: "Não posso assumir a responsabilidade pelo que está circulando na imprensa e se algum dos participantes teve conhecimento prévio".
O sobrinho-neto do poeta, Bernardo Reyes, disse por sua vez que "A conclusão científica não poderá determinar sua associação com um ato homicida. Sem mencionar que até 1973 ainda não havia no país, durante a ditadura, um desenvolvimento de assassinatos com técnicas químicas".
Bernardo Reyes aproveitou a ocasião pra dizer que seus parentes são "porta-vozes arrogantes, que sequer representam a família".
Isso tudo vem à baila depois que o motorista de Neruda, Manuel Arayas, revelou em 2012 que logo após receber a injeção que provavelmente lhe causou a morte, o poeta lhe telefonou para dizer que estava sentindo sintomas estranhos no corpo.
É grande e valorosa a obra do poeta chileno, traduzida em várias línguas mundo afora.
Ditadura é um horror!
PRISÃO PARA BOLSONARO
Enquanto isso o Partido Socialismo e Liberdade, PSOL, encaminha abaixo assinado ao STF pedindo a prisão do candidato a ditador do Brasil, Jair Bolsonaro, que se acha escondido em local qualquer dos EUA. No documento há cerca de 300 mil assinaturas. À respeito diz o deputado federal Guilherme Boulos:
"Bolsonaro anunciou que voltará ao Brasil em março, esperamos que volte mesmo para responder no banco dos réus pelos crimes que cometeu. Além de tudo, ele é muito covarde. Passou quatro anos desacreditando o sistema eleitoral e estimulando o golpismo no Brasil, defendendo AI 5, ditadura, tentando transformar torturador em herói. Nosso pedido é de reparação. Não é vingança, é justiça. Nenhuma ferida cicatriza se não houver reparação. Por isso, viemos entregar as quase 300 mil assinaturas que apoiam o nosso pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, como forma de reforçar o pedido que já fizemos ao Supremo Tribunal Federal. Prisão para Jair Bolsonaro, aos milicianos, aos golpistas".
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023
MATARAM NERUDA, NERUDA VIVE!
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| Pablo Neruda no Pacaembu |
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023
O RÁDIO JÁ TEM SAMBA
Faz o mundo se ligar
Dessa caixa sai a voz
De quem tem o que falar
Sobre tudo conta a voz
Que tem sempre o que contar
Pra saber o que se passa
Basta fazê-la falar
Ligada a caixa fala
Toca e canta sem parar
Fora isso diz a hora
Pra ninguém se atrasar
Variadas formas tem
Essa bela invenção
Que cabe bem certinho
Até na palma da mão
O autor dessa magia
Foi o padre brasileiro
Roberto Landell de Moura
Famoso no mundo inteiro
Estou ficando moderno. Até instagram agora eu tenho. E no pique. Confira, clicando: https://www.instagram.com/assis_angelo/
domingo, 12 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (2, FINAL)
Gostava de ler. Érico Veríssimo era um de seus grandes autores. Gostava da música erudita: Bahr, Beethoven…
Não foram poucos os discos que Carmélia gravou. Dezenas, dezenas. Seu repertório é extenso. E cantava onde tinha gente pra ouví-la. Gravou discos em vários países: na Rússia, Alemanha, Itália, EUA, Argentina, Uruguai (onde gravou um belíssimo LP), Portugal, África e tal.
Divulgando o baião e outros gêneros de nossa música, Carmélia apresentou-se em dezenas e dezenas de países com Jimmy a seu lado. Levou a sério o "título" de rainha do baião dado por Gonzaga. Fez muito sucesso. Músicas que gravou continuam gravadas no inconsciente popular. Exemplos: Sabiá na gaiola, Trepa no Coqueiro…
A minha filha caçula Clarissa ama até hoje Sabiá na Gaiola…
E o tempo passou. Passando o tempo, no programa São Paulo Capital Nordeste que eu apresentava na Rádio Capital (AM 1040), num momento só és que eu estou lado a lado, ou no meio, com as rainhas Marinês, Carmélia e Anastácia.
De Gonzaga e parceiros, Carmélia gravou muitas músicas. E de Hervê também, até um LP só com músicas dele. Isso em 1959. Nesse ano, o
radialista Cezar Ladeira fez um rádio teatro abordando a vida de Carmélia e Jimmy. Título: Amor de Sua Vida. O único registro desse programa se acha no acervo do Instituto Memória Brasil, IMB, num disco nunca levado comercialmente à praça.O Brasil precisa dar mais atenção aos seus artistas, não é mesmo?
Carmélia Alves Curvello morreu no Retiro dos Artistas, no Rio, abandonada, no dia 3 de novembro de 2012.
Jimmy Lester morreu no dia 13 de novembro de 1998.
Viva a rainha de todos os baiões, do samba ao frevo!
LEIA MAIS: FESTA NO CÉU COM O REI E RAINHA DO BAIÃO • CARMÉLIA DE BAIÃO TAMBÉM ERA DO FREVO • REIS DA MÚSICA CANTAM SÃO PAULO • AINDA CARMÉLIA ALVES
sábado, 11 de fevereiro de 2023
CARMÉLIA ALVES: 100 ANOS DE VIDA E CARNAVAL (1)
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| A cantora Carmélia Alves |
No auditório da rádio Jornal do Commercio em Recife, PE, fez uma apresentação histórica interpretando baiões e tudo mais. Foi em novembro de 1950. Fez um pot-pourri e saiu na boca do povo. Não demorou e Luiz Gonzaga, que emplacava um sucesso atrás do outro a partir do Rio, a chamou de rainha do baião e até simbolicamente a coroou como tal.
Não custa lembrar que Carmélia gostava de ouvir rádio e de cantar imitando até nos trejeitos a portuguesinha Carmen Miranda.
Carmélia, de batismo Carmélia Alves Curvello, tinha uns 17 anos de idade quando a princípio sem os pais saberem passou a frequentar auditórios e programas de calouros que se multiplicavam nas emissoras de rádio do Rio. Passou em todos até no Estrada de Jacó ou algo parecido, comandado pelo invocado mineiro Ary Barroso.
Em 1943 Carmélia gravou o primeiro disco: um 78rpm com as músicas Quem Dorme no Ponto é Chofer, de Assis Valente; e Deixei de Sofrer, de Horondino Silva e Buco do Pandeiro. Essa informação não acha na discografia da música brasileira (78rpm) e até onde sei em livro nenhum. Curiosidade: o referido disco foi todo produzido de modo independente com o flautista Benedito Lacerda à frente. Os cantores Chico Alves, Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro e a divina Elizeth Cardoso formaram um coro para acompanhar a brilhante estreante. O disco foi independente, está claro?
Mesmo fazendo bonito nos programas de calouro, Carmélia não conseguiu encantar de imediato os bam-bam-bans das gravadoras.
Carmélia deixou a casa dos pais três meses depois de conhecer o
paulista José Andrade Vilela Nascimento Ramos, com quem se casou no dia 27 de junho de 1944. Tempos de guerra e de dificuldades em todo canto, inclusive no Brasil. Carmélia cantou em quase todos os cassinos do Brasil, antes e depois de ficar famosa.
O presidente à época era o gaúcho Getúlio Vargas, substituído pelo marechal Dutra e por ordem da mulher Carmela achou por proibir o jogo de cassino no Brasil. Fato que mexeu profundamente com a vida dos artistas da época.Eu conheci Carmélia Alves num ano qualquer da década de 1990. Viramos amigos. Ela frequentava a minha casa e eu a dela em Teresópolis, RJ. Fui lá várias vezes. Ora sozinho, ora com o sanfoneiro cearense Cezar do Acordeon, com quem cheguei a dividir parceria numa música em homenagem à Carmélia. Homenagem em vida, né?
Tive ótimos papos com o marido da Carmélia. Vozeirão, voz bonita. Jimmy Lester além de cantar tocava vários instrumentos e produzia shows na vida. Sua carreira como cantor não durou muito. Porque não quis. Gravou bons discos, boas músicas. Gosto de Jangada, canção do maestro Hervê Cordovil e do radialista Vicente Leporace, gravada em 1952. Foi nesse ano em que eu nasci na capital paraibana. Ele trocou sua carreira para dedicar-se a sua mulher. Escreveu e dirigiu vários espetáculos dela no Brasil e no exterior. "Jimmy foi meu único homem. Minha vida com ele foi muito bonita, muito boa. Fomos marido e mulher durante 54 anos", disse-me uma vez Carmélia.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
EU E MEUS BOTÕES (59)
| O compositor Paquito |
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
E OS MANDANTES DO QUEBRA-QUEBRA EM BRASÍLIA, HEIN?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2023
FOME É TERREMOTO QUE MATA NO BRASIL
Há terremotos desde que o mundo é mundo. E continuam aqui e acolá a arrastar pessoas à morte, como agora na Turquia e na Síria. Mas não só de terremotos o mundo morre.
Como os terremotos, a fome é uma praga sem cura.
Há muita fome no continente africano e em outros lugares. No Brasil, por exemplo.
Pois é, no Brasil mais de 30 milhões de pessoas não sabem se vão comer hoje, amanhã ou sei lá!
Gente gananciosa continua metendo a mão no erário das três esferas: municipal, estadual e federal.
Gente gananciosa, sem espírito ou noção está matando índios e florestas.
Representantes das três armas já se acham na Amazônia prendendo ou botando pra correr madeireiros e garimpeiros que há anos vêm atuando ilegalmente na região. O detalhe é que esses caras estão se juntando em grupos para se apropriar dos mantimentos enviados aos indígenas.
As forças legais têm muito mapeamento de área.
Até agora já foram identificadas mais de 1.200 pistas clandestinas para pouso de aeronaves. É o começo do fim para os bandidos da área. Que assim seja!
Enquanto isso, policiais federais continuam cumprindo ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STE/STF, no sentido de prender os aloprados bolsonaristas que pretenderam impedir a posse de Lula como presidente da República.
Isso tudo também é uma espécie de terremoto no nosso país, né não?
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